Esta semana, não consegui escrever

Esta semana, não consegui escrever.

Quando a dor nos deixa sem palavras: parar também é cuidar.

Esta semana, não consegui escrever no blog.

Também não consegui preparar publicações, escolher imagens ou encontrar frases bonitas para partilhar.

Não foi falta de organização.
Não foi falta de vontade.
Foi a vida a pedir-me silêncio.

Há acontecimentos que chegam sem aviso e nos deixam sem palavras. Que nos fazem parar tudo o que parecia urgente e olhar, com outra consciência, para as pessoas que amamos.

Nos últimos dias, uma notícia muito dolorosa tocou de perto a vida da nossa família. Por respeito por todos os envolvidos, não partilharei pormenores. Há dores que não nos pertencem para contar.

Mas há uma reflexão que não consigo guardar apenas para mim.

Nem sempre conseguimos ver o sofrimento de alguém.

Uma pessoa pode conversar connosco, sorrir, fazer planos ou parecer viver um dia normal e, ainda assim, estar a carregar uma dor que não sabemos reconhecer.

Isto assusta-nos. Faz-nos procurar sinais, respostas e explicações. Faz-nos perguntar se poderíamos ter percebido, dito alguma coisa ou feito mais.

Talvez nunca tenhamos todas as respostas.

Mas podemos escolher estar mais presentes.

Podemos perguntar:

“Como estás?”

E, depois da resposta automática, perguntar novamente:

“Mas como estás mesmo?”

Podemos ouvir sem corrigir, sem minimizar, sem apressar conselhos.

Podemos lembrar aos nossos filhos, aos nossos amigos e a quem caminha ao nosso lado que pedir ajuda não é fraqueza. Que nenhuma dor precisa de ser enfrentada completamente a sós. Que há sempre alguém a quem telefonar, alguém que pode ficar, alguém que pode acompanhar até chegar ajuda.

Esta semana, o Calendário SoLu@ ficou em silêncio.

E talvez este silêncio também faça parte de Julho, um mês dedicado à resiliência e ao descanso.

Porque resiliência não é continuar a publicar como se nada tivesse acontecido.

Às vezes, resiliência é parar.
É cuidar de quem amamos.
É aceitar que não temos palavras.
É ficar perto.
É atravessar um dia de cada vez.

Hoje volto devagar.

Não com uma resposta, nem com uma frase capaz de explicar o inexplicável.

Volto apenas com este lembrete:

Olhemos uns pelos outros com mais atenção.
Escutemos com mais tempo.
Abracemos sem exigir explicações.
E nunca tenhamos medo de pedir ajuda quando a vida se tornar pesada demais.

Há semanas em que não conseguimos escrever.

Mas podemos continuar a dizer, de todas as formas possíveis:

Estou aqui. Tu és importante. Não precisas de passar por isto sozinha ou sozinho.

Não precisamos de ter sempre as palavras certas.
Às vezes, basta ficar, ouvir e lembrar a alguém: “Estou aqui.”

Se esta reflexão te tocou, podes partilhá-la com alguém que precise de saber que não está sozinho. E, se quiseres caminhar comigo ao longo deste mês, conhece o Calendário SoLu@ de Julho — um guia de resiliência e descanso, sem pressão.

Há alguns anos, no antigo Calendário Resiliente, escrevi também sobre a importância de falar com alguém em quem confiamos e partilhar o que sentimos.

Amizade — A amiga do silêncio

🌿 Calendário SoLu@ — Fevereiro (Amizade)
🗓️ Dia 12 — A amiga do silêncio

Nem todos os dias pedem palavras.
Às vezes, o melhor presente é não exigir explicações.

Há dores que não se conseguem contar.
Há cansaços que só se entendem vivendo.
E há momentos em que a única coisa que precisamos é de alguém que fique… sem tentar “resolver”.

A amiga do silêncio é rara:
não tem pressa, não faz perguntas demais, não transforma a tua fragilidade num problema.
Ela só está. E isso é amor.

Hoje, oferece esse tipo de presença a alguém.
E, se fores tu a precisar… permite que alguém fique contigo, mesmo em silêncio. 🤍

✅ Ação do dia: diz: “Queres só companhia?”
❓ Pergunta: quando foi a última vez que alguém te fez bem só por estar?

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✨ SoLu@