Entre a memória e os novos começos

Um ano entre a memória e os novos começos | Sexta-feira Nostálgica

Há algum tempo comecei uma viagem que nunca imaginei fazer.

Não porque quisesse deixar o passado para trás, mas porque percebi que algumas casas mudam de lugar sem deixarem de ser casa.

Ao longo de quase vinte anos fui escrevendo nos Blogs SAPO. Ali ficaram milhares de palavras, fotografias, alegrias, lágrimas, dúvidas, conquistas e muitos pedaços da minha vida.

Quando surgiu a necessidade de criar o arquivo.solua.pt, senti que não estava apenas a copiar textos. Estava a preservar memórias.

Ao mesmo tempo nasceu um novo espaço: o solua.pt.

Não para apagar o passado, mas para continuar a escrever o presente.

Hoje, ao olhar para trás, percebo que este tempo foi muito mais do que um trabalho técnico.

Foi tempo de reconstrução.

Reconstrução de um projeto.

Reconstrução da minha escrita.

Reconstrução da forma como quero estar deste lado, junto de quem me lê.

Durante este tempo escrevi sobre a alegria dos fins de ciclo, sobre o crescimento dos meus filhos, sobre o amor, sobre a maternidade, sobre a menopausa, sobre o descanso, sobre a resiliência e também sobre momentos difíceis que nunca imaginei viver ou partilhar.

Houve dias em que escrevi com um sorriso.

Outros em que escrevi com o coração apertado.

Mas nunca deixei de acreditar que as palavras podem ser um lugar de encontro.

Hoje, o Arquivo SoLu@ guarda a memória de quem fui.

O SoLu@ acompanha quem continuo a ser.

E gosto de pensar que ambos caminham de mãos dadas.

Porque a pessoa que escreveu aqueles textos antigos continua aqui.

Apenas aprendeu que crescer não significa esquecer.

Significa integrar.

Obrigada a todos os que continuam por aqui.

A quem começou a ler há muitos anos.

A quem chegou há poucos dias.

E a quem encontra, numa frase ou numa história, um pequeno motivo para continuar.

O primeiro ano passou.

Mas sinto, com toda a sinceridade, que esta nova caminhada está apenas a começar.

🤍

Pergunta para ti

Se olhares para quem eras há um ano, o que mudou dentro de ti?

Às vezes crescemos tanto por dentro que só percebemos quando paramos para olhar para trás.

Sugestões de Leitura:

Depois do fim dos Blogs SAPO: o que fica quando uma casa fecha?

Janela antiga com luz suave e caderno aberto, simbolizando o fim dos Blogs SAPO e a preservação da memória no Arquivo SoLu@.

Há casas que não são feitas de paredes.
São feitas de palavras.

Durante anos, os Blogs SAPO foram isso para mim: uma casa.
Um lugar onde entrei muitas vezes sem saber bem o que ia escrever, mas sabendo que precisava de deixar alguma coisa sair de dentro.

Ali ficaram textos antigos, memórias, desabafos, sonhos, maternidade, amor, dúvidas, recomeços e fases da vida que talvez já não conseguisse escrever da mesma forma hoje.

A partir do dia 1 de julho, deixa de ser possível publicar ou editar nos Blogs SAPO.
E, mesmo sabendo que os tempos mudam, há qualquer coisa dentro de nós que sente quando uma porta se fecha.

Porque um blog nunca foi apenas um blog.

Foi o lugar onde escrevemos quando ainda não havia tanta pressa.
Quando se visitavam blogues como quem batia à porta de alguém.
Quando os comentários eram conversas.
Quando havia uma comunidade feita de nomes, pseudónimos, fotografias pequenas, silêncios e presenças.

Foi ali que muitos de nós aprendemos a partilhar.
A escrever sem filtros perfeitos.
A mostrar pedaços da vida como ela era.
A guardar dias bons e dias difíceis.
A encontrar pessoas que, mesmo sem conhecermos de perto, nos faziam companhia.

Por isso, quando uma casa fecha, fica sempre uma pergunta:
o que acontece ao que vivemos lá dentro?

Acredito que nem tudo se perde.

Ficam as palavras.
Ficam as fases.
Ficam as versões antigas de nós.
Ficam os textos que já não escreveríamos da mesma forma, mas que continuam a ter verdade.
Ficam os caminhos que começaram ali e que nos trouxeram até aqui.

No meu caso, fica também uma enorme gratidão.

Foi nos Blogs SAPO que uma parte importante do meu percurso começou.
Foi ali que nasceram espaços ligados ao amor, à maternidade, aos sonhos, à vida e à vontade de compreender melhor aquilo que sentimos.

Hoje, olho para esses textos antigos com ternura.
Nem todos estão perfeitos.
Nem todos têm a estrutura que eu daria agora.
Nem todos pertencem ao tempo presente.

Mas todos pertencem à minha história.

E é por isso que não quero apagá-los.
Quero guardá-los com respeito.

O Arquivo SoLu@ nasce também dessa vontade: preservar a memória dos antigos blogs, dar contexto ao que ficou para trás e permitir que esses textos continuem acessíveis, não como concorrência ao presente, mas como raiz.

Porque o passado não precisa de ocupar o lugar do presente para continuar a ter valor.
Pode simplesmente ficar ali, como uma fotografia antiga: talvez um pouco desbotada, talvez imperfeita, mas cheia de vida.

O SoLu@, hoje, é a continuação desse caminho.
Mais consciente, mais organizado, mais maduro.
Mas ainda feito da mesma matéria: palavras, amor, maternidade, crescimento, esperança e vida com sentido.

Quando uma casa fecha, podemos sentir saudade.
Mas também podemos reconhecer que crescemos.

E talvez seja isso que este fim dos Blogs SAPO me traz:
a consciência de que houve um tempo bonito, de que esse tempo merece ser agradecido, e de que agora existe outro lugar para continuar.

Obrigada, Blogs SAPO.
Obrigada por terem sido casa.
Obrigada por terem guardado tantas palavras.
Obrigada por terem feito parte de uma época em que escrever online era, tantas vezes, um gesto íntimo de encontro.

O ciclo fecha-se.
A memória fica.
E o caminho continua.

Com carinho,
SoLu@

Ler memórias antigas no Arquivo SoLu@:
arquivo.solua.pt

Escrever foi a forma que encontrei de voltar a mim

Imagem delicada com folha manuscrita antiga e a frase Escrever foi a forma que encontrei de voltar a mim, simbolizando a escrita como caminho de regresso interior.

Desde que me lembro, comecei a escrever num diário.

O meu primeiro diário foi um presente de aniversário. Tinha uma pequena chave, e isso fazia-me sentir que havia ali um lugar só meu. Um lugar onde podia guardar aquilo que talvez ainda não soubesse dizer em voz alta.

Escrevia sobre os acontecimentos da minha vida, sobre as minhas emoções, sobre aquilo que sentia e nem sempre sabia compreender. Talvez escrevesse mais sobre a tristeza do que sobre a alegria, porque a tristeza, quando não encontra saída, precisa de algum lugar onde pousar.

A escrita foi, desde cedo, uma forma de tentar perceber o que se passava dentro de mim.

Às vezes, ao reler o que tinha escrito, conseguia olhar para trás com alguma distância. Percebia que havia momentos em que era preciso respirar fundo, aceitar o que a vida nos dava e continuar, mesmo sem ter todas as respostas.

A escrita como abrigo

Para mim, escrever foi muitas vezes o meu psicólogo, o meu amigo, o meu confidente.

Era na escrita que eu organizava emoções.
Guardava memórias.
Tentava compreender o amor, a desilusão, a maternidade, a esperança, a fé, a mulher que eu era e a mulher que ainda estava a nascer.

Escrevi porque precisava de me ouvir.
Mesmo quando ninguém lia.
Mesmo quando eu própria ainda não entendia tudo.

Há textos que nascem assim: não para serem perfeitos, mas para nos salvarem um bocadinho.

Quando me fui afastando de mim

Acho que uma pessoa nem sempre percebe o momento exacto em que se afasta de si.

Não acontece de repente.

Vai acontecendo devagar.

Num “sim” dito com o coração cansado.
Numa vontade adiada.
Num sonho colocado sempre para depois.
Numa emoção engolida.
Num silêncio repetido.
Numa tentativa constante de ser suficiente para todos.

E quando damos conta, já quase não perguntamos:

O que é que eu quero?
O que é que eu sinto?
O que é que ainda vive em mim?

Durante muito tempo, talvez eu também tenha escrito para encontrar essas respostas.

Os antigos textos, os blogs e a memória

Quando olho para trás, para os textos antigos, para os blogs, para as palavras que fui deixando ao longo dos anos, vejo muito mais do que publicações.

Vejo fases da minha vida.
Vejo perguntas.
Vejo amores.
Vejo dores.
Vejo esperança.
Vejo uma mulher a tentar compreender o que significa amar e viver.

É por isso que os diários e o arquivo não são apenas passado.

São memória viva.
São raiz.
São testemunho.
São o lugar onde a escrita antiga continua a ter voz, mesmo quando a vida já avançou.

Nem todos os textos antigos têm a maturidade que tenho hoje.
Nem todos foram escritos com a clareza que procuro agora.
Mas todos pertencem ao caminho.

E talvez seja isso que me comove: perceber que, mesmo quando eu não sabia, já estava a regressar a mim através das palavras.

Escrever para voltar a sentir

Há dias em que escrever ainda me devolve partes de mim que estavam dispersas.

Escrevo e percebo o que me dói.
Escrevo e descubro o que me chama.
Escrevo e encontro uma verdade que ainda não tinha conseguido dizer em voz alta.

A escrita tem essa delicadeza: não exige que saibamos tudo antes de começar.

Às vezes, começamos apenas com uma frase.
Com uma memória.
Com uma imagem.
Com uma pergunta.
Com uma saudade.
Com um desconforto.

E, de repente, a alma começa a falar.

A escrita também é propósito

Hoje percebo que escrever faz parte do meu propósito.

Não porque tenha todas as respostas.
Mas porque continuo a acreditar que uma palavra verdadeira pode fazer companhia a alguém.

Eu sei disso porque muitas palavras também me fizeram companhia.

Há textos que acolhem.
Há frases que iluminam.
Há palavras que nos encontram no momento certo.
Há partilhas que fazem uma mulher sentir que não está sozinha.

Talvez seja por isso que continuo.

Pelo amor.
Pela memória.
Pela maternidade.
Pela vida real.
Pela esperança.
Pelas mulheres que também se perderam em algum momento e procuram uma forma de voltar.

Uma pergunta para ti

Talvez a escrita não seja o teu caminho.

Talvez seja a pintura.
A caminhada.
A oração.
O silêncio.
A dança.
A música.
O jardim.
A conversa honesta.
O descanso.

Mas acredito que todas precisamos de um lugar onde possamos voltar a nós.

Um lugar onde não precisamos de representar.
Onde não precisamos de agradar.
Onde não precisamos de ser fortes o tempo todo.

Um lugar onde a verdade possa pousar.

Por isso, deixo-te esta pergunta:

Qual é a forma que a tua alma encontra para voltar a ti?

Para mim, uma das formas é escrever

Para mim, muitas vezes, foi escrever.

Foi escrever quando não sabia explicar.
Foi escrever quando o amor doía.
Foi escrever quando a maternidade me transformava.
Foi escrever quando a vida me pedia mais coragem.
Foi escrever quando precisava de acreditar outra vez.

E talvez continue a ser.

Porque há palavras que não mudam o passado, mas ajudam-nos a compreendê-lo.
Há palavras que não resolvem tudo, mas devolvem-nos presença.
Há palavras que não fazem desaparecer a dor, mas impedem que ela fique sozinha dentro de nós.

Escrever foi a forma que encontrei de voltar a mim.

E talvez, ao partilhar esse caminho, alguém encontre também uma pequena porta de regresso.

Criar também é voltar a mim.
Há emoções que não chegam primeiro em palavras.

Às vezes, chegam em cor, em traço, em silêncio.

🌸 "Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores." 🌸
🌸 “Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores.” 🌸

Desejo

Se este texto te tocou, visita o Arquivo SoLu@, onde guardo parte da memória viva dos antigos blogs, e acompanha também a página O Meu Livro — Aprender a amar e a viver…, onde a escrita continua a transformar memória em caminho.

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Às vezes, basta ir: o que trouxe comigo do Almeirim Talks

Almeirim Talks rumo à inovação

Às vezes, basta ir

Há dias em que quase desistimos.

Dias em que o cansaço fala mais alto, em que apetece ficar em casa, adiar, deixar para outra vez.
Este podia ter sido um desses dias.

Mas eu queria ir ao Almeirim Talks.
Queria mesmo.
E fui.

A minha irmã acompanhou-me.
O meu marido também foi, mesmo tendo quase desistido à última da hora.
E ainda bem.

Porque há lugares onde não vamos apenas para ouvir pessoas falar.
Vamos para nos lembrarmos de alguma coisa cá dentro.
Vamos para sair um pouco da rotina, respirar outro ar, e perceber se ainda somos capazes de sentir entusiasmo, curiosidade e ligação.

Antes de começar: uma pergunta interior

Antes do evento começar, levei comigo uma pergunta silenciosa:

Do que preciso eu de me lembrar hoje?

Nem sempre sabemos ao certo o que procuramos quando aceitamos ir a um evento destes.
Às vezes, achamos que vamos apenas ouvir ideias novas.
Mas, no fundo, talvez vamos à procura de confirmação, de direção, de sentido.

Eu precisava de me lembrar de que ainda faz bem estar no meio de pessoas com interesses parecidos.
Precisava de me lembrar de que sair de casa, mesmo quando quase não apetece, pode devolver-nos uma parte importante de nós.
E precisava, talvez sem o saber totalmente, de voltar a sentir aquela energia boa de pertença.

Durante as talks: guardar o essencial

Ao longo das talks, percebi que não era preciso escrever tudo.

Bastava guardar o essencial.
Bastava deixar assentar aquilo que realmente me tocava.

Houve uma frase que ficou comigo:

O importante são as pessoas.

Tão simples.
Tão verdadeira.

No meio de tantos projetos, objetivos, pressas e exigências, é fácil esquecermo-nos disto.
No fim, são sempre as pessoas que dão sentido ao caminho.
As que nos acompanham.
As que nos inspiram.
As que acreditam.
As que aparecem.

Houve também uma ideia que me fez pensar ainda mais:

Os nossos valores e a nossa paixão são importantes.

Nem tudo o que fazemos precisa de ser perfeito para ter valor.
Nem tudo o que amamos precisa de estar acabado para ser legítimo.
Às vezes, o mais importante é justamente isso: perceber que aquilo que nos move, aquilo em que acreditamos, aquilo que queremos construir com verdade… importa.

E houve algo muito concreto que trouxe comigo para aplicar já esta semana:

dedicar-me ao projecto SoLu@ (inspirar as pessoas).

Sem adiar tanto.
Sem pôr sempre outras coisas à frente.
Sem tratar como secundário aquilo que, no fundo, me é tão essencial.

O ambiente também fala

Há coisas que não se explicam só pelo conteúdo de um evento.

Explicam-se pelo ambiente.
Pela energia.
Pela forma como nos sentimos num lugar.

E isso foi uma das partes mais bonitas para mim.

Gostei mesmo de estar rodeada daquelas pessoas.
Gostei de sentir aquela atmosfera de atenção, interesse, partilha e presença.
Já não sentia este sentimento há algum tempo.

A sensação de estar num sítio certo, com pessoas que também valorizam ideias, livros, percursos, crescimento, humanidade.
A sensação de que ainda há espaços onde se pode parar e sentir.

Às vezes, o mais valioso não é apenas o que se diz.
É o que se sente enquanto se está ali.

Um momento especial: conhecer o autor de O Hospital das Alfaces

Entre os momentos que mais me marcaram, houve um muito especial:
conhecer Pedro Chagas Freitas, o autor de O Hospital das Alfaces, um livro que li.

Já escrevi a minha opinião do livro aqui no blog.

Há encontros que parecem simples por fora, mas que por dentro têm um peso bonito.
Quando lemos um livro, há qualquer coisa do autor que entra silenciosamente na nossa vida.
As palavras acompanham-nos, ficam, trabalham dentro de nós.

Por isso, conhecer ao vivo quem escreveu um livro que lemos tem sempre algo de especial.
Como se, por instantes, o caminho das páginas se cruzasse com o caminho real.

Foi um desses momentos que se guardam.

O que confirmei dentro de mim

No final, saí de lá com uma certeza ainda mais nítida:

a nossa paixão, quando está alinhada com aquilo que somos e com os outros, é um dos bens mais valiosos que temos.

Nem sempre é o caminho mais fácil.
Nem sempre é o mais rápido.
Nem sempre é o mais reconhecido.

Mas é o que faz sentido.
É o que nos dá verdade.
É o que deixa marca.

E talvez seja isso que realmente importa: não fazer apenas por fazer, mas construir algo que tenha alma, utilidade e presença na vida dos outros.

O que quero continuar

Mais do que começar alguma coisa nova, o que eu senti foi vontade de continuar.

Continuar com o meu projeto SoLu@.
Continuar a escrever.
Continuar a acreditar que isto que faço tem valor.
Continuar a deixar palavras que possam acompanhar, ajudar, inspirar e talvez até melhorar um pouco o dia de alguém.

Penso, cada vez mais, que este é um trabalho de amor.
E que é algo que amo fazer.

Quero deixar uma marca boa nas pessoas.
Quero deixá-las um pouco melhor — mais acompanhadas, mais vistas, mais pensativas, mais ligadas a si mesmas.

Talvez seja isso o sentido de tudo.

Às vezes, basta ir

Saí do Almeirim Talks com esta ideia simples e forte:

às vezes, basta ir.

Basta não desistir à última hora.
Basta aceitar o convite.
Basta estar presente.
Basta abrir espaço.

E uma tarde que podia ser só mais uma…
acaba por devolver-nos inspiração, clareza e uma ligação mais funda ao que realmente importa.

Há dias em que não mudamos de vida.
Mas lembramo-nos dela.
E isso, por vezes, já muda muita coisa.


“Às vezes, basta não desistir à última hora para voltarmos a encontrar uma parte de nós.”

E tu?
Já viveste algum momento em que quase desistias de ir… e afinal saíste de lá com algo importante dentro de ti?

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