Calendário SoLu@ — Outubro: Semana 2

Caminhos numa paisagem luminosa, simbolizando a maternidade, a confiança nos filhos e a esperança no futuro.

Confiar no que cresce

Amar também é aprender a acompanhar sem controlar. É continuar presente, mesmo quando os caminhos daqueles que amamos começam a afastar-se dos nossos.

Há momentos na vida em que percebemos que o tempo passou mais depressa do que imaginávamos.

Não porque os dias tenham sido curtos.

Mas porque, de repente, olhamos para os nossos filhos e já não encontramos apenas as crianças que embalámos, protegemos e acompanhámos nos primeiros passos.

Encontramos jovens com ideias próprias, responsabilidades, sonhos, preocupações e um mundo que começa a ser cada vez mais deles.

E nós, mães, precisamos de aprender a crescer também.

Esta segunda semana de Outubro começa, para mim, num dia muito especial.

11 de Outubro. O dia em que o meu primeiro filho completa 20 anos.

Vinte anos desde o dia em que nasceu ele e nasceu também uma parte de mim que ainda não conhecia.

Uma mãe.

Uma mulher que, sem saber exactamente como, começou a aprender uma das mais bonitas e exigentes formas de amar.

Hoje, vinte anos depois, continuo a aprender.

Mas já não se trata de ensinar a andar, de segurar uma mão pequena ou de proteger de todos os perigos.

Trata-se de descobrir como continuar presente sem ocupar todo o espaço.

Como aconselhar sem decidir.

Como cuidar sem impedir que cresçam.

E, sobretudo, como confiar.

Porque talvez uma das maiores provas de amor na maternidade seja esta:

acreditar nos nossos filhos, mesmo quando já não conseguimos acompanhar todos os seus passos.


O tema desta semana: confiar no que cresce

Durante muitos anos, os nossos filhos precisam de nós para quase tudo.

Somos quem organiza, acompanha, protege, explica, consola e tenta encontrar respostas.

E, de alguma maneira, habituamo-nos a esse lugar.

Um lugar cheio de responsabilidades, preocupações, cansaço, mas também de uma presença constante nas suas vidas.

Depois, lentamente, as coisas começam a mudar.

As conversas tornam-se diferentes.

Algumas perguntas deixam de ser feitas.

A porta do quarto fica fechada durante mais tempo.

Os amigos passam a ocupar um espaço maior.

A universidade traz novas rotinas, outras responsabilidades e uma independência que, durante tantos anos, desejámos que conquistassem.

E quando finalmente acontece, descobrimos que também nos custa.

Não porque não queiramos vê-los crescer.

Muito pelo contrário.

Sentimos orgulho.

Mas há uma parte de nós que sente saudades.

Saudades das gargalhadas que enchiam a casa.

Das histórias contadas à mesa.

Dos abraços espontâneos.

Do tempo em que conhecíamos quase todos os pequenos acontecimentos dos seus dias.

E talvez seja precisamente aqui que precisamos de aprender uma nova forma de esperança.

Na maternidade, a esperança não pode ser apenas desejar que tudo corra bem.

Também precisa de ser confiar na capacidade dos nossos filhos para construir o seu próprio caminho.

Mesmo quando não sabemos exactamente o que pensam.

Mesmo quando fazem escolhas diferentes das nossas.

Mesmo quando sentimos vontade de perguntar mais, aconselhar mais ou proteger um pouco mais.

Confiar não significa deixar de cuidar.

Significa perceber que o cuidado também precisa de mudar à medida que eles crescem.

E que, por vezes, a melhor forma de continuar ao lado deles é permitir que avancem com os seus próprios passos.


A intenção da semana

Esta semana, quero experimentar uma forma de amor mais tranquila.

Um amor que continua atento, mas que não precisa de controlar cada detalhe.

Que sabe perguntar, mas também escutar.

Que sabe aconselhar, mas respeita escolhas diferentes.

Que reconhece preocupações sem transformar todos os silêncios em problemas.

Que oferece ajuda, mas permite autonomia.

Talvez esta intenção se aplique aos filhos.

Mas também às relações, às amizades e às pessoas que amamos.

Porque nem sempre é fácil aceitar que aqueles que fazem parte da nossa vida também precisam de espaço para construir a sua própria história.

A intenção desta semana é simples:

Acompanhar quem amo com presença e confiança, sem tentar controlar cada passo.

Frase SoLu@

“Amar também é confiar no caminho que já não podemos percorrer por eles.” — SoLu@


A confiança também se pratica

Às vezes acreditamos que confiar é simplesmente deixar de ter medo.

Mas talvez não seja.

Talvez confiar seja reconhecer o medo e, ainda assim, não permitir que ele tome todas as decisões.

Na maternidade, isto pode ser especialmente difícil.

Preocupamo-nos porque amamos.

Queremos saber se estão bem.

Se são felizes.

Se têm amigos.

Se estão a conseguir lidar com as responsabilidades.

Se guardam tristezas que não conseguimos perceber.

E nem sempre encontramos respostas.

Mas existe uma diferença entre estar disponível e procurar controlar aquilo que já não nos pertence decidir.

Esta semana, experimenta perguntar:

Estou a oferecer apoio ou estou a tentar evitar que alguém viva uma experiência que precisa de ser sua?

Às vezes, confiar pode significar:

Escutar sem interromper.

Perguntar sem insistir.

Aconselhar sem exigir.

Respeitar um momento de silêncio.

Deixar que alguém tome uma decisão.

Aceitar que nem tudo acontecerá como imaginámos.

Ou simplesmente dizer:

Estou aqui, se precisares.

Sem acrescentar condições.

Sem exigir explicações.

Sem esperar que tudo seja partilhado.

E há também momentos em que amar implica aproximarmo-nos, perguntar com cuidado e oferecer ajuda, sobretudo quando percebemos que alguém está realmente a sofrer.

Acompanhar sem controlar não significa ignorar.

Significa procurar o equilíbrio entre a liberdade e a presença.


Mini desafio da semana

Um gesto de confiança

Escolhe uma pessoa que amas e por quem sentes alguma preocupação.

Pode ser um filho, o teu companheiro, um familiar ou alguém que esteja a atravessar uma fase de mudança.

Pensa numa situação em que tenhas sentido vontade de intervir.

Depois escreve:

“Quero aprender a confiar mais em…”

E completa a frase.

Pergunta a ti própria:

O que posso fazer para demonstrar confiança sem deixar de estar presente?

Talvez possas escutar mais.

Fazer uma pergunta diferente.

Dar tempo para uma decisão.

Evitar um conselho que ninguém pediu.

Ou ter uma conversa sincera sobre aquilo que sentes.

O desafio não é deixar de te preocupar.

Nem transformar a confiança numa obrigação.

É apenas experimentar um pequeno gesto que permita ao amor respirar um pouco mais.


Os dias desta semana

Domingo, 11 de Outubro — Paz

Frase: Há amores que crescem connosco e nos ensinam a ser pessoas diferentes.

Mensagem: Hoje é um dia especial para mim. Há vinte anos nasceu o meu primeiro filho e, com ele, nasceu também a mãe que continuo a aprender a ser. Olho para trás com gratidão e para a frente com esperança. O tempo mudou tanta coisa, mas não mudou o amor. Ensinou-me apenas que amar também é aceitar que os filhos crescem.

Prática: Recorda um momento de crescimento de alguém que amas. Repara no caminho que essa pessoa já percorreu e naquilo que também aprendeste ao acompanhá-la.

Pergunta: Consigo celebrar quem os meus filhos são hoje, sem ficar presa à saudade de quem foram ontem?

Gesto: Oferece um abraço, uma palavra de orgulho ou simplesmente um momento de presença.


Segunda-feira, 12 de Outubro — Felicidade / Gratidão

Frase: A gratidão ajuda-nos a reconhecer a beleza daquilo que mudou.

Mensagem: Por vezes, sentimos tantas saudades de uma fase da vida que nos esquecemos de apreciar a que estamos a viver. Os filhos crescem, as rotinas mudam e as relações transformam-se. Mas continuam a existir motivos para agradecer. Um sorriso. Uma conversa inesperada. Uma demonstração de carinho. A confiança que se constrói com o tempo.

Prática: Escreve três coisas que admiras hoje numa pessoa que viste crescer.

Pergunta: O que existe nesta fase da minha vida que merece ser celebrado, mesmo sendo diferente daquilo que vivi antes?

Gesto: Diz a alguém aquilo que admiras nele, sem acrescentar expectativas ou conselhos.


Terça-feira, 13 de Outubro — Vida

Frase: Crescer é descobrir caminhos que nem sempre conseguimos antecipar.

Mensagem: A vida não acontece exactamente como imaginámos. Nem para nós, nem para os nossos filhos. Há escolhas inesperadas, mudanças de planos, erros e descobertas. Fazem parte da construção de uma identidade própria. Podemos transmitir valores e oferecer orientação, mas cada pessoa precisa de aprender a viver a sua própria história.

Prática: Recorda uma decisão importante que tomaste quando eras mais nova. O que aprendeste por teres feito essa escolha?

Pergunta: Estou a permitir que aqueles que amo aprendam com as suas experiências?

Gesto: Escuta uma opinião diferente da tua sem tentares imediatamente corrigi-la.


Quarta-feira, 14 de Outubro — Atitude

Frase: Estar presente não significa ter de decidir tudo.

Mensagem: Muitas vezes, a vontade de ajudar leva-nos a oferecer soluções antes de percebermos se são necessárias. Mas nem sempre quem amamos procura uma resposta. Às vezes, precisa apenas de ser ouvido, compreendido e respeitado. A confiança também se constrói quando reconhecemos a capacidade do outro para pensar e decidir.

Prática: Numa conversa, experimenta perguntar: Queres a minha opinião ou preferes que te escute?

Pergunta: Estou a ajudar esta pessoa a encontrar o seu caminho ou a tentar conduzi-la pelo meu?

Gesto: Escuta até ao fim, sem interromper com soluções.


Quinta-feira, 15 de Outubro — Pensamentos positivos

Frase: Nem todos os silêncios escondem tristeza. Nem todas as mudanças significam distância.

Mensagem: Quando amamos muito alguém, podemos interpretar pequenos sinais através das nossas preocupações. Uma conversa mais curta, uma porta fechada ou um momento de isolamento podem fazer-nos imaginar dificuldades que talvez não existam. Mas também não precisamos de ignorar aquilo que nos inquieta. Podemos observar, aproximar-nos com carinho e perguntar, sem tirar conclusões precipitadas.

Prática: Identifica uma preocupação recente e distingue aquilo que realmente sabes daquilo que estás a imaginar.

Pergunta: Estou a olhar para a realidade ou para os medos que sinto em relação a ela?

Gesto: Substitui uma suposição por uma pergunta cuidadosa: Como tens estado, a sério?


Sexta-feira, 16 de Outubro — Fé / Esperança

Frase: A esperança também é acreditar na força que ajudámos a construir.

Mensagem: Não podemos garantir que aqueles que amamos nunca irão sofrer. Não podemos evitar todas as dificuldades nem assegurar que cada escolha será acertada. Mas podemos acreditar que os valores, o amor e as experiências partilhadas lhes deram recursos para enfrentar a vida. E podemos continuar disponíveis quando precisarem de apoio.

Prática: Escreve três qualidades que reconheces numa pessoa que amas e que poderão ajudá-la nos seus desafios.

Pergunta: Consigo confiar nas capacidades dessa pessoa, mesmo quando tenho receio do que possa acontecer?

Gesto: Diz-lhe: Acredito em ti.


Sábado, 17 de Outubro — Amor

Frase: O amor não diminui quando damos espaço. Aprende a existir de outra maneira.

Mensagem: Amar não significa estar presente em todos os momentos, conhecer todos os pensamentos ou participar em todas as decisões. Há relações que crescem precisamente porque aprendemos a respeitar a individualidade de quem amamos. E talvez uma das mais bonitas formas de amor seja permitir que alguém seja verdadeiramente quem é, sabendo que tem em nós um lugar seguro.

Prática: Faz hoje alguma coisa com alguém que amas sem pressas, cobranças ou expectativas. Apenas pelo prazer de estarem juntos.

Pergunta: Como posso demonstrar amor respeitando também a liberdade do outro?

Gesto: Um abraço sem motivo. Uma conversa tranquila. Um convite para partilhar tempo.


Pergunta da semana

Como posso continuar presente sem impedir quem amo de encontrar o seu próprio caminho?

Talvez esta seja uma das perguntas mais difíceis da maternidade.

Porque não existe uma resposta única.

Há dias em que precisamos de nos aproximar.

Outros em que precisamos de dar espaço.

Há momentos em que um conselho pode ajudar.

Outros em que o silêncio respeitoso vale mais do que muitas palavras.

E há situações em que precisamos de reconhecer que não sabemos o que fazer.

Também nós continuamos a aprender.

Por vezes, podemos confundir a nossa preocupação com a necessidade de controlar.

Podemos querer evitar aos nossos filhos dificuldades que fizeram parte do nosso próprio crescimento.

Podemos acreditar que sabemos qual seria a melhor escolha.

Mas há uma verdade que a vida nos vai ensinando:

Os nossos filhos não vieram ao mundo para viver a vida que imaginámos para eles. Vieram para descobrir a sua.

E o nosso papel também é ajudá-los a desenvolver a confiança necessária para o fazer.

Isso não significa desaparecer das suas vidas.

Significa continuar a ser um lugar de amor, apoio e segurança, sem ocupar o espaço que precisam para crescer.

Talvez a pergunta não seja apenas como aprender a confiar neles.

Talvez também seja:

Como posso aprender a confiar um pouco mais na mãe que fui e na mãe que continuo a ser?


Reflexão final

Quando o meu primeiro filho nasceu, há vinte anos, não fazia ideia de tudo aquilo que a maternidade me iria ensinar.

Não sabia quantas vezes iria sentir medo.

Quantas noites iria ficar acordada.

Quantas decisões iria questionar.

Quantos momentos de alegria e orgulho caberiam numa única vida.

Nem imaginava que um dia sentiria saudades de coisas tão simples como ouvir as gargalhadas daquele menino que parecia ter sempre vontade de brincar e dançar.

Hoje olho para ele e vejo um jovem adulto.

Carinhoso com a família.

Responsável.

Com capacidades, sonhos e uma vida inteira pela frente.

Vejo também um mundo que já não conheço por completo.

Amigos, interesses, conversas e pensamentos que são seus.

E isso faz parte de crescer.

Por vezes, continuo a perguntar-me se estará verdadeiramente feliz.

Se estará a encontrar o seu lugar.

Se saberá que, mesmo quando prefere estar no seu espaço, continuo aqui.

Mas tenho aprendido que não preciso de ter todas as respostas para continuar a amá-lo.

Nem preciso de conhecer todos os seus pensamentos para confiar no caminho que está a construir.

Talvez este seja um dos grandes desafios de ser mãe de filhos crescidos.

Aprender que o amor não termina quando deixamos de ser necessárias da mesma maneira.

Transforma-se.

Deixa de segurar constantemente a mão.

Mas continua disponível para a receber.

Deixa de escolher todos os caminhos.

Mas continua a desejar que sejam caminhos de crescimento, felicidade e sentido.

E, sobretudo, continua a acreditar.

A acreditar nas pessoas em que os nossos filhos se estão a transformar.

Naquilo que lhes transmitimos.

Na capacidade que têm para descobrir, errar, aprender e recomeçar.

E também na nossa própria capacidade para viver esta nova etapa da maternidade.

Porque os filhos crescem.

Mas as mães também.

E talvez amar seja precisamente isto: continuar a caminhar ao lado de alguém, mesmo quando os nossos passos já não seguem exactamente o mesmo ritmo.

Esta semana, quero recordar-me de uma coisa:

Não preciso de proteger os meus filhos de toda a vida.

Preciso de continuar a amá-los enquanto aprendem a vivê-la.

Frase para guardar

“Confiar no que cresce é continuar a amar, mesmo quando já não podemos escolher o caminho.” — SoLu@


Ligações de Outubro

Esta reflexão faz parte do Calendário SoLu@ — Outubro: Optimismo e Esperança.

Na Semana 1 — Escolher acreditar outra vez, falámos sobre encontrar motivos para continuar a acreditar, mesmo quando a vida não nos oferece certezas.

Nesta segunda semana, levamos essa esperança para as relações e, particularmente, para a maternidade.

Porque confiar também é uma forma de esperança.

E porque nem sempre conseguimos acompanhar os nossos filhos da maneira que gostaríamos, mas podemos continuar a ser uma presença segura nas suas vidas.

Memórias que continuam vivas

O dia 11 de Outubro tem um significado muito especial na minha história.

Ao longo dos anos, fui escrevendo sobre o crescimento do meu primeiro filho, guardando palavras, emoções e memórias de diferentes fases da nossa vida.

No Arquivo SoLu@, essas palavras continuam a viver.

Algumas destas memórias podem ser revisitadas nos textos que escrevi por ocasião dos seus aniversários:

Reler estes textos é também perceber como a maternidade se transforma.

As crianças crescem.

As preocupações mudam.

O tempo passa.

Mas algumas coisas permanecem.

O amor.

A memória.

E a esperança de que os nossos filhos encontrem uma vida que faça sentido para eles.

O Arquivo SoLu@ não é apenas uma coleção de textos antigos.

É também uma forma de reencontrar quem fomos e compreender melhor quem somos hoje.


Queres viver Outubro comigo?

Não precisas de ser mãe para viver esta semana.

Talvez estejas a aprender a confiar num filho.

Numa relação.

Numa amizade.

Num projecto.

Ou até em ti própria.

Todos temos alguma coisa na vida que precisamos de aprender a acompanhar sem controlar.

E nem sempre é fácil.

Não precisas de cumprir todas as práticas.

Não precisas de responder a todas as perguntas.

Não precisas de deixar de sentir preocupação para conseguires confiar.

O calendário é um guia, não uma prisão.

Escolhe uma frase.

Guarda uma pergunta.

Experimenta um gesto.

Ou simplesmente permite-te pensar sobre aquilo que precisas de aprender a deixar crescer.

Um dia de cada vez.

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Sem pressas.

Sem obrigações.

Com carinho.

SoLu@ 🤍


Perguntas frequentes

Como aprender a confiar mais nos filhos quando crescem?

A confiança constrói-se reconhecendo as capacidades dos filhos, permitindo-lhes tomar decisões adequadas à sua maturidade e mantendo uma relação aberta ao diálogo. Não significa deixar de acompanhar, mas ajustar a forma como oferecemos apoio.

Acompanhar sem controlar significa deixar de estabelecer limites?

Não. A autonomia cresce com a maturidade e a responsabilidade. Os limites continuam a ser importantes, sobretudo na infância e adolescência, mas devem evoluir para permitir maior participação dos filhos nas decisões que lhes dizem respeito.

Como lidar com a saudade dos filhos pequenos?

É natural sentir saudades das fases que passaram, mesmo estando feliz pelo crescimento dos filhos. Reconhecer essas emoções e procurar novas formas de proximidade pode ajudar a viver a maternidade actual sem ficar apenas presa ao passado.

E quando sinto que o meu filho está mais isolado?

Nem todos os momentos de recolhimento significam sofrimento. Mas mudanças persistentes de humor, afastamento das relações, perda de interesse ou dificuldades no dia-a-dia merecem atenção. O importante é aproximarmo-nos sem julgamentos, escutar e procurar apoio profissional quando necessário.

Como se relacionam a esperança e a maternidade?

Na maternidade, a esperança pode significar acreditar no desenvolvimento dos filhos sem exigir que tudo aconteça como imaginámos. É confiar nas suas capacidades, aceitar a incerteza e continuar a oferecer amor e apoio ao longo do caminho.

Chegar a um lugar novo: fazer amigos sem deixar de saber estar sozinho

Jovem a chegar a um lugar novo e a conhecer novas pessoas

Nem sempre encontramos imediatamente o nosso lugar. E talvez uma das coisas mais importantes que possamos ensinar aos nossos filhos seja esta: pertencer é importante, mas nunca deve custar-nos quem somos.

Há alguns anos escrevi no Arquivo SoLu@ sobre os meus filhos, competências sociais e aquela necessidade tão humana de pertencer a um grupo.

Na altura, escrevia como mãe de um filho que tinha sentido a dor de ser excluído.

Doía-lhe a ele.

E doía-me a mim.

Porque há poucas coisas mais difíceis para uma mãe do que perceber que um filho está triste e saber que não há um botão onde possamos carregar para lhe retirar aquela dor.

Eu queria ajudá-lo.

Queria que encontrasse pessoas.

Queria que se sentisse aceite.

Queria que tivesse amigos.

Anos depois, volto ao mesmo assunto de outro lugar.

Os filhos cresceram.

Chegaram outras etapas.

Universidade, alojamentos, turmas novas, pessoas desconhecidas, ambientes diferentes.

E percebo que esta aprendizagem nunca termina verdadeiramente.

Mudam os lugares.

Mudam as idades.

Mudam os grupos.

Mas aquela pergunta continua, de alguma forma, connosco:

Onde é o meu lugar?


Chegar a um sítio novo nem sempre é fácil

Falamos muitas vezes dos novos começos como se fossem apenas entusiasmo.

Uma Universidade nova.

Um novo emprego.

Uma nova cidade.

Uma nova turma.

Uma residência universitária.

Um novo projecto.

Parece tudo cheio de possibilidades.

E é.

Mas também pode ser profundamente desconfortável.

Porque entrar num lugar onde toda a gente é desconhecida obriga-nos a começar de novo nas coisas mais pequenas.

Não sabemos com quem nos sentar.

Não sabemos com quem almoçar.

Não sabemos quem pensa como nós.

Não sabemos quem poderá vir a ser amigo e quem será apenas alguém que passou pela nossa vida.

Há pessoas que parecem integrar-se imediatamente.

Entram numa sala e, poucos dias depois, parece que já conhecem toda a gente.

Outras precisam de tempo.

Observam primeiro.

Aproximam-se devagar.

Criam relações uma a uma.

E não há nada de errado nisso.

Nem toda a gente precisa de entrar num lugar novo e encontrar imediatamente um grupo.


Talvez tenhamos dado demasiada importância à ideia de “ter um grupo”

Quando os nossos filhos são adolescentes preocupamo-nos muito com os amigos.

E compreendo.

As amizades são importantes.

A pertença é importante.

Ter alguém com quem conversar, rir, estudar, sair ou simplesmente estar faz-nos bem.

Mas há uma diferença entre ter relações e sentir que precisamos desesperadamente de pertencer a qualquer grupo.

Hoje diria aos meus filhos:

Não tenham tanta pressa de pertencer que acabem por aceitar lugares onde precisam de diminuir quem são para caber.

Porque nem todas as pessoas que nos rodeiam são amigas.

Nem todas as pessoas com quem almoçamos serão amigas.

Nem todos os colegas serão amigos.

E está tudo bem.

Algumas pessoas serão companheiras de uma cadeira.

Outras de um trabalho.

Algumas estarão connosco durante um semestre.

Outras durante anos.

E talvez uma ou duas fiquem para a vida.

A amizade não se mede pela quantidade de pessoas à nossa volta.

Mede-se muito mais pela qualidade daquilo que conseguimos construir com algumas delas.


Mas como se fazem amigos quando chegamos a um lugar novo?

Talvez comece com coisas muito mais pequenas do que imaginamos.

Um “olá”.

Sentarmo-nos perto de alguém.

Perguntar uma coisa sobre uma aula.

Aceitar um café.

Ir almoçar com colegas mesmo quando ainda nos sentimos um pouco deslocados.

Participar numa actividade.

Juntar-nos a um grupo de estudo.

Perguntar:

“Vais almoçar?”

Ou ter coragem para dizer:

“Queres vir comigo?”

Às vezes ficamos à espera que alguém nos convide.

E a outra pessoa pode estar exactamente do outro lado, igualmente insegura, igualmente nova, igualmente à espera.

Por isso, um dos conselhos que hoje daria aos meus filhos é simples:

não esperem sempre que sejam os outros a aproximar-se.

Façam também um pequeno movimento.

Não precisam de conquistar uma sala inteira.

Basta conhecer uma pessoa.

Depois outra.

As relações constroem-se através da repetição, da confiança e dos pequenos momentos partilhados.

Amizade raramente acontece num instante.

Vai acontecendo.


Não confundam timidez com incapacidade

Também temos de aceitar que não somos todos iguais.

Há quem precise de muita vida social.

Há quem seja feliz com poucas pessoas próximas.

Há quem fale com facilidade com desconhecidos.

E há quem demore semanas até conseguir mostrar verdadeiramente quem é.

Não há apenas uma maneira certa de nos relacionarmos.

O importante é que a timidez, o medo ou a insegurança não acabem por construir uma prisão.

Podemos respeitar o nosso ritmo e, ainda assim, desafiar-nos suavemente.

Hoje falar com uma pessoa.

Amanhã aceitar um convite.

Na próxima semana experimentar alguma actividade.

Pequenos passos.

Sem transformar fazer amigos numa prova que precisamos de passar.


E depois há uma aprendizagem ainda mais difícil: saber estar sozinho

Talvez esta seja uma das coisas que mais desejo ensinar aos meus filhos.

Amem.

Criem amizades.

Procurem pessoas boas.

Construam relações.

Mas aprendam também a estar convosco.

Durante muito tempo ouvi e até repeti a ideia de que nascemos sozinhos e morremos sozinhos.

Hoje talvez diga de outra forma.

Porque não vivemos verdadeiramente sozinhos.

Precisamos uns dos outros.

Amamos.

Somos família.

Criamos laços.

Precisamos de pertença.

Mas há partes da vida que ninguém pode viver por nós.

Há escolhas que são nossas.

Há medos que teremos de atravessar.

Há noites em que teremos de conversar connosco próprios.

Há decisões em que, mesmo rodeados de pessoas que nos amam, somos nós que temos de escolher o caminho.

Por isso, aprender a estar sozinho não significa desistir das pessoas.

Significa não ter medo da nossa própria companhia.


Estar sozinho não é o mesmo que sentir-se abandonado

Esta diferença é importante.

Podemos estar sozinhos durante uma tarde e sentirmo-nos bem.

Ler.

Caminhar.

Estudar.

Ouvir música.

Pensar.

Descansar.

Ir beber um café.

Fazer uma refeição.

E podemos estar no meio de cinquenta pessoas e sentir uma solidão enorme.

Por isso, não quero ensinar aos meus filhos que “não precisam de ninguém”.

Precisamos.

Somos seres de relação.

Quero ensinar-lhes outra coisa:

não precisam de aceitar qualquer companhia apenas para não estarem sozinhos.

Essa diferença pode mudar muitas escolhas.


A autoestima protege-nos quando ainda não encontrámos o nosso lugar

Quando chegamos a um ambiente novo é fácil começar a olhar para os outros como medida de nós próprios.

Eles já têm amigos.

Eles parecem mais confiantes.

Eles saem juntos.

Eles foram convidados.

Eles parecem divertir-se.

E eu?

As redes sociais ainda amplificam essa sensação.

Vemos uma fotografia de dez pessoas a jantar e não vemos os outros vinte que ficaram nos quartos.

Vemos a festa.

Não vemos a insegurança.

Vemos o grupo.

Não vemos quem, mesmo naquele grupo, está a sentir-se sozinho.

É por isso que a autoestima é tão importante.

Porque precisamos de conseguir dizer a nós próprios:

o facto de ainda não ter encontrado as minhas pessoas não significa que haja alguma coisa de errado comigo.

Talvez apenas ainda não tenha passado tempo suficiente.

Talvez aquele não seja o meu grupo.

Talvez esteja a conhecer-me também nesta nova fase.


Como mãe, há coisas que já não posso fazer por eles

Posso ouvir.

Posso aconselhar.

Posso perguntar como correu o dia.

Posso incentivar.

Posso sugerir que convidem alguém.

Posso lembrar-lhes que uma primeira semana não define um ano inteiro.

Posso recordar-lhes tudo aquilo que valem quando algum momento os fizer duvidar.

Mas não posso fazer amigos por eles.

Não posso escolher as pessoas por eles.

Não posso impedir que alguma amizade os desiluda.

Não posso evitar todas as rejeições.

Nem devo.

Porque crescer também é aprender a perceber quem merece ficar perto de nós.

O meu papel mudou.

Talvez antes eu quisesse resolver.

Hoje quero sobretudo estar disponível.

Ser aquele lugar seguro onde podem regressar sem julgamentos.


O conselho que gostaria que levassem para qualquer lugar novo

Se algum dos meus filhos me perguntasse hoje:

“Mãe, cheguei aqui e ainda não conheço ninguém. O que faço?”

Eu diria:

Dá tempo.

Olha à tua volta.

Sorri.

Diz olá.

Faz perguntas.

Aceita alguns convites.

Faz também alguns.

Não julgues as pessoas demasiado depressa.

Mas também não ignores aquilo que sentes junto delas.

Não tentes impressionar toda a gente.

Não mudes aquilo que é importante para ti apenas para caber num grupo.

Procura pessoas com quem possas ser tu.

E, enquanto essas pessoas ainda não aparecem, não transformes esse tempo numa prova de que estás sozinho no mundo.

Vai conhecendo o lugar.

Vai conhecendo as pessoas.

E vai-te conhecendo a ti também.

Não precisas de ser escolhido por toda a gente para ter valor.


Talvez crescer seja também aprender isto

Em 2019 escrevia sobre a dor de ver um filho rejeitado por um grupo.

Hoje continuo a desejar que os meus filhos tenham bons amigos.

Claro que sim.

Desejo-lhes conversas longas.

Risadas.

Pessoas com quem estudar.

Jantares.

Festas.

Confidências.

Amigos que apareçam nos dias bons e, sobretudo, nos difíceis.

Mas desejo-lhes também outra coisa.

Que saibam estar sozinhos sem se sentirem menos.

Que não confundam popularidade com amizade.

Que não confundam quantidade com pertença.

Que tenham autoestima suficiente para sair de uma mesa onde precisam de deixar de ser eles próprios para serem aceites.

E coragem suficiente para se aproximarem de uma mesa nova.

Porque haverá momentos em que ninguém poderá dar esse passo por eles.

Nem mesmo eu.

E talvez deixar crescer seja também isto.

Não lhes retirar todas as dificuldades do caminho.

Mas tentar dar-lhes raízes suficientemente fortes para saberem quem são…

e asas suficientemente seguras para se aproximarem dos outros sem terem de se perder de si próprios.

SoLu@

Para pensar

Quando chegaste pela primeira vez a um lugar onde não conhecias ninguém, o que foi mais difícil?

E que conselho darias hoje a um filho, a um jovem — ou até a ti própria — sobre amizade, pertença e aprender a estar sozinho?

Da memória para o presente

Este texto nasceu também de uma reflexão que escrevi em 2019:

«Filhos — Competências sociais — Pertença a grupo de colegas (não considero amigos)», no Arquivo SoLu@.

Na altura falava da rejeição e da preocupação de uma mãe.

Hoje volto ao mesmo tema noutro momento da vida.

Os filhos cresceram.

As perguntas também.

Mas continuo a acreditar no mesmo essencial:

podemos guiá-los, amá-los e estar disponíveis. O caminho, pouco a pouco, terá de ser deles.

Leituras:

Quando os filhos vão para a Universidade: um novo ciclo começa

Filhos a iniciar um novo ciclo na Universidade e a partir para o alojamento universitário.

Há dias em que ser mãe é preparar malas, engolir a saudade e acreditar que lhes demos asas suficientes para seguirem os seus sonhos.

Hoje começa mais um daqueles ciclos que sabemos que vão chegar, mas para os quais talvez nunca estejamos verdadeiramente preparados.

Hoje, os meus dois filhos mais velhos seguem para os seus alojamentos universitários.

Cada um para o seu.

Cada um para a sua Universidade.

Cada um para a vida que está, pouco a pouco, a construir.

E eu olho para as malas, para tudo aquilo que fomos tentando não esquecer, para as coisas que ainda perguntamos se levaram, para os últimos conselhos — alguns certamente repetidos mais vezes do que seria necessário — e penso:

estão a voar os seus próprios voos.

Era isto que queríamos.

Sempre quisemos que voassem.

E, se possível, que voassem mais alto do que nós.

Que tivessem sonhos.

Que lutassem por eles.

Que encontrassem o seu lugar no mundo.

Só não nos avisaram de que vê-los ganhar asas também apertava assim o coração.


Para um, o caminho já é conhecido

O mais velho começa agora o 3.º ano da Universidade.

Já sabe o que o espera.

Ou, pelo menos, sabe bastante melhor do que sabia há dois anos.

Sabe que vai haver trabalho.

E depois mais trabalho.

E provavelmente ainda mais algum trabalho quando pensar que finalmente terminou.

A Universidade onde está não brinca em serviço.

Enquanto vê amigos que ainda nem começaram as aulas e que, quando começarem, ainda terão pela frente semanas de vida académica, festas, convívios e integração, ele já conhece outro ritmo.

Às vezes até brincamos cá em casa com a diferença.

Parece que alguns cursos conseguem transformar um ano lectivo em seis meses de aulas e muitos momentos de vida académica.

No dele, às vezes parece exactamente o contrário.

Mas também sei tudo o que estes dois primeiros anos lhe deram.

Não apenas conhecimento.

Deram-lhe autonomia.

Capacidade de trabalho.

Persistência.

Responsabilidade.

Ensinaram-lhe que nem sempre conseguimos tudo à primeira.

Que há momentos difíceis.

Que há cansaço.

Que há dúvidas.

E que continuamos.

Talvez seja essa uma das aprendizagens mais importantes da Universidade — e da vida.

Hoje vai com outra segurança.

Já conhece o caminho.

Já conhece as dificuldades.

E talvez seja precisamente por isso que eu saiba que continua a precisar de ouvir:

acredita em ti.


Para ela, tudo começa agora

Com a minha filha do meio, a sensação é diferente.

É o primeiro ano.

A primeira vez que sai assim de casa.

A primeira residência universitária.

As primeiras aulas.

Os primeiros colegas.

Uma nova cidade.

Novas rotinas.

Novas responsabilidades.

Novas liberdades.

E talvez também algumas saudades que só se descobrem quando fechamos a porta do quarto e percebemos que aquele espaço é agora, durante parte da semana, a nossa casa.

Investimos numa residência privada para que pudesse ficar mais perto da Universidade.

Tem todas as condições.

Pensámos na localização.

Na segurança.

No conforto.

Naquilo que poderia facilitar os primeiros meses desta adaptação.

Fizemos o que estava ao nosso alcance.

E, mesmo assim, estamos apreensivos.

Porque há coisas que nenhum quarto confortável consegue resolver por nós.

Não podemos escolher os amigos que vão encontrar.

Não podemos evitar todas as dificuldades.

Não podemos protegê-los de todas as desilusões.

Não podemos garantir que nunca se sintam sozinhos.

Não podemos fazer os trabalhos por eles, enfrentar os professores, resolver os problemas ou escolher os caminhos.

Podemos apenas continuar aqui.

Presentes.

Disponíveis.

A acreditar neles.

Vamos a caminho.

E talvez esta frase diga muito mais do que parece.

Eles vão a caminho da Universidade.

Nós vamos a caminho de uma nova forma de sermos pais.


Deviam entregar-nos uma checklist para esta fase

Enquanto preparávamos tudo, pensei várias vezes:

devia existir um kit para jovens universitários.

Não apenas a lista das coisas que têm de levar.

Lençóis.

Toalhas.

Roupa.

Computador.

Carregadores.

Medicamentos.

Documentos.

Mas uma checklist verdadeiramente útil para quem está prestes a começar a viver longe de casa.

Porque preparar um filho para a Universidade não é só encher uma mala.

É ajudá-lo a perceber que, a partir de agora, terá de cuidar de muitas pequenas coisas que em casa quase aconteciam sem dar por elas.

Por isso, se tivesse de criar hoje uma Checklist SoLu@ para quem vai viver para um alojamento universitário, seria esta.

Checklist prática — o que levar

Documentos e essenciais

  • Cartão de Cidadão;
  • cartão bancário;
  • cartão de estudante ou comprovativo de matrícula;
  • contactos importantes;
  • informações da residência/alojamento;
  • medicação habitual e respectivas receitas, quando necessárias;
  • cópia digital de documentos importantes.

Para o quarto

  • lençóis;
  • almofada, se não estiver incluída;
  • manta;
  • toalhas;
  • cabides;
  • saco para roupa suja;
  • chinelos;
  • extensão eléctrica ou múltiplas tomadas, se forem permitidas;
  • candeeiro de secretária, se necessário;
  • uma fotografia, objecto ou pequena coisa de casa que faça aquele espaço parecer um pouco mais seu.

Higiene e cuidados pessoais

  • produtos de higiene;
  • pequena farmácia com o essencial;
  • termómetro;
  • pensos rápidos;
  • analgésico habitual;
  • protector solar;
  • garrafa de água reutilizável.

Universidade e tecnologia

  • computador;
  • carregadores;
  • auscultadores;
  • mochila;
  • cadernos ou material de escrita;
  • pen/armazenamento externo, se necessário;
  • cópias de segurança configuradas;
  • passwords importantes guardadas de forma segura.

Alimentação

Se o alojamento permitir preparar refeições:

  • alguns recipientes;
  • talheres;
  • caneca;
  • prato e tigela;
  • garrafa de água;
  • alimentos simples para os primeiros dias.

E uma coisa que parece pouco importante até ao dia em que faz falta:

alguma comida de casa.

Porque às vezes uma refeição conhecida também cuida.


A checklist que não cabe dentro da mala

Depois há outra lista.

Talvez a mais importante.

Aquela que não se compra.

Aquela que nenhum supermercado vende.

E que gostava que os meus filhos levassem também com eles.

1. Não precisam de ter tudo resolvido no primeiro dia

Os primeiros tempos podem ser estranhos.

É normal.

Uma nova casa demora a parecer casa.

Uma turma demora a transformar-se em pessoas conhecidas.

Uma cidade demora a deixar de parecer desconhecida.

Dêem tempo ao tempo.

2. Peçam ajuda

Aos colegas.

Aos professores.

Aos serviços da Universidade.

À residência.

A nós.

Pedir ajuda não é sinal de incapacidade.

Muitas vezes é sinal de inteligência.

3. Escolham bem as pessoas

A Universidade traz muitas pessoas novas para a nossa vida.

Algumas ficam.

Outras passam.

Observem.

Conheçam.

Não tenham pressa de pertencer a qualquer grupo apenas para não se sentirem sozinhos.

Estar acompanhado nem sempre significa estar bem acompanhado.

4. Divirtam-se — mas não se esqueçam de porque estão ali

A vida académica também faz parte da Universidade.

Os amigos.

Os jantares.

As festas.

As conversas que ficam pela madrugada.

Há memórias que também se constroem nesses momentos.

Mas liberdade também significa aprender a escolher.

E cada escolha tem consequências.

5. Durmam

Pode parecer um conselho banal.

Não é.

Não há corpo nem cabeça que consigam funcionar indefinidamente à base de noites mal dormidas, cafés e prazos.

Cuidar do sono também faz parte de estudar.

6. Comam

Mesmo nos dias de testes.

Mesmo nos dias em que chegam tarde.

Mesmo quando parece mais fácil viver de qualquer coisa rápida.

O corpo que vos leva até aos vossos sonhos também precisa de ser cuidado.

7. Aprendam a gerir dinheiro

Um orçamento mensal.

As despesas fixas.

Aquilo que podem gastar.

Aquilo que devem guardar.

Talvez esta seja uma das aulas mais úteis que não aparece no horário da Universidade.

8. Não comparem demasiado

Vai haver sempre alguém com melhores notas.

Mais facilidade.

Mais amigos.

Mais confiança.

Mais vida social.

Mais qualquer coisa.

Não façam da vida dos outros uma régua para medir a vossa.

Cada um está a fazer o seu próprio caminho.

9. Telefonem para casa

Não precisa de ser todos os dias.

Nem precisam de contar tudo.

Mas uma mensagem às vezes chega:

“Está tudo bem.”

Nós entendemos o resto.

10. Lembrem-se de quem são

Talvez este seja o conselho que mais gostaria que levassem.

Vão conhecer ideias novas.

Pessoas diferentes.

Vão mudar de opinião sobre algumas coisas.

Vão crescer.

Ainda bem.

Mas, no meio de tudo isso, não deixem que ninguém vos faça acreditar que precisam de deixar de ser quem são para serem aceites.


Também nós temos de aprender a deixá-los ir

Tenho pensado muito nisso.

Durante anos, ser mãe significou fazer.

Preparar.

Levar.

Buscar.

Resolver.

Organizar.

Lembrar.

Perguntar.

Proteger.

Agora começa outra aprendizagem.

Estar sem controlar.

Ajudar sem impedir.

Perguntar sem invadir.

Aconselhar sem decidir por eles.

Confiar.

Talvez criar filhos seja isto:

passarmos anos a segurar-lhes a mão para que aprendam a andar e, depois, termos de aprender a soltá-la para que descubram até onde conseguem chegar.

Não é deixarmos de ser necessários.

É sermos necessários de outra maneira.


Voem

Hoje, quando deixarmos cada um no seu alojamento, sei que provavelmente vou sentir aquele vazio estranho.

A casa fica diferente quando os filhos saem.

Mesmo quando sabemos que voltam.

Mesmo quando só estão a alguns quilómetros.

Mesmo quando podemos telefonar.

Há um silêncio diferente.

Mas quero guardar outra imagem.

Não a dos quartos vazios.

A das asas.

Porque foi para isto que trabalhámos durante tantos anos.

Para que pudessem escolher os seus caminhos.

Para que acreditassem nos seus sonhos.

Para que fossem capazes de partir sabendo que existe sempre um lugar onde podem regressar.

Por isso, aos meus filhos:

voem.

Voem alto.

Trabalhem.

Divirtam-se.

Aprendam.

Enganem-se.

Tentem outra vez.

Escolham bem.

Cuidem de vocês.

Sejam felizes.

E nunca se esqueçam de que, por muito longe que um dia os vossos sonhos vos levem, haverá sempre aqui uma casa, um abraço e alguém profundamente feliz por vos ver crescer.

Desejo-vos um ano cheio de aprendizagem, amizades bonitas, desafios que vos façam crescer e sonhos que continuem a puxar-vos para a frente.

E desejo o mesmo a todos os jovens que começam agora um novo ano lectivo — aos que regressam e aos que entram pela primeira vez neste mundo novo.

E aos pais e mães que hoje fecham malas, verificam pela décima vez se não falta nada e depois regressam a casa com o coração um bocadinho mais apertado:

também nós estamos a começar um novo ciclo.

Talvez o nosso desafio seja confiar nas asas que passámos tantos anos a ajudá-los a construir.

SoLu@

O amor também é isto: dar raízes suficientemente fortes para que um dia tenham coragem de abrir as asas.


Para guardar

Que conselho darias hoje a um jovem que vai viver sozinho pela primeira vez para estudar?

E, se és mãe ou pai de um universitário, conta-me:

o que foi mais difícil quando chegou o momento de o deixar seguir o seu próprio caminho?

Para continuar a ler

Este novo ciclo não começou hoje. Foi sendo construído em muitos pequenos momentos, escolhas e despedidas.

🎓 A Nossa Filha do Meio foi Colocada na Universidade!
O momento em que aquilo que parecia ainda distante se tornou realidade.

📚 O Nosso Primeiro Filho Colocado na Universidade!
No Arquivo SoLu@, a memória da primeira vez que vivemos esta mistura de orgulho, felicidade e a aprendizagem de deixar um filho começar a voar.

🤍 18 anos de Amor Incondicional — Filha do Meio
Sobre crescer, chegar à maioridade, encontrar o próprio caminho e continuar a saber onde é casa.

🌿 Setembro — Autocuidado / Recomeço
Porque os filhos começam novos caminhos — e nós, pais e mães, também precisamos de aprender a viver as mudanças que chegam com eles.