Depois do fim dos Blogs SAPO: o que fica quando uma casa fecha?

Janela antiga com luz suave e caderno aberto, simbolizando o fim dos Blogs SAPO e a preservação da memória no Arquivo SoLu@.

Há casas que não são feitas de paredes.
São feitas de palavras.

Durante anos, os Blogs SAPO foram isso para mim: uma casa.
Um lugar onde entrei muitas vezes sem saber bem o que ia escrever, mas sabendo que precisava de deixar alguma coisa sair de dentro.

Ali ficaram textos antigos, memórias, desabafos, sonhos, maternidade, amor, dúvidas, recomeços e fases da vida que talvez já não conseguisse escrever da mesma forma hoje.

A partir do dia 1 de julho, deixa de ser possível publicar ou editar nos Blogs SAPO.
E, mesmo sabendo que os tempos mudam, há qualquer coisa dentro de nós que sente quando uma porta se fecha.

Porque um blog nunca foi apenas um blog.

Foi o lugar onde escrevemos quando ainda não havia tanta pressa.
Quando se visitavam blogues como quem batia à porta de alguém.
Quando os comentários eram conversas.
Quando havia uma comunidade feita de nomes, pseudónimos, fotografias pequenas, silêncios e presenças.

Foi ali que muitos de nós aprendemos a partilhar.
A escrever sem filtros perfeitos.
A mostrar pedaços da vida como ela era.
A guardar dias bons e dias difíceis.
A encontrar pessoas que, mesmo sem conhecermos de perto, nos faziam companhia.

Por isso, quando uma casa fecha, fica sempre uma pergunta:
o que acontece ao que vivemos lá dentro?

Acredito que nem tudo se perde.

Ficam as palavras.
Ficam as fases.
Ficam as versões antigas de nós.
Ficam os textos que já não escreveríamos da mesma forma, mas que continuam a ter verdade.
Ficam os caminhos que começaram ali e que nos trouxeram até aqui.

No meu caso, fica também uma enorme gratidão.

Foi nos Blogs SAPO que uma parte importante do meu percurso começou.
Foi ali que nasceram espaços ligados ao amor, à maternidade, aos sonhos, à vida e à vontade de compreender melhor aquilo que sentimos.

Hoje, olho para esses textos antigos com ternura.
Nem todos estão perfeitos.
Nem todos têm a estrutura que eu daria agora.
Nem todos pertencem ao tempo presente.

Mas todos pertencem à minha história.

E é por isso que não quero apagá-los.
Quero guardá-los com respeito.

O Arquivo SoLu@ nasce também dessa vontade: preservar a memória dos antigos blogs, dar contexto ao que ficou para trás e permitir que esses textos continuem acessíveis, não como concorrência ao presente, mas como raiz.

Porque o passado não precisa de ocupar o lugar do presente para continuar a ter valor.
Pode simplesmente ficar ali, como uma fotografia antiga: talvez um pouco desbotada, talvez imperfeita, mas cheia de vida.

O SoLu@, hoje, é a continuação desse caminho.
Mais consciente, mais organizado, mais maduro.
Mas ainda feito da mesma matéria: palavras, amor, maternidade, crescimento, esperança e vida com sentido.

Quando uma casa fecha, podemos sentir saudade.
Mas também podemos reconhecer que crescemos.

E talvez seja isso que este fim dos Blogs SAPO me traz:
a consciência de que houve um tempo bonito, de que esse tempo merece ser agradecido, e de que agora existe outro lugar para continuar.

Obrigada, Blogs SAPO.
Obrigada por terem sido casa.
Obrigada por terem guardado tantas palavras.
Obrigada por terem feito parte de uma época em que escrever online era, tantas vezes, um gesto íntimo de encontro.

O ciclo fecha-se.
A memória fica.
E o caminho continua.

Com carinho,
SoLu@

Ler memórias antigas no Arquivo SoLu@:
arquivo.solua.pt

Entrei numa Trend… e acabei por me ver de fora 🤍

Nos últimos dias tem aparecido nas redes sociais uma nova “moda”:
pessoas a partilharem caricaturas suas, criadas com recurso a inteligência artificial ou ilustração digital, mostrando não apenas o rosto… mas tudo o que faz parte da sua vida.

E eu entrei na trend.
Com curiosidade.
E confesso — com um sorriso.

Quando vi o resultado, percebi que não era apenas um desenho.
Era quase um espelho simbólico.

Ali estavam os livros, o computador, as ideias, a criatividade, o café, as viagens, os projetos, o mundo digital…
e, de forma silenciosa, tudo o que me define nos bastidores: a família, a escrita, os sonhos, as responsabilidades e a vontade constante de criar algo com significado.

Não era “uma imagem minha”.
Era uma representação do meu dia-a-dia.


Mas afinal… o que é uma Trend?

A palavra trend vem do inglês e significa tendência.

Nas redes sociais, uma trend é um comportamento coletivo que se espalha rapidamente:
uma ideia, um desafio, um tipo de fotografia, um filtro, uma música ou um estilo de publicação que muitas pessoas começam a replicar ao mesmo tempo.

É como uma onda digital.
Alguém cria, outros adaptam, e de repente milhares de pessoas estão a fazer versões diferentes da mesma coisa.

O interessante é que, apesar de ser algo coletivo, cada pessoa coloca ali a sua identidade.
A mesma trend nunca fica igual — transforma-se conforme quem participa.


Porque é que estas trends fazem sentido (às vezes)

Nem todas as tendências têm profundidade.
Algumas são apenas divertidas.
Outras são passageiras.
Mas há trends que nos convidam a olhar para dentro.

Esta caricatura, por exemplo, fez-me refletir:

  • O que é que realmente ocupa o meu tempo?
  • O que me define?
  • O que é imagem… e o que é essência?

Vivemos num mundo acelerado, onde muitas vezes mostramos resultados, mas raramente o processo.
Uma caricatura simbólica acaba por contar essa história invisível.


O mais bonito disto tudo

Não foi o desenho em si.
Foi a sensação de leveza.

Perceber que somos muitas versões ao mesmo tempo:
profissional, mãe, criadora, sonhadora, organizadora, aprendiz, guia, amiga…

E que não precisamos escolher apenas uma.
Podemos ser todas — em equilíbrio imperfeito.

Talvez seja essa a verdadeira mensagem por trás desta trend:
não é sobre parecer algo, é sobre reconhecer quem somos agora.

E aceitar que estamos sempre em construção. ✨