Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar.

Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar | SoLu@

Há sonhos que deixamos para trás. Outros que aprendemos a viver de maneira diferente. E há aqueles que só descobrimos depois de termos percorrido um longo caminho.

Quando somos mais novos, imaginamos a vida de uma determinada maneira.

Fazemos planos, construímos sonhos, definimos metas. Acreditamos que sabemos quem queremos ser, o que queremos alcançar e como será o nosso futuro.

Depois, a vida acontece.

Chegam as escolhas, as responsabilidades, o amor, a maternidade, as alegrias inesperadas e também as desilusões. Há caminhos que seguimos por vontade própria e outros que nunca imaginámos ter de percorrer.

E, quase sem darmos conta, começamos a mudar.

Mudam as nossas prioridades. Mudam as pessoas de quem cuidamos. Muda aquilo que esperamos da vida.

Às vezes, até os sonhos que um dia nos fizeram levantar da cama deixam de fazer sentido.

E isso pode assustar-nos.

Porque fomos ensinados a acreditar que devemos perseguir os nossos sonhos até ao fim. Que desistir é falhar. Que mudar de rumo significa não ter conseguido chegar onde queríamos.

Mas será mesmo assim?

Quando os sonhos deixam de ser os mesmos

Hoje, quando olho para trás, percebo que nem todos os sonhos que tive continuam a ser os meus sonhos.

Alguns concretizaram-se. Outros ficaram pelo caminho. E há aqueles que perderam importância porque, entretanto, descobri coisas que passaram a valer muito mais.

A vida ensinou-me que nem sempre conseguimos ter tudo, fazer tudo ou ser tudo aquilo que imaginámos.

Também me ensinou que existem formas de felicidade que nunca teríamos sabido desejar quando éramos mais novos.

Talvez porque só a experiência nos permite compreender o verdadeiro valor de certas coisas.

O tempo com quem amamos. A tranquilidade de uma casa. A saúde. A liberdade de sermos quem somos. A possibilidade de continuar a aprender, mesmo quando julgávamos já saber tanto.

E, sobretudo, a paz de não precisarmos de provar constantemente que estamos a chegar a algum lado.

O propósito também cresce connosco

Durante muito tempo, podemos acreditar que o nosso propósito está ligado a uma profissão, a uma conquista ou a um grande objectivo.

Queremos construir uma carreira, formar uma família, alcançar estabilidade, realizar um sonho antigo.

E não há nada de errado nisso.

Mas o propósito não tem necessariamente de ser uma missão grandiosa, nem precisa de permanecer igual durante toda a vida.

Pode mudar quando nos tornamos mães.

Pode transformar-se quando os filhos crescem e começam a construir os seus próprios caminhos.

Pode ganhar outro significado depois de uma perda, de uma doença, de uma desilusão ou de um recomeço.

Pode até surgir numa fase em que sentimos que precisamos de voltar a olhar para nós.

Porque, por vezes, passamos tantos anos a cuidar, a trabalhar, a organizar e a responder às necessidades dos outros que nos esquecemos de perguntar:

E eu? O que quero continuar a construir nesta fase da minha vida?

Não se trata de deixar de amar ou de cuidar.

Trata-se de reconhecer que também temos direito a continuar a crescer.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Nesta Sexta-feira Nostálgica, regresso a uma proposta do antigo Calendário da Felicidade, guardado no Arquivo SoLu@.

Dia 30 — «Defina uma meta que ligue ao seu propósito na vida!»

Uma frase simples, mas que hoje me faz pensar de outra maneira.

Talvez, quando a li pela primeira vez, tivesse pensado numa meta concreta, num objectivo a alcançar, numa coisa importante para fazer.

Hoje, a pergunta que me acompanha é um pouco diferente:

Aquilo que estou a tentar alcançar ainda faz sentido para a pessoa que sou agora?

Porque também podemos continuar a perseguir objectivos antigos apenas por hábito, por receio de desiludir alguém ou porque nos custa admitir que mudámos.

E talvez uma das aprendizagens mais importantes da vida seja perceber que podemos escolher novamente.

Sem apagar o passado.

Sem desvalorizar aquilo que já fizemos.

Sem sentir que estamos a começar do zero.

Nem sempre precisamos de um novo sonho. Às vezes, precisamos de uma nova forma de viver.

Há fases em que não sabemos exactamente o que queremos.

Sabemos apenas que algumas coisas já não nos fazem tão felizes como antes.

Sentimos necessidade de mais tempo, mais calma, mais verdade. Ou de recuperar algo de nós que ficou esquecido entre tantas responsabilidades.

Nessas alturas, talvez não precisemos de encontrar imediatamente uma nova missão.

Talvez precisemos apenas de nos escutar.

De voltar a fazer algo de que gostamos.

De aprender uma coisa nova.

De escrever.

De cuidar melhor da nossa saúde.

De recuperar uma amizade.

De dedicar tempo a um projecto que ficou adiado.

Ou simplesmente de permitir que os dias tenham mais espaço para aquilo que nos faz bem.

Um propósito também pode começar num gesto pequeno.

E não precisa de impressionar ninguém para ter valor.

Uma pequena prática para esta semana

Hoje, convido-te a reservar alguns minutos para pensar em três perguntas:

  1. Que sonho antigo já não faz sentido para mim?
    Não para o lamentar, mas para reconhecer aquilo que mudou.
  2. O que continua a dar sentido aos meus dias?
    Pode ser uma pessoa, uma actividade, um valor, um projecto ou uma forma de estar na vida.
  3. Que pequena meta posso definir para me aproximar daquilo que hoje considero importante?
    Uma meta possível, concreta e minha.

Não precisamos de transformar todas as reflexões em grandes decisões.

Às vezes, basta perceber que há algo que queremos fazer de maneira diferente.

E dar o primeiro passo.

De Outubro para Novembro: continuar a caminhar

Outubro convidou-nos a olhar para a vida com mais optimismo e esperança.

A acreditar outra vez. A confiar no que cresce. A encontrar alguma luz nos dias difíceis. A olhar em frente.

Agora, à medida que nos aproximamos de Novembro, surge um novo convite: reconhecer o caminho percorrido e continuar a aprender.

Porque a esperança também precisa de movimento.

Não basta acreditar que as coisas podem mudar. Em determinados momentos, precisamos de encontrar coragem para fazer escolhas, experimentar outros caminhos e aceitar que ainda temos muito para descobrir.

Talvez o próximo capítulo não seja aquele que imaginámos há vinte anos.

Talvez seja diferente.

Mais simples. Mais consciente. Mais próximo daquilo que realmente importa.

E talvez isso também seja uma forma de realizar os nossos sonhos.

Para guardar no coração

Os meus sonhos mudaram. E eu também. Não preciso de ser fiel a todos os planos que fiz, mas quero continuar a ser fiel àquilo que dá sentido à minha vida.

Hoje, não quero medir o meu caminho apenas pelos sonhos que consegui concretizar.

Quero também reconhecer tudo aquilo que aprendi, as pessoas que amei, os desafios que atravessei e a mulher em que me fui tornando.

Porque crescer também é aceitar que podemos mudar de ideias, de prioridades e de direcção.

E continuar a acreditar que ainda há coisas bonitas por viver.

Com carinho,
SoLu@


E tu?

Há algum sonho que deixaste para trás e que, hoje, percebes que já não precisas de realizar?

Ou há um sonho novo, ainda pequenino, que começa agora a ganhar espaço na tua vida?

Se te apetecer, partilha comigo. Talvez a tua reflexão ajude outra pessoa a perceber que mudar de caminho também pode ser uma forma de continuar.

Do Arquivo para o presente: visita o Arquivo SoLu@ e acompanha o Calendário SoLu@, onde cada mês é um convite para viver com mais consciência, um dia de cada vez.

O calendário é um guia, não uma prisão.

Como manter a esperança quando a vida não acontece como imaginámos

Como manter a esperança quando a vida muda — SoLu@

Nem todos os sonhos se realizam como os desenhámos. Mas isso não significa que a vida tenha deixado de guardar coisas bonitas para nós.

Há momentos em que olho para a vida e penso em tudo aquilo que imaginei que seria diferente.

Nos planos que fiz. Nos sonhos que alimentei. Nas certezas que tive e que, com o passar dos anos, se foram transformando em perguntas.

Quando somos mais novos, imaginamos tantas coisas…

Imaginamos o amor, a família, os filhos, o trabalho, a estabilidade, a saúde e até a pessoa que acreditamos que vamos ser.

Fazemos planos como se a vida fosse uma estrada que pudéssemos desenhar antecipadamente.

E depois crescemos.

Vivemos.

Amamos.

Perdemos.

Aprendemos.

E percebemos que nem sempre a vida acompanha aquilo que o nosso coração tinha imaginado.

Mas será que uma vida diferente daquela que sonhámos é necessariamente uma vida menos bonita?

Tenho pensado muito nisto.

Sobretudo porque, com os anos, comecei a compreender que uma das aprendizagens mais difíceis é aceitar aquilo que não podemos mudar, sem deixar de acreditar naquilo que ainda podemos construir.

Quando os planos deixam de fazer sentido

Há sonhos que se realizam.

Outros que ficam pelo caminho.

E há aqueles que continuam dentro de nós, mas que já não sabemos se fazem sentido na pessoa em que nos transformámos.

Às vezes, não é uma grande tragédia que muda a nossa vida.

É uma sucessão de pequenas mudanças.

Uma expectativa que não se concretiza.

Uma relação que se transforma.

Uma preocupação com quem amamos.

Uma oportunidade que não chega.

Uma fase da vida que termina antes de estarmos preparados para a deixar partir.

Ou simplesmente a descoberta de que aquilo que desejávamos aos vinte anos já não corresponde ao que precisamos aos cinquenta.

Durante muito tempo, podemos sentir que falhámos porque não chegámos onde queríamos.

Mas hoje pergunto-me:

Será que falhámos ou será que a vida nos levou por caminhos que ainda estamos a aprender a compreender?

Nem sempre sabemos responder.

E talvez não precisemos de encontrar uma resposta imediatamente.

Aceitar não é desistir

Uma das coisas que tenho aprendido é que aceitar a realidade não significa gostar de tudo o que aconteceu.

Não significa concordar com as injustiças, esquecer as perdas ou deixar de desejar uma vida melhor.

Aceitar é reconhecer onde estamos.

É olhar para a nossa história sem continuar a exigir que o passado seja diferente.

É compreender que há coisas que não podemos alterar, por mais que as pensemos, por mais que nos culpemos ou por mais que desejemos voltar atrás.

E isto torna-se especialmente difícil quando aquilo que nos preocupa não é apenas a nossa felicidade, mas também a felicidade de quem amamos.

Como mãe, há momentos em que gostaria de conseguir proteger os meus filhos de todas as dificuldades.

Gostaria que a vida lhes fosse leve.

Que tivessem saúde, oportunidades, amor, amigos verdadeiros e confiança suficiente para seguirem os seus sonhos.

Mas sei que não posso escolher todos os caminhos por eles.

Não posso evitar todas as desilusões.

Nem garantir que o futuro será exactamente como desejo.

Posso amar, acompanhar, cuidar e estar presente. Mas também tenho de aprender a confiar na vida que eles próprios irão construir.

Talvez seja uma das formas mais difíceis de esperança: continuar a acreditar sem ter garantias.

A tristeza pelos sonhos que não aconteceram

Nem sempre falamos da tristeza que sentimos por aquilo que não chegou a acontecer.

Falamos do luto por alguém que perdemos, de uma separação ou de uma mudança importante.

Mas também podemos sentir tristeza por uma vida que imaginámos e que nunca chegou a existir.

Pela profissão que não seguimos.

Pelas oportunidades que deixámos passar.

Pelas relações que gostaríamos que tivessem sido diferentes.

Pelos momentos que pensávamos que ainda teríamos.

Ou pela versão de nós próprias que, em determinada altura, acreditámos que seríamos.

Essa tristeza merece ser reconhecida.

Não precisamos de a esconder atrás de frases positivas.

Nem de fingir que tudo acontece por uma razão que conseguimos compreender.

Há acontecimentos dolorosos que simplesmente não gostaríamos de ter vivido.

E podemos admitir isso.

A esperança verdadeira não exige que estejamos sempre bem. Permite-nos sentir tristeza e, ainda assim, não desistir da possibilidade de voltar a encontrar alegria.

Quando a esperança precisa de mudar de forma

Durante muito tempo, talvez tenhamos associado a esperança à concretização de um desejo.

Esperar que determinada situação se resolva.

Que alguém mude.

Que uma oportunidade apareça.

Que um problema desapareça.

Que tudo volte a ser como antes.

Mas há momentos em que precisamos de transformar a nossa maneira de esperar.

Talvez já não seja possível recuperar exactamente o que perdemos.

Talvez não consigamos concretizar um determinado sonho.

Talvez a nossa vida nunca volte a ser como era.

E isso custa.

Mas podemos começar a perguntar:

O que ainda é possível construir a partir daqui?

Talvez a esperança deixe de estar num grande acontecimento futuro e passe a viver em pequenos gestos.

Numa conversa sincera.

Num abraço inesperado.

Num novo interesse.

Na coragem de pedir ajuda.

Num momento tranquilo em família.

Numa manhã em que acordamos com vontade de tentar novamente.

Não é pouco.

Às vezes, é precisamente assim que começamos a reconstruir o sentido da nossa vida.

Rever expectativas com mais gentileza

Tenho aprendido que nem todas as expectativas que criamos nos fazem bem.

Algumas ajudam-nos a crescer.

Outras transformam-se em exigências demasiado pesadas.

Queremos ser boas mães, boas companheiras, boas profissionais, boas filhas.

Queremos estar disponíveis para todos.

Queremos fazer as escolhas certas.

Queremos que nada de mau aconteça às pessoas que amamos.

E, quando alguma coisa corre de forma diferente, começamos a procurar aquilo que poderíamos ter feito melhor.

Mas será justo exigir tanto de nós próprias?

Hoje acredito que precisamos de aprender a olhar para as nossas escolhas com a consciência de quem somos agora, mas também com o respeito por quem éramos quando as fizemos.

Naquele momento, não sabíamos tudo o que sabemos hoje.

Não conhecíamos todos os caminhos.

Não podíamos prever todas as consequências.

Fizemos escolhas com os recursos, os sentimentos e o conhecimento que tínhamos.

Isso não significa que não tenhamos cometido erros.

Significa apenas que somos humanas.

E ser humana também é aprender a perdoar a mulher que fomos, enquanto continuamos a cuidar da mulher que estamos a tornar-nos.

A vida ainda pode surpreender-nos

Há uma coisa que a vida me tem mostrado: nem todas as coisas boas chegaram quando eu esperava.

Algumas vieram mais tarde.

Outras surgiram de formas que nunca teria imaginado.

E algumas só consegui reconhecer depois de atravessar momentos difíceis.

Não acredito que todas as dificuldades existam para nos ensinar alguma coisa.

Há dores que preferíamos nunca ter conhecido.

Mas acredito que, mesmo depois dessas dores, podemos encontrar novas formas de viver, amar e dar significado aos nossos dias.

Talvez não seja possível voltar ao ponto onde estávamos.

Mas pode ser possível descobrir um caminho diferente.

Não necessariamente melhor.

Não necessariamente mais fácil.

Apenas um caminho que ainda pode ser nosso.

E isso também é esperança.

Uma pequena prática SoLu@ — Rever os planos sem me julgar

Esta semana, convido-te a reservar alguns minutos para escrever.

Não para fazer uma lista de tudo o que falta conquistar, mas para olhar com carinho para o caminho percorrido.

1. O que imaginei para a minha vida que acabou por acontecer de forma diferente?

Escolhe uma situação. Não precisas de revisitar todas as desilusões.

2. O que ainda me custa aceitar?

Dá espaço ao sentimento, sem tentares encontrar imediatamente uma solução.

3. O que continua a ser importante para mim?

Talvez o sonho tenha mudado, mas o valor que estava por detrás dele continue presente.

4. O que posso fazer hoje com aquilo que tenho?

Procura um gesto pequeno, concreto e possível.

5. Que expectativa posso aliviar?

Talvez não precises de desistir do sonho. Talvez precises apenas de deixar de exigir que aconteça exactamente como imaginaste.

Mini desafio da semana

Durante os próximos dias, sempre que te apanhares a pensar «A minha vida já devia estar diferente», experimenta substituir esse pensamento por uma pergunta:

«O que posso cuidar ou construir na vida que tenho hoje?»

Não é uma forma de negar o que falta.

É uma forma de reconhecer que o presente também merece a nossa atenção.

Reflexão final — Ainda há vida por viver

Hoje sei que não posso voltar atrás e mudar todos os caminhos.

Não posso recuperar todos os momentos.

Não posso impedir todas as dificuldades.

E não posso garantir que amanhã será exactamente como desejo.

Mas posso continuar a amar.

Posso aprender.

Posso cuidar melhor de mim e dos outros.

Posso mudar de opinião.

Posso fazer novos planos.

Posso reconhecer que alguns sonhos terminaram e permitir que outros comecem.

Sobretudo, posso lembrar-me de que a minha história não se resume ao que não aconteceu.

Também é feita de tudo aquilo que consegui viver, construir, ultrapassar e amar.

Talvez a esperança seja isso.

Não acreditar que a vida vai obedecer aos nossos planos, mas confiar que ainda podemos encontrar sentido, amor e momentos felizes no caminho que temos pela frente.

E, mesmo quando esse caminho é diferente do que imaginámos, continua a merecer ser vivido.

Com amor,

SoLu@ — Amor Incondicional

«Nem sempre a vida acontece como sonhámos. Mas enquanto houver amor, coragem e vontade de continuar, ainda há páginas por escrever.»

E tu?

Há algum sonho ou expectativa que tiveste de aprender a transformar?

Se te fizer sentido, partilha a tua reflexão nos comentários. Talvez a tua experiência ajude alguém que esteja a atravessar um momento semelhante.

Sugestão de Leitura

Eu já procurava razões para ter esperança

Razões para ter esperança — reflexão SoLu@ sobre optimismo e esperança

Sexta-feira Nostálgica | Outubro — Optimismo & Esperança

Há palavras às quais regressamos muitas vezes ao longo da vida. Não porque continuemos no mesmo lugar, mas porque crescemos e aprendemos a entendê-las de outra maneira.

Esperança é uma dessas palavras.

Ao preparar este mês de Outubro e regressar aos textos antigos do Arquivo SoLu@, encontrei-me novamente em 2020.

Desde essa altura, fui acompanhando os calendários da Action for Happiness e levando algumas das propostas diárias para os meus antigos Blogs SAPO.

Eram pequenos desafios.

Parar.

Pensar.

Criar hábitos.

Procurar felicidade.

Ser gentil.

Acreditar.

Cuidar de nós e dos outros.

Eu pegava nessas sugestões e transformava-as em reflexões ligadas àquilo que estava a viver.

Hoje, quando olho para esses textos, percebo que muitas das sementes do actual Calendário SoLu@ já estavam ali.

Ainda sem este nome.

Ainda sem esta estrutura.

Mas já com a mesma vontade:

viver com mais consciência, mais amor e mais sentido.

Outubro de 2020: começar pelas metas

No dia 1 de Outubro de 2020, escrevi:

«Outubro otimista — Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês.»

Na altura queria recomeçar a conquista dos meus Bons Hábitos.

Um dos meus objectivos era cuidar melhor da alimentação.

Não apenas por mim, mas também pela minha família.

Mas nesse texto aparecia outra preocupação que, olhando para trás, continua muito presente em tudo aquilo que escrevo:

cuidar de mim sem deixar a vida passar ao lado.

Escrevi:

«Sei que há situações que eu não consigo controlar mas tenho que ter força para cuidar de mim, gostar de mim, ter uma melhor auto-estima…»

E recuperei também uma ideia ligada à maternidade:

«Hoje apetece-me dizer-te para não passares ao lado da tua vida com os teus filhos porque é nas pequenas coisas, no quotidiano da vida que o mais importante e o que mais influencia, acontece.»

As minhas metas para Outubro ficaram então muito simples:

cuidar melhor de mim
e
não deixar a vida passar ao lado, vivendo-a com quem amo.

Seis anos depois, continuo a reconhecer-me nestas palavras.

Dia 2: procurar motivos para ter esperança

No dia seguinte, voltei ao calendário.

O desafio era:

«Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis.»

E escrevi cinco razões.

1.º Motivo

Quero ser feliz e fazer os outros felizes.

Na altura escrevi que essa felicidade dependia de mim, dos meus pensamentos, palavras e acções.

Hoje talvez acrescentasse uma nuance.

Nem tudo depende de nós.

Nem sempre conseguimos escolher aquilo que nos acontece.

Nem conseguimos simplesmente pensar positivo e apagar aquilo que dói.

Mas continuamos a poder escolher muitas pequenas coisas.

A forma como tratamos alguém.

A forma como falamos connosco.

O cuidado que colocamos num gesto.

A decisão de procurar ajuda.

A escolha de tentar novamente.

Talvez a felicidade não dependa inteiramente de nós.

Mas podemos participar nela.

2.º Motivo

Tudo o que damos, recebemos em dobro.

Hoje leio esta frase de forma menos literal e mais humana.

Nem sempre recebemos da mesma pessoa.

Nem recebemos imediatamente.

E talvez nem recebamos exactamente aquilo que demos.

Mas acredito profundamente que aquilo que colocamos no mundo importa.

O cuidado deixa marcas.

A presença deixa marcas.

Uma palavra dita na altura certa pode ficar connosco durante anos.

E o amor que damos transforma-nos também a nós.

Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de receber de volta.

3.º Motivo

Ser gentil é grátis.

Esta continua a ser uma das ideias mais simples e mais poderosas.

Não sabemos o que a pessoa ao nosso lado está a viver.

Uma palavra pode aliviar um dia difícil.

Um gesto pode fazer alguém sentir-se visto.

Uma mensagem pode chegar precisamente quando era necessária.

Não conseguimos resolver todos os problemas das outras pessoas.

Mas podemos escolher não acrescentar mais peso.

Às vezes, a esperança também se transmite assim:

através da forma como tratamos alguém.

4.º Motivo

Um belo sorriso é contagioso.

Hoje talvez não dissesse que precisamos de sorrir sempre.

Há dias em que não conseguimos.

E tudo bem.

Mas continuo a acreditar na força daqueles pequenos momentos que mudam o ambiente à nossa volta.

Um sorriso verdadeiro.

Uma gargalhada inesperada.

Uma brincadeira.

Um instante de leveza no meio de uma fase difícil.

Não eliminam aquilo que dói.

Mas lembram-nos que a dor não ocupa necessariamente todo o espaço.

Ainda existe vida ao lado dela.

5.º Motivo

Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

Talvez esta seja a frase que mais mudou comigo.

Em 2020, «nunca desistir» parecia-me uma ideia muito clara.

Hoje continuo a acreditar nos sonhos.

Mas aprendi que não desistir nem sempre significa continuar exactamente pelo mesmo caminho.

Às vezes, precisamos de parar.

Mudar.

Reformular.

Aceitar que determinado sonho já não faz sentido.

Ou perceber que podemos chegar ao mesmo lugar de outra maneira.

Há sonhos que se transformam connosco.

E isso não significa fracassar.

Significa crescer.

Talvez hoje escrevesse:

Não desistas demasiado depressa daquilo que verdadeiramente importa para ti. Mas permite-te mudar a forma de lá chegar.

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Foi assim que terminei aquele pequeno texto em 2020.

E esta talvez seja a frase que mais me tocou quando o reli.

Porque, seis anos depois, continuo a acreditar nela.

Mas hoje entendo melhor o que significa ter esperança.

Não é acreditar que tudo vai acontecer como imaginámos.

Não é garantir que amanhã será fácil.

Não é negar o medo, a perda, a dúvida ou o cansaço.

Esperança, para mim, tornou-se algo mais profundo.

É acreditar que, mesmo quando não conseguimos ver o caminho inteiro, podemos procurar o próximo passo.

A esperança mudou comigo

A vida entretanto aconteceu.

Vieram mudanças.

Filhos que cresceram.

Novos ciclos.

Perdas.

Recomeços.

Planos que resultaram.

Outros que tiveram de mudar.

Dias de muita confiança.

E dias em que a esperança precisou de ser muito pequena.

Talvez por isso hoje tenha mais cuidado quando digo a alguém:

«Vai correr tudo bem.»

Porque não sabemos.

O que podemos dizer talvez seja:

«Não sei como tudo vai correr, mas não precisas de resolver tudo hoje.»

Ou:

«Vamos encontrar o próximo passo.»

Essa esperança parece-me mais verdadeira.

De cinco motivos para uma vida inteira

Quando escrevi aqueles cinco motivos em 2020, provavelmente não imaginava que voltaria a eles seis anos depois.

Mas gosto de perceber que a essência continua aqui.

Felicidade.

Dar.

Gentileza.

Alegria.

Sonhos.

Esperança.

Talvez tenha mudado sobretudo a forma como olho para cada uma destas palavras.

A felicidade deixou de ser uma meta permanente.

A gentileza tornou-se também gentileza comigo própria.

Os sonhos aprenderam a adaptar-se à vida.

E a esperança deixou de ser apenas a certeza de que as coisas melhorariam.

Passou a ser:

a vontade de continuar a procurar sentido, mesmo quando nem tudo faz sentido.

Talvez o Calendário SoLu@ tenha começado antes de ter este nome

Ao reler estes textos, percebo também que existe uma continuidade.

Desde 2020, fui escrevendo sobre muitos dos temas que hoje fazem parte do projecto SoLu@:

felicidade,
hábitos,
amor,
maternidade,
autocuidado,
gentileza,
presença,
sonhos,
optimismo,
esperança.

Na altura, inspirava-me nos calendários da Action for Happiness e transformava algumas das suas sugestões em reflexões pessoais.

Hoje existe o Calendário SoLu@.

Tem uma identidade própria.

Tem os seus temas mensais.

Os seus eixos diários.

As suas perguntas.

As suas práticas.

As suas histórias.

Mas gosto de reconhecer as raízes.

Porque aquilo que somos hoje também é feito das pequenas coisas que começámos muitos anos antes.

Outubro de 2020. Outubro de 2026.

Em Outubro de 2020 escrevia metas.

Queria melhorar hábitos.

Cuidar da alimentação.

Cuidar de mim.

Não deixar a vida passar ao lado.

E procurava razões para ter esperança.

Em Outubro de 2026, o Calendário SoLu@ dedica o mês ao:

Optimismo & Esperança

Talvez pareça coincidência.

Eu prefiro pensar que é caminho.

Há temas que regressam porque ainda temos alguma coisa para aprender com eles.

E talvez seja precisamente essa a beleza de escrever durante tantos anos.

Podemos voltar atrás.

Podemos conversar com quem éramos.

E podemos perceber:

eu não estou no mesmo lugar.

Mas aquela mulher continua a fazer parte de mim.

A pergunta que deixo para este Outubro

Em 2020 procurei cinco motivos para ter esperança.

Hoje quero deixar-te o mesmo desafio.

Mas sem obrigação de encontrares cinco.

Pode ser apenas um.

Pergunta-te:

Qual é, hoje, o meu motivo para ter esperança?

Talvez seja alguém que amas.

Uma possibilidade.

Um projecto.

Um filho.

Uma amizade.

Uma recuperação.

Uma pequena mudança.

Uma fé.

Um sonho que ainda guardas.

Ou simplesmente a certeza de que amanhã é outro dia.

Escreve-o.

Não para fingires que está tudo bem.

Mas para te lembrares de que, mesmo nos tempos difíceis, nem tudo está perdido.


Do Arquivo para o presente

Esta Sexta-feira Nostálgica nasceu da releitura de dois textos que escrevi em Outubro de 2020, no contexto dos calendários da Action for Happiness:

«Outubro otimista – Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês»

e

“Outubro Otimista – Dia 2: Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis“

Na altura escrevi:

1. Quero ser feliz e fazer os outros felizes.
2. Tudo o que damos, recebemos em dobro.
3. Ser gentil é grátis.
4. Um belo sorriso é contagioso.
5. Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

E terminei:

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Seis anos depois, talvez escolha outras palavras.

Mas não quero perder aquela intenção.

Porque algumas ideias amadurecem.

Outras transformam-se.

E algumas continuam simplesmente a lembrar-nos quem sempre fomos.

Para levares contigo

SoLu@ — «Esperança não é acreditar que tudo vai acontecer como desejamos. É encontrar, mesmo no meio da incerteza, uma razão para continuar a dar o próximo passo.»

Se quiseres continuar esta reflexão

Talvez também gostes de ler:

Outubro no Calendário SoLu@ — Optimismo & Esperança
Um mês para aprender a cultivar esperança sem ignorar aquilo que custa.

Setembro não mudou tudo. Mas ensinou-me a recomeçar de outra maneira.
Porque nem todos os recomeços transformam tudo de uma vez — e talvez não seja preciso.

Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação
Uma reflexão sobre cuidar de nós de uma forma mais realista, possível e gentil.

Antes que o café arrefeça — não podemos mudar o passado, mas podemos mudar o que fazemos com ele

Livro Antes que o Café Arrefeça de Toshikazu Kawaguchi — leitura SoLu@

Uma leitura delicada sobre o tempo, o amor, as palavras que ficaram por dizer e aquilo que ainda podemos escolher viver.

Há títulos de livros que, por si só, já nos fazem parar.

Antes que o Café Arrefeça, de Toshikazu Kawaguchi, foi um deles.

Talvez porque um café seja uma coisa tão simples e quotidiana. Sentamo-nos, bebemos, conversamos. Às vezes demoramo-nos. Outras vezes deixamo-lo arrefecer enquanto a vida acontece à nossa volta.

E talvez seja precisamente essa simplicidade que torna tão bonita a ideia deste livro.

E se pudéssemos voltar atrás no tempo?

A história leva-nos até um pequeno café em Tóquio onde existe uma possibilidade muito especial: viajar no tempo.

Mas há regras.

Muitas regras.

E a mais importante talvez seja também a mais difícil de aceitar:

aquilo que fizermos no passado não vai mudar o presente.

Quando percebi isto, pensei:

Então para quê voltar?

Se não podemos impedir uma partida, evitar uma escolha, mudar uma despedida ou corrigir aquilo que aconteceu, qual é o sentido de regressar?

E é precisamente aí que, para mim, começa a verdadeira história deste livro.

Porque talvez nem sempre precisemos de mudar aquilo que aconteceu.

Talvez precisemos de compreender.

De ouvir.

De dizer.

De perdoar.

Ou simplesmente de ter mais alguns minutos com alguém.

As palavras que ficaram por dizer

Ao longo do livro encontramos diferentes histórias e diferentes formas de amor.

Amor entre duas pessoas.

Amor dentro de um casamento.

Amor entre irmãs.

Amor entre mãe e filha.

E, apesar de todas serem diferentes, existe algo que as une: aquilo que ficou por dizer, por compreender ou por viver.

Quantas vezes acontece também connosco?

Pensamos que haverá tempo.

Tempo para dizer que amamos.

Tempo para pedir desculpa.

Tempo para esclarecer uma mágoa.

Tempo para fazer aquela pergunta.

Tempo para estar verdadeiramente presente.

Tempo para voltar.

E depois descobrimos que nem sempre existe um “depois”.

Um livro simples, mas não superficial

A escrita de Antes que o Café Arrefeça é simples.

Não é um livro cheio de grandes descrições, reviravoltas extraordinárias ou personagens construídas ao longo de centenas de páginas.

É quase como assistir a pequenas cenas da vida de várias pessoas sentadas à volta de uma mesa.

Talvez se note até a origem teatral da história na forma como tudo acontece naquele espaço limitado.

No início, confesso que algumas regras do café e determinadas repetições podem parecer excessivas.

Mas, à medida que fui avançando, percebi que o verdadeiro centro da história não era a viagem no tempo.

Era aquilo que cada pessoa fazia com os minutos que lhe eram concedidos.

E isso tocou-me.

Afinal, para que serve voltar atrás?

Esta foi a pergunta que mais ficou comigo depois da leitura.

Se o passado não pode ser alterado, porque haveríamos de querer regressar?

Talvez porque conhecer o passado de outra maneira possa mudar a pessoa que regressa ao presente.

Os acontecimentos continuam a ser os mesmos.

A perda continua a existir.

A despedida aconteceu.

A escolha foi feita.

Mas nós podemos regressar diferentes.

E talvez seja essa uma das ideias mais bonitas do livro.

Não podemos reescrever todas as páginas da nossa vida.

Mas podemos olhar para algumas delas com outros olhos.

Podemos compreender coisas que antes não compreendíamos.

Podemos deixar de carregar certas culpas.

Podemos perceber que fomos amados mesmo quando não soubemos reconhecer esse amor.

E podemos escolher viver de maneira diferente a partir daí.

O tempo que ainda temos

Talvez por isso Antes que o Café Arrefeça não me tenha feito pensar tanto no passado como poderia imaginar.

Fez-me pensar no presente.

Nas pessoas que ainda estão aqui.

Nas conversas que ainda podemos ter.

Nos abraços que ainda podemos dar.

Nos telefonemas que podemos fazer.

Nas palavras que ainda vamos a tempo de dizer.

Porque, na vida real, não conheço nenhum café onde possamos sentar-nos numa cadeira e regressar ao passado.

Mas temos uma coisa que as personagens daquele café também acabam por descobrir:

temos este momento.

E enquanto estamos aqui, ainda podemos escolher aquilo que fazemos com ele.

A minha opinião

Gostei de Antes que o Café Arrefeça sobretudo pela mensagem que deixa.

Não o considero um livro perfeito. Por vezes é repetitivo, algumas situações são previsíveis e a escrita é muito simples.

Mas talvez seja também essa simplicidade que lhe dá encanto.

É um livro que não precisa de gritar para nos emocionar.

Vai deixando pequenas perguntas.

Sobre o amor.

Sobre a família.

Sobre as despedidas.

Sobre o arrependimento.

Sobre aquilo que não dissemos.

E sobre aquilo que ainda estamos a tempo de dizer.

Terminei-o com uma certeza muito simples:

não precisamos de voltar ao passado para amar melhor quem está connosco hoje.

Precisamos apenas de não deixar que o nosso café arrefeça enquanto esperamos pelo momento perfeito para viver.

Uma pergunta que ficou comigo

Se pudesses voltar ao passado apenas durante alguns minutos, sem poderes mudar absolutamente nada…

quem escolherias encontrar?

E, talvez ainda mais importante:

há alguma coisa que gostarias de dizer a essa pessoa que ainda podes dizer hoje?

Às vezes, os livros não nos dão respostas.

Dão-nos perguntas.

E algumas delas ficam connosco muito depois de fecharmos a última página.

SoLu@

Aprender a amar. Aprender a viver. Um dia de cada vez.

Sugestão de Leituras:

Entre a memória e os novos começos

Um ano entre a memória e os novos começos | Sexta-feira Nostálgica

Há algum tempo comecei uma viagem que nunca imaginei fazer.

Não porque quisesse deixar o passado para trás, mas porque percebi que algumas casas mudam de lugar sem deixarem de ser casa.

Ao longo de quase vinte anos fui escrevendo nos Blogs SAPO. Ali ficaram milhares de palavras, fotografias, alegrias, lágrimas, dúvidas, conquistas e muitos pedaços da minha vida.

Quando surgiu a necessidade de criar o arquivo.solua.pt, senti que não estava apenas a copiar textos. Estava a preservar memórias.

Ao mesmo tempo nasceu um novo espaço: o solua.pt.

Não para apagar o passado, mas para continuar a escrever o presente.

Hoje, ao olhar para trás, percebo que este tempo foi muito mais do que um trabalho técnico.

Foi tempo de reconstrução.

Reconstrução de um projeto.

Reconstrução da minha escrita.

Reconstrução da forma como quero estar deste lado, junto de quem me lê.

Durante este tempo escrevi sobre a alegria dos fins de ciclo, sobre o crescimento dos meus filhos, sobre o amor, sobre a maternidade, sobre a menopausa, sobre o descanso, sobre a resiliência e também sobre momentos difíceis que nunca imaginei viver ou partilhar.

Houve dias em que escrevi com um sorriso.

Outros em que escrevi com o coração apertado.

Mas nunca deixei de acreditar que as palavras podem ser um lugar de encontro.

Hoje, o Arquivo SoLu@ guarda a memória de quem fui.

O SoLu@ acompanha quem continuo a ser.

E gosto de pensar que ambos caminham de mãos dadas.

Porque a pessoa que escreveu aqueles textos antigos continua aqui.

Apenas aprendeu que crescer não significa esquecer.

Significa integrar.

Obrigada a todos os que continuam por aqui.

A quem começou a ler há muitos anos.

A quem chegou há poucos dias.

E a quem encontra, numa frase ou numa história, um pequeno motivo para continuar.

O primeiro ano passou.

Mas sinto, com toda a sinceridade, que esta nova caminhada está apenas a começar.

🤍

Pergunta para ti

Se olhares para quem eras há um ano, o que mudou dentro de ti?

Às vezes crescemos tanto por dentro que só percebemos quando paramos para olhar para trás.

Sugestões de Leitura:

O que Junho me ensinou: alegria, leveza e fim de ciclos que merecem ser honrados

Caderno aberto e luz suave, simbolizando alegria, leveza e fins de ciclo em Junho

Junho trouxe-me a alegria das pequenas celebrações, a leveza dos dias mais longos e a consciência bonita de que há fins de ciclo que não devem ser apressados: devem ser honrados.

Há meses que passam. E há meses que ficam.

Junho ficará.

Não sei explicar muito bem porquê — ou talvez saiba, mas precise de escrever para o perceber melhor. É assim que funciona comigo: só entendo as coisas depois de as pôr em palavras.

Junho foi, no Calendário SoLu@, um mês dedicado à alegria e à leveza. E foi. Mas, ao chegar à última semana, percebi que a alegria de Junho tem uma textura diferente. Não é a alegria espontânea do início do mês. É uma alegria mais funda, mais quieta — a alegria de quem olha para trás e reconhece o caminho.

É a alegria de quem chega.


A alegria que não parece alegria

Existe um tipo de alegria que confundimos com tristeza, porque vem misturada com lágrimas.

É a alegria de ver os filhos crescer. É a alegria de fechar um ano lectivo que foi difícil mas foi feito. É a alegria das despedidas de fase — que doem exactamente porque foram reais, porque valeram alguma coisa.

Quando a filha mais nova sopra 16 velas, o coração não sabe muito bem o que fazer com aquela mistura de orgulho e saudade. Quando a filha do meio termina o secundário, há uma parte de mim que ainda vê a menina do primeiro dia de escola — a mochila maior do que ela.

E eu penso: como é que o tempo passou assim?

Mas depois — e é aqui que a alegria se revela — percebo que esse crescimento não aconteceu apesar de nós. Aconteceu connosco. Com as noites mal dormidas, as dúvidas, o esforço de estar presente mesmo quando não sabíamos como. Com o amor que nem sempre foi perfeito, mas foi real.

A alegria de fim de ciclo é essa: reconhecer que estivemos lá.


O que Junho me ensinou sobre celebrar

Celebrar não é fingir que tudo correu bem.

Aprendi isso em Junho, com mais clareza do que noutros anos.

Um ano lectivo pode trazer cansaço acumulado, pressão, ansiedade de exames, conversas difíceis, decisões que ainda não têm resposta. Há anos em que “acabou” significa sobretudo alívio — e está tudo bem também nesse alívio.

Celebrar não é apagar o que foi duro. É reconhecer que, mesmo assim, se continuou.

Há conquistas que não aparecem nas pautas: a conversa que finalmente aconteceu, o “não” que foi dito com medo mas foi dito, o dia em que alguém pediu ajuda e nós conseguimos estar. A maturidade que nasce em silêncio, sem nota de rodapé, sem cerimónia.

Talvez seja precisamente isso o que mais merece ser celebrado.


Sobre despedidas que são sinais de vida

Este Junho trouxe também uma despedida que me tocou de forma especial: o encerramento dos Blogs SAPO.

Para quem não sabe, foi lá que a SoLu@ nasceu — ou pelo menos que a SoLu@ começou a ser escrita. Há palavras guardadas nessa plataforma que pertencem a versões mais antigas de mim: mais insegura, mais procurando, mais a descobrir quem era.

Despedir-me desse espaço não foi simples.

Mas aprendi também aqui uma coisa: as despedidas de fase não são perdas. São confirmações de que houve vida antes delas. Uma casa fecha porque foi habitada. Um ciclo termina porque foi vivido.

E o que fica não desaparece — fica no Arquivo SoLu@, fica na memória, fica nas palavras que escrevemos e nas pessoas que as leram.

Cada fim de ciclo é a prova de que algo foi real.


O que quero guardar antes de entrar no verão

O verão está a chegar — e antes de entrar nele, quis fazer esta pausa.

Não para avaliar o que correu mal. Mas para reconhecer o que foi feito. Para agradecer antes de seguir.

O que Junho me ensinou é que a leveza não é a ausência de peso — é aprender a carregar o peso com ternura. É não me cobrar a perfeição de cada momento. É olhar para os filhos, para a família, para o caminho, e dizer com tranquilidade: fizemos o nosso melhor com o que tínhamos.

E isso — isso — já é muito.

Antes de entrar no verão, quero guardar:

— o orgulho quieto de ter estado presente; — a gratidão pelos ciclos que fecharam com dignidade; — a esperança de que o que vem a seguir também vai ser vivido com amor; — e a certeza de que celebrar não é vanidade — é uma forma de honrar a vida.


Uma palavra para ti

Se Junho também te trouxe finais de ciclo, se há despedidas de fase no teu coração, se viste os teus filhos crescer e sentiste aquela alegria agridoce que não sabe muito bem onde pousar —

estás em boa companhia.

A vida move-se. E nós movemo-nos com ela.

Mas antes de seguirmos, talvez possamos parar aqui, um momento.

Respirar. Olhar para trás sem culpa. Reconhecer o caminho feito. E entrar no verão a dizer: estive aqui. amei. valeu.


Continua comigo

Este artigo acompanha a Semana 4 do Calendário SoLu@ de Junho — uma semana dedicada à alegria de fim de ciclos: orgulho, balanço, crescimento e esperança tranquila.

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Com carinho, SoLu@

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