Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

Mãe a observar os filhos seguirem o seu caminho numa nova fase da vida

Há momentos em que os filhos começam uma vida nova e, quase sem darmos conta, nós também somos obrigadas a descobrir quem somos nesta nova fase.

Há mudanças que parecem pertencer aos nossos filhos.

A entrada na Universidade.
O primeiro quarto longe de casa.
Novos horários.
Novos amigos.
Mais autonomia.
Decisões que deixam, pouco a pouco, de passar por nós.

Olhamos para eles e pensamos que são eles que estão a começar uma nova etapa.

E estão.

Mas não são os únicos.

Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda.

Talvez esta seja uma das partes menos faladas da maternidade.

Falamos muito sobre preparar os filhos para crescerem.

Falamos sobre lhes dar asas, ensinar responsabilidade, confiar, deixar experimentar, permitir que errem e ajudá-los a tornarem-se adultos capazes de seguir o seu próprio caminho.

Mas falamos menos sobre aquilo que acontece à mãe quando chega finalmente o momento de os deixar voar.

E sobre a pergunta que começa, silenciosamente, a aparecer dentro de nós:

Quem sou eu nesta nova fase?

Passei tantos anos a ensinar-lhes a voar…

Quando os filhos são pequenos, precisam de nós para quase tudo.

Para comer.
Para dormir.
Para atravessar a estrada.
Para organizar a mochila.
Para lembrar horários.
Para escolher.
Para decidir.
Para tranquilizar medos que ainda não sabem nomear.

Depois crescem.

E aquilo que durante tantos anos foi presença diária começa lentamente a transformar-se.

Já não precisamos de saber tudo.

Nem devemos.

Já não somos chamadas para resolver cada dificuldade.

Nem seria saudável fazê-lo.

Passamos de estar no centro da vida deles para aprender a permanecer num lugar diferente: suficientemente perto para que saibam que estamos aqui, mas suficientemente longe para que consigam descobrir quem são.

E talvez seja este um dos exercícios mais difíceis do amor materno:

continuar presente sem impedir que cresçam.

A Universidade muda muito mais do que os horários

Nestes dias, esta reflexão deixou de ser apenas uma ideia para mim.

A Universidade trouxe novos horários, novos caminhos, alojamentos, malas, deslocações, responsabilidades e uma independência cada vez maior.

Um filho já conhece esse mundo e sabe que aquilo que o espera exige trabalho, responsabilidade e muita capacidade para gerir a própria vida.

Outro começa agora esse caminho pela primeira vez.

E eu observo.

Ajudo no que posso.

Preocupo-me, naturalmente.

Pergunto se levaram tudo.

Penso se vão comer bem, se vão dormir o suficiente, se estarão seguros, se conseguirão organizar-se, se vão encontrar as pessoas certas pelo caminho.

Há perguntas que talvez nunca deixemos de fazer só porque somos mães.

Mas percebo também que chegou uma fase em que muitas dessas perguntas terão de ficar comigo.

Porque crescer também significa não ter uma mãe constantemente a antecipar todos os problemas.

E amar também é confiar naquilo que lhes ensinámos.

Mesmo quando custa.

Deixar crescer não é deixar de cuidar

Durante muito tempo podemos confundir cuidado com fazer.

Fazer por eles.
Resolver por eles.
Antecipar por eles.
Evitar que sofram.

Mas há uma altura em que cuidar começa a significar outra coisa.

Significa ouvir sem decidir imediatamente.

Aconselhar sem exigir que sigam o nosso conselho.

Perguntar sem interrogar.

Estar disponível sem invadir.

Aceitar que algumas escolhas não seriam as nossas.

E permitir que descubram, também através dos próprios erros, a pessoa que querem ser.

Isto não significa abandonar.

Muito pelo contrário.

Talvez seja uma das formas mais exigentes de presença.

Porque exige confiança.

Neles.

E em nós.

E quando eles precisam menos de mim?

Há uma pergunta difícil escondida em muitas destas mudanças:

Se eles já não precisam de mim da mesma maneira, onde fico eu?

Não é uma pergunta egoísta.

É humana.

Durante anos, grande parte dos nossos dias é construída à volta das necessidades dos filhos.

Escolas.
Consultas.
Actividades.
Reuniões.
Refeições.
Horários.
Transportes.
Preocupações.
Decisões.

A maternidade ocupa espaço no calendário, na casa, no corpo e na cabeça.

E, quando esse espaço começa a mudar, podemos sentir simultaneamente orgulho e uma espécie de vazio difícil de explicar.

Queríamos que crescessem.

Trabalhámos para isso.

Desejámos que fossem autónomos.

E depois chega o dia em que começam mesmo a sê-lo.

É bonito.

Mas também mexe connosco.

Porque deixar crescer os filhos obriga-nos, de alguma forma, a voltar a crescer também.

Talvez esteja na altura de voltar a perguntar por mim

Setembro tem sido, no Calendário SoLu@, um mês de Autocuidado e Recomeço.

E começo a perceber que este recomeço não precisa de acontecer apenas porque alguma coisa correu mal.

Há recomeços que surgem simplesmente porque a vida mudou.

Os filhos crescem.

As rotinas transformam-se.

A casa ganha outros silêncios.

E nós precisamos de encontrar uma nova forma de habitá-la.

Talvez esta seja uma oportunidade para recuperar perguntas que ficaram adiadas durante muito tempo:

Do que gosto agora?

O que quero aprender?

De que preciso para me sentir bem?

Que partes de mim ficaram esquecidas enquanto estava tão ocupada a cuidar de todos?

Que mulher quero ser nesta próxima fase da minha vida?

Não para deixar de ser mãe.

Nunca deixamos.

Mas para recordar que, antes e para além da maternidade, continua a existir uma mulher com sonhos, curiosidade, necessidades, vontade de aprender, criar, cuidar de si e continuar a crescer.

Os filhos não são o fim da nossa história

Talvez também tenhamos de aprender isto.

Os filhos não vieram preencher toda a nossa vida.

Vieram fazer parte dela.

Profundamente.

Transformaram-nos.

Ensinaram-nos formas de amor que talvez nem soubéssemos existir.

Mas o crescimento deles não pode significar o desaparecimento de quem somos.

Talvez seja exactamente o contrário.

Talvez vê-los construir a sua própria vida seja também um convite para olharmos novamente para a nossa.

Não para preencher depressa o espaço que ficou vazio.

Nem para inventar mil ocupações para evitar sentir saudades.

Mas para perguntar com calma:

O que quero fazer com este espaço novo?

Pode ser pouco.

Um livro que ficou por ler.

Uma caminhada.

Voltar a cuidar do corpo.

Retomar um projecto.

Aprender alguma coisa.

Estar mais presente no casamento.

Encontrar amigas.

Escrever.

Descansar.

Ou simplesmente reaprender a estar connosco sem sentir que precisamos de estar constantemente a fazer alguma coisa por alguém.

Talvez esta também seja uma forma de amor incondicional

Sempre quis que os meus filhos voassem.

Que fossem mais longe.

Que construíssem os seus próprios sonhos.

Que não permanecessem pequenos apenas porque seria mais confortável para mim.

Agora preciso de aprender a viver aquilo que tantas vezes lhes desejei.

Vê-los ir.

Confiar.

Continuar disponível.

E aceitar que há caminhos que terão de percorrer sem mim.

Provavelmente vou continuar a perguntar se comeram.

Provavelmente continuarei a preocupar-me mais do que eles acham necessário.

Provavelmente haverá sempre uma parte de mim que os vê com os mesmos olhos com que os via quando eram pequenos.

Mas quero aprender esta nova forma de maternidade.

Uma maternidade que não prende.

Que não controla para acalmar os próprios medos.

Que não transforma preocupação em vigilância.

Uma maternidade que diz:

Vai. Experimenta. Cresce. Eu estou aqui.

Talvez amar incondicionalmente também seja isto.

Não apenas segurá-los quando precisam.

Mas saber abrir as mãos quando chega o momento de voarem.

E eu também posso continuar a crescer

Há uma imagem bonita nesta fase da vida.

Enquanto os nossos filhos começam novos caminhos, nós não precisamos de ficar paradas no lugar onde os deixámos.

Também podemos avançar.

Eles começam uma etapa.

Nós começamos outra.

Eles descobrem quem são fora da nossa casa.

E talvez nós possamos redescobrir quem somos para além das rotinas que durante tantos anos organizaram os nossos dias.

Não quero olhar para esta fase apenas como aquilo que termina.

Quero olhar também para aquilo que começa.

Para eles.

E para mim.

Uma pequena reflexão para esta semana

Se estás a viver uma mudança semelhante — filhos a crescer, uma saída de casa, uma nova escola, Universidade, trabalho ou simplesmente uma autonomia cada vez maior — experimenta perguntar:

O que mudou na vida deles?

E depois acrescenta uma pergunta que tantas vezes esquecemos:

O que está esta mudança a pedir que mude em mim?

Talvez não seja preciso encontrar já uma grande resposta.

Às vezes um recomeço começa apenas quando temos coragem para fazer uma nova pergunta.


Frase SoLu@

Quando os nossos filhos começam a construir a própria vida, talvez seja também tempo de voltarmos a olhar para a nossa.


Setembro Recomeço

Este texto faz parte da rubrica Setembro Recomeço, um caminho de pequenos regressos a nós próprias durante um mês que tantas vezes nos pede para reorganizar a vida.

E acompanha a Semana 3 do Calendário SoLu@ — Deixar Crescer, dedicada à maternidade, à autonomia dos filhos e à aprendizagem de continuar presente sem impedir que eles sigam o seu caminho.

→ Ler: Calendário SoLu@ — Setembro, Semana 3: Deixar Crescer

Porque deixar crescer os nossos filhos também pode ser uma maneira de voltarmos a crescer com eles.

E talvez este seja o meu recomeço nesta fase: continuar a ser mãe, sem deixar de voltar a ser também eu.

— SoLu@

Quando os filhos vão para a Universidade: um novo ciclo começa

Filhos a iniciar um novo ciclo na Universidade e a partir para o alojamento universitário.

Há dias em que ser mãe é preparar malas, engolir a saudade e acreditar que lhes demos asas suficientes para seguirem os seus sonhos.

Hoje começa mais um daqueles ciclos que sabemos que vão chegar, mas para os quais talvez nunca estejamos verdadeiramente preparados.

Hoje, os meus dois filhos mais velhos seguem para os seus alojamentos universitários.

Cada um para o seu.

Cada um para a sua Universidade.

Cada um para a vida que está, pouco a pouco, a construir.

E eu olho para as malas, para tudo aquilo que fomos tentando não esquecer, para as coisas que ainda perguntamos se levaram, para os últimos conselhos — alguns certamente repetidos mais vezes do que seria necessário — e penso:

estão a voar os seus próprios voos.

Era isto que queríamos.

Sempre quisemos que voassem.

E, se possível, que voassem mais alto do que nós.

Que tivessem sonhos.

Que lutassem por eles.

Que encontrassem o seu lugar no mundo.

Só não nos avisaram de que vê-los ganhar asas também apertava assim o coração.


Para um, o caminho já é conhecido

O mais velho começa agora o 3.º ano da Universidade.

Já sabe o que o espera.

Ou, pelo menos, sabe bastante melhor do que sabia há dois anos.

Sabe que vai haver trabalho.

E depois mais trabalho.

E provavelmente ainda mais algum trabalho quando pensar que finalmente terminou.

A Universidade onde está não brinca em serviço.

Enquanto vê amigos que ainda nem começaram as aulas e que, quando começarem, ainda terão pela frente semanas de vida académica, festas, convívios e integração, ele já conhece outro ritmo.

Às vezes até brincamos cá em casa com a diferença.

Parece que alguns cursos conseguem transformar um ano lectivo em seis meses de aulas e muitos momentos de vida académica.

No dele, às vezes parece exactamente o contrário.

Mas também sei tudo o que estes dois primeiros anos lhe deram.

Não apenas conhecimento.

Deram-lhe autonomia.

Capacidade de trabalho.

Persistência.

Responsabilidade.

Ensinaram-lhe que nem sempre conseguimos tudo à primeira.

Que há momentos difíceis.

Que há cansaço.

Que há dúvidas.

E que continuamos.

Talvez seja essa uma das aprendizagens mais importantes da Universidade — e da vida.

Hoje vai com outra segurança.

Já conhece o caminho.

Já conhece as dificuldades.

E talvez seja precisamente por isso que eu saiba que continua a precisar de ouvir:

acredita em ti.


Para ela, tudo começa agora

Com a minha filha do meio, a sensação é diferente.

É o primeiro ano.

A primeira vez que sai assim de casa.

A primeira residência universitária.

As primeiras aulas.

Os primeiros colegas.

Uma nova cidade.

Novas rotinas.

Novas responsabilidades.

Novas liberdades.

E talvez também algumas saudades que só se descobrem quando fechamos a porta do quarto e percebemos que aquele espaço é agora, durante parte da semana, a nossa casa.

Investimos numa residência privada para que pudesse ficar mais perto da Universidade.

Tem todas as condições.

Pensámos na localização.

Na segurança.

No conforto.

Naquilo que poderia facilitar os primeiros meses desta adaptação.

Fizemos o que estava ao nosso alcance.

E, mesmo assim, estamos apreensivos.

Porque há coisas que nenhum quarto confortável consegue resolver por nós.

Não podemos escolher os amigos que vão encontrar.

Não podemos evitar todas as dificuldades.

Não podemos protegê-los de todas as desilusões.

Não podemos garantir que nunca se sintam sozinhos.

Não podemos fazer os trabalhos por eles, enfrentar os professores, resolver os problemas ou escolher os caminhos.

Podemos apenas continuar aqui.

Presentes.

Disponíveis.

A acreditar neles.

Vamos a caminho.

E talvez esta frase diga muito mais do que parece.

Eles vão a caminho da Universidade.

Nós vamos a caminho de uma nova forma de sermos pais.


Deviam entregar-nos uma checklist para esta fase

Enquanto preparávamos tudo, pensei várias vezes:

devia existir um kit para jovens universitários.

Não apenas a lista das coisas que têm de levar.

Lençóis.

Toalhas.

Roupa.

Computador.

Carregadores.

Medicamentos.

Documentos.

Mas uma checklist verdadeiramente útil para quem está prestes a começar a viver longe de casa.

Porque preparar um filho para a Universidade não é só encher uma mala.

É ajudá-lo a perceber que, a partir de agora, terá de cuidar de muitas pequenas coisas que em casa quase aconteciam sem dar por elas.

Por isso, se tivesse de criar hoje uma Checklist SoLu@ para quem vai viver para um alojamento universitário, seria esta.

Checklist prática — o que levar

Documentos e essenciais

  • Cartão de Cidadão;
  • cartão bancário;
  • cartão de estudante ou comprovativo de matrícula;
  • contactos importantes;
  • informações da residência/alojamento;
  • medicação habitual e respectivas receitas, quando necessárias;
  • cópia digital de documentos importantes.

Para o quarto

  • lençóis;
  • almofada, se não estiver incluída;
  • manta;
  • toalhas;
  • cabides;
  • saco para roupa suja;
  • chinelos;
  • extensão eléctrica ou múltiplas tomadas, se forem permitidas;
  • candeeiro de secretária, se necessário;
  • uma fotografia, objecto ou pequena coisa de casa que faça aquele espaço parecer um pouco mais seu.

Higiene e cuidados pessoais

  • produtos de higiene;
  • pequena farmácia com o essencial;
  • termómetro;
  • pensos rápidos;
  • analgésico habitual;
  • protector solar;
  • garrafa de água reutilizável.

Universidade e tecnologia

  • computador;
  • carregadores;
  • auscultadores;
  • mochila;
  • cadernos ou material de escrita;
  • pen/armazenamento externo, se necessário;
  • cópias de segurança configuradas;
  • passwords importantes guardadas de forma segura.

Alimentação

Se o alojamento permitir preparar refeições:

  • alguns recipientes;
  • talheres;
  • caneca;
  • prato e tigela;
  • garrafa de água;
  • alimentos simples para os primeiros dias.

E uma coisa que parece pouco importante até ao dia em que faz falta:

alguma comida de casa.

Porque às vezes uma refeição conhecida também cuida.


A checklist que não cabe dentro da mala

Depois há outra lista.

Talvez a mais importante.

Aquela que não se compra.

Aquela que nenhum supermercado vende.

E que gostava que os meus filhos levassem também com eles.

1. Não precisam de ter tudo resolvido no primeiro dia

Os primeiros tempos podem ser estranhos.

É normal.

Uma nova casa demora a parecer casa.

Uma turma demora a transformar-se em pessoas conhecidas.

Uma cidade demora a deixar de parecer desconhecida.

Dêem tempo ao tempo.

2. Peçam ajuda

Aos colegas.

Aos professores.

Aos serviços da Universidade.

À residência.

A nós.

Pedir ajuda não é sinal de incapacidade.

Muitas vezes é sinal de inteligência.

3. Escolham bem as pessoas

A Universidade traz muitas pessoas novas para a nossa vida.

Algumas ficam.

Outras passam.

Observem.

Conheçam.

Não tenham pressa de pertencer a qualquer grupo apenas para não se sentirem sozinhos.

Estar acompanhado nem sempre significa estar bem acompanhado.

4. Divirtam-se — mas não se esqueçam de porque estão ali

A vida académica também faz parte da Universidade.

Os amigos.

Os jantares.

As festas.

As conversas que ficam pela madrugada.

Há memórias que também se constroem nesses momentos.

Mas liberdade também significa aprender a escolher.

E cada escolha tem consequências.

5. Durmam

Pode parecer um conselho banal.

Não é.

Não há corpo nem cabeça que consigam funcionar indefinidamente à base de noites mal dormidas, cafés e prazos.

Cuidar do sono também faz parte de estudar.

6. Comam

Mesmo nos dias de testes.

Mesmo nos dias em que chegam tarde.

Mesmo quando parece mais fácil viver de qualquer coisa rápida.

O corpo que vos leva até aos vossos sonhos também precisa de ser cuidado.

7. Aprendam a gerir dinheiro

Um orçamento mensal.

As despesas fixas.

Aquilo que podem gastar.

Aquilo que devem guardar.

Talvez esta seja uma das aulas mais úteis que não aparece no horário da Universidade.

8. Não comparem demasiado

Vai haver sempre alguém com melhores notas.

Mais facilidade.

Mais amigos.

Mais confiança.

Mais vida social.

Mais qualquer coisa.

Não façam da vida dos outros uma régua para medir a vossa.

Cada um está a fazer o seu próprio caminho.

9. Telefonem para casa

Não precisa de ser todos os dias.

Nem precisam de contar tudo.

Mas uma mensagem às vezes chega:

“Está tudo bem.”

Nós entendemos o resto.

10. Lembrem-se de quem são

Talvez este seja o conselho que mais gostaria que levassem.

Vão conhecer ideias novas.

Pessoas diferentes.

Vão mudar de opinião sobre algumas coisas.

Vão crescer.

Ainda bem.

Mas, no meio de tudo isso, não deixem que ninguém vos faça acreditar que precisam de deixar de ser quem são para serem aceites.


Também nós temos de aprender a deixá-los ir

Tenho pensado muito nisso.

Durante anos, ser mãe significou fazer.

Preparar.

Levar.

Buscar.

Resolver.

Organizar.

Lembrar.

Perguntar.

Proteger.

Agora começa outra aprendizagem.

Estar sem controlar.

Ajudar sem impedir.

Perguntar sem invadir.

Aconselhar sem decidir por eles.

Confiar.

Talvez criar filhos seja isto:

passarmos anos a segurar-lhes a mão para que aprendam a andar e, depois, termos de aprender a soltá-la para que descubram até onde conseguem chegar.

Não é deixarmos de ser necessários.

É sermos necessários de outra maneira.


Voem

Hoje, quando deixarmos cada um no seu alojamento, sei que provavelmente vou sentir aquele vazio estranho.

A casa fica diferente quando os filhos saem.

Mesmo quando sabemos que voltam.

Mesmo quando só estão a alguns quilómetros.

Mesmo quando podemos telefonar.

Há um silêncio diferente.

Mas quero guardar outra imagem.

Não a dos quartos vazios.

A das asas.

Porque foi para isto que trabalhámos durante tantos anos.

Para que pudessem escolher os seus caminhos.

Para que acreditassem nos seus sonhos.

Para que fossem capazes de partir sabendo que existe sempre um lugar onde podem regressar.

Por isso, aos meus filhos:

voem.

Voem alto.

Trabalhem.

Divirtam-se.

Aprendam.

Enganem-se.

Tentem outra vez.

Escolham bem.

Cuidem de vocês.

Sejam felizes.

E nunca se esqueçam de que, por muito longe que um dia os vossos sonhos vos levem, haverá sempre aqui uma casa, um abraço e alguém profundamente feliz por vos ver crescer.

Desejo-vos um ano cheio de aprendizagem, amizades bonitas, desafios que vos façam crescer e sonhos que continuem a puxar-vos para a frente.

E desejo o mesmo a todos os jovens que começam agora um novo ano lectivo — aos que regressam e aos que entram pela primeira vez neste mundo novo.

E aos pais e mães que hoje fecham malas, verificam pela décima vez se não falta nada e depois regressam a casa com o coração um bocadinho mais apertado:

também nós estamos a começar um novo ciclo.

Talvez o nosso desafio seja confiar nas asas que passámos tantos anos a ajudá-los a construir.

SoLu@

O amor também é isto: dar raízes suficientemente fortes para que um dia tenham coragem de abrir as asas.


Para guardar

Que conselho darias hoje a um jovem que vai viver sozinho pela primeira vez para estudar?

E, se és mãe ou pai de um universitário, conta-me:

o que foi mais difícil quando chegou o momento de o deixar seguir o seu próprio caminho?

Para continuar a ler

Este novo ciclo não começou hoje. Foi sendo construído em muitos pequenos momentos, escolhas e despedidas.

🎓 A Nossa Filha do Meio foi Colocada na Universidade!
O momento em que aquilo que parecia ainda distante se tornou realidade.

📚 O Nosso Primeiro Filho Colocado na Universidade!
No Arquivo SoLu@, a memória da primeira vez que vivemos esta mistura de orgulho, felicidade e a aprendizagem de deixar um filho começar a voar.

🤍 18 anos de Amor Incondicional — Filha do Meio
Sobre crescer, chegar à maioridade, encontrar o próprio caminho e continuar a saber onde é casa.

🌿 Setembro — Autocuidado / Recomeço
Porque os filhos começam novos caminhos — e nós, pais e mães, também precisamos de aprender a viver as mudanças que chegam com eles.