Calendário SoLu@ — Novembro: Semana 1 — Reconhecer e rever o caminho percorrido

Calendário SoLu@ Novembro — Semana 1: Reconhecer o Caminho

Novembro | Novos Caminhos & Aprendizagem

Nem tudo o que vivemos precisa de continuar a pesar. Algumas experiências podem transformar-se apenas em aprendizagem.

Há caminhos que só compreendemos quando olhamos para trás

Novembro chega com um convite diferente.

Depois de um Outubro dedicado ao optimismo e à esperança, começamos um novo mês a olhar para os caminhos que já percorremos.

Não para ficarmos presos ao passado, mas para compreendermos melhor como chegámos até aqui.

Há momentos da nossa vida que recordamos com alegria. Outros que ainda nos deixam uma certa tristeza. Há decisões de que nos orgulhamos e escolhas que, se pudéssemos voltar atrás, talvez fizéssemos de outra maneira.

Mas há uma coisa que o tempo nos vai ensinando: não podemos avaliar todas as nossas escolhas com o conhecimento que só adquirimos depois de as viver.

Naquele momento, fizemos o que conseguimos, com os recursos, as emoções, os medos e a compreensão que tínhamos.

Talvez hoje soubéssemos fazer melhor.

E isso não significa necessariamente que tenhamos falhado. Pode simplesmente significar que crescemos.

Com os anos, tenho percebido que crescer também é aprender a olhar para a nossa história com mais compreensão e menos exigência.

Nem tudo correu como esperávamos. Nem todos os sonhos se concretizaram. Nem todas as pessoas permaneceram ao nosso lado.

Mas até os caminhos que não escolhemos voltar a percorrer podem ter-nos ensinado alguma coisa.

E talvez seja essa uma das aprendizagens mais importantes da vida: podemos reconhecer o que nos magoou sem permitir que isso continue a definir-nos.

Nesta primeira semana de Novembro, não precisamos de encontrar respostas para tudo.

Vamos apenas reconhecer o caminho percorrido e descobrir o que queremos levar connosco para o próximo capítulo.

🌿 O tema da semana — Reconhecer e rever o caminho

Quando pensamos em novos caminhos, é natural imaginarmos mudanças, decisões ou oportunidades que ainda estão por chegar.

Mas antes de avançarmos, pode ser importante reconhecer aquilo que já vivemos.

Porque não começamos cada etapa do zero.

Levamos connosco experiências, conhecimentos, afectos, memórias e aprendizagens.

Algumas ajudam-nos a seguir em frente. Outras continuam a ocupar demasiado espaço dentro de nós.

Por vezes, carregamos culpas antigas por decisões que tomámos há muitos anos. Continuamos a questionar-nos sobre aquilo que poderíamos ter dito, feito ou evitado.

E esquecemo-nos de uma coisa essencial: a pessoa que somos hoje já não é exactamente a mesma que tomou aquelas decisões.

Aprendemos.

Mudámos.

Passámos por situações que alteraram a nossa forma de compreender a vida.

Isso não apaga as consequências das nossas escolhas, nem significa que todas tenham sido acertadas. Mas permite-nos olhar para elas com maior consciência.

Rever o caminho não é procurar culpados. É procurar compreensão.

Podemos assumir responsabilidades, reparar o que ainda for possível e aprender a fazer diferente, sem transformar cada erro numa condenação permanente.

Há pesos que precisam de ser trabalhados com tempo. Outros podem começar a tornar-se mais leves quando deixamos de alimentar o mesmo julgamento.

E há experiências que, embora nunca tivéssemos desejado viver, acabaram por nos mostrar capacidades que desconhecíamos.

Talvez não tenhamos escolhido tudo o que aconteceu.

Mas podemos, aos poucos, escolher a maneira como continuamos a viver com essa história.

🤍 Intenção da semana

Rever o caminho percorrido sem arrependimento excessivo nem julgamento, reconhecendo as aprendizagens que nos ajudam a continuar.

Nesta semana, vamos procurar:

  • Reconhecer experiências que contribuíram para o nosso crescimento.
  • Olhar para decisões antigas com maior compreensão.
  • Identificar pensamentos ou culpas que ainda carregamos.
  • Valorizar as pessoas e os momentos que fizeram parte da nossa história.
  • Perceber o que queremos conservar e o que podemos começar a libertar.

Não precisamos de transformar tudo numa lição positiva.

Algumas experiências foram simplesmente difíceis. E merecem ser reconhecidas como tal.

O importante é não deixar que o passado nos retire todas as possibilidades do presente.

✨ Frase da semana SoLu@

“Não posso mudar o caminho que percorri, mas posso escolher o que levo comigo para o próximo.” — SoLu@


✍️ Prática da semana — Três aprendizagens e um peso a libertar

Reserva alguns minutos num momento tranquilo.

Pega num caderno ou numa folha de papel e responde, com sinceridade, às seguintes perguntas.

1. O que aprendi sobre mim?

Recorda uma experiência que tenha mudado a forma como te conheces.

Pode ter sido uma conquista, uma dificuldade, uma perda ou uma decisão importante.

2. O que aprendi sobre os outros?

Pensa numa relação ou situação que te tenha ajudado a compreender melhor o amor, os limites, a confiança ou o respeito.

3. O que aprendi sobre a vida?

Identifica uma aprendizagem que hoje gostarias de transmitir a alguém que estivesse a passar por uma situação semelhante.

4. Que peso antigo gostaria de começar a libertar?

Talvez seja uma culpa, uma comparação, uma expectativa que não se concretizou ou uma exigência que continuas a colocar sobre ti.

Não precisas de o resolver imediatamente.

Escreve apenas:

“Reconheço que esta experiência fez parte da minha história, mas não quero que continue a ocupar todo o espaço no meu presente.”

Se ainda não conseguires libertar esse peso, não há problema.

Reconhecê-lo já pode ser um primeiro passo.

🌸 Mini desafio da semana — Olhar para trás com outros olhos

Escolhe uma situação do passado que costumas recordar com algum arrependimento.

Durante esta semana, experimenta substituir a pergunta:

“Porque é que fiz aquilo?”

por:

“O que sabia naquela altura e o que sei hoje que me ajudaria a agir de forma diferente?”

A diferença pode parecer pequena, mas muda a maneira como olhamos para nós próprias.

A primeira pergunta pode prender-nos à culpa.

A segunda abre espaço à aprendizagem e à responsabilidade.

Não se trata de justificar tudo o que fizemos. Trata-se de compreender para podermos continuar a crescer.


📅 Um dia de cada vez — 1 a 7 de Novembro

Domingo, 1 de Novembro — Paz

Começar sem ter de resolver tudo

Há uma certa tranquilidade em perceber que nem todos os assuntos da nossa vida precisam de ficar resolvidos hoje.

Às vezes, começamos um novo mês com uma lista de preocupações, tarefas e decisões pendentes. Queremos organizar tudo, encontrar respostas e sentir que temos novamente o controlo.

Mas nem sempre é possível.

E talvez a paz comece quando aceitamos que podemos avançar mesmo sem ter todas as respostas.

Hoje, permite-te começar Novembro sem pressa.

Mensagem para guardar: “Nem tudo precisa de estar resolvido para que eu possa encontrar um pouco de paz.”

Prática: Reserva cinco minutos de silêncio, sem telemóvel ou outras distracções.

Pergunta do dia: O que posso aceitar hoje, mesmo que ainda não consiga mudar?

Gesto: Respira fundo e escolhe uma preocupação que não vais tentar resolver neste momento.

Segunda-feira, 2 de Novembro — Felicidade e Gratidão

Agradecer ao caminho que me trouxe até aqui

Nem todas as experiências da nossa vida foram felizes.

Algumas deixaram marcas que ainda hoje sentimos.

Por isso, agradecer ao caminho percorrido não significa agradecer pelo sofrimento ou fingir que tudo aconteceu por uma razão.

Significa reconhecer que, apesar das dificuldades, também fomos construindo capacidades, relações e conhecimentos que hoje fazem parte de nós.

Talvez tenhamos aprendido a estabelecer limites.

A pedir ajuda.

A recomeçar.

Ou simplesmente a reconhecer aquilo que realmente importa.

Hoje, a gratidão pode ser dirigida à pessoa em que nos fomos tornando.

Mensagem para guardar: “Posso reconhecer o que aprendi sem ter de agradecer por tudo o que me aconteceu.”

Prática: Escreve uma aprendizagem importante que tenhas adquirido através de uma experiência passada.

Pergunta do dia: Que experiência me ajudou a crescer ou a conhecer-me melhor?

Gesto: Regista no teu caderno uma aprendizagem que gostarias de conservar.

Terça-feira, 3 de Novembro — Vida

Rever o caminho sem me comparar

Cada pessoa tem o seu percurso.

Há quem encontre cedo aquilo que procura. Há quem precise de experimentar vários caminhos antes de descobrir o que faz sentido.

E há quem, mesmo depois de muitos anos, continue a fazer perguntas sobre a vida que deseja construir.

Não existe uma idade certa para aprender, mudar de opinião ou começar novamente.

Quando nos comparamos constantemente com os outros, esquecemo-nos de reconhecer a nossa própria história.

Vemos os resultados de alguém, mas raramente conhecemos todos os seus desafios.

E, enquanto olhamos para aquilo que ainda não conseguimos, podemos deixar de valorizar o que já construímos.

Hoje, olha para o teu caminho como algo que te pertence.

Mensagem para guardar: “O meu caminho não precisa de ser igual ao de ninguém para ter valor.”

Prática: Recorda uma decisão importante que tenhas tomado por ti, mesmo que os outros não a compreendessem.

Pergunta do dia: Que decisão me pertenceu verdadeiramente?

Gesto: Escreve um pequeno marco da tua história e reconhece a importância que teve.

Quarta-feira, 4 de Novembro — Atitude

Responder de forma diferente também é crescer

Há situações que se repetem na nossa vida.

Uma conversa difícil. Uma crítica. Uma contrariedade. Uma atitude de alguém que desperta emoções antigas.

Muitas vezes, reagimos quase automaticamente.

Respondemos com irritação, fechamo-nos em silêncio ou tentamos defender-nos antes de compreender o que está realmente a acontecer.

Mas crescer também é perceber que podemos aprender outras formas de responder.

Talvez não consigamos controlar aquilo que os outros dizem ou fazem.

Mas podemos trabalhar a maneira como reagimos.

Às vezes, basta uma pausa.

Um instante para respirar.

Uma pergunta antes de responder.

Mensagem para guardar: “Não preciso de repetir todas as minhas reacções antigas. Posso aprender uma resposta diferente.”

Prática: Escolhe uma situação que habitualmente desperta uma reacção impulsiva e pensa numa alternativa mais consciente.

Pergunta do dia: Que reacção gostaria de transformar?

Gesto: Antes de responder a algo que te incomode, faz uma pequena pausa e procura compreender o que estás a sentir.

Do Arquivo SoLu@ — Dia 2: Responder a uma situação difícil de maneira diferente.

Esta proposta do antigo Calendário da Felicidade continua a fazer sentido.

O passado não pode ser alterado, mas pode ensinar-nos a responder de outra forma quando a vida nos coloca perante desafios semelhantes.

Quinta-feira, 5 de Novembro — Pensamentos positivos

Não preciso de me definir pelos erros

Todos cometemos erros.

Alguns pequenos, que rapidamente esquecemos.

Outros que deixam consequências e que, por vezes, continuam presentes na nossa memória durante muitos anos.

Mas uma escolha errada não resume uma vida inteira.

Podemos reconhecer que fizemos algo de que não nos orgulhamos, assumir a nossa responsabilidade e, ainda assim, compreender que somos mais do que esse momento.

O pensamento positivo não consiste em ignorar os erros.

Consiste também em acreditar que podemos aprender com eles.

Hoje, experimenta olhar para ti com a mesma compreensão que oferecerias a alguém de quem gostas.

Mensagem para guardar: “Os meus erros fazem parte da minha história, mas não contam tudo sobre quem sou.”

Prática: Recorda uma situação que hoje compreendes de maneira diferente.

Pergunta do dia: O que hoje compreendo melhor do que compreendia naquela altura?

Gesto: Escreve uma frase gentil para ti, reconhecendo o teu crescimento.

Sexta-feira, 6 de Novembro — Fé e Esperança

Ainda posso dar outro significado ao que vivi

Há acontecimentos que não conseguimos compreender quando estamos a vivê-los.

Alguns continuam difíceis de aceitar, mesmo depois de muito tempo.

E nem sempre encontramos uma explicação que nos tranquilize.

Mas a esperança não exige que tudo tenha uma razão ou um final feliz.

Às vezes, nasce da possibilidade de construir algo novo apesar daquilo que aconteceu.

Uma relação mais consciente.

Uma decisão mais alinhada com os nossos valores.

Uma maneira diferente de cuidar de nós.

A esperança pode não mudar o passado, mas pode ajudar-nos a não desistir do futuro.

Mensagem para guardar: “Mesmo quando não posso mudar o que aconteceu, ainda posso construir novos significados para a minha vida.”

Prática: Pensa numa experiência difícil e identifica algo que hoje gostarias de fazer de forma diferente.

Pergunta do dia: Onde posso reconhecer uma pequena possibilidade de esperança?

Gesto: Escreve uma possibilidade concreta que gostarias de explorar neste novo mês.

Sábado, 7 de Novembro — Amor

Honrar quem esteve no meu caminho

Não percorremos a vida sozinhos.

Mesmo quando sentimos que tivemos de enfrentar muitos desafios por nossa conta, há pessoas que deixam marcas importantes na nossa história.

Algumas permanecem connosco durante muitos anos.

Outras cruzam o nosso caminho por pouco tempo, mas deixam palavras, gestos ou ensinamentos que nunca esquecemos.

Há quem nos tenha ajudado nos momentos difíceis.

Quem tenha acreditado em nós quando duvidávamos das nossas capacidades.

Quem nos tenha ensinado, através do exemplo, a importância da presença, da amizade ou do amor.

E há também pessoas de quem sentimos saudades.

Recordá-las pode ser uma forma de manter vivo aquilo que nos ofereceram.

Hoje, termina esta primeira semana de Novembro com gratidão pelos afectos que fizeram parte do teu percurso.

Mensagem para guardar: “Há pessoas que continuam a fazer parte do nosso caminho através daquilo que deixaram em nós.”

Prática: Recorda alguém que tenha contribuído positivamente para a tua vida.

Pergunta do dia: Quem merece hoje o meu agradecimento?

Gesto: Envia uma mensagem de carinho ou dedica alguns minutos a recordar alguém que tenha sido importante para ti.


💭 Pergunta da semana

Se pudesse olhar para a minha história com mais compreensão e menos julgamento, o que começaria a ver de maneira diferente?

Talvez descobrisse que algumas decisões foram tomadas em momentos de grande incerteza.

Que certas mudanças exigiram mais coragem do que reconheci na altura.

Ou que, apesar de nem tudo ter corrido bem, fui encontrando maneiras de continuar.

Não precisamos de gostar de todas as páginas da nossa história.

Mas podemos aprender a lê-las sem esquecer tudo o que também conseguimos construir.

🤍 Reflexão final — O caminho também nos ensina quem somos

Chegamos ao fim desta primeira semana de Novembro com um convite simples: reconhecer o caminho percorrido.

Não apenas as conquistas que podemos mostrar aos outros, mas também os pequenos passos que quase ninguém viu.

As vezes em que tivemos medo e avançámos.

Os dias em que foi difícil continuar.

As decisões que exigiram coragem.

As mudanças que começaram discretamente, dentro de nós.

Talvez tenhamos passado demasiado tempo a pensar no que faltou, no que não conseguimos ou naquilo que gostaríamos de ter feito de outra maneira.

Mas a nossa história não é feita apenas de oportunidades perdidas.

É também feita de aprendizagens, de afectos, de tentativas e de momentos em que encontrámos forças para continuar.

Há coisas que ainda precisamos de compreender.

Há outras que talvez nunca venham a ter uma explicação completa.

E está tudo bem não ter todas as respostas.

O importante é perceber que o passado pode fazer parte de nós sem ter de decidir sozinho o nosso futuro.

Novembro começa assim: não com a exigência de mudar tudo, mas com a possibilidade de olhar para trás, reconhecer o que aprendemos e escolher, com mais consciência, os próximos passos.

Porque os novos caminhos também se constroem com aquilo que a vida já nos ensinou.

Um dia de cada vez.

Com carinho,

SoLu@ ♡


🌿 Continua a caminhar comigo

Este texto faz parte do Calendário SoLu@ — Novembro 2026, dedicado aos Novos Caminhos e à Aprendizagem.

Ao longo do mês, vamos explorar aquilo que a vida nos ensina, a coragem de recomeçar, a abertura à mudança e a liberdade de escolher novos caminhos.

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Porque crescer não significa ter todas as respostas.

Às vezes, significa apenas continuar disponível para aprender.

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Lembra-te: o calendário é um guia, não uma prisão.

Perguntas frequentes

Porque é importante rever o caminho percorrido?

Porque olhar para as experiências passadas pode ajudar-nos a reconhecer aprendizagens, compreender decisões e fazer escolhas futuras com maior consciência.

Como deixar de sentir culpa por decisões antigas?

Começa por distinguir responsabilidade de julgamento permanente. Reconhecer um erro, reparar o que for possível e aprender com ele pode ser mais construtivo do que continuar a castigarmo-nos.

É possível aprender com experiências difíceis sem as considerar positivas?

Sim. Uma experiência pode ter sido dolorosa ou injusta e, ainda assim, ter contribuído para alguma aprendizagem. Reconhecer isso não significa justificar o sofrimento.

E se ainda não conseguir libertar um peso do passado?

Não precisas de o fazer imediatamente. Algumas experiências exigem tempo, apoio e cuidado. O primeiro passo pode ser simplesmente reconhecer o que ainda dói, sem te pressionares a ultrapassá-lo.

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Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar.

Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar | SoLu@

Há sonhos que deixamos para trás. Outros que aprendemos a viver de maneira diferente. E há aqueles que só descobrimos depois de termos percorrido um longo caminho.

Quando somos mais novos, imaginamos a vida de uma determinada maneira.

Fazemos planos, construímos sonhos, definimos metas. Acreditamos que sabemos quem queremos ser, o que queremos alcançar e como será o nosso futuro.

Depois, a vida acontece.

Chegam as escolhas, as responsabilidades, o amor, a maternidade, as alegrias inesperadas e também as desilusões. Há caminhos que seguimos por vontade própria e outros que nunca imaginámos ter de percorrer.

E, quase sem darmos conta, começamos a mudar.

Mudam as nossas prioridades. Mudam as pessoas de quem cuidamos. Muda aquilo que esperamos da vida.

Às vezes, até os sonhos que um dia nos fizeram levantar da cama deixam de fazer sentido.

E isso pode assustar-nos.

Porque fomos ensinados a acreditar que devemos perseguir os nossos sonhos até ao fim. Que desistir é falhar. Que mudar de rumo significa não ter conseguido chegar onde queríamos.

Mas será mesmo assim?

Quando os sonhos deixam de ser os mesmos

Hoje, quando olho para trás, percebo que nem todos os sonhos que tive continuam a ser os meus sonhos.

Alguns concretizaram-se. Outros ficaram pelo caminho. E há aqueles que perderam importância porque, entretanto, descobri coisas que passaram a valer muito mais.

A vida ensinou-me que nem sempre conseguimos ter tudo, fazer tudo ou ser tudo aquilo que imaginámos.

Também me ensinou que existem formas de felicidade que nunca teríamos sabido desejar quando éramos mais novos.

Talvez porque só a experiência nos permite compreender o verdadeiro valor de certas coisas.

O tempo com quem amamos. A tranquilidade de uma casa. A saúde. A liberdade de sermos quem somos. A possibilidade de continuar a aprender, mesmo quando julgávamos já saber tanto.

E, sobretudo, a paz de não precisarmos de provar constantemente que estamos a chegar a algum lado.

O propósito também cresce connosco

Durante muito tempo, podemos acreditar que o nosso propósito está ligado a uma profissão, a uma conquista ou a um grande objectivo.

Queremos construir uma carreira, formar uma família, alcançar estabilidade, realizar um sonho antigo.

E não há nada de errado nisso.

Mas o propósito não tem necessariamente de ser uma missão grandiosa, nem precisa de permanecer igual durante toda a vida.

Pode mudar quando nos tornamos mães.

Pode transformar-se quando os filhos crescem e começam a construir os seus próprios caminhos.

Pode ganhar outro significado depois de uma perda, de uma doença, de uma desilusão ou de um recomeço.

Pode até surgir numa fase em que sentimos que precisamos de voltar a olhar para nós.

Porque, por vezes, passamos tantos anos a cuidar, a trabalhar, a organizar e a responder às necessidades dos outros que nos esquecemos de perguntar:

E eu? O que quero continuar a construir nesta fase da minha vida?

Não se trata de deixar de amar ou de cuidar.

Trata-se de reconhecer que também temos direito a continuar a crescer.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Nesta Sexta-feira Nostálgica, regresso a uma proposta do antigo Calendário da Felicidade, guardado no Arquivo SoLu@.

Dia 30 — «Defina uma meta que ligue ao seu propósito na vida!»

Uma frase simples, mas que hoje me faz pensar de outra maneira.

Talvez, quando a li pela primeira vez, tivesse pensado numa meta concreta, num objectivo a alcançar, numa coisa importante para fazer.

Hoje, a pergunta que me acompanha é um pouco diferente:

Aquilo que estou a tentar alcançar ainda faz sentido para a pessoa que sou agora?

Porque também podemos continuar a perseguir objectivos antigos apenas por hábito, por receio de desiludir alguém ou porque nos custa admitir que mudámos.

E talvez uma das aprendizagens mais importantes da vida seja perceber que podemos escolher novamente.

Sem apagar o passado.

Sem desvalorizar aquilo que já fizemos.

Sem sentir que estamos a começar do zero.

Nem sempre precisamos de um novo sonho. Às vezes, precisamos de uma nova forma de viver.

Há fases em que não sabemos exactamente o que queremos.

Sabemos apenas que algumas coisas já não nos fazem tão felizes como antes.

Sentimos necessidade de mais tempo, mais calma, mais verdade. Ou de recuperar algo de nós que ficou esquecido entre tantas responsabilidades.

Nessas alturas, talvez não precisemos de encontrar imediatamente uma nova missão.

Talvez precisemos apenas de nos escutar.

De voltar a fazer algo de que gostamos.

De aprender uma coisa nova.

De escrever.

De cuidar melhor da nossa saúde.

De recuperar uma amizade.

De dedicar tempo a um projecto que ficou adiado.

Ou simplesmente de permitir que os dias tenham mais espaço para aquilo que nos faz bem.

Um propósito também pode começar num gesto pequeno.

E não precisa de impressionar ninguém para ter valor.

Uma pequena prática para esta semana

Hoje, convido-te a reservar alguns minutos para pensar em três perguntas:

  1. Que sonho antigo já não faz sentido para mim?
    Não para o lamentar, mas para reconhecer aquilo que mudou.
  2. O que continua a dar sentido aos meus dias?
    Pode ser uma pessoa, uma actividade, um valor, um projecto ou uma forma de estar na vida.
  3. Que pequena meta posso definir para me aproximar daquilo que hoje considero importante?
    Uma meta possível, concreta e minha.

Não precisamos de transformar todas as reflexões em grandes decisões.

Às vezes, basta perceber que há algo que queremos fazer de maneira diferente.

E dar o primeiro passo.

De Outubro para Novembro: continuar a caminhar

Outubro convidou-nos a olhar para a vida com mais optimismo e esperança.

A acreditar outra vez. A confiar no que cresce. A encontrar alguma luz nos dias difíceis. A olhar em frente.

Agora, à medida que nos aproximamos de Novembro, surge um novo convite: reconhecer o caminho percorrido e continuar a aprender.

Porque a esperança também precisa de movimento.

Não basta acreditar que as coisas podem mudar. Em determinados momentos, precisamos de encontrar coragem para fazer escolhas, experimentar outros caminhos e aceitar que ainda temos muito para descobrir.

Talvez o próximo capítulo não seja aquele que imaginámos há vinte anos.

Talvez seja diferente.

Mais simples. Mais consciente. Mais próximo daquilo que realmente importa.

E talvez isso também seja uma forma de realizar os nossos sonhos.

Para guardar no coração

Os meus sonhos mudaram. E eu também. Não preciso de ser fiel a todos os planos que fiz, mas quero continuar a ser fiel àquilo que dá sentido à minha vida.

Hoje, não quero medir o meu caminho apenas pelos sonhos que consegui concretizar.

Quero também reconhecer tudo aquilo que aprendi, as pessoas que amei, os desafios que atravessei e a mulher em que me fui tornando.

Porque crescer também é aceitar que podemos mudar de ideias, de prioridades e de direcção.

E continuar a acreditar que ainda há coisas bonitas por viver.

Com carinho,
SoLu@


E tu?

Há algum sonho que deixaste para trás e que, hoje, percebes que já não precisas de realizar?

Ou há um sonho novo, ainda pequenino, que começa agora a ganhar espaço na tua vida?

Se te apetecer, partilha comigo. Talvez a tua reflexão ajude outra pessoa a perceber que mudar de caminho também pode ser uma forma de continuar.

Do Arquivo para o presente: visita o Arquivo SoLu@ e acompanha o Calendário SoLu@, onde cada mês é um convite para viver com mais consciência, um dia de cada vez.

O calendário é um guia, não uma prisão.

Quando tudo parece difícil, lembrar aquilo que também correu bem

Quando tudo parece difícil, lembrar o que correu bem

Há dias em que a vida pesa tanto que nos esquecemos de reconhecer aquilo que, apesar de tudo, continua a correr bem.

Há fases da vida em que parece que tudo acontece ao mesmo tempo.

Uma preocupação com os filhos. Uma notícia que não esperávamos. Um problema de saúde. Uma situação familiar que nos tira o sono. Planos que não se concretizam, decisões difíceis, responsabilidades que se acumulam.

E, quando damos por nós, estamos tão concentradas no que falta resolver que deixamos de reparar naquilo que já conseguimos ultrapassar.

Eu própria reconheço esta tendência.

Há dias em que me deito a pensar em tudo o que ficou por fazer, nas preocupações que continuam sem resposta e naquilo que gostaria de conseguir mudar.

Como mãe, como mulher, como alguém que procura cuidar dos seus e construir uma vida com sentido, nem sempre é fácil desligar a cabeça.

Por vezes, parece que uma preocupação substitui outra. E, quando finalmente conseguimos resolver alguma coisa, já estamos a pensar no próximo problema.

Mas será que, no meio de tudo isto, também conseguimos reconhecer aquilo que correu bem?

Quando as dificuldades ocupam todo o espaço

A nossa atenção tem uma forma curiosa de funcionar.

Podemos ter vivido um dia com vários momentos tranquilos e, ainda assim, chegar à noite a pensar apenas naquele que nos magoou, preocupou ou desiludiu.

Uma conversa difícil parece apagar outras conversas boas.

Uma notícia menos positiva parece pesar mais do que várias pequenas alegrias.

E uma situação que não conseguimos controlar pode fazer-nos esquecer tantas outras em que fomos capazes de encontrar soluções.

Não significa que sejamos ingratas ou pessimistas.

Significa, muitas vezes, que estamos cansadas, preocupadas ou simplesmente a tentar dar resposta a demasiadas coisas.

Mas também significa que precisamos, de vez em quando, de recuperar uma visão mais completa da nossa própria vida.

Porque a vida não é feita apenas daquilo que nos corre mal.

Também é feita daquilo que conseguimos, do que aprendemos, das pessoas que permanecem e dos pequenos momentos que nos ajudam a continuar.

Uma memória do Arquivo SoLu@

Ao revisitar os textos antigos do SoLu@, encontro muitas vezes mensagens que continuam a fazer sentido no presente.

No Dia 23 do antigo calendário de Outubro Otimista, a proposta era simples:

Escrever três coisas específicas que correram bem recentemente.

Parece um exercício pequeno.

E é.

Mas talvez seja precisamente por isso que merece ser recuperado.

Não nos pede que ignoremos os problemas, que escondamos a tristeza ou que finjamos que tudo está bem.

Convida-nos apenas a recordar que, mesmo quando estamos a atravessar dificuldades, podem existir acontecimentos positivos que passaram quase despercebidos.

E que também fazem parte da nossa história.

Três coisas que também correram bem

Pensei no valor deste exercício para a minha própria vida.

Nem sempre precisamos de encontrar grandes acontecimentos.

Às vezes, aquilo que correu bem foi uma conversa com um filho que nos deixou mais tranquilas.

Um momento à mesa em família.

Uma preocupação que afinal não se confirmou.

Uma tarefa que conseguimos terminar depois de vários dias a adiá-la.

Uma gargalhada inesperada.

Ou simplesmente termos conseguido enfrentar um dia difícil sem desistir de nós próprias.

Há pequenas vitórias que ninguém vê.

E há gestos tão habituais que deixamos de lhes reconhecer o valor.

Talvez porque estamos sempre à espera de algo maior.

De uma solução definitiva.

De uma fase mais tranquila.

De um momento em que tudo esteja finalmente no seu lugar.

Mas a vida raramente nos oferece essa perfeição.

E, enquanto esperamos por ela, podemos deixar passar muitos dos momentos que também mereciam ficar guardados.

A gratidão não apaga aquilo que dói

Há uma coisa que considero importante esclarecer.

Não acredito numa gratidão que nos obrigue a sorrir quando estamos tristes.

Nem num optimismo que nos faça sentir culpadas por termos medo, dúvidas ou dias menos bons.

Há situações verdadeiramente difíceis. Há perdas que deixam marcas. Há preocupações que não desaparecem apenas porque decidimos pensar de forma positiva.

E está tudo bem em reconhecer isso.

Ser grata não significa estar satisfeita com tudo o que acontece na nossa vida.

Significa conseguir reconhecer o que tem valor, mesmo quando outras coisas continuam a doer.

Podemos estar preocupadas com o futuro de alguém que amamos e, ao mesmo tempo, agradecer a oportunidade de estarmos presentes na sua vida.

Podemos sentir saudades de quem já partiu e continuar a encontrar motivos para sorrir.

Podemos estar cansadas e reconhecer que, apesar de tudo, fizemos o melhor que conseguimos.

As duas realidades podem existir ao mesmo tempo.

E talvez seja essa uma das formas mais maduras de viver a esperança.

Não negar a dificuldade, mas também não permitir que ela conte sozinha toda a nossa história.

O que a memória nos pode ensinar

Quando olho para trás, percebo que já existiram momentos em que pensei que não conseguiria encontrar uma solução.

Houve situações que me preocuparam profundamente.

Decisões que me fizeram duvidar.

Mudanças que não desejava.

E acontecimentos que alteraram a forma como imaginava o futuro.

Nem tudo se resolveu como eu queria.

Algumas coisas continuam sem resposta.

Mas outras acabaram por encontrar o seu caminho.

E eu própria fui aprendendo, muitas vezes sem perceber, a lidar com realidades que antes me pareciam impossíveis.

É por isso que considero tão importante guardar memórias.

Não apenas as fotografias dos dias felizes ou as datas especiais.

Também as pequenas conquistas, os gestos de coragem, as dificuldades ultrapassadas e os momentos em que a vida nos surpreendeu pela positiva.

Porque, quando voltamos a atravessar uma fase difícil, essas memórias podem recordar-nos algo essencial:

Já houve dias em que também não sabíamos como continuar. E, de alguma forma, encontrámos o passo seguinte.

Isso não garante que tudo vá correr bem amanhã.

Mas pode ajudar-nos a acreditar que ainda existem possibilidades que hoje não conseguimos ver.

Um pequeno exercício para esta sexta-feira

Hoje, convido-te a recuperar a proposta do Arquivo SoLu@.

Pega num caderno, numa folha ou simplesmente nas notas do telemóvel.

E escreve:

1. Uma coisa que correu bem esta semana.

Pode ser algo simples, mas procura recordar exactamente o que aconteceu.

2. Uma situação que conseguiste enfrentar melhor do que esperavas.

Talvez não tenha sido perfeita. Talvez tenha exigido esforço. Mas reconhece a tua participação nesse caminho.

3. Um momento ou uma pessoa que te fez sentir bem.

Uma conversa, uma presença, uma mensagem, um gesto de carinho ou um instante de tranquilidade.

Depois, relê aquilo que escreveste.

Não para te convenceres de que tudo está bem.

Mas para recordares que nem tudo está mal.

E, se hoje não conseguires encontrar três coisas, escreve apenas uma. Se nem isso for possível, não te julgues. Podes voltar ao exercício noutro dia.

A gratidão também precisa de espaço, de liberdade e de verdade.

Talvez precisemos de olhar para a nossa vida com mais ternura

Nem sempre damos a nós próprias o reconhecimento que merecemos.

Somos rápidas a identificar o que falhou, aquilo que não fizemos ou o que ainda precisamos de melhorar.

Mas raramente paramos para reconhecer tudo o que já sustentámos.

As noites mal dormidas.

As preocupações silenciosas.

As decisões tomadas com medo.

As vezes em que continuámos a cuidar de alguém, mesmo quando também precisávamos de cuidado.

E os pequenos momentos em que conseguimos fazer a diferença.

Talvez hoje seja um bom dia para reconhecer tudo isso.

Não como uma forma de nos conformarmos com aquilo que desejamos mudar.

Mas como um gesto de justiça para com a nossa própria história.

Porque também merecemos recordar aquilo que fizemos bem.

Reflexão final SoLu@

Há dias em que a vida parece mostrar-nos apenas aquilo que falta.

Falta tempo. Falta descanso. Falta uma resposta. Falta a tranquilidade que tanto desejamos.

Mas, se olharmos com atenção, talvez descubramos que também existem coisas que permanecem.

O amor de alguém.

Uma pequena conquista.

Uma dificuldade que já ultrapassámos.

Um gesto que nos fez sorrir.

Uma esperança que, apesar de tudo, ainda não desapareceu.

E talvez seja suficiente para começarmos a olhar para o amanhã com um pouco mais de confiança.

SoLu@ — “Nem tudo correu como eu queria. Mas, quando olho para trás com carinho, descubro que também houve tanto que correu bem.”

Com carinho,

SoLu@

Amor Incondicional · Aprender a Amar e a Viver…

Sugestão de Leitura

Como manter a esperança quando a vida não acontece como imaginámos

Como manter a esperança quando a vida muda — SoLu@

Nem todos os sonhos se realizam como os desenhámos. Mas isso não significa que a vida tenha deixado de guardar coisas bonitas para nós.

Há momentos em que olho para a vida e penso em tudo aquilo que imaginei que seria diferente.

Nos planos que fiz. Nos sonhos que alimentei. Nas certezas que tive e que, com o passar dos anos, se foram transformando em perguntas.

Quando somos mais novos, imaginamos tantas coisas…

Imaginamos o amor, a família, os filhos, o trabalho, a estabilidade, a saúde e até a pessoa que acreditamos que vamos ser.

Fazemos planos como se a vida fosse uma estrada que pudéssemos desenhar antecipadamente.

E depois crescemos.

Vivemos.

Amamos.

Perdemos.

Aprendemos.

E percebemos que nem sempre a vida acompanha aquilo que o nosso coração tinha imaginado.

Mas será que uma vida diferente daquela que sonhámos é necessariamente uma vida menos bonita?

Tenho pensado muito nisto.

Sobretudo porque, com os anos, comecei a compreender que uma das aprendizagens mais difíceis é aceitar aquilo que não podemos mudar, sem deixar de acreditar naquilo que ainda podemos construir.

Quando os planos deixam de fazer sentido

Há sonhos que se realizam.

Outros que ficam pelo caminho.

E há aqueles que continuam dentro de nós, mas que já não sabemos se fazem sentido na pessoa em que nos transformámos.

Às vezes, não é uma grande tragédia que muda a nossa vida.

É uma sucessão de pequenas mudanças.

Uma expectativa que não se concretiza.

Uma relação que se transforma.

Uma preocupação com quem amamos.

Uma oportunidade que não chega.

Uma fase da vida que termina antes de estarmos preparados para a deixar partir.

Ou simplesmente a descoberta de que aquilo que desejávamos aos vinte anos já não corresponde ao que precisamos aos cinquenta.

Durante muito tempo, podemos sentir que falhámos porque não chegámos onde queríamos.

Mas hoje pergunto-me:

Será que falhámos ou será que a vida nos levou por caminhos que ainda estamos a aprender a compreender?

Nem sempre sabemos responder.

E talvez não precisemos de encontrar uma resposta imediatamente.

Aceitar não é desistir

Uma das coisas que tenho aprendido é que aceitar a realidade não significa gostar de tudo o que aconteceu.

Não significa concordar com as injustiças, esquecer as perdas ou deixar de desejar uma vida melhor.

Aceitar é reconhecer onde estamos.

É olhar para a nossa história sem continuar a exigir que o passado seja diferente.

É compreender que há coisas que não podemos alterar, por mais que as pensemos, por mais que nos culpemos ou por mais que desejemos voltar atrás.

E isto torna-se especialmente difícil quando aquilo que nos preocupa não é apenas a nossa felicidade, mas também a felicidade de quem amamos.

Como mãe, há momentos em que gostaria de conseguir proteger os meus filhos de todas as dificuldades.

Gostaria que a vida lhes fosse leve.

Que tivessem saúde, oportunidades, amor, amigos verdadeiros e confiança suficiente para seguirem os seus sonhos.

Mas sei que não posso escolher todos os caminhos por eles.

Não posso evitar todas as desilusões.

Nem garantir que o futuro será exactamente como desejo.

Posso amar, acompanhar, cuidar e estar presente. Mas também tenho de aprender a confiar na vida que eles próprios irão construir.

Talvez seja uma das formas mais difíceis de esperança: continuar a acreditar sem ter garantias.

A tristeza pelos sonhos que não aconteceram

Nem sempre falamos da tristeza que sentimos por aquilo que não chegou a acontecer.

Falamos do luto por alguém que perdemos, de uma separação ou de uma mudança importante.

Mas também podemos sentir tristeza por uma vida que imaginámos e que nunca chegou a existir.

Pela profissão que não seguimos.

Pelas oportunidades que deixámos passar.

Pelas relações que gostaríamos que tivessem sido diferentes.

Pelos momentos que pensávamos que ainda teríamos.

Ou pela versão de nós próprias que, em determinada altura, acreditámos que seríamos.

Essa tristeza merece ser reconhecida.

Não precisamos de a esconder atrás de frases positivas.

Nem de fingir que tudo acontece por uma razão que conseguimos compreender.

Há acontecimentos dolorosos que simplesmente não gostaríamos de ter vivido.

E podemos admitir isso.

A esperança verdadeira não exige que estejamos sempre bem. Permite-nos sentir tristeza e, ainda assim, não desistir da possibilidade de voltar a encontrar alegria.

Quando a esperança precisa de mudar de forma

Durante muito tempo, talvez tenhamos associado a esperança à concretização de um desejo.

Esperar que determinada situação se resolva.

Que alguém mude.

Que uma oportunidade apareça.

Que um problema desapareça.

Que tudo volte a ser como antes.

Mas há momentos em que precisamos de transformar a nossa maneira de esperar.

Talvez já não seja possível recuperar exactamente o que perdemos.

Talvez não consigamos concretizar um determinado sonho.

Talvez a nossa vida nunca volte a ser como era.

E isso custa.

Mas podemos começar a perguntar:

O que ainda é possível construir a partir daqui?

Talvez a esperança deixe de estar num grande acontecimento futuro e passe a viver em pequenos gestos.

Numa conversa sincera.

Num abraço inesperado.

Num novo interesse.

Na coragem de pedir ajuda.

Num momento tranquilo em família.

Numa manhã em que acordamos com vontade de tentar novamente.

Não é pouco.

Às vezes, é precisamente assim que começamos a reconstruir o sentido da nossa vida.

Rever expectativas com mais gentileza

Tenho aprendido que nem todas as expectativas que criamos nos fazem bem.

Algumas ajudam-nos a crescer.

Outras transformam-se em exigências demasiado pesadas.

Queremos ser boas mães, boas companheiras, boas profissionais, boas filhas.

Queremos estar disponíveis para todos.

Queremos fazer as escolhas certas.

Queremos que nada de mau aconteça às pessoas que amamos.

E, quando alguma coisa corre de forma diferente, começamos a procurar aquilo que poderíamos ter feito melhor.

Mas será justo exigir tanto de nós próprias?

Hoje acredito que precisamos de aprender a olhar para as nossas escolhas com a consciência de quem somos agora, mas também com o respeito por quem éramos quando as fizemos.

Naquele momento, não sabíamos tudo o que sabemos hoje.

Não conhecíamos todos os caminhos.

Não podíamos prever todas as consequências.

Fizemos escolhas com os recursos, os sentimentos e o conhecimento que tínhamos.

Isso não significa que não tenhamos cometido erros.

Significa apenas que somos humanas.

E ser humana também é aprender a perdoar a mulher que fomos, enquanto continuamos a cuidar da mulher que estamos a tornar-nos.

A vida ainda pode surpreender-nos

Há uma coisa que a vida me tem mostrado: nem todas as coisas boas chegaram quando eu esperava.

Algumas vieram mais tarde.

Outras surgiram de formas que nunca teria imaginado.

E algumas só consegui reconhecer depois de atravessar momentos difíceis.

Não acredito que todas as dificuldades existam para nos ensinar alguma coisa.

Há dores que preferíamos nunca ter conhecido.

Mas acredito que, mesmo depois dessas dores, podemos encontrar novas formas de viver, amar e dar significado aos nossos dias.

Talvez não seja possível voltar ao ponto onde estávamos.

Mas pode ser possível descobrir um caminho diferente.

Não necessariamente melhor.

Não necessariamente mais fácil.

Apenas um caminho que ainda pode ser nosso.

E isso também é esperança.

Uma pequena prática SoLu@ — Rever os planos sem me julgar

Esta semana, convido-te a reservar alguns minutos para escrever.

Não para fazer uma lista de tudo o que falta conquistar, mas para olhar com carinho para o caminho percorrido.

1. O que imaginei para a minha vida que acabou por acontecer de forma diferente?

Escolhe uma situação. Não precisas de revisitar todas as desilusões.

2. O que ainda me custa aceitar?

Dá espaço ao sentimento, sem tentares encontrar imediatamente uma solução.

3. O que continua a ser importante para mim?

Talvez o sonho tenha mudado, mas o valor que estava por detrás dele continue presente.

4. O que posso fazer hoje com aquilo que tenho?

Procura um gesto pequeno, concreto e possível.

5. Que expectativa posso aliviar?

Talvez não precises de desistir do sonho. Talvez precises apenas de deixar de exigir que aconteça exactamente como imaginaste.

Mini desafio da semana

Durante os próximos dias, sempre que te apanhares a pensar «A minha vida já devia estar diferente», experimenta substituir esse pensamento por uma pergunta:

«O que posso cuidar ou construir na vida que tenho hoje?»

Não é uma forma de negar o que falta.

É uma forma de reconhecer que o presente também merece a nossa atenção.

Reflexão final — Ainda há vida por viver

Hoje sei que não posso voltar atrás e mudar todos os caminhos.

Não posso recuperar todos os momentos.

Não posso impedir todas as dificuldades.

E não posso garantir que amanhã será exactamente como desejo.

Mas posso continuar a amar.

Posso aprender.

Posso cuidar melhor de mim e dos outros.

Posso mudar de opinião.

Posso fazer novos planos.

Posso reconhecer que alguns sonhos terminaram e permitir que outros comecem.

Sobretudo, posso lembrar-me de que a minha história não se resume ao que não aconteceu.

Também é feita de tudo aquilo que consegui viver, construir, ultrapassar e amar.

Talvez a esperança seja isso.

Não acreditar que a vida vai obedecer aos nossos planos, mas confiar que ainda podemos encontrar sentido, amor e momentos felizes no caminho que temos pela frente.

E, mesmo quando esse caminho é diferente do que imaginámos, continua a merecer ser vivido.

Com amor,

SoLu@ — Amor Incondicional

«Nem sempre a vida acontece como sonhámos. Mas enquanto houver amor, coragem e vontade de continuar, ainda há páginas por escrever.»

E tu?

Há algum sonho ou expectativa que tiveste de aprender a transformar?

Se te fizer sentido, partilha a tua reflexão nos comentários. Talvez a tua experiência ajude alguém que esteja a atravessar um momento semelhante.

Sugestão de Leitura

Também precisamos de agradecer à mulher que fomos

Mulher num momento de reflexão e gratidão pelo caminho percorrido.

Há uma mulher dentro de nós que atravessou dias difíceis, cuidou de tanta gente, adiou sonhos e continuou, mesmo quando ninguém reparou. Talvez esteja na hora de lhe agradecer.

Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança

Ser Melhor | Sexta-feira Nostálgica

Quando foi a última vez que agradeceste a ti própria?

Há dias em que olhamos para a nossa vida e pensamos em tudo o que ainda falta fazer.

As tarefas por terminar. Os sonhos que ficaram à espera. As decisões que poderíamos ter tomado de outra maneira. Aquilo que não conseguimos mudar.

Somos tantas vezes exigentes connosco próprias.

Queremos ser melhores mães, melhores companheiras, melhores filhas, melhores profissionais. Queremos estar presentes, cuidar, compreender, resolver e encontrar forças para continuar.

Mas raramente paramos para reconhecer tudo aquilo que já fizemos.

E hoje, ao revisitar uma reflexão antiga do meu Arquivo SoLu@, encontrei um convite que me parece cada vez mais importante:

Agradecer a nós próprias.

Não apenas pelo que conquistámos, mas também por tudo aquilo que enfrentámos para chegar até aqui.

O trabalho invisível de uma mulher

Há um trabalho que não aparece nos currículos, nas fotografias de família ou nas conversas sobre sucesso.

É o trabalho de quem se lembra das consultas, das preocupações, das necessidades de cada pessoa.

De quem percebe quando um filho não está bem, mesmo quando ele responde que está tudo bem.

De quem organiza, antecipa, acompanha e tenta encontrar soluções.

De quem cuida dos outros e, tantas vezes, deixa as próprias necessidades para depois.

E não falo apenas de tarefas domésticas.

Falo daquele trabalho emocional que acompanha tantas mulheres ao longo da vida.

As preocupações que levamos para a cama. As perguntas para as quais ainda não temos respostas. O desejo de proteger quem amamos, mesmo sabendo que nem tudo depende de nós.

Por vezes, estamos tão habituadas a fazer tudo isto que deixamos de reconhecer o esforço que representa.

Como se cuidar fosse uma obrigação que não merecesse reconhecimento.

Mas merece.

Porque aquilo que fazemos por amor também exige tempo, energia, coragem e, muitas vezes, uma parte de nós.

À mulher que fui…

Hoje gostava de olhar para trás com um pouco mais de ternura.

Para a jovem que tinha tantos sonhos e ainda não sabia o que a vida lhe iria ensinar.

Para a mulher que aprendeu a amar, a construir uma família e a descobrir a maternidade.

Para a mãe que tantas vezes teve dúvidas, receios e inseguranças, mas procurou fazer o melhor que sabia.

Para a mulher que enfrentou mudanças, perdas, preocupações e momentos em que a vida não aconteceu como tinha imaginado.

Talvez nem sempre tenha tomado as melhores decisões.

Talvez tenha exigido demasiado de si própria.

Talvez tenha passado anos a pensar primeiro nos outros e só depois em si.

Mas fez um caminho.

Aprendeu. Errou. Recomeçou.

E, sobretudo, continuou.

Hoje não quero olhar para essa mulher apenas com os olhos de quem sabe o que aconteceu depois.

Quero olhá-la com a compreensão que talvez lhe tenha faltado naquele tempo.

Obrigada à mulher que fui, por ter feito o melhor que conseguia com aquilo que sabia, sentia e tinha naquele momento.

Nem tudo aquilo que fizemos foi perfeito. E está tudo bem.

Durante muitos anos, podemos carregar a sensação de que devíamos ter feito mais.

Ter tido mais paciência.

Ter estado mais presentes.

Ter percebido mais cedo determinadas situações.

Ter cuidado melhor de nós.

Mas existe uma diferença entre aprender com o passado e continuar a castigar-nos por ele.

Hoje sabemos coisas que antes desconhecíamos.

Temos experiências que ainda não tínhamos vivido.

Compreendemos melhor determinadas escolhas, comportamentos e acontecimentos.

E isso não significa que a mulher de ontem tenha falhado.

Significa que a mulher de hoje cresceu.

Agradecer a quem fomos não é fingir que fizemos tudo bem.

É reconhecer o esforço, aceitar as imperfeições e permitir que o passado nos ensine sem continuar a magoar-nos.

E quem cuida de quem cuida?

Esta é uma pergunta que me acompanha cada vez mais.

Quando passamos tantos anos a cuidar da família, a acompanhar o crescimento dos filhos e a preocupar-nos com o bem-estar de quem amamos, podemos esquecer-nos de perguntar:

E eu? Como estou verdadeiramente?

Não é egoísmo querer descansar.

Não é falta de amor precisar de tempo para nós.

Não é abandonar ninguém reconhecer que também temos limites.

Talvez uma das aprendizagens mais importantes da maturidade seja compreender que o nosso valor não depende apenas daquilo que fazemos pelos outros.

Somos mais do que as nossas responsabilidades.

Também temos sentimentos, sonhos, necessidades e uma identidade que merece espaço.

E podemos continuar a amar profundamente a nossa família sem deixar de cuidar da mulher que existe para além dela.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Esta reflexão nasce de um dos exercícios do antigo calendário que fui partilhando nos Blogs SAPO, inspirado no movimento Action for Happiness.

No Dia 16, o convite era simples: agradecer a si próprio.

Na altura, talvez fosse apenas mais um pequeno exercício de gratidão e crescimento pessoal.

Hoje, ao revisitá-lo, encontro nele um significado mais profundo.

Porque o tempo muda a forma como olhamos para aquilo que vivemos.

E os textos antigos têm essa capacidade bonita de nos devolver perguntas que, anos depois, continuam a fazer sentido.

O Arquivo SoLu@ guarda precisamente isso: a memória da mulher que fui, das palavras que escrevi, das ideias em que acreditei e das aprendizagens que me acompanharam.

Não quero apagar essa mulher para dar lugar à mulher que sou hoje.

Quero que as duas possam conversar.

Porque uma não existiria sem a outra.

A esperança também nasce daquilo que já conseguimos superar

Outubro é, no Calendário SoLu@, o mês do Optimismo e da Esperança.

E há uma forma de esperança que nem sempre reconhecemos.

Aquela que nasce quando olhamos para trás e percebemos:

Já enfrentámos dias que julgávamos não conseguir atravessar.

Já encontrámos soluções para problemas que pareciam não ter resposta.

Já aprendemos a viver com mudanças que não escolhemos.

Já recomeçámos mais vezes do que imaginávamos.

Isto não significa que o futuro seja fácil ou que tudo acabe por correr como desejamos.

Mas recorda-nos que temos uma história de aprendizagem, adaptação e coragem.

A esperança não precisa de nascer da certeza de que tudo vai correr bem. Pode nascer da confiança de que continuaremos a procurar o melhor caminho possível.

Um pequeno exercício de gratidão por ti

Hoje proponho-te algo diferente.

Em vez de escreveres uma lista de tudo aquilo por que estás grata, escreve uma pequena carta à mulher que foste.

Pensa em três momentos da tua vida:

1. Um momento em que foste corajosa.

Mesmo que ninguém tenha percebido o medo que sentias.

2. Um momento em que cuidaste de alguém.

Mesmo que esse gesto tenha passado despercebido.

3. Um momento em que continuaste.

Mesmo sem saber exactamente como seria o dia seguinte.

Agora termina esta frase:

«Obrigada à mulher que fui por…»

Não precisas de escrever muito.

Talvez algumas palavras sejam suficientes para começares a olhar para ti com mais carinho.

Para terminar…

Hoje quero agradecer à mulher que fui.

Àquela que sonhou, que amou, que cuidou, que teve medo, que chorou e que encontrou motivos para sorrir.

Àquela que nem sempre soube o que fazer, mas procurou fazer o melhor que conseguia.

Àquela que tantas vezes se colocou em último lugar.

E também àquela que, aos poucos, está a aprender que merece fazer parte das suas próprias prioridades.

Não sei tudo o que o futuro me reserva.

Sei apenas que quero continuar a aprender, a amar e a viver com mais consciência.

E que não preciso de desvalorizar a mulher que fui para me tornar na mulher que desejo ser.

Porque também merecemos ser reconhecidas por nós próprias.

Com carinho,

SoLu@ — Amor Incondicional

«Hoje agradeço à mulher que fui. Não por ter feito tudo bem, mas por nunca ter deixado de aprender a viver.»


E tu?

Se hoje pudesses encontrar a mulher que eras há dez ou vinte anos, o que lhe dirias?

Talvez não precisasses de lhe dar conselhos.

Talvez bastasse abraçá-la e dizer:

Obrigada. Fizeste o melhor que sabias. Agora deixa-me continuar.

Partilha comigo, nos comentários: pelo que gostarias de agradecer à mulher que foste?

Continua este caminho comigo

Este texto integra o Calendário SoLu@ de Outubro de 2026 — Optimismo e Esperança.

Descobre as reflexões e pequenas práticas do mês em Calendário SoLu@ — Outubro.

E, se gostas de encontrar nas palavras um espaço para pensar, sentir e crescer, acompanha a Newsletter SoLu@.

Porque não precisamos de fazer tudo de uma vez. Podemos continuar, um dia de cada vez.

Sugestão de Leituras:

Quando deixamos de procurar culpados e começamos a procurar caminho

Caminho símbolo de esperança e de novos caminhos

Às vezes, a esperança começa quando deixamos de perguntar «De quem foi a culpa?» e começamos a perguntar «O que posso fazer agora?».

Sexta-feira Nostálgica | Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança

Há pensamentos antigos que regressam à nossa vida com um significado diferente.

Não porque tenham deixado de fazer sentido, mas porque nós mudámos.

Crescemos. Vivemos. Errámos. Desiludimo-nos. Aprendemos que nem sempre temos razão, que nem sempre conseguimos evitar o sofrimento e que há acontecimentos para os quais nunca encontramos uma explicação verdadeiramente satisfatória.

Hoje, nesta Sexta-feira Nostálgica, volto a uma reflexão que escrevi no âmbito do calendário de Outubro Optimista:

«Evite culpar a si mesmo ou aos outros…»

Uma frase aparentemente simples, mas que, quando olhamos para a nossa própria vida, pode tornar-se bastante mais complexa.

Porque será assim tão fácil deixar de procurar culpados?

E será que deixar de culpar significa deixar de responsabilizar?

Quando alguma coisa corre mal, queremos encontrar uma explicação

Penso que todos nós já passámos por momentos em que sentimos necessidade de perceber por que razão alguma coisa aconteceu.

Uma decisão que não correu como esperávamos.

Uma relação que nos magoou.

Uma oportunidade que perdemos.

Uma palavra que dissemos e da qual nos arrependemos.

Ou uma situação que, por mais que tentássemos, não conseguimos controlar.

Nesses momentos, é tão fácil cair na procura de culpados.

Por vezes, culpamos os outros porque sentimos que foram injustos connosco.

Outras vezes, voltamos a culpa contra nós próprias:

Se eu tivesse feito diferente…

Se tivesse percebido mais cedo…

Se tivesse dito alguma coisa…

Se tivesse tomado outra decisão…

E ficamos ali, a repetir mentalmente aquilo que já não conseguimos mudar.

Como se encontrar o momento exacto em que tudo correu mal pudesse devolver-nos a possibilidade de escrever outra história.

Mas o passado não muda só porque continuamos a interrogá-lo.

E, por vezes, nessa procura incessante de explicações, esquecemo-nos de olhar para aquilo que ainda podemos fazer.

Nem tudo é culpa nossa. Mas há coisas pelas quais somos responsáveis.

Com o passar dos anos, fui percebendo que existe uma diferença muito importante entre culpa e responsabilidade.

A culpa, quando se transforma numa condenação permanente, prende-nos ao que aconteceu.

A responsabilidade, pelo contrário, pode ajudar-nos a compreender, reparar e seguir em frente.

Não significa que todas as situações sejam iguais.

Há momentos em que cometemos erros e precisamos de os reconhecer.

Há outros em que alguém nos magoou e essa pessoa deve assumir a responsabilidade pelos seus actos.

E há acontecimentos que simplesmente não dependiam de nós.

Deixar de procurar culpados não significa desculpar tudo, aceitar injustiças ou fingir que nada aconteceu.

Significa aprender a distinguir aquilo que podemos mudar daquilo que precisamos de aceitar, sem confundir aceitação com resignação.

Podemos reconhecer uma injustiça e estabelecer limites.

Podemos admitir um erro e pedir desculpa.

Podemos sofrer uma desilusão e decidir não continuar numa situação que nos faz mal.

E podemos, sobretudo, deixar de carregar responsabilidades que nunca foram nossas.

A vida também me ensinou a olhar para mim

Quando revisito os meus textos antigos, encontro muitas vezes uma versão de mim que procurava respostas para quase tudo.

Acreditava, e continuo a acreditar, na importância dos pensamentos positivos, da esperança e da nossa atitude perante a vida.

Mas hoje sei que ser positiva não significa estar sempre bem.

Que ter esperança não significa acreditar que tudo vai correr exactamente como desejamos.

E que assumir a responsabilidade pela nossa felicidade não significa sermos culpadas por tudo aquilo que nos acontece.

Há dias difíceis.

Há perdas que não conseguimos evitar.

Há decisões que tomamos com a informação e a maturidade que tínhamos naquele momento.

E há situações em que fazemos o melhor que sabemos, mesmo que, mais tarde, percebamos que poderíamos ter feito diferente.

Talvez crescer também seja isto:

Aprender a olhar para a mulher que fomos com mais compreensão e para a mulher que somos com mais responsabilidade.

Sem negar os erros.

Sem apagar as dores.

Mas também sem transformar cada falha numa sentença para toda a vida.

E se, em vez de procurar culpados, procurássemos um caminho?

Esta é a pergunta que hoje retiro daquela reflexão antiga.

Quando alguma coisa corre mal, podemos continuar a perguntar:

Porque é que isto me aconteceu?

Quem teve a culpa?

Porque não fiz diferente?

Mas talvez, depois de reconhecermos o que aconteceu e o que sentimos, possamos acrescentar outras perguntas:

O que posso aprender com esta experiência?

O que está ao meu alcance mudar?

Que limites preciso de estabelecer?

Há alguma coisa que possa reparar?

Qual é o próximo passo possível?

Nem sempre encontramos respostas imediatas.

Nem sempre existe uma solução simples.

E nem todos os caminhos nos levam exactamente ao lugar onde gostaríamos de chegar.

Mas procurar um caminho devolve-nos alguma capacidade de agir.

Mesmo quando esse caminho começa apenas por descansar, pedir ajuda, conversar ou aceitar que precisamos de tempo.

A esperança também vive nas soluções pequenas

Neste mês de Outubro, em que o Calendário SoLu@ nos convida a cultivar o Optimismo e a Esperança, esta reflexão ganha um significado especial.

Porque o optimismo que hoje procuro não é aquele que ignora os problemas.

É um optimismo mais consciente.

Que reconhece as dificuldades, mas não desiste de procurar possibilidades.

Que aceita que há coisas que não conseguimos resolver sozinhas.

Que compreende que pedir ajuda também é uma forma de avançar.

E que nos lembra que um erro não precisa de definir toda a nossa história.

Às vezes, a solução não é mudar tudo.

É mudar uma atitude.

Ter uma conversa que adiámos.

Pedir desculpa.

Perdoarmo-nos por não termos sabido fazer melhor.

Estabelecer um limite.

Ou simplesmente decidir que já não queremos continuar a viver presas à mesma pergunta.

Porque há perguntas que nos ajudam a compreender.

E há outras que, quando repetidas sem fim, apenas prolongam o sofrimento.

Do Arquivo SoLu@ para a vida de hoje

Quando comecei a escrever sobre estes temas, inspirada pelos calendários de felicidade e bem-estar, procurava sobretudo partilhar pequenas atitudes que nos ajudassem a viver de forma mais positiva.

Hoje, ao recuperar essas palavras, sinto vontade de lhes acrescentar aquilo que a vida me foi ensinando.

Não basta dizer a alguém para deixar de culpar.

É preciso reconhecer que, por detrás da culpa, pode existir tristeza, arrependimento, medo, injustiça ou uma dor que ainda não encontrou lugar.

E que cada pessoa precisa do seu tempo para compreender o que viveu.

Talvez a verdadeira mensagem não seja simplesmente «Não procures culpados».

Talvez seja:

«Reconhece o que aconteceu, assume o que te pertence, deixa o que não é teu e procura, com esperança, o caminho que ainda podes construir.»

É esta a reflexão que hoje acrescento ao meu antigo texto.

Porque o Arquivo SoLu@ não é apenas um lugar onde guardo palavras do passado.

É também um lugar onde posso reencontrar quem fui e perceber o quanto a vida me transformou.

Uma pequena prática para esta semana

Se existe alguma situação que ainda te pesa, convido-te a reservar uns minutos para escrever três frases:

  1. O que aconteceu? — Descreve os factos, sem te julgares.
  2. O que me pertence e o que não dependeu de mim? — Distingue responsabilidade de culpa.
  3. O que posso fazer agora? — Escolhe um pequeno passo possível, mesmo que seja apenas procurar apoio ou dar-te tempo.

Não precisas de resolver tudo hoje.

Nem de encontrar imediatamente uma resposta.

Às vezes, o primeiro passo é simplesmente deixar de te castigar por aquilo que já não podes mudar.

Para terminar…

Continuo a acreditar que os nossos pensamentos, palavras e atitudes fazem diferença na forma como vivemos.

Mas hoje acredito também que precisamos de ser mais gentis connosco.

Que a esperança não nasce de negar os problemas, mas de acreditar que ainda podemos encontrar maneiras de lidar com eles.

E que há uma enorme diferença entre viver à procura de culpados e viver disposta a aprender.

Talvez não possamos mudar aquilo que aconteceu ontem.

Mas podemos escolher o que fazer com aquilo que aprendemos.

E, às vezes, é nessa escolha que começa um novo caminho.

SoLu@ — «Não posso mudar todos os acontecimentos da minha vida. Mas posso aprender a não ficar para sempre presa à culpa e a procurar, com esperança, o próximo caminho.»


E tu?

Há alguma situação da tua vida em que sentiste que procurar uma solução te ajudou mais do que continuar à procura de culpados?

Se te fizer sentido, partilha a tua reflexão nos comentários.

Continua a caminhar comigo no SoLu@.

Descobre o Calendário SoLu@ e acompanha as reflexões de Outubro sobre Optimismo e Esperança.

Com carinho,

SoLu@

Se quiseres continuar esta reflexão

Talvez também gostes de ler:

Outubro no Calendário SoLu@ — Optimismo & Esperança
Um mês para aprender a cultivar esperança sem ignorar aquilo que custa.

Calendário SoLu@ — Outubro: Semana 1

Calendário SoLu@ Outubro — escolher acreditar outra vez e cultivar a esperança

Escolher acreditar outra vez

Há momentos em que ter esperança não é acreditar que tudo vai correr bem. É apenas decidir que ainda não desistimos.

Começamos Outubro a falar de Optimismo e Esperança.

E talvez pareça fácil falar de esperança quando a vida está tranquila, quando os planos resultam, quando aqueles que amamos estão bem e quando conseguimos perceber claramente o caminho à nossa frente.

Mas a esperança de que quero falar não é essa.

É a esperança dos dias comuns.
Dos dias de incerteza.
Dos recomeços.
Das notícias que nos inquietam.
Dos planos que não aconteceram como imaginávamos.
Dos sonhos que ficaram pelo caminho.

É a esperança que permanece quando ainda não sabemos como vai terminar a história.

E talvez seja precisamente aí que ela seja mais necessária.


O tema desta semana: escolher acreditar outra vez

Há muitos anos que escrevo sobre felicidade, optimismo, esperança e sobre essa procura tão humana de uma vida com mais sentido.

Ao reler alguns dos textos antigos do Arquivo SoLu@, encontro uma versão de mim que procurava motivos para acreditar, que fazia listas de coisas boas, que tentava olhar para o lado positivo e que repetia a si própria:

não desistas.

Hoje continuo a acreditar na esperança.

Mas talvez a veja de outra maneira.

Já não penso que ser optimista significa ignorar aquilo que dói.

Nem que ter esperança significa acreditar que tudo vai acontecer exactamente como desejamos.

A vida ensinou-me que podemos estar cansadas e ter esperança.

Podemos sentir medo e continuar.

Podemos estar tristes e, ainda assim, acreditar que amanhã poderá trazer alguma coisa diferente.

Podemos não saber a resposta e continuar a procurar.

A esperança não apaga a realidade. Ajuda-nos a atravessá-la.


A intenção da semana

Esta semana não precisamos de acreditar em tudo.

Talvez seja suficiente escolher uma coisa que ainda merece a nossa esperança.

Pode ser uma relação que estamos a tentar cuidar.

Um sonho que adiámos.

Uma mudança que desejamos fazer.

Um filho que está a encontrar o seu próprio caminho.

Um projecto que ainda está a nascer.

A nossa saúde.

A nossa capacidade de recomeçar.

Ou simplesmente nós próprias.

Porque há alturas em que passamos tanto tempo a acreditar nos outros que nos esquecemos de continuar a acreditar em nós.

Frase SoLu@

“Ter esperança não é saber que tudo vai correr bem. É acreditar que ainda vale a pena continuar.” — SoLu@


A esperança também se pratica

Às vezes esperamos sentir esperança para depois agir.

Mas talvez possamos fazer o contrário.

Talvez alguns pequenos gestos sejam precisamente aquilo que nos ajuda a recuperá-la.

Esta semana, experimenta perguntar:

O que posso fazer hoje que diga à vida: eu ainda acredito?

Não precisa de ser uma grande mudança.

Enviar uma mensagem.

Retomar uma ideia.

Marcar aquilo que tens adiado.

Sair para caminhar.

Voltar a escrever.

Pedir ajuda.

Descansar.

Começar novamente.

Ou simplesmente levantar-te de manhã e decidir tentar mais um dia.

Há gestos aparentemente pequenos que são verdadeiros actos de esperança.


Mini desafio da semana

Escolhe uma coisa na tua vida sobre a qual começaste a perder esperança.

Não tentes resolvê-la imediatamente.

Escreve apenas:

“Eu ainda tenho esperança em…”

E termina a frase.

Depois pergunta:

Qual é o gesto mais pequeno que posso fazer para não desistir disto?

É esse o desafio.

Não resolver tudo.

Não garantir o resultado.

Apenas dar um passo na direcção daquilo em que ainda escolhes acreditar.


Os dias desta semana

Domingo — Paz

Frase: Nem todas as respostas precisam de chegar hoje.

Mensagem: Há esperança também na capacidade de esperar sem forçar a vida.

Prática: Reserva alguns minutos de silêncio.

Pergunta: O que estou a tentar controlar que talvez precise apenas de tempo?

Gesto: Abranda.


Segunda-feira — Felicidade / Gratidão

Frase: Quando reconhecemos o que permanece, percebemos que nem tudo se perdeu.

Mensagem: A gratidão não apaga aquilo que falta. Recorda-nos aquilo que ainda temos.

Prática: Escreve três coisas pelas quais te sentes grata hoje.

Pergunta: O que continua a ser bom na minha vida, apesar das dificuldades?

Gesto: Agradece a alguém por algo concreto.


Terça-feira — Vida

Frase: Enquanto há caminho, há possibilidade.

Mensagem: Nem sempre podemos escolher aquilo que nos acontece. Mas podemos continuar a escolher a forma como caminhamos.

Prática: Faz hoje alguma coisa que tens vindo a adiar.

Pergunta: Onde preciso de voltar a participar activamente na minha própria vida?

Gesto: Dá um pequeno passo.


Quarta-feira — Atitude

Frase: Talvez não possas mudar tudo. Mas podes escolher o próximo gesto.

Mensagem: Esperança não é passividade. Também é movimento.

Prática: Identifica uma situação que te preocupa e escreve uma coisa que depende de ti.

Pergunta: O que posso realmente fazer?

Gesto: Faz apenas isso.


Quinta-feira — Pensamentos positivos

Frase: Nem tudo aquilo que tememos vai acontecer.

Mensagem: Por vezes sofremos antecipadamente por histórias que a nossa mente escreveu, mas que a vida ainda não confirmou.

Prática: Quando surgir um pensamento negativo, pergunta: isto é um facto ou um medo?

Pergunta: Estou a olhar para a realidade ou para aquilo que receio que aconteça?

Gesto: Substitui uma previsão negativa por uma possibilidade aberta: “Ainda não sei.”


Sexta-feira — Fé / Esperança

Frase: A esperança começa muitas vezes onde terminam as certezas.

Mensagem: Não precisamos de saber exactamente como tudo se resolverá para continuar a acreditar que pode existir um caminho.

Prática: Recupera uma coisa em que já acreditaste muito.

Pergunta: O que ainda merece a minha esperança?

Gesto: Escreve: “Ainda acredito…”


Sábado — Amor

Frase: Às vezes somos nós o motivo de esperança de alguém.

Mensagem: Um gesto de amor pode não mudar o mundo inteiro, mas pode mudar o dia de uma pessoa.

Prática: Faz alguma coisa boa por alguém sem esperar nada em troca.

Pergunta: Como posso levar esperança à vida de alguém hoje?

Gesto: Uma mensagem. Um abraço. Uma presença. Uma palavra.


Pergunta da semana

O que ainda merece a minha esperança?

Talvez esta seja uma pergunta para guardar.

Porque a resposta pode mudar.

Há sonhos que deixamos partir.

Há caminhos que percebemos que já não são nossos.

Há expectativas que precisamos de abandonar.

Mas existem também coisas que merecem que não desistamos delas demasiado cedo.

Pessoas.

Projectos.

Sonhos.

Mudanças.

E nós próprias.


Reflexão final

Não sei se a esperança é acreditar que tudo vai acabar bem.

Talvez seja algo mais simples e mais profundo.

É levantar depois de cair.

É voltar a tentar depois de uma desilusão.

É continuar a amar depois de termos sido magoadas.

É permitir que os filhos cresçam enquanto aprendemos também uma nova forma de ser mãe.

É começar um projecto sem saber exactamente onde nos levará.

É escrever uma nova página quando algumas das anteriores foram difíceis.

É olhar para amanhã e deixar uma pequena porta aberta.

Porque talvez esperança seja isto:

não saber exactamente o que vem a seguir e, mesmo assim, escolher continuar.

Esta semana, não te peço que acredites que tudo vai correr bem.

Peço-te apenas que procures dentro de ti aquilo em que ainda vale a pena acreditar.

E que não desistas já.

Frase para guardar

“Não preciso de saber como termina. Por hoje, basta-me escolher acreditar outra vez.” — SoLu@


Ligações de Outubro

Esta reflexão faz parte do Calendário SoLu@ — Outubro: Optimismo / Esperança.

Ao longo do mês vamos falar sobre esperança realista, pensamentos, atitude, fé, confiança e sobre a capacidade de continuar mesmo quando a vida não nos oferece certezas.

Também podes visitar o Arquivo SoLu@, onde vivem textos escritos ao longo dos anos sobre felicidade, optimismo e esperança.

Reler o passado lembra-me de uma coisa bonita: mudamos, aprendemos, crescemos — mas algumas perguntas continuam a acompanhar-nos.

E talvez seja precisamente isso que transforma um arquivo numa memória viva.


Queres viver Outubro comigo?

Não precisas de cumprir todos os dias.

Não precisas de fazer todas as práticas.

Não precisas sequer de estar optimista todos os dias.

O calendário é um guia, não uma prisão.

Escolhe aquilo que fizer sentido para ti.

Guarda uma frase.

Responde a uma pergunta.

Experimenta uma prática.

E continua, um dia de cada vez.

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Eu já procurava razões para ter esperança

Razões para ter esperança — reflexão SoLu@ sobre optimismo e esperança

Sexta-feira Nostálgica | Outubro — Optimismo & Esperança

Há palavras às quais regressamos muitas vezes ao longo da vida. Não porque continuemos no mesmo lugar, mas porque crescemos e aprendemos a entendê-las de outra maneira.

Esperança é uma dessas palavras.

Ao preparar este mês de Outubro e regressar aos textos antigos do Arquivo SoLu@, encontrei-me novamente em 2020.

Desde essa altura, fui acompanhando os calendários da Action for Happiness e levando algumas das propostas diárias para os meus antigos Blogs SAPO.

Eram pequenos desafios.

Parar.

Pensar.

Criar hábitos.

Procurar felicidade.

Ser gentil.

Acreditar.

Cuidar de nós e dos outros.

Eu pegava nessas sugestões e transformava-as em reflexões ligadas àquilo que estava a viver.

Hoje, quando olho para esses textos, percebo que muitas das sementes do actual Calendário SoLu@ já estavam ali.

Ainda sem este nome.

Ainda sem esta estrutura.

Mas já com a mesma vontade:

viver com mais consciência, mais amor e mais sentido.

Outubro de 2020: começar pelas metas

No dia 1 de Outubro de 2020, escrevi:

«Outubro otimista — Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês.»

Na altura queria recomeçar a conquista dos meus Bons Hábitos.

Um dos meus objectivos era cuidar melhor da alimentação.

Não apenas por mim, mas também pela minha família.

Mas nesse texto aparecia outra preocupação que, olhando para trás, continua muito presente em tudo aquilo que escrevo:

cuidar de mim sem deixar a vida passar ao lado.

Escrevi:

«Sei que há situações que eu não consigo controlar mas tenho que ter força para cuidar de mim, gostar de mim, ter uma melhor auto-estima…»

E recuperei também uma ideia ligada à maternidade:

«Hoje apetece-me dizer-te para não passares ao lado da tua vida com os teus filhos porque é nas pequenas coisas, no quotidiano da vida que o mais importante e o que mais influencia, acontece.»

As minhas metas para Outubro ficaram então muito simples:

cuidar melhor de mim
e
não deixar a vida passar ao lado, vivendo-a com quem amo.

Seis anos depois, continuo a reconhecer-me nestas palavras.

Dia 2: procurar motivos para ter esperança

No dia seguinte, voltei ao calendário.

O desafio era:

«Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis.»

E escrevi cinco razões.

1.º Motivo

Quero ser feliz e fazer os outros felizes.

Na altura escrevi que essa felicidade dependia de mim, dos meus pensamentos, palavras e acções.

Hoje talvez acrescentasse uma nuance.

Nem tudo depende de nós.

Nem sempre conseguimos escolher aquilo que nos acontece.

Nem conseguimos simplesmente pensar positivo e apagar aquilo que dói.

Mas continuamos a poder escolher muitas pequenas coisas.

A forma como tratamos alguém.

A forma como falamos connosco.

O cuidado que colocamos num gesto.

A decisão de procurar ajuda.

A escolha de tentar novamente.

Talvez a felicidade não dependa inteiramente de nós.

Mas podemos participar nela.

2.º Motivo

Tudo o que damos, recebemos em dobro.

Hoje leio esta frase de forma menos literal e mais humana.

Nem sempre recebemos da mesma pessoa.

Nem recebemos imediatamente.

E talvez nem recebamos exactamente aquilo que demos.

Mas acredito profundamente que aquilo que colocamos no mundo importa.

O cuidado deixa marcas.

A presença deixa marcas.

Uma palavra dita na altura certa pode ficar connosco durante anos.

E o amor que damos transforma-nos também a nós.

Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de receber de volta.

3.º Motivo

Ser gentil é grátis.

Esta continua a ser uma das ideias mais simples e mais poderosas.

Não sabemos o que a pessoa ao nosso lado está a viver.

Uma palavra pode aliviar um dia difícil.

Um gesto pode fazer alguém sentir-se visto.

Uma mensagem pode chegar precisamente quando era necessária.

Não conseguimos resolver todos os problemas das outras pessoas.

Mas podemos escolher não acrescentar mais peso.

Às vezes, a esperança também se transmite assim:

através da forma como tratamos alguém.

4.º Motivo

Um belo sorriso é contagioso.

Hoje talvez não dissesse que precisamos de sorrir sempre.

Há dias em que não conseguimos.

E tudo bem.

Mas continuo a acreditar na força daqueles pequenos momentos que mudam o ambiente à nossa volta.

Um sorriso verdadeiro.

Uma gargalhada inesperada.

Uma brincadeira.

Um instante de leveza no meio de uma fase difícil.

Não eliminam aquilo que dói.

Mas lembram-nos que a dor não ocupa necessariamente todo o espaço.

Ainda existe vida ao lado dela.

5.º Motivo

Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

Talvez esta seja a frase que mais mudou comigo.

Em 2020, «nunca desistir» parecia-me uma ideia muito clara.

Hoje continuo a acreditar nos sonhos.

Mas aprendi que não desistir nem sempre significa continuar exactamente pelo mesmo caminho.

Às vezes, precisamos de parar.

Mudar.

Reformular.

Aceitar que determinado sonho já não faz sentido.

Ou perceber que podemos chegar ao mesmo lugar de outra maneira.

Há sonhos que se transformam connosco.

E isso não significa fracassar.

Significa crescer.

Talvez hoje escrevesse:

Não desistas demasiado depressa daquilo que verdadeiramente importa para ti. Mas permite-te mudar a forma de lá chegar.

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Foi assim que terminei aquele pequeno texto em 2020.

E esta talvez seja a frase que mais me tocou quando o reli.

Porque, seis anos depois, continuo a acreditar nela.

Mas hoje entendo melhor o que significa ter esperança.

Não é acreditar que tudo vai acontecer como imaginámos.

Não é garantir que amanhã será fácil.

Não é negar o medo, a perda, a dúvida ou o cansaço.

Esperança, para mim, tornou-se algo mais profundo.

É acreditar que, mesmo quando não conseguimos ver o caminho inteiro, podemos procurar o próximo passo.

A esperança mudou comigo

A vida entretanto aconteceu.

Vieram mudanças.

Filhos que cresceram.

Novos ciclos.

Perdas.

Recomeços.

Planos que resultaram.

Outros que tiveram de mudar.

Dias de muita confiança.

E dias em que a esperança precisou de ser muito pequena.

Talvez por isso hoje tenha mais cuidado quando digo a alguém:

«Vai correr tudo bem.»

Porque não sabemos.

O que podemos dizer talvez seja:

«Não sei como tudo vai correr, mas não precisas de resolver tudo hoje.»

Ou:

«Vamos encontrar o próximo passo.»

Essa esperança parece-me mais verdadeira.

De cinco motivos para uma vida inteira

Quando escrevi aqueles cinco motivos em 2020, provavelmente não imaginava que voltaria a eles seis anos depois.

Mas gosto de perceber que a essência continua aqui.

Felicidade.

Dar.

Gentileza.

Alegria.

Sonhos.

Esperança.

Talvez tenha mudado sobretudo a forma como olho para cada uma destas palavras.

A felicidade deixou de ser uma meta permanente.

A gentileza tornou-se também gentileza comigo própria.

Os sonhos aprenderam a adaptar-se à vida.

E a esperança deixou de ser apenas a certeza de que as coisas melhorariam.

Passou a ser:

a vontade de continuar a procurar sentido, mesmo quando nem tudo faz sentido.

Talvez o Calendário SoLu@ tenha começado antes de ter este nome

Ao reler estes textos, percebo também que existe uma continuidade.

Desde 2020, fui escrevendo sobre muitos dos temas que hoje fazem parte do projecto SoLu@:

felicidade,
hábitos,
amor,
maternidade,
autocuidado,
gentileza,
presença,
sonhos,
optimismo,
esperança.

Na altura, inspirava-me nos calendários da Action for Happiness e transformava algumas das suas sugestões em reflexões pessoais.

Hoje existe o Calendário SoLu@.

Tem uma identidade própria.

Tem os seus temas mensais.

Os seus eixos diários.

As suas perguntas.

As suas práticas.

As suas histórias.

Mas gosto de reconhecer as raízes.

Porque aquilo que somos hoje também é feito das pequenas coisas que começámos muitos anos antes.

Outubro de 2020. Outubro de 2026.

Em Outubro de 2020 escrevia metas.

Queria melhorar hábitos.

Cuidar da alimentação.

Cuidar de mim.

Não deixar a vida passar ao lado.

E procurava razões para ter esperança.

Em Outubro de 2026, o Calendário SoLu@ dedica o mês ao:

Optimismo & Esperança

Talvez pareça coincidência.

Eu prefiro pensar que é caminho.

Há temas que regressam porque ainda temos alguma coisa para aprender com eles.

E talvez seja precisamente essa a beleza de escrever durante tantos anos.

Podemos voltar atrás.

Podemos conversar com quem éramos.

E podemos perceber:

eu não estou no mesmo lugar.

Mas aquela mulher continua a fazer parte de mim.

A pergunta que deixo para este Outubro

Em 2020 procurei cinco motivos para ter esperança.

Hoje quero deixar-te o mesmo desafio.

Mas sem obrigação de encontrares cinco.

Pode ser apenas um.

Pergunta-te:

Qual é, hoje, o meu motivo para ter esperança?

Talvez seja alguém que amas.

Uma possibilidade.

Um projecto.

Um filho.

Uma amizade.

Uma recuperação.

Uma pequena mudança.

Uma fé.

Um sonho que ainda guardas.

Ou simplesmente a certeza de que amanhã é outro dia.

Escreve-o.

Não para fingires que está tudo bem.

Mas para te lembrares de que, mesmo nos tempos difíceis, nem tudo está perdido.


Do Arquivo para o presente

Esta Sexta-feira Nostálgica nasceu da releitura de dois textos que escrevi em Outubro de 2020, no contexto dos calendários da Action for Happiness:

«Outubro otimista – Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês»

e

“Outubro Otimista – Dia 2: Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis“

Na altura escrevi:

1. Quero ser feliz e fazer os outros felizes.
2. Tudo o que damos, recebemos em dobro.
3. Ser gentil é grátis.
4. Um belo sorriso é contagioso.
5. Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

E terminei:

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Seis anos depois, talvez escolha outras palavras.

Mas não quero perder aquela intenção.

Porque algumas ideias amadurecem.

Outras transformam-se.

E algumas continuam simplesmente a lembrar-nos quem sempre fomos.

Para levares contigo

SoLu@ — «Esperança não é acreditar que tudo vai acontecer como desejamos. É encontrar, mesmo no meio da incerteza, uma razão para continuar a dar o próximo passo.»

Se quiseres continuar esta reflexão

Talvez também gostes de ler:

Outubro no Calendário SoLu@ — Optimismo & Esperança
Um mês para aprender a cultivar esperança sem ignorar aquilo que custa.

Setembro não mudou tudo. Mas ensinou-me a recomeçar de outra maneira.
Porque nem todos os recomeços transformam tudo de uma vez — e talvez não seja preciso.

Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação
Uma reflexão sobre cuidar de nós de uma forma mais realista, possível e gentil.

Calendário SoLu@ — Outubro 2026: Semana 0 — Abrir espaço para a esperança

Semana 0 do Calendário SoLu@ Outubro 2026 — Abrir espaço para a esperança

Não precisamos de entrar num novo mês com todas as respostas. Às vezes, basta deixarmos uma pequena porta aberta à possibilidade.

Outubro começa devagar.

Apenas três dias antes de chegarmos à primeira semana completa do mês.

E talvez seja exactamente assim que deva começar.

Depois de um Setembro dedicado ao autocuidado, aos recomeços, ao deixar crescer e à procura de um novo equilíbrio, não quero entrar em Outubro a exigir de mim uma nova transformação.

Não quero trocar uma lista de coisas que tinha de conseguir em Setembro por outra lista de coisas em que agora tenho de acreditar.

A esperança não pode ser mais uma obrigação.

Por isso, estes primeiros dias de Outubro são apenas um convite.

Um pequeno espaço entre aquilo que terminou e aquilo que ainda está a começar.

Um lugar onde podemos parar e perguntar:

E se ainda houver possibilidades que eu não consigo ver?


O tema desta pequena semana

Abrir espaço para a esperança

Há uma diferença entre acreditar que tudo vai correr bem e acreditar que nem tudo está decidido.

A primeira ideia pode ser difícil de sustentar.

Porque sabemos que a vida não funciona assim.

Há coisas que correm mal.

Há planos que mudam.

Há pessoas que partem.

Há respostas que não chegam.

Há caminhos que não escolhemos.

Mas acreditar que nem tudo está decidido é diferente.

Significa reconhecer que aquilo que hoje vejo não é necessariamente tudo aquilo que poderá existir amanhã.

Pode haver outra solução.

Outra conversa.

Outra tentativa.

Uma mudança de perspectiva.

Um novo caminho.

Ou simplesmente uma maneira diferente de viver aquilo que não consigo mudar.

Talvez seja este o optimismo que quero levar comigo durante Outubro.

Não o optimismo que fecha os olhos à realidade.

Mas aquele que consegue olhar para a realidade e ainda perguntar:

“E agora, o que é possível?”


Intenção da Semana 0

Nestes três dias, a intenção é simples:

não procurar respostas para tudo, mas deixar espaço para uma possibilidade nova.

Pode ser numa relação.

Num projecto.

Na maternidade.

No trabalho.

Na forma como cuidamos de nós.

Num sonho antigo.

Ou apenas na maneira como estamos a olhar para uma situação que nos preocupa.

Não precisamos de saber já o que fazer.

Primeiro, podemos apenas admitir:

talvez ainda exista caminho.


Frase SoLu@

“A esperança começa, muitas vezes, quando deixamos uma pequena porta aberta à possibilidade.” — SoLu@


Prática da semana

Uma pequena porta aberta

Pensa numa situação da tua vida que, neste momento, te preocupa ou parece bloqueada.

Não procures imediatamente uma solução.

Divide apenas uma folha em três espaços.

O que me preocupa

Escreve aquilo que é real.

Sem diminuir o problema e sem o dramatizar.

O que ainda não sei

Reconhece tudo aquilo que ainda não está decidido.

O que ainda pode ser possível

Não é preciso acreditar completamente.

Escreve apenas uma possibilidade.

Mesmo pequena.

Porque esperança não começa necessariamente numa certeza.

Às vezes começa num:

“Talvez.”


Mini desafio

Durante estes três primeiros dias de Outubro, sempre que deres por ti a pensar:

“Isto nunca vai mudar.”

experimenta acrescentar:

“…mas eu ainda não sei como será amanhã.”

Não para negar aquilo que estás a sentir.

Apenas para não transformar o presente numa sentença sobre o futuro.


Quinta-feira, 1 de Outubro

Pensamentos positivos

Frase

“Nem tudo precisa de estar resolvido para que algo novo possa começar.”

No antigo Outubro Otimista, o primeiro convite era escrever as metas mais importantes para o mês.

Continuo a gostar da ideia de começar um mês com intenção.

Mas hoje talvez a faça de outra maneira.

Não preciso de criar uma longa lista.

Nem de decidir tudo aquilo que tenho de mudar durante Outubro.

Posso simplesmente perguntar:

O que é verdadeiramente importante para mim neste momento?

Talvez sejam apenas uma ou duas coisas.

E talvez isso seja suficiente.

Prática

Escolhe uma área da tua vida onde gostarias de sentir mais esperança durante este mês.

Não definas ainda dez passos.

Escreve apenas uma intenção.

Pergunta

Em que parte da minha vida gostaria de voltar a acreditar?

Gesto

Deixa hoje uma pequena porta aberta ao possível.


Sexta-feira, 2 de Outubro

Fé / Esperança

Frase

“A história ainda não terminou.”

Há anos, num antigo calendário, escrevi:

“Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis.”

Hoje continuo a reconhecer a importância desta ideia.

Mas acrescentaria alguma coisa.

Nem sempre conseguimos encontrar imediatamente esses motivos.

Há momentos em que a vida pesa demasiado.

E nesses dias não precisamos de nos culpar por não conseguirmos sentir esperança.

Talvez possamos apenas procurar uma coisa pequena.

Uma pessoa.

Uma memória.

Uma possibilidade.

Uma experiência difícil que já atravessámos.

Ou simplesmente a certeza de que este dia não é o resto da nossa vida.

É também por isso que esta sexta-feira regressa ao Arquivo SoLu@.

Não apenas para recuperar um texto antigo.

Mas para perguntar à mulher que o escreveu:

O que significa para mim ter esperança hoje?

Prática

Recorda uma situação que, no passado, te preocupou muito e que acabou por encontrar algum tipo de caminho.

Talvez não tenha terminado exactamente como desejavas.

Mas atravessaste-a.

Pergunta

O que já vivi que hoje me lembra que sou capaz de continuar?

Gesto

Escreve uma pequena frase de esperança e guarda-a onde a possas voltar a encontrar.

→ [Ler a Sexta-feira Nostálgica — Eu já procurava razões para ter esperança]

→ [Ler o texto original no Arquivo SoLu@]


Sábado, 3 de Outubro

Amor

Frase

“Às vezes, amar alguém também é acreditar por ele enquanto ele ainda não consegue.”

A esperança não existe apenas na relação que temos connosco.

Também vive nas relações.

Há momentos em que alguém de quem gostamos está cansado, preocupado ou perdido.

Nem sempre podemos resolver.

Nem sempre devemos tentar resolver.

Mas podemos estar.

Ouvir.

Acreditar.

Lembrar alguém das suas forças sem minimizar os seus medos.

E também podemos permitir que outras pessoas façam isso por nós.

Talvez o amor seja, algumas vezes, esse lugar onde conseguimos descansar enquanto recuperamos a capacidade de acreditar outra vez.

Prática

Pensa numa pessoa que possa estar a atravessar uma fase mais difícil.

Não precisas de lhe dar conselhos.

Aproxima-te apenas.

Pergunta

Quem poderá precisar hoje de sentir que não está sozinho?

Gesto

Envia uma mensagem simples:

“Lembrei-me de ti. Estou aqui.”


Pergunta da Semana 0

Em que parte da minha vida gostaria de voltar a acreditar?

Não precisas de responder depressa.

Talvez a resposta mude durante Outubro.

Talvez descubras que não queres recuperar uma esperança antiga.

Talvez precises de construir uma nova.

Também isso é válido.


Reflexão final

Três dias não mudam uma vida.

E ainda bem.

Porque não precisamos de transformar todos os começos numa revolução.

Às vezes basta uma pequena mudança na forma como olhamos.

Setembro terminou lembrando-nos que podemos continuar sem perfeição.

Outubro começa lembrando-nos que podemos continuar sem certezas.

Há uma diferença importante.

Não preciso de saber que tudo vai correr bem.

Não preciso de convencer-me de que não tenho medo.

Não preciso de encontrar imediatamente o lado positivo de todas as situações.

Preciso apenas de não fechar todas as portas.

Porque a vida já me ensinou que muita coisa muda enquanto estamos ocupados a acreditar que nada vai mudar.

Por isso, entro em Outubro assim:

sem garantias.

sem promessas impossíveis.

sem optimismo forçado.

Mas com uma pequena porta aberta.

E, por agora, talvez isso seja esperança suficiente.


Continua comigo em Outubro

A próxima semana será:

Semana 1 — Escolher acreditar outra vez

E vamos partir desta pergunta:

O que ainda merece a minha esperança?

→ [Calendário SoLu@ — Outubro 2026: Optimismo e Esperança]

→ [Semana 1 — Escolher acreditar outra vez]

→ [Setembro — Autocuidado e Recomeço]

→ [Visitar o Arquivo SoLu@]


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Calendário de Outubro

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Porque, como sempre:

o calendário é um guia, não uma prisão.

Setembro não mudou tudo. Mas ensinou-me a recomeçar de outra maneira.

Setembro não mudou tudo. Mas ensinou-me a recomeçar de outra maneira.

Há meses que não chegam para mudar a nossa vida. Mas podem ser suficientes para mudar a forma como olhamos para ela.

Setembro começou, para mim, com uma palavra muito presente: recomeço.

Depois do Verão, das mudanças, dos novos horários, das rotinas que regressam e de outras que já não regressam da mesma maneira, senti que precisava de voltar a organizar a vida.

Mas, talvez mais do que organizar a vida, precisava de me reorganizar dentro dela.

E Setembro foi-me ensinando isso devagar.

Não mudei tudo.

Não consegui fazer tudo aquilo que imaginei.

Não encontrei uma fórmula perfeita para equilibrar família, filhos, trabalho, escrita, casa, saúde, descanso e tempo para mim.

E ainda bem.

Porque uma das coisas mais importantes que este mês me ensinou foi precisamente esta:

recomeçar não significa resolver tudo.

Setembro começou com a vontade de voltar

No início do mês, falei muito sobre voltar.

Voltar às rotinas.

Voltar aos hábitos.

Voltar a cuidar de mim.

Voltar a escrever.

Voltar a algumas coisas que tinham ficado esquecidas.

Mas depressa percebi que recomeçar não podia significar simplesmente voltar ao ponto onde estava antes.

Porque eu também já não era exactamente a mesma.

Os meus filhos estão a crescer.

As rotinas familiares mudaram.

Há novos horários, novos lugares, novas responsabilidades e também novos silêncios.

E, quando a vida daqueles que amamos muda, alguma coisa dentro de nós também precisa de encontrar um novo lugar.

Talvez por isso tenha percebido que recomeçar não é voltar ao princípio.

É escolher aquilo que merece continuar connosco.

Cuidar de mim no meio da vida real

Setembro também me fez pensar muito sobre autocuidado.

Às vezes, transformamos o cuidado numa nova lista de obrigações:

ir ao ginásio;

comer melhor;

dormir mais;

beber água;

meditar;

ler;

organizar;

escrever;

descansar;

ser produtiva;

estar presente.

E, de repente, aquilo que devia cuidar de nós começa a cansar-nos.

Foi aí que uma pergunta se tornou importante para mim:

Se o autocuidado me deixa exausta, será que preciso de voltar a perguntar o que significa realmente cuidar de mim?

Talvez cuidar de mim seja, algumas vezes, fazer exercício.

Outras vezes será dormir mais cedo.

Noutras será dizer não.

Ou ficar em silêncio.

Ou escrever.

Ou deixar alguma coisa para amanhã sem transformar isso numa culpa.

Estou a aprender que cuidar de mim não é cumprir uma lista perfeita.

É conseguir ouvir-me.

Também aprendi a deixar crescer

Setembro trouxe-me ainda outro tipo de recomeço.

Aquele que acontece quando os filhos começam a construir uma vida cada vez mais deles.

Novos caminhos.

Mais autonomia.

Universidade.

Novos horários.

Novas pessoas.

Novas experiências.

E nós, mães, vamos descobrindo que crescer com os nossos filhos também significa aprender a mudar a forma como estamos presentes.

Continuar perto sem estar sempre à frente.

Apoiar sem escolher por eles.

Aconselhar sem controlar.

Dar raízes, mas também espaço para que experimentem as próprias asas.

Não é sempre fácil.

Mas talvez uma parte da maternidade seja precisamente esta aprendizagem contínua:

amar também é saber deixar crescer.

Encontrar um novo equilíbrio

Durante este mês procurei equilíbrio.

Mas também comecei a perceber que talvez o equilíbrio não seja uma coisa que encontramos uma vez e guardamos para sempre.

A vida mexe-se.

As pessoas mudam.

As necessidades mudam.

Nós mudamos.

E o equilíbrio precisa de ser ajustado muitas vezes.

Há dias em que conseguimos.

Há dias em que tudo fica desalinhado.

O importante talvez seja reparar nisso e fazer um pequeno ajuste.

Não dez.

Um.

Aquilo que é realmente possível naquele momento.

Continuar sem perfeição

Chego ao final de Setembro sem todas as respostas.

Há coisas que comecei e ainda não consolidei.

Há hábitos que precisam de tempo.

Há decisões que ainda estão a ganhar forma.

Há dias em que continuo a esquecer-me de mim.

Mas também há uma diferença.

Hoje já não sinto que preciso de esperar pelo momento perfeito para recomeçar.

Posso recomeçar numa terça-feira.

Posso voltar depois de falhar.

Posso diminuir o ritmo.

Posso mudar de ideias.

Posso escolher fazer menos.

Posso continuar, mesmo sem conseguir fazer tudo.

Porque:

“Recomeçar não é conseguir tudo. É escolher não desistir daquilo que nos faz bem.”

O que Setembro me deixa

Se tivesse de guardar algumas aprendizagens deste mês, seriam estas:

não preciso de voltar a ser quem era;

cuidar de mim não pode tornar-se mais uma obrigação;

acompanhar quem amo também significa saber dar espaço;

o equilíbrio precisa de ser ajustado;

e continuar imperfeitamente continua a ser continuar.

Talvez Setembro não tenha mudado tudo.

Mas ensinou-me a recomeçar de outra maneira.

Com menos pressa.

Com menos exigência.

Com mais consciência.

E, sobretudo, com a certeza de que não precisamos de ter a vida toda organizada para continuarmos a caminhar.

E agora vem Outubro

Outubro chega ao Calendário SoLu@ com duas palavras que fazem muito sentido depois deste mês:

Optimismo / Esperança.

Não aquele optimismo que finge que está sempre tudo bem.

Nem uma esperança passiva que fica à espera que alguma coisa aconteça.

Quero falar daquela esperança mais silenciosa.

A que nos ajuda a continuar quando ainda não sabemos exactamente como tudo ficará.

A que nos faz acreditar que podemos fazer diferente.

A que nos recorda que, mesmo depois dos dias difíceis, continua a existir caminho.

Talvez seja isso que quero levar comigo de Setembro para Outubro:

não a certeza de que tudo vai correr como desejo, mas a esperança de que saberei continuar a caminhar.

Uma pergunta para fechar Setembro

Antes de entrares num novo mês, gostava de te deixar uma pergunta:

O que aprendeste sobre ti neste Setembro que queres levar contigo para Outubro?

Não precisas de fazer um grande balanço.

Podes escolher apenas uma coisa.

Uma aprendizagem.

Uma intenção.

Um gesto que te fez bem.

E levá-lo contigo.

Porque o Calendário SoLu@ nunca pretende ser mais uma obrigação.

É apenas um convite.

Um dia de cada vez.

Com amor,

SoLu@


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