Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

Mãe a observar os filhos seguirem o seu caminho numa nova fase da vida

Há momentos em que os filhos começam uma vida nova e, quase sem darmos conta, nós também somos obrigadas a descobrir quem somos nesta nova fase.

Há mudanças que parecem pertencer aos nossos filhos.

A entrada na Universidade.
O primeiro quarto longe de casa.
Novos horários.
Novos amigos.
Mais autonomia.
Decisões que deixam, pouco a pouco, de passar por nós.

Olhamos para eles e pensamos que são eles que estão a começar uma nova etapa.

E estão.

Mas não são os únicos.

Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda.

Talvez esta seja uma das partes menos faladas da maternidade.

Falamos muito sobre preparar os filhos para crescerem.

Falamos sobre lhes dar asas, ensinar responsabilidade, confiar, deixar experimentar, permitir que errem e ajudá-los a tornarem-se adultos capazes de seguir o seu próprio caminho.

Mas falamos menos sobre aquilo que acontece à mãe quando chega finalmente o momento de os deixar voar.

E sobre a pergunta que começa, silenciosamente, a aparecer dentro de nós:

Quem sou eu nesta nova fase?

Passei tantos anos a ensinar-lhes a voar…

Quando os filhos são pequenos, precisam de nós para quase tudo.

Para comer.
Para dormir.
Para atravessar a estrada.
Para organizar a mochila.
Para lembrar horários.
Para escolher.
Para decidir.
Para tranquilizar medos que ainda não sabem nomear.

Depois crescem.

E aquilo que durante tantos anos foi presença diária começa lentamente a transformar-se.

Já não precisamos de saber tudo.

Nem devemos.

Já não somos chamadas para resolver cada dificuldade.

Nem seria saudável fazê-lo.

Passamos de estar no centro da vida deles para aprender a permanecer num lugar diferente: suficientemente perto para que saibam que estamos aqui, mas suficientemente longe para que consigam descobrir quem são.

E talvez seja este um dos exercícios mais difíceis do amor materno:

continuar presente sem impedir que cresçam.

A Universidade muda muito mais do que os horários

Nestes dias, esta reflexão deixou de ser apenas uma ideia para mim.

A Universidade trouxe novos horários, novos caminhos, alojamentos, malas, deslocações, responsabilidades e uma independência cada vez maior.

Um filho já conhece esse mundo e sabe que aquilo que o espera exige trabalho, responsabilidade e muita capacidade para gerir a própria vida.

Outro começa agora esse caminho pela primeira vez.

E eu observo.

Ajudo no que posso.

Preocupo-me, naturalmente.

Pergunto se levaram tudo.

Penso se vão comer bem, se vão dormir o suficiente, se estarão seguros, se conseguirão organizar-se, se vão encontrar as pessoas certas pelo caminho.

Há perguntas que talvez nunca deixemos de fazer só porque somos mães.

Mas percebo também que chegou uma fase em que muitas dessas perguntas terão de ficar comigo.

Porque crescer também significa não ter uma mãe constantemente a antecipar todos os problemas.

E amar também é confiar naquilo que lhes ensinámos.

Mesmo quando custa.

Deixar crescer não é deixar de cuidar

Durante muito tempo podemos confundir cuidado com fazer.

Fazer por eles.
Resolver por eles.
Antecipar por eles.
Evitar que sofram.

Mas há uma altura em que cuidar começa a significar outra coisa.

Significa ouvir sem decidir imediatamente.

Aconselhar sem exigir que sigam o nosso conselho.

Perguntar sem interrogar.

Estar disponível sem invadir.

Aceitar que algumas escolhas não seriam as nossas.

E permitir que descubram, também através dos próprios erros, a pessoa que querem ser.

Isto não significa abandonar.

Muito pelo contrário.

Talvez seja uma das formas mais exigentes de presença.

Porque exige confiança.

Neles.

E em nós.

E quando eles precisam menos de mim?

Há uma pergunta difícil escondida em muitas destas mudanças:

Se eles já não precisam de mim da mesma maneira, onde fico eu?

Não é uma pergunta egoísta.

É humana.

Durante anos, grande parte dos nossos dias é construída à volta das necessidades dos filhos.

Escolas.
Consultas.
Actividades.
Reuniões.
Refeições.
Horários.
Transportes.
Preocupações.
Decisões.

A maternidade ocupa espaço no calendário, na casa, no corpo e na cabeça.

E, quando esse espaço começa a mudar, podemos sentir simultaneamente orgulho e uma espécie de vazio difícil de explicar.

Queríamos que crescessem.

Trabalhámos para isso.

Desejámos que fossem autónomos.

E depois chega o dia em que começam mesmo a sê-lo.

É bonito.

Mas também mexe connosco.

Porque deixar crescer os filhos obriga-nos, de alguma forma, a voltar a crescer também.

Talvez esteja na altura de voltar a perguntar por mim

Setembro tem sido, no Calendário SoLu@, um mês de Autocuidado e Recomeço.

E começo a perceber que este recomeço não precisa de acontecer apenas porque alguma coisa correu mal.

Há recomeços que surgem simplesmente porque a vida mudou.

Os filhos crescem.

As rotinas transformam-se.

A casa ganha outros silêncios.

E nós precisamos de encontrar uma nova forma de habitá-la.

Talvez esta seja uma oportunidade para recuperar perguntas que ficaram adiadas durante muito tempo:

Do que gosto agora?

O que quero aprender?

De que preciso para me sentir bem?

Que partes de mim ficaram esquecidas enquanto estava tão ocupada a cuidar de todos?

Que mulher quero ser nesta próxima fase da minha vida?

Não para deixar de ser mãe.

Nunca deixamos.

Mas para recordar que, antes e para além da maternidade, continua a existir uma mulher com sonhos, curiosidade, necessidades, vontade de aprender, criar, cuidar de si e continuar a crescer.

Os filhos não são o fim da nossa história

Talvez também tenhamos de aprender isto.

Os filhos não vieram preencher toda a nossa vida.

Vieram fazer parte dela.

Profundamente.

Transformaram-nos.

Ensinaram-nos formas de amor que talvez nem soubéssemos existir.

Mas o crescimento deles não pode significar o desaparecimento de quem somos.

Talvez seja exactamente o contrário.

Talvez vê-los construir a sua própria vida seja também um convite para olharmos novamente para a nossa.

Não para preencher depressa o espaço que ficou vazio.

Nem para inventar mil ocupações para evitar sentir saudades.

Mas para perguntar com calma:

O que quero fazer com este espaço novo?

Pode ser pouco.

Um livro que ficou por ler.

Uma caminhada.

Voltar a cuidar do corpo.

Retomar um projecto.

Aprender alguma coisa.

Estar mais presente no casamento.

Encontrar amigas.

Escrever.

Descansar.

Ou simplesmente reaprender a estar connosco sem sentir que precisamos de estar constantemente a fazer alguma coisa por alguém.

Talvez esta também seja uma forma de amor incondicional

Sempre quis que os meus filhos voassem.

Que fossem mais longe.

Que construíssem os seus próprios sonhos.

Que não permanecessem pequenos apenas porque seria mais confortável para mim.

Agora preciso de aprender a viver aquilo que tantas vezes lhes desejei.

Vê-los ir.

Confiar.

Continuar disponível.

E aceitar que há caminhos que terão de percorrer sem mim.

Provavelmente vou continuar a perguntar se comeram.

Provavelmente continuarei a preocupar-me mais do que eles acham necessário.

Provavelmente haverá sempre uma parte de mim que os vê com os mesmos olhos com que os via quando eram pequenos.

Mas quero aprender esta nova forma de maternidade.

Uma maternidade que não prende.

Que não controla para acalmar os próprios medos.

Que não transforma preocupação em vigilância.

Uma maternidade que diz:

Vai. Experimenta. Cresce. Eu estou aqui.

Talvez amar incondicionalmente também seja isto.

Não apenas segurá-los quando precisam.

Mas saber abrir as mãos quando chega o momento de voarem.

E eu também posso continuar a crescer

Há uma imagem bonita nesta fase da vida.

Enquanto os nossos filhos começam novos caminhos, nós não precisamos de ficar paradas no lugar onde os deixámos.

Também podemos avançar.

Eles começam uma etapa.

Nós começamos outra.

Eles descobrem quem são fora da nossa casa.

E talvez nós possamos redescobrir quem somos para além das rotinas que durante tantos anos organizaram os nossos dias.

Não quero olhar para esta fase apenas como aquilo que termina.

Quero olhar também para aquilo que começa.

Para eles.

E para mim.

Uma pequena reflexão para esta semana

Se estás a viver uma mudança semelhante — filhos a crescer, uma saída de casa, uma nova escola, Universidade, trabalho ou simplesmente uma autonomia cada vez maior — experimenta perguntar:

O que mudou na vida deles?

E depois acrescenta uma pergunta que tantas vezes esquecemos:

O que está esta mudança a pedir que mude em mim?

Talvez não seja preciso encontrar já uma grande resposta.

Às vezes um recomeço começa apenas quando temos coragem para fazer uma nova pergunta.


Frase SoLu@

Quando os nossos filhos começam a construir a própria vida, talvez seja também tempo de voltarmos a olhar para a nossa.


Setembro Recomeço

Este texto faz parte da rubrica Setembro Recomeço, um caminho de pequenos regressos a nós próprias durante um mês que tantas vezes nos pede para reorganizar a vida.

E acompanha a Semana 3 do Calendário SoLu@ — Deixar Crescer, dedicada à maternidade, à autonomia dos filhos e à aprendizagem de continuar presente sem impedir que eles sigam o seu caminho.

→ Ler: Calendário SoLu@ — Setembro, Semana 3: Deixar Crescer

Porque deixar crescer os nossos filhos também pode ser uma maneira de voltarmos a crescer com eles.

E talvez este seja o meu recomeço nesta fase: continuar a ser mãe, sem deixar de voltar a ser também eu.

— SoLu@

Chegar a um lugar novo: fazer amigos sem deixar de saber estar sozinho

Jovem a chegar a um lugar novo e a conhecer novas pessoas

Nem sempre encontramos imediatamente o nosso lugar. E talvez uma das coisas mais importantes que possamos ensinar aos nossos filhos seja esta: pertencer é importante, mas nunca deve custar-nos quem somos.

Há alguns anos escrevi no Arquivo SoLu@ sobre os meus filhos, competências sociais e aquela necessidade tão humana de pertencer a um grupo.

Na altura, escrevia como mãe de um filho que tinha sentido a dor de ser excluído.

Doía-lhe a ele.

E doía-me a mim.

Porque há poucas coisas mais difíceis para uma mãe do que perceber que um filho está triste e saber que não há um botão onde possamos carregar para lhe retirar aquela dor.

Eu queria ajudá-lo.

Queria que encontrasse pessoas.

Queria que se sentisse aceite.

Queria que tivesse amigos.

Anos depois, volto ao mesmo assunto de outro lugar.

Os filhos cresceram.

Chegaram outras etapas.

Universidade, alojamentos, turmas novas, pessoas desconhecidas, ambientes diferentes.

E percebo que esta aprendizagem nunca termina verdadeiramente.

Mudam os lugares.

Mudam as idades.

Mudam os grupos.

Mas aquela pergunta continua, de alguma forma, connosco:

Onde é o meu lugar?


Chegar a um sítio novo nem sempre é fácil

Falamos muitas vezes dos novos começos como se fossem apenas entusiasmo.

Uma Universidade nova.

Um novo emprego.

Uma nova cidade.

Uma nova turma.

Uma residência universitária.

Um novo projecto.

Parece tudo cheio de possibilidades.

E é.

Mas também pode ser profundamente desconfortável.

Porque entrar num lugar onde toda a gente é desconhecida obriga-nos a começar de novo nas coisas mais pequenas.

Não sabemos com quem nos sentar.

Não sabemos com quem almoçar.

Não sabemos quem pensa como nós.

Não sabemos quem poderá vir a ser amigo e quem será apenas alguém que passou pela nossa vida.

Há pessoas que parecem integrar-se imediatamente.

Entram numa sala e, poucos dias depois, parece que já conhecem toda a gente.

Outras precisam de tempo.

Observam primeiro.

Aproximam-se devagar.

Criam relações uma a uma.

E não há nada de errado nisso.

Nem toda a gente precisa de entrar num lugar novo e encontrar imediatamente um grupo.


Talvez tenhamos dado demasiada importância à ideia de “ter um grupo”

Quando os nossos filhos são adolescentes preocupamo-nos muito com os amigos.

E compreendo.

As amizades são importantes.

A pertença é importante.

Ter alguém com quem conversar, rir, estudar, sair ou simplesmente estar faz-nos bem.

Mas há uma diferença entre ter relações e sentir que precisamos desesperadamente de pertencer a qualquer grupo.

Hoje diria aos meus filhos:

Não tenham tanta pressa de pertencer que acabem por aceitar lugares onde precisam de diminuir quem são para caber.

Porque nem todas as pessoas que nos rodeiam são amigas.

Nem todas as pessoas com quem almoçamos serão amigas.

Nem todos os colegas serão amigos.

E está tudo bem.

Algumas pessoas serão companheiras de uma cadeira.

Outras de um trabalho.

Algumas estarão connosco durante um semestre.

Outras durante anos.

E talvez uma ou duas fiquem para a vida.

A amizade não se mede pela quantidade de pessoas à nossa volta.

Mede-se muito mais pela qualidade daquilo que conseguimos construir com algumas delas.


Mas como se fazem amigos quando chegamos a um lugar novo?

Talvez comece com coisas muito mais pequenas do que imaginamos.

Um “olá”.

Sentarmo-nos perto de alguém.

Perguntar uma coisa sobre uma aula.

Aceitar um café.

Ir almoçar com colegas mesmo quando ainda nos sentimos um pouco deslocados.

Participar numa actividade.

Juntar-nos a um grupo de estudo.

Perguntar:

“Vais almoçar?”

Ou ter coragem para dizer:

“Queres vir comigo?”

Às vezes ficamos à espera que alguém nos convide.

E a outra pessoa pode estar exactamente do outro lado, igualmente insegura, igualmente nova, igualmente à espera.

Por isso, um dos conselhos que hoje daria aos meus filhos é simples:

não esperem sempre que sejam os outros a aproximar-se.

Façam também um pequeno movimento.

Não precisam de conquistar uma sala inteira.

Basta conhecer uma pessoa.

Depois outra.

As relações constroem-se através da repetição, da confiança e dos pequenos momentos partilhados.

Amizade raramente acontece num instante.

Vai acontecendo.


Não confundam timidez com incapacidade

Também temos de aceitar que não somos todos iguais.

Há quem precise de muita vida social.

Há quem seja feliz com poucas pessoas próximas.

Há quem fale com facilidade com desconhecidos.

E há quem demore semanas até conseguir mostrar verdadeiramente quem é.

Não há apenas uma maneira certa de nos relacionarmos.

O importante é que a timidez, o medo ou a insegurança não acabem por construir uma prisão.

Podemos respeitar o nosso ritmo e, ainda assim, desafiar-nos suavemente.

Hoje falar com uma pessoa.

Amanhã aceitar um convite.

Na próxima semana experimentar alguma actividade.

Pequenos passos.

Sem transformar fazer amigos numa prova que precisamos de passar.


E depois há uma aprendizagem ainda mais difícil: saber estar sozinho

Talvez esta seja uma das coisas que mais desejo ensinar aos meus filhos.

Amem.

Criem amizades.

Procurem pessoas boas.

Construam relações.

Mas aprendam também a estar convosco.

Durante muito tempo ouvi e até repeti a ideia de que nascemos sozinhos e morremos sozinhos.

Hoje talvez diga de outra forma.

Porque não vivemos verdadeiramente sozinhos.

Precisamos uns dos outros.

Amamos.

Somos família.

Criamos laços.

Precisamos de pertença.

Mas há partes da vida que ninguém pode viver por nós.

Há escolhas que são nossas.

Há medos que teremos de atravessar.

Há noites em que teremos de conversar connosco próprios.

Há decisões em que, mesmo rodeados de pessoas que nos amam, somos nós que temos de escolher o caminho.

Por isso, aprender a estar sozinho não significa desistir das pessoas.

Significa não ter medo da nossa própria companhia.


Estar sozinho não é o mesmo que sentir-se abandonado

Esta diferença é importante.

Podemos estar sozinhos durante uma tarde e sentirmo-nos bem.

Ler.

Caminhar.

Estudar.

Ouvir música.

Pensar.

Descansar.

Ir beber um café.

Fazer uma refeição.

E podemos estar no meio de cinquenta pessoas e sentir uma solidão enorme.

Por isso, não quero ensinar aos meus filhos que “não precisam de ninguém”.

Precisamos.

Somos seres de relação.

Quero ensinar-lhes outra coisa:

não precisam de aceitar qualquer companhia apenas para não estarem sozinhos.

Essa diferença pode mudar muitas escolhas.


A autoestima protege-nos quando ainda não encontrámos o nosso lugar

Quando chegamos a um ambiente novo é fácil começar a olhar para os outros como medida de nós próprios.

Eles já têm amigos.

Eles parecem mais confiantes.

Eles saem juntos.

Eles foram convidados.

Eles parecem divertir-se.

E eu?

As redes sociais ainda amplificam essa sensação.

Vemos uma fotografia de dez pessoas a jantar e não vemos os outros vinte que ficaram nos quartos.

Vemos a festa.

Não vemos a insegurança.

Vemos o grupo.

Não vemos quem, mesmo naquele grupo, está a sentir-se sozinho.

É por isso que a autoestima é tão importante.

Porque precisamos de conseguir dizer a nós próprios:

o facto de ainda não ter encontrado as minhas pessoas não significa que haja alguma coisa de errado comigo.

Talvez apenas ainda não tenha passado tempo suficiente.

Talvez aquele não seja o meu grupo.

Talvez esteja a conhecer-me também nesta nova fase.


Como mãe, há coisas que já não posso fazer por eles

Posso ouvir.

Posso aconselhar.

Posso perguntar como correu o dia.

Posso incentivar.

Posso sugerir que convidem alguém.

Posso lembrar-lhes que uma primeira semana não define um ano inteiro.

Posso recordar-lhes tudo aquilo que valem quando algum momento os fizer duvidar.

Mas não posso fazer amigos por eles.

Não posso escolher as pessoas por eles.

Não posso impedir que alguma amizade os desiluda.

Não posso evitar todas as rejeições.

Nem devo.

Porque crescer também é aprender a perceber quem merece ficar perto de nós.

O meu papel mudou.

Talvez antes eu quisesse resolver.

Hoje quero sobretudo estar disponível.

Ser aquele lugar seguro onde podem regressar sem julgamentos.


O conselho que gostaria que levassem para qualquer lugar novo

Se algum dos meus filhos me perguntasse hoje:

“Mãe, cheguei aqui e ainda não conheço ninguém. O que faço?”

Eu diria:

Dá tempo.

Olha à tua volta.

Sorri.

Diz olá.

Faz perguntas.

Aceita alguns convites.

Faz também alguns.

Não julgues as pessoas demasiado depressa.

Mas também não ignores aquilo que sentes junto delas.

Não tentes impressionar toda a gente.

Não mudes aquilo que é importante para ti apenas para caber num grupo.

Procura pessoas com quem possas ser tu.

E, enquanto essas pessoas ainda não aparecem, não transformes esse tempo numa prova de que estás sozinho no mundo.

Vai conhecendo o lugar.

Vai conhecendo as pessoas.

E vai-te conhecendo a ti também.

Não precisas de ser escolhido por toda a gente para ter valor.


Talvez crescer seja também aprender isto

Em 2019 escrevia sobre a dor de ver um filho rejeitado por um grupo.

Hoje continuo a desejar que os meus filhos tenham bons amigos.

Claro que sim.

Desejo-lhes conversas longas.

Risadas.

Pessoas com quem estudar.

Jantares.

Festas.

Confidências.

Amigos que apareçam nos dias bons e, sobretudo, nos difíceis.

Mas desejo-lhes também outra coisa.

Que saibam estar sozinhos sem se sentirem menos.

Que não confundam popularidade com amizade.

Que não confundam quantidade com pertença.

Que tenham autoestima suficiente para sair de uma mesa onde precisam de deixar de ser eles próprios para serem aceites.

E coragem suficiente para se aproximarem de uma mesa nova.

Porque haverá momentos em que ninguém poderá dar esse passo por eles.

Nem mesmo eu.

E talvez deixar crescer seja também isto.

Não lhes retirar todas as dificuldades do caminho.

Mas tentar dar-lhes raízes suficientemente fortes para saberem quem são…

e asas suficientemente seguras para se aproximarem dos outros sem terem de se perder de si próprios.

SoLu@

Para pensar

Quando chegaste pela primeira vez a um lugar onde não conhecias ninguém, o que foi mais difícil?

E que conselho darias hoje a um filho, a um jovem — ou até a ti própria — sobre amizade, pertença e aprender a estar sozinho?

Da memória para o presente

Este texto nasceu também de uma reflexão que escrevi em 2019:

«Filhos — Competências sociais — Pertença a grupo de colegas (não considero amigos)», no Arquivo SoLu@.

Na altura falava da rejeição e da preocupação de uma mãe.

Hoje volto ao mesmo tema noutro momento da vida.

Os filhos cresceram.

As perguntas também.

Mas continuo a acreditar no mesmo essencial:

podemos guiá-los, amá-los e estar disponíveis. O caminho, pouco a pouco, terá de ser deles.

Leituras:

Calendário SoLu@ — Setembro: Semana 3 — Deixar Crescer

Calendário SoLu@ — Setembro – Semana 3

Há momentos em que amar deixa de significar segurar a mão e passa a significar confiar que tudo aquilo que fomos ensinando continuará com eles quando já não estivermos ao lado.

Setembro chegou cá a casa com mudanças.

Com malas.

Com quartos diferentes.

Com horários novos, preocupações novas e caminhos que já não passam sempre por mim.

Dois dos meus filhos começaram mais uma etapa da Universidade. Um regressou para continuar um caminho que já conhece; a outra começou agora um mundo completamente novo.

E eu fiquei naquele lugar estranho que tantas mães conhecem.

Orgulhosa por vê-los crescer.

Feliz porque estão a construir os seus caminhos.

Mas também com aquela pequena inquietação que pergunta, silenciosamente:

Será que vão ficar bem?

Talvez uma das partes mais difíceis da maternidade não seja ensinar os nossos filhos a caminhar.

Talvez seja perceber quando chegou o momento de deixar de caminhar à frente deles.

Deixar de escolher.

Deixar de resolver.

Deixar de tentar evitar todos os erros.

E começar simplesmente a caminhar por perto.

Esta terceira semana de Setembro fala precisamente disso.

De deixar crescer.

Eles.

E nós.


🌿 Tema da semana

Deixar crescer

Quando os filhos são pequenos, grande parte da maternidade é feita de coisas concretas.

Vestir.

Alimentar.

Levar.

Buscar.

Ensinar.

Proteger.

Decidir.

Estamos habituadas a saber onde estão, o que precisam, a que horas chegam e até aquilo que provavelmente esqueceram dentro da mochila.

Depois crescem.

E, quase sem darmos conta, aquilo que durante tantos anos foi cuidado pode transformar-se numa tentativa de controlo.

Queremos saber.

Queremos antecipar.

Queremos evitar que sofram.

Queremos impedir que façam escolhas que talvez nós não fizéssemos.

Mas crescer implica experimentar.

Escolher.

Enganar-se.

Voltar atrás.

Aprender.

E há aprendizagens que nenhum conselho de mãe consegue substituir.

Por muito que custe aceitar.


💜 Intenção da semana

Estar presente sem ocupar o lugar que pertence aos meus filhos.

Talvez esta seja uma das grandes transformações da maternidade.

Passamos de fazer por eles para estar disponíveis para eles.

De conduzir para aconselhar.

De decidir para perguntar.

De proteger de tudo para ajudá-los a acreditar que conseguem enfrentar aquilo que surgir.

Não significa afastarmo-nos.

Muito menos deixar de cuidar.

Significa mudar a forma como cuidamos.


✨ Frase destaque SoLu@

Criar filhos também é preparar o coração para o dia em que já não precisarão das nossas mãos para caminhar — mas continuarão a precisar de saber que podem voltar a elas.


Como posso continuar presente sem impedir que cresçam?

Tenho pensado muito nesta pergunta.

Porque a linha entre presença e controlo nem sempre é evidente.

Às vezes perguntamos porque nos preocupamos.

Outras vezes perguntamos porque precisamos de tranquilizar a nossa própria ansiedade.

Às vezes damos um conselho porque temos experiência.

Outras vezes insistimos porque gostaríamos que eles escolhessem aquilo que nós escolheríamos.

Mas os filhos não nasceram para viver exactamente como nós viveríamos.

Vieram construir a vida deles.

Talvez o nosso trabalho seja dar-lhes raízes suficientemente fortes para que tenham coragem de criar as próprias asas.

E confiar.

Mesmo quando gostaríamos de confirmar três vezes se levaram tudo.

Mesmo quando não respondem imediatamente à mensagem.

Mesmo quando fazem uma escolha que não compreendemos completamente.

Mesmo quando sabemos que provavelmente vão errar.

Porque também nós aprendemos assim.


🌸 E onde entra o autocuidado?

Quando falamos em autocuidado pensamos muitas vezes no corpo.

Dormir melhor.

Caminhar.

Comer melhor.

Descansar.

Ter algum tempo para nós.

Mas existe outro autocuidado muito importante quando os filhos crescem:

não desaparecer juntamente com a infância deles.

Durante muitos anos, uma grande parte da nossa identidade pode estar ligada às necessidades dos filhos.

Os horários deles.

A escola deles.

Os treinos.

As consultas.

Os trabalhos.

As refeições.

As preocupações.

Depois começam a precisar menos de nós.

E pode nascer um espaço estranho.

Um silêncio.

Uma pergunta que talvez algumas mães tenham dificuldade em dizer em voz alta:

E agora, onde fico eu?

A resposta não precisa de ser assustadora.

Talvez este seja também o momento de voltar a descobrir partes nossas que ficaram algum tempo à espera.

Projectos.

Amizades.

Sonhos.

O corpo.

O casamento.

A criatividade.

O descanso.

A mulher que existia antes da maternidade — e a nova mulher que nasceu através dela.

Deixar os filhos crescer pode ser também permitir que nós continuemos a crescer.


🌿 Prática da semana

Antes de intervir, perguntar

Sempre que sentires vontade de resolver imediatamente alguma coisa por alguém que amas, experimenta fazer uma pequena pausa.

Pergunta a ti própria:

Ele precisa realmente que eu resolva isto?

ou

Precisa apenas de saber que estou aqui?

Às vezes, a resposta será ajudar.

Outras vezes será aconselhar.

E muitas outras será simplesmente confiar.


✨ Mini desafio da semana

Escolhe uma coisa que normalmente farias pelos teus filhos e permite que sejam eles a tratar dela.

Pode ser pequena.

Resolver um assunto.

Organizar uma deslocação.

Preparar aquilo de que precisam.

Tomar uma decisão.

Fazer uma pergunta.

Resolver um problema.

Não para deixarmos de ajudar.

Mas para lhes transmitirmos uma mensagem muito importante:

Eu acredito que consegues.


🗓️ Um dia de cada vez

Domingo — 13 de Setembro

Paz

Frase

Não preciso de controlar tudo para continuar a amar.

Mensagem

Existem momentos em que a paz nasce quando aceitamos que algumas respostas já não nos pertencem.

Os filhos crescem e começam a escrever páginas da própria história.

Podemos continuar perto.

Mas não precisamos de segurar a caneta.

Prática

Observa hoje uma situação em que tens tendência a antecipar ou controlar.

Experimenta não intervir imediatamente.

Pergunta

Onde poderia confiar um pouco mais?

Gesto

Respira antes de perguntar, aconselhar ou resolver.


Segunda-feira — 14 de Setembro

Felicidade / Gratidão

Frase

Sou grata pela criança que conheci e pela pessoa que estou a descobrir.

Mensagem

Talvez seja uma das maiores dádivas da maternidade:

ver nascer várias vezes a mesma pessoa.

Primeiro o bebé.

Depois a criança.

O adolescente.

E, pouco a pouco, o adulto.

Prática

Recorda um momento da infância dos teus filhos e observa o caminho que já fizeram.

Pergunta

Que mudança neles me deixa particularmente orgulhosa?

Gesto

Diz-lhes uma coisa concreta de que te orgulhas.

Sem acrescentar conselhos.

Apenas orgulho.


Terça-feira — 15 de Setembro

Vida

Frase

A vida deles não precisa de ser uma repetição da minha.

Mensagem

Podemos transmitir valores.

Dar referências.

Partilhar aquilo que aprendemos.

Mas cada pessoa precisa de descobrir a sua maneira de viver.

Prática

Identifica uma escolha dos teus filhos que talvez seja diferente da escolha que tu farias.

Pergunta

Consigo respeitar um caminho diferente do meu?

Gesto

Escuta hoje sem tentar convencer.


Quarta-feira — 16 de Setembro

Atitude

Frase

A confiança também se ensina confiando.

Mensagem

Durante anos dizemos aos filhos:

“Tu consegues.”

Depois chega o momento de provarmos que acreditamos verdadeiramente nisso.

Mesmo quando não estamos presentes.

Mesmo quando fazem diferente.

Mesmo quando cometem erros.

Prática

Entrega-lhes uma responsabilidade que ainda costumas assumir.

Pergunta

Estou a ajudá-los ou estou a fazer aquilo que eles já conseguem fazer?

Gesto

Substitui hoje um “deixa que eu faço” por:

“Experimenta. Se precisares, estou aqui.”


Quinta-feira — 17 de Setembro

Pensamentos positivos

Frase

Nem tudo aquilo que pode correr mal vai correr mal.

Mensagem

O coração de uma mãe consegue imaginar vinte problemas antes do pequeno-almoço.

Talvez seja amor.

Mas também pode ser medo.

E os nossos filhos não precisam apenas que antecipemos perigos.

Precisam que consigamos imaginar possibilidades.

Prática

Sempre que surgir um pensamento de preocupação, acrescenta outro:

“Também pode correr bem.”

Pergunta

Quantas das minhas preocupações pertencem ao presente e quantas pertencem apenas àquilo que imagino?

Gesto

Escolhe conscientemente alimentar hoje uma possibilidade boa.


Sexta-feira — 18 de Setembro

Fé / Esperança

Frase

Tudo aquilo que lhes ensinei continua com eles, mesmo quando eu não estou.

Mensagem

Chega um momento em que precisamos de confiar nas sementes.

Nos valores repetidos tantas vezes.

Nas conversas.

Nos limites.

Nos exemplos.

No amor.

Nem sempre veremos imediatamente aquilo que ficou.

Mas alguma coisa fica.

Prática

Recorda três valores que tentaste transmitir aos teus filhos.

Pergunta

Consigo confiar na educação e no amor que lhes dei?

Gesto

Escreve essas três palavras num lugar onde as possas ver.


Sábado — 19 de Setembro

Amor

Frase

Amar também é abrir a mão.

Mensagem

Segurar parece amor.

Mas abrir a mão também pode ser.

Porque amar alguém verdadeiramente significa desejar que encontre o seu lugar no mundo — mesmo quando esse lugar já não é constantemente ao nosso lado.

Prática

Faz hoje alguma coisa por ti.

Não para preencher a ausência deles.

Mas porque a tua vida também continua.

Pergunta

Quem estou eu a tornar-me nesta nova etapa?

Gesto

Escolhe uma coisa que queres voltar a fazer por ti.


💭 Pergunta da semana

Como posso continuar presente sem impedir que cresçam?

Talvez não exista uma resposta definitiva.

Porque algumas vezes teremos de aproximar-nos.

Outras vezes afastar-nos um pouco.

Haverá momentos para falar.

Momentos para ouvir.

Momentos para aconselhar.

E momentos para ficar em silêncio.

A maternidade não termina quando os filhos crescem.

Transforma-se.

E talvez uma das nossas aprendizagens seja precisamente esta:

continuar a ser porto sem obrigá-los a permanecer no cais.


🌙 Reflexão final

Esta semana percebi que deixar crescer os meus filhos também significa aceitar uma nova versão de mim enquanto mãe.

Uma mãe que continua preocupada.

Que continua a perguntar se comeram.

Que provavelmente continuará a lembrar coisas que eles juram que não esqueceram.

Mas que está também a aprender outra linguagem do amor.

A linguagem da confiança.

Talvez eu ainda esteja a descobrir como se faz.

Como tantas outras coisas na maternidade.

Mas quero que os meus filhos saibam isto:

podem voar.

Não porque deixei de querer protegê-los.

Mas porque passei tantos anos a tentar prepará-los para que um dia não precisassem que eu os protegesse de tudo.

E quero aprender também a cuidar de mim enquanto eles seguem os seus caminhos.

Porque ser mãe nunca significou deixar de existir.

Talvez a maternidade seja uma sucessão de recomeços.

Eles crescem.

Nós mudamos.

E o amor aprende uma nova maneira de ficar.


🌿 Ligações de Setembro

Esta semana faz parte do Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço.

→ Semana 1 — Voltar devagar
O que preciso realmente de retomar?

→ Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas
Onde posso voltar a incluir-me?

E podes também ler:

→Quando os filhos vão para a Universidade: um novo ciclo começa.

→ Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

→ Recomeçar não é voltar ao princípio.

→ Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.


💌 Queres viver este mês comigo?

Setembro não precisa de ser um mês de grandes mudanças.

Pode simplesmente ser o mês em que voltamos.

A nós.

Ao essencial.

Àquilo que queremos continuar a cuidar.

Na Newsletter SoLu@, partilho reflexões, palavras e pequenos gestos para viver cada mês com mais intenção e menos pressão.

Quero receber a Newsletter SoLu@

Porque o Calendário SoLu@ é um guia, não uma prisão.


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Podes acompanhar o mês ao teu ritmo.

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📅 Adicionar Setembro SoLu@ ao calendário — ICS

Guarda apenas aquilo que te fizer sentido.

Volta quando precisares.

Porque:

o calendário é um guia, não uma prisão.


Perguntas frequentes

O que significa deixar os filhos crescer?

Não significa afastarmo-nos nem deixar de apoiar. Significa adaptar a nossa presença à autonomia que vão conquistando e permitir que experimentem, decidam e assumam responsabilidades.

Como apoiar filhos universitários sem controlar?

Mantendo disponibilidade para ouvir e ajudar quando necessário, mas permitindo que organizem os seus horários, resolvam problemas, tomem decisões e aprendam também com os próprios erros.

Porque é que esta fase pode ser difícil para uma mãe?

Porque a maternidade ocupou durante muitos anos uma parte muito grande da rotina, da identidade e das responsabilidades diárias. Quando os filhos ganham autonomia, também a mãe precisa de encontrar um novo equilíbrio.

O autocuidado também faz parte desta mudança?

Sim. Quando os filhos começam a precisar de menos cuidados diários, pode nascer espaço para a mãe voltar a olhar para as suas próprias necessidades, relações, interesses, sonhos e projectos.

É possível estar presente sem controlar?

Sim. Talvez seja precisamente essa uma das formas mais maduras de presença: continuar disponível sem precisar de decidir tudo por quem amamos.


SoLu@

Aprender a amar. Aprender a deixar crescer. E continuar também a aprender a viver.

Sexta-feira Nostálgica — Há dez anos eu já procurava uma vida mais feliz

Texto antigo do Arquivo SoLu@ sobre felicidade e crescimento pessoal, revisitado dez anos depois.

Dez anos depois, continuo a procurar uma vida com sentido. Mas talvez hoje saiba que não existe um projecto perfeito para ser feliz.

Há dez anos escrevi um texto chamado “Projecto de Vida para ser Feliz!”.

Naquela altura procurava perceber o que podia mudar para construir uma vida mais feliz. Dez anos depois, percebo que continuo a procurar felicidade — mas talvez hoje procure ainda mais uma vida com sentido.

Era Maio de 2016.

Voltei a encontrá-lo agora no Arquivo SoLu@ e fiquei algum tempo a olhar para aquelas palavras.

Não apenas para aquilo que escrevi.

Mas para a mulher que as escreveu.

Naquele texto falava de auto-análise, de família, de culpa, de falta de paciência, de decisões e da vontade de viver melhor.

E, ao relê-lo, aconteceu uma coisa curiosa:

reconheci-me.

Há perguntas que continuam a ser minhas.

Mas as respostas já não são exactamente as mesmas.

Talvez seja isso que dez anos fazem connosco.

Não apagam aquilo que fomos.

Ensinam-nos a olhar de outra maneira.


Eu já procurava aquilo que verdadeiramente importava

Quando escrevi aquele “Projecto de Vida”, estava a tentar perceber o que me fazia feliz.

A família.

Os amigos.

Os momentos vividos em conjunto.

O sentimento de fazer alguma coisa útil.

Uma vida que tivesse prazer, satisfação e sentido.

Dez anos depois, acho bonito perceber que o essencial não mudou assim tanto.

Continuo a acreditar no valor da família.

Continuo a acreditar na importância das relações.

Continuo a querer viver de uma forma que faça sentido e não apenas passar pelos dias a cumprir aquilo que é preciso fazer.

Talvez tenha mudado, sobretudo, a forma como procuro essa felicidade.

Na altura parecia existir em mim uma vontade de organizar melhor a vida, corrigir comportamentos, tomar decisões e conseguir mantê-las.

Como se, com as escolhas certas e alguma disciplina, fosse possível construir uma espécie de projecto para ser feliz.

Hoje já não tenho tanta certeza de que a felicidade aceite projectos tão bem organizados.


Durante muito tempo achei que precisava de me corrigir

Há uma parte daquele texto antigo que me toca particularmente.

A culpa.

A falta de paciência.

A forma como reagia com a minha família, com o meu marido, com os meus filhos, com o trabalho e comigo própria.

É fácil olhar para trás e pensar:

Eu devia ter sido mais paciente.

Devia ter feito diferente.

Devia ter percebido mais cedo.

Mas hoje há uma pergunta que acrescentaria àquelas que fazia em 2016:

Será que a culpa alguma vez me ajudou verdadeiramente a ser melhor?

Não estou a falar de ignorar os nossos erros.

Precisamos de reconhecer quando magoamos alguém.

Precisamos de aprender.

Pedir desculpa.

Mudar aquilo que conseguimos mudar.

Mas há uma diferença enorme entre assumir responsabilidade e viver permanentemente a castigar-nos pelo que não fizemos bem.

E talvez eu tenha demorado algum tempo a aprender essa diferença.

Hoje sei que crescer não é passar a vida a apontar aquilo que está errado em nós.

É conseguirmos olhar para nós com verdade suficiente para mudar e com amor suficiente para não nos destruirmos nesse processo.


A felicidade deixou de ser um destino perfeito

Se pudesse sentar-me hoje ao lado da mulher que escreveu aquele texto em 2016, talvez lhe dissesse:

Não precisas de descobrir a fórmula.

Não precisas de acertar sempre.

Não precisas de conseguir manter todas as resoluções.

Haverá dias em que serás paciente.

E outros em que estarás cansada.

Haverá decisões que conseguirás manter durante anos.

E outras que abandonarás passado pouco tempo.

Haverá momentos muito felizes.

E haverá outros que não conseguirás transformar em felicidade, por muito que tentes.

E está tudo dentro da mesma vida.

Porque talvez viver uma vida feliz não signifique sentirmo-nos felizes o tempo inteiro.

Talvez signifique construir uma vida onde conseguimos reconhecer aquilo que importa, cuidar das relações, atravessar os dias difíceis e continuar a encontrar razões para agradecer, amar, acreditar e recomeçar.


Há coisas que dez anos não mudaram

Apesar de tudo o que mudou, há alguma coisa muito bonita em perceber que aquela mulher e esta ainda procuram a mesma coisa.

Uma vida com sentido.

Talvez tenha sido sempre isso.

Mesmo quando lhe chamava felicidade.

Mesmo quando fazia listas.

Mesmo quando criava resoluções.

Mesmo quando pensava que precisava de melhorar tantas coisas em mim.

Eu estava à procura de uma maneira mais consciente de viver.

Hoje talvez lhe chame outra coisa.

Presença.

Equilíbrio.

Autocuidado.

Amor consciente.

Aceitação.

Gratidão.

Ou simplesmente:

aprender a amar e a viver.


Se escrevesse hoje um “Projecto de Vida para ser Feliz”…

Provavelmente já não lhe chamaria projecto.

Talvez escrevesse apenas algumas intenções.

Quero estar verdadeiramente presente quando estou com quem amo.

Quero cuidar dos outros sem desaparecer de mim.

Quero reconhecer os meus erros sem transformar cada erro numa sentença sobre quem sou.

Quero aprender a descansar sem culpa.

Quero proteger aquilo que me faz bem.

Quero continuar a crescer sem viver permanentemente insatisfeita comigo.

Quero ter paciência — e saber pedir desculpa quando não a tiver.

Quero aceitar que nem todos os dias serão felizes.

E quero aprender a descobrir vida, amor e sentido também nesses dias.

Porque hoje sei uma coisa que talvez não soubesse escrever daquela maneira há dez anos:

uma vida feliz não se constrói quando finalmente fazemos tudo bem.

Constrói-se enquanto vivemos.

Enquanto erramos.

Enquanto aprendemos.

Enquanto amamos.

Enquanto perdemos.

Enquanto mudamos.

Enquanto voltamos.


Setembro trouxe-me este texto na altura certa

Este reencontro também faz sentido precisamente agora.

Setembro, no Calendário SoLu@, é o mês de Autocuidado / Recomeço.

E esta semana estamos a falar de uma coisa muito concreta:

cuidar de mim no meio das rotinas.

Talvez esta seja outra diferença entre 2016 e 2026.

Já não quero criar um projecto enorme para mudar toda a vida.

Quero perceber onde posso viver um pouco melhor dentro da vida que já tenho.

Onde posso voltar a incluir-me.

Onde preciso de abrandar.

Onde posso ser mais paciente.

Onde preciso de deixar de exigir tanto de mim.

Onde há alguma coisa boa que merece continuar.

O autocuidado também pode começar aqui.

Não numa vida nova.

Mas numa forma diferente de habitar a nossa.


Do Arquivo para o presente

É por textos como este que quis preservar o Arquivo SoLu@.

Não quero guardar o passado porque acredito hoje exactamente em tudo aquilo que escrevi.

Quero guardá-lo porque aquelas palavras mostram o caminho.

Quem eu era.

Aquilo que procurava.

As perguntas que fazia.

E aquilo que a vida entretanto me ensinou.

O Arquivo SoLu@ é memória viva.

E o SoLu@ de hoje é a continuação dessa história.

Por isso, se quiseres conhecer o texto que deu origem a esta reflexão:

→ No Arquivo SoLu@: “Projecto de Vida para ser Feliz!” — Maio de 2016

E, no presente:

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

→ Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

→ Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.


Dez anos depois…

Continuo a querer uma vida feliz.

Claro que sim.

Mas talvez já não procure tanto ser feliz como procurava.

Procuro viver com verdade.

Amar melhor.

Cuidar sem me esquecer de mim.

Estar presente.

Aprender.

Agradecer.

Aceitar que algumas coisas não dependem de mim.

E encontrar sentido mesmo quando a vida não acontece exactamente como eu gostaria.

Talvez a felicidade nunca tenha sido um projecto que se termina.

Talvez seja uma construção imperfeita feita de milhares de dias comuns.

E talvez seja precisamente isso que hoje quero continuar a aprender:

não como criar uma vida perfeita para ser feliz, mas como estar verdadeiramente presente na vida que tenho.

E tu?

Se encontrasses hoje uma lista de decisões que escreveste há dez anos, o que achas que teria mudado?

Ainda procuras a mesma felicidade — ou a vida também te ensinou a procurá-la de outra maneira?

Conta-me nos comentários.

Talvez, quando olhamos para trás, percebamos que crescemos muito mais do que imaginávamos.

Sexta-feira Nostálgica — Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Setembro Recomeço #2 — Recomeçar não é voltar ao princípio

Recomeçar não é voltar ao princípio — Setembro Recomeço SoLu@

Escolher o que merece continuar connosco

Há uma ideia sobre os recomeços que durante muito tempo me pareceu bonita: a possibilidade de começar do zero.

Página em branco.
Vida nova.
Hábitos novos.
Uma versão diferente de nós próprias.

Hoje já não acredito muito nisso.

Talvez porque a vida me tenha ensinado que nunca regressamos verdadeiramente ao princípio.

Quando recomeçamos, levamos connosco tudo aquilo que já aconteceu.

As coisas que aprendemos.
As que ainda estamos a tentar compreender.
As pessoas que passaram pela nossa vida.
As que ficaram.
Os erros que cometemos.
As feridas que sararam.
As que ainda doem um bocadinho.

Levamos também as pequenas vitórias que tantas vezes esquecemos.

E talvez seja precisamente por isso que um recomeço pode ser tão bonito.

Porque não estamos a começar sem nada.

Estamos a começar com experiência.


Não quero voltar atrás

Há alturas em que pensamos:

Quem me dera voltar àquela fase.

Voltar ao tempo em que tínhamos mais energia.

Voltar ao corpo que tínhamos.

Voltar à rotina que funcionava.

Voltar à relação que parecia diferente.

Voltar aos dias em que tudo parecia mais simples.

Mas, pensando bem, eu não quero realmente voltar atrás.

Quero poder olhar para trás, perceber o que me fazia bem e perguntar:

O que daquela vida ainda merece fazer parte desta?

Porque algumas coisas mudaram.

Eu mudei.

A minha família mudou.

Os meus filhos cresceram.

As prioridades mudaram.

O corpo também muda.

O tempo disponível não é o mesmo.

E aquilo de que precisamos hoje pode ser muito diferente daquilo de que precisávamos há cinco, dez ou vinte anos.

Por isso, recomeçar não pode ser uma tentativa de reconstruir exactamente a vida que tínhamos.

Talvez seja antes uma oportunidade para construir a vida que faz sentido agora.


Há coisas que não precisam de regressar connosco

Também há alguma coragem nisto.

Porque quando decidimos recomeçar, podemos sentir que temos de recuperar tudo aquilo que deixámos para trás.

A rotina perfeita.

O exercício todos os dias.

A casa organizada.

Os projectos interrompidos.

Os hábitos abandonados.

As listas que ficaram por cumprir.

Mas talvez nem tudo tenha de voltar.

Há coisas que deixaram de servir.

Há hábitos que pertenciam a outra fase.

Há expectativas que já pesam mais do que ajudam.

Há objectivos que foram importantes numa determinada altura e que hoje já não fazem sentido.

E reconhecer isso não significa desistir.

Significa crescer.

Às vezes, o verdadeiro recomeço começa quando conseguimos dizer:

isto foi importante para mim, mas já não preciso de o levar comigo.


E há coisas que continuam a chamar por nós

Depois existem aquelas coisas que, mesmo quando a vida se complica, continuam silenciosamente à nossa espera.

Uma caminhada.

Um livro pousado na mesa de cabeceira.

Escrever.

Voltar a mexer o corpo.

Beber água com mais atenção.

Dormir melhor.

Telefonar a alguém.

Sentar-me alguns minutos em silêncio.

Retomar um projecto que me faz feliz.

Cuidar de uma relação.

Voltar a rezar.

Voltar a sonhar.

Não porque alguém nos disse que devíamos fazê-lo.

Mas porque, quando pensamos nisso, há qualquer coisa dentro de nós que reconhece:

isto faz-me bem.

Talvez seja por aí que vale a pena começar.


Setembro não precisa de ser uma revolução

Setembro tem esta energia curiosa.

Depois do Verão, sentimos quase automaticamente que chegou a altura de reorganizar tudo.

Horários.

Escola.

Trabalho.

Casa.

Alimentação.

Exercício.

Projectos.

Planos.

E, no meio dessa reorganização, é muito fácil criarmos uma lista tão grande que o próprio recomeço se transforma em mais uma fonte de pressão.

Este ano quero experimentar outra coisa.

Em vez de perguntar:

“O que tenho de mudar?”

quero perguntar:

“O que merece continuar comigo?”

A pergunta parece semelhante.

Mas não é.

A primeira parte da ideia de que há alguma coisa errada que precisa de ser corrigida.

A segunda parte daquilo que já existe e merece ser cuidado.

E talvez o autocuidado comece exactamente aí.

Não em inventarmos uma pessoa completamente nova.

Mas em reconhecermos aquilo que já faz parte de nós e merece voltar a ter espaço.


Uma coisa de cada vez

Por isso, a proposta desta semana do Setembro Recomeço é muito simples:

escolher apenas uma coisa para retomar.

Não cinco.

Não dez.

Uma.

Pode ser pequena.

Na verdade, talvez seja melhor que seja pequena.

Por exemplo:

  • caminhar 20 minutos;
  • voltar a ler antes de dormir;
  • preparar o pequeno-almoço com mais calma;
  • escrever algumas linhas num caderno;
  • telefonar uma vez por semana a alguém de quem gostamos;
  • regressar ao ginásio sem exigir resultados imediatos;
  • deitar mais cedo;
  • reservar meia hora para nós;
  • voltar a um projecto que ficou esquecido;
  • fazer alguma coisa simplesmente porque nos dá prazer.

Depois podemos perguntar:

Porque quero recuperar isto?

Não porque “devia”.

Não porque Setembro chegou.

Não porque toda a gente parece estar a reorganizar a vida.

Mas porque esta pequena coisa pode tornar os meus dias um pouco melhores.


O meu pequeno exercício de recomeço

Se quiseres fazer esta reflexão comigo, escreve três frases:

1. Há uma coisa da minha vida que quero deixar para trás:


2. Há uma coisa que aprendi e quero levar comigo:


3. Há uma coisa que quero começar a retomar:


Depois escolhe apenas a terceira.

E pergunta:

Qual é a versão mais pequena e possível desta escolha?

Se queres voltar a caminhar, talvez não sejam cinco quilómetros.

Talvez sejam dez minutos.

Se queres voltar a escrever, talvez não seja terminar um livro.

Talvez seja abrir um documento e escrever um parágrafo.

Se queres cuidar mais de ti, talvez não seja mudar toda a tua rotina.

Talvez seja começar por não te deixares sempre para o fim.

Porque os recomeços que permanecem raramente começam com grandes revoluções.

Começam com pequenos gestos que conseguimos repetir.


Não somos a mesma pessoa que começou

Há algo que hoje me conforta muito nesta ideia.

Eu não preciso de regressar à mulher que era.

Posso agradecer-lhe tudo aquilo que ela fez.

Posso reconhecer aquilo que atravessou.

Posso aprender com as suas escolhas.

Mas posso continuar daqui.

Com aquilo que sei hoje.

Com os limites que conheço melhor.

Com mais consciência do que me faz bem e do que me esgota.

Com outra relação com o tempo.

Com mais respeito por mim.

Talvez crescer seja precisamente isto:

deixar de tentar recuperar versões antigas de nós próprias e começar a cuidar da pessoa que somos agora.


A pergunta desta semana

Neste Setembro de Autocuidado e Recomeço, não te vou perguntar quantas coisas queres mudar.

Pergunto-te apenas:

O que merece continuar contigo?

E, entre tudo aquilo que escolheste, haverá talvez uma pequena coisa que merece regressar aos teus dias.

Começa por aí.

Sem pressa.

Sem perfeição.

Sem transformar o calendário numa obrigação.

Porque, como tenho repetido no Calendário SoLu@:

o calendário é um guia, não uma prisão.

E um recomeço também deve ser assim.

Um caminho que nos aproxima de nós.

Não mais uma lista onde podemos sentir que falhámos.


Para levar contigo

Recomeçar não é voltar ao princípio.
É continuar a partir de tudo aquilo que a vida já nos ensinou.

Esta semana escolhe apenas uma coisa.

Uma coisa que te faça bem.

Uma coisa que reconheças como tua.

Uma coisa que mereça voltar.

E começa de onde estás.

Porque talvez seja esse o único lugar de onde alguma vez podemos realmente recomeçar.

SoLu@


Continua este caminho

Se estás a viver comigo este Setembro de Autocuidado / Recomeço, podes continuar por aqui:

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.
Uma reflexão sobre aquilo que acontece quando os planos não se cumprem exactamente como imaginámos — e mesmo assim alguma coisa muda.

Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.
Uma ponte entre aquilo que escrevi há anos e aquilo que hoje aprendi sobre começar novamente.

Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço
Um mês para regressarmos a nós próprias sem pressa, sem culpa e sem a obrigação de fazer tudo.

Queres viver este mês comigo?

Na newsletter SoLu@ partilho reflexões, textos, pequenas práticas e pedaços deste caminho que nem sempre cabem nas redes sociais.

Se também estás a tentar encontrar uma forma mais tranquila de cuidar de ti e recomeçar, fica por perto.

Talvez possamos fazer este caminho juntas.

Um dia de cada vez.

Quando os filhos vão para a Universidade: um novo ciclo começa

Filhos a iniciar um novo ciclo na Universidade e a partir para o alojamento universitário.

Há dias em que ser mãe é preparar malas, engolir a saudade e acreditar que lhes demos asas suficientes para seguirem os seus sonhos.

Hoje começa mais um daqueles ciclos que sabemos que vão chegar, mas para os quais talvez nunca estejamos verdadeiramente preparados.

Hoje, os meus dois filhos mais velhos seguem para os seus alojamentos universitários.

Cada um para o seu.

Cada um para a sua Universidade.

Cada um para a vida que está, pouco a pouco, a construir.

E eu olho para as malas, para tudo aquilo que fomos tentando não esquecer, para as coisas que ainda perguntamos se levaram, para os últimos conselhos — alguns certamente repetidos mais vezes do que seria necessário — e penso:

estão a voar os seus próprios voos.

Era isto que queríamos.

Sempre quisemos que voassem.

E, se possível, que voassem mais alto do que nós.

Que tivessem sonhos.

Que lutassem por eles.

Que encontrassem o seu lugar no mundo.

Só não nos avisaram de que vê-los ganhar asas também apertava assim o coração.


Para um, o caminho já é conhecido

O mais velho começa agora o 3.º ano da Universidade.

Já sabe o que o espera.

Ou, pelo menos, sabe bastante melhor do que sabia há dois anos.

Sabe que vai haver trabalho.

E depois mais trabalho.

E provavelmente ainda mais algum trabalho quando pensar que finalmente terminou.

A Universidade onde está não brinca em serviço.

Enquanto vê amigos que ainda nem começaram as aulas e que, quando começarem, ainda terão pela frente semanas de vida académica, festas, convívios e integração, ele já conhece outro ritmo.

Às vezes até brincamos cá em casa com a diferença.

Parece que alguns cursos conseguem transformar um ano lectivo em seis meses de aulas e muitos momentos de vida académica.

No dele, às vezes parece exactamente o contrário.

Mas também sei tudo o que estes dois primeiros anos lhe deram.

Não apenas conhecimento.

Deram-lhe autonomia.

Capacidade de trabalho.

Persistência.

Responsabilidade.

Ensinaram-lhe que nem sempre conseguimos tudo à primeira.

Que há momentos difíceis.

Que há cansaço.

Que há dúvidas.

E que continuamos.

Talvez seja essa uma das aprendizagens mais importantes da Universidade — e da vida.

Hoje vai com outra segurança.

Já conhece o caminho.

Já conhece as dificuldades.

E talvez seja precisamente por isso que eu saiba que continua a precisar de ouvir:

acredita em ti.


Para ela, tudo começa agora

Com a minha filha do meio, a sensação é diferente.

É o primeiro ano.

A primeira vez que sai assim de casa.

A primeira residência universitária.

As primeiras aulas.

Os primeiros colegas.

Uma nova cidade.

Novas rotinas.

Novas responsabilidades.

Novas liberdades.

E talvez também algumas saudades que só se descobrem quando fechamos a porta do quarto e percebemos que aquele espaço é agora, durante parte da semana, a nossa casa.

Investimos numa residência privada para que pudesse ficar mais perto da Universidade.

Tem todas as condições.

Pensámos na localização.

Na segurança.

No conforto.

Naquilo que poderia facilitar os primeiros meses desta adaptação.

Fizemos o que estava ao nosso alcance.

E, mesmo assim, estamos apreensivos.

Porque há coisas que nenhum quarto confortável consegue resolver por nós.

Não podemos escolher os amigos que vão encontrar.

Não podemos evitar todas as dificuldades.

Não podemos protegê-los de todas as desilusões.

Não podemos garantir que nunca se sintam sozinhos.

Não podemos fazer os trabalhos por eles, enfrentar os professores, resolver os problemas ou escolher os caminhos.

Podemos apenas continuar aqui.

Presentes.

Disponíveis.

A acreditar neles.

Vamos a caminho.

E talvez esta frase diga muito mais do que parece.

Eles vão a caminho da Universidade.

Nós vamos a caminho de uma nova forma de sermos pais.


Deviam entregar-nos uma checklist para esta fase

Enquanto preparávamos tudo, pensei várias vezes:

devia existir um kit para jovens universitários.

Não apenas a lista das coisas que têm de levar.

Lençóis.

Toalhas.

Roupa.

Computador.

Carregadores.

Medicamentos.

Documentos.

Mas uma checklist verdadeiramente útil para quem está prestes a começar a viver longe de casa.

Porque preparar um filho para a Universidade não é só encher uma mala.

É ajudá-lo a perceber que, a partir de agora, terá de cuidar de muitas pequenas coisas que em casa quase aconteciam sem dar por elas.

Por isso, se tivesse de criar hoje uma Checklist SoLu@ para quem vai viver para um alojamento universitário, seria esta.

Checklist prática — o que levar

Documentos e essenciais

  • Cartão de Cidadão;
  • cartão bancário;
  • cartão de estudante ou comprovativo de matrícula;
  • contactos importantes;
  • informações da residência/alojamento;
  • medicação habitual e respectivas receitas, quando necessárias;
  • cópia digital de documentos importantes.

Para o quarto

  • lençóis;
  • almofada, se não estiver incluída;
  • manta;
  • toalhas;
  • cabides;
  • saco para roupa suja;
  • chinelos;
  • extensão eléctrica ou múltiplas tomadas, se forem permitidas;
  • candeeiro de secretária, se necessário;
  • uma fotografia, objecto ou pequena coisa de casa que faça aquele espaço parecer um pouco mais seu.

Higiene e cuidados pessoais

  • produtos de higiene;
  • pequena farmácia com o essencial;
  • termómetro;
  • pensos rápidos;
  • analgésico habitual;
  • protector solar;
  • garrafa de água reutilizável.

Universidade e tecnologia

  • computador;
  • carregadores;
  • auscultadores;
  • mochila;
  • cadernos ou material de escrita;
  • pen/armazenamento externo, se necessário;
  • cópias de segurança configuradas;
  • passwords importantes guardadas de forma segura.

Alimentação

Se o alojamento permitir preparar refeições:

  • alguns recipientes;
  • talheres;
  • caneca;
  • prato e tigela;
  • garrafa de água;
  • alimentos simples para os primeiros dias.

E uma coisa que parece pouco importante até ao dia em que faz falta:

alguma comida de casa.

Porque às vezes uma refeição conhecida também cuida.


A checklist que não cabe dentro da mala

Depois há outra lista.

Talvez a mais importante.

Aquela que não se compra.

Aquela que nenhum supermercado vende.

E que gostava que os meus filhos levassem também com eles.

1. Não precisam de ter tudo resolvido no primeiro dia

Os primeiros tempos podem ser estranhos.

É normal.

Uma nova casa demora a parecer casa.

Uma turma demora a transformar-se em pessoas conhecidas.

Uma cidade demora a deixar de parecer desconhecida.

Dêem tempo ao tempo.

2. Peçam ajuda

Aos colegas.

Aos professores.

Aos serviços da Universidade.

À residência.

A nós.

Pedir ajuda não é sinal de incapacidade.

Muitas vezes é sinal de inteligência.

3. Escolham bem as pessoas

A Universidade traz muitas pessoas novas para a nossa vida.

Algumas ficam.

Outras passam.

Observem.

Conheçam.

Não tenham pressa de pertencer a qualquer grupo apenas para não se sentirem sozinhos.

Estar acompanhado nem sempre significa estar bem acompanhado.

4. Divirtam-se — mas não se esqueçam de porque estão ali

A vida académica também faz parte da Universidade.

Os amigos.

Os jantares.

As festas.

As conversas que ficam pela madrugada.

Há memórias que também se constroem nesses momentos.

Mas liberdade também significa aprender a escolher.

E cada escolha tem consequências.

5. Durmam

Pode parecer um conselho banal.

Não é.

Não há corpo nem cabeça que consigam funcionar indefinidamente à base de noites mal dormidas, cafés e prazos.

Cuidar do sono também faz parte de estudar.

6. Comam

Mesmo nos dias de testes.

Mesmo nos dias em que chegam tarde.

Mesmo quando parece mais fácil viver de qualquer coisa rápida.

O corpo que vos leva até aos vossos sonhos também precisa de ser cuidado.

7. Aprendam a gerir dinheiro

Um orçamento mensal.

As despesas fixas.

Aquilo que podem gastar.

Aquilo que devem guardar.

Talvez esta seja uma das aulas mais úteis que não aparece no horário da Universidade.

8. Não comparem demasiado

Vai haver sempre alguém com melhores notas.

Mais facilidade.

Mais amigos.

Mais confiança.

Mais vida social.

Mais qualquer coisa.

Não façam da vida dos outros uma régua para medir a vossa.

Cada um está a fazer o seu próprio caminho.

9. Telefonem para casa

Não precisa de ser todos os dias.

Nem precisam de contar tudo.

Mas uma mensagem às vezes chega:

“Está tudo bem.”

Nós entendemos o resto.

10. Lembrem-se de quem são

Talvez este seja o conselho que mais gostaria que levassem.

Vão conhecer ideias novas.

Pessoas diferentes.

Vão mudar de opinião sobre algumas coisas.

Vão crescer.

Ainda bem.

Mas, no meio de tudo isso, não deixem que ninguém vos faça acreditar que precisam de deixar de ser quem são para serem aceites.


Também nós temos de aprender a deixá-los ir

Tenho pensado muito nisso.

Durante anos, ser mãe significou fazer.

Preparar.

Levar.

Buscar.

Resolver.

Organizar.

Lembrar.

Perguntar.

Proteger.

Agora começa outra aprendizagem.

Estar sem controlar.

Ajudar sem impedir.

Perguntar sem invadir.

Aconselhar sem decidir por eles.

Confiar.

Talvez criar filhos seja isto:

passarmos anos a segurar-lhes a mão para que aprendam a andar e, depois, termos de aprender a soltá-la para que descubram até onde conseguem chegar.

Não é deixarmos de ser necessários.

É sermos necessários de outra maneira.


Voem

Hoje, quando deixarmos cada um no seu alojamento, sei que provavelmente vou sentir aquele vazio estranho.

A casa fica diferente quando os filhos saem.

Mesmo quando sabemos que voltam.

Mesmo quando só estão a alguns quilómetros.

Mesmo quando podemos telefonar.

Há um silêncio diferente.

Mas quero guardar outra imagem.

Não a dos quartos vazios.

A das asas.

Porque foi para isto que trabalhámos durante tantos anos.

Para que pudessem escolher os seus caminhos.

Para que acreditassem nos seus sonhos.

Para que fossem capazes de partir sabendo que existe sempre um lugar onde podem regressar.

Por isso, aos meus filhos:

voem.

Voem alto.

Trabalhem.

Divirtam-se.

Aprendam.

Enganem-se.

Tentem outra vez.

Escolham bem.

Cuidem de vocês.

Sejam felizes.

E nunca se esqueçam de que, por muito longe que um dia os vossos sonhos vos levem, haverá sempre aqui uma casa, um abraço e alguém profundamente feliz por vos ver crescer.

Desejo-vos um ano cheio de aprendizagem, amizades bonitas, desafios que vos façam crescer e sonhos que continuem a puxar-vos para a frente.

E desejo o mesmo a todos os jovens que começam agora um novo ano lectivo — aos que regressam e aos que entram pela primeira vez neste mundo novo.

E aos pais e mães que hoje fecham malas, verificam pela décima vez se não falta nada e depois regressam a casa com o coração um bocadinho mais apertado:

também nós estamos a começar um novo ciclo.

Talvez o nosso desafio seja confiar nas asas que passámos tantos anos a ajudá-los a construir.

SoLu@

O amor também é isto: dar raízes suficientemente fortes para que um dia tenham coragem de abrir as asas.


Para guardar

Que conselho darias hoje a um jovem que vai viver sozinho pela primeira vez para estudar?

E, se és mãe ou pai de um universitário, conta-me:

o que foi mais difícil quando chegou o momento de o deixar seguir o seu próprio caminho?

Para continuar a ler

Este novo ciclo não começou hoje. Foi sendo construído em muitos pequenos momentos, escolhas e despedidas.

🎓 A Nossa Filha do Meio foi Colocada na Universidade!
O momento em que aquilo que parecia ainda distante se tornou realidade.

📚 O Nosso Primeiro Filho Colocado na Universidade!
No Arquivo SoLu@, a memória da primeira vez que vivemos esta mistura de orgulho, felicidade e a aprendizagem de deixar um filho começar a voar.

🤍 18 anos de Amor Incondicional — Filha do Meio
Sobre crescer, chegar à maioridade, encontrar o próprio caminho e continuar a saber onde é casa.

🌿 Setembro — Autocuidado / Recomeço
Porque os filhos começam novos caminhos — e nós, pais e mães, também precisamos de aprender a viver as mudanças que chegam com eles.

Calendário SoLu@ — Setembro – Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

Cuidar de mim no meio das rotinas — Semana 2 do Calendário SoLu@ de Setembro

Cuidar de mim no meio das rotinas

Autocuidado que cabe na vida real.

Há semanas em que a vida parece voltar toda ao mesmo tempo.

Os horários.
As responsabilidades.
As refeições.
As tarefas.
As mensagens por responder.
As coisas que ficaram adiadas.
As necessidades de quem amamos.

E, quase sem percebermos, voltamos também a fazer aquilo que tantas vezes fazemos: colocamo-nos no fim da lista.

Não porque não saibamos que precisamos de cuidar de nós.

Mas porque há dias em que parece simplesmente não haver espaço.

Esta semana quero lembrar-me de uma coisa muito simples:

o autocuidado não precisa de acontecer fora da minha vida. Tem de aprender a caber dentro dela.

Não precisa de ser perfeito.

Não precisa de durar uma hora.

Não precisa de uma rotina bonita, silenciosa e cuidadosamente organizada.

Às vezes, cuidar de mim é beber água antes de perceber que passei horas sem o fazer.

É sentar-me cinco minutos.

É sair para andar.

É dizer que não.

É deitar-me um pouco mais cedo.

É respirar antes de responder.

É comer com mais atenção.

É reconhecer que também estou cansada.

É fazer alguma coisa simplesmente porque me faz bem.

Talvez o verdadeiro desafio não seja encontrar mais tempo.

Talvez seja voltar a incluir-me no tempo que já tenho.


Tema da semana

Cuidar de mim no meio das rotinas

O regresso às rotinas pode dar-nos uma sensação de organização e de recomeço.

Mas também pode trazer novamente aquela tendência de vivermos em modo automático.

Acordamos.

Fazemos.

Resolvemos.

Cuidamos.

Respondemos.

Organizamos.

E, no meio de tudo isto, podemos passar dias inteiros sem perguntar:

Como estou eu?

Esta semana não quero criar uma nova lista de coisas que tenho de fazer para cuidar de mim.

Quero apenas começar a reparar nos lugares onde desapareço da minha própria vida.

E procurar pequenas formas de voltar.


Intenção da semana

Incluir-me na minha própria rotina.

Não quando tudo estiver feito.

Não quando houver tempo.

Não quando a vida estiver finalmente organizada.

Agora.

Mesmo que seja através de pequenos gestos.

Porque cuidar de mim não é retirar tempo às pessoas que amo.

É reconhecer que eu também faço parte das pessoas de quem preciso de cuidar.


Frase destaque SoLu@

“Não preciso de fugir da minha vida para cuidar de mim. Preciso de aprender a não desaparecer dentro dela.” — SoLu@


Prática da semana

Criar um pequeno espaço só meu

Escolhe um momento do teu dia que possa tornar-se um pequeno ponto de encontro contigo.

Pode durar apenas cinco ou dez minutos.

Pode ser:

  • beber o café sem telemóvel;
  • caminhar um pouco;
  • ouvir uma música;
  • escrever algumas linhas;
  • respirar junto a uma janela;
  • cuidar da pele;
  • alongar o corpo;
  • beber um chá em silêncio;
  • ler duas páginas de um livro;
  • simplesmente não fazer nada durante alguns minutos.

Não transformes este momento noutra obrigação.

Não precisas de cumprir todos os dias.

A intenção é apenas começares a criar espaço para uma pergunta:

“O que preciso neste momento?”

E aprenderes a escutar a resposta.


Mini desafio da semana

Durante estes sete dias, experimenta fazer um pequeno gesto por ti todos os dias.

Nada extraordinário.

Nada que precise de ser fotografado.

Nada que tenhas de mostrar a ninguém.

Apenas alguma coisa que te faça sentir:

“Hoje também me incluí.”

No final da semana, olha para esses sete pequenos gestos.

Talvez descubras que o autocuidado começa muito antes de uma grande mudança.

Começa quando deixamos de nos abandonar nos dias comuns.


Domingo, 6 de Setembro

Paz — Começar a semana sem me esquecer de mim

Frase do dia

“Antes de organizar a semana, quero perceber como chego até ela.”

Os domingos podem facilmente transformar-se num dia de preparação para tudo o que vem a seguir.

Compras.

Refeições.

Roupa.

Horários.

Agenda.

Família.

Mas antes de preparares a semana, experimenta fazer uma pequena pausa.

Pergunta-te:

Como estou eu a chegar a esta nova semana?

Cansada?

Esperançosa?

Ansiosa?

Com vontade de começar?

A precisar de descanso?

Nem sempre precisamos de corrigir aquilo que sentimos.

Às vezes precisamos apenas de reconhecer.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Amar a vida também é aprender a escutar aquilo que ela nos pede antes de continuarmos a correr.

Prática

Reserva dez minutos para estar contigo antes de começares a organizar a semana.

Pergunta

O que preciso de preservar esta semana para continuar em paz comigo?

Gesto

Escolhe uma coisa que não vais exigir de ti nesta semana.


Segunda-feira, 7 de Setembro

Felicidade / Gratidão — Reconhecer aquilo que já faço por mim

Frase do dia

“Nem todo o cuidado precisa de ser novo. Há coisas que já faço e que merecem ser reconhecidas.”

Quando pensamos em autocuidado, é fácil concentrarmo-nos apenas no que ainda não conseguimos fazer.

Devia fazer mais exercício.

Devia dormir melhor.

Devia comer melhor.

Devia ter mais tempo.

Devia organizar-me.

Mas talvez hoje possamos começar noutro lugar:

reconhecendo aquilo que já fazemos.

Pequenos gestos também contam.

As escolhas que fizeste.

Os limites que começaste a colocar.

As vezes em que descansaste.

As vezes em que tentaste novamente.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Crescer também é aprender a reconhecer o caminho já percorrido, em vez de viver permanentemente concentrada naquilo que ainda falta.

Prática

Escreve três coisas que tens feito por ti, mesmo que te pareçam pequenas.

Pergunta

Que cuidado comigo própria tenho desvalorizado?

Gesto

Agradece ao teu corpo alguma coisa que ele te permitiu viver hoje.


Terça-feira, 8 de Setembro

Vida — Perceber onde desapareço

Frase do dia

“Há rotinas que organizam a vida. E há rotinas onde, sem perceber, deixamos de caber.”

Hoje não precisamos de mudar nada.

Precisamos apenas de observar.

Em que momento do dia deixas de te ouvir?

Quando acordas?

Durante o trabalho?

Quando todos chegam a casa?

Ao jantar?

À noite?

Há alturas em que nos habituamos tanto a responder às necessidades dos outros que já nem percebemos quando começámos a ignorar as nossas.

Observar não é culpar-nos.

É apenas tornar visível aquilo que estava a acontecer em silêncio.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Não conseguimos escolher diferente enquanto não conseguimos reconhecer aquilo que repetimos.

Prática

Escolhe um momento habitual do teu dia e pergunta:

“Onde estou eu aqui?”

Pergunta

Em que parte da minha rotina tenho tendência a esquecer-me de mim?

Gesto

Muda uma pequena coisa nesse momento para te incluir também.


Quarta-feira, 9 de Setembro

Atitude — Fazer espaço em vez de esperar por ele

Frase do dia

“Talvez o tempo para mim nunca apareça sozinho. Talvez eu tenha de começar a protegê-lo.”

Esperamos muitas vezes pelo momento certo.

Quando houver menos trabalho.

Quando os filhos precisarem menos.

Quando a casa estiver organizada.

Quando tivermos mais energia.

Quando a vida acalmar.

Mas a vida raramente fica completamente vazia à nossa espera.

Por isso, talvez cuidar de nós exija também uma atitude:

proteger pequenos espaços antes que tudo os ocupe.

Não precisa de ser muito.

Cinco minutos podem ser um começo.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Há mudanças que não começam quando a vida muda. Começam quando decidimos ocupar um lugar diferente dentro da mesma vida.

Prática

Marca hoje dez minutos na tua agenda como marcarias qualquer outro compromisso.

São teus.

Pergunta

O que aconteceria se começasse a tratar o meu bem-estar como algo que também merece espaço?

Gesto

Cumpre hoje um pequeno compromisso que assumiste contigo.


Quinta-feira, 10 de Setembro

Pensamentos positivos — Trocar exigência por possibilidade

Frase do dia

“Não preciso de fazer tudo para estar a fazer alguma coisa boa por mim.”

Há pensamentos que nos cansam ainda antes de começarmos.

“Não tenho tempo.”

“Já devia ter começado.”

“Não consigo manter nada.”

“Faço sempre tudo mal.”

“Agora já não vale a pena.”

Hoje experimenta trocar a exigência por uma pergunta mais gentil:

O que é possível fazer hoje?

Talvez não sejam trinta minutos de exercício.

Mas podem ser dez.

Talvez não seja uma refeição perfeita.

Mas pode ser uma escolha mais consciente.

Talvez não consigas organizar tudo.

Mas podes resolver uma coisa.

O possível também conta.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Recomeçar não exige perfeição. Exige apenas disponibilidade para voltar.

Prática

Sempre que surgir um pensamento de “tudo ou nada”, acrescenta:

“Qual é a versão possível disto hoje?”

Pergunta

Que expectativa demasiado alta está a impedir-me de reconhecer o que consigo fazer?

Gesto

Escolhe fazer uma coisa pequena em vez de desistir porque não consegues fazer tudo.


Sexta-feira, 11 de Setembro

Fé / Esperança — Confiar nos pequenos passos

Frase do dia

“Nem sempre consigo ver a mudança enquanto ela está a acontecer.”

Algumas mudanças são silenciosas.

Não chegam acompanhadas de grandes decisões.

Não têm uma data exacta.

Não parecem extraordinárias.

Acontecem quando começamos a beber mais água.

Quando voltamos a andar.

Quando descansamos sem tanta culpa.

Quando aprendemos a dizer não.

Quando deixamos de falar connosco de forma tão dura.

Quando, depois de um dia difícil, voltamos a tentar.

Talvez não sintas ainda que mudaste muito.

Mas isso não significa que nada esteja a mudar.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Há caminhos que só conseguimos reconhecer quando olhamos para trás e percebemos quantas pequenas escolhas nos trouxeram até aqui.

Prática

Recorda uma mudança positiva que começou através de um gesto pequeno.

Pergunta

Em que processo preciso de confiar um pouco mais?

Gesto

Faz hoje alguma coisa que a tua versão futura poderá agradecer.


Sábado, 12 de Setembro

Amor — Cuidar de mim também é uma forma de amar

Frase do dia

“O amor que ofereço aos outros não precisa de existir à custa do amor que também devo a mim.”

Para muitas de nós, cuidar dos outros surge naturalmente.

Perguntamos se comeram.

Se chegaram bem.

Se precisam de alguma coisa.

Se estão tristes.

Se descansaram.

Mas quantas vezes fazemos essas mesmas perguntas a nós próprias?

O autocuidado não nos afasta do amor.

Pode tornar a nossa forma de amar mais inteira.

Porque quando deixamos de viver permanentemente esgotadas, também conseguimos estar mais presentes.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Amar verdadeiramente não deveria significar desaparecer para que os outros tenham espaço.

Também precisamos de aprender a permanecer.

Prática

Pergunta-te hoje aquilo que perguntarias a alguém que amas:

“O que precisas?”

E tenta responder com verdade.

Pergunta

Consigo oferecer a mim própria um pouco do cuidado que ofereço tão facilmente aos outros?

Gesto

Faz alguma coisa por ti sem teres de justificar a ninguém porque precisavas dela.


Pergunta da semana

Onde posso voltar a incluir-me?

Talvez não precises de mudar toda a tua rotina.

Talvez exista apenas um pequeno lugar onde possas voltar a entrar.

Na primeira meia hora da manhã.

Na forma como almoças.

Nos teus limites.

Nos teus pensamentos.

No modo como descansas.

Naquilo que aceitas.

Naquilo que deixas de aceitar.

Na hora de dormir.

Nos dez minutos que continuas a achar que não contam.

Conta.

Porque às vezes não precisamos de uma vida nova.

Precisamos de voltar a encontrar-nos dentro da vida que já temos.


Reflexão final

Esta semana não foi sobre fazer mais.

Foi sobre desaparecer menos.

E talvez esta seja uma das partes mais importantes do autocuidado.

Perceber que não precisamos de transformar cada gesto numa meta.

Não precisamos de cumprir sete dias perfeitos.

Não precisamos de chegar ao sábado com todas as caixas assinaladas.

O Calendário SoLu@ continua a ser aquilo que sempre quis que fosse:

um guia, não uma prisão.

Se fizeste apenas um dos exercícios, está bem.

Se houve um dia em que te lembraste de respirar antes de responder, conta.

Se escolheste descansar.

Conta.

Se disseste não.

Conta.

Se voltaste a caminhar.

Conta.

Se percebeste que estavas cansada.

Também conta.

Porque o recomeço de Setembro não precisa de ser espectacular.

Pode simplesmente começar assim:

quando, no meio de tudo aquilo que tens para cuidar, decides não voltar a esquecer-te de ti.


Ligações do mês

Se estás a acompanhar Setembro comigo, continua também por aqui:


Queres viver este mês comigo?

Não precisas de fazer tudo.

Nem de começar tudo agora.

Podes simplesmente escolher uma frase, uma pergunta ou uma prática e levá-la contigo durante o dia.

Se alguma destas palavras te encontrou numa altura em que também estás a tentar voltar a cuidar de ti, conta-me:

Onde sentes que precisas de voltar a incluir-te?

Talvez a tua resposta ajude também alguém que esteja a passar pelo mesmo.


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Se gostas destes momentos de pausa e reflexão, podes acompanhar o SoLu@ também através da newsletter.

Uma carta para irmos falando sobre amor, maternidade, autocuidado, recomeços e esta aprendizagem contínua que é aprender a amar e a viver.

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Calendário SoLu@ — Setembro

Podes acompanhar o mês ao teu ritmo.

📄 Calendário SoLu@ Setembro 2026 — PDF

📅 Adicionar Setembro SoLu@ ao calendário — ICS

Guarda apenas aquilo que te fizer sentido.

Volta quando precisares.

Porque:

o calendário é um guia, não uma prisão.


Perguntas frequentes

Tenho de cumprir todas as práticas do Calendário SoLu@?

Não. O Calendário SoLu@ não é um desafio de produtividade. É um convite à reflexão. Podes escolher apenas as práticas, frases ou perguntas que façam sentido na tua vida.

O que significa autocuidado na vida real?

Significa cuidar de ti dentro das circunstâncias que tens. Pode ser descansar, movimentar o corpo, alimentar-te melhor, pedir ajuda, proteger um limite, parar alguns minutos ou simplesmente reconhecer aquilo de que precisas.

E se eu voltar a esquecer-me de mim?

Volta novamente.

Não transformes isso numa culpa.

O autocuidado também pode ser aprender a recomeçar sem nos castigarmos por termos parado.

Preciso de mudar toda a minha rotina?

Não. Muitas vezes, uma mudança pequena e possível é mais sustentável do que uma transformação radical que não conseguimos manter.

Esta semana, começa apenas por uma pergunta:

Onde posso voltar a incluir-me?

Sexta-feira Nostálgica — Como fazer um recomeço na tua vida?

recomeçar não é apagar o caminho anterior — é continuar de outra maneira

Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Há textos antigos que reencontramos e parecem pertencer a outra pessoa.

E há outros que, apesar dos anos, continuam a fazer-nos perguntas.

“Como fazer um recomeço na tua vida?” é um desses textos.

Quando o escrevi, acreditava — como continuo a acreditar — que há momentos em que precisamos de parar, olhar para a nossa vida e perceber que alguma coisa tem de mudar.

Mas hoje há uma palavra nesse título que leio de maneira diferente:

recomeço.

Porque talvez recomeçar não seja apagar tudo o que ficou para trás.

Talvez não seja começar do zero.

E certamente não significa termos finalmente descoberto a fórmula para fazer tudo bem.

Hoje, em Setembro de 2026, depois de escrever “Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.”, percebo o recomeço de outra forma.

Mais pequena.

Mais possível.

Mais verdadeira.

Recomeçar, para mim, é voltar a escolher o caminho, mesmo levando comigo tudo aquilo que ainda não está resolvido.


1. O texto que reencontrei

“Como fazer um recomeço na tua vida?”

Só o título parece conter uma promessa.

A possibilidade de mudar.

De virar uma página.

De deixar alguma coisa para trás e começar novamente.

Talvez seja por isso que a ideia de recomeço nos atrai tanto.

Gostamos da ideia de uma página em branco.

De uma segunda-feira.

De Setembro.

De Janeiro.

De um aniversário.

De uma data que nos permita dizer:

“Agora vai ser diferente.”

Também eu já fiz isso muitas vezes.

Criei planos.

Defini objectivos.

Prometi a mim própria que iria mudar hábitos, organizar melhor os dias, cuidar mais de mim, fazer exercício, alimentar-me melhor, escrever mais, parar mais, preocupar-me menos.

Algumas coisas consegui.

Outras não.

Algumas comecei e abandonei.

Outras ficaram pelo caminho.

E houve ainda aquelas que só consegui muito mais tarde do que tinha imaginado.

Talvez seja exactamente por isso que hoje consigo regressar a este texto sem sentir que tenho de provar que aprendi finalmente “como se faz um recomeço”.

Não sei se existe uma fórmula.

Sei apenas que já recomecei muitas vezes.

E que cada recomeço me ensinou alguma coisa.


2. Quem eu era quando o escrevi

Quando escrevi este texto, olhava para o recomeço sobretudo como uma oportunidade de mudança.

Havia qualquer coisa bonita nisso.

A esperança de podermos escolher outro caminho.

A convicção de que o passado não tinha de determinar tudo aquilo que ainda viria.

Continuo a acreditar profundamente nisso.

Mas penso que, nessa altura, ainda havia em mim uma certa ideia de que recomeçar significava fazer diferente — e fazer melhor.

Como se fosse possível estabelecer uma fronteira:

antes e depois.

Antes, aquilo que não resultou.

Depois, a nova vida.

Antes, os erros.

Depois, as decisões certas.

Antes, a mulher que não conseguiu.

Depois, a mulher que finalmente conseguiria.

Hoje sorrio um pouco perante essa ideia.

Não porque estivesse errada.

Mas porque a vida me ensinou que não existem fronteiras assim tão perfeitas.

Nós não acordamos numa manhã completamente diferentes.

Não deixamos as inseguranças todas para trás.

Não abandonamos de uma só vez os hábitos que nos fazem mal.

Não passamos a cuidar de nós todos os dias só porque decidimos que chegou o momento.

Levamos connosco muitas coisas.

As boas e as difíceis.

As aprendizagens e os medos.

As conquistas e as fragilidades.

Recomeçamos com a pessoa que já somos.

E talvez seja precisamente isso que torna um recomeço verdadeiro.


3. O que ainda reconheço neste texto

Apesar de tudo o que mudou, há uma coisa que continuo a reconhecer profundamente:

a esperança.

Acredito em recomeços.

Talvez até mais hoje do que acreditava quando escrevi aquelas palavras.

Acredito que podemos mudar de opinião.

Mudar de hábitos.

Mudar prioridades.

Voltar a estudar.

Voltar a amar.

Voltar a escrever.

Voltar a mexer o corpo.

Voltar a cuidar da saúde.

Voltar a sonhar.

Voltar a tentar uma coisa que não conseguimos da primeira vez.

E acredito, sobretudo, que nunca precisamos de esperar por uma data especial para o fazer.

Às vezes o recomeço acontece numa segunda-feira.

Outras vezes acontece numa quinta-feira qualquer, depois do jantar, quando percebemos simplesmente:

“Eu não quero continuar assim.”

Há recomeços que toda a gente vê.

Uma mudança de casa.

Um novo trabalho.

Uma separação.

Um casamento.

Um nascimento.

Uma viagem.

Um projecto.

E há outros que ninguém vê.

Decidir voltar a cuidar de nós.

Parar de falar connosco com tanta dureza.

Aprender a dizer não.

Perdoar alguma coisa.

Aceitar outra.

Voltar a caminhar.

Dormir melhor.

Pedir ajuda.

Escolher paz onde antes escolhíamos conflito.

Esses recomeços quase não fazem barulho.

Mas podem mudar uma vida inteira.


4. O que hoje vejo de maneira diferente

Há poucos dias escrevi no SoLu@:

“Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.”

Esse texto nasceu do balanço dos 30 dias para me sentir melhor no meu corpo.

Eu tinha feito um plano.

Tinha ideias.

Tinha artigos pensados.

Tinha intenções.

E a vida não aconteceu exactamente como estava no calendário.

Não fiz tudo.

Durante muito tempo, talvez tivesse olhado para isso começando pela parte que ficou por fazer.

Hoje tentei olhar primeiro para aquilo que aconteceu.

Voltei ao movimento.

Voltei ao ginásio.

Voltei a prestar atenção ao meu corpo.

Comecei novamente a pensar na importância de ganhar força, de cuidar da alimentação sem viver em culpa e de fazer escolhas que possam contribuir para a qualidade da minha vida no futuro.

Não cumpri o plano todo.

Mas alguma coisa mudou.

E foi aí que percebi uma coisa que se liga profundamente a este texto antigo:

um recomeço não precisa de ser perfeito para ser um recomeço.

Talvez seja esta uma das maiores diferenças entre a mulher que escreveu “Como fazer um recomeço na tua vida?” e a mulher que o relê em 2026.

Antes, eu procurava talvez uma maneira de começar outra vez.

Hoje sei que, muitas vezes, não precisamos de começar outra vez.

Precisamos de continuar.

Continuar de maneira diferente.

Ajustar.

Parar durante algum tempo.

Voltar.

Fazer menos.

Escolher melhor.

Perdoarmo-nos pelo caminho que não cumprimos exactamente como imaginávamos.

Porque começar do zero é uma ilusão.

Nunca começamos do zero.

Começamos com tudo aquilo que vivemos.

Com as quedas.

Com as escolhas erradas.

Com aquilo que funcionou.

Com aquilo que descobrimos sobre nós.

Com as pessoas que amámos.

Com as perdas.

Com as cicatrizes.

Com a experiência.

Começamos exactamente onde estamos.


5. O que esta memória me ensina agora

Setembro chegou ao Calendário SoLu@ com duas palavras:

Autocuidado / Recomeço.

E não poderia haver melhor momento para reencontrar este texto.

Porque Setembro tem essa sensação de início.

As férias terminam.

As escolas recomeçam.

As rotinas reorganizam-se.

Os dias começam lentamente a mudar.

E parece existir no ar aquele convite para voltar a pôr a vida no lugar.

Mas este ano não quero entrar em Setembro com uma lista interminável daquilo que preciso de melhorar.

Quero entrar com outra intenção:

perceber o que vale a pena continuar.

Porque recomeçar também pode ser isto.

Não lançar fora Agosto.

Não considerar os planos incompletos um fracasso.

Não olhar para tudo o que ficou por fazer.

Mas perguntar:

O que aprendi que quero levar comigo?

Quero continuar a mexer o meu corpo.

Quero continuar a cuidar de mim sem transformar esse cuidado numa obrigação pesada.

Quero continuar a aprender que descanso não é preguiça.

Quero continuar a aceitar que há semanas melhores do que outras.

Quero continuar a fazer planos — porque gosto deles e ajudam-me — sem esquecer aquilo que escrevo tantas vezes:

o calendário é um guia, não uma prisão.

E quero continuar a compreender que uma vida com sentido não se constrói apenas nas grandes decisões.

Constrói-se naquilo que repetimos.

No pequeno gesto.

Na escolha de hoje.

No “vou tentar outra vez”.

Talvez um recomeço verdadeiro comece exactamente aí.


6. E tu, o que precisas de recomeçar?

Não vou perguntar:

“Se pudesses mudar a tua vida, o que mudarias?”

É uma pergunta demasiado grande.

Pode até assustar.

Quero perguntar-te outra coisa:

Se pudesses recomeçar apenas uma coisa neste Setembro, qual seria?

Talvez cuidar mais de ti.

Talvez dormir.

Talvez mexer o corpo.

Talvez voltar a ler.

Talvez terminar alguma coisa.

Talvez começar aquilo que tens adiado.

Talvez recuperar uma amizade.

Talvez pôr um limite.

Talvez organizar as tuas finanças.

Talvez procurar ajuda.

Talvez voltar a escrever.

Talvez simplesmente criar dez minutos por dia em que não tens de cuidar de ninguém além de ti.

Escolhe uma coisa.

Não tentes reconstruir a vida inteira numa segunda-feira.

Escolhe um pequeno começo.

E depois pergunta:

Qual é o gesto mais pequeno que posso fazer hoje nessa direcção?

Pode parecer pouco.

Mas a vida também se transforma através das coisas pequenas que decidimos repetir.


7. Da memória para o presente

É talvez esta a parte de que mais gosto nesta Sexta-feira Nostálgica.

Poder olhar para uma pergunta antiga sem sentir que preciso de lhe dar exactamente a mesma resposta.

O texto fica.

A memória fica.

A mulher que o escreveu também fica.

Mas eu continuei a viver.

E viver mudou algumas das minhas respostas.

O Arquivo SoLu@ guarda aquilo que escrevi e aquilo que fui pensando ao longo dos anos.

O SoLu@ de hoje permite-me regressar a essas palavras e perguntar:

Ainda acredito nisto?

Às vezes acredito exactamente da mesma maneira.

Outras vezes acrescentaria alguma coisa.

E, de vez em quando, diria à mulher que escreveu aquelas palavras:

“Espera. A vida ainda te vai ensinar outra forma de olhar para isto.”

Hoje, se tivesse de responder novamente à pergunta:

Como fazer um recomeço na tua vida?

talvez já não escrevesse uma lista muito longa.

Diria apenas:

Começa onde estás.

Não onde gostarias de estar.

Não onde achas que já devias ter chegado.

Não na versão perfeita de ti que imaginaste.

Aqui.

Com aquilo que conseguiste.

Com aquilo que não conseguiste.

Com o que aprendeste.

Com o que ainda dói.

Com o que ainda queres mudar.

E dá um passo.

Só um.

Porque, como escrevi há poucos dias:

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

Talvez seja esta a resposta que o meu texto antigo ainda não conhecia.

Não temos de fazer tudo para recomeçar.

Não temos sequer de ter tudo resolvido.

Às vezes basta voltarmos a escolher-nos.

E amanhã escolhermos outra vez.


🌿 Da memória para o presente

📖 No Arquivo SoLu@:
Como fazer um recomeço na tua vida?

🌿 No SoLu@:
Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

🗓️ Calendário SoLu@ — Setembro – Autocuidado / Recomeço

Este mês não te convida a mudares tudo.

Convida-te a escolher uma coisa que merece ser cuidada — e a começar por aí.

Porque o calendário é um guia, não uma prisão.

E porque talvez recomeçar não seja mudar a vida toda.

Talvez seja apenas voltar a escolher-nos, um pouco de cada vez.

Sexta-feira Nostálgica — Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

O que ficou dos 30 dias para me sentir melhor no meu corpo

Quando criei os 30 dias para me sentir melhor no meu corpo, imaginei um caminho com princípio, meio e fim.

Trinta dias.
Pequenos desafios.
Movimento.
Alimentação.
Reflexões.
Novas rotinas.

E, naturalmente, imaginei também os textos que iria escrever, as experiências que iria partilhar e tudo aquilo que gostaria de cumprir.

Não aconteceu assim.

Não fiz tudo.
Não publiquei tudo.
Não consegui acompanhar todos os dias como tinha pensado.

Durante algum tempo, poderia ter olhado para isso como mais uma coisa que deixei por terminar.

Mas seria injusto.

Porque, quando olho verdadeiramente para estas semanas, percebo que talvez tenha acontecido aquilo que mais importava:

voltei a cuidar de mim.

O calendário é um guia, não uma prisão

Há uma frase que tenho repetido muito no Calendário SoLu@:

O calendário é um guia, não uma prisão.

Talvez estivesse na altura de a aplicar também a mim.

É muito fácil transformar até aquilo que criamos para nos fazer bem numa nova obrigação.

Fazer exercício torna-se uma meta.

Comer melhor transforma-se numa lista de regras.

Descansar passa a ser mais uma tarefa para cumprir.

E até um desafio criado para nos aproximar de nós próprias pode acabar por nos fazer sentir que falhámos quando não conseguimos cumprir todos os dias.

Não quero isso.

Nem para mim, nem para quem acompanha a SoLu@.

Porque a vida não acontece organizada em quadradinhos perfeitos.

Há dias bons.

Há dias cansados.

Há férias, trabalho, filhos, preocupações, imprevistos, mudanças, emoções e momentos em que simplesmente não conseguimos fazer aquilo que tínhamos planeado.

E isso também é viver.

O meu corpo não precisa de ser perfeito

Comecei este caminho porque queria sentir-me melhor no meu corpo.

Não necessariamente ter um corpo diferente.

Sentir-me melhor nele.

Esta distinção tornou-se cada vez mais importante para mim.

O corpo muda.

Mudou com as gravidezes.

Mudou com os anos.

Mudou com as alterações hormonais.

Mudou com a cirurgia.

Mudou com momentos em que me mexi mais e outros em que me mexi menos.

E continua a mudar.

Durante demasiado tempo somos ensinadas a olhar para o corpo quase sempre através daquilo que falta corrigir.

O peso.

A barriga.

As pernas.

A roupa que já não serve.

O número que aparece numa balança.

Mas quero aprender a fazer uma pergunta diferente:

O que precisa o meu corpo de mim para me acompanhar bem nos próximos anos?

Talvez essa seja hoje uma das perguntas mais importantes.

Voltar ao movimento

Uma das mudanças concretas deste período foi o meu regresso ao ginásio.

Não foi um regresso perfeito.

Nem sequer começou da forma ideal.

Já contei a experiência que tive com as avaliações físicas e nutricionais e a sensação de que, muitas vezes, aquilo que deveria ajudar-nos a cuidar melhor de nós acaba envolvido em serviços adicionais, planos e mais pagamentos.

Mas essa experiência também me trouxe uma certeza:

não quero desistir de cuidar de mim só porque o contexto não é perfeito.

O ginásio é apenas um lugar.

O verdadeiro compromisso é comigo.

Quero mexer o corpo.

Quero ganhar força.

Quero preservar músculo.

Quero melhorar a mobilidade.

Quero conseguir subir escadas, caminhar, viajar, carregar sacos, brincar, dançar e viver com autonomia durante muitos anos.

Hoje vejo o exercício muito menos como uma forma de emagrecer e muito mais como uma forma de preparar o meu futuro.

E esta mudança de perspectiva talvez seja uma das maiores conquistas destes 30 dias.

Alimentação sem culpa

Também quis que este caminho tivesse espaço para falar de alimentação.

Mas não queria entrar novamente naquele ciclo que tantas pessoas conhecem:

restrição, culpa, compensação, desistência.

Comer é muito mais do que contar calorias.

É saúde, claro.

Mas também é família.

É memória.

É prazer.

É convívio.

É férias.

É um jantar especial.

É uma mesa cheia de pessoas de quem gostamos.

Quero continuar a aprender a fazer escolhas melhores sem transformar cada escolha menos perfeita numa acusação contra mim própria.

Há espaço para legumes e para sobremesas.

Para água e para um jantar especial.

Para dias muito equilibrados e outros menos.

O importante é aquilo que fazemos na maior parte do tempo.

Cuidar não é castigar.

E quero recordar-me disso.

Fazer o possível também conta

Talvez esta tenha sido a maior aprendizagem.

Durante anos, tive tendência para pensar que, quando começamos alguma coisa, devemos fazê-la bem.

Até ao fim.

Como planeámos.

Hoje começo a perceber que existe outra forma.

Podemos começar.

Interromper.

Adaptar.

Voltar.

Fazer menos.

Recomeçar.

E continuar.

Não publicar todos os artigos desta rubrica não apaga aquilo que vivi.

Não cumprir todos os desafios não transforma estes 30 dias num fracasso.

Porque houve movimento.

Houve consciência.

Houve perguntas.

Houve escolhas diferentes.

E houve sobretudo uma mudança que quero preservar:

comecei novamente a olhar para mim como alguém de quem também preciso de cuidar.

O que quero levar comigo daqui para a frente

Não quero terminar estes 30 dias com uma nova lista impossível.

Quero levar apenas algumas coisas simples comigo:

— mexer o corpo com regularidade;

— trabalhar a força, pensando também no futuro;

— caminhar sempre que puder;

— escolher melhor a alimentação sem transformar a comida em culpa;

— ouvir os sinais do meu corpo;

— respeitar o descanso;

— não esperar pelo corpo perfeito para começar a viver;

— e lembrar-me de que cuidar de mim também é uma forma de cuidar daqueles que amo.

Não sei se conseguirei fazer tudo sempre.

Provavelmente não.

E talvez esteja tudo bem assim.

Não fiz tudo. Mas alguma coisa mudou.

Se tivesse cumprido cada um dos 30 dias, escrito todos os artigos e seguido exactamente aquilo que tinha planeado, talvez este texto fosse outro.

Mas gosto mais desta verdade.

Não fiz tudo.

A vida atravessou o calendário.

Vieram outros acontecimentos, outras prioridades, outros dias.

Mas não voltei exactamente ao ponto de partida.

Alguma coisa ficou.

Estou mais consciente da importância de mexer o corpo.

Percebo melhor que preciso de força para envelhecer com qualidade.

Estou a reaprender a cuidar de mim sem fazer da balança o centro desse cuidado.

E estou a tentar trocar a exigência pela consistência possível.

Talvez seja isso que significa verdadeiramente sentirmo-nos melhor no nosso corpo.

Não gostar de tudo.

Não corrigir tudo.

Não atingir um número perfeito.

Mas conseguir olhar para ele e dizer:

este é o corpo que me trouxe até aqui.
E eu quero cuidar dele para que possa continuar comigo.


Uma pergunta para ti

E tu?

Quando pensas em cuidar melhor do teu corpo, o que seria mais importante neste momento?

Emagrecer?
Ter mais força?
Dormir melhor?
Mexer-te mais?
Comer com menos culpa?
Ou simplesmente voltar a dar atenção a ti própria?

Não precisas de começar com trinta mudanças.

Escolhe uma.

E começa por aí.

Porque talvez cuidar de nós seja exactamente isto:

não fazer tudo.

Mas não nos abandonarmos.

— SoLu@

Ligações SoLu@

→ 30 dias para me sentir melhor no meu corpo
→ Calendário SoLu@
→ Setembro — Autocuidado / Recomeço
→ Começa Aqui

Se também estás a tentar cuidar mais de ti, sem dietas impossíveis, metas perfeitas ou pressa, acompanha o Calendário SoLu@.

Todos os meses encontramos um novo tema, pequenas práticas e perguntas que nos ajudam a viver com mais consciência.

Porque aqui continuamos a acreditar numa coisa simples:

o calendário é um guia, não uma prisão.

Calendário SoLu@ — Setembro: Semana 1 — Voltar Devagar

Calendário SoLu@ Setembro - Semana 1 Voltar devagar

Não preciso de começar tudo de novo. Posso simplesmente começar por aquilo que hoje consigo.

Setembro chega quase sempre com uma estranha sensação de início.

As férias terminam. Os horários reaparecem. Há escolas, Universidades, trabalhos, compromissos, listas, mochilas, deslocações e rotinas para reorganizar.

E parece que, de repente, temos de voltar a saber fazer tudo.

Talvez não.

Talvez o primeiro gesto de autocuidado deste Setembro seja precisamente não tentar resolver Setembro inteiro nos primeiros dias.

Esta primeira semana é curta. Começa a 1 de Setembro, uma terça-feira, e termina no sábado, dia 5.

E talvez isso seja exactamente aquilo de que precisamos.

Cinco dias para não correr.

Cinco dias para observar.

Cinco dias para perceber o que realmente precisa de regressar à nossa vida — e aquilo que já não precisa de regressar connosco.

O tema da semana: Voltar devagar

Recomeçar não significa necessariamente começar outra vez do princípio.

Também não significa regressar exactamente ao lugar onde estávamos antes das férias.

Porque nós também mudámos.

A família mudou.

Os filhos cresceram.

Existem novas etapas, novos horários, novas necessidades e, às vezes, uma nova forma de estar dentro da própria casa.

Por isso, antes de reconstruirmos todas as rotinas antigas, talvez valha a pena perguntar:

Ainda fazem sentido para a vida que tenho hoje?

Setembro pode ser uma oportunidade para fazer diferente.

Não mais.

Melhor para nós.

Intenção da semana

Regressar sem me atropelar.

Quero permitir-me alguns dias de adaptação.

Nem tudo precisa de estar organizado no primeiro dia.

Nem todas as decisões precisam de ser tomadas imediatamente.

Nem todas as rotinas precisam de começar ao mesmo tempo.

Esta semana quero escolher aquilo que é realmente importante e deixar espaço para o resto se ir encontrando.

Frase SoLu@ da semana

“Não preciso de começar tudo de novo. Posso simplesmente começar por aquilo que hoje consigo.”

Há muita serenidade quando deixamos de medir um recomeço pelo número de coisas que conseguimos fazer.

Às vezes, um pequeno passo é suficiente para mudar a direcção.

Prática da semana: escolher três prioridades reais

Pega numa folha, numa agenda ou simplesmente nas notas do telemóvel.

Escreve tudo aquilo que sentes que tens de fazer neste regresso.

Depois olha para a lista e escolhe apenas:

1. Uma prioridade para a família

Pode ser organizar os novos horários, tratar de uma questão escolar ou simplesmente conseguirem voltar a jantar juntos com alguma tranquilidade.

2. Uma prioridade para ti

Pode ser regressar ao exercício, dormir melhor, caminhar, marcar uma consulta, ler, ter alguns minutos de silêncio ou recuperar uma rotina que te fazia bem.

3. Uma prioridade prática

Uma tarefa que, resolvida, simplifica os dias seguintes.

Só três.

O resto continua lá.

Mas não precisa de ser resolvido hoje.

Mini-desafio da semana

Deixar deliberadamente uma coisa para depois.

Não porque te esqueceste.

Não porque falhaste.

Mas porque decidiste conscientemente que não era prioridade.

Há uma diferença enorme entre adiar por desorganização e escolher não fazer ainda porque estamos a proteger o nosso tempo e a nossa energia.

Experimenta.

E observa como te sentes.

Terça-feira, 1 de Setembro — Vida

Frase do dia

“Um novo mês não exige uma nova versão de mim. Apenas presença para continuar.”

Do livro para este dia

Há momentos em que queremos mudar tudo porque sentimos que a mudança nos dará segurança.

Mas a vida raramente se reorganiza de uma só vez.

Vamos aprendendo a viver enquanto vivemos.

E talvez seja precisamente isso que significa crescer: não ter todas as respostas e, ainda assim, continuar.

Prática

Antes de começares a organizar Setembro, escreve:

O que é realmente importante neste momento da minha vida?

Escolhe apenas três coisas.

Pergunta

Estou a organizar a minha vida ou apenas a tentar controlar tudo aquilo que está a mudar?

Pequeno gesto

Faz hoje uma coisa devagar.

Tomar café. Caminhar. Arrumar uma gaveta. Preparar o jantar.

Sem fazer outra coisa ao mesmo tempo.

Quarta-feira, 2 de Setembro — Atitude

Frase do dia

“Não preciso de ter tudo resolvido para estar no caminho certo.”

Do livro para este dia

Nem sempre conseguimos escolher aquilo que acontece.

Mas podemos aprender a escolher a forma como atravessamos aquilo que acontece.

Há uma liberdade discreta nesta escolha.

Não resolve tudo.

Mas muda a maneira como carregamos o dia.

Prática

Quando surgir alguma coisa inesperada hoje, experimenta substituir:

“Isto não devia estar a acontecer.”

por:

“Como posso lidar com isto da melhor forma possível?”

Pergunta

Onde estou a gastar energia a resistir ao que já é realidade?

Pequeno gesto

Resolve apenas uma pequena coisa que tens vindo a adiar.

Uma.

E celebra o espaço que ficou.

Quinta-feira, 3 de Setembro — Pensamentos positivos

Frase do dia

“Nem tudo aquilo que falta é sinal de que estou atrasada.”

Do livro para este dia

Temos tendência para olhar para aquilo que ainda não fizemos.

A tarefa em falta.

O objectivo que ainda não atingimos.

A vida que ainda não conseguimos organizar.

Mas há também tudo aquilo que já fizemos.

Tudo aquilo que aprendemos.

Tudo aquilo que conseguimos atravessar.

Talvez hoje possamos olhar também para aí.

Prática

Antes de te deitares, escreve três frases:

Hoje consegui…

Hoje cuidei de…

Hoje agradeço…

Pergunta

Tenho reconhecido aquilo que faço ou apenas reparado no que ficou por fazer?

Pequeno gesto

Diz a alguém — ou a ti própria —:

“Fizeste o que podias hoje.”

Sexta-feira, 4 de Setembro — Fé e Esperança

Frase do dia

“Nem tudo precisa de estar claro para eu continuar a acreditar.”

Do livro para este dia

Existem fases em que gostaríamos de saber antecipadamente como tudo vai correr.

Os estudos.

Os filhos.

O trabalho.

As decisões.

Os caminhos que começam.

Mas grande parte da vida acontece precisamente nessa zona onde ainda não sabemos.

Esperança talvez seja isso:

continuar a caminhar mesmo quando ainda não conseguimos ver o caminho inteiro.

Prática

Pensa numa preocupação que tens neste momento.

Escreve duas colunas:

Aquilo que depende de mim.
Aquilo que não depende de mim.

Hoje ocupa-te apenas da primeira.

Pergunta

O que preciso de aprender a confiar em vez de tentar controlar?

Pequeno gesto

Antes de dormir, fica alguns minutos em silêncio.

Sem procurar respostas.

Apenas respirando.

Sábado, 5 de Setembro — Amor

Frase do dia

“Amar também é dar espaço para que cada um encontre o seu próprio caminho.”

Do livro para este dia

Durante muitos anos, amar os nossos filhos significa fazer muito por eles.

Preparar.

Ensinar.

Proteger.

Acompanhar.

Depois chega outra fase.

Continuamos a amar exactamente com a mesma intensidade, mas precisamos de aprender uma linguagem diferente.

Confiar.

Esperar.

Estar disponível.

E permitir que façam algumas escolhas sozinhos.

Também isso é amor.

Prática

Escolhe hoje alguém de quem gostas e pergunta apenas:

“Como estás?”

Depois escuta verdadeiramente a resposta, sem tentar imediatamente resolver.

Pergunta

Consigo amar sem sentir que tenho de resolver tudo por quem amo?

Pequeno gesto

Um abraço demorado.

Uma mensagem.

Um café partilhado.

Uma presença sem telemóvel.

Nada extraordinário.

Apenas amor na vida real.

Pergunta da semana

O que preciso realmente de retomar?

Não aquilo que fazia antes.

Não aquilo que os outros esperam.

Não aquilo que parece obrigatório porque Setembro chegou.

Aquilo que realmente faz falta à vida que estou a viver agora.

Talvez seja uma rotina.

Talvez seja cuidar melhor de ti.

Talvez seja voltar a mexer o corpo.

Talvez seja dormir.

Talvez seja escrever.

Talvez seja conversar mais.

Talvez seja simplesmente criar algum espaço.

Reflexão final

Setembro ainda agora começou.

Não precisamos de saber como será o mês inteiro.

Muito menos como serão os próximos meses.

Há novos caminhos a começar dentro das nossas famílias. Os filhos crescem, entram em novas etapas, ganham autonomia e obrigam-nos também a descobrir uma nova forma de sermos mães.

E, enquanto tudo se reorganiza à nossa volta, precisamos de recordar uma coisa:

nós também fazemos parte desta vida.

Não precisamos de chegar ao fim do dia depois de todos.

Não precisamos de voltar às rotinas abandonando-nos pelo caminho.

Podemos começar devagar.

Escolher.

Adaptar.

Experimentar.

Mudar de ideias.

E amanhã continuar.

Um dia de cada vez.

Ligações de Setembro

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado e Recomeço

→ Calendário SoLu@

→ Começa Aqui. – Para quem chegou agora à SoLu@.

→ Ser Melhor – Autocuidado, crescimento pessoal, hábitos e uma vida com mais sentido.

E durante Setembro iremos continuar a caminhar por:

Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas
Semana 3 — Deixar crescer
Semana 4 — Encontrar um novo equilíbrio

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Perguntas frequentes

O que é o Calendário SoLu@?

É um calendário mensal de reflexão e desenvolvimento pessoal, com temas, frases, perguntas e práticas simples para trazer mais consciência à vida quotidiana.

Tenho de cumprir todas as práticas?

Não.

Nunca.

Escolhe aquilo que fizer sentido para ti e para o momento que estás a viver.

Posso começar o calendário depois do início do mês?

Claro.

Não existe atraso num calendário que pretende ajudar-nos a viver com mais presença.

Começa no dia em que chegares.

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