A mulher que eu era também faz parte da mulher que sou

Mulher a reflectir sobre quem era, crescimento pessoal e recomeços

Sexta-feira Nostálgica | Uma conversa entre aquilo que escrevi em 2021 e aquilo que hoje sei sobre a vida

Há textos antigos que nos fazem sorrir.

Outros fazem-nos pensar:

Eu ainda sou esta pessoa?

E depois existem aqueles que nos devolvem perguntas que nunca ficaram verdadeiramente respondidas.

Foi o que aconteceu quando voltei ao Arquivo SoLu@ e encontrei um texto que escrevi em Maio de 2021:

“Mãe, qual é o sentido da vida?”

A pergunta tinha sido feita pelo meu filho.

À noite.

Daquelas perguntas pequenas no número de palavras e enormes em tudo o resto.

Na altura respondi-lhe.

Cinco anos depois, voltei a ler a minha resposta.

E desta vez fiquei a olhar não apenas para aquilo que escrevi, mas também para a mulher que escreveu aquelas palavras.

Será que hoje responderia da mesma maneira?

“Mãe, qual é o sentido da vida?”

Em 2021, escrevi que o meu filho me tinha perguntado qual era o sentido da vida.

Respondi-lhe falando de fazer o bem, de viver plenamente, de aproveitar as oportunidades, de procurar ser feliz e de contribuir também para a felicidade daqueles que nos rodeiam.

E, antes de me despedir dele naquela noite, disse-lhe uma coisa que continuo a sentir:

“Tu és um dos propósitos da minha vida.”

Cinco anos depois, continuo a reconhecer aquela mãe.

Continuo a acreditar profundamente no amor.

Continuo a acreditar que aquilo que fazemos pelos outros importa.

Continuo a acreditar que as nossas escolhas podem deixar o mundo — ou simplesmente a vida de alguém — um pouco melhor.

Mas talvez hoje acrescentasse algumas coisas àquela resposta.

Os nossos filhos podem ser um propósito. Mas não podem ser todo o nosso propósito.

Esta talvez seja uma das coisas que o tempo me ensinou.

Durante muitos anos, uma enorme parte da minha vida esteve naturalmente organizada à volta dos meus filhos.

Os horários.

A escola.

As preocupações.

As refeições.

As actividades.

Os sonhos deles.

As dificuldades.

As conquistas.

A necessidade permanente de estar presente.

E eu quis estar.

Ainda quero.

Mas os filhos crescem.

Começam a fazer escolhas sem nós.

Partem para os seus caminhos.

Descobrem pessoas, lugares, sonhos e versões deles próprios que já não conseguimos controlar — nem devemos.

E talvez seja precisamente quando eles começam a voar que surge uma pergunta inesperada para nós, mães:

E eu?

Quem sou quando já não precisam de mim da mesma maneira?

O que quero continuar a construir?

O que me faz feliz?

Onde estão os meus sonhos?

O que dá sentido à minha vida nesta nova fase?

Talvez o sentido da vida também vá mudando

Em 2021 procurei responder àquela pergunta.

Hoje talvez aceitasse melhor que não tenho uma resposta definitiva.

E isso já não me inquieta da mesma forma.

Talvez porque tenha percebido que o sentido da vida não precisa de ser uma grande missão escrita para sempre.

Pode mudar.

Pode ter fases.

Há momentos em que o nosso propósito parece ser cuidar.

Outros em que precisamos de aprender.

Outros de sobreviver.

Outros de reconstruir.

Há momentos de partir e outros de ficar.

Há épocas em que fazemos planos.

E outras em que a própria vida os faz por nós.

Talvez viver com sentido seja também aprender a reconhecer aquilo que cada fase nos está a pedir.

A mulher de 2021 procurava respostas

Ao reler aquele texto, percebi outra coisa.

Eu procurava respostas.

Queria compreender.

Queria encontrar uma espécie de fio que ligasse aquilo que vivemos à razão por que estamos aqui.

Hoje continuo a fazer perguntas.

Mas talvez já não tenha tanta necessidade de encontrar uma resposta absoluta para todas elas.

Porque a vida ensinou-me que podemos viver coisas para as quais nunca encontraremos uma explicação satisfatória.

Há perdas que não conseguimos compreender.

Mudanças que não pedimos.

Sonhos que não aconteceram.

Pessoas que partiram.

Caminhos que tivemos de abandonar.

E existem também surpresas bonitas que nunca tínhamos planeado.

Talvez amadurecer seja perceber que podemos continuar a viver com sentido mesmo quando não compreendemos completamente aquilo que a vida nos trouxe.

Fazer as pazes com aquilo que fomos

Foi isto que mais senti ao reler o texto.

Não quero corrigir a mulher que o escreveu.

Não quero dizer-lhe:

“Hoje já não escreverias isto assim.”

Claro que não.

Passaram cinco anos.

A vida aconteceu.

Eu mudei.

Mas aquela mulher sabia aquilo que podia saber naquele momento.

Amava como sabia amar.

Educava como sabia educar.

Procurava respostas com a experiência que tinha.

Sonhava a partir da vida que conhecia.

E tudo isso também me trouxe até aqui.

Talvez uma das formas mais bonitas de crescimento seja conseguirmos olhar para trás sem vergonha da pessoa que fomos.

Sem a julgar permanentemente com os olhos da pessoa que somos hoje.

Podemos simplesmente dizer:

Estavas a aprender.

Tal como eu continuo a aprender.

Isto também é autocuidado

Setembro tem sido, no Calendário SoLu@, um mês de Autocuidado e Recomeço.

Falámos de voltar devagar.

De nos incluirmos novamente nas nossas próprias rotinas.

De deixar os filhos crescer.

De encontrar novos equilíbrios.

De cuidar de nós sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação.

E agora percebo que falta acrescentar outra coisa:

autocuidado também pode ser fazer as pazes com a nossa própria história.

Perdoar algumas escolhas.

Compreender algumas decisões.

Aceitar que nem sempre sabíamos o que estávamos a fazer.

E reconhecer que houve versões nossas que tiveram de ser muito fortes para que hoje pudéssemos estar aqui.

“Cada pessoa segue o seu caminho”

Há uma frase que encontrei nos comentários daquele texto antigo.

Escrevi:

“Cada pessoa segue o seu caminho e faz a diferença no mundo.”

Em 2021 provavelmente pensei sobretudo nos nossos filhos e nas pessoas a quem tentamos transmitir alguma coisa.

Hoje leio-a de outra maneira.

Porque também nós continuamos a seguir o nosso caminho.

Mesmo depois de sermos mães.

Mesmo depois dos quarenta ou dos cinquenta.

Mesmo depois das mudanças.

Mesmo depois das perdas.

Mesmo depois dos planos que não resultaram.

Enquanto estivermos aqui, o nosso caminho não está terminado.

E talvez esta seja uma das respostas que hoje daria ao meu filho.

Então, qual é o sentido da vida?

Se ele me perguntasse novamente hoje, talvez começasse por dizer:

Não sei se existe uma resposta igual para todos.

Mas sei algumas coisas.

Sei que amar importa.

Que aquilo que fazemos aos outros importa.

Que estar presente importa.

Que aprender importa.

Que cuidar de nós também importa.

Que podemos recomeçar muitas vezes.

Que os nossos filhos são parte da nossa história, mas precisam de escrever a deles.

E que nós também temos o direito — e talvez a responsabilidade — de continuar a escrever a nossa.

Talvez uma vida com sentido não seja necessariamente uma vida extraordinária.

Talvez seja uma vida verdadeiramente vivida.

Com amor.

Com erros.

Com perguntas.

Com perdas.

Com sonhos.

Com pessoas.

Com coragem para mudar.

E com gratidão suficiente para reconhecer tudo aquilo que já fomos.

A mulher que eu era continua aqui

Quando criei o Arquivo SoLu@, não quis apenas salvar textos antigos.

Quis guardar memória.

Hoje percebo melhor porquê.

Porque quando volto a esses textos não encontro apenas palavras.

Encontro versões minhas.

A mãe.

A mulher.

A sonhadora.

Aquela que procurava respostas.

Aquela que acreditava que podia fazer melhor.

Aquela que algumas vezes se perdeu.

E aquela que continuou.

Nenhuma delas precisa de desaparecer para eu poder ser quem sou hoje.

Pelo contrário.

A mulher que eu era também faz parte da mulher que sou.

E da mulher que ainda estou a aprender a ser.

Talvez seja esse o verdadeiro significado desta Sexta-feira Nostálgica.

Não voltar ao passado para lá ficar.

Mas visitá-lo.

Conversar com ele.

Agradecer-lhe aquilo que nos ensinou.

E depois regressar ao presente um pouco mais conscientes do caminho que já percorremos.

Para guardar

Não preciso de rejeitar a mulher que fui para continuar a crescer.
Posso agradecer-lhe o caminho e continuar a escrever a minha história.

Um dia de cada vez.

💛


Do Arquivo para o presente

Esta reflexão nasceu do texto “Mãe, qual é o sentido da vida?”, publicado originalmente a 22 de Maio de 2021 e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

👉 Ler o texto original no Arquivo SoLu@

Continua a ler no SoLu@

→ Recomeçar não é voltar ao princípio

→ Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

→ Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

E tu?

Se pudesses sentar-te hoje ao lado da mulher que eras há cinco, dez ou vinte anos, o que lhe dirias?

O que mudarias?

E, sobretudo:

o que lhe agradecerias?

💌 Se estas reflexões também fazem sentido para ti, acompanha a Newsletter SoLu@. Um espaço mais próximo para continuarmos a falar sobre amor, maternidade, crescimento pessoal e vida com sentido.

Calendário SoLu@ — Setembro: Semana 4

Encontrar um novo equilíbrio — Semana 4 do Calendário SoLu@ de Setembro

Encontrar um novo equilíbrio

Nem tudo o que começámos precisa de continuar da mesma maneira. Às vezes, cuidar de nós também é perceber o que já não está a funcionar — e ter coragem para ajustar.

Chegamos à quarta semana de Setembro.

Depois de voltar devagar, de tentar cuidar de nós no meio das rotinas e de aprender a deixar crescer, talvez seja altura de fazer uma pequena pausa e perguntar:

Como está, realmente, a funcionar esta nova fase?

Porque uma coisa é aquilo que imaginamos no início.

Outra é a vida quando começa verdadeiramente a acontecer.

Os horários mudam.
As necessidades mudam.
Os filhos crescem.
As responsabilidades reorganizam-se.
Há coisas que julgávamos conseguir fazer e não conseguimos.
E outras que descobrimos que afinal já não fazem sentido.

Isso não significa que falhámos.

Significa apenas que estamos a viver.

E viver exige ajustes.


Tema da semana

Encontrar um novo equilíbrio

Durante muito tempo imaginei o equilíbrio como uma espécie de ponto perfeito onde tudo finalmente ficaria organizado.

A casa.

A família.

O trabalho.

Os filhos.

Os meus projectos.

O meu corpo.

O descanso.

O tempo para mim.

Como se algum dia fosse possível distribuir tudo em partes iguais e permanecer ali.

Hoje penso de outra maneira.

Equilíbrio não é conseguir fazer tudo.

É perceber o que precisa mais de nós em determinado momento — sem nos esquecermos completamente de nós próprias.

Há semanas em que a família pede mais.

Outras em que o trabalho ocupa demasiado espaço.

Há momentos em que precisamos de descansar.

Outros em que temos energia para avançar.

E existem fases da vida em que aquilo que funcionava deixou simplesmente de funcionar.

Nessas alturas, insistir não é necessariamente persistência.

Às vezes, é apenas resistência à mudança.


Intenção da semana

Esta semana não quero reorganizar a minha vida inteira.

Quero apenas observar.

Perceber onde existe demasiado peso.

Onde falta espaço.

Onde estou a exigir demasiado de mim.

E escolher um pequeno ajuste possível.

Porque talvez seja assim que se constrói uma vida mais equilibrada:

não através de grandes revoluções, mas através de pequenas escolhas repetidas com consciência.


Frase destaque SoLu@

Equilíbrio não é conseguir fazer tudo. É aprender a ajustar o que importa sem nos perdermos pelo caminho. — SoLu@


A prática da semana

O que está a funcionar — e o que já não está?

Pega numa folha ou abre uma nota no telemóvel.

Divide-a em três partes:

Está a funcionar

Escreve aquilo que, nesta nova fase, te está a fazer bem.

Pode ser uma rotina.

Uma decisão.

Um novo horário.

Um momento só teu.

Uma forma diferente de organizar a família.


Precisa de ajuste

Aqui entram aquelas coisas que não estão propriamente mal, mas poderiam ser diferentes.

Talvez acordares demasiado cedo.

Talvez tentares fazer demasiadas coisas no mesmo dia.

Talvez continuares a assumir tarefas que já poderiam ser partilhadas.

Talvez não teres reservado nenhum tempo para ti.


Posso deixar ir

Esta poderá ser a parte mais difícil.

Porque há coisas que permanecem na nossa vida apenas porque sempre estiveram lá.

Há rotinas.

Expectativas.

Obrigações inventadas.

Culpas.

Formas de fazer.

Pergunta:

Preciso mesmo de continuar a carregar isto?


Mini desafio da semana

Escolhe apenas uma coisa para ajustar.

Não cinco.

Não dez.

Uma.

Pode ser:

deitar-te meia hora mais cedo;

deixar uma tarefa para amanhã;

pedir ajuda;

reservar uma hora para ti;

simplificar uma refeição;

desligar o telemóvel durante algum tempo;

retomar uma caminhada;

dizer não a alguma coisa que já não cabe;

ou simplesmente parar de exigir que esta fase fique organizada imediatamente.

No final da semana pergunta:

Este pequeno ajuste tornou a minha vida um pouco mais leve?


Domingo, 20 de Setembro

Paz — Observar antes de mudar

Frase do dia

Antes de mudar tudo, observa o que realmente precisa de mudar.

Mensagem

Temos tendência para querer resolver rapidamente aquilo que nos incomoda.

Mas nem sempre precisamos de agir imediatamente.

Às vezes precisamos primeiro de compreender.

O que me está a cansar?

O que me está a fazer bem?

O que mudou nas últimas semanas?

Onde estou a insistir numa rotina que já não combina com a vida que tenho agora?

Prática

Reserva dez minutos para observar a tua semana sem julgamentos.

Pergunta

O que sinto que precisa de mais equilíbrio neste momento?

Gesto

Fica alguns minutos em silêncio, sem fazer absolutamente nada.


Segunda-feira, 21 de Setembro

Felicidade / Gratidão — Reconhecer o que já está bem

Frase do dia

Nem tudo precisa de ser corrigido.

Mensagem

Quando procuramos melhorar a vida podemos começar a olhar apenas para aquilo que falta.

Hoje quero fazer o contrário.

Reconhecer o que está a resultar.

As pequenas rotinas que encontraram lugar.

As pessoas que ajudam.

Os momentos de tranquilidade.

As coisas que, mesmo imperfeitas, estão bem.

Prática

Escreve três coisas que estão a funcionar melhor do que há algumas semanas.

Pergunta

O que quero preservar nesta nova fase?

Gesto

Agradece a alguém que esteja a tornar os teus dias um pouco mais fáceis.


Terça-feira, 22 de Setembro

Vida — Aceitar que as fases mudam

Frase do dia

A vida muda. Nós também podemos mudar com ela.

Mensagem

Há rotinas que pertenciam a outra fase.

Há maneiras de cuidar que já não são necessárias.

Há papéis que se transformam.

Há filhos que precisam de outras formas de presença.

Há versões nossas que também precisam de espaço para crescer.

Aceitar uma nova fase não significa esquecer aquilo que fomos.

Significa permitir que a vida continue.

Prática

Identifica uma rotina antiga que talvez já não faça sentido manter exactamente da mesma maneira.

Pergunta

Estou a tentar viver esta fase com regras que pertenciam à anterior?

Gesto

Faz hoje alguma coisa de uma maneira diferente.


Quarta-feira, 23 de Setembro

Atitude — Ajustar sem culpa

Frase do dia

Mudar de estratégia não significa desistir do caminho.

Mensagem

Há decisões que pareciam perfeitas quando as tomámos e que, na prática, precisam de ser revistas.

Não há mal nenhum nisso.

Ajustar não é falhar.

É usar aquilo que entretanto aprendemos.

Talvez uma rotina precise de mudar.

Talvez um plano precise de menos exigência.

Talvez uma responsabilidade possa ser partilhada.

Talvez precisemos simplesmente de admitir:

assim não está a funcionar para mim.

E começar daí.

Prática

Escolhe o pequeno ajuste desta semana.

Pergunta

Que mudança simples poderia facilitar os meus dias?

Gesto

Faz hoje o primeiro passo desse ajuste.


Quinta-feira, 24 de Setembro

Pensamentos positivos — Trocar perfeição por possibilidade

Frase do dia

Não preciso de uma vida perfeita. Preciso de uma vida onde eu também consiga respirar.

Mensagem

Por vezes, o maior desequilíbrio não está na agenda.

Está nas expectativas.

Queremos ser mães presentes.

Profissionais disponíveis.

Companheiras atentas.

Filhas cuidadoras.

Amigas presentes.

Mulheres organizadas.

E ainda encontrar tempo para cuidar de nós.

Talvez não consigamos fazer tudo, todos os dias.

E talvez não seja suposto.

Prática

Retira hoje uma expectativa desnecessária da tua lista mental.

Pergunta

O que estou a exigir de mim que nunca exigiria a alguém de quem gosto?

Gesto

Escolhe o suficiente em vez do perfeito.


Sexta-feira, 25 de Setembro

Fé / Esperança — Confiar no processo

Frase do dia

Nem tudo precisa de estar resolvido para estarmos no caminho certo.

Mensagem

Algumas fases levam tempo a encontrar o seu ritmo.

Setembro lembra-nos isso.

As rotinas estão ainda a formar-se.

As pessoas estão a adaptar-se.

Nós estamos a descobrir quem somos dentro delas.

Ter esperança também pode ser acreditar que não precisamos de ter todas as respostas hoje.

Podemos ajustar amanhã.

E voltar a ajustar depois.

Prática

Recorda uma fase difícil da tua vida que acabou por encontrar o seu lugar.

Pergunta

Consigo confiar um pouco mais no tempo?

Gesto

Respira fundo e repete:
Não tenho de resolver tudo hoje.


Sábado, 26 de Setembro

Amor — Incluir-me na vida que cuido

Frase do dia

Uma vida onde cuido de todos, mas desapareço de mim, nunca estará verdadeiramente equilibrada.

Mensagem

Talvez esta seja uma das aprendizagens mais importantes deste Setembro.

Cuidar dos outros não precisa de significar abandonar-nos.

Amar os nossos filhos não significa viver apenas através deles.

Estar presente não significa controlar.

Dar não significa esvaziarmo-nos.

Há lugar para o amor pelos outros.

E tem de existir também algum lugar para nós.

Não por egoísmo.

Mas porque também fazemos parte da vida que estamos constantemente a tentar cuidar.

Prática

Faz hoje uma coisa apenas porque te faz bem.

Pergunta

Onde estou eu na vida que construí?

Gesto

Reserva um pequeno momento só teu — sem culpa e sem necessidade de o justificar.


Pergunta da semana

O que posso ajustar para que a minha vida tenha um pouco mais de espaço para aquilo que realmente importa?

Não é:

Como consigo fazer tudo?

Nem:

Como volto a controlar tudo?

É simplesmente:

O que posso mudar, agora, para viver um pouco melhor?


Reflexão final

Talvez Setembro não tenha servido para colocar tudo no lugar.

Talvez algumas coisas estejam ainda mais confusas.

Talvez existam rotinas por construir, emoções por compreender e decisões por tomar.

Mas recomeçar nunca significou ter tudo resolvido.

Ao longo destas semanas fomos aprendendo outra coisa.

Primeiro, voltámos devagar.

Depois procurámos cuidar de nós no meio das rotinas.

Aprendemos também a deixar crescer — os nossos filhos, as nossas relações e até algumas partes de nós.

E agora procuramos um novo equilíbrio.

Não um equilíbrio perfeito.

Um equilíbrio possível.

Daqueles que se vão construindo enquanto vivemos.

Experimentamos.

Erramos.

Ajustamos.

Voltamos a tentar.

Talvez o autocuidado seja também isto:

escutar a nossa própria vida e ter coragem para mudar aquilo que deixou de nos fazer bem.

Sem pressa.

Sem culpa.

Um ajuste de cada vez.


Ligações deste mês

Se chegaste agora ao Calendário SoLu@, podes acompanhar todo o percurso de Setembro:

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

→ Semana 1 — Voltar devagar

→ Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

→ Semana 3 — Deixar crescer

→ Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

→ Recomeçar não é voltar ao princípio

Porque todas estas reflexões partem da mesma ideia:

podemos recomeçar sem apagar aquilo que já vivemos.


Um pequeno convite

Antes de terminar esta semana, escolhe uma coisa.

Apenas uma.

Algo que possas simplificar, mudar, abandonar, começar ou fazer de maneira diferente.

Experimenta durante alguns dias.

Observa como te sentes.

E lembra-te:

o calendário é um guia, não uma prisão.

Se num determinado dia não conseguires fazer a prática, não há nada para recuperar.

Continua no dia seguinte.

A vida também se faz assim.


Queres viver este mês comigo?

Na Newsletter SoLu@ partilho reflexões, textos novos, memórias do Arquivo e pequenos convites para vivermos com mais consciência, amor e sentido.

Se estas palavras também fazem sentido para ti, podes juntar-te a mim.

Um mês de cada vez.
Uma semana de cada vez.
Um dia de cada vez.

Com amor,
SoLu@


Perguntas frequentes

Tenho de cumprir todas as práticas do Calendário SoLu@?

Não. O Calendário SoLu@ não pretende acrescentar mais uma obrigação aos teus dias. Escolhe aquilo que fizer sentido para ti. O calendário é um guia, não uma prisão.

O que significa encontrar um novo equilíbrio?

Não significa distribuir o tempo igualmente por todas as áreas da vida. Significa perceber aquilo de que precisas em cada fase e fazer ajustes conscientes para viver de forma mais sustentável.

E se aquilo que planeei para Setembro não estiver a resultar?

Podes mudar. Rever um plano não significa falhar. Às vezes, aquilo que aprendemos durante o caminho mostra-nos uma solução melhor do que aquela que tínhamos imaginado no início.

Por onde começar?

Escolhe apenas uma coisa que esteja a criar demasiado peso nos teus dias e pergunta: qual é o menor ajuste que posso fazer? Começa aí.

Sexta-feira Nostálgica — Há dez anos eu já procurava uma vida mais feliz

Texto antigo do Arquivo SoLu@ sobre felicidade e crescimento pessoal, revisitado dez anos depois.

Dez anos depois, continuo a procurar uma vida com sentido. Mas talvez hoje saiba que não existe um projecto perfeito para ser feliz.

Há dez anos escrevi um texto chamado “Projecto de Vida para ser Feliz!”.

Naquela altura procurava perceber o que podia mudar para construir uma vida mais feliz. Dez anos depois, percebo que continuo a procurar felicidade — mas talvez hoje procure ainda mais uma vida com sentido.

Era Maio de 2016.

Voltei a encontrá-lo agora no Arquivo SoLu@ e fiquei algum tempo a olhar para aquelas palavras.

Não apenas para aquilo que escrevi.

Mas para a mulher que as escreveu.

Naquele texto falava de auto-análise, de família, de culpa, de falta de paciência, de decisões e da vontade de viver melhor.

E, ao relê-lo, aconteceu uma coisa curiosa:

reconheci-me.

Há perguntas que continuam a ser minhas.

Mas as respostas já não são exactamente as mesmas.

Talvez seja isso que dez anos fazem connosco.

Não apagam aquilo que fomos.

Ensinam-nos a olhar de outra maneira.


Eu já procurava aquilo que verdadeiramente importava

Quando escrevi aquele “Projecto de Vida”, estava a tentar perceber o que me fazia feliz.

A família.

Os amigos.

Os momentos vividos em conjunto.

O sentimento de fazer alguma coisa útil.

Uma vida que tivesse prazer, satisfação e sentido.

Dez anos depois, acho bonito perceber que o essencial não mudou assim tanto.

Continuo a acreditar no valor da família.

Continuo a acreditar na importância das relações.

Continuo a querer viver de uma forma que faça sentido e não apenas passar pelos dias a cumprir aquilo que é preciso fazer.

Talvez tenha mudado, sobretudo, a forma como procuro essa felicidade.

Na altura parecia existir em mim uma vontade de organizar melhor a vida, corrigir comportamentos, tomar decisões e conseguir mantê-las.

Como se, com as escolhas certas e alguma disciplina, fosse possível construir uma espécie de projecto para ser feliz.

Hoje já não tenho tanta certeza de que a felicidade aceite projectos tão bem organizados.


Durante muito tempo achei que precisava de me corrigir

Há uma parte daquele texto antigo que me toca particularmente.

A culpa.

A falta de paciência.

A forma como reagia com a minha família, com o meu marido, com os meus filhos, com o trabalho e comigo própria.

É fácil olhar para trás e pensar:

Eu devia ter sido mais paciente.

Devia ter feito diferente.

Devia ter percebido mais cedo.

Mas hoje há uma pergunta que acrescentaria àquelas que fazia em 2016:

Será que a culpa alguma vez me ajudou verdadeiramente a ser melhor?

Não estou a falar de ignorar os nossos erros.

Precisamos de reconhecer quando magoamos alguém.

Precisamos de aprender.

Pedir desculpa.

Mudar aquilo que conseguimos mudar.

Mas há uma diferença enorme entre assumir responsabilidade e viver permanentemente a castigar-nos pelo que não fizemos bem.

E talvez eu tenha demorado algum tempo a aprender essa diferença.

Hoje sei que crescer não é passar a vida a apontar aquilo que está errado em nós.

É conseguirmos olhar para nós com verdade suficiente para mudar e com amor suficiente para não nos destruirmos nesse processo.


A felicidade deixou de ser um destino perfeito

Se pudesse sentar-me hoje ao lado da mulher que escreveu aquele texto em 2016, talvez lhe dissesse:

Não precisas de descobrir a fórmula.

Não precisas de acertar sempre.

Não precisas de conseguir manter todas as resoluções.

Haverá dias em que serás paciente.

E outros em que estarás cansada.

Haverá decisões que conseguirás manter durante anos.

E outras que abandonarás passado pouco tempo.

Haverá momentos muito felizes.

E haverá outros que não conseguirás transformar em felicidade, por muito que tentes.

E está tudo dentro da mesma vida.

Porque talvez viver uma vida feliz não signifique sentirmo-nos felizes o tempo inteiro.

Talvez signifique construir uma vida onde conseguimos reconhecer aquilo que importa, cuidar das relações, atravessar os dias difíceis e continuar a encontrar razões para agradecer, amar, acreditar e recomeçar.


Há coisas que dez anos não mudaram

Apesar de tudo o que mudou, há alguma coisa muito bonita em perceber que aquela mulher e esta ainda procuram a mesma coisa.

Uma vida com sentido.

Talvez tenha sido sempre isso.

Mesmo quando lhe chamava felicidade.

Mesmo quando fazia listas.

Mesmo quando criava resoluções.

Mesmo quando pensava que precisava de melhorar tantas coisas em mim.

Eu estava à procura de uma maneira mais consciente de viver.

Hoje talvez lhe chame outra coisa.

Presença.

Equilíbrio.

Autocuidado.

Amor consciente.

Aceitação.

Gratidão.

Ou simplesmente:

aprender a amar e a viver.


Se escrevesse hoje um “Projecto de Vida para ser Feliz”…

Provavelmente já não lhe chamaria projecto.

Talvez escrevesse apenas algumas intenções.

Quero estar verdadeiramente presente quando estou com quem amo.

Quero cuidar dos outros sem desaparecer de mim.

Quero reconhecer os meus erros sem transformar cada erro numa sentença sobre quem sou.

Quero aprender a descansar sem culpa.

Quero proteger aquilo que me faz bem.

Quero continuar a crescer sem viver permanentemente insatisfeita comigo.

Quero ter paciência — e saber pedir desculpa quando não a tiver.

Quero aceitar que nem todos os dias serão felizes.

E quero aprender a descobrir vida, amor e sentido também nesses dias.

Porque hoje sei uma coisa que talvez não soubesse escrever daquela maneira há dez anos:

uma vida feliz não se constrói quando finalmente fazemos tudo bem.

Constrói-se enquanto vivemos.

Enquanto erramos.

Enquanto aprendemos.

Enquanto amamos.

Enquanto perdemos.

Enquanto mudamos.

Enquanto voltamos.


Setembro trouxe-me este texto na altura certa

Este reencontro também faz sentido precisamente agora.

Setembro, no Calendário SoLu@, é o mês de Autocuidado / Recomeço.

E esta semana estamos a falar de uma coisa muito concreta:

cuidar de mim no meio das rotinas.

Talvez esta seja outra diferença entre 2016 e 2026.

Já não quero criar um projecto enorme para mudar toda a vida.

Quero perceber onde posso viver um pouco melhor dentro da vida que já tenho.

Onde posso voltar a incluir-me.

Onde preciso de abrandar.

Onde posso ser mais paciente.

Onde preciso de deixar de exigir tanto de mim.

Onde há alguma coisa boa que merece continuar.

O autocuidado também pode começar aqui.

Não numa vida nova.

Mas numa forma diferente de habitar a nossa.


Do Arquivo para o presente

É por textos como este que quis preservar o Arquivo SoLu@.

Não quero guardar o passado porque acredito hoje exactamente em tudo aquilo que escrevi.

Quero guardá-lo porque aquelas palavras mostram o caminho.

Quem eu era.

Aquilo que procurava.

As perguntas que fazia.

E aquilo que a vida entretanto me ensinou.

O Arquivo SoLu@ é memória viva.

E o SoLu@ de hoje é a continuação dessa história.

Por isso, se quiseres conhecer o texto que deu origem a esta reflexão:

→ No Arquivo SoLu@: “Projecto de Vida para ser Feliz!” — Maio de 2016

E, no presente:

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

→ Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

→ Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.


Dez anos depois…

Continuo a querer uma vida feliz.

Claro que sim.

Mas talvez já não procure tanto ser feliz como procurava.

Procuro viver com verdade.

Amar melhor.

Cuidar sem me esquecer de mim.

Estar presente.

Aprender.

Agradecer.

Aceitar que algumas coisas não dependem de mim.

E encontrar sentido mesmo quando a vida não acontece exactamente como eu gostaria.

Talvez a felicidade nunca tenha sido um projecto que se termina.

Talvez seja uma construção imperfeita feita de milhares de dias comuns.

E talvez seja precisamente isso que hoje quero continuar a aprender:

não como criar uma vida perfeita para ser feliz, mas como estar verdadeiramente presente na vida que tenho.

E tu?

Se encontrasses hoje uma lista de decisões que escreveste há dez anos, o que achas que teria mudado?

Ainda procuras a mesma felicidade — ou a vida também te ensinou a procurá-la de outra maneira?

Conta-me nos comentários.

Talvez, quando olhamos para trás, percebamos que crescemos muito mais do que imaginávamos.

Sexta-feira Nostálgica — Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Setembro Recomeço #2 — Recomeçar não é voltar ao princípio

Recomeçar não é voltar ao princípio — Setembro Recomeço SoLu@

Escolher o que merece continuar connosco

Há uma ideia sobre os recomeços que durante muito tempo me pareceu bonita: a possibilidade de começar do zero.

Página em branco.
Vida nova.
Hábitos novos.
Uma versão diferente de nós próprias.

Hoje já não acredito muito nisso.

Talvez porque a vida me tenha ensinado que nunca regressamos verdadeiramente ao princípio.

Quando recomeçamos, levamos connosco tudo aquilo que já aconteceu.

As coisas que aprendemos.
As que ainda estamos a tentar compreender.
As pessoas que passaram pela nossa vida.
As que ficaram.
Os erros que cometemos.
As feridas que sararam.
As que ainda doem um bocadinho.

Levamos também as pequenas vitórias que tantas vezes esquecemos.

E talvez seja precisamente por isso que um recomeço pode ser tão bonito.

Porque não estamos a começar sem nada.

Estamos a começar com experiência.


Não quero voltar atrás

Há alturas em que pensamos:

Quem me dera voltar àquela fase.

Voltar ao tempo em que tínhamos mais energia.

Voltar ao corpo que tínhamos.

Voltar à rotina que funcionava.

Voltar à relação que parecia diferente.

Voltar aos dias em que tudo parecia mais simples.

Mas, pensando bem, eu não quero realmente voltar atrás.

Quero poder olhar para trás, perceber o que me fazia bem e perguntar:

O que daquela vida ainda merece fazer parte desta?

Porque algumas coisas mudaram.

Eu mudei.

A minha família mudou.

Os meus filhos cresceram.

As prioridades mudaram.

O corpo também muda.

O tempo disponível não é o mesmo.

E aquilo de que precisamos hoje pode ser muito diferente daquilo de que precisávamos há cinco, dez ou vinte anos.

Por isso, recomeçar não pode ser uma tentativa de reconstruir exactamente a vida que tínhamos.

Talvez seja antes uma oportunidade para construir a vida que faz sentido agora.


Há coisas que não precisam de regressar connosco

Também há alguma coragem nisto.

Porque quando decidimos recomeçar, podemos sentir que temos de recuperar tudo aquilo que deixámos para trás.

A rotina perfeita.

O exercício todos os dias.

A casa organizada.

Os projectos interrompidos.

Os hábitos abandonados.

As listas que ficaram por cumprir.

Mas talvez nem tudo tenha de voltar.

Há coisas que deixaram de servir.

Há hábitos que pertenciam a outra fase.

Há expectativas que já pesam mais do que ajudam.

Há objectivos que foram importantes numa determinada altura e que hoje já não fazem sentido.

E reconhecer isso não significa desistir.

Significa crescer.

Às vezes, o verdadeiro recomeço começa quando conseguimos dizer:

isto foi importante para mim, mas já não preciso de o levar comigo.


E há coisas que continuam a chamar por nós

Depois existem aquelas coisas que, mesmo quando a vida se complica, continuam silenciosamente à nossa espera.

Uma caminhada.

Um livro pousado na mesa de cabeceira.

Escrever.

Voltar a mexer o corpo.

Beber água com mais atenção.

Dormir melhor.

Telefonar a alguém.

Sentar-me alguns minutos em silêncio.

Retomar um projecto que me faz feliz.

Cuidar de uma relação.

Voltar a rezar.

Voltar a sonhar.

Não porque alguém nos disse que devíamos fazê-lo.

Mas porque, quando pensamos nisso, há qualquer coisa dentro de nós que reconhece:

isto faz-me bem.

Talvez seja por aí que vale a pena começar.


Setembro não precisa de ser uma revolução

Setembro tem esta energia curiosa.

Depois do Verão, sentimos quase automaticamente que chegou a altura de reorganizar tudo.

Horários.

Escola.

Trabalho.

Casa.

Alimentação.

Exercício.

Projectos.

Planos.

E, no meio dessa reorganização, é muito fácil criarmos uma lista tão grande que o próprio recomeço se transforma em mais uma fonte de pressão.

Este ano quero experimentar outra coisa.

Em vez de perguntar:

“O que tenho de mudar?”

quero perguntar:

“O que merece continuar comigo?”

A pergunta parece semelhante.

Mas não é.

A primeira parte da ideia de que há alguma coisa errada que precisa de ser corrigida.

A segunda parte daquilo que já existe e merece ser cuidado.

E talvez o autocuidado comece exactamente aí.

Não em inventarmos uma pessoa completamente nova.

Mas em reconhecermos aquilo que já faz parte de nós e merece voltar a ter espaço.


Uma coisa de cada vez

Por isso, a proposta desta semana do Setembro Recomeço é muito simples:

escolher apenas uma coisa para retomar.

Não cinco.

Não dez.

Uma.

Pode ser pequena.

Na verdade, talvez seja melhor que seja pequena.

Por exemplo:

  • caminhar 20 minutos;
  • voltar a ler antes de dormir;
  • preparar o pequeno-almoço com mais calma;
  • escrever algumas linhas num caderno;
  • telefonar uma vez por semana a alguém de quem gostamos;
  • regressar ao ginásio sem exigir resultados imediatos;
  • deitar mais cedo;
  • reservar meia hora para nós;
  • voltar a um projecto que ficou esquecido;
  • fazer alguma coisa simplesmente porque nos dá prazer.

Depois podemos perguntar:

Porque quero recuperar isto?

Não porque “devia”.

Não porque Setembro chegou.

Não porque toda a gente parece estar a reorganizar a vida.

Mas porque esta pequena coisa pode tornar os meus dias um pouco melhores.


O meu pequeno exercício de recomeço

Se quiseres fazer esta reflexão comigo, escreve três frases:

1. Há uma coisa da minha vida que quero deixar para trás:


2. Há uma coisa que aprendi e quero levar comigo:


3. Há uma coisa que quero começar a retomar:


Depois escolhe apenas a terceira.

E pergunta:

Qual é a versão mais pequena e possível desta escolha?

Se queres voltar a caminhar, talvez não sejam cinco quilómetros.

Talvez sejam dez minutos.

Se queres voltar a escrever, talvez não seja terminar um livro.

Talvez seja abrir um documento e escrever um parágrafo.

Se queres cuidar mais de ti, talvez não seja mudar toda a tua rotina.

Talvez seja começar por não te deixares sempre para o fim.

Porque os recomeços que permanecem raramente começam com grandes revoluções.

Começam com pequenos gestos que conseguimos repetir.


Não somos a mesma pessoa que começou

Há algo que hoje me conforta muito nesta ideia.

Eu não preciso de regressar à mulher que era.

Posso agradecer-lhe tudo aquilo que ela fez.

Posso reconhecer aquilo que atravessou.

Posso aprender com as suas escolhas.

Mas posso continuar daqui.

Com aquilo que sei hoje.

Com os limites que conheço melhor.

Com mais consciência do que me faz bem e do que me esgota.

Com outra relação com o tempo.

Com mais respeito por mim.

Talvez crescer seja precisamente isto:

deixar de tentar recuperar versões antigas de nós próprias e começar a cuidar da pessoa que somos agora.


A pergunta desta semana

Neste Setembro de Autocuidado e Recomeço, não te vou perguntar quantas coisas queres mudar.

Pergunto-te apenas:

O que merece continuar contigo?

E, entre tudo aquilo que escolheste, haverá talvez uma pequena coisa que merece regressar aos teus dias.

Começa por aí.

Sem pressa.

Sem perfeição.

Sem transformar o calendário numa obrigação.

Porque, como tenho repetido no Calendário SoLu@:

o calendário é um guia, não uma prisão.

E um recomeço também deve ser assim.

Um caminho que nos aproxima de nós.

Não mais uma lista onde podemos sentir que falhámos.


Para levar contigo

Recomeçar não é voltar ao princípio.
É continuar a partir de tudo aquilo que a vida já nos ensinou.

Esta semana escolhe apenas uma coisa.

Uma coisa que te faça bem.

Uma coisa que reconheças como tua.

Uma coisa que mereça voltar.

E começa de onde estás.

Porque talvez seja esse o único lugar de onde alguma vez podemos realmente recomeçar.

SoLu@


Continua este caminho

Se estás a viver comigo este Setembro de Autocuidado / Recomeço, podes continuar por aqui:

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.
Uma reflexão sobre aquilo que acontece quando os planos não se cumprem exactamente como imaginámos — e mesmo assim alguma coisa muda.

Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.
Uma ponte entre aquilo que escrevi há anos e aquilo que hoje aprendi sobre começar novamente.

Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço
Um mês para regressarmos a nós próprias sem pressa, sem culpa e sem a obrigação de fazer tudo.

Queres viver este mês comigo?

Na newsletter SoLu@ partilho reflexões, textos, pequenas práticas e pedaços deste caminho que nem sempre cabem nas redes sociais.

Se também estás a tentar encontrar uma forma mais tranquila de cuidar de ti e recomeçar, fica por perto.

Talvez possamos fazer este caminho juntas.

Um dia de cada vez.

Calendário SoLu@ — Setembro – Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

Cuidar de mim no meio das rotinas — Semana 2 do Calendário SoLu@ de Setembro

Cuidar de mim no meio das rotinas

Autocuidado que cabe na vida real.

Há semanas em que a vida parece voltar toda ao mesmo tempo.

Os horários.
As responsabilidades.
As refeições.
As tarefas.
As mensagens por responder.
As coisas que ficaram adiadas.
As necessidades de quem amamos.

E, quase sem percebermos, voltamos também a fazer aquilo que tantas vezes fazemos: colocamo-nos no fim da lista.

Não porque não saibamos que precisamos de cuidar de nós.

Mas porque há dias em que parece simplesmente não haver espaço.

Esta semana quero lembrar-me de uma coisa muito simples:

o autocuidado não precisa de acontecer fora da minha vida. Tem de aprender a caber dentro dela.

Não precisa de ser perfeito.

Não precisa de durar uma hora.

Não precisa de uma rotina bonita, silenciosa e cuidadosamente organizada.

Às vezes, cuidar de mim é beber água antes de perceber que passei horas sem o fazer.

É sentar-me cinco minutos.

É sair para andar.

É dizer que não.

É deitar-me um pouco mais cedo.

É respirar antes de responder.

É comer com mais atenção.

É reconhecer que também estou cansada.

É fazer alguma coisa simplesmente porque me faz bem.

Talvez o verdadeiro desafio não seja encontrar mais tempo.

Talvez seja voltar a incluir-me no tempo que já tenho.


Tema da semana

Cuidar de mim no meio das rotinas

O regresso às rotinas pode dar-nos uma sensação de organização e de recomeço.

Mas também pode trazer novamente aquela tendência de vivermos em modo automático.

Acordamos.

Fazemos.

Resolvemos.

Cuidamos.

Respondemos.

Organizamos.

E, no meio de tudo isto, podemos passar dias inteiros sem perguntar:

Como estou eu?

Esta semana não quero criar uma nova lista de coisas que tenho de fazer para cuidar de mim.

Quero apenas começar a reparar nos lugares onde desapareço da minha própria vida.

E procurar pequenas formas de voltar.


Intenção da semana

Incluir-me na minha própria rotina.

Não quando tudo estiver feito.

Não quando houver tempo.

Não quando a vida estiver finalmente organizada.

Agora.

Mesmo que seja através de pequenos gestos.

Porque cuidar de mim não é retirar tempo às pessoas que amo.

É reconhecer que eu também faço parte das pessoas de quem preciso de cuidar.


Frase destaque SoLu@

“Não preciso de fugir da minha vida para cuidar de mim. Preciso de aprender a não desaparecer dentro dela.” — SoLu@


Prática da semana

Criar um pequeno espaço só meu

Escolhe um momento do teu dia que possa tornar-se um pequeno ponto de encontro contigo.

Pode durar apenas cinco ou dez minutos.

Pode ser:

  • beber o café sem telemóvel;
  • caminhar um pouco;
  • ouvir uma música;
  • escrever algumas linhas;
  • respirar junto a uma janela;
  • cuidar da pele;
  • alongar o corpo;
  • beber um chá em silêncio;
  • ler duas páginas de um livro;
  • simplesmente não fazer nada durante alguns minutos.

Não transformes este momento noutra obrigação.

Não precisas de cumprir todos os dias.

A intenção é apenas começares a criar espaço para uma pergunta:

“O que preciso neste momento?”

E aprenderes a escutar a resposta.


Mini desafio da semana

Durante estes sete dias, experimenta fazer um pequeno gesto por ti todos os dias.

Nada extraordinário.

Nada que precise de ser fotografado.

Nada que tenhas de mostrar a ninguém.

Apenas alguma coisa que te faça sentir:

“Hoje também me incluí.”

No final da semana, olha para esses sete pequenos gestos.

Talvez descubras que o autocuidado começa muito antes de uma grande mudança.

Começa quando deixamos de nos abandonar nos dias comuns.


Domingo, 6 de Setembro

Paz — Começar a semana sem me esquecer de mim

Frase do dia

“Antes de organizar a semana, quero perceber como chego até ela.”

Os domingos podem facilmente transformar-se num dia de preparação para tudo o que vem a seguir.

Compras.

Refeições.

Roupa.

Horários.

Agenda.

Família.

Mas antes de preparares a semana, experimenta fazer uma pequena pausa.

Pergunta-te:

Como estou eu a chegar a esta nova semana?

Cansada?

Esperançosa?

Ansiosa?

Com vontade de começar?

A precisar de descanso?

Nem sempre precisamos de corrigir aquilo que sentimos.

Às vezes precisamos apenas de reconhecer.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Amar a vida também é aprender a escutar aquilo que ela nos pede antes de continuarmos a correr.

Prática

Reserva dez minutos para estar contigo antes de começares a organizar a semana.

Pergunta

O que preciso de preservar esta semana para continuar em paz comigo?

Gesto

Escolhe uma coisa que não vais exigir de ti nesta semana.


Segunda-feira, 7 de Setembro

Felicidade / Gratidão — Reconhecer aquilo que já faço por mim

Frase do dia

“Nem todo o cuidado precisa de ser novo. Há coisas que já faço e que merecem ser reconhecidas.”

Quando pensamos em autocuidado, é fácil concentrarmo-nos apenas no que ainda não conseguimos fazer.

Devia fazer mais exercício.

Devia dormir melhor.

Devia comer melhor.

Devia ter mais tempo.

Devia organizar-me.

Mas talvez hoje possamos começar noutro lugar:

reconhecendo aquilo que já fazemos.

Pequenos gestos também contam.

As escolhas que fizeste.

Os limites que começaste a colocar.

As vezes em que descansaste.

As vezes em que tentaste novamente.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Crescer também é aprender a reconhecer o caminho já percorrido, em vez de viver permanentemente concentrada naquilo que ainda falta.

Prática

Escreve três coisas que tens feito por ti, mesmo que te pareçam pequenas.

Pergunta

Que cuidado comigo própria tenho desvalorizado?

Gesto

Agradece ao teu corpo alguma coisa que ele te permitiu viver hoje.


Terça-feira, 8 de Setembro

Vida — Perceber onde desapareço

Frase do dia

“Há rotinas que organizam a vida. E há rotinas onde, sem perceber, deixamos de caber.”

Hoje não precisamos de mudar nada.

Precisamos apenas de observar.

Em que momento do dia deixas de te ouvir?

Quando acordas?

Durante o trabalho?

Quando todos chegam a casa?

Ao jantar?

À noite?

Há alturas em que nos habituamos tanto a responder às necessidades dos outros que já nem percebemos quando começámos a ignorar as nossas.

Observar não é culpar-nos.

É apenas tornar visível aquilo que estava a acontecer em silêncio.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Não conseguimos escolher diferente enquanto não conseguimos reconhecer aquilo que repetimos.

Prática

Escolhe um momento habitual do teu dia e pergunta:

“Onde estou eu aqui?”

Pergunta

Em que parte da minha rotina tenho tendência a esquecer-me de mim?

Gesto

Muda uma pequena coisa nesse momento para te incluir também.


Quarta-feira, 9 de Setembro

Atitude — Fazer espaço em vez de esperar por ele

Frase do dia

“Talvez o tempo para mim nunca apareça sozinho. Talvez eu tenha de começar a protegê-lo.”

Esperamos muitas vezes pelo momento certo.

Quando houver menos trabalho.

Quando os filhos precisarem menos.

Quando a casa estiver organizada.

Quando tivermos mais energia.

Quando a vida acalmar.

Mas a vida raramente fica completamente vazia à nossa espera.

Por isso, talvez cuidar de nós exija também uma atitude:

proteger pequenos espaços antes que tudo os ocupe.

Não precisa de ser muito.

Cinco minutos podem ser um começo.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Há mudanças que não começam quando a vida muda. Começam quando decidimos ocupar um lugar diferente dentro da mesma vida.

Prática

Marca hoje dez minutos na tua agenda como marcarias qualquer outro compromisso.

São teus.

Pergunta

O que aconteceria se começasse a tratar o meu bem-estar como algo que também merece espaço?

Gesto

Cumpre hoje um pequeno compromisso que assumiste contigo.


Quinta-feira, 10 de Setembro

Pensamentos positivos — Trocar exigência por possibilidade

Frase do dia

“Não preciso de fazer tudo para estar a fazer alguma coisa boa por mim.”

Há pensamentos que nos cansam ainda antes de começarmos.

“Não tenho tempo.”

“Já devia ter começado.”

“Não consigo manter nada.”

“Faço sempre tudo mal.”

“Agora já não vale a pena.”

Hoje experimenta trocar a exigência por uma pergunta mais gentil:

O que é possível fazer hoje?

Talvez não sejam trinta minutos de exercício.

Mas podem ser dez.

Talvez não seja uma refeição perfeita.

Mas pode ser uma escolha mais consciente.

Talvez não consigas organizar tudo.

Mas podes resolver uma coisa.

O possível também conta.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Recomeçar não exige perfeição. Exige apenas disponibilidade para voltar.

Prática

Sempre que surgir um pensamento de “tudo ou nada”, acrescenta:

“Qual é a versão possível disto hoje?”

Pergunta

Que expectativa demasiado alta está a impedir-me de reconhecer o que consigo fazer?

Gesto

Escolhe fazer uma coisa pequena em vez de desistir porque não consegues fazer tudo.


Sexta-feira, 11 de Setembro

Fé / Esperança — Confiar nos pequenos passos

Frase do dia

“Nem sempre consigo ver a mudança enquanto ela está a acontecer.”

Algumas mudanças são silenciosas.

Não chegam acompanhadas de grandes decisões.

Não têm uma data exacta.

Não parecem extraordinárias.

Acontecem quando começamos a beber mais água.

Quando voltamos a andar.

Quando descansamos sem tanta culpa.

Quando aprendemos a dizer não.

Quando deixamos de falar connosco de forma tão dura.

Quando, depois de um dia difícil, voltamos a tentar.

Talvez não sintas ainda que mudaste muito.

Mas isso não significa que nada esteja a mudar.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Há caminhos que só conseguimos reconhecer quando olhamos para trás e percebemos quantas pequenas escolhas nos trouxeram até aqui.

Prática

Recorda uma mudança positiva que começou através de um gesto pequeno.

Pergunta

Em que processo preciso de confiar um pouco mais?

Gesto

Faz hoje alguma coisa que a tua versão futura poderá agradecer.


Sábado, 12 de Setembro

Amor — Cuidar de mim também é uma forma de amar

Frase do dia

“O amor que ofereço aos outros não precisa de existir à custa do amor que também devo a mim.”

Para muitas de nós, cuidar dos outros surge naturalmente.

Perguntamos se comeram.

Se chegaram bem.

Se precisam de alguma coisa.

Se estão tristes.

Se descansaram.

Mas quantas vezes fazemos essas mesmas perguntas a nós próprias?

O autocuidado não nos afasta do amor.

Pode tornar a nossa forma de amar mais inteira.

Porque quando deixamos de viver permanentemente esgotadas, também conseguimos estar mais presentes.

Mensagem ligada a Aprender a amar e a viver…

Amar verdadeiramente não deveria significar desaparecer para que os outros tenham espaço.

Também precisamos de aprender a permanecer.

Prática

Pergunta-te hoje aquilo que perguntarias a alguém que amas:

“O que precisas?”

E tenta responder com verdade.

Pergunta

Consigo oferecer a mim própria um pouco do cuidado que ofereço tão facilmente aos outros?

Gesto

Faz alguma coisa por ti sem teres de justificar a ninguém porque precisavas dela.


Pergunta da semana

Onde posso voltar a incluir-me?

Talvez não precises de mudar toda a tua rotina.

Talvez exista apenas um pequeno lugar onde possas voltar a entrar.

Na primeira meia hora da manhã.

Na forma como almoças.

Nos teus limites.

Nos teus pensamentos.

No modo como descansas.

Naquilo que aceitas.

Naquilo que deixas de aceitar.

Na hora de dormir.

Nos dez minutos que continuas a achar que não contam.

Conta.

Porque às vezes não precisamos de uma vida nova.

Precisamos de voltar a encontrar-nos dentro da vida que já temos.


Reflexão final

Esta semana não foi sobre fazer mais.

Foi sobre desaparecer menos.

E talvez esta seja uma das partes mais importantes do autocuidado.

Perceber que não precisamos de transformar cada gesto numa meta.

Não precisamos de cumprir sete dias perfeitos.

Não precisamos de chegar ao sábado com todas as caixas assinaladas.

O Calendário SoLu@ continua a ser aquilo que sempre quis que fosse:

um guia, não uma prisão.

Se fizeste apenas um dos exercícios, está bem.

Se houve um dia em que te lembraste de respirar antes de responder, conta.

Se escolheste descansar.

Conta.

Se disseste não.

Conta.

Se voltaste a caminhar.

Conta.

Se percebeste que estavas cansada.

Também conta.

Porque o recomeço de Setembro não precisa de ser espectacular.

Pode simplesmente começar assim:

quando, no meio de tudo aquilo que tens para cuidar, decides não voltar a esquecer-te de ti.


Ligações do mês

Se estás a acompanhar Setembro comigo, continua também por aqui:


Queres viver este mês comigo?

Não precisas de fazer tudo.

Nem de começar tudo agora.

Podes simplesmente escolher uma frase, uma pergunta ou uma prática e levá-la contigo durante o dia.

Se alguma destas palavras te encontrou numa altura em que também estás a tentar voltar a cuidar de ti, conta-me:

Onde sentes que precisas de voltar a incluir-te?

Talvez a tua resposta ajude também alguém que esteja a passar pelo mesmo.


Newsletter SoLu@

Se gostas destes momentos de pausa e reflexão, podes acompanhar o SoLu@ também através da newsletter.

Uma carta para irmos falando sobre amor, maternidade, autocuidado, recomeços e esta aprendizagem contínua que é aprender a amar e a viver.

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Calendário SoLu@ — Setembro

Podes acompanhar o mês ao teu ritmo.

📄 Calendário SoLu@ Setembro 2026 — PDF

📅 Adicionar Setembro SoLu@ ao calendário — ICS

Guarda apenas aquilo que te fizer sentido.

Volta quando precisares.

Porque:

o calendário é um guia, não uma prisão.


Perguntas frequentes

Tenho de cumprir todas as práticas do Calendário SoLu@?

Não. O Calendário SoLu@ não é um desafio de produtividade. É um convite à reflexão. Podes escolher apenas as práticas, frases ou perguntas que façam sentido na tua vida.

O que significa autocuidado na vida real?

Significa cuidar de ti dentro das circunstâncias que tens. Pode ser descansar, movimentar o corpo, alimentar-te melhor, pedir ajuda, proteger um limite, parar alguns minutos ou simplesmente reconhecer aquilo de que precisas.

E se eu voltar a esquecer-me de mim?

Volta novamente.

Não transformes isso numa culpa.

O autocuidado também pode ser aprender a recomeçar sem nos castigarmos por termos parado.

Preciso de mudar toda a minha rotina?

Não. Muitas vezes, uma mudança pequena e possível é mais sustentável do que uma transformação radical que não conseguimos manter.

Esta semana, começa apenas por uma pergunta:

Onde posso voltar a incluir-me?

Sexta-feira Nostálgica — Como fazer um recomeço na tua vida?

recomeçar não é apagar o caminho anterior — é continuar de outra maneira

Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Há textos antigos que reencontramos e parecem pertencer a outra pessoa.

E há outros que, apesar dos anos, continuam a fazer-nos perguntas.

“Como fazer um recomeço na tua vida?” é um desses textos.

Quando o escrevi, acreditava — como continuo a acreditar — que há momentos em que precisamos de parar, olhar para a nossa vida e perceber que alguma coisa tem de mudar.

Mas hoje há uma palavra nesse título que leio de maneira diferente:

recomeço.

Porque talvez recomeçar não seja apagar tudo o que ficou para trás.

Talvez não seja começar do zero.

E certamente não significa termos finalmente descoberto a fórmula para fazer tudo bem.

Hoje, em Setembro de 2026, depois de escrever “Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.”, percebo o recomeço de outra forma.

Mais pequena.

Mais possível.

Mais verdadeira.

Recomeçar, para mim, é voltar a escolher o caminho, mesmo levando comigo tudo aquilo que ainda não está resolvido.


1. O texto que reencontrei

“Como fazer um recomeço na tua vida?”

Só o título parece conter uma promessa.

A possibilidade de mudar.

De virar uma página.

De deixar alguma coisa para trás e começar novamente.

Talvez seja por isso que a ideia de recomeço nos atrai tanto.

Gostamos da ideia de uma página em branco.

De uma segunda-feira.

De Setembro.

De Janeiro.

De um aniversário.

De uma data que nos permita dizer:

“Agora vai ser diferente.”

Também eu já fiz isso muitas vezes.

Criei planos.

Defini objectivos.

Prometi a mim própria que iria mudar hábitos, organizar melhor os dias, cuidar mais de mim, fazer exercício, alimentar-me melhor, escrever mais, parar mais, preocupar-me menos.

Algumas coisas consegui.

Outras não.

Algumas comecei e abandonei.

Outras ficaram pelo caminho.

E houve ainda aquelas que só consegui muito mais tarde do que tinha imaginado.

Talvez seja exactamente por isso que hoje consigo regressar a este texto sem sentir que tenho de provar que aprendi finalmente “como se faz um recomeço”.

Não sei se existe uma fórmula.

Sei apenas que já recomecei muitas vezes.

E que cada recomeço me ensinou alguma coisa.


2. Quem eu era quando o escrevi

Quando escrevi este texto, olhava para o recomeço sobretudo como uma oportunidade de mudança.

Havia qualquer coisa bonita nisso.

A esperança de podermos escolher outro caminho.

A convicção de que o passado não tinha de determinar tudo aquilo que ainda viria.

Continuo a acreditar profundamente nisso.

Mas penso que, nessa altura, ainda havia em mim uma certa ideia de que recomeçar significava fazer diferente — e fazer melhor.

Como se fosse possível estabelecer uma fronteira:

antes e depois.

Antes, aquilo que não resultou.

Depois, a nova vida.

Antes, os erros.

Depois, as decisões certas.

Antes, a mulher que não conseguiu.

Depois, a mulher que finalmente conseguiria.

Hoje sorrio um pouco perante essa ideia.

Não porque estivesse errada.

Mas porque a vida me ensinou que não existem fronteiras assim tão perfeitas.

Nós não acordamos numa manhã completamente diferentes.

Não deixamos as inseguranças todas para trás.

Não abandonamos de uma só vez os hábitos que nos fazem mal.

Não passamos a cuidar de nós todos os dias só porque decidimos que chegou o momento.

Levamos connosco muitas coisas.

As boas e as difíceis.

As aprendizagens e os medos.

As conquistas e as fragilidades.

Recomeçamos com a pessoa que já somos.

E talvez seja precisamente isso que torna um recomeço verdadeiro.


3. O que ainda reconheço neste texto

Apesar de tudo o que mudou, há uma coisa que continuo a reconhecer profundamente:

a esperança.

Acredito em recomeços.

Talvez até mais hoje do que acreditava quando escrevi aquelas palavras.

Acredito que podemos mudar de opinião.

Mudar de hábitos.

Mudar prioridades.

Voltar a estudar.

Voltar a amar.

Voltar a escrever.

Voltar a mexer o corpo.

Voltar a cuidar da saúde.

Voltar a sonhar.

Voltar a tentar uma coisa que não conseguimos da primeira vez.

E acredito, sobretudo, que nunca precisamos de esperar por uma data especial para o fazer.

Às vezes o recomeço acontece numa segunda-feira.

Outras vezes acontece numa quinta-feira qualquer, depois do jantar, quando percebemos simplesmente:

“Eu não quero continuar assim.”

Há recomeços que toda a gente vê.

Uma mudança de casa.

Um novo trabalho.

Uma separação.

Um casamento.

Um nascimento.

Uma viagem.

Um projecto.

E há outros que ninguém vê.

Decidir voltar a cuidar de nós.

Parar de falar connosco com tanta dureza.

Aprender a dizer não.

Perdoar alguma coisa.

Aceitar outra.

Voltar a caminhar.

Dormir melhor.

Pedir ajuda.

Escolher paz onde antes escolhíamos conflito.

Esses recomeços quase não fazem barulho.

Mas podem mudar uma vida inteira.


4. O que hoje vejo de maneira diferente

Há poucos dias escrevi no SoLu@:

“Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.”

Esse texto nasceu do balanço dos 30 dias para me sentir melhor no meu corpo.

Eu tinha feito um plano.

Tinha ideias.

Tinha artigos pensados.

Tinha intenções.

E a vida não aconteceu exactamente como estava no calendário.

Não fiz tudo.

Durante muito tempo, talvez tivesse olhado para isso começando pela parte que ficou por fazer.

Hoje tentei olhar primeiro para aquilo que aconteceu.

Voltei ao movimento.

Voltei ao ginásio.

Voltei a prestar atenção ao meu corpo.

Comecei novamente a pensar na importância de ganhar força, de cuidar da alimentação sem viver em culpa e de fazer escolhas que possam contribuir para a qualidade da minha vida no futuro.

Não cumpri o plano todo.

Mas alguma coisa mudou.

E foi aí que percebi uma coisa que se liga profundamente a este texto antigo:

um recomeço não precisa de ser perfeito para ser um recomeço.

Talvez seja esta uma das maiores diferenças entre a mulher que escreveu “Como fazer um recomeço na tua vida?” e a mulher que o relê em 2026.

Antes, eu procurava talvez uma maneira de começar outra vez.

Hoje sei que, muitas vezes, não precisamos de começar outra vez.

Precisamos de continuar.

Continuar de maneira diferente.

Ajustar.

Parar durante algum tempo.

Voltar.

Fazer menos.

Escolher melhor.

Perdoarmo-nos pelo caminho que não cumprimos exactamente como imaginávamos.

Porque começar do zero é uma ilusão.

Nunca começamos do zero.

Começamos com tudo aquilo que vivemos.

Com as quedas.

Com as escolhas erradas.

Com aquilo que funcionou.

Com aquilo que descobrimos sobre nós.

Com as pessoas que amámos.

Com as perdas.

Com as cicatrizes.

Com a experiência.

Começamos exactamente onde estamos.


5. O que esta memória me ensina agora

Setembro chegou ao Calendário SoLu@ com duas palavras:

Autocuidado / Recomeço.

E não poderia haver melhor momento para reencontrar este texto.

Porque Setembro tem essa sensação de início.

As férias terminam.

As escolas recomeçam.

As rotinas reorganizam-se.

Os dias começam lentamente a mudar.

E parece existir no ar aquele convite para voltar a pôr a vida no lugar.

Mas este ano não quero entrar em Setembro com uma lista interminável daquilo que preciso de melhorar.

Quero entrar com outra intenção:

perceber o que vale a pena continuar.

Porque recomeçar também pode ser isto.

Não lançar fora Agosto.

Não considerar os planos incompletos um fracasso.

Não olhar para tudo o que ficou por fazer.

Mas perguntar:

O que aprendi que quero levar comigo?

Quero continuar a mexer o meu corpo.

Quero continuar a cuidar de mim sem transformar esse cuidado numa obrigação pesada.

Quero continuar a aprender que descanso não é preguiça.

Quero continuar a aceitar que há semanas melhores do que outras.

Quero continuar a fazer planos — porque gosto deles e ajudam-me — sem esquecer aquilo que escrevo tantas vezes:

o calendário é um guia, não uma prisão.

E quero continuar a compreender que uma vida com sentido não se constrói apenas nas grandes decisões.

Constrói-se naquilo que repetimos.

No pequeno gesto.

Na escolha de hoje.

No “vou tentar outra vez”.

Talvez um recomeço verdadeiro comece exactamente aí.


6. E tu, o que precisas de recomeçar?

Não vou perguntar:

“Se pudesses mudar a tua vida, o que mudarias?”

É uma pergunta demasiado grande.

Pode até assustar.

Quero perguntar-te outra coisa:

Se pudesses recomeçar apenas uma coisa neste Setembro, qual seria?

Talvez cuidar mais de ti.

Talvez dormir.

Talvez mexer o corpo.

Talvez voltar a ler.

Talvez terminar alguma coisa.

Talvez começar aquilo que tens adiado.

Talvez recuperar uma amizade.

Talvez pôr um limite.

Talvez organizar as tuas finanças.

Talvez procurar ajuda.

Talvez voltar a escrever.

Talvez simplesmente criar dez minutos por dia em que não tens de cuidar de ninguém além de ti.

Escolhe uma coisa.

Não tentes reconstruir a vida inteira numa segunda-feira.

Escolhe um pequeno começo.

E depois pergunta:

Qual é o gesto mais pequeno que posso fazer hoje nessa direcção?

Pode parecer pouco.

Mas a vida também se transforma através das coisas pequenas que decidimos repetir.


7. Da memória para o presente

É talvez esta a parte de que mais gosto nesta Sexta-feira Nostálgica.

Poder olhar para uma pergunta antiga sem sentir que preciso de lhe dar exactamente a mesma resposta.

O texto fica.

A memória fica.

A mulher que o escreveu também fica.

Mas eu continuei a viver.

E viver mudou algumas das minhas respostas.

O Arquivo SoLu@ guarda aquilo que escrevi e aquilo que fui pensando ao longo dos anos.

O SoLu@ de hoje permite-me regressar a essas palavras e perguntar:

Ainda acredito nisto?

Às vezes acredito exactamente da mesma maneira.

Outras vezes acrescentaria alguma coisa.

E, de vez em quando, diria à mulher que escreveu aquelas palavras:

“Espera. A vida ainda te vai ensinar outra forma de olhar para isto.”

Hoje, se tivesse de responder novamente à pergunta:

Como fazer um recomeço na tua vida?

talvez já não escrevesse uma lista muito longa.

Diria apenas:

Começa onde estás.

Não onde gostarias de estar.

Não onde achas que já devias ter chegado.

Não na versão perfeita de ti que imaginaste.

Aqui.

Com aquilo que conseguiste.

Com aquilo que não conseguiste.

Com o que aprendeste.

Com o que ainda dói.

Com o que ainda queres mudar.

E dá um passo.

Só um.

Porque, como escrevi há poucos dias:

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

Talvez seja esta a resposta que o meu texto antigo ainda não conhecia.

Não temos de fazer tudo para recomeçar.

Não temos sequer de ter tudo resolvido.

Às vezes basta voltarmos a escolher-nos.

E amanhã escolhermos outra vez.


🌿 Da memória para o presente

📖 No Arquivo SoLu@:
Como fazer um recomeço na tua vida?

🌿 No SoLu@:
Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

🗓️ Calendário SoLu@ — Setembro – Autocuidado / Recomeço

Este mês não te convida a mudares tudo.

Convida-te a escolher uma coisa que merece ser cuidada — e a começar por aí.

Porque o calendário é um guia, não uma prisão.

E porque talvez recomeçar não seja mudar a vida toda.

Talvez seja apenas voltar a escolher-nos, um pouco de cada vez.

Sexta-feira Nostálgica — Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Calendário SoLu@ — Agosto Simples: Semana 2 — Viver com menos

Agosto Simples — Viver com menos

Quando deixamos de tentar guardar tudo, começamos a descobrir aquilo que verdadeiramente queremos levar connosco.

Há alturas em que a vida parece demasiado cheia.

Cheia de coisas, de compromissos, de pensamentos, de expectativas, de mensagens por responder, de tarefas que adiamos e de responsabilidades que vamos acumulando sem perceber.

Mesmo quando estamos de férias ou tentamos abrandar, a nossa cabeça continua ocupada. Levamos connosco listas, preocupações, comparações e aquela sensação persistente de que ainda falta fazer alguma coisa.

Mas talvez Agosto não nos esteja a pedir mais.

Talvez nos esteja a convidar a retirar.

A libertar uma gaveta.
A deixar uma tarefa para outro dia.
A dizer não a um convite que nos cansa.
A passar menos tempo no telemóvel.
A comprar apenas aquilo de que precisamos.
A escolher uma coisa de cada vez.

Viver com menos não significa desistir dos sonhos, deixar de desejar ou aceitar uma vida pequena.

Significa escolher melhor.

Significa deixar de preencher todos os espaços, para podermos voltar a sentir aquilo que já existe dentro de nós.

Nesta segunda semana de Agosto Simples, o convite é este: perceber o que está a ocupar demasiado espaço e começar, com calma, a libertar o que já não precisamos de carregar.


O tema da semana: viver com menos

Vivemos rodeadas de mensagens que nos dizem que precisamos de mais.

Mais coisas.
Mais produtividade.
Mais experiências.
Mais reconhecimento.
Mais respostas.
Mais certezas.
Mais pressa.

E, sem percebermos, podemos começar a acreditar que a nossa vida só será suficiente quando conseguirmos alcançar tudo aquilo que ainda nos falta.

Mas uma vida com sentido nem sempre é construída pelo que acrescentamos.

Muitas vezes, começa no que escolhemos retirar.

Menos ruído para escutarmos o que sentimos.
Menos comparação para reconhecermos o nosso próprio caminho.
Menos exigência para podermos respirar.
Menos consumo para valorizarmos o que já temos.
Menos culpa para vivermos com maior verdade.

Viver com menos é uma decisão interior antes de ser uma mudança exterior.

Podemos ter uma casa organizada e continuar com a alma cheia de preocupações. Podemos doar roupas e continuar agarradas a ressentimentos antigos. Podemos desligar o telemóvel e permanecer presas ao medo de não estarmos a fazer o suficiente.

Por isso, nesta semana, não vamos apenas arrumar coisas.

Vamos observar tudo aquilo que ocupa espaço na nossa vida sem nos fazer verdadeiramente bem.


Intenção da semana

Escolher o essencial e libertar, sem culpa, aquilo que me pesa.

Não é necessário mudar tudo de uma vez.

Podemos começar por uma gaveta, uma obrigação, um pensamento ou uma pequena escolha diária.

O importante não é a quantidade do que retiramos.

É a consciência com que escolhemos aquilo que queremos manter.


Frase destaque SoLu@

Não preciso de ter tudo. Preciso de reconhecer aquilo que, para mim, é essencial.


Prática da semana: criar espaço

Durante esta semana, escolhe uma pequena área da tua vida para simplificar.

Pode ser:

  • uma gaveta ou armário;
  • a carteira ou mala que usas diariamente;
  • as fotografias e aplicações do telemóvel;
  • a lista de tarefas;
  • os compromissos da semana;
  • os gastos por impulso;
  • o tempo passado nas redes sociais;
  • um pensamento que repetes e que te desgasta;
  • uma responsabilidade que pode ser partilhada;
  • uma expectativa que já não corresponde à tua vida.

Antes de decidires o que fazer, pergunta:

Isto ajuda-me, serve-me ou faz sentido na vida que estou a viver agora?

Nem tudo o que um dia foi importante precisa de continuar connosco para sempre.


Mini desafio da semana

Todos os dias, liberta uma coisa.

Não precisa de ser um objecto.

Podes libertar:

  • uma peça de roupa que já não usas;
  • um compromisso assumido apenas por obrigação;
  • uma compra desnecessária;
  • dez minutos de utilização do telemóvel;
  • uma tarefa que pode esperar;
  • uma comparação;
  • uma culpa antiga;
  • a necessidade de explicar todas as tuas decisões.

No final da semana, observa como te sentes.

Talvez tenhas retirado muito pouco da tua casa, mas criado um espaço importante dentro de ti.


Calendário diário

Domingo, 9 de Agosto — Paz: deixar o dia respirar

Frase do dia

Nem todos os espaços precisam de ser preenchidos.

Mensagem SoLu@

O silêncio não é ausência de vida.

Às vezes, é o lugar onde conseguimos finalmente escutar-nos.

Não precisas de preencher o domingo com planos, conversas ou tarefas. Um dia mais vazio também pode ser um dia inteiro de presença.

Prática

Reserva quinze minutos sem televisão, música, telemóvel ou qualquer outra distração.

Senta-te, respira e observa o que está à tua volta.

Pergunta

O que costumo fazer apenas para não ficar em silêncio comigo?

Gesto do dia

Deixa um pequeno espaço da tua agenda livre e não o transformes numa nova obrigação.


Segunda-feira, 10 de Agosto — Felicidade e gratidão: reconhecer o que já existe

Frase do dia

Quando agradeço o que tenho, a falta deixa de comandar o meu olhar.

Mensagem SoLu@

A felicidade não vive apenas naquilo que ainda esperamos alcançar.

Também está na chávena que usamos todos os dias, na casa que nos acolhe, na mensagem inesperada, na presença de quem permanece e nos pequenos gestos que quase deixámos de ver.

Prática

Escreve cinco coisas simples que já tens e que tornam a tua vida melhor.

Não procures acontecimentos extraordinários. Repara no que se tornou habitual, mas continua a ser valioso.

Pergunta

O que existe hoje na minha vida que um dia desejei muito ter?

Gesto do dia

Agradece directamente a alguém por uma presença ou gesto que, por vezes, tomas como garantido.


Terça-feira, 11 de Agosto — Vida: consumir com mais consciência

Frase do dia

Nem tudo o que posso comprar precisa de entrar na minha vida.

Mensagem SoLu@

Compramos, por vezes, para compensar o cansaço, preencher um vazio ou sentir que estamos a cuidar de nós.

Mas cuidar também pode ser não acumular.

Pode ser usar o que já temos, reparar, reutilizar, partilhar ou esperar antes de decidir.

Prática

Antes de fazeres uma compra não essencial, espera vinte e quatro horas.

Pergunta se precisas verdadeiramente daquilo ou se estás apenas a responder a uma emoção passageira.

Pergunta

O que procuro sentir quando compro algo de que não preciso?

Gesto do dia

Escolhe usar, aproveitar ou reinventar algo que já tens em casa.


Quarta-feira, 12 de Agosto — Atitude: fazer uma coisa de cada vez

Frase do dia

A pressa multiplica tarefas; a presença devolve-nos ao momento.

Mensagem SoLu@

Fazer várias coisas ao mesmo tempo pode dar-nos a sensação de que estamos a avançar, mas também nos deixa cansadas e ausentes.

A vida não precisa de ser vivida em várias janelas abertas.

Há serenidade em terminar uma coisa antes de começar outra.

Prática

Escolhe uma tarefa e realiza-a sem alternar entre o telemóvel, o correio electrónico ou outras actividades.

Quando terminares, faz uma pausa antes de começares a seguinte.

Pergunta

O que mudaria no meu dia se eu deixasse de tentar fazer tudo ao mesmo tempo?

Gesto do dia

Fecha os separadores, guarda o telemóvel e oferece atenção inteira a uma tarefa ou pessoa.


Quinta-feira, 13 de Agosto — Pensamentos positivos: reduzir o ruído interior

Frase do dia

Nem todos os pensamentos merecem uma resposta.

Mensagem SoLu@

Há pensamentos que chegam apenas porque estamos cansadas, inseguras ou com medo.

Não precisamos de acreditar em tudo o que pensamos.

Podemos observar uma preocupação sem a transformar numa certeza. Podemos reconhecer um medo sem lhe entregar a direcção da nossa vida.

Prática

Quando surgir um pensamento negativo repetitivo, escreve-o.

Depois acrescenta:

“Este é um pensamento, não é necessariamente a verdade.”

Reformula-o de uma forma mais justa e realista.

Pergunta

Que pensamento tenho repetido e que já ocupa demasiado espaço dentro de mim?

Gesto do dia

Troca uma crítica dirigida a ti própria por uma frase mais cuidadosa e verdadeira.


Sexta-feira, 14 de Agosto — Fé e esperança: confiar sem controlar tudo

Frase do dia

Há caminhos que só se revelam depois de darmos o passo possível.

Mensagem SoLu@

Queremos respostas antes de avançar.

Queremos garantias antes de confiar.

Mas nem sempre a vida nos permite ver o caminho inteiro. Às vezes, mostra-nos apenas o próximo passo.

A esperança não elimina a incerteza. Ajuda-nos a continuar mesmo quando ainda não sabemos tudo.

Prática

Escolhe uma preocupação que tens tentado controlar constantemente.

Escreve:

  • o que depende de ti;
  • o que não depende de ti;
  • qual é o próximo passo possível.

Depois, permite-te descansar do resto.

Pergunta

O que posso entregar à vida, a Deus ou ao tempo, em vez de continuar a tentar controlar?

Gesto do dia

Faz o que está ao teu alcance e permite que o restante não seja resolvido hoje.


Sábado, 15 de Agosto — Amor: estar sem precisar de oferecer coisas

Frase do dia

O amor mais importante nem sempre se compra; oferece-se em tempo, escuta e presença.

Mensagem SoLu@

Podemos demonstrar amor através de presentes, mas também através de um passeio, de uma conversa demorada, de um abraço ou de uma refeição partilhada.

Quem nos ama nem sempre precisa que façamos mais.

Muitas vezes, precisa apenas que estejamos verdadeiramente presentes.

Prática

Escolhe uma pessoa importante e passa algum tempo com ela sem transformar o encontro numa actividade dispendiosa ou complicada.

Pode ser uma caminhada, um café em casa, uma conversa ou um fim de tarde partilhado.

Pergunta

Como posso demonstrar amor de uma forma mais simples e presente?

Gesto do dia

Oferece tempo sem pressa a alguém de quem gostas.


Pergunta da semana

O que poderia retirar da minha vida para conseguir estar mais presente naquilo que verdadeiramente importa?

Escreve a resposta sem pensares apenas em coisas materiais.

Talvez precises de menos compromissos.
Menos explicações.
Menos comparação.
Menos perfeccionismo.
Menos notícias.
Menos culpa.
Menos pressa.

E talvez, ao retirares um pouco, descubras que já existia muito amor, beleza e vida à tua espera.


Reflexão final

Viver com menos não significa viver sem sonhos, conforto ou alegria.

Significa não deixar que o excesso nos impeça de reconhecer o suficiente.

Ao longo desta semana, talvez não tenhas conseguido libertar tudo o que desejavas. Talvez a casa continue desarrumada, a agenda cheia e a cabeça ocupada.

Não faz mal.

Simplificar também é abandonar a ideia de que precisamos de fazer tudo perfeitamente.

Cada pequena escolha conta.

Uma compra evitada.
Uma tarefa adiada sem culpa.
Uma hora longe do telemóvel.
Um objecto oferecido.
Uma conversa mais presente.
Um pensamento que decidimos não alimentar.

Pouco a pouco, deixamos de carregar o que já não nos pertence.

E, quando criamos espaço, não ficamos necessariamente com menos.

Ficamos com mais tempo.
Mais clareza.
Mais presença.
Mais liberdade.
Mais capacidade de reconhecer o amor que já existe.

Uma vida simples não é uma vida vazia. É uma vida onde o essencial consegue respirar.


Ligações do mês

  • [Agosto Simples — Página principal do Calendário SoLu@]
  • [Semana 1 — Descomplicar]
  • [Começa Aqui — Um caminho para viver com mais consciência]
  • [Ser Melhor — Crescimento pessoal e vida com sentido]
  • [Amor Consciente — Cuidar sem nos abandonarmos]
  • [Arquivo SoLu@ — Memórias sobre simplicidade, escolhas e recomeços]

Queres viver este mês comigo?

Agosto não precisa de ser perfeito para ser simples.

Podes acompanhar cada semana, escolher apenas as práticas que fizerem sentido e adaptar este calendário à tua vida.

A regra SoLu@ continua a ser a mesma:

O calendário é um guia, não uma prisão.

Não precisas de cumprir tudo. Precisas apenas de encontrar uma pequena ideia que te ajude a viver com mais verdade.


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Na newsletter SoLu@ partilho reflexões mais próximas, histórias pessoais, novidades do projecto e pequenos convites para viver cada mês com mais intenção.

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Perguntas frequentes

Preciso de seguir todas as práticas da semana?

Não. Escolhe uma prática, uma pergunta ou um gesto que faça sentido para ti. O calendário deve acompanhar-te, não criar mais pressão.

Viver com menos significa deixar de comprar ou de desejar coisas?

Não. Significa consumir e escolher com maior consciência, reconhecendo a diferença entre aquilo que acrescenta valor à tua vida e aquilo que apenas ocupa espaço.

Como posso simplificar a vida quando tenho muitas responsabilidades?

Começa por uma pequena área que esteja ao teu alcance. Podes reduzir notificações, partilhar uma tarefa, recusar um compromisso ou deixar de exigir perfeição em tudo o que fazes.

Tenho dificuldade em desfazer-me de objectos. Por onde começo?

Começa por coisas sem grande valor emocional: embalagens, papéis, produtos fora de prazo ou objectos repetidos. Não precisas de começar pelas memórias mais importantes.

A simplicidade também pode ser emocional?

Sim. Podemos simplificar relações, expectativas, pensamentos e obrigações. Viver com menos também é deixar de carregar culpas, comparações e responsabilidades que não nos pertencem.

Quando eu complicava o que o coração já sabia

Quando eu complicava
o que o coração já sabia

Há seis anos, o meu corpo já me pedia aquilo que hoje procuro escolher conscientemente: menos peso, menos exigência, mais espaço para viver.

Há textos antigos que, quando os volto a ler, não me parecem antigos.

Mudaram os anos.
Mudaram algumas circunstâncias.
Mudei eu.

Mas há palavras que continuam a reconhecer-me.

Nesta Sexta-feira Nostálgica, voltei a um texto que escrevi a 13 de Março de 2020: “Help/Ajuda — Quando o seu corpo lhe diz: Estou a chegar ao limite?”

Começava assim:

“Já há algum tempo que tenho sinais de que estou a chegar ao limite das minhas forças.”

E talvez esta seja uma daquelas frases que só compreendemos verdadeiramente quando passam alguns anos.

A mulher que estava cansada de aguentar

Quando releio aquele texto, encontro uma mulher consciente de que estava cansada.

Falava de sobrecarga, de exigências, de dar demasiado, de não conseguir descansar verdadeiramente. Falava também de perfeccionismo, da dificuldade em delegar e daquela sensação de ter a cabeça sempre a funcionar depressa demais.

Hoje consigo ver algo que talvez, naquela altura, ainda não soubesse nomear tão claramente:

eu estava a tentar sustentar demasiadas coisas ao mesmo tempo.

E quando fazemos isso durante muito tempo, acabamos por acreditar que o problema está em não conseguirmos fazer mais.

Talvez precisemos de organizar melhor.

Ser mais eficientes.

Ter mais disciplina.

Encontrar outra solução.

Pensar mais um bocadinho.

Fazer mais um esforço.

Só mais este dia.

Só mais esta tarefa.

Só mais esta responsabilidade.

E vamos complicando.

Até que o corpo, o coração ou a própria vida nos obrigam a fazer a pergunta que evitámos durante demasiado tempo:

E se eu não precisar de fazer mais?
E se precisar simplesmente de carregar menos?

O coração talvez já soubesse

Há uma coisa que hoje reconheço naquela mulher de 2020:

ela já sabia.

Talvez ainda não soubesse como mudar.

Talvez ainda procurasse respostas demasiado complicadas.

Mas sabia que não podia continuar da mesma maneira.

O coração costuma perceber algumas coisas antes de conseguirmos transformá-las em decisões.

Sabe quando estamos cansadas.

Sabe quando uma relação, uma rotina ou uma responsabilidade deixou de nos fazer bem.

Sabe quando estamos a dizer demasiados “sim” enquanto alguma coisa dentro de nós pede um “não”.

Sabe quando precisamos de descansar.

Sabe quando é tempo de pedir ajuda.

Sabe quando aquilo que estamos a tentar controlar já não está nas nossas mãos.

O difícil nem sempre é saber.

Às vezes, o difícil é confiar no que já sabemos.

Durante muito tempo, simplificar pareceu-me fazer menos

Hoje penso de outra forma.

Simplificar não é desistir.

Não é abandonar responsabilidades.

Não é deixar de cuidar.

Não é tornar a vida vazia ou indiferente.

Simplificar é retirar o ruído para conseguir perceber aquilo que verdadeiramente importa.

É escolher melhor onde coloco o meu tempo.

É perceber que nem tudo precisa de uma resposta imediata.

É deixar algumas coisas por fazer.

É delegar.

É dizer “não consigo agora”.

É aceitar que outra pessoa pode fazer de maneira diferente da minha.

É parar antes de chegar ao limite.

É não transformar cada problema numa missão pessoal para resolver.

É perceber que descansar não precisa de ser merecido.

E, sobretudo, é deixar de confundir amor, responsabilidade e dedicação com a obrigação de carregar tudo.

Hoje já não quero chegar ao limite para me escutar

Talvez esta seja uma das maiores diferenças entre a mulher que escreveu aquele texto e a mulher que o lê hoje.

Não quero precisar de chegar ao limite para perceber que estou cansada.

Não quero esperar que o corpo grite aquilo que eu poderia ter escutado enquanto ainda era apenas um murmúrio.

Quero reparar antes.

Perguntar-me:

O que está a pesar demasiado?

O que estou a fazer apenas porque acho que tenho de fazer?

O que posso simplificar?

O que posso deixar de controlar?

Onde preciso de pedir ajuda?

O que é realmente essencial neste momento da minha vida?

Nem sempre conseguirei fazê-lo.

Continuarei a ter dias demasiado cheios.

Continuarei a preocupar-me.

Continuarei a querer resolver coisas para aqueles que amo.

Continuarei, provavelmente, a complicar algumas situações que poderiam ser mais simples.

Faz parte de mim.

Mas agora reconheço mais depressa o caminho de regresso.

Uma aprendizagem que os anos me deram

Ao reler o texto de 2020 há também algo que quero deixar registado.

Hoje não escreveria algumas das recomendações práticas sobre saúde exactamente da mesma forma.

Também isso é crescer.

O Arquivo SoLu@ não existe para fingir que eu sempre soube aquilo que sei hoje.

Existe precisamente para guardar o caminho.

As palavras certas.

As dúvidas.

Os erros.

As tentativas.

Aquilo em que acreditava.

Aquilo que fui aprendendo.

E aquilo que entretanto escolheria explicar de outra maneira.

Porque crescer não é apagar versões antigas de nós.

É conseguir olhá-las com ternura e dizer:

“Naquele momento, fizeste o melhor que sabias.”

Talvez simplificar comece aqui

Agosto tem-me feito pensar muito sobre simplicidade.

Não naquela simplicidade bonita das fotografias perfeitas, das casas impecáveis ou das vidas sem problemas.

Falo de outra.

Da simplicidade possível.

Aquela que começa dentro de nós.

Escolher uma coisa de cada vez.

Não resolver hoje aquilo que só poderá ser resolvido amanhã.

Deixar de antecipar todos os cenários.

Pedir ajuda.

Descansar.

Estar verdadeiramente com alguém sem pensar na tarefa seguinte.

Fazer espaço.

Dizer não.

Dizer sim apenas ao que merece verdadeiramente esse sim.

E talvez perceber que uma vida mais simples não é necessariamente uma vida com menos responsabilidades.

É uma vida onde aprendemos a distinguir melhor aquilo que merece o nosso peso daquilo que podemos finalmente pousar.

Para esta Sexta-feira Nostálgica

Hoje não quero olhar para aquela mulher de 2020 e dizer-lhe:

“Devias ter feito diferente.”

Quero dizer-lhe:

“Tu já estavas a perceber.”

Estavas cansada porque tinhas carregado demasiado.

Estavas a procurar respostas porque querias continuar.

E talvez ainda não soubesses que uma das respostas seria aprender, devagar, a não te abandonares enquanto cuidavas de tudo e de todos.

Se pudesse sentar-me hoje ao lado dela, talvez não lhe desse uma lista de coisas para fazer.

Talvez lhe dissesse apenas:

Não tens de resolver tudo.

Não tens de carregar tudo.

Nem tudo depende de ti.

Descansa antes de chegares ao limite.

E escuta-te.

Porque, muitas vezes,

aquilo que passamos anos a tentar compreender, o coração já sabia.


Pequena reflexão para levares contigo

Há alguma coisa na tua vida que estás a tornar mais complicada do que precisava de ser?

Uma decisão?

Uma obrigação?

Uma expectativa?

Uma preocupação?

Uma tentativa de controlar aquilo que não depende de ti?

Não precisas de mudar tudo hoje.

Escolhe apenas uma coisa.

E pergunta:

Como poderia tornar isto um pouco mais simples?

Às vezes, a mudança começa aí.

Não numa grande decisão.

Mas num peso que finalmente decidimos pousar.


Do Arquivo para o presente

Este texto nasceu da releitura de “Help/Ajuda — Quando o seu corpo lhe diz: Estou a chegar ao limite?”, publicado originalmente em Março de 2020 no antigo universo dos Blogs SAPO e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

O Arquivo guarda quem fui.

O SoLu@ acompanha quem estou a tornar-me.

E entre uma mulher e a outra há anos de vida, amor, maternidade, erros, aprendizagens, perdas, recomeços e uma vontade que permanece:

aprender a amar e a viver com mais consciência — e, talvez, com um pouco menos de peso.

Com carinho,
SoLu@

Sugestão de Leitura:

  • Ler o texto original no Arquivo SoLu@
  • Calendário SoLu@ — Agosto: Altruísmo / Simplicidade
  • Agosto Simples — Semana 1: Descomplicar
  • Como descomplicar a vida sem transformar a simplicidade em mais uma obrigação
  • Começa Aqui

Entre a memória e os novos começos

Um ano entre a memória e os novos começos | Sexta-feira Nostálgica

Há algum tempo comecei uma viagem que nunca imaginei fazer.

Não porque quisesse deixar o passado para trás, mas porque percebi que algumas casas mudam de lugar sem deixarem de ser casa.

Ao longo de quase vinte anos fui escrevendo nos Blogs SAPO. Ali ficaram milhares de palavras, fotografias, alegrias, lágrimas, dúvidas, conquistas e muitos pedaços da minha vida.

Quando surgiu a necessidade de criar o arquivo.solua.pt, senti que não estava apenas a copiar textos. Estava a preservar memórias.

Ao mesmo tempo nasceu um novo espaço: o solua.pt.

Não para apagar o passado, mas para continuar a escrever o presente.

Hoje, ao olhar para trás, percebo que este tempo foi muito mais do que um trabalho técnico.

Foi tempo de reconstrução.

Reconstrução de um projeto.

Reconstrução da minha escrita.

Reconstrução da forma como quero estar deste lado, junto de quem me lê.

Durante este tempo escrevi sobre a alegria dos fins de ciclo, sobre o crescimento dos meus filhos, sobre o amor, sobre a maternidade, sobre a menopausa, sobre o descanso, sobre a resiliência e também sobre momentos difíceis que nunca imaginei viver ou partilhar.

Houve dias em que escrevi com um sorriso.

Outros em que escrevi com o coração apertado.

Mas nunca deixei de acreditar que as palavras podem ser um lugar de encontro.

Hoje, o Arquivo SoLu@ guarda a memória de quem fui.

O SoLu@ acompanha quem continuo a ser.

E gosto de pensar que ambos caminham de mãos dadas.

Porque a pessoa que escreveu aqueles textos antigos continua aqui.

Apenas aprendeu que crescer não significa esquecer.

Significa integrar.

Obrigada a todos os que continuam por aqui.

A quem começou a ler há muitos anos.

A quem chegou há poucos dias.

E a quem encontra, numa frase ou numa história, um pequeno motivo para continuar.

O primeiro ano passou.

Mas sinto, com toda a sinceridade, que esta nova caminhada está apenas a começar.

🤍

Pergunta para ti

Se olhares para quem eras há um ano, o que mudou dentro de ti?

Às vezes crescemos tanto por dentro que só percebemos quando paramos para olhar para trás.

Sugestões de Leitura:

Há livros que esperam por nós

Livro O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion, segurado junto à praia durante uma leitura de verão.

Cinco anos depois, consegui terminar uma leitura que, durante muito tempo, me falou demasiado de perto sobre aquilo que eu mais temia.

Há cinco anos, quando mudei de cidade e comecei uma nova etapa da minha vida profissional, alguém que marcou profundamente esse momento ofereceu-me este livro: “O Ano do Pensamento Mágico”, de Joan Didion.

Guardei não apenas o livro, mas também o gesto.

Guardei a pessoa, o tempo vivido, a mudança de cidade, o medo e a esperança que acompanham todos os recomeços.

Comecei a lê-lo nessa altura. Mas não consegui continuar.

Não porque o livro não me interessasse. Talvez precisamente porque me tocava demasiado.

Falava de temas que, para mim, eram difíceis de enfrentar: a morte, a perda inesperada, a doença do coração, a fragilidade da vida e aquele instante em que tudo o que parecia seguro pode mudar.

Fechei-o.

Durante cinco anos, ficou à espera.

Talvez alguns livros façam isso. Não chegam apenas às nossas mãos. Ficam silenciosamente ao nosso lado até termos espaço interior para os receber.

O mesmo livro, uma leitora diferente

Este ano, durante esta pausa, depois de acontecimentos que me voltaram a lembrar como a vida pode ser frágil e imprevisível, senti que tinha chegado o momento de regressar àquelas páginas.

O livro era o mesmo.

Mas eu já não era a mesma mulher.

Entre a primeira tentativa e esta leitura aconteceram mudanças, perdas, medos, recomeços e aprendizagens. A vida ensinou-me, muitas vezes sem pedir autorização, que não conseguimos controlar tudo.

Não controlamos o tempo.

Não controlamos as doenças.

Não controlamos as despedidas.

Não conseguimos proteger todas as pessoas que amamos de todas as dores.

E talvez uma das partes mais difíceis de crescer seja reconhecer essa impotência sem deixar que ela nos impeça de viver.

Aceitar não é deixar de sentir medo

Terminar este livro não significou vencer o meu medo da morte.

Também não me deu respostas simples para aquilo que não as tem.

Mas ajudou-me a permanecer junto das perguntas.

A aceitar que a vida contém beleza e perda, presença e ausência, esperança e incerteza. Que podemos fazer planos e, ainda assim, ser surpreendidos. Que podemos amar profundamente e continuar sem conseguir proteger tudo o que amamos.

Aceitar esta realidade não é desistir.

É aprender a adaptar-nos quando a vida muda.

É reconhecer que há acontecimentos que não conseguimos evitar, explicar ou reparar. E que, mesmo assim, precisamos de encontrar uma forma de continuar.

Talvez não voltemos a ser exactamente quem éramos.

Talvez passemos a ser alguém que conhece melhor a fragilidade da vida — e, por isso mesmo, começa a valorizar mais a sua presença.

Há leituras que precisam de tempo

Na praia, com o som do mar ao fundo, terminei finalmente o livro que comecei há cinco anos.

E percebi que algumas leituras não ficam inacabadas.

Ficam apenas à espera de que a vida nos prepare.

Talvez eu precisasse destes anos para compreender que não tenho de controlar tudo para continuar a viver. Que posso sentir medo e, ainda assim, amar. Que posso não ter respostas e continuar presente. Que posso adaptar-me às mudanças sem negar a dor que elas trazem.

Fechar este livro foi também fechar um pequeno ciclo.

Um ciclo que começou numa mudança de cidade, num novo momento profissional e no gesto de alguém que deixou uma marca bonita na minha história.

Hoje, guardo esse gesto com ainda mais gratidão.

Porque há pessoas que nos oferecem livros.

E há livros que, muito tempo depois, nos ajudam a ler a nossa própria vida.

Nem todos os livros são lidos quando chegam. Alguns esperam até estarmos preparadas para aquilo que têm para nos dizer.


Pergunta para terminar

Já tiveste um livro que precisou de esperar por ti?

Talvez não fosse ainda o momento de o compreender. Talvez tenhas precisado de viver um pouco mais antes de conseguires regressar às suas páginas.

Sugestão de leituras: