Há uma mulher dentro de nós que atravessou dias difíceis, cuidou de tanta gente, adiou sonhos e continuou, mesmo quando ninguém reparou. Talvez esteja na hora de lhe agradecer.
Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança
Ser Melhor | Sexta-feira Nostálgica
Quando foi a última vez que agradeceste a ti própria?
Há dias em que olhamos para a nossa vida e pensamos em tudo o que ainda falta fazer.
As tarefas por terminar. Os sonhos que ficaram à espera. As decisões que poderíamos ter tomado de outra maneira. Aquilo que não conseguimos mudar.
Somos tantas vezes exigentes connosco próprias.
Queremos ser melhores mães, melhores companheiras, melhores filhas, melhores profissionais. Queremos estar presentes, cuidar, compreender, resolver e encontrar forças para continuar.
Mas raramente paramos para reconhecer tudo aquilo que já fizemos.
E hoje, ao revisitar uma reflexão antiga do meu Arquivo SoLu@, encontrei um convite que me parece cada vez mais importante:
Agradecer a nós próprias.
Não apenas pelo que conquistámos, mas também por tudo aquilo que enfrentámos para chegar até aqui.
O trabalho invisível de uma mulher
Há um trabalho que não aparece nos currículos, nas fotografias de família ou nas conversas sobre sucesso.
É o trabalho de quem se lembra das consultas, das preocupações, das necessidades de cada pessoa.
De quem percebe quando um filho não está bem, mesmo quando ele responde que está tudo bem.
De quem organiza, antecipa, acompanha e tenta encontrar soluções.
De quem cuida dos outros e, tantas vezes, deixa as próprias necessidades para depois.
E não falo apenas de tarefas domésticas.
Falo daquele trabalho emocional que acompanha tantas mulheres ao longo da vida.
As preocupações que levamos para a cama. As perguntas para as quais ainda não temos respostas. O desejo de proteger quem amamos, mesmo sabendo que nem tudo depende de nós.
Por vezes, estamos tão habituadas a fazer tudo isto que deixamos de reconhecer o esforço que representa.
Como se cuidar fosse uma obrigação que não merecesse reconhecimento.
Mas merece.
Porque aquilo que fazemos por amor também exige tempo, energia, coragem e, muitas vezes, uma parte de nós.
À mulher que fui…
Hoje gostava de olhar para trás com um pouco mais de ternura.
Para a jovem que tinha tantos sonhos e ainda não sabia o que a vida lhe iria ensinar.
Para a mulher que aprendeu a amar, a construir uma família e a descobrir a maternidade.
Para a mãe que tantas vezes teve dúvidas, receios e inseguranças, mas procurou fazer o melhor que sabia.
Para a mulher que enfrentou mudanças, perdas, preocupações e momentos em que a vida não aconteceu como tinha imaginado.
Talvez nem sempre tenha tomado as melhores decisões.
Talvez tenha exigido demasiado de si própria.
Talvez tenha passado anos a pensar primeiro nos outros e só depois em si.
Mas fez um caminho.
Aprendeu. Errou. Recomeçou.
E, sobretudo, continuou.
Hoje não quero olhar para essa mulher apenas com os olhos de quem sabe o que aconteceu depois.
Quero olhá-la com a compreensão que talvez lhe tenha faltado naquele tempo.
Obrigada à mulher que fui, por ter feito o melhor que conseguia com aquilo que sabia, sentia e tinha naquele momento.
Nem tudo aquilo que fizemos foi perfeito. E está tudo bem.
Durante muitos anos, podemos carregar a sensação de que devíamos ter feito mais.
Ter tido mais paciência.
Ter estado mais presentes.
Ter percebido mais cedo determinadas situações.
Ter cuidado melhor de nós.
Mas existe uma diferença entre aprender com o passado e continuar a castigar-nos por ele.
Hoje sabemos coisas que antes desconhecíamos.
Temos experiências que ainda não tínhamos vivido.
Compreendemos melhor determinadas escolhas, comportamentos e acontecimentos.
E isso não significa que a mulher de ontem tenha falhado.
Significa que a mulher de hoje cresceu.
Agradecer a quem fomos não é fingir que fizemos tudo bem.
É reconhecer o esforço, aceitar as imperfeições e permitir que o passado nos ensine sem continuar a magoar-nos.
E quem cuida de quem cuida?
Esta é uma pergunta que me acompanha cada vez mais.
Quando passamos tantos anos a cuidar da família, a acompanhar o crescimento dos filhos e a preocupar-nos com o bem-estar de quem amamos, podemos esquecer-nos de perguntar:
E eu? Como estou verdadeiramente?
Não é egoísmo querer descansar.
Não é falta de amor precisar de tempo para nós.
Não é abandonar ninguém reconhecer que também temos limites.
Talvez uma das aprendizagens mais importantes da maturidade seja compreender que o nosso valor não depende apenas daquilo que fazemos pelos outros.
Somos mais do que as nossas responsabilidades.
Também temos sentimentos, sonhos, necessidades e uma identidade que merece espaço.
E podemos continuar a amar profundamente a nossa família sem deixar de cuidar da mulher que existe para além dela.
Do Arquivo SoLu@ para o presente
Esta reflexão nasce de um dos exercícios do antigo calendário que fui partilhando nos Blogs SAPO, inspirado no movimento Action for Happiness.
No Dia 16, o convite era simples: agradecer a si próprio.
Na altura, talvez fosse apenas mais um pequeno exercício de gratidão e crescimento pessoal.
Hoje, ao revisitá-lo, encontro nele um significado mais profundo.
Porque o tempo muda a forma como olhamos para aquilo que vivemos.
E os textos antigos têm essa capacidade bonita de nos devolver perguntas que, anos depois, continuam a fazer sentido.
O Arquivo SoLu@ guarda precisamente isso: a memória da mulher que fui, das palavras que escrevi, das ideias em que acreditei e das aprendizagens que me acompanharam.
Não quero apagar essa mulher para dar lugar à mulher que sou hoje.
Quero que as duas possam conversar.
Porque uma não existiria sem a outra.
A esperança também nasce daquilo que já conseguimos superar
Outubro é, no Calendário SoLu@, o mês do Optimismo e da Esperança.
E há uma forma de esperança que nem sempre reconhecemos.
Aquela que nasce quando olhamos para trás e percebemos:
Já enfrentámos dias que julgávamos não conseguir atravessar.
Já encontrámos soluções para problemas que pareciam não ter resposta.
Já aprendemos a viver com mudanças que não escolhemos.
Já recomeçámos mais vezes do que imaginávamos.
Isto não significa que o futuro seja fácil ou que tudo acabe por correr como desejamos.
Mas recorda-nos que temos uma história de aprendizagem, adaptação e coragem.
A esperança não precisa de nascer da certeza de que tudo vai correr bem. Pode nascer da confiança de que continuaremos a procurar o melhor caminho possível.
Um pequeno exercício de gratidão por ti
Hoje proponho-te algo diferente.
Em vez de escreveres uma lista de tudo aquilo por que estás grata, escreve uma pequena carta à mulher que foste.
Pensa em três momentos da tua vida:
1. Um momento em que foste corajosa.
Mesmo que ninguém tenha percebido o medo que sentias.
2. Um momento em que cuidaste de alguém.
Mesmo que esse gesto tenha passado despercebido.
3. Um momento em que continuaste.
Mesmo sem saber exactamente como seria o dia seguinte.
Agora termina esta frase:
«Obrigada à mulher que fui por…»
Não precisas de escrever muito.
Talvez algumas palavras sejam suficientes para começares a olhar para ti com mais carinho.
Para terminar…
Hoje quero agradecer à mulher que fui.
Àquela que sonhou, que amou, que cuidou, que teve medo, que chorou e que encontrou motivos para sorrir.
Àquela que nem sempre soube o que fazer, mas procurou fazer o melhor que conseguia.
Àquela que tantas vezes se colocou em último lugar.
E também àquela que, aos poucos, está a aprender que merece fazer parte das suas próprias prioridades.
Não sei tudo o que o futuro me reserva.
Sei apenas que quero continuar a aprender, a amar e a viver com mais consciência.
E que não preciso de desvalorizar a mulher que fui para me tornar na mulher que desejo ser.
Porque também merecemos ser reconhecidas por nós próprias.
Com carinho,
SoLu@ — Amor Incondicional
«Hoje agradeço à mulher que fui. Não por ter feito tudo bem, mas por nunca ter deixado de aprender a viver.»
E tu?
Se hoje pudesses encontrar a mulher que eras há dez ou vinte anos, o que lhe dirias?
Talvez não precisasses de lhe dar conselhos.
Talvez bastasse abraçá-la e dizer:
Obrigada. Fizeste o melhor que sabias. Agora deixa-me continuar.
Partilha comigo, nos comentários: pelo que gostarias de agradecer à mulher que foste?
Continua este caminho comigo
Este texto integra o Calendário SoLu@ de Outubro de 2026 — Optimismo e Esperança.
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Porque não precisamos de fazer tudo de uma vez. Podemos continuar, um dia de cada vez.
Sugestão de Leituras:
- SoLu@ — Amor Incondicional — ligação ao projecto e às suas reflexões.
- Arquivo SoLu@ — ponte com os antigos Blogs SAPO.
- Calendário SoLu@ — Escolher acreditar outra vez — ligação à esperança e ao crescimento pessoal.


