Calendário SoLu@ — Setembro – Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

Cuidar de mim no meio das rotinas — Semana 2 do Calendário SoLu@ de Setembro

Cuidar de mim no meio das rotinas

Autocuidado que cabe na vida real.

Há semanas em que a vida parece voltar toda ao mesmo tempo.

Os horários.
As responsabilidades.
As refeições.
As tarefas.
As mensagens por responder.
As coisas que ficaram adiadas.
As necessidades de quem amamos.

E, quase sem percebermos, voltamos também a fazer aquilo que tantas vezes fazemos: colocamo-nos no fim da lista.

Não porque não saibamos que precisamos de cuidar de nós.

Mas porque há dias em que parece simplesmente não haver espaço.

Esta semana quero lembrar-me de uma coisa muito simples:

o autocuidado não precisa de acontecer fora da minha vida. Tem de aprender a caber dentro dela.

Não precisa de ser perfeito.

Não precisa de durar uma hora.

Não precisa de uma rotina bonita, silenciosa e cuidadosamente organizada.

Às vezes, cuidar de mim é beber água antes de perceber que passei horas sem o fazer.

É sentar-me cinco minutos.

É sair para andar.

É dizer que não.

É deitar-me um pouco mais cedo.

É respirar antes de responder.

É comer com mais atenção.

É reconhecer que também estou cansada.

É fazer alguma coisa simplesmente porque me faz bem.

Talvez o verdadeiro desafio não seja encontrar mais tempo.

Talvez seja voltar a incluir-me no tempo que já tenho.


Tema da semana

Cuidar de mim no meio das rotinas

O regresso às rotinas pode dar-nos uma sensação de organização e de recomeço.

Mas também pode trazer novamente aquela tendência de vivermos em modo automático.

Acordamos.

Fazemos.

Resolvemos.

Cuidamos.

Respondemos.

Organizamos.

E, no meio de tudo isto, podemos passar dias inteiros sem perguntar:

Como estou eu?

Esta semana não quero criar uma nova lista de coisas que tenho de fazer para cuidar de mim.

Quero apenas começar a reparar nos lugares onde desapareço da minha própria vida.

E procurar pequenas formas de voltar.


Intenção da semana

Incluir-me na minha própria rotina.

Não quando tudo estiver feito.

Não quando houver tempo.

Não quando a vida estiver finalmente organizada.

Agora.

Mesmo que seja através de pequenos gestos.

Porque cuidar de mim não é retirar tempo às pessoas que amo.

É reconhecer que eu também faço parte das pessoas de quem preciso de cuidar.


Frase destaque SoLu@

“Não preciso de fugir da minha vida para cuidar de mim. Preciso de aprender a não desaparecer dentro dela.” — SoLu@


Prática da semana

Criar um pequeno espaço só meu

Escolhe um momento do teu dia que possa tornar-se um pequeno ponto de encontro contigo.

Pode durar apenas cinco ou dez minutos.

Pode ser:

  • beber o café sem telemóvel;
  • caminhar um pouco;
  • ouvir uma música;
  • escrever algumas linhas;
  • respirar junto a uma janela;
  • cuidar da pele;
  • alongar o corpo;
  • beber um chá em silêncio;
  • ler duas páginas de um livro;
  • simplesmente não fazer nada durante alguns minutos.

Não transformes este momento noutra obrigação.

Não precisas de cumprir todos os dias.

A intenção é apenas começares a criar espaço para uma pergunta:

“O que preciso neste momento?”

E aprenderes a escutar a resposta.


Mini desafio da semana

Durante estes sete dias, experimenta fazer um pequeno gesto por ti todos os dias.

Nada extraordinário.

Nada que precise de ser fotografado.

Nada que tenhas de mostrar a ninguém.

Apenas alguma coisa que te faça sentir:

“Hoje também me incluí.”

No final da semana, olha para esses sete pequenos gestos.

Talvez descubras que o autocuidado começa muito antes de uma grande mudança.

Começa quando deixamos de nos abandonar nos dias comuns.


Domingo, 6 de Setembro

Paz — Começar a semana sem me esquecer de mim

Frase do dia

“Antes de organizar a semana, quero perceber como chego até ela.”

Os domingos podem facilmente transformar-se num dia de preparação para tudo o que vem a seguir.

Compras.

Refeições.

Roupa.

Horários.

Agenda.

Família.

Mas antes de preparares a semana, experimenta fazer uma pequena pausa.

Pergunta-te:

Como estou eu a chegar a esta nova semana?

Cansada?

Esperançosa?

Ansiosa?

Com vontade de começar?

A precisar de descanso?

Nem sempre precisamos de corrigir aquilo que sentimos.

Às vezes precisamos apenas de reconhecer.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Amar a vida também é aprender a escutar aquilo que ela nos pede antes de continuarmos a correr.

Prática

Reserva dez minutos para estar contigo antes de começares a organizar a semana.

Pergunta

O que preciso de preservar esta semana para continuar em paz comigo?

Gesto

Escolhe uma coisa que não vais exigir de ti nesta semana.


Segunda-feira, 7 de Setembro

Felicidade / Gratidão — Reconhecer aquilo que já faço por mim

Frase do dia

“Nem todo o cuidado precisa de ser novo. Há coisas que já faço e que merecem ser reconhecidas.”

Quando pensamos em autocuidado, é fácil concentrarmo-nos apenas no que ainda não conseguimos fazer.

Devia fazer mais exercício.

Devia dormir melhor.

Devia comer melhor.

Devia ter mais tempo.

Devia organizar-me.

Mas talvez hoje possamos começar noutro lugar:

reconhecendo aquilo que já fazemos.

Pequenos gestos também contam.

As escolhas que fizeste.

Os limites que começaste a colocar.

As vezes em que descansaste.

As vezes em que tentaste novamente.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Crescer também é aprender a reconhecer o caminho já percorrido, em vez de viver permanentemente concentrada naquilo que ainda falta.

Prática

Escreve três coisas que tens feito por ti, mesmo que te pareçam pequenas.

Pergunta

Que cuidado comigo própria tenho desvalorizado?

Gesto

Agradece ao teu corpo alguma coisa que ele te permitiu viver hoje.


Terça-feira, 8 de Setembro

Vida — Perceber onde desapareço

Frase do dia

“Há rotinas que organizam a vida. E há rotinas onde, sem perceber, deixamos de caber.”

Hoje não precisamos de mudar nada.

Precisamos apenas de observar.

Em que momento do dia deixas de te ouvir?

Quando acordas?

Durante o trabalho?

Quando todos chegam a casa?

Ao jantar?

À noite?

Há alturas em que nos habituamos tanto a responder às necessidades dos outros que já nem percebemos quando começámos a ignorar as nossas.

Observar não é culpar-nos.

É apenas tornar visível aquilo que estava a acontecer em silêncio.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Não conseguimos escolher diferente enquanto não conseguimos reconhecer aquilo que repetimos.

Prática

Escolhe um momento habitual do teu dia e pergunta:

“Onde estou eu aqui?”

Pergunta

Em que parte da minha rotina tenho tendência a esquecer-me de mim?

Gesto

Muda uma pequena coisa nesse momento para te incluir também.


Quarta-feira, 9 de Setembro

Atitude — Fazer espaço em vez de esperar por ele

Frase do dia

“Talvez o tempo para mim nunca apareça sozinho. Talvez eu tenha de começar a protegê-lo.”

Esperamos muitas vezes pelo momento certo.

Quando houver menos trabalho.

Quando os filhos precisarem menos.

Quando a casa estiver organizada.

Quando tivermos mais energia.

Quando a vida acalmar.

Mas a vida raramente fica completamente vazia à nossa espera.

Por isso, talvez cuidar de nós exija também uma atitude:

proteger pequenos espaços antes que tudo os ocupe.

Não precisa de ser muito.

Cinco minutos podem ser um começo.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Há mudanças que não começam quando a vida muda. Começam quando decidimos ocupar um lugar diferente dentro da mesma vida.

Prática

Marca hoje dez minutos na tua agenda como marcarias qualquer outro compromisso.

São teus.

Pergunta

O que aconteceria se começasse a tratar o meu bem-estar como algo que também merece espaço?

Gesto

Cumpre hoje um pequeno compromisso que assumiste contigo.


Quinta-feira, 10 de Setembro

Pensamentos positivos — Trocar exigência por possibilidade

Frase do dia

“Não preciso de fazer tudo para estar a fazer alguma coisa boa por mim.”

Há pensamentos que nos cansam ainda antes de começarmos.

“Não tenho tempo.”

“Já devia ter começado.”

“Não consigo manter nada.”

“Faço sempre tudo mal.”

“Agora já não vale a pena.”

Hoje experimenta trocar a exigência por uma pergunta mais gentil:

O que é possível fazer hoje?

Talvez não sejam trinta minutos de exercício.

Mas podem ser dez.

Talvez não seja uma refeição perfeita.

Mas pode ser uma escolha mais consciente.

Talvez não consigas organizar tudo.

Mas podes resolver uma coisa.

O possível também conta.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Recomeçar não exige perfeição. Exige apenas disponibilidade para voltar.

Prática

Sempre que surgir um pensamento de “tudo ou nada”, acrescenta:

“Qual é a versão possível disto hoje?”

Pergunta

Que expectativa demasiado alta está a impedir-me de reconhecer o que consigo fazer?

Gesto

Escolhe fazer uma coisa pequena em vez de desistir porque não consegues fazer tudo.


Sexta-feira, 11 de Setembro

Fé / Esperança — Confiar nos pequenos passos

Frase do dia

“Nem sempre consigo ver a mudança enquanto ela está a acontecer.”

Algumas mudanças são silenciosas.

Não chegam acompanhadas de grandes decisões.

Não têm uma data exacta.

Não parecem extraordinárias.

Acontecem quando começamos a beber mais água.

Quando voltamos a andar.

Quando descansamos sem tanta culpa.

Quando aprendemos a dizer não.

Quando deixamos de falar connosco de forma tão dura.

Quando, depois de um dia difícil, voltamos a tentar.

Talvez não sintas ainda que mudaste muito.

Mas isso não significa que nada esteja a mudar.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Há caminhos que só conseguimos reconhecer quando olhamos para trás e percebemos quantas pequenas escolhas nos trouxeram até aqui.

Prática

Recorda uma mudança positiva que começou através de um gesto pequeno.

Pergunta

Em que processo preciso de confiar um pouco mais?

Gesto

Faz hoje alguma coisa que a tua versão futura poderá agradecer.


Sábado, 12 de Setembro

Amor — Cuidar de mim também é uma forma de amar

Frase do dia

“O amor que ofereço aos outros não precisa de existir à custa do amor que também devo a mim.”

Para muitas de nós, cuidar dos outros surge naturalmente.

Perguntamos se comeram.

Se chegaram bem.

Se precisam de alguma coisa.

Se estão tristes.

Se descansaram.

Mas quantas vezes fazemos essas mesmas perguntas a nós próprias?

O autocuidado não nos afasta do amor.

Pode tornar a nossa forma de amar mais inteira.

Porque quando deixamos de viver permanentemente esgotadas, também conseguimos estar mais presentes.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Amar verdadeiramente não deveria significar desaparecer para que os outros tenham espaço.

Também precisamos de aprender a permanecer.

Prática

Pergunta-te hoje aquilo que perguntarias a alguém que amas:

“O que precisas?”

E tenta responder com verdade.

Pergunta

Consigo oferecer a mim própria um pouco do cuidado que ofereço tão facilmente aos outros?

Gesto

Faz alguma coisa por ti sem teres de justificar a ninguém porque precisavas dela.


Pergunta da semana

Onde posso voltar a incluir-me?

Talvez não precises de mudar toda a tua rotina.

Talvez exista apenas um pequeno lugar onde possas voltar a entrar.

Na primeira meia hora da manhã.

Na forma como almoças.

Nos teus limites.

Nos teus pensamentos.

No modo como descansas.

Naquilo que aceitas.

Naquilo que deixas de aceitar.

Na hora de dormir.

Nos dez minutos que continuas a achar que não contam.

Conta.

Porque às vezes não precisamos de uma vida nova.

Precisamos de voltar a encontrar-nos dentro da vida que já temos.


Reflexão final

Esta semana não foi sobre fazer mais.

Foi sobre desaparecer menos.

E talvez esta seja uma das partes mais importantes do autocuidado.

Perceber que não precisamos de transformar cada gesto numa meta.

Não precisamos de cumprir sete dias perfeitos.

Não precisamos de chegar ao sábado com todas as caixas assinaladas.

O Calendário SoLu@ continua a ser aquilo que sempre quis que fosse:

um guia, não uma prisão.

Se fizeste apenas um dos exercícios, está bem.

Se houve um dia em que te lembraste de respirar antes de responder, conta.

Se escolheste descansar.

Conta.

Se disseste não.

Conta.

Se voltaste a caminhar.

Conta.

Se percebeste que estavas cansada.

Também conta.

Porque o recomeço de Setembro não precisa de ser espectacular.

Pode simplesmente começar assim:

quando, no meio de tudo aquilo que tens para cuidar, decides não voltar a esquecer-te de ti.


Ligações do mês

Se estás a acompanhar Setembro comigo, continua também por aqui:


Queres viver este mês comigo?

Não precisas de fazer tudo.

Nem de começar tudo agora.

Podes simplesmente escolher uma frase, uma pergunta ou uma prática e levá-la contigo durante o dia.

Se alguma destas palavras te encontrou numa altura em que também estás a tentar voltar a cuidar de ti, conta-me:

Onde sentes que precisas de voltar a incluir-te?

Talvez a tua resposta ajude também alguém que esteja a passar pelo mesmo.


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Guarda apenas aquilo que te fizer sentido.

Volta quando precisares.

Porque:

o calendário é um guia, não uma prisão.


Perguntas frequentes

Tenho de cumprir todas as práticas do Calendário SoLu@?

Não. O Calendário SoLu@ não é um desafio de produtividade. É um convite à reflexão. Podes escolher apenas as práticas, frases ou perguntas que façam sentido na tua vida.

O que significa autocuidado na vida real?

Significa cuidar de ti dentro das circunstâncias que tens. Pode ser descansar, movimentar o corpo, alimentar-te melhor, pedir ajuda, proteger um limite, parar alguns minutos ou simplesmente reconhecer aquilo de que precisas.

E se eu voltar a esquecer-me de mim?

Volta novamente.

Não transformes isso numa culpa.

O autocuidado também pode ser aprender a recomeçar sem nos castigarmos por termos parado.

Preciso de mudar toda a minha rotina?

Não. Muitas vezes, uma mudança pequena e possível é mais sustentável do que uma transformação radical que não conseguimos manter.

Esta semana, começa apenas por uma pergunta:

Onde posso voltar a incluir-me?

Não preciso de um corpo perfeito para viver o verão

Mulher a viver o verão com leveza e autoestima, sem precisar de um corpo perfeito

Porque a autoestima não cabe numa balança

Há uma espécie de ritual silencioso que acontece todos os anos, algures entre maio e junho. Abrimos o armário. Tiramos o fato de banho. Ficamos ali, paradas à frente do espelho, e fazemos aquela coisa que prometemos não voltar a fazer: a avaliação.

A lista corre automática. O que mudou desde o ano passado. O que devia ter mudado e não mudou. O que ainda tenho tempo de mudar antes de ir à praia.

E o verão, que devia chegar como uma promessa de luz e liberdade, começa carregado.

Conheço este ritual. Já o fiz durante anos. E sei o quanto custa — não o esforço de mudar, mas o peso de acreditar que precisamos de mudar para merecer estar lá.

O que aprendemos sobre o nosso corpo no verão

Crescemos com imagens muito específicas do que é um “corpo de verão”. Nas revistas, nos filmes, nas conversas entre mulheres que misturavam comparação e crítica como se fosse linguagem afetiva. Aprendemos que o verão era uma prova — e que o nosso corpo era o resultado.

O problema não é o que os nossos corpos são. O problema é o que nos ensinaram a ver quando olhamos para eles.

Não foi uma aprendizagem neutra. Foi repetida, reforçada, incorporada — e passou de geração em geração com uma naturalidade que assusta. As mães que ouvimos falar dos próprios corpos com dureza. As avós que não se fotografavam na praia. As amigas que recusavam gelados como se recusassem alguma coisa mais profunda.

E agora nós. A perguntar-nos se esta linguagem também passou para as nossas filhas — nos nossos comentários, nos nossos silêncios, na forma como nos cobrimos ou não nos cobrimos em frente a elas.

A autoestima não é uma meta de junho

Há uma ideia muito instalada de que a autoestima é algo que se conquista quando o corpo corresponde. Quando emagreço, vou sentir-me bem. Quando tonificar, vou usar aquele vestido. Quando parecer diferente, vou conseguir ser eu.

Mas isso é uma armadilha. Porque coloca a paz com o nosso corpo sempre no futuro — sempre dependente de uma condição que ainda não foi cumprida. É uma corrida em que a meta se move.

A autoestima não é a recompensa de um corpo transformado. É a prática de habitar o corpo que temos, agora, com menos guerra.

Não estou a falar de amor incondicional instantâneo — esse discurso também pode ser pesado quando não é genuíno. Estou a falar de algo mais simples e mais difícil ao mesmo tempo: deixar de usar o corpo como adversário.

O que é cuidar do corpo com leveza

Este especial de verão da SoLu@ tem um nome escolhido com intenção: “com leveza”. Não com levidade — que implica não levar a sério. Com leveza — que implica não carregar mais do que é preciso.

Cuidar do corpo com leveza é hidratar porque o calor exige e porque faz bem, não porque faz parte de um plano de otimização. É mover o corpo de uma forma que não pareça punição. É descansar sem culpa. É comer o gelado sem fazer contas.

É também olhar para o espelho — e, quando o comentário crítico aparecer automático, reconhecê-lo pelo nome: não é a verdade. É um hábito. E os hábitos mudam-se.

Cuidar com leveza não é indiferença ao corpo. É cuidado sem condição. Sem a cláusula “desde que”. Sem o “quando for diferente”.

Viver o verão agora

As memórias de verão que mais fico são raramente sobre como eu parecia. São sobre o sal na pele depois do mar. As gargalhadas que não planeei. As conversas que se prolongaram mais do que o jantar. Os filhos a correr descalços.

Nenhuma dessas memórias exigiu um corpo diferente. Exigiram que eu estivesse presente.

E a presença é difícil quando uma parte de nós está sempre a gerir a imagem que os outros têm de nós. Quando nos cobrimos antes de entrar na água. Quando recusamos a fotografia. Quando ficamos em modo de observação enquanto os outros vivem.

O verão não precisa de esperar. O corpo que tens agora é o corpo com que podes viver tudo isto — o mar, o sol, a mesa partilhada, a tarde sem horas.

Uma pergunta para levares contigo

Se o teu corpo já fosse suficiente — exatamente como está hoje — o que é que isso te daria permissão de fazer este verão?

Guarda a resposta. Ela sabe mais do que a balança.

Uma prática simples para esta semana

Esta semana, antes de começar o dia, coloca uma mão no peito e outra no corpo.

Respira fundo três vezes.

E diz, mesmo que ao início pareça estranho:

“Não preciso de um corpo perfeito para viver este verão.
Preciso de um corpo cuidado, respeitado e habitado com mais amor.”

Depois escolhe uma pequena acção de cuidado.

Só uma.

Beber mais água.
Caminhar dez minutos.
Alongar os ombros.
Preparar uma refeição simples.
Dormir mais cedo.
Usar uma roupa em que te sintas confortável.
Sair à rua sem esperar por te sentires perfeita.

A leveza começa muitas vezes assim:
não quando o corpo muda, mas quando o olhar amacia.

Mini desafio SoLu@

Durante os próximos sete dias, troca uma frase de crítica por uma frase de cuidado.

Em vez de:
“Estou horrível.”

Experimenta:
“Estou a aprender a cuidar melhor de mim.”

Em vez de:
“Não posso vestir isto.”

Experimenta:
“Posso escolher algo que me faça sentir confortável e bonita.”

Em vez de:
“Tenho de mudar depressa.”

Experimenta:
“Posso mudar com respeito pelo meu ritmo.”

Em vez de:
“Só vou aproveitar quando emagrecer.”

Experimenta:
“Posso viver o verão enquanto cuido de mim.”

Para guardar

Não preciso de um corpo perfeito para viver o verão.

Preciso de um corpo escutado.
De um olhar mais gentil.
De escolhas possíveis.
De menos comparação.
De mais presença.
De mais verdade.
De mais vida.

Porque o verão não pertence apenas aos corpos perfeitos.

Pertence aos corpos vivos.

E o meu corpo, com tudo o que é, com tudo o que já viveu e com tudo o que ainda deseja viver, também merece sol.

Também merece mar.

Também merece descanso.

Também merece alegria.

Também merece verão.

Convite final

Este artigo faz parte do Especial Verão com Leveza, uma caminhada simples de autocuidado para Junho, Julho e Agosto.

Sem pressa.
Sem castigo.
Sem perfeição.

Apenas com a intenção de cuidar melhor do corpo, da mente e da vida — um dia de cada vez.

Se este texto falou contigo, guarda-o para voltares a ele nos dias em que precisares de te lembrar:

a tua vida não começa quando o teu corpo for perfeito.

A tua vida já está aqui.

E o verão também.

✦  Este artigo faz parte da rubrica Especial Verão com Leveza  •  SoLu@  •  S4 Junho 2026

Queres viver este verão com mais leveza e menos cobrança? Acompanha o Especial Verão com Leveza e começa por um gesto simples de cuidado por dia.

Sugestão de Artigos

Felicidade e Alegria — Um Gesto de Cuidado 💧🤍

A alegria também é fisiologia.
Às vezes procuramos respostas grandes… e esquecemo-nos do básico.

Água. Descanso. Corpo cuidado.
Respiração. Pausa. Ritmo.

O corpo não pede discursos — pede sinais.
Pede presença.
Pede que o tratemos com respeito, como quem honra a vida que carrega.

Hoje, não compliques.
Não precisas de mudar tudo.
Precisas apenas de fazer um gesto simples com intenção.

Porque cuidar do básico é cuidar do futuro.
E há uma alegria tranquila que nasce quando nos tratamos bem…
sem culpa e sem exigência.

✅ Ação do dia

Bebe mais 2 copos de água do que o habitual.

Se te ajudar:

·       um copo ao acordar

·       outro a meio da tarde

Faz disso um pequeno ritual.
Um “sim” ao teu corpo.

❓ Pergunta do dia

O teu corpo está a pedir-te o quê?
Água? Descanso? Movimento? Um momento de silêncio? Um “não” ao excesso?

Se quiseres, deixa nos comentários uma coisa que vais fazer hoje para te cuidares.
Pequena. Real. Possível.

✨ SoLu@
#CuidarDeMim #BemEstar #Autocuidado #FelicidadeEAlegria #CalendárioSoLu@ #VidaComIntenção