Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar.

Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar | SoLu@

Há sonhos que deixamos para trás. Outros que aprendemos a viver de maneira diferente. E há aqueles que só descobrimos depois de termos percorrido um longo caminho.

Quando somos mais novos, imaginamos a vida de uma determinada maneira.

Fazemos planos, construímos sonhos, definimos metas. Acreditamos que sabemos quem queremos ser, o que queremos alcançar e como será o nosso futuro.

Depois, a vida acontece.

Chegam as escolhas, as responsabilidades, o amor, a maternidade, as alegrias inesperadas e também as desilusões. Há caminhos que seguimos por vontade própria e outros que nunca imaginámos ter de percorrer.

E, quase sem darmos conta, começamos a mudar.

Mudam as nossas prioridades. Mudam as pessoas de quem cuidamos. Muda aquilo que esperamos da vida.

Às vezes, até os sonhos que um dia nos fizeram levantar da cama deixam de fazer sentido.

E isso pode assustar-nos.

Porque fomos ensinados a acreditar que devemos perseguir os nossos sonhos até ao fim. Que desistir é falhar. Que mudar de rumo significa não ter conseguido chegar onde queríamos.

Mas será mesmo assim?

Quando os sonhos deixam de ser os mesmos

Hoje, quando olho para trás, percebo que nem todos os sonhos que tive continuam a ser os meus sonhos.

Alguns concretizaram-se. Outros ficaram pelo caminho. E há aqueles que perderam importância porque, entretanto, descobri coisas que passaram a valer muito mais.

A vida ensinou-me que nem sempre conseguimos ter tudo, fazer tudo ou ser tudo aquilo que imaginámos.

Também me ensinou que existem formas de felicidade que nunca teríamos sabido desejar quando éramos mais novos.

Talvez porque só a experiência nos permite compreender o verdadeiro valor de certas coisas.

O tempo com quem amamos. A tranquilidade de uma casa. A saúde. A liberdade de sermos quem somos. A possibilidade de continuar a aprender, mesmo quando julgávamos já saber tanto.

E, sobretudo, a paz de não precisarmos de provar constantemente que estamos a chegar a algum lado.

O propósito também cresce connosco

Durante muito tempo, podemos acreditar que o nosso propósito está ligado a uma profissão, a uma conquista ou a um grande objectivo.

Queremos construir uma carreira, formar uma família, alcançar estabilidade, realizar um sonho antigo.

E não há nada de errado nisso.

Mas o propósito não tem necessariamente de ser uma missão grandiosa, nem precisa de permanecer igual durante toda a vida.

Pode mudar quando nos tornamos mães.

Pode transformar-se quando os filhos crescem e começam a construir os seus próprios caminhos.

Pode ganhar outro significado depois de uma perda, de uma doença, de uma desilusão ou de um recomeço.

Pode até surgir numa fase em que sentimos que precisamos de voltar a olhar para nós.

Porque, por vezes, passamos tantos anos a cuidar, a trabalhar, a organizar e a responder às necessidades dos outros que nos esquecemos de perguntar:

E eu? O que quero continuar a construir nesta fase da minha vida?

Não se trata de deixar de amar ou de cuidar.

Trata-se de reconhecer que também temos direito a continuar a crescer.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Nesta Sexta-feira Nostálgica, regresso a uma proposta do antigo Calendário da Felicidade, guardado no Arquivo SoLu@.

Dia 30 — «Defina uma meta que ligue ao seu propósito na vida!»

Uma frase simples, mas que hoje me faz pensar de outra maneira.

Talvez, quando a li pela primeira vez, tivesse pensado numa meta concreta, num objectivo a alcançar, numa coisa importante para fazer.

Hoje, a pergunta que me acompanha é um pouco diferente:

Aquilo que estou a tentar alcançar ainda faz sentido para a pessoa que sou agora?

Porque também podemos continuar a perseguir objectivos antigos apenas por hábito, por receio de desiludir alguém ou porque nos custa admitir que mudámos.

E talvez uma das aprendizagens mais importantes da vida seja perceber que podemos escolher novamente.

Sem apagar o passado.

Sem desvalorizar aquilo que já fizemos.

Sem sentir que estamos a começar do zero.

Nem sempre precisamos de um novo sonho. Às vezes, precisamos de uma nova forma de viver.

Há fases em que não sabemos exactamente o que queremos.

Sabemos apenas que algumas coisas já não nos fazem tão felizes como antes.

Sentimos necessidade de mais tempo, mais calma, mais verdade. Ou de recuperar algo de nós que ficou esquecido entre tantas responsabilidades.

Nessas alturas, talvez não precisemos de encontrar imediatamente uma nova missão.

Talvez precisemos apenas de nos escutar.

De voltar a fazer algo de que gostamos.

De aprender uma coisa nova.

De escrever.

De cuidar melhor da nossa saúde.

De recuperar uma amizade.

De dedicar tempo a um projecto que ficou adiado.

Ou simplesmente de permitir que os dias tenham mais espaço para aquilo que nos faz bem.

Um propósito também pode começar num gesto pequeno.

E não precisa de impressionar ninguém para ter valor.

Uma pequena prática para esta semana

Hoje, convido-te a reservar alguns minutos para pensar em três perguntas:

  1. Que sonho antigo já não faz sentido para mim?
    Não para o lamentar, mas para reconhecer aquilo que mudou.
  2. O que continua a dar sentido aos meus dias?
    Pode ser uma pessoa, uma actividade, um valor, um projecto ou uma forma de estar na vida.
  3. Que pequena meta posso definir para me aproximar daquilo que hoje considero importante?
    Uma meta possível, concreta e minha.

Não precisamos de transformar todas as reflexões em grandes decisões.

Às vezes, basta perceber que há algo que queremos fazer de maneira diferente.

E dar o primeiro passo.

De Outubro para Novembro: continuar a caminhar

Outubro convidou-nos a olhar para a vida com mais optimismo e esperança.

A acreditar outra vez. A confiar no que cresce. A encontrar alguma luz nos dias difíceis. A olhar em frente.

Agora, à medida que nos aproximamos de Novembro, surge um novo convite: reconhecer o caminho percorrido e continuar a aprender.

Porque a esperança também precisa de movimento.

Não basta acreditar que as coisas podem mudar. Em determinados momentos, precisamos de encontrar coragem para fazer escolhas, experimentar outros caminhos e aceitar que ainda temos muito para descobrir.

Talvez o próximo capítulo não seja aquele que imaginámos há vinte anos.

Talvez seja diferente.

Mais simples. Mais consciente. Mais próximo daquilo que realmente importa.

E talvez isso também seja uma forma de realizar os nossos sonhos.

Para guardar no coração

Os meus sonhos mudaram. E eu também. Não preciso de ser fiel a todos os planos que fiz, mas quero continuar a ser fiel àquilo que dá sentido à minha vida.

Hoje, não quero medir o meu caminho apenas pelos sonhos que consegui concretizar.

Quero também reconhecer tudo aquilo que aprendi, as pessoas que amei, os desafios que atravessei e a mulher em que me fui tornando.

Porque crescer também é aceitar que podemos mudar de ideias, de prioridades e de direcção.

E continuar a acreditar que ainda há coisas bonitas por viver.

Com carinho,
SoLu@


E tu?

Há algum sonho que deixaste para trás e que, hoje, percebes que já não precisas de realizar?

Ou há um sonho novo, ainda pequenino, que começa agora a ganhar espaço na tua vida?

Se te apetecer, partilha comigo. Talvez a tua reflexão ajude outra pessoa a perceber que mudar de caminho também pode ser uma forma de continuar.

Do Arquivo para o presente: visita o Arquivo SoLu@ e acompanha o Calendário SoLu@, onde cada mês é um convite para viver com mais consciência, um dia de cada vez.

O calendário é um guia, não uma prisão.

Quando tudo parece difícil, lembrar aquilo que também correu bem

Quando tudo parece difícil, lembrar o que correu bem

Há dias em que a vida pesa tanto que nos esquecemos de reconhecer aquilo que, apesar de tudo, continua a correr bem.

Há fases da vida em que parece que tudo acontece ao mesmo tempo.

Uma preocupação com os filhos. Uma notícia que não esperávamos. Um problema de saúde. Uma situação familiar que nos tira o sono. Planos que não se concretizam, decisões difíceis, responsabilidades que se acumulam.

E, quando damos por nós, estamos tão concentradas no que falta resolver que deixamos de reparar naquilo que já conseguimos ultrapassar.

Eu própria reconheço esta tendência.

Há dias em que me deito a pensar em tudo o que ficou por fazer, nas preocupações que continuam sem resposta e naquilo que gostaria de conseguir mudar.

Como mãe, como mulher, como alguém que procura cuidar dos seus e construir uma vida com sentido, nem sempre é fácil desligar a cabeça.

Por vezes, parece que uma preocupação substitui outra. E, quando finalmente conseguimos resolver alguma coisa, já estamos a pensar no próximo problema.

Mas será que, no meio de tudo isto, também conseguimos reconhecer aquilo que correu bem?

Quando as dificuldades ocupam todo o espaço

A nossa atenção tem uma forma curiosa de funcionar.

Podemos ter vivido um dia com vários momentos tranquilos e, ainda assim, chegar à noite a pensar apenas naquele que nos magoou, preocupou ou desiludiu.

Uma conversa difícil parece apagar outras conversas boas.

Uma notícia menos positiva parece pesar mais do que várias pequenas alegrias.

E uma situação que não conseguimos controlar pode fazer-nos esquecer tantas outras em que fomos capazes de encontrar soluções.

Não significa que sejamos ingratas ou pessimistas.

Significa, muitas vezes, que estamos cansadas, preocupadas ou simplesmente a tentar dar resposta a demasiadas coisas.

Mas também significa que precisamos, de vez em quando, de recuperar uma visão mais completa da nossa própria vida.

Porque a vida não é feita apenas daquilo que nos corre mal.

Também é feita daquilo que conseguimos, do que aprendemos, das pessoas que permanecem e dos pequenos momentos que nos ajudam a continuar.

Uma memória do Arquivo SoLu@

Ao revisitar os textos antigos do SoLu@, encontro muitas vezes mensagens que continuam a fazer sentido no presente.

No Dia 23 do antigo calendário de Outubro Otimista, a proposta era simples:

Escrever três coisas específicas que correram bem recentemente.

Parece um exercício pequeno.

E é.

Mas talvez seja precisamente por isso que merece ser recuperado.

Não nos pede que ignoremos os problemas, que escondamos a tristeza ou que finjamos que tudo está bem.

Convida-nos apenas a recordar que, mesmo quando estamos a atravessar dificuldades, podem existir acontecimentos positivos que passaram quase despercebidos.

E que também fazem parte da nossa história.

Três coisas que também correram bem

Pensei no valor deste exercício para a minha própria vida.

Nem sempre precisamos de encontrar grandes acontecimentos.

Às vezes, aquilo que correu bem foi uma conversa com um filho que nos deixou mais tranquilas.

Um momento à mesa em família.

Uma preocupação que afinal não se confirmou.

Uma tarefa que conseguimos terminar depois de vários dias a adiá-la.

Uma gargalhada inesperada.

Ou simplesmente termos conseguido enfrentar um dia difícil sem desistir de nós próprias.

Há pequenas vitórias que ninguém vê.

E há gestos tão habituais que deixamos de lhes reconhecer o valor.

Talvez porque estamos sempre à espera de algo maior.

De uma solução definitiva.

De uma fase mais tranquila.

De um momento em que tudo esteja finalmente no seu lugar.

Mas a vida raramente nos oferece essa perfeição.

E, enquanto esperamos por ela, podemos deixar passar muitos dos momentos que também mereciam ficar guardados.

A gratidão não apaga aquilo que dói

Há uma coisa que considero importante esclarecer.

Não acredito numa gratidão que nos obrigue a sorrir quando estamos tristes.

Nem num optimismo que nos faça sentir culpadas por termos medo, dúvidas ou dias menos bons.

Há situações verdadeiramente difíceis. Há perdas que deixam marcas. Há preocupações que não desaparecem apenas porque decidimos pensar de forma positiva.

E está tudo bem em reconhecer isso.

Ser grata não significa estar satisfeita com tudo o que acontece na nossa vida.

Significa conseguir reconhecer o que tem valor, mesmo quando outras coisas continuam a doer.

Podemos estar preocupadas com o futuro de alguém que amamos e, ao mesmo tempo, agradecer a oportunidade de estarmos presentes na sua vida.

Podemos sentir saudades de quem já partiu e continuar a encontrar motivos para sorrir.

Podemos estar cansadas e reconhecer que, apesar de tudo, fizemos o melhor que conseguimos.

As duas realidades podem existir ao mesmo tempo.

E talvez seja essa uma das formas mais maduras de viver a esperança.

Não negar a dificuldade, mas também não permitir que ela conte sozinha toda a nossa história.

O que a memória nos pode ensinar

Quando olho para trás, percebo que já existiram momentos em que pensei que não conseguiria encontrar uma solução.

Houve situações que me preocuparam profundamente.

Decisões que me fizeram duvidar.

Mudanças que não desejava.

E acontecimentos que alteraram a forma como imaginava o futuro.

Nem tudo se resolveu como eu queria.

Algumas coisas continuam sem resposta.

Mas outras acabaram por encontrar o seu caminho.

E eu própria fui aprendendo, muitas vezes sem perceber, a lidar com realidades que antes me pareciam impossíveis.

É por isso que considero tão importante guardar memórias.

Não apenas as fotografias dos dias felizes ou as datas especiais.

Também as pequenas conquistas, os gestos de coragem, as dificuldades ultrapassadas e os momentos em que a vida nos surpreendeu pela positiva.

Porque, quando voltamos a atravessar uma fase difícil, essas memórias podem recordar-nos algo essencial:

Já houve dias em que também não sabíamos como continuar. E, de alguma forma, encontrámos o passo seguinte.

Isso não garante que tudo vá correr bem amanhã.

Mas pode ajudar-nos a acreditar que ainda existem possibilidades que hoje não conseguimos ver.

Um pequeno exercício para esta sexta-feira

Hoje, convido-te a recuperar a proposta do Arquivo SoLu@.

Pega num caderno, numa folha ou simplesmente nas notas do telemóvel.

E escreve:

1. Uma coisa que correu bem esta semana.

Pode ser algo simples, mas procura recordar exactamente o que aconteceu.

2. Uma situação que conseguiste enfrentar melhor do que esperavas.

Talvez não tenha sido perfeita. Talvez tenha exigido esforço. Mas reconhece a tua participação nesse caminho.

3. Um momento ou uma pessoa que te fez sentir bem.

Uma conversa, uma presença, uma mensagem, um gesto de carinho ou um instante de tranquilidade.

Depois, relê aquilo que escreveste.

Não para te convenceres de que tudo está bem.

Mas para recordares que nem tudo está mal.

E, se hoje não conseguires encontrar três coisas, escreve apenas uma. Se nem isso for possível, não te julgues. Podes voltar ao exercício noutro dia.

A gratidão também precisa de espaço, de liberdade e de verdade.

Talvez precisemos de olhar para a nossa vida com mais ternura

Nem sempre damos a nós próprias o reconhecimento que merecemos.

Somos rápidas a identificar o que falhou, aquilo que não fizemos ou o que ainda precisamos de melhorar.

Mas raramente paramos para reconhecer tudo o que já sustentámos.

As noites mal dormidas.

As preocupações silenciosas.

As decisões tomadas com medo.

As vezes em que continuámos a cuidar de alguém, mesmo quando também precisávamos de cuidado.

E os pequenos momentos em que conseguimos fazer a diferença.

Talvez hoje seja um bom dia para reconhecer tudo isso.

Não como uma forma de nos conformarmos com aquilo que desejamos mudar.

Mas como um gesto de justiça para com a nossa própria história.

Porque também merecemos recordar aquilo que fizemos bem.

Reflexão final SoLu@

Há dias em que a vida parece mostrar-nos apenas aquilo que falta.

Falta tempo. Falta descanso. Falta uma resposta. Falta a tranquilidade que tanto desejamos.

Mas, se olharmos com atenção, talvez descubramos que também existem coisas que permanecem.

O amor de alguém.

Uma pequena conquista.

Uma dificuldade que já ultrapassámos.

Um gesto que nos fez sorrir.

Uma esperança que, apesar de tudo, ainda não desapareceu.

E talvez seja suficiente para começarmos a olhar para o amanhã com um pouco mais de confiança.

SoLu@ — “Nem tudo correu como eu queria. Mas, quando olho para trás com carinho, descubro que também houve tanto que correu bem.”

Com carinho,

SoLu@

Amor Incondicional · Aprender a Amar e a Viver…

Sugestão de Leitura

Como manter a esperança quando a vida não acontece como imaginámos

Como manter a esperança quando a vida muda — SoLu@

Nem todos os sonhos se realizam como os desenhámos. Mas isso não significa que a vida tenha deixado de guardar coisas bonitas para nós.

Há momentos em que olho para a vida e penso em tudo aquilo que imaginei que seria diferente.

Nos planos que fiz. Nos sonhos que alimentei. Nas certezas que tive e que, com o passar dos anos, se foram transformando em perguntas.

Quando somos mais novos, imaginamos tantas coisas…

Imaginamos o amor, a família, os filhos, o trabalho, a estabilidade, a saúde e até a pessoa que acreditamos que vamos ser.

Fazemos planos como se a vida fosse uma estrada que pudéssemos desenhar antecipadamente.

E depois crescemos.

Vivemos.

Amamos.

Perdemos.

Aprendemos.

E percebemos que nem sempre a vida acompanha aquilo que o nosso coração tinha imaginado.

Mas será que uma vida diferente daquela que sonhámos é necessariamente uma vida menos bonita?

Tenho pensado muito nisto.

Sobretudo porque, com os anos, comecei a compreender que uma das aprendizagens mais difíceis é aceitar aquilo que não podemos mudar, sem deixar de acreditar naquilo que ainda podemos construir.

Quando os planos deixam de fazer sentido

Há sonhos que se realizam.

Outros que ficam pelo caminho.

E há aqueles que continuam dentro de nós, mas que já não sabemos se fazem sentido na pessoa em que nos transformámos.

Às vezes, não é uma grande tragédia que muda a nossa vida.

É uma sucessão de pequenas mudanças.

Uma expectativa que não se concretiza.

Uma relação que se transforma.

Uma preocupação com quem amamos.

Uma oportunidade que não chega.

Uma fase da vida que termina antes de estarmos preparados para a deixar partir.

Ou simplesmente a descoberta de que aquilo que desejávamos aos vinte anos já não corresponde ao que precisamos aos cinquenta.

Durante muito tempo, podemos sentir que falhámos porque não chegámos onde queríamos.

Mas hoje pergunto-me:

Será que falhámos ou será que a vida nos levou por caminhos que ainda estamos a aprender a compreender?

Nem sempre sabemos responder.

E talvez não precisemos de encontrar uma resposta imediatamente.

Aceitar não é desistir

Uma das coisas que tenho aprendido é que aceitar a realidade não significa gostar de tudo o que aconteceu.

Não significa concordar com as injustiças, esquecer as perdas ou deixar de desejar uma vida melhor.

Aceitar é reconhecer onde estamos.

É olhar para a nossa história sem continuar a exigir que o passado seja diferente.

É compreender que há coisas que não podemos alterar, por mais que as pensemos, por mais que nos culpemos ou por mais que desejemos voltar atrás.

E isto torna-se especialmente difícil quando aquilo que nos preocupa não é apenas a nossa felicidade, mas também a felicidade de quem amamos.

Como mãe, há momentos em que gostaria de conseguir proteger os meus filhos de todas as dificuldades.

Gostaria que a vida lhes fosse leve.

Que tivessem saúde, oportunidades, amor, amigos verdadeiros e confiança suficiente para seguirem os seus sonhos.

Mas sei que não posso escolher todos os caminhos por eles.

Não posso evitar todas as desilusões.

Nem garantir que o futuro será exactamente como desejo.

Posso amar, acompanhar, cuidar e estar presente. Mas também tenho de aprender a confiar na vida que eles próprios irão construir.

Talvez seja uma das formas mais difíceis de esperança: continuar a acreditar sem ter garantias.

A tristeza pelos sonhos que não aconteceram

Nem sempre falamos da tristeza que sentimos por aquilo que não chegou a acontecer.

Falamos do luto por alguém que perdemos, de uma separação ou de uma mudança importante.

Mas também podemos sentir tristeza por uma vida que imaginámos e que nunca chegou a existir.

Pela profissão que não seguimos.

Pelas oportunidades que deixámos passar.

Pelas relações que gostaríamos que tivessem sido diferentes.

Pelos momentos que pensávamos que ainda teríamos.

Ou pela versão de nós próprias que, em determinada altura, acreditámos que seríamos.

Essa tristeza merece ser reconhecida.

Não precisamos de a esconder atrás de frases positivas.

Nem de fingir que tudo acontece por uma razão que conseguimos compreender.

Há acontecimentos dolorosos que simplesmente não gostaríamos de ter vivido.

E podemos admitir isso.

A esperança verdadeira não exige que estejamos sempre bem. Permite-nos sentir tristeza e, ainda assim, não desistir da possibilidade de voltar a encontrar alegria.

Quando a esperança precisa de mudar de forma

Durante muito tempo, talvez tenhamos associado a esperança à concretização de um desejo.

Esperar que determinada situação se resolva.

Que alguém mude.

Que uma oportunidade apareça.

Que um problema desapareça.

Que tudo volte a ser como antes.

Mas há momentos em que precisamos de transformar a nossa maneira de esperar.

Talvez já não seja possível recuperar exactamente o que perdemos.

Talvez não consigamos concretizar um determinado sonho.

Talvez a nossa vida nunca volte a ser como era.

E isso custa.

Mas podemos começar a perguntar:

O que ainda é possível construir a partir daqui?

Talvez a esperança deixe de estar num grande acontecimento futuro e passe a viver em pequenos gestos.

Numa conversa sincera.

Num abraço inesperado.

Num novo interesse.

Na coragem de pedir ajuda.

Num momento tranquilo em família.

Numa manhã em que acordamos com vontade de tentar novamente.

Não é pouco.

Às vezes, é precisamente assim que começamos a reconstruir o sentido da nossa vida.

Rever expectativas com mais gentileza

Tenho aprendido que nem todas as expectativas que criamos nos fazem bem.

Algumas ajudam-nos a crescer.

Outras transformam-se em exigências demasiado pesadas.

Queremos ser boas mães, boas companheiras, boas profissionais, boas filhas.

Queremos estar disponíveis para todos.

Queremos fazer as escolhas certas.

Queremos que nada de mau aconteça às pessoas que amamos.

E, quando alguma coisa corre de forma diferente, começamos a procurar aquilo que poderíamos ter feito melhor.

Mas será justo exigir tanto de nós próprias?

Hoje acredito que precisamos de aprender a olhar para as nossas escolhas com a consciência de quem somos agora, mas também com o respeito por quem éramos quando as fizemos.

Naquele momento, não sabíamos tudo o que sabemos hoje.

Não conhecíamos todos os caminhos.

Não podíamos prever todas as consequências.

Fizemos escolhas com os recursos, os sentimentos e o conhecimento que tínhamos.

Isso não significa que não tenhamos cometido erros.

Significa apenas que somos humanas.

E ser humana também é aprender a perdoar a mulher que fomos, enquanto continuamos a cuidar da mulher que estamos a tornar-nos.

A vida ainda pode surpreender-nos

Há uma coisa que a vida me tem mostrado: nem todas as coisas boas chegaram quando eu esperava.

Algumas vieram mais tarde.

Outras surgiram de formas que nunca teria imaginado.

E algumas só consegui reconhecer depois de atravessar momentos difíceis.

Não acredito que todas as dificuldades existam para nos ensinar alguma coisa.

Há dores que preferíamos nunca ter conhecido.

Mas acredito que, mesmo depois dessas dores, podemos encontrar novas formas de viver, amar e dar significado aos nossos dias.

Talvez não seja possível voltar ao ponto onde estávamos.

Mas pode ser possível descobrir um caminho diferente.

Não necessariamente melhor.

Não necessariamente mais fácil.

Apenas um caminho que ainda pode ser nosso.

E isso também é esperança.

Uma pequena prática SoLu@ — Rever os planos sem me julgar

Esta semana, convido-te a reservar alguns minutos para escrever.

Não para fazer uma lista de tudo o que falta conquistar, mas para olhar com carinho para o caminho percorrido.

1. O que imaginei para a minha vida que acabou por acontecer de forma diferente?

Escolhe uma situação. Não precisas de revisitar todas as desilusões.

2. O que ainda me custa aceitar?

Dá espaço ao sentimento, sem tentares encontrar imediatamente uma solução.

3. O que continua a ser importante para mim?

Talvez o sonho tenha mudado, mas o valor que estava por detrás dele continue presente.

4. O que posso fazer hoje com aquilo que tenho?

Procura um gesto pequeno, concreto e possível.

5. Que expectativa posso aliviar?

Talvez não precises de desistir do sonho. Talvez precises apenas de deixar de exigir que aconteça exactamente como imaginaste.

Mini desafio da semana

Durante os próximos dias, sempre que te apanhares a pensar «A minha vida já devia estar diferente», experimenta substituir esse pensamento por uma pergunta:

«O que posso cuidar ou construir na vida que tenho hoje?»

Não é uma forma de negar o que falta.

É uma forma de reconhecer que o presente também merece a nossa atenção.

Reflexão final — Ainda há vida por viver

Hoje sei que não posso voltar atrás e mudar todos os caminhos.

Não posso recuperar todos os momentos.

Não posso impedir todas as dificuldades.

E não posso garantir que amanhã será exactamente como desejo.

Mas posso continuar a amar.

Posso aprender.

Posso cuidar melhor de mim e dos outros.

Posso mudar de opinião.

Posso fazer novos planos.

Posso reconhecer que alguns sonhos terminaram e permitir que outros comecem.

Sobretudo, posso lembrar-me de que a minha história não se resume ao que não aconteceu.

Também é feita de tudo aquilo que consegui viver, construir, ultrapassar e amar.

Talvez a esperança seja isso.

Não acreditar que a vida vai obedecer aos nossos planos, mas confiar que ainda podemos encontrar sentido, amor e momentos felizes no caminho que temos pela frente.

E, mesmo quando esse caminho é diferente do que imaginámos, continua a merecer ser vivido.

Com amor,

SoLu@ — Amor Incondicional

«Nem sempre a vida acontece como sonhámos. Mas enquanto houver amor, coragem e vontade de continuar, ainda há páginas por escrever.»

E tu?

Há algum sonho ou expectativa que tiveste de aprender a transformar?

Se te fizer sentido, partilha a tua reflexão nos comentários. Talvez a tua experiência ajude alguém que esteja a atravessar um momento semelhante.

Sugestão de Leitura

Também precisamos de agradecer à mulher que fomos

Mulher num momento de reflexão e gratidão pelo caminho percorrido.

Há uma mulher dentro de nós que atravessou dias difíceis, cuidou de tanta gente, adiou sonhos e continuou, mesmo quando ninguém reparou. Talvez esteja na hora de lhe agradecer.

Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança

Ser Melhor | Sexta-feira Nostálgica

Quando foi a última vez que agradeceste a ti própria?

Há dias em que olhamos para a nossa vida e pensamos em tudo o que ainda falta fazer.

As tarefas por terminar. Os sonhos que ficaram à espera. As decisões que poderíamos ter tomado de outra maneira. Aquilo que não conseguimos mudar.

Somos tantas vezes exigentes connosco próprias.

Queremos ser melhores mães, melhores companheiras, melhores filhas, melhores profissionais. Queremos estar presentes, cuidar, compreender, resolver e encontrar forças para continuar.

Mas raramente paramos para reconhecer tudo aquilo que já fizemos.

E hoje, ao revisitar uma reflexão antiga do meu Arquivo SoLu@, encontrei um convite que me parece cada vez mais importante:

Agradecer a nós próprias.

Não apenas pelo que conquistámos, mas também por tudo aquilo que enfrentámos para chegar até aqui.

O trabalho invisível de uma mulher

Há um trabalho que não aparece nos currículos, nas fotografias de família ou nas conversas sobre sucesso.

É o trabalho de quem se lembra das consultas, das preocupações, das necessidades de cada pessoa.

De quem percebe quando um filho não está bem, mesmo quando ele responde que está tudo bem.

De quem organiza, antecipa, acompanha e tenta encontrar soluções.

De quem cuida dos outros e, tantas vezes, deixa as próprias necessidades para depois.

E não falo apenas de tarefas domésticas.

Falo daquele trabalho emocional que acompanha tantas mulheres ao longo da vida.

As preocupações que levamos para a cama. As perguntas para as quais ainda não temos respostas. O desejo de proteger quem amamos, mesmo sabendo que nem tudo depende de nós.

Por vezes, estamos tão habituadas a fazer tudo isto que deixamos de reconhecer o esforço que representa.

Como se cuidar fosse uma obrigação que não merecesse reconhecimento.

Mas merece.

Porque aquilo que fazemos por amor também exige tempo, energia, coragem e, muitas vezes, uma parte de nós.

À mulher que fui…

Hoje gostava de olhar para trás com um pouco mais de ternura.

Para a jovem que tinha tantos sonhos e ainda não sabia o que a vida lhe iria ensinar.

Para a mulher que aprendeu a amar, a construir uma família e a descobrir a maternidade.

Para a mãe que tantas vezes teve dúvidas, receios e inseguranças, mas procurou fazer o melhor que sabia.

Para a mulher que enfrentou mudanças, perdas, preocupações e momentos em que a vida não aconteceu como tinha imaginado.

Talvez nem sempre tenha tomado as melhores decisões.

Talvez tenha exigido demasiado de si própria.

Talvez tenha passado anos a pensar primeiro nos outros e só depois em si.

Mas fez um caminho.

Aprendeu. Errou. Recomeçou.

E, sobretudo, continuou.

Hoje não quero olhar para essa mulher apenas com os olhos de quem sabe o que aconteceu depois.

Quero olhá-la com a compreensão que talvez lhe tenha faltado naquele tempo.

Obrigada à mulher que fui, por ter feito o melhor que conseguia com aquilo que sabia, sentia e tinha naquele momento.

Nem tudo aquilo que fizemos foi perfeito. E está tudo bem.

Durante muitos anos, podemos carregar a sensação de que devíamos ter feito mais.

Ter tido mais paciência.

Ter estado mais presentes.

Ter percebido mais cedo determinadas situações.

Ter cuidado melhor de nós.

Mas existe uma diferença entre aprender com o passado e continuar a castigar-nos por ele.

Hoje sabemos coisas que antes desconhecíamos.

Temos experiências que ainda não tínhamos vivido.

Compreendemos melhor determinadas escolhas, comportamentos e acontecimentos.

E isso não significa que a mulher de ontem tenha falhado.

Significa que a mulher de hoje cresceu.

Agradecer a quem fomos não é fingir que fizemos tudo bem.

É reconhecer o esforço, aceitar as imperfeições e permitir que o passado nos ensine sem continuar a magoar-nos.

E quem cuida de quem cuida?

Esta é uma pergunta que me acompanha cada vez mais.

Quando passamos tantos anos a cuidar da família, a acompanhar o crescimento dos filhos e a preocupar-nos com o bem-estar de quem amamos, podemos esquecer-nos de perguntar:

E eu? Como estou verdadeiramente?

Não é egoísmo querer descansar.

Não é falta de amor precisar de tempo para nós.

Não é abandonar ninguém reconhecer que também temos limites.

Talvez uma das aprendizagens mais importantes da maturidade seja compreender que o nosso valor não depende apenas daquilo que fazemos pelos outros.

Somos mais do que as nossas responsabilidades.

Também temos sentimentos, sonhos, necessidades e uma identidade que merece espaço.

E podemos continuar a amar profundamente a nossa família sem deixar de cuidar da mulher que existe para além dela.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Esta reflexão nasce de um dos exercícios do antigo calendário que fui partilhando nos Blogs SAPO, inspirado no movimento Action for Happiness.

No Dia 16, o convite era simples: agradecer a si próprio.

Na altura, talvez fosse apenas mais um pequeno exercício de gratidão e crescimento pessoal.

Hoje, ao revisitá-lo, encontro nele um significado mais profundo.

Porque o tempo muda a forma como olhamos para aquilo que vivemos.

E os textos antigos têm essa capacidade bonita de nos devolver perguntas que, anos depois, continuam a fazer sentido.

O Arquivo SoLu@ guarda precisamente isso: a memória da mulher que fui, das palavras que escrevi, das ideias em que acreditei e das aprendizagens que me acompanharam.

Não quero apagar essa mulher para dar lugar à mulher que sou hoje.

Quero que as duas possam conversar.

Porque uma não existiria sem a outra.

A esperança também nasce daquilo que já conseguimos superar

Outubro é, no Calendário SoLu@, o mês do Optimismo e da Esperança.

E há uma forma de esperança que nem sempre reconhecemos.

Aquela que nasce quando olhamos para trás e percebemos:

Já enfrentámos dias que julgávamos não conseguir atravessar.

Já encontrámos soluções para problemas que pareciam não ter resposta.

Já aprendemos a viver com mudanças que não escolhemos.

Já recomeçámos mais vezes do que imaginávamos.

Isto não significa que o futuro seja fácil ou que tudo acabe por correr como desejamos.

Mas recorda-nos que temos uma história de aprendizagem, adaptação e coragem.

A esperança não precisa de nascer da certeza de que tudo vai correr bem. Pode nascer da confiança de que continuaremos a procurar o melhor caminho possível.

Um pequeno exercício de gratidão por ti

Hoje proponho-te algo diferente.

Em vez de escreveres uma lista de tudo aquilo por que estás grata, escreve uma pequena carta à mulher que foste.

Pensa em três momentos da tua vida:

1. Um momento em que foste corajosa.

Mesmo que ninguém tenha percebido o medo que sentias.

2. Um momento em que cuidaste de alguém.

Mesmo que esse gesto tenha passado despercebido.

3. Um momento em que continuaste.

Mesmo sem saber exactamente como seria o dia seguinte.

Agora termina esta frase:

«Obrigada à mulher que fui por…»

Não precisas de escrever muito.

Talvez algumas palavras sejam suficientes para começares a olhar para ti com mais carinho.

Para terminar…

Hoje quero agradecer à mulher que fui.

Àquela que sonhou, que amou, que cuidou, que teve medo, que chorou e que encontrou motivos para sorrir.

Àquela que nem sempre soube o que fazer, mas procurou fazer o melhor que conseguia.

Àquela que tantas vezes se colocou em último lugar.

E também àquela que, aos poucos, está a aprender que merece fazer parte das suas próprias prioridades.

Não sei tudo o que o futuro me reserva.

Sei apenas que quero continuar a aprender, a amar e a viver com mais consciência.

E que não preciso de desvalorizar a mulher que fui para me tornar na mulher que desejo ser.

Porque também merecemos ser reconhecidas por nós próprias.

Com carinho,

SoLu@ — Amor Incondicional

«Hoje agradeço à mulher que fui. Não por ter feito tudo bem, mas por nunca ter deixado de aprender a viver.»


E tu?

Se hoje pudesses encontrar a mulher que eras há dez ou vinte anos, o que lhe dirias?

Talvez não precisasses de lhe dar conselhos.

Talvez bastasse abraçá-la e dizer:

Obrigada. Fizeste o melhor que sabias. Agora deixa-me continuar.

Partilha comigo, nos comentários: pelo que gostarias de agradecer à mulher que foste?

Continua este caminho comigo

Este texto integra o Calendário SoLu@ de Outubro de 2026 — Optimismo e Esperança.

Descobre as reflexões e pequenas práticas do mês em Calendário SoLu@ — Outubro.

E, se gostas de encontrar nas palavras um espaço para pensar, sentir e crescer, acompanha a Newsletter SoLu@.

Porque não precisamos de fazer tudo de uma vez. Podemos continuar, um dia de cada vez.

Sugestão de Leituras:

Quando deixamos de procurar culpados e começamos a procurar caminho

Caminho símbolo de esperança e de novos caminhos

Às vezes, a esperança começa quando deixamos de perguntar «De quem foi a culpa?» e começamos a perguntar «O que posso fazer agora?».

Sexta-feira Nostálgica | Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança

Há pensamentos antigos que regressam à nossa vida com um significado diferente.

Não porque tenham deixado de fazer sentido, mas porque nós mudámos.

Crescemos. Vivemos. Errámos. Desiludimo-nos. Aprendemos que nem sempre temos razão, que nem sempre conseguimos evitar o sofrimento e que há acontecimentos para os quais nunca encontramos uma explicação verdadeiramente satisfatória.

Hoje, nesta Sexta-feira Nostálgica, volto a uma reflexão que escrevi no âmbito do calendário de Outubro Optimista:

«Evite culpar a si mesmo ou aos outros…»

Uma frase aparentemente simples, mas que, quando olhamos para a nossa própria vida, pode tornar-se bastante mais complexa.

Porque será assim tão fácil deixar de procurar culpados?

E será que deixar de culpar significa deixar de responsabilizar?

Quando alguma coisa corre mal, queremos encontrar uma explicação

Penso que todos nós já passámos por momentos em que sentimos necessidade de perceber por que razão alguma coisa aconteceu.

Uma decisão que não correu como esperávamos.

Uma relação que nos magoou.

Uma oportunidade que perdemos.

Uma palavra que dissemos e da qual nos arrependemos.

Ou uma situação que, por mais que tentássemos, não conseguimos controlar.

Nesses momentos, é tão fácil cair na procura de culpados.

Por vezes, culpamos os outros porque sentimos que foram injustos connosco.

Outras vezes, voltamos a culpa contra nós próprias:

Se eu tivesse feito diferente…

Se tivesse percebido mais cedo…

Se tivesse dito alguma coisa…

Se tivesse tomado outra decisão…

E ficamos ali, a repetir mentalmente aquilo que já não conseguimos mudar.

Como se encontrar o momento exacto em que tudo correu mal pudesse devolver-nos a possibilidade de escrever outra história.

Mas o passado não muda só porque continuamos a interrogá-lo.

E, por vezes, nessa procura incessante de explicações, esquecemo-nos de olhar para aquilo que ainda podemos fazer.

Nem tudo é culpa nossa. Mas há coisas pelas quais somos responsáveis.

Com o passar dos anos, fui percebendo que existe uma diferença muito importante entre culpa e responsabilidade.

A culpa, quando se transforma numa condenação permanente, prende-nos ao que aconteceu.

A responsabilidade, pelo contrário, pode ajudar-nos a compreender, reparar e seguir em frente.

Não significa que todas as situações sejam iguais.

Há momentos em que cometemos erros e precisamos de os reconhecer.

Há outros em que alguém nos magoou e essa pessoa deve assumir a responsabilidade pelos seus actos.

E há acontecimentos que simplesmente não dependiam de nós.

Deixar de procurar culpados não significa desculpar tudo, aceitar injustiças ou fingir que nada aconteceu.

Significa aprender a distinguir aquilo que podemos mudar daquilo que precisamos de aceitar, sem confundir aceitação com resignação.

Podemos reconhecer uma injustiça e estabelecer limites.

Podemos admitir um erro e pedir desculpa.

Podemos sofrer uma desilusão e decidir não continuar numa situação que nos faz mal.

E podemos, sobretudo, deixar de carregar responsabilidades que nunca foram nossas.

A vida também me ensinou a olhar para mim

Quando revisito os meus textos antigos, encontro muitas vezes uma versão de mim que procurava respostas para quase tudo.

Acreditava, e continuo a acreditar, na importância dos pensamentos positivos, da esperança e da nossa atitude perante a vida.

Mas hoje sei que ser positiva não significa estar sempre bem.

Que ter esperança não significa acreditar que tudo vai correr exactamente como desejamos.

E que assumir a responsabilidade pela nossa felicidade não significa sermos culpadas por tudo aquilo que nos acontece.

Há dias difíceis.

Há perdas que não conseguimos evitar.

Há decisões que tomamos com a informação e a maturidade que tínhamos naquele momento.

E há situações em que fazemos o melhor que sabemos, mesmo que, mais tarde, percebamos que poderíamos ter feito diferente.

Talvez crescer também seja isto:

Aprender a olhar para a mulher que fomos com mais compreensão e para a mulher que somos com mais responsabilidade.

Sem negar os erros.

Sem apagar as dores.

Mas também sem transformar cada falha numa sentença para toda a vida.

E se, em vez de procurar culpados, procurássemos um caminho?

Esta é a pergunta que hoje retiro daquela reflexão antiga.

Quando alguma coisa corre mal, podemos continuar a perguntar:

Porque é que isto me aconteceu?

Quem teve a culpa?

Porque não fiz diferente?

Mas talvez, depois de reconhecermos o que aconteceu e o que sentimos, possamos acrescentar outras perguntas:

O que posso aprender com esta experiência?

O que está ao meu alcance mudar?

Que limites preciso de estabelecer?

Há alguma coisa que possa reparar?

Qual é o próximo passo possível?

Nem sempre encontramos respostas imediatas.

Nem sempre existe uma solução simples.

E nem todos os caminhos nos levam exactamente ao lugar onde gostaríamos de chegar.

Mas procurar um caminho devolve-nos alguma capacidade de agir.

Mesmo quando esse caminho começa apenas por descansar, pedir ajuda, conversar ou aceitar que precisamos de tempo.

A esperança também vive nas soluções pequenas

Neste mês de Outubro, em que o Calendário SoLu@ nos convida a cultivar o Optimismo e a Esperança, esta reflexão ganha um significado especial.

Porque o optimismo que hoje procuro não é aquele que ignora os problemas.

É um optimismo mais consciente.

Que reconhece as dificuldades, mas não desiste de procurar possibilidades.

Que aceita que há coisas que não conseguimos resolver sozinhas.

Que compreende que pedir ajuda também é uma forma de avançar.

E que nos lembra que um erro não precisa de definir toda a nossa história.

Às vezes, a solução não é mudar tudo.

É mudar uma atitude.

Ter uma conversa que adiámos.

Pedir desculpa.

Perdoarmo-nos por não termos sabido fazer melhor.

Estabelecer um limite.

Ou simplesmente decidir que já não queremos continuar a viver presas à mesma pergunta.

Porque há perguntas que nos ajudam a compreender.

E há outras que, quando repetidas sem fim, apenas prolongam o sofrimento.

Do Arquivo SoLu@ para a vida de hoje

Quando comecei a escrever sobre estes temas, inspirada pelos calendários de felicidade e bem-estar, procurava sobretudo partilhar pequenas atitudes que nos ajudassem a viver de forma mais positiva.

Hoje, ao recuperar essas palavras, sinto vontade de lhes acrescentar aquilo que a vida me foi ensinando.

Não basta dizer a alguém para deixar de culpar.

É preciso reconhecer que, por detrás da culpa, pode existir tristeza, arrependimento, medo, injustiça ou uma dor que ainda não encontrou lugar.

E que cada pessoa precisa do seu tempo para compreender o que viveu.

Talvez a verdadeira mensagem não seja simplesmente «Não procures culpados».

Talvez seja:

«Reconhece o que aconteceu, assume o que te pertence, deixa o que não é teu e procura, com esperança, o caminho que ainda podes construir.»

É esta a reflexão que hoje acrescento ao meu antigo texto.

Porque o Arquivo SoLu@ não é apenas um lugar onde guardo palavras do passado.

É também um lugar onde posso reencontrar quem fui e perceber o quanto a vida me transformou.

Uma pequena prática para esta semana

Se existe alguma situação que ainda te pesa, convido-te a reservar uns minutos para escrever três frases:

  1. O que aconteceu? — Descreve os factos, sem te julgares.
  2. O que me pertence e o que não dependeu de mim? — Distingue responsabilidade de culpa.
  3. O que posso fazer agora? — Escolhe um pequeno passo possível, mesmo que seja apenas procurar apoio ou dar-te tempo.

Não precisas de resolver tudo hoje.

Nem de encontrar imediatamente uma resposta.

Às vezes, o primeiro passo é simplesmente deixar de te castigar por aquilo que já não podes mudar.

Para terminar…

Continuo a acreditar que os nossos pensamentos, palavras e atitudes fazem diferença na forma como vivemos.

Mas hoje acredito também que precisamos de ser mais gentis connosco.

Que a esperança não nasce de negar os problemas, mas de acreditar que ainda podemos encontrar maneiras de lidar com eles.

E que há uma enorme diferença entre viver à procura de culpados e viver disposta a aprender.

Talvez não possamos mudar aquilo que aconteceu ontem.

Mas podemos escolher o que fazer com aquilo que aprendemos.

E, às vezes, é nessa escolha que começa um novo caminho.

SoLu@ — «Não posso mudar todos os acontecimentos da minha vida. Mas posso aprender a não ficar para sempre presa à culpa e a procurar, com esperança, o próximo caminho.»


E tu?

Há alguma situação da tua vida em que sentiste que procurar uma solução te ajudou mais do que continuar à procura de culpados?

Se te fizer sentido, partilha a tua reflexão nos comentários.

Continua a caminhar comigo no SoLu@.

Descobre o Calendário SoLu@ e acompanha as reflexões de Outubro sobre Optimismo e Esperança.

Com carinho,

SoLu@

Se quiseres continuar esta reflexão

Talvez também gostes de ler:

Outubro no Calendário SoLu@ — Optimismo & Esperança
Um mês para aprender a cultivar esperança sem ignorar aquilo que custa.

Eu já procurava razões para ter esperança

Razões para ter esperança — reflexão SoLu@ sobre optimismo e esperança

Sexta-feira Nostálgica | Outubro — Optimismo & Esperança

Há palavras às quais regressamos muitas vezes ao longo da vida. Não porque continuemos no mesmo lugar, mas porque crescemos e aprendemos a entendê-las de outra maneira.

Esperança é uma dessas palavras.

Ao preparar este mês de Outubro e regressar aos textos antigos do Arquivo SoLu@, encontrei-me novamente em 2020.

Desde essa altura, fui acompanhando os calendários da Action for Happiness e levando algumas das propostas diárias para os meus antigos Blogs SAPO.

Eram pequenos desafios.

Parar.

Pensar.

Criar hábitos.

Procurar felicidade.

Ser gentil.

Acreditar.

Cuidar de nós e dos outros.

Eu pegava nessas sugestões e transformava-as em reflexões ligadas àquilo que estava a viver.

Hoje, quando olho para esses textos, percebo que muitas das sementes do actual Calendário SoLu@ já estavam ali.

Ainda sem este nome.

Ainda sem esta estrutura.

Mas já com a mesma vontade:

viver com mais consciência, mais amor e mais sentido.

Outubro de 2020: começar pelas metas

No dia 1 de Outubro de 2020, escrevi:

«Outubro otimista — Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês.»

Na altura queria recomeçar a conquista dos meus Bons Hábitos.

Um dos meus objectivos era cuidar melhor da alimentação.

Não apenas por mim, mas também pela minha família.

Mas nesse texto aparecia outra preocupação que, olhando para trás, continua muito presente em tudo aquilo que escrevo:

cuidar de mim sem deixar a vida passar ao lado.

Escrevi:

«Sei que há situações que eu não consigo controlar mas tenho que ter força para cuidar de mim, gostar de mim, ter uma melhor auto-estima…»

E recuperei também uma ideia ligada à maternidade:

«Hoje apetece-me dizer-te para não passares ao lado da tua vida com os teus filhos porque é nas pequenas coisas, no quotidiano da vida que o mais importante e o que mais influencia, acontece.»

As minhas metas para Outubro ficaram então muito simples:

cuidar melhor de mim
e
não deixar a vida passar ao lado, vivendo-a com quem amo.

Seis anos depois, continuo a reconhecer-me nestas palavras.

Dia 2: procurar motivos para ter esperança

No dia seguinte, voltei ao calendário.

O desafio era:

«Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis.»

E escrevi cinco razões.

1.º Motivo

Quero ser feliz e fazer os outros felizes.

Na altura escrevi que essa felicidade dependia de mim, dos meus pensamentos, palavras e acções.

Hoje talvez acrescentasse uma nuance.

Nem tudo depende de nós.

Nem sempre conseguimos escolher aquilo que nos acontece.

Nem conseguimos simplesmente pensar positivo e apagar aquilo que dói.

Mas continuamos a poder escolher muitas pequenas coisas.

A forma como tratamos alguém.

A forma como falamos connosco.

O cuidado que colocamos num gesto.

A decisão de procurar ajuda.

A escolha de tentar novamente.

Talvez a felicidade não dependa inteiramente de nós.

Mas podemos participar nela.

2.º Motivo

Tudo o que damos, recebemos em dobro.

Hoje leio esta frase de forma menos literal e mais humana.

Nem sempre recebemos da mesma pessoa.

Nem recebemos imediatamente.

E talvez nem recebamos exactamente aquilo que demos.

Mas acredito profundamente que aquilo que colocamos no mundo importa.

O cuidado deixa marcas.

A presença deixa marcas.

Uma palavra dita na altura certa pode ficar connosco durante anos.

E o amor que damos transforma-nos também a nós.

Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de receber de volta.

3.º Motivo

Ser gentil é grátis.

Esta continua a ser uma das ideias mais simples e mais poderosas.

Não sabemos o que a pessoa ao nosso lado está a viver.

Uma palavra pode aliviar um dia difícil.

Um gesto pode fazer alguém sentir-se visto.

Uma mensagem pode chegar precisamente quando era necessária.

Não conseguimos resolver todos os problemas das outras pessoas.

Mas podemos escolher não acrescentar mais peso.

Às vezes, a esperança também se transmite assim:

através da forma como tratamos alguém.

4.º Motivo

Um belo sorriso é contagioso.

Hoje talvez não dissesse que precisamos de sorrir sempre.

Há dias em que não conseguimos.

E tudo bem.

Mas continuo a acreditar na força daqueles pequenos momentos que mudam o ambiente à nossa volta.

Um sorriso verdadeiro.

Uma gargalhada inesperada.

Uma brincadeira.

Um instante de leveza no meio de uma fase difícil.

Não eliminam aquilo que dói.

Mas lembram-nos que a dor não ocupa necessariamente todo o espaço.

Ainda existe vida ao lado dela.

5.º Motivo

Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

Talvez esta seja a frase que mais mudou comigo.

Em 2020, «nunca desistir» parecia-me uma ideia muito clara.

Hoje continuo a acreditar nos sonhos.

Mas aprendi que não desistir nem sempre significa continuar exactamente pelo mesmo caminho.

Às vezes, precisamos de parar.

Mudar.

Reformular.

Aceitar que determinado sonho já não faz sentido.

Ou perceber que podemos chegar ao mesmo lugar de outra maneira.

Há sonhos que se transformam connosco.

E isso não significa fracassar.

Significa crescer.

Talvez hoje escrevesse:

Não desistas demasiado depressa daquilo que verdadeiramente importa para ti. Mas permite-te mudar a forma de lá chegar.

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Foi assim que terminei aquele pequeno texto em 2020.

E esta talvez seja a frase que mais me tocou quando o reli.

Porque, seis anos depois, continuo a acreditar nela.

Mas hoje entendo melhor o que significa ter esperança.

Não é acreditar que tudo vai acontecer como imaginámos.

Não é garantir que amanhã será fácil.

Não é negar o medo, a perda, a dúvida ou o cansaço.

Esperança, para mim, tornou-se algo mais profundo.

É acreditar que, mesmo quando não conseguimos ver o caminho inteiro, podemos procurar o próximo passo.

A esperança mudou comigo

A vida entretanto aconteceu.

Vieram mudanças.

Filhos que cresceram.

Novos ciclos.

Perdas.

Recomeços.

Planos que resultaram.

Outros que tiveram de mudar.

Dias de muita confiança.

E dias em que a esperança precisou de ser muito pequena.

Talvez por isso hoje tenha mais cuidado quando digo a alguém:

«Vai correr tudo bem.»

Porque não sabemos.

O que podemos dizer talvez seja:

«Não sei como tudo vai correr, mas não precisas de resolver tudo hoje.»

Ou:

«Vamos encontrar o próximo passo.»

Essa esperança parece-me mais verdadeira.

De cinco motivos para uma vida inteira

Quando escrevi aqueles cinco motivos em 2020, provavelmente não imaginava que voltaria a eles seis anos depois.

Mas gosto de perceber que a essência continua aqui.

Felicidade.

Dar.

Gentileza.

Alegria.

Sonhos.

Esperança.

Talvez tenha mudado sobretudo a forma como olho para cada uma destas palavras.

A felicidade deixou de ser uma meta permanente.

A gentileza tornou-se também gentileza comigo própria.

Os sonhos aprenderam a adaptar-se à vida.

E a esperança deixou de ser apenas a certeza de que as coisas melhorariam.

Passou a ser:

a vontade de continuar a procurar sentido, mesmo quando nem tudo faz sentido.

Talvez o Calendário SoLu@ tenha começado antes de ter este nome

Ao reler estes textos, percebo também que existe uma continuidade.

Desde 2020, fui escrevendo sobre muitos dos temas que hoje fazem parte do projecto SoLu@:

felicidade,
hábitos,
amor,
maternidade,
autocuidado,
gentileza,
presença,
sonhos,
optimismo,
esperança.

Na altura, inspirava-me nos calendários da Action for Happiness e transformava algumas das suas sugestões em reflexões pessoais.

Hoje existe o Calendário SoLu@.

Tem uma identidade própria.

Tem os seus temas mensais.

Os seus eixos diários.

As suas perguntas.

As suas práticas.

As suas histórias.

Mas gosto de reconhecer as raízes.

Porque aquilo que somos hoje também é feito das pequenas coisas que começámos muitos anos antes.

Outubro de 2020. Outubro de 2026.

Em Outubro de 2020 escrevia metas.

Queria melhorar hábitos.

Cuidar da alimentação.

Cuidar de mim.

Não deixar a vida passar ao lado.

E procurava razões para ter esperança.

Em Outubro de 2026, o Calendário SoLu@ dedica o mês ao:

Optimismo & Esperança

Talvez pareça coincidência.

Eu prefiro pensar que é caminho.

Há temas que regressam porque ainda temos alguma coisa para aprender com eles.

E talvez seja precisamente essa a beleza de escrever durante tantos anos.

Podemos voltar atrás.

Podemos conversar com quem éramos.

E podemos perceber:

eu não estou no mesmo lugar.

Mas aquela mulher continua a fazer parte de mim.

A pergunta que deixo para este Outubro

Em 2020 procurei cinco motivos para ter esperança.

Hoje quero deixar-te o mesmo desafio.

Mas sem obrigação de encontrares cinco.

Pode ser apenas um.

Pergunta-te:

Qual é, hoje, o meu motivo para ter esperança?

Talvez seja alguém que amas.

Uma possibilidade.

Um projecto.

Um filho.

Uma amizade.

Uma recuperação.

Uma pequena mudança.

Uma fé.

Um sonho que ainda guardas.

Ou simplesmente a certeza de que amanhã é outro dia.

Escreve-o.

Não para fingires que está tudo bem.

Mas para te lembrares de que, mesmo nos tempos difíceis, nem tudo está perdido.


Do Arquivo para o presente

Esta Sexta-feira Nostálgica nasceu da releitura de dois textos que escrevi em Outubro de 2020, no contexto dos calendários da Action for Happiness:

«Outubro otimista – Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês»

e

“Outubro Otimista – Dia 2: Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis“

Na altura escrevi:

1. Quero ser feliz e fazer os outros felizes.
2. Tudo o que damos, recebemos em dobro.
3. Ser gentil é grátis.
4. Um belo sorriso é contagioso.
5. Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

E terminei:

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Seis anos depois, talvez escolha outras palavras.

Mas não quero perder aquela intenção.

Porque algumas ideias amadurecem.

Outras transformam-se.

E algumas continuam simplesmente a lembrar-nos quem sempre fomos.

Para levares contigo

SoLu@ — «Esperança não é acreditar que tudo vai acontecer como desejamos. É encontrar, mesmo no meio da incerteza, uma razão para continuar a dar o próximo passo.»

Se quiseres continuar esta reflexão

Talvez também gostes de ler:

Outubro no Calendário SoLu@ — Optimismo & Esperança
Um mês para aprender a cultivar esperança sem ignorar aquilo que custa.

Setembro não mudou tudo. Mas ensinou-me a recomeçar de outra maneira.
Porque nem todos os recomeços transformam tudo de uma vez — e talvez não seja preciso.

Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação
Uma reflexão sobre cuidar de nós de uma forma mais realista, possível e gentil.

A mulher que eu era também faz parte da mulher que sou

Mulher a reflectir sobre quem era, crescimento pessoal e recomeços

Sexta-feira Nostálgica | Uma conversa entre aquilo que escrevi em 2021 e aquilo que hoje sei sobre a vida

Há textos antigos que nos fazem sorrir.

Outros fazem-nos pensar:

Eu ainda sou esta pessoa?

E depois existem aqueles que nos devolvem perguntas que nunca ficaram verdadeiramente respondidas.

Foi o que aconteceu quando voltei ao Arquivo SoLu@ e encontrei um texto que escrevi em Maio de 2021:

“Mãe, qual é o sentido da vida?”

A pergunta tinha sido feita pelo meu filho.

À noite.

Daquelas perguntas pequenas no número de palavras e enormes em tudo o resto.

Na altura respondi-lhe.

Cinco anos depois, voltei a ler a minha resposta.

E desta vez fiquei a olhar não apenas para aquilo que escrevi, mas também para a mulher que escreveu aquelas palavras.

Será que hoje responderia da mesma maneira?

“Mãe, qual é o sentido da vida?”

Em 2021, escrevi que o meu filho me tinha perguntado qual era o sentido da vida.

Respondi-lhe falando de fazer o bem, de viver plenamente, de aproveitar as oportunidades, de procurar ser feliz e de contribuir também para a felicidade daqueles que nos rodeiam.

E, antes de me despedir dele naquela noite, disse-lhe uma coisa que continuo a sentir:

“Tu és um dos propósitos da minha vida.”

Cinco anos depois, continuo a reconhecer aquela mãe.

Continuo a acreditar profundamente no amor.

Continuo a acreditar que aquilo que fazemos pelos outros importa.

Continuo a acreditar que as nossas escolhas podem deixar o mundo — ou simplesmente a vida de alguém — um pouco melhor.

Mas talvez hoje acrescentasse algumas coisas àquela resposta.

Os nossos filhos podem ser um propósito. Mas não podem ser todo o nosso propósito.

Esta talvez seja uma das coisas que o tempo me ensinou.

Durante muitos anos, uma enorme parte da minha vida esteve naturalmente organizada à volta dos meus filhos.

Os horários.

A escola.

As preocupações.

As refeições.

As actividades.

Os sonhos deles.

As dificuldades.

As conquistas.

A necessidade permanente de estar presente.

E eu quis estar.

Ainda quero.

Mas os filhos crescem.

Começam a fazer escolhas sem nós.

Partem para os seus caminhos.

Descobrem pessoas, lugares, sonhos e versões deles próprios que já não conseguimos controlar — nem devemos.

E talvez seja precisamente quando eles começam a voar que surge uma pergunta inesperada para nós, mães:

E eu?

Quem sou quando já não precisam de mim da mesma maneira?

O que quero continuar a construir?

O que me faz feliz?

Onde estão os meus sonhos?

O que dá sentido à minha vida nesta nova fase?

Talvez o sentido da vida também vá mudando

Em 2021 procurei responder àquela pergunta.

Hoje talvez aceitasse melhor que não tenho uma resposta definitiva.

E isso já não me inquieta da mesma forma.

Talvez porque tenha percebido que o sentido da vida não precisa de ser uma grande missão escrita para sempre.

Pode mudar.

Pode ter fases.

Há momentos em que o nosso propósito parece ser cuidar.

Outros em que precisamos de aprender.

Outros de sobreviver.

Outros de reconstruir.

Há momentos de partir e outros de ficar.

Há épocas em que fazemos planos.

E outras em que a própria vida os faz por nós.

Talvez viver com sentido seja também aprender a reconhecer aquilo que cada fase nos está a pedir.

A mulher de 2021 procurava respostas

Ao reler aquele texto, percebi outra coisa.

Eu procurava respostas.

Queria compreender.

Queria encontrar uma espécie de fio que ligasse aquilo que vivemos à razão por que estamos aqui.

Hoje continuo a fazer perguntas.

Mas talvez já não tenha tanta necessidade de encontrar uma resposta absoluta para todas elas.

Porque a vida ensinou-me que podemos viver coisas para as quais nunca encontraremos uma explicação satisfatória.

Há perdas que não conseguimos compreender.

Mudanças que não pedimos.

Sonhos que não aconteceram.

Pessoas que partiram.

Caminhos que tivemos de abandonar.

E existem também surpresas bonitas que nunca tínhamos planeado.

Talvez amadurecer seja perceber que podemos continuar a viver com sentido mesmo quando não compreendemos completamente aquilo que a vida nos trouxe.

Fazer as pazes com aquilo que fomos

Foi isto que mais senti ao reler o texto.

Não quero corrigir a mulher que o escreveu.

Não quero dizer-lhe:

“Hoje já não escreverias isto assim.”

Claro que não.

Passaram cinco anos.

A vida aconteceu.

Eu mudei.

Mas aquela mulher sabia aquilo que podia saber naquele momento.

Amava como sabia amar.

Educava como sabia educar.

Procurava respostas com a experiência que tinha.

Sonhava a partir da vida que conhecia.

E tudo isso também me trouxe até aqui.

Talvez uma das formas mais bonitas de crescimento seja conseguirmos olhar para trás sem vergonha da pessoa que fomos.

Sem a julgar permanentemente com os olhos da pessoa que somos hoje.

Podemos simplesmente dizer:

Estavas a aprender.

Tal como eu continuo a aprender.

Isto também é autocuidado

Setembro tem sido, no Calendário SoLu@, um mês de Autocuidado e Recomeço.

Falámos de voltar devagar.

De nos incluirmos novamente nas nossas próprias rotinas.

De deixar os filhos crescer.

De encontrar novos equilíbrios.

De cuidar de nós sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação.

E agora percebo que falta acrescentar outra coisa:

autocuidado também pode ser fazer as pazes com a nossa própria história.

Perdoar algumas escolhas.

Compreender algumas decisões.

Aceitar que nem sempre sabíamos o que estávamos a fazer.

E reconhecer que houve versões nossas que tiveram de ser muito fortes para que hoje pudéssemos estar aqui.

“Cada pessoa segue o seu caminho”

Há uma frase que encontrei nos comentários daquele texto antigo.

Escrevi:

“Cada pessoa segue o seu caminho e faz a diferença no mundo.”

Em 2021 provavelmente pensei sobretudo nos nossos filhos e nas pessoas a quem tentamos transmitir alguma coisa.

Hoje leio-a de outra maneira.

Porque também nós continuamos a seguir o nosso caminho.

Mesmo depois de sermos mães.

Mesmo depois dos quarenta ou dos cinquenta.

Mesmo depois das mudanças.

Mesmo depois das perdas.

Mesmo depois dos planos que não resultaram.

Enquanto estivermos aqui, o nosso caminho não está terminado.

E talvez esta seja uma das respostas que hoje daria ao meu filho.

Então, qual é o sentido da vida?

Se ele me perguntasse novamente hoje, talvez começasse por dizer:

Não sei se existe uma resposta igual para todos.

Mas sei algumas coisas.

Sei que amar importa.

Que aquilo que fazemos aos outros importa.

Que estar presente importa.

Que aprender importa.

Que cuidar de nós também importa.

Que podemos recomeçar muitas vezes.

Que os nossos filhos são parte da nossa história, mas precisam de escrever a deles.

E que nós também temos o direito — e talvez a responsabilidade — de continuar a escrever a nossa.

Talvez uma vida com sentido não seja necessariamente uma vida extraordinária.

Talvez seja uma vida verdadeiramente vivida.

Com amor.

Com erros.

Com perguntas.

Com perdas.

Com sonhos.

Com pessoas.

Com coragem para mudar.

E com gratidão suficiente para reconhecer tudo aquilo que já fomos.

A mulher que eu era continua aqui

Quando criei o Arquivo SoLu@, não quis apenas salvar textos antigos.

Quis guardar memória.

Hoje percebo melhor porquê.

Porque quando volto a esses textos não encontro apenas palavras.

Encontro versões minhas.

A mãe.

A mulher.

A sonhadora.

Aquela que procurava respostas.

Aquela que acreditava que podia fazer melhor.

Aquela que algumas vezes se perdeu.

E aquela que continuou.

Nenhuma delas precisa de desaparecer para eu poder ser quem sou hoje.

Pelo contrário.

A mulher que eu era também faz parte da mulher que sou.

E da mulher que ainda estou a aprender a ser.

Talvez seja esse o verdadeiro significado desta Sexta-feira Nostálgica.

Não voltar ao passado para lá ficar.

Mas visitá-lo.

Conversar com ele.

Agradecer-lhe aquilo que nos ensinou.

E depois regressar ao presente um pouco mais conscientes do caminho que já percorremos.

Para guardar

Não preciso de rejeitar a mulher que fui para continuar a crescer.
Posso agradecer-lhe o caminho e continuar a escrever a minha história.

Um dia de cada vez.

💛


Do Arquivo para o presente

Esta reflexão nasceu do texto “Mãe, qual é o sentido da vida?”, publicado originalmente a 22 de Maio de 2021 e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

👉 Ler o texto original no Arquivo SoLu@

Continua a ler no SoLu@

→ Recomeçar não é voltar ao princípio

→ Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

→ Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

E tu?

Se pudesses sentar-te hoje ao lado da mulher que eras há cinco, dez ou vinte anos, o que lhe dirias?

O que mudarias?

E, sobretudo:

o que lhe agradecerias?

💌 Se estas reflexões também fazem sentido para ti, acompanha a Newsletter SoLu@. Um espaço mais próximo para continuarmos a falar sobre amor, maternidade, crescimento pessoal e vida com sentido.

Setembro Recomeço #4 — Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação

Mulher a fazer uma pausa tranquila, representando um autocuidado simples e sem obrigação

Escolher menos, mas melhor. Porque cuidar de mim não pode significar acrescentar mais dez coisas à lista de tudo aquilo que já tenho para fazer.

Setembro tem qualquer coisa de recomeço.

Regressam as rotinas.
Os horários reorganizam-se.
Há decisões para tomar, coisas para retomar, outras para deixar para trás.

E, no meio disso, surge muitas vezes uma intenção bonita:

“Quero voltar a cuidar de mim.”

Eu própria a tenho.

Quero mexer-me mais.

Quero cuidar melhor da alimentação.

Quero dormir melhor.

Quero descansar.

Quero escrever.

Quero ter algum tempo só para mim.

Quero voltar a algumas coisas que sei que me fazem bem.

O problema começa quando este:

“quero cuidar de mim”

se transforma rapidamente em:

“tenho mais dez coisas que tenho de cumprir.”

E talvez seja precisamente aqui que precisamos de parar.

Porque se cuidar de mim se transforma em mais uma lista interminável, mais uma fonte de culpa e mais uma área da minha vida onde sinto que nunca faço o suficiente, alguma coisa deixou de fazer sentido.

Se o autocuidado me deixa exausta, talvez precise de voltar a perguntar o que significa realmente cuidar de mim.

Quando até o autocuidado se transforma numa obrigação

É muito fácil acontecer.

Decidimos que está na altura de cuidar mais de nós.

Então fazemos planos.

Ir ao ginásio três ou quatro vezes por semana.

Caminhar todos os dias.

Comer melhor.

Preparar as refeições.

Beber mais água.

Dormir oito horas.

Deitar mais cedo.

Ler.

Escrever.

Fazer pausas.

Meditar.

Ter tempo para nós.

Reduzir o telemóvel.

Organizar a casa.

E, de repente, aquilo que devia ajudar-nos a viver melhor começa a parecer um segundo emprego.

O autocuidado entrou na agenda.

Mas nós continuamos cansadas.

Talvez até mais.

Não porque alguma destas coisas seja má.

Pelo contrário.

Mexermo-nos faz bem. Alimentarmo-nos melhor faz bem. Dormir, descansar, ter momentos de silêncio, escrever ou fazer qualquer coisa que nos devolva a nós próprias pode ser profundamente importante.

Mas há uma diferença entre uma prática que nos cuida e uma prática que sentimos que temos de cumprir para provar que estamos a cuidar de nós.

O ginásio também não pode ser um castigo

Quero cuidar do meu corpo.

E sei que o movimento é importante.

Mas também tenho percebido que existe uma linha fina entre criar um compromisso comigo e transformar esse compromisso numa nova forma de culpa.

Se fui ao ginásio, fiz bem.

Se não fui, falhei.

Se consegui treinar três vezes, ótimo.

Se naquela semana a vida se complicou e fui apenas uma, parece que já não conta.

Mas conta.

Talvez o verdadeiro desafio não seja fazer tudo perfeitamente.

Seja continuar.

Encontrar uma forma de mexer o corpo que seja sustentável na vida que temos — não na vida ideal que imaginamos que devíamos ter.

Às vezes será o ginásio.

Outras vezes uma caminhada.

Outras vezes descansar porque o corpo está a pedir descanso.

Cuidar do corpo também é aprender a escutá-lo.

Comer melhor não devia significar viver em guerra com a comida

Com a alimentação acontece algo semelhante.

Podemos querer fazer escolhas melhores sem transformar cada refeição num teste.

Sem pensar permanentemente no que “podemos” ou “não podemos” comer.

Sem considerar que um alimento menos saudável destruiu tudo aquilo que fizemos antes.

Alimentação saudável também precisa de caber numa vida saudável.

Com família.

Com festas.

Com dias cansativos.

Com refeições improvisadas.

Com prazer.

Com momentos em que simplesmente nos apetece comer qualquer coisa porque gostamos.

Cuidar de mim não pode significar viver constantemente em vigilância.

Talvez signifique fazer boas escolhas na maior parte do tempo, sem transformar as restantes numa condenação.

Dormir e descansar não são a mesma coisa

Também tenho pensado muito sobre o descanso.

Podemos dormir e continuar profundamente cansadas.

Porque nem todo o cansaço se resolve com sono.

Há o cansaço das decisões.

Das preocupações.

Das responsabilidades.

De pensar por todos.

De lembrar tudo.

De tentar antecipar problemas.

De querer estar presente para quem amamos.

E existem alturas em que aquilo de que precisamos não é necessariamente dormir mais.

Talvez seja ter uma hora sem alguém precisar de nós.

Ficar em silêncio.

Não decidir nada.

Não resolver nada.

Não produzir.

Não ter de aproveitar cada minuto.

O descanso não precisa de ser produtivo para ser legítimo.

E até aquilo que amamos pode transformar-se em obrigação

Escrever faz-me bem.

Faz parte de mim.

Mas até a escrita pode perder alguma da sua beleza se começar a existir apenas porque existe um calendário para cumprir.

Um post para publicar.

Uma rede social para alimentar.

Uma newsletter para enviar.

Um projecto para continuar.

Há momentos em que escrever é trabalho.

Mas há outros em que preciso de voltar a escrever simplesmente porque tenho qualquer coisa cá dentro que precisa de sair.

Sem pensar no SEO.

Sem pensar se alguém vai ler.

Sem pensar se o texto vai funcionar.

Sem perguntar se serve para Instagram, Facebook, blog ou newsletter.

Só escrever.

Talvez autocuidado seja também preservar algumas coisas do nosso mundo interior da obrigação permanente de serem úteis.

Então, afinal, o que significa cuidar de mim?

Talvez esta seja a pergunta que vale mesmo a pena fazer.

Não:

“Que rotina de autocuidado devo ter?”

Mas:

“Do que preciso realmente neste momento?”

Porque a resposta muda.

Há dias em que preciso de movimento.

Há dias em que preciso de parar.

Há dias em que preciso de estar acompanhada.

Noutros, de estar sozinha.

Há momentos em que o melhor que posso fazer por mim é cumprir aquilo a que me comprometi.

E outros em que cuidar de mim significa reconhecer que hoje não consigo.

E não transformar isso num drama.

Escolher menos, mas melhor

Talvez seja esta a minha intenção agora.

Não criar uma grande rotina nova.

Não mudar dez coisas ao mesmo tempo.

Não procurar transformar Setembro no mês em que finalmente vou conseguir fazer tudo aquilo que acho que devia estar a fazer.

Quero escolher menos.

Mas escolher melhor.

Talvez uma ou duas coisas que façam realmente diferença.

Ir ao ginásio com regularidade possível, sem transformar cada ausência numa culpa.

Comer de uma forma que me faça sentir bem, sem viver obcecada pela perfeição.

Dormir melhor sempre que conseguir.

Respeitar o cansaço.

Escrever porque faz parte de mim.

Guardar pequenos momentos em que não tenha de cuidar de mais ninguém.

E deixar algum espaço para a vida acontecer.

Porque a vida vai sempre acontecer.

O autocuidado precisa de caber na vida real

Talvez seja esta uma das aprendizagens mais importantes deste Setembro.

Não quero construir uma rotina de autocuidado para uma mulher que não existe.

Uma mulher sem imprevistos.

Sem família.

Sem preocupações.

Sem dias difíceis.

Sem cansaço.

Sem coisas que aparecem de repente e mudam todos os planos.

Quero encontrar formas de cuidar da mulher que sou e da vida que tenho.

Isso significa que algumas semanas serão melhores do que outras.

Que haverá dias em que conseguirei fazer aquilo que planeei.

E outros em que não.

Não quero que o autocuidado seja mais uma coisa onde tenho de receber uma nota.

Quero que seja um lugar onde posso regressar.

Uma pergunta simples antes de acrescentar mais uma coisa

Antes de colocar uma nova tarefa na agenda, talvez possamos perguntar:

Isto vai cuidar de mim ou vai apenas dar-me mais uma coisa para cumprir?

Nem sempre a resposta será óbvia.

Porque algumas coisas exigem esforço e continuam a fazer-nos bem.

Ir ao ginásio pode exigir esforço.

Preparar uma refeição pode exigir organização.

Desligar o telemóvel pode exigir disciplina.

Cuidar também implica compromisso.

Mas talvez a diferença esteja naquilo que acontece depois.

Sinto-me mais inteira?

Mais forte?

Mais tranquila?

Mais capaz de viver a minha vida?

Ou apenas mais cansada e culpada porque nunca consigo fazer tudo?

É aí que talvez esteja a resposta.

A intenção desta semana

Esta semana não quero acrescentar dez novos hábitos.

Quero escolher aquilo que realmente me faz falta.

Talvez até retirar alguma coisa.

Porque autocuidado não é necessariamente fazer mais.

Às vezes é fazer menos.

É dizer não.

É descansar.

É escolher uma prioridade em vez de cinco.

É não transformar cada desejo de mudança num projecto de desempenho.

E é lembrar-me de uma coisa que facilmente esqueço:

eu também faço parte das pessoas de quem cuido.

Não como a última da lista.

Mas como alguém que merece estar dentro da própria vida.

Pergunta para esta semana

O que estou a chamar de autocuidado que, na verdade, se tornou apenas mais uma obrigação?

E depois uma segunda pergunta:

Se pudesse escolher apenas uma coisa para cuidar melhor de mim esta semana, qual seria?

Talvez uma seja suficiente.

Talvez cuidar melhor não comece por fazer mais.

Talvez comece por escolher melhor.


Frase SoLu@

Se o autocuidado me deixa exausta, talvez precise de voltar a perguntar o que significa realmente cuidar de mim.


Setembro Recomeço

Este artigo faz parte da rubrica Setembro Recomeço, integrada no Calendário SoLu@ de Setembro, dedicado ao tema Autocuidado / Recomeço.

Ao longo deste mês tenho procurado perceber o que significa recomeçar sem apagar aquilo que já vivi, voltar a incluir-me nas rotinas e aceitar também as mudanças que chegam quando a vida dos nossos filhos começa a seguir novos caminhos.

Talvez este seja mais um pedaço desse recomeço:

aprender a cuidar de mim sem transformar o cuidado em cobrança.

Porque o Calendário SoLu@ é um guia, não uma prisão.

E o autocuidado também devia ser assim.

Sugestão de leituras

Sexta-feira Nostálgica — Há dez anos eu já procurava uma vida mais feliz

Texto antigo do Arquivo SoLu@ sobre felicidade e crescimento pessoal, revisitado dez anos depois.

Dez anos depois, continuo a procurar uma vida com sentido. Mas talvez hoje saiba que não existe um projecto perfeito para ser feliz.

Há dez anos escrevi um texto chamado “Projecto de Vida para ser Feliz!”.

Naquela altura procurava perceber o que podia mudar para construir uma vida mais feliz. Dez anos depois, percebo que continuo a procurar felicidade — mas talvez hoje procure ainda mais uma vida com sentido.

Era Maio de 2016.

Voltei a encontrá-lo agora no Arquivo SoLu@ e fiquei algum tempo a olhar para aquelas palavras.

Não apenas para aquilo que escrevi.

Mas para a mulher que as escreveu.

Naquele texto falava de auto-análise, de família, de culpa, de falta de paciência, de decisões e da vontade de viver melhor.

E, ao relê-lo, aconteceu uma coisa curiosa:

reconheci-me.

Há perguntas que continuam a ser minhas.

Mas as respostas já não são exactamente as mesmas.

Talvez seja isso que dez anos fazem connosco.

Não apagam aquilo que fomos.

Ensinam-nos a olhar de outra maneira.


Eu já procurava aquilo que verdadeiramente importava

Quando escrevi aquele “Projecto de Vida”, estava a tentar perceber o que me fazia feliz.

A família.

Os amigos.

Os momentos vividos em conjunto.

O sentimento de fazer alguma coisa útil.

Uma vida que tivesse prazer, satisfação e sentido.

Dez anos depois, acho bonito perceber que o essencial não mudou assim tanto.

Continuo a acreditar no valor da família.

Continuo a acreditar na importância das relações.

Continuo a querer viver de uma forma que faça sentido e não apenas passar pelos dias a cumprir aquilo que é preciso fazer.

Talvez tenha mudado, sobretudo, a forma como procuro essa felicidade.

Na altura parecia existir em mim uma vontade de organizar melhor a vida, corrigir comportamentos, tomar decisões e conseguir mantê-las.

Como se, com as escolhas certas e alguma disciplina, fosse possível construir uma espécie de projecto para ser feliz.

Hoje já não tenho tanta certeza de que a felicidade aceite projectos tão bem organizados.


Durante muito tempo achei que precisava de me corrigir

Há uma parte daquele texto antigo que me toca particularmente.

A culpa.

A falta de paciência.

A forma como reagia com a minha família, com o meu marido, com os meus filhos, com o trabalho e comigo própria.

É fácil olhar para trás e pensar:

Eu devia ter sido mais paciente.

Devia ter feito diferente.

Devia ter percebido mais cedo.

Mas hoje há uma pergunta que acrescentaria àquelas que fazia em 2016:

Será que a culpa alguma vez me ajudou verdadeiramente a ser melhor?

Não estou a falar de ignorar os nossos erros.

Precisamos de reconhecer quando magoamos alguém.

Precisamos de aprender.

Pedir desculpa.

Mudar aquilo que conseguimos mudar.

Mas há uma diferença enorme entre assumir responsabilidade e viver permanentemente a castigar-nos pelo que não fizemos bem.

E talvez eu tenha demorado algum tempo a aprender essa diferença.

Hoje sei que crescer não é passar a vida a apontar aquilo que está errado em nós.

É conseguirmos olhar para nós com verdade suficiente para mudar e com amor suficiente para não nos destruirmos nesse processo.


A felicidade deixou de ser um destino perfeito

Se pudesse sentar-me hoje ao lado da mulher que escreveu aquele texto em 2016, talvez lhe dissesse:

Não precisas de descobrir a fórmula.

Não precisas de acertar sempre.

Não precisas de conseguir manter todas as resoluções.

Haverá dias em que serás paciente.

E outros em que estarás cansada.

Haverá decisões que conseguirás manter durante anos.

E outras que abandonarás passado pouco tempo.

Haverá momentos muito felizes.

E haverá outros que não conseguirás transformar em felicidade, por muito que tentes.

E está tudo dentro da mesma vida.

Porque talvez viver uma vida feliz não signifique sentirmo-nos felizes o tempo inteiro.

Talvez signifique construir uma vida onde conseguimos reconhecer aquilo que importa, cuidar das relações, atravessar os dias difíceis e continuar a encontrar razões para agradecer, amar, acreditar e recomeçar.


Há coisas que dez anos não mudaram

Apesar de tudo o que mudou, há alguma coisa muito bonita em perceber que aquela mulher e esta ainda procuram a mesma coisa.

Uma vida com sentido.

Talvez tenha sido sempre isso.

Mesmo quando lhe chamava felicidade.

Mesmo quando fazia listas.

Mesmo quando criava resoluções.

Mesmo quando pensava que precisava de melhorar tantas coisas em mim.

Eu estava à procura de uma maneira mais consciente de viver.

Hoje talvez lhe chame outra coisa.

Presença.

Equilíbrio.

Autocuidado.

Amor consciente.

Aceitação.

Gratidão.

Ou simplesmente:

aprender a amar e a viver.


Se escrevesse hoje um “Projecto de Vida para ser Feliz”…

Provavelmente já não lhe chamaria projecto.

Talvez escrevesse apenas algumas intenções.

Quero estar verdadeiramente presente quando estou com quem amo.

Quero cuidar dos outros sem desaparecer de mim.

Quero reconhecer os meus erros sem transformar cada erro numa sentença sobre quem sou.

Quero aprender a descansar sem culpa.

Quero proteger aquilo que me faz bem.

Quero continuar a crescer sem viver permanentemente insatisfeita comigo.

Quero ter paciência — e saber pedir desculpa quando não a tiver.

Quero aceitar que nem todos os dias serão felizes.

E quero aprender a descobrir vida, amor e sentido também nesses dias.

Porque hoje sei uma coisa que talvez não soubesse escrever daquela maneira há dez anos:

uma vida feliz não se constrói quando finalmente fazemos tudo bem.

Constrói-se enquanto vivemos.

Enquanto erramos.

Enquanto aprendemos.

Enquanto amamos.

Enquanto perdemos.

Enquanto mudamos.

Enquanto voltamos.


Setembro trouxe-me este texto na altura certa

Este reencontro também faz sentido precisamente agora.

Setembro, no Calendário SoLu@, é o mês de Autocuidado / Recomeço.

E esta semana estamos a falar de uma coisa muito concreta:

cuidar de mim no meio das rotinas.

Talvez esta seja outra diferença entre 2016 e 2026.

Já não quero criar um projecto enorme para mudar toda a vida.

Quero perceber onde posso viver um pouco melhor dentro da vida que já tenho.

Onde posso voltar a incluir-me.

Onde preciso de abrandar.

Onde posso ser mais paciente.

Onde preciso de deixar de exigir tanto de mim.

Onde há alguma coisa boa que merece continuar.

O autocuidado também pode começar aqui.

Não numa vida nova.

Mas numa forma diferente de habitar a nossa.


Do Arquivo para o presente

É por textos como este que quis preservar o Arquivo SoLu@.

Não quero guardar o passado porque acredito hoje exactamente em tudo aquilo que escrevi.

Quero guardá-lo porque aquelas palavras mostram o caminho.

Quem eu era.

Aquilo que procurava.

As perguntas que fazia.

E aquilo que a vida entretanto me ensinou.

O Arquivo SoLu@ é memória viva.

E o SoLu@ de hoje é a continuação dessa história.

Por isso, se quiseres conhecer o texto que deu origem a esta reflexão:

→ No Arquivo SoLu@: “Projecto de Vida para ser Feliz!” — Maio de 2016

E, no presente:

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

→ Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

→ Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.


Dez anos depois…

Continuo a querer uma vida feliz.

Claro que sim.

Mas talvez já não procure tanto ser feliz como procurava.

Procuro viver com verdade.

Amar melhor.

Cuidar sem me esquecer de mim.

Estar presente.

Aprender.

Agradecer.

Aceitar que algumas coisas não dependem de mim.

E encontrar sentido mesmo quando a vida não acontece exactamente como eu gostaria.

Talvez a felicidade nunca tenha sido um projecto que se termina.

Talvez seja uma construção imperfeita feita de milhares de dias comuns.

E talvez seja precisamente isso que hoje quero continuar a aprender:

não como criar uma vida perfeita para ser feliz, mas como estar verdadeiramente presente na vida que tenho.

E tu?

Se encontrasses hoje uma lista de decisões que escreveste há dez anos, o que achas que teria mudado?

Ainda procuras a mesma felicidade — ou a vida também te ensinou a procurá-la de outra maneira?

Conta-me nos comentários.

Talvez, quando olhamos para trás, percebamos que crescemos muito mais do que imaginávamos.

Sexta-feira Nostálgica — Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Setembro Recomeço #2 — Recomeçar não é voltar ao princípio

Recomeçar não é voltar ao princípio — Setembro Recomeço SoLu@

Escolher o que merece continuar connosco

Há uma ideia sobre os recomeços que durante muito tempo me pareceu bonita: a possibilidade de começar do zero.

Página em branco.
Vida nova.
Hábitos novos.
Uma versão diferente de nós próprias.

Hoje já não acredito muito nisso.

Talvez porque a vida me tenha ensinado que nunca regressamos verdadeiramente ao princípio.

Quando recomeçamos, levamos connosco tudo aquilo que já aconteceu.

As coisas que aprendemos.
As que ainda estamos a tentar compreender.
As pessoas que passaram pela nossa vida.
As que ficaram.
Os erros que cometemos.
As feridas que sararam.
As que ainda doem um bocadinho.

Levamos também as pequenas vitórias que tantas vezes esquecemos.

E talvez seja precisamente por isso que um recomeço pode ser tão bonito.

Porque não estamos a começar sem nada.

Estamos a começar com experiência.


Não quero voltar atrás

Há alturas em que pensamos:

Quem me dera voltar àquela fase.

Voltar ao tempo em que tínhamos mais energia.

Voltar ao corpo que tínhamos.

Voltar à rotina que funcionava.

Voltar à relação que parecia diferente.

Voltar aos dias em que tudo parecia mais simples.

Mas, pensando bem, eu não quero realmente voltar atrás.

Quero poder olhar para trás, perceber o que me fazia bem e perguntar:

O que daquela vida ainda merece fazer parte desta?

Porque algumas coisas mudaram.

Eu mudei.

A minha família mudou.

Os meus filhos cresceram.

As prioridades mudaram.

O corpo também muda.

O tempo disponível não é o mesmo.

E aquilo de que precisamos hoje pode ser muito diferente daquilo de que precisávamos há cinco, dez ou vinte anos.

Por isso, recomeçar não pode ser uma tentativa de reconstruir exactamente a vida que tínhamos.

Talvez seja antes uma oportunidade para construir a vida que faz sentido agora.


Há coisas que não precisam de regressar connosco

Também há alguma coragem nisto.

Porque quando decidimos recomeçar, podemos sentir que temos de recuperar tudo aquilo que deixámos para trás.

A rotina perfeita.

O exercício todos os dias.

A casa organizada.

Os projectos interrompidos.

Os hábitos abandonados.

As listas que ficaram por cumprir.

Mas talvez nem tudo tenha de voltar.

Há coisas que deixaram de servir.

Há hábitos que pertenciam a outra fase.

Há expectativas que já pesam mais do que ajudam.

Há objectivos que foram importantes numa determinada altura e que hoje já não fazem sentido.

E reconhecer isso não significa desistir.

Significa crescer.

Às vezes, o verdadeiro recomeço começa quando conseguimos dizer:

isto foi importante para mim, mas já não preciso de o levar comigo.


E há coisas que continuam a chamar por nós

Depois existem aquelas coisas que, mesmo quando a vida se complica, continuam silenciosamente à nossa espera.

Uma caminhada.

Um livro pousado na mesa de cabeceira.

Escrever.

Voltar a mexer o corpo.

Beber água com mais atenção.

Dormir melhor.

Telefonar a alguém.

Sentar-me alguns minutos em silêncio.

Retomar um projecto que me faz feliz.

Cuidar de uma relação.

Voltar a rezar.

Voltar a sonhar.

Não porque alguém nos disse que devíamos fazê-lo.

Mas porque, quando pensamos nisso, há qualquer coisa dentro de nós que reconhece:

isto faz-me bem.

Talvez seja por aí que vale a pena começar.


Setembro não precisa de ser uma revolução

Setembro tem esta energia curiosa.

Depois do Verão, sentimos quase automaticamente que chegou a altura de reorganizar tudo.

Horários.

Escola.

Trabalho.

Casa.

Alimentação.

Exercício.

Projectos.

Planos.

E, no meio dessa reorganização, é muito fácil criarmos uma lista tão grande que o próprio recomeço se transforma em mais uma fonte de pressão.

Este ano quero experimentar outra coisa.

Em vez de perguntar:

“O que tenho de mudar?”

quero perguntar:

“O que merece continuar comigo?”

A pergunta parece semelhante.

Mas não é.

A primeira parte da ideia de que há alguma coisa errada que precisa de ser corrigida.

A segunda parte daquilo que já existe e merece ser cuidado.

E talvez o autocuidado comece exactamente aí.

Não em inventarmos uma pessoa completamente nova.

Mas em reconhecermos aquilo que já faz parte de nós e merece voltar a ter espaço.


Uma coisa de cada vez

Por isso, a proposta desta semana do Setembro Recomeço é muito simples:

escolher apenas uma coisa para retomar.

Não cinco.

Não dez.

Uma.

Pode ser pequena.

Na verdade, talvez seja melhor que seja pequena.

Por exemplo:

  • caminhar 20 minutos;
  • voltar a ler antes de dormir;
  • preparar o pequeno-almoço com mais calma;
  • escrever algumas linhas num caderno;
  • telefonar uma vez por semana a alguém de quem gostamos;
  • regressar ao ginásio sem exigir resultados imediatos;
  • deitar mais cedo;
  • reservar meia hora para nós;
  • voltar a um projecto que ficou esquecido;
  • fazer alguma coisa simplesmente porque nos dá prazer.

Depois podemos perguntar:

Porque quero recuperar isto?

Não porque “devia”.

Não porque Setembro chegou.

Não porque toda a gente parece estar a reorganizar a vida.

Mas porque esta pequena coisa pode tornar os meus dias um pouco melhores.


O meu pequeno exercício de recomeço

Se quiseres fazer esta reflexão comigo, escreve três frases:

1. Há uma coisa da minha vida que quero deixar para trás:


2. Há uma coisa que aprendi e quero levar comigo:


3. Há uma coisa que quero começar a retomar:


Depois escolhe apenas a terceira.

E pergunta:

Qual é a versão mais pequena e possível desta escolha?

Se queres voltar a caminhar, talvez não sejam cinco quilómetros.

Talvez sejam dez minutos.

Se queres voltar a escrever, talvez não seja terminar um livro.

Talvez seja abrir um documento e escrever um parágrafo.

Se queres cuidar mais de ti, talvez não seja mudar toda a tua rotina.

Talvez seja começar por não te deixares sempre para o fim.

Porque os recomeços que permanecem raramente começam com grandes revoluções.

Começam com pequenos gestos que conseguimos repetir.


Não somos a mesma pessoa que começou

Há algo que hoje me conforta muito nesta ideia.

Eu não preciso de regressar à mulher que era.

Posso agradecer-lhe tudo aquilo que ela fez.

Posso reconhecer aquilo que atravessou.

Posso aprender com as suas escolhas.

Mas posso continuar daqui.

Com aquilo que sei hoje.

Com os limites que conheço melhor.

Com mais consciência do que me faz bem e do que me esgota.

Com outra relação com o tempo.

Com mais respeito por mim.

Talvez crescer seja precisamente isto:

deixar de tentar recuperar versões antigas de nós próprias e começar a cuidar da pessoa que somos agora.


A pergunta desta semana

Neste Setembro de Autocuidado e Recomeço, não te vou perguntar quantas coisas queres mudar.

Pergunto-te apenas:

O que merece continuar contigo?

E, entre tudo aquilo que escolheste, haverá talvez uma pequena coisa que merece regressar aos teus dias.

Começa por aí.

Sem pressa.

Sem perfeição.

Sem transformar o calendário numa obrigação.

Porque, como tenho repetido no Calendário SoLu@:

o calendário é um guia, não uma prisão.

E um recomeço também deve ser assim.

Um caminho que nos aproxima de nós.

Não mais uma lista onde podemos sentir que falhámos.


Para levar contigo

Recomeçar não é voltar ao princípio.
É continuar a partir de tudo aquilo que a vida já nos ensinou.

Esta semana escolhe apenas uma coisa.

Uma coisa que te faça bem.

Uma coisa que reconheças como tua.

Uma coisa que mereça voltar.

E começa de onde estás.

Porque talvez seja esse o único lugar de onde alguma vez podemos realmente recomeçar.

SoLu@


Continua este caminho

Se estás a viver comigo este Setembro de Autocuidado / Recomeço, podes continuar por aqui:

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.
Uma reflexão sobre aquilo que acontece quando os planos não se cumprem exactamente como imaginámos — e mesmo assim alguma coisa muda.

Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.
Uma ponte entre aquilo que escrevi há anos e aquilo que hoje aprendi sobre começar novamente.

Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço
Um mês para regressarmos a nós próprias sem pressa, sem culpa e sem a obrigação de fazer tudo.

Queres viver este mês comigo?

Na newsletter SoLu@ partilho reflexões, textos, pequenas práticas e pedaços deste caminho que nem sempre cabem nas redes sociais.

Se também estás a tentar encontrar uma forma mais tranquila de cuidar de ti e recomeçar, fica por perto.

Talvez possamos fazer este caminho juntas.

Um dia de cada vez.