Calendário SoLu@ — Agosto Simples: Semana 2 — Viver com menos

Agosto Simples — Viver com menos

Quando deixamos de tentar guardar tudo, começamos a descobrir aquilo que verdadeiramente queremos levar connosco.

Há alturas em que a vida parece demasiado cheia.

Cheia de coisas, de compromissos, de pensamentos, de expectativas, de mensagens por responder, de tarefas que adiamos e de responsabilidades que vamos acumulando sem perceber.

Mesmo quando estamos de férias ou tentamos abrandar, a nossa cabeça continua ocupada. Levamos connosco listas, preocupações, comparações e aquela sensação persistente de que ainda falta fazer alguma coisa.

Mas talvez Agosto não nos esteja a pedir mais.

Talvez nos esteja a convidar a retirar.

A libertar uma gaveta.
A deixar uma tarefa para outro dia.
A dizer não a um convite que nos cansa.
A passar menos tempo no telemóvel.
A comprar apenas aquilo de que precisamos.
A escolher uma coisa de cada vez.

Viver com menos não significa desistir dos sonhos, deixar de desejar ou aceitar uma vida pequena.

Significa escolher melhor.

Significa deixar de preencher todos os espaços, para podermos voltar a sentir aquilo que já existe dentro de nós.

Nesta segunda semana de Agosto Simples, o convite é este: perceber o que está a ocupar demasiado espaço e começar, com calma, a libertar o que já não precisamos de carregar.


O tema da semana: viver com menos

Vivemos rodeadas de mensagens que nos dizem que precisamos de mais.

Mais coisas.
Mais produtividade.
Mais experiências.
Mais reconhecimento.
Mais respostas.
Mais certezas.
Mais pressa.

E, sem percebermos, podemos começar a acreditar que a nossa vida só será suficiente quando conseguirmos alcançar tudo aquilo que ainda nos falta.

Mas uma vida com sentido nem sempre é construída pelo que acrescentamos.

Muitas vezes, começa no que escolhemos retirar.

Menos ruído para escutarmos o que sentimos.
Menos comparação para reconhecermos o nosso próprio caminho.
Menos exigência para podermos respirar.
Menos consumo para valorizarmos o que já temos.
Menos culpa para vivermos com maior verdade.

Viver com menos é uma decisão interior antes de ser uma mudança exterior.

Podemos ter uma casa organizada e continuar com a alma cheia de preocupações. Podemos doar roupas e continuar agarradas a ressentimentos antigos. Podemos desligar o telemóvel e permanecer presas ao medo de não estarmos a fazer o suficiente.

Por isso, nesta semana, não vamos apenas arrumar coisas.

Vamos observar tudo aquilo que ocupa espaço na nossa vida sem nos fazer verdadeiramente bem.


Intenção da semana

Escolher o essencial e libertar, sem culpa, aquilo que me pesa.

Não é necessário mudar tudo de uma vez.

Podemos começar por uma gaveta, uma obrigação, um pensamento ou uma pequena escolha diária.

O importante não é a quantidade do que retiramos.

É a consciência com que escolhemos aquilo que queremos manter.


Frase destaque SoLu@

Não preciso de ter tudo. Preciso de reconhecer aquilo que, para mim, é essencial.


Prática da semana: criar espaço

Durante esta semana, escolhe uma pequena área da tua vida para simplificar.

Pode ser:

  • uma gaveta ou armário;
  • a carteira ou mala que usas diariamente;
  • as fotografias e aplicações do telemóvel;
  • a lista de tarefas;
  • os compromissos da semana;
  • os gastos por impulso;
  • o tempo passado nas redes sociais;
  • um pensamento que repetes e que te desgasta;
  • uma responsabilidade que pode ser partilhada;
  • uma expectativa que já não corresponde à tua vida.

Antes de decidires o que fazer, pergunta:

Isto ajuda-me, serve-me ou faz sentido na vida que estou a viver agora?

Nem tudo o que um dia foi importante precisa de continuar connosco para sempre.


Mini desafio da semana

Todos os dias, liberta uma coisa.

Não precisa de ser um objecto.

Podes libertar:

  • uma peça de roupa que já não usas;
  • um compromisso assumido apenas por obrigação;
  • uma compra desnecessária;
  • dez minutos de utilização do telemóvel;
  • uma tarefa que pode esperar;
  • uma comparação;
  • uma culpa antiga;
  • a necessidade de explicar todas as tuas decisões.

No final da semana, observa como te sentes.

Talvez tenhas retirado muito pouco da tua casa, mas criado um espaço importante dentro de ti.


Calendário diário

Domingo, 9 de Agosto — Paz: deixar o dia respirar

Frase do dia

Nem todos os espaços precisam de ser preenchidos.

Mensagem SoLu@

O silêncio não é ausência de vida.

Às vezes, é o lugar onde conseguimos finalmente escutar-nos.

Não precisas de preencher o domingo com planos, conversas ou tarefas. Um dia mais vazio também pode ser um dia inteiro de presença.

Prática

Reserva quinze minutos sem televisão, música, telemóvel ou qualquer outra distração.

Senta-te, respira e observa o que está à tua volta.

Pergunta

O que costumo fazer apenas para não ficar em silêncio comigo?

Gesto do dia

Deixa um pequeno espaço da tua agenda livre e não o transformes numa nova obrigação.


Segunda-feira, 10 de Agosto — Felicidade e gratidão: reconhecer o que já existe

Frase do dia

Quando agradeço o que tenho, a falta deixa de comandar o meu olhar.

Mensagem SoLu@

A felicidade não vive apenas naquilo que ainda esperamos alcançar.

Também está na chávena que usamos todos os dias, na casa que nos acolhe, na mensagem inesperada, na presença de quem permanece e nos pequenos gestos que quase deixámos de ver.

Prática

Escreve cinco coisas simples que já tens e que tornam a tua vida melhor.

Não procures acontecimentos extraordinários. Repara no que se tornou habitual, mas continua a ser valioso.

Pergunta

O que existe hoje na minha vida que um dia desejei muito ter?

Gesto do dia

Agradece directamente a alguém por uma presença ou gesto que, por vezes, tomas como garantido.


Terça-feira, 11 de Agosto — Vida: consumir com mais consciência

Frase do dia

Nem tudo o que posso comprar precisa de entrar na minha vida.

Mensagem SoLu@

Compramos, por vezes, para compensar o cansaço, preencher um vazio ou sentir que estamos a cuidar de nós.

Mas cuidar também pode ser não acumular.

Pode ser usar o que já temos, reparar, reutilizar, partilhar ou esperar antes de decidir.

Prática

Antes de fazeres uma compra não essencial, espera vinte e quatro horas.

Pergunta se precisas verdadeiramente daquilo ou se estás apenas a responder a uma emoção passageira.

Pergunta

O que procuro sentir quando compro algo de que não preciso?

Gesto do dia

Escolhe usar, aproveitar ou reinventar algo que já tens em casa.


Quarta-feira, 12 de Agosto — Atitude: fazer uma coisa de cada vez

Frase do dia

A pressa multiplica tarefas; a presença devolve-nos ao momento.

Mensagem SoLu@

Fazer várias coisas ao mesmo tempo pode dar-nos a sensação de que estamos a avançar, mas também nos deixa cansadas e ausentes.

A vida não precisa de ser vivida em várias janelas abertas.

Há serenidade em terminar uma coisa antes de começar outra.

Prática

Escolhe uma tarefa e realiza-a sem alternar entre o telemóvel, o correio electrónico ou outras actividades.

Quando terminares, faz uma pausa antes de começares a seguinte.

Pergunta

O que mudaria no meu dia se eu deixasse de tentar fazer tudo ao mesmo tempo?

Gesto do dia

Fecha os separadores, guarda o telemóvel e oferece atenção inteira a uma tarefa ou pessoa.


Quinta-feira, 13 de Agosto — Pensamentos positivos: reduzir o ruído interior

Frase do dia

Nem todos os pensamentos merecem uma resposta.

Mensagem SoLu@

Há pensamentos que chegam apenas porque estamos cansadas, inseguras ou com medo.

Não precisamos de acreditar em tudo o que pensamos.

Podemos observar uma preocupação sem a transformar numa certeza. Podemos reconhecer um medo sem lhe entregar a direcção da nossa vida.

Prática

Quando surgir um pensamento negativo repetitivo, escreve-o.

Depois acrescenta:

“Este é um pensamento, não é necessariamente a verdade.”

Reformula-o de uma forma mais justa e realista.

Pergunta

Que pensamento tenho repetido e que já ocupa demasiado espaço dentro de mim?

Gesto do dia

Troca uma crítica dirigida a ti própria por uma frase mais cuidadosa e verdadeira.


Sexta-feira, 14 de Agosto — Fé e esperança: confiar sem controlar tudo

Frase do dia

Há caminhos que só se revelam depois de darmos o passo possível.

Mensagem SoLu@

Queremos respostas antes de avançar.

Queremos garantias antes de confiar.

Mas nem sempre a vida nos permite ver o caminho inteiro. Às vezes, mostra-nos apenas o próximo passo.

A esperança não elimina a incerteza. Ajuda-nos a continuar mesmo quando ainda não sabemos tudo.

Prática

Escolhe uma preocupação que tens tentado controlar constantemente.

Escreve:

  • o que depende de ti;
  • o que não depende de ti;
  • qual é o próximo passo possível.

Depois, permite-te descansar do resto.

Pergunta

O que posso entregar à vida, a Deus ou ao tempo, em vez de continuar a tentar controlar?

Gesto do dia

Faz o que está ao teu alcance e permite que o restante não seja resolvido hoje.


Sábado, 15 de Agosto — Amor: estar sem precisar de oferecer coisas

Frase do dia

O amor mais importante nem sempre se compra; oferece-se em tempo, escuta e presença.

Mensagem SoLu@

Podemos demonstrar amor através de presentes, mas também através de um passeio, de uma conversa demorada, de um abraço ou de uma refeição partilhada.

Quem nos ama nem sempre precisa que façamos mais.

Muitas vezes, precisa apenas que estejamos verdadeiramente presentes.

Prática

Escolhe uma pessoa importante e passa algum tempo com ela sem transformar o encontro numa actividade dispendiosa ou complicada.

Pode ser uma caminhada, um café em casa, uma conversa ou um fim de tarde partilhado.

Pergunta

Como posso demonstrar amor de uma forma mais simples e presente?

Gesto do dia

Oferece tempo sem pressa a alguém de quem gostas.


Pergunta da semana

O que poderia retirar da minha vida para conseguir estar mais presente naquilo que verdadeiramente importa?

Escreve a resposta sem pensares apenas em coisas materiais.

Talvez precises de menos compromissos.
Menos explicações.
Menos comparação.
Menos perfeccionismo.
Menos notícias.
Menos culpa.
Menos pressa.

E talvez, ao retirares um pouco, descubras que já existia muito amor, beleza e vida à tua espera.


Reflexão final

Viver com menos não significa viver sem sonhos, conforto ou alegria.

Significa não deixar que o excesso nos impeça de reconhecer o suficiente.

Ao longo desta semana, talvez não tenhas conseguido libertar tudo o que desejavas. Talvez a casa continue desarrumada, a agenda cheia e a cabeça ocupada.

Não faz mal.

Simplificar também é abandonar a ideia de que precisamos de fazer tudo perfeitamente.

Cada pequena escolha conta.

Uma compra evitada.
Uma tarefa adiada sem culpa.
Uma hora longe do telemóvel.
Um objecto oferecido.
Uma conversa mais presente.
Um pensamento que decidimos não alimentar.

Pouco a pouco, deixamos de carregar o que já não nos pertence.

E, quando criamos espaço, não ficamos necessariamente com menos.

Ficamos com mais tempo.
Mais clareza.
Mais presença.
Mais liberdade.
Mais capacidade de reconhecer o amor que já existe.

Uma vida simples não é uma vida vazia. É uma vida onde o essencial consegue respirar.


Ligações do mês

  • [Agosto Simples — Página principal do Calendário SoLu@]
  • [Semana 1 — Descomplicar]
  • [Começa Aqui — Um caminho para viver com mais consciência]
  • [Ser Melhor — Crescimento pessoal e vida com sentido]
  • [Amor Consciente — Cuidar sem nos abandonarmos]
  • [Arquivo SoLu@ — Memórias sobre simplicidade, escolhas e recomeços]

Queres viver este mês comigo?

Agosto não precisa de ser perfeito para ser simples.

Podes acompanhar cada semana, escolher apenas as práticas que fizerem sentido e adaptar este calendário à tua vida.

A regra SoLu@ continua a ser a mesma:

O calendário é um guia, não uma prisão.

Não precisas de cumprir tudo. Precisas apenas de encontrar uma pequena ideia que te ajude a viver com mais verdade.


Newsletter SoLu@

Na newsletter SoLu@ partilho reflexões mais próximas, histórias pessoais, novidades do projecto e pequenos convites para viver cada mês com mais intenção.

[Quero receber a Newsletter SoLu@]


Downloads

  • [Descarregar Calendário SoLu@ de Agosto em PDF]
  • [Adicionar o Calendário SoLu@ ao meu calendário — ficheiro ICS]

Perguntas frequentes

Preciso de seguir todas as práticas da semana?

Não. Escolhe uma prática, uma pergunta ou um gesto que faça sentido para ti. O calendário deve acompanhar-te, não criar mais pressão.

Viver com menos significa deixar de comprar ou de desejar coisas?

Não. Significa consumir e escolher com maior consciência, reconhecendo a diferença entre aquilo que acrescenta valor à tua vida e aquilo que apenas ocupa espaço.

Como posso simplificar a vida quando tenho muitas responsabilidades?

Começa por uma pequena área que esteja ao teu alcance. Podes reduzir notificações, partilhar uma tarefa, recusar um compromisso ou deixar de exigir perfeição em tudo o que fazes.

Tenho dificuldade em desfazer-me de objectos. Por onde começo?

Começa por coisas sem grande valor emocional: embalagens, papéis, produtos fora de prazo ou objectos repetidos. Não precisas de começar pelas memórias mais importantes.

A simplicidade também pode ser emocional?

Sim. Podemos simplificar relações, expectativas, pensamentos e obrigações. Viver com menos também é deixar de carregar culpas, comparações e responsabilidades que não nos pertencem.

Quando eu complicava o que o coração já sabia

Quando eu complicava
o que o coração já sabia

Há seis anos, o meu corpo já me pedia aquilo que hoje procuro escolher conscientemente: menos peso, menos exigência, mais espaço para viver.

Há textos antigos que, quando os volto a ler, não me parecem antigos.

Mudaram os anos.
Mudaram algumas circunstâncias.
Mudei eu.

Mas há palavras que continuam a reconhecer-me.

Nesta Sexta-feira Nostálgica, voltei a um texto que escrevi a 13 de Março de 2020: “Help/Ajuda — Quando o seu corpo lhe diz: Estou a chegar ao limite?”

Começava assim:

“Já há algum tempo que tenho sinais de que estou a chegar ao limite das minhas forças.”

E talvez esta seja uma daquelas frases que só compreendemos verdadeiramente quando passam alguns anos.

A mulher que estava cansada de aguentar

Quando releio aquele texto, encontro uma mulher consciente de que estava cansada.

Falava de sobrecarga, de exigências, de dar demasiado, de não conseguir descansar verdadeiramente. Falava também de perfeccionismo, da dificuldade em delegar e daquela sensação de ter a cabeça sempre a funcionar depressa demais.

Hoje consigo ver algo que talvez, naquela altura, ainda não soubesse nomear tão claramente:

eu estava a tentar sustentar demasiadas coisas ao mesmo tempo.

E quando fazemos isso durante muito tempo, acabamos por acreditar que o problema está em não conseguirmos fazer mais.

Talvez precisemos de organizar melhor.

Ser mais eficientes.

Ter mais disciplina.

Encontrar outra solução.

Pensar mais um bocadinho.

Fazer mais um esforço.

Só mais este dia.

Só mais esta tarefa.

Só mais esta responsabilidade.

E vamos complicando.

Até que o corpo, o coração ou a própria vida nos obrigam a fazer a pergunta que evitámos durante demasiado tempo:

E se eu não precisar de fazer mais?
E se precisar simplesmente de carregar menos?

O coração talvez já soubesse

Há uma coisa que hoje reconheço naquela mulher de 2020:

ela já sabia.

Talvez ainda não soubesse como mudar.

Talvez ainda procurasse respostas demasiado complicadas.

Mas sabia que não podia continuar da mesma maneira.

O coração costuma perceber algumas coisas antes de conseguirmos transformá-las em decisões.

Sabe quando estamos cansadas.

Sabe quando uma relação, uma rotina ou uma responsabilidade deixou de nos fazer bem.

Sabe quando estamos a dizer demasiados “sim” enquanto alguma coisa dentro de nós pede um “não”.

Sabe quando precisamos de descansar.

Sabe quando é tempo de pedir ajuda.

Sabe quando aquilo que estamos a tentar controlar já não está nas nossas mãos.

O difícil nem sempre é saber.

Às vezes, o difícil é confiar no que já sabemos.

Durante muito tempo, simplificar pareceu-me fazer menos

Hoje penso de outra forma.

Simplificar não é desistir.

Não é abandonar responsabilidades.

Não é deixar de cuidar.

Não é tornar a vida vazia ou indiferente.

Simplificar é retirar o ruído para conseguir perceber aquilo que verdadeiramente importa.

É escolher melhor onde coloco o meu tempo.

É perceber que nem tudo precisa de uma resposta imediata.

É deixar algumas coisas por fazer.

É delegar.

É dizer “não consigo agora”.

É aceitar que outra pessoa pode fazer de maneira diferente da minha.

É parar antes de chegar ao limite.

É não transformar cada problema numa missão pessoal para resolver.

É perceber que descansar não precisa de ser merecido.

E, sobretudo, é deixar de confundir amor, responsabilidade e dedicação com a obrigação de carregar tudo.

Hoje já não quero chegar ao limite para me escutar

Talvez esta seja uma das maiores diferenças entre a mulher que escreveu aquele texto e a mulher que o lê hoje.

Não quero precisar de chegar ao limite para perceber que estou cansada.

Não quero esperar que o corpo grite aquilo que eu poderia ter escutado enquanto ainda era apenas um murmúrio.

Quero reparar antes.

Perguntar-me:

O que está a pesar demasiado?

O que estou a fazer apenas porque acho que tenho de fazer?

O que posso simplificar?

O que posso deixar de controlar?

Onde preciso de pedir ajuda?

O que é realmente essencial neste momento da minha vida?

Nem sempre conseguirei fazê-lo.

Continuarei a ter dias demasiado cheios.

Continuarei a preocupar-me.

Continuarei a querer resolver coisas para aqueles que amo.

Continuarei, provavelmente, a complicar algumas situações que poderiam ser mais simples.

Faz parte de mim.

Mas agora reconheço mais depressa o caminho de regresso.

Uma aprendizagem que os anos me deram

Ao reler o texto de 2020 há também algo que quero deixar registado.

Hoje não escreveria algumas das recomendações práticas sobre saúde exactamente da mesma forma.

Também isso é crescer.

O Arquivo SoLu@ não existe para fingir que eu sempre soube aquilo que sei hoje.

Existe precisamente para guardar o caminho.

As palavras certas.

As dúvidas.

Os erros.

As tentativas.

Aquilo em que acreditava.

Aquilo que fui aprendendo.

E aquilo que entretanto escolheria explicar de outra maneira.

Porque crescer não é apagar versões antigas de nós.

É conseguir olhá-las com ternura e dizer:

“Naquele momento, fizeste o melhor que sabias.”

Talvez simplificar comece aqui

Agosto tem-me feito pensar muito sobre simplicidade.

Não naquela simplicidade bonita das fotografias perfeitas, das casas impecáveis ou das vidas sem problemas.

Falo de outra.

Da simplicidade possível.

Aquela que começa dentro de nós.

Escolher uma coisa de cada vez.

Não resolver hoje aquilo que só poderá ser resolvido amanhã.

Deixar de antecipar todos os cenários.

Pedir ajuda.

Descansar.

Estar verdadeiramente com alguém sem pensar na tarefa seguinte.

Fazer espaço.

Dizer não.

Dizer sim apenas ao que merece verdadeiramente esse sim.

E talvez perceber que uma vida mais simples não é necessariamente uma vida com menos responsabilidades.

É uma vida onde aprendemos a distinguir melhor aquilo que merece o nosso peso daquilo que podemos finalmente pousar.

Para esta Sexta-feira Nostálgica

Hoje não quero olhar para aquela mulher de 2020 e dizer-lhe:

“Devias ter feito diferente.”

Quero dizer-lhe:

“Tu já estavas a perceber.”

Estavas cansada porque tinhas carregado demasiado.

Estavas a procurar respostas porque querias continuar.

E talvez ainda não soubesses que uma das respostas seria aprender, devagar, a não te abandonares enquanto cuidavas de tudo e de todos.

Se pudesse sentar-me hoje ao lado dela, talvez não lhe desse uma lista de coisas para fazer.

Talvez lhe dissesse apenas:

Não tens de resolver tudo.

Não tens de carregar tudo.

Nem tudo depende de ti.

Descansa antes de chegares ao limite.

E escuta-te.

Porque, muitas vezes,

aquilo que passamos anos a tentar compreender, o coração já sabia.


Pequena reflexão para levares contigo

Há alguma coisa na tua vida que estás a tornar mais complicada do que precisava de ser?

Uma decisão?

Uma obrigação?

Uma expectativa?

Uma preocupação?

Uma tentativa de controlar aquilo que não depende de ti?

Não precisas de mudar tudo hoje.

Escolhe apenas uma coisa.

E pergunta:

Como poderia tornar isto um pouco mais simples?

Às vezes, a mudança começa aí.

Não numa grande decisão.

Mas num peso que finalmente decidimos pousar.


Do Arquivo para o presente

Este texto nasceu da releitura de “Help/Ajuda — Quando o seu corpo lhe diz: Estou a chegar ao limite?”, publicado originalmente em Março de 2020 no antigo universo dos Blogs SAPO e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

O Arquivo guarda quem fui.

O SoLu@ acompanha quem estou a tornar-me.

E entre uma mulher e a outra há anos de vida, amor, maternidade, erros, aprendizagens, perdas, recomeços e uma vontade que permanece:

aprender a amar e a viver com mais consciência — e, talvez, com um pouco menos de peso.

Com carinho,
SoLu@

Sugestão de Leitura:

  • Ler o texto original no Arquivo SoLu@
  • Calendário SoLu@ — Agosto: Altruísmo / Simplicidade
  • Agosto Simples — Semana 1: Descomplicar
  • Como descomplicar a vida sem transformar a simplicidade em mais uma obrigação
  • Começa Aqui

Calendário SoLu@ — Agosto: Semana 1

Agosto — Semana 1
Descomplicar para respirar melhor

Descomplicar para respirar melhor

Há momentos em que não precisamos de fazer mais. Precisamos apenas de perceber o que já não precisamos de continuar a carregar.

Agosto chega com um convite simples: abrandar, retirar excessos e regressar ao essencial.

Nem sempre é possível mudar tudo o que nos rodeia. Há responsabilidades que permanecem, problemas que precisam de ser resolvidos e pessoas que continuam a precisar de nós.

Mas talvez possamos tornar os dias um pouco mais leves.

Podemos simplificar uma rotina.
Adiar o que não é urgente.
Dizer não a uma obrigação desnecessária.
Arrumar um pequeno espaço.
Desligar o ruído.
Escolher apenas uma prioridade.

Descomplicar não significa abandonar responsabilidades ou deixar de cuidar.

Significa deixar de acrescentar peso ao que já é difícil.

O tema da semana: Descomplicar

Vivemos rodeadas de listas, decisões, notificações, expectativas e tarefas que parecem nunca terminar.

Por vezes, habituamo-nos tanto a viver em esforço que deixamos de questionar se tudo o que fazemos continua realmente a fazer sentido.

Descomplicar começa quando paramos e perguntamos:

— Isto é necessário?
— Precisa mesmo de ser feito agora?
— Tem de ser feito por mim?
— Estou a fazer isto por escolha ou por culpa?
— O que aconteceria se eu fizesse menos?

Nem tudo pode ser eliminado. Mas muito pode ser reorganizado, partilhado, adiado ou simplesmente deixado para trás.

A simplicidade não é uma vida vazia.

É uma vida com espaço para aquilo que verdadeiramente importa.

Intenção da semana

Retirar um pouco de peso aos meus dias, escolhendo com mais consciência aquilo a que dou tempo, energia e atenção.

Não tenho de resolver a vida inteira esta semana.

Posso apenas escolher uma coisa para simplificar.

Frase da semana SoLu@

“Descomplicar é deixar de carregar tudo aquilo que já não ajuda a viver.”

— SoLu@

Prática da semana: uma coisa de cada vez

Durante esta semana, escolhe uma área da tua vida que esteja a criar cansaço ou confusão.

Pode ser:

  • uma divisão da casa;
  • a agenda;
  • as refeições;
  • as notificações do telemóvel;
  • uma tarefa constantemente adiada;
  • uma responsabilidade que pode ser partilhada;
  • uma relação que precisa de limites;
  • uma expectativa demasiado pesada.

Depois, pergunta:

Qual é a forma mais simples de lidar com isto?

Não procures a solução perfeita.

Procura uma solução possível, suficientemente boa e mais leve.

Mini desafio da semana

Todos os dias, elimina, reduz ou simplifica uma pequena coisa.

Pode ser um objecto, uma obrigação, uma decisão, um pensamento repetitivo ou uma exigência que colocaste sobre ti.

No final da semana, observa:

O que mudou dentro de mim quando retirei algum excesso à minha vida?

Calendário diário

Domingo, 2 de Agosto — Paz

Criar espaço antes de começar

Frase do dia

Hoje não preciso de preencher todos os espaços.

Mensagem do livro

A vida nem sempre precisa de uma resposta imediata. Há decisões que se tornam mais claras quando lhes damos silêncio, tempo e espaço.

Prática

Reserva dez minutos sem telemóvel, televisão ou tarefas. Senta-te, respira e permite-te não fazer nada.

Pergunta

Que espaço da minha vida está demasiado cheio?

Gesto simples

Deixa um pequeno período do dia sem planos.

Segunda-feira, 3 de Agosto — Felicidade e Gratidão

Reconhecer o que já é suficiente

Frase do dia

Talvez já exista muito de bom naquilo que tenho.

Mensagem do livro

Quando estamos constantemente à procura do que falta, podemos deixar de ver o que já nos sustenta, acompanha e faz bem.

Prática

Escreve três coisas simples que já tornam a tua vida mais confortável, segura ou bonita.

Pergunta

O que já tenho que merece ser mais valorizado?

Gesto simples

Agradece a alguém por uma coisa aparentemente pequena.

Terça-feira, 4 de Agosto — Vida

Escolher uma prioridade

Frase do dia

Nem tudo é urgente. Nem tudo precisa de acontecer hoje.

Mensagem do livro

A vida torna-se mais pesada quando tratamos todas as tarefas como se tivessem a mesma importância.

Prática

Olha para a tua lista de tarefas e escolhe apenas uma prioridade principal para hoje.

Pergunta

O que é verdadeiramente importante neste dia?

Gesto simples

Adia, delega ou elimina uma tarefa que não seja necessária.

Quarta-feira, 5 de Agosto — Atitude

Fazer de forma mais simples

Frase do dia

Não preciso de complicar para provar que me esforço.

Mensagem do livro

Por vezes, confundimos dedicação com exaustão. Mas fazer bem não significa fazer tudo, nem fazer sempre da forma mais difícil.

Prática

Escolhe uma tarefa habitual e encontra uma forma mais simples de a realizar.

Pode ser preparar uma refeição fácil, repetir uma roupa, pedir ajuda ou aceitar uma solução suficientemente boa.

Pergunta

Onde estou a exigir de mim mais do que é necessário?

Gesto simples

Escolhe a facilidade sem te sentires culpada.

Quinta-feira, 6 de Agosto — Pensamentos positivos

Libertar um pensamento repetitivo

Frase do dia

Nem todos os pensamentos merecem ocupar espaço dentro de mim.

Mensagem do livro

Há pensamentos que parecem proteger-nos, mas apenas nos mantêm presas ao medo, à culpa e à necessidade de controlar tudo.

Prática

Identifica um pensamento que se tem repetido e escreve uma resposta mais realista e cuidadora.

Exemplo:

“Tenho de conseguir fazer tudo.”

Pode transformar-se em:

“Hoje vou fazer aquilo que consigo, com os recursos que tenho.”

Pergunta

Que pensamento está a tornar este momento mais difícil?

Gesto simples

Troca uma crítica interior por uma frase de compreensão.

Sexta-feira, 7 de Agosto — Fé e Esperança

Confiar sem controlar tudo

Frase do dia

Posso fazer a minha parte sem tentar controlar todos os resultados.

Mensagem do livro

A esperança não nasce da certeza de que tudo correrá como desejamos. Nasce da confiança de que seremos capazes de encontrar um caminho, mesmo quando a vida mudar os planos.

Prática

Escreve uma preocupação que não consegues controlar. Ao lado, escreve apenas aquilo que está verdadeiramente ao teu alcance.

Pergunta

O que posso entregar ao tempo, à vida ou à minha fé?

Gesto simples

Respira fundo e repete: “Hoje, faço a minha parte. O resto não depende apenas de mim.”

Sábado, 8 de Agosto — Amor

Cuidar sem me esquecer de mim

Frase do dia

O amor não precisa de me deixar sempre cansada.

Mensagem do livro

Cuidar dos outros é bonito. Mas o cuidado deixa de ser saudável quando exige que nos abandonemos continuamente.

Prática

Antes de dizer sim a um pedido, pergunta:

— Tenho disponibilidade?
— Quero realmente fazê-lo?
— Posso ajudar de outra forma?
— Preciso primeiro de cuidar de mim?

Pergunta

Como posso amar sem assumir tudo sozinha?

Gesto simples

Oferece presença a alguém, sem sentires que tens de resolver a sua vida.

Pergunta da semana

O que estou a complicar por hábito, medo, culpa ou necessidade de corresponder às expectativas dos outros?

Reflexão final

Talvez descomplicar não seja mudar toda a nossa vida.

Talvez seja deixar uma gaveta por arrumar porque precisamos de descansar.

Escolher uma refeição simples.

Cancelar um compromisso que já não faz sentido.

Parar de explicar excessivamente uma decisão.

Pedir ajuda.

Responder mais tarde.

Aceitar que nem tudo ficará perfeito.

A simplicidade começa nestas pequenas escolhas.

Não numa casa impecável.
Não numa agenda vazia.
Não numa vida sem problemas.

Mas numa vida onde existe espaço para respirar, sentir e escolher com mais verdade.

Ao longo desta semana, não procures fazer tudo de maneira diferente.

Escolhe apenas um peso que já não precisas de continuar a carregar.

Porque, muitas vezes, viver melhor não começa quando acrescentamos alguma coisa.

Começa quando temos coragem de retirar.

“O essencial quase nunca faz barulho. Apenas permanece.” — SoLu@

Ligações de Agosto

Vive Agosto comigo

Durante este mês, vamos aprender a simplificar os dias, a ajudar sem nos esquecermos de nós e a reconhecer o valor das coisas pequenas.

Na Newsletter SoLu@ partilho reflexões, práticas e palavras que não precisam de chegar depressa — apenas precisam de chegar no momento certo.

[Subscrever a Newsletter SoLu@]

📥 Downloads (PDF + ICS)

Leva o Calendário SoLu@ contigo ao longo de Agosto.

🖨️ PDF — para imprimir ou guardar no telemóvel

📅 ICS 📅 ICS 

Dica: no telemóvel, ao abrir o ICS, escolhe “Adicionar ao Calendário

Não precisas de seguir todos os dias.

Escolhe as propostas que fizerem sentido para a tua vida.

Perguntas frequentes

O que significa descomplicar a vida?

Descomplicar é reduzir o excesso de tarefas, decisões, objectos, pensamentos ou expectativas que ocupam energia sem acrescentarem verdadeiro valor à vida.

Preciso de organizar a casa inteira?

Não. Esta semana não é um desafio de organização profunda. Podes começar por uma gaveta, uma tarefa, uma rotina ou uma decisão.

Como posso simplificar quando tenho muitas responsabilidades?

Começa por distinguir o que é urgente do que pode esperar. Sempre que possível, partilha responsabilidades, cria rotinas simples e deixa de exigir perfeição em todas as áreas.

Descomplicar é desistir?

Não. Descomplicar é escolher uma forma mais consciente e sustentável de continuar.

E se eu não conseguir cumprir todos os dias?

O Calendário SoLu@ é um guia, não uma prisão. Podes escolher apenas uma frase, uma prática ou uma pergunta que faça sentido para ti.

A alegria também mora nas pequenas celebrações

frase manuscrita, simbolizando pequenas celebrações e alegria no quotidiano.

Nem todas as celebrações precisam de ser grandes. Às vezes, celebrar é apenas transformar um dia comum numa memória com significado.

Há dias que não pedem festa grande.
Não pedem muitos convidados, muito dinheiro, nem uma mesa perfeita.

Pedem apenas presença.

Uma toalha posta com mais cuidado.
Uma vela acesa ao fim do dia.
Uma mensagem escrita com verdade.
Uma fotografia tirada antes que o momento passe.
Um abraço mais demorado.
Uma frase guardada no coração.

Às vezes, a alegria não chega em forma de acontecimento extraordinário.
Chega baixinho, nas pequenas celebrações que escolhemos fazer no meio da vida real.

Porque celebrar não é apenas marcar uma data.
É reconhecer que aquele dia, aquela pessoa, aquele gesto ou aquele instante têm valor.

Celebrar não precisa de ser caro

Durante muito tempo, talvez tenhamos associado celebração a festa, presentes, restaurantes, decoração perfeita ou grandes planos.

Mas a verdade é que muitas das memórias mais bonitas não nasceram do que foi caro.
Nasceram do que foi vivido com intenção.

Uma mesa simples pode tornar-se especial.
Um bolo caseiro pode valer mais do que uma montra inteira.
Uma mensagem sincera pode tocar mais do que um presente escolhido à pressa.
Uma fotografia espontânea pode guardar aquilo que a memória um dia vai querer revisitar.

Celebrar sem gastar muito é possível.
Mais do que isso: pode ser profundamente bonito.

Porque quando retiramos a obrigação de impressionar, sobra o essencial:
o cuidado, a presença, o amor e a vontade de guardar aquele momento.

Preparar uma mesa bonita é uma forma de amor

Uma mesa bonita não precisa de ser perfeita.
Precisa de dizer: pensei em ti. Pensei neste momento. Quis cuidar deste dia.

Pode ser uma toalha clara.
Um copo mais bonito.
Uma flor do jardim.
Guardanapos dobrados com carinho.
Uma vela no centro.
Um prato simples servido com atenção.

A mesa é muitas vezes o lugar onde a vida se encontra:
onde conversamos, rimos, damos notícias, partilhamos cansaços, celebramos aniversários, choramos ausências e guardamos histórias.

Preparar uma mesa com carinho é dizer, sem palavras:
este momento importa.

E talvez seja isso que transforma uma refeição comum numa pequena celebração.

Escrever uma mensagem também é celebrar

Nem sempre sabemos dizer tudo no momento certo.
Às vezes, a emoção atrapalha.
Às vezes, o dia passa depressa.
Às vezes, achamos que a outra pessoa já sabe.

Mas há palavras que merecem ser ditas.

Uma mensagem simples pode mudar o tom de um dia.
Pode aproximar.
Pode agradecer.
Pode curar uma distância.
Pode lembrar a alguém que é amado.

Não precisa de ser longa.
Pode ser apenas:

“Hoje lembrei-me de ti.”
“Gosto muito de ter-te na minha vida.”
“Obrigada por seres casa.”
“Este dia é mais bonito porque existes.”
“Quero guardar este momento contigo.”

Escrever uma mensagem é uma forma de acender luz dentro de uma relação.

E, tantas vezes, aquilo que escrevemos fica guardado muito depois de o dia terminar.

Acender uma vela e abrandar

Há gestos pequenos que mudam o ambiente.
Acender uma vela é um deles.

Não resolve a vida.
Não apaga os problemas.
Não transforma tudo de repente.

Mas cria uma pausa.

Uma vela acesa lembra-nos que há beleza no simples.
Que podemos tornar um espaço mais sereno.
Que podemos respirar antes de continuar.
Que a celebração também pode ser silenciosa.

Pode ser ao jantar.
Pode ser enquanto escreves no teu caderno.
Pode ser num momento de gratidão.
Pode ser para recordar alguém.
Pode ser apenas porque o dia merece um pouco de luz.

Celebrar também é isto:
dar ao quotidiano um sinal de cuidado.

Tirar uma fotografia para guardar o que passa

Nem todas as fotografias precisam de ser perfeitas.
Algumas só precisam de ser verdadeiras.

Uma mão pequena sobre a mesa.
Um sorriso desfocado.
Uma vela acesa.
Um prato partilhado.
Um abraço.
Uma paisagem de fim de tarde.
Um bolo antes de ser cortado.
Uma sala cheia de vida.

A fotografia não substitui a presença.
Mas pode ajudar-nos a guardar aquilo que o tempo leva depressa.

Há dias que só percebemos mais tarde como foram importantes.

Por isso, tirar uma fotografia pode ser uma forma de dizer:
quero lembrar-me disto.

Não para mostrar aos outros.
Mas para um dia voltar ali, com ternura.

Guardar uma frase

Uma frase pode ser uma âncora.

Pode nascer de uma conversa.
De uma criança.
De um livro.
De uma memória.
De uma oração.
De um instante em que alguma coisa dentro de nós fez sentido.

Guardar uma frase é uma forma simples de celebrar o que aquele dia nos ensinou.

Podes escrevê-la num caderno.
No telemóvel.
Num papel pequeno.
Na legenda de uma fotografia.
Num postal.
Num bilhete deixado sobre a mesa.

A frase não precisa de ser perfeita.
Precisa de ser tua.

Pode começar assim:

“Hoje quero guardar…”
“Este dia ensinou-me…”
“A alegria esteve aqui…”
“Sou grata por…”
“Este momento merece ficar.”

Quando damos palavras aos dias, eles deixam de passar tão depressa.

Fazer do dia uma memória

Nem todos os dias serão inesquecíveis.
Nem todos terão grandes acontecimentos.
Nem todos virão leves.

Mas há sempre pequenos gestos que podem dar mais sentido ao que vivemos.

Celebrar pode ser preparar uma mesa.
Enviar uma mensagem.
Acender uma vela.
Tirar uma fotografia.
Guardar uma frase.
Abraçar com mais calma.
Agradecer antes de dormir.

Fazer do dia uma memória não é tentar controlar a vida.
É escolher estar mais presente nela.

É olhar para o que já existe e dizer:
isto também merece ser vivido com amor.

Porque a alegria, muitas vezes, não está à espera de uma grande ocasião.

Mora nas pequenas celebrações.
Nos detalhes que quase passam despercebidos.
Nas pessoas que nos são casa.
Nos gestos que dizem cuidado.
Nos dias simples que, quando vividos com presença, se tornam memória.

Pequena prática SoLu@ para esta semana

Escolhe um dia desta semana e prepara uma pequena celebração sem grandes planos.

Pode ser:

  • pôr a mesa com mais carinho;
  • escrever uma mensagem a alguém especial;
  • acender uma vela ao jantar;
  • tirar uma fotografia de um momento simples;
  • guardar uma frase do dia;
  • agradecer em voz alta por algo que viveste.

No fim, pergunta-te:

O que quero recordar deste dia?

Talvez descubras que a alegria já estava ali.
Só precisava que reparasses nela.

Frase SoLu@

A alegria também mora nas pequenas celebrações: numa mesa posta com carinho, numa frase guardada, num abraço mais demorado e na vontade de fazer do dia uma memória.

Reflexão final

Celebrar a vida não é fingir que tudo está bem.
É reconhecer que, mesmo no meio dos dias imperfeitos, ainda existem motivos para agradecer.

E quando aprendemos a celebrar o simples, deixamos de esperar apenas pelos grandes momentos para sentir alegria.

Começamos a encontrá-la no agora.
No possível.
No cuidado.
No amor que já está presente.

Porque, muitas vezes, é isso que fica.

Não o tamanho da festa.
Mas a forma como nos sentimos amados.
Não o valor do presente.
Mas a intenção do gesto.
Não a perfeição do dia.
Mas a memória que ele deixou.

E há memórias que começam assim:
com uma vela acesa, uma mesa simples, uma palavra bonita e alguém que escolheu estar presente.

Sugestões de Leitura: