Antes que o café arrefeça — não podemos mudar o passado, mas podemos mudar o que fazemos com ele

Livro Antes que o Café Arrefeça de Toshikazu Kawaguchi — leitura SoLu@

Uma leitura delicada sobre o tempo, o amor, as palavras que ficaram por dizer e aquilo que ainda podemos escolher viver.

Há títulos de livros que, por si só, já nos fazem parar.

Antes que o Café Arrefeça, de Toshikazu Kawaguchi, foi um deles.

Talvez porque um café seja uma coisa tão simples e quotidiana. Sentamo-nos, bebemos, conversamos. Às vezes demoramo-nos. Outras vezes deixamo-lo arrefecer enquanto a vida acontece à nossa volta.

E talvez seja precisamente essa simplicidade que torna tão bonita a ideia deste livro.

E se pudéssemos voltar atrás no tempo?

A história leva-nos até um pequeno café em Tóquio onde existe uma possibilidade muito especial: viajar no tempo.

Mas há regras.

Muitas regras.

E a mais importante talvez seja também a mais difícil de aceitar:

aquilo que fizermos no passado não vai mudar o presente.

Quando percebi isto, pensei:

Então para quê voltar?

Se não podemos impedir uma partida, evitar uma escolha, mudar uma despedida ou corrigir aquilo que aconteceu, qual é o sentido de regressar?

E é precisamente aí que, para mim, começa a verdadeira história deste livro.

Porque talvez nem sempre precisemos de mudar aquilo que aconteceu.

Talvez precisemos de compreender.

De ouvir.

De dizer.

De perdoar.

Ou simplesmente de ter mais alguns minutos com alguém.

As palavras que ficaram por dizer

Ao longo do livro encontramos diferentes histórias e diferentes formas de amor.

Amor entre duas pessoas.

Amor dentro de um casamento.

Amor entre irmãs.

Amor entre mãe e filha.

E, apesar de todas serem diferentes, existe algo que as une: aquilo que ficou por dizer, por compreender ou por viver.

Quantas vezes acontece também connosco?

Pensamos que haverá tempo.

Tempo para dizer que amamos.

Tempo para pedir desculpa.

Tempo para esclarecer uma mágoa.

Tempo para fazer aquela pergunta.

Tempo para estar verdadeiramente presente.

Tempo para voltar.

E depois descobrimos que nem sempre existe um “depois”.

Um livro simples, mas não superficial

A escrita de Antes que o Café Arrefeça é simples.

Não é um livro cheio de grandes descrições, reviravoltas extraordinárias ou personagens construídas ao longo de centenas de páginas.

É quase como assistir a pequenas cenas da vida de várias pessoas sentadas à volta de uma mesa.

Talvez se note até a origem teatral da história na forma como tudo acontece naquele espaço limitado.

No início, confesso que algumas regras do café e determinadas repetições podem parecer excessivas.

Mas, à medida que fui avançando, percebi que o verdadeiro centro da história não era a viagem no tempo.

Era aquilo que cada pessoa fazia com os minutos que lhe eram concedidos.

E isso tocou-me.

Afinal, para que serve voltar atrás?

Esta foi a pergunta que mais ficou comigo depois da leitura.

Se o passado não pode ser alterado, porque haveríamos de querer regressar?

Talvez porque conhecer o passado de outra maneira possa mudar a pessoa que regressa ao presente.

Os acontecimentos continuam a ser os mesmos.

A perda continua a existir.

A despedida aconteceu.

A escolha foi feita.

Mas nós podemos regressar diferentes.

E talvez seja essa uma das ideias mais bonitas do livro.

Não podemos reescrever todas as páginas da nossa vida.

Mas podemos olhar para algumas delas com outros olhos.

Podemos compreender coisas que antes não compreendíamos.

Podemos deixar de carregar certas culpas.

Podemos perceber que fomos amados mesmo quando não soubemos reconhecer esse amor.

E podemos escolher viver de maneira diferente a partir daí.

O tempo que ainda temos

Talvez por isso Antes que o Café Arrefeça não me tenha feito pensar tanto no passado como poderia imaginar.

Fez-me pensar no presente.

Nas pessoas que ainda estão aqui.

Nas conversas que ainda podemos ter.

Nos abraços que ainda podemos dar.

Nos telefonemas que podemos fazer.

Nas palavras que ainda vamos a tempo de dizer.

Porque, na vida real, não conheço nenhum café onde possamos sentar-nos numa cadeira e regressar ao passado.

Mas temos uma coisa que as personagens daquele café também acabam por descobrir:

temos este momento.

E enquanto estamos aqui, ainda podemos escolher aquilo que fazemos com ele.

A minha opinião

Gostei de Antes que o Café Arrefeça sobretudo pela mensagem que deixa.

Não o considero um livro perfeito. Por vezes é repetitivo, algumas situações são previsíveis e a escrita é muito simples.

Mas talvez seja também essa simplicidade que lhe dá encanto.

É um livro que não precisa de gritar para nos emocionar.

Vai deixando pequenas perguntas.

Sobre o amor.

Sobre a família.

Sobre as despedidas.

Sobre o arrependimento.

Sobre aquilo que não dissemos.

E sobre aquilo que ainda estamos a tempo de dizer.

Terminei-o com uma certeza muito simples:

não precisamos de voltar ao passado para amar melhor quem está connosco hoje.

Precisamos apenas de não deixar que o nosso café arrefeça enquanto esperamos pelo momento perfeito para viver.

Uma pergunta que ficou comigo

Se pudesses voltar ao passado apenas durante alguns minutos, sem poderes mudar absolutamente nada…

quem escolherias encontrar?

E, talvez ainda mais importante:

há alguma coisa que gostarias de dizer a essa pessoa que ainda podes dizer hoje?

Às vezes, os livros não nos dão respostas.

Dão-nos perguntas.

E algumas delas ficam connosco muito depois de fecharmos a última página.

SoLu@

Aprender a amar. Aprender a viver. Um dia de cada vez.

Sugestão de Leituras:

Há livros que esperam por nós

Livro O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion, segurado junto à praia durante uma leitura de verão.

Cinco anos depois, consegui terminar uma leitura que, durante muito tempo, me falou demasiado de perto sobre aquilo que eu mais temia.

Há cinco anos, quando mudei de cidade e comecei uma nova etapa da minha vida profissional, alguém que marcou profundamente esse momento ofereceu-me este livro: “O Ano do Pensamento Mágico”, de Joan Didion.

Guardei não apenas o livro, mas também o gesto.

Guardei a pessoa, o tempo vivido, a mudança de cidade, o medo e a esperança que acompanham todos os recomeços.

Comecei a lê-lo nessa altura. Mas não consegui continuar.

Não porque o livro não me interessasse. Talvez precisamente porque me tocava demasiado.

Falava de temas que, para mim, eram difíceis de enfrentar: a morte, a perda inesperada, a doença do coração, a fragilidade da vida e aquele instante em que tudo o que parecia seguro pode mudar.

Fechei-o.

Durante cinco anos, ficou à espera.

Talvez alguns livros façam isso. Não chegam apenas às nossas mãos. Ficam silenciosamente ao nosso lado até termos espaço interior para os receber.

O mesmo livro, uma leitora diferente

Este ano, durante esta pausa, depois de acontecimentos que me voltaram a lembrar como a vida pode ser frágil e imprevisível, senti que tinha chegado o momento de regressar àquelas páginas.

O livro era o mesmo.

Mas eu já não era a mesma mulher.

Entre a primeira tentativa e esta leitura aconteceram mudanças, perdas, medos, recomeços e aprendizagens. A vida ensinou-me, muitas vezes sem pedir autorização, que não conseguimos controlar tudo.

Não controlamos o tempo.

Não controlamos as doenças.

Não controlamos as despedidas.

Não conseguimos proteger todas as pessoas que amamos de todas as dores.

E talvez uma das partes mais difíceis de crescer seja reconhecer essa impotência sem deixar que ela nos impeça de viver.

Aceitar não é deixar de sentir medo

Terminar este livro não significou vencer o meu medo da morte.

Também não me deu respostas simples para aquilo que não as tem.

Mas ajudou-me a permanecer junto das perguntas.

A aceitar que a vida contém beleza e perda, presença e ausência, esperança e incerteza. Que podemos fazer planos e, ainda assim, ser surpreendidos. Que podemos amar profundamente e continuar sem conseguir proteger tudo o que amamos.

Aceitar esta realidade não é desistir.

É aprender a adaptar-nos quando a vida muda.

É reconhecer que há acontecimentos que não conseguimos evitar, explicar ou reparar. E que, mesmo assim, precisamos de encontrar uma forma de continuar.

Talvez não voltemos a ser exactamente quem éramos.

Talvez passemos a ser alguém que conhece melhor a fragilidade da vida — e, por isso mesmo, começa a valorizar mais a sua presença.

Há leituras que precisam de tempo

Na praia, com o som do mar ao fundo, terminei finalmente o livro que comecei há cinco anos.

E percebi que algumas leituras não ficam inacabadas.

Ficam apenas à espera de que a vida nos prepare.

Talvez eu precisasse destes anos para compreender que não tenho de controlar tudo para continuar a viver. Que posso sentir medo e, ainda assim, amar. Que posso não ter respostas e continuar presente. Que posso adaptar-me às mudanças sem negar a dor que elas trazem.

Fechar este livro foi também fechar um pequeno ciclo.

Um ciclo que começou numa mudança de cidade, num novo momento profissional e no gesto de alguém que deixou uma marca bonita na minha história.

Hoje, guardo esse gesto com ainda mais gratidão.

Porque há pessoas que nos oferecem livros.

E há livros que, muito tempo depois, nos ajudam a ler a nossa própria vida.

Nem todos os livros são lidos quando chegam. Alguns esperam até estarmos preparadas para aquilo que têm para nos dizer.


Pergunta para terminar

Já tiveste um livro que precisou de esperar por ti?

Talvez não fosse ainda o momento de o compreender. Talvez tenhas precisado de viver um pouco mais antes de conseguires regressar às suas páginas.

Sugestão de leituras:

Calendário SoLu@ — Junho Alegria: Semana 2 — Alegria no corpo

Imagem de destaque do Calendário SoLu@ de Junho (Alegria), Semana 2 — Alegria no corpo, com estilo delicado SoLu@ em tons creme e dourado.
Legenda: Calendário SoLu@ — Junho | Alegria — Semana 2

A alegria também se treina — com gentileza e presença.

Há semanas em que a alegria não chega pela cabeça.
Chega pelo corpo.

Chega quando respiramos melhor.
Quando mexemos um pouco.
Quando abrandamos a exigência.
Quando escolhemos um gesto simples — e o cumprimos com carinho.

Esta semana é sobre isso: alegria no corpo.
Leveza possível. Energia suave. Cuidado real.

O corpo guarda tudo: cansaços, pressas, emoções por dizer.
E às vezes a alegria parece longe… não porque ela não exista, mas porque estamos demasiado tensas para a sentir.

Nesta semana, o convite é um só:
voltar ao corpo com gentileza.
Sem metas grandes. Sem perfeição.
Só presença.

🌿 Tema da semana

Alegria no corpo
leveza • energia suave • cor no dia • autocuidado real • presença


✨ Intenção da semana

Voltar ao corpo com gentileza — e deixar a alegria nascer do simples.

Esta semana, não precisamos de “fazer muito”.
Precisamos de sentir mais.
Porque quando o corpo respira melhor, a vida também fica mais habitável.

SoLu@

“Quando eu cuido do meu corpo, a vida fica mais habitável.” 

💛Prática da semana

Todos os dias, escolhe 1 cuidado corporal mínimo (10 minutos ou menos).
Pode ser: respirar, alongar, caminhar, beber água devagar, descansar sem culpa.

A regra é esta: mínimo consistente > máximo impossível.


Mini desafio da semana

7 dias | 7 gestos de leveza
Todos os dias, faz um gesto que diga ao teu corpo: “eu estou contigo”.

Sugestões (podes repetir):

  • deitar-te 15 minutos mais cedo
  • 10 respirações lentas
  • alongar ombros e pescoço
  • 5 minutos ao ar livre
  • dançar 1 música
  • beber água com presença
  • escolher uma refeição mais leve

🌼 Dias da semana

7 Junho — Abrandar para sentir (Paz)

A paz é uma forma de alegria. A alegria que descansa.

Frase:
Hoje eu escolho abrandar.

Mensagem do livro:
A paz começa quando eu paro de me exigir e começo a respirar comigo.

Prática:
15 minutos sem ecrãs, sem tarefas, sem pressa. Só estar.

Pergunta:
O que posso largar hoje para o meu corpo respirar melhor?

Gesto:
Deixa uma coisa por fazer — e não te castigues por isso.


8 Junho — Gratidão que devolve cor (Felicidade/Gratidão)

Há dias que ganham cor quando eu reparo no que já é bom.

Frase:
Eu agradeço o simples — e o simples cresce.

Mensagem do livro:
A gratidão é um olhar que devolve vida ao que a pressa apaga.

Prática:
Escolhe 3 coisas pequenas boas do dia (mesmo simples).

Pergunta:
O que já foi bom hoje — mesmo que o dia não tenha sido perfeito?

Gesto:
Fotografa um detalhe bonito (só para ti).


9 Junho — Voltar ao corpo (Vida)

A vida volta quando eu volto a mim.

Frase:
Eu encontro vida no meu corpo.

Mensagem do livro:
Quando eu me escuto por dentro, o mundo fica menos pesado.

Prática:
10 minutos de vida: respiração + alongar + 2 minutos de caminhada (em casa serve).

Pergunta:
Onde é que o meu corpo está a pedir cuidado?

Gesto:
Bebe um copo de água devagar, como um cuidado consciente.


10 Junho — Um passo mínimo conta (Atitude)

A atitude não é força. É escolha.

Frase:
Hoje eu escolho um passo pequeno — e isso chega.

Mensagem do livro:
A mudança começa quando eu paro de adiar o que me faz bem.

Prática:
Escolhe uma coisa possível: alongar 5 min, caminhar 10 min, arrumar um canto, preparar uma refeição simples.

Pergunta:
Qual é o passo mais simples que consigo dar hoje por mim?

Gesto:
Faz esse passo cedo — antes da vida decidir por ti.


11 Junho — Um pensamento que alivia (Pensamentos positivos)

Há pensamentos que apertam. E há pensamentos que abrem espaço.

Frase:
Eu posso ir devagar — sem culpa.

Mensagem do livro:
Eu não preciso de controlar tudo para estar em paz.

Prática:
Escolhe uma frase-âncora:
“Eu estou a fazer o meu melhor.” / “Hoje basta um gesto.” / “Devagar também é caminho.”

Pergunta:
Que pensamento me devolve calma quando eu começo a exigir demais?

Gesto:
Escreve a tua frase no telemóvel e lê-a 3 vezes no dia.


12 Junho — Esperança em pequenos hábitos (Fé/Esperança)

A esperança cresce quando eu faço o que me sustenta — mesmo em dias normais.

Frase:
Mesmo devagar, eu continuo.

Mensagem do livro:
A fé alimenta-se de repetição: pequenos cuidados que dizem “eu não me abandono”.

Prática:
Escolhe 1 hábito mínimo para hoje (10 minutos): movimento, escrita, silêncio, arrumar um canto, preparar algo leve.

Pergunta:
O que me ajuda a não me abandonar?

Gesto:
Cumpre o hábito mínimo — e celebra isso (sem “mas…”).


13 Junho — Amor em forma de cuidado (Amor)

O amor também é a forma como eu trato o meu corpo e o meu coração.

Frase:
Amor é eu cuidar de mim com respeito.

Mensagem do livro:
O amor verdadeiro começa na forma como eu me trato quando ninguém está a ver.

Prática:
Faz um gesto de cuidado por ti: descanso sem culpa, dizer “não” a um excesso, banho demorado, caminhar, comer mais simples.

Pergunta:
Onde é que eu preciso de ser mais gentil comigo?

Gesto:
Escolhe uma coisa para não fazer hoje — e chama-lhe amor.


Pergunta da semana

Que gesto pequeno me devolve leveza — sem eu ter de mudar a vida toda?


Continuar …

Se esta semana te pede energia, começa pelo corpo.
Não pela culpa.
A alegria real costuma nascer assim: por baixo, com um cuidado simples que se repete.


Reflexão

Talvez a alegria não seja “sentir-me sempre bem”.
Talvez seja sentir-me mais inteira.

E o corpo é uma porta.
Quando eu cuido dele com gentileza, a vida deixa de ser só tarefa — e volta a ser lugar.


SoLu@ — “frase de destaque da semana”

“Quando eu cuido do meu corpo, a vida fica mais habitável.” — SoLu@


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Perguntas frequentes

Preciso de seguir todos os dias?
Não.
O Calendário SoLu@ é um guia. Podes escolher apenas os dias que fizerem sentido para ti.

E se eu falhar alguns dias?
Não falhaste.
Volta quando quiseres. O importante é a intenção, não a perfeição.

Posso adaptar as práticas?
Sim.
Este calendário deve adaptar-se à tua vida — não o contrário.

Já regressámos a casa. 🤍

Depois de 10 dias sem acesso à nossa casa, conseguimos finalmente passar — com uma carrinha 4×4 — e eu juro que este momento teve um sabor diferente:
o sabor de “chegámos”.

Entrei devagar.
Olhei. Respirei.
E senti aquela mistura impossível de explicar:
alívio + cansaço + gratidão + um nó na garganta.

Há muita coisa para fazer.
Limpar. Organizar. Reconstruir rotinas.
Voltar a pôr cada coisa no seu lugar…
e, ao mesmo tempo, aceitar que algumas coisas já não vão voltar a ser “como antes”.

Quanto ao futuro, não sei.
Não sei se o rio ainda vai subir.
Não sei o que vem a seguir.

Mas hoje sei isto:
estamos em casa.
E estamos todos juntos. 🏠✨

Nestes 10 dias senti tanta coisa…
medo, ansiedade, esperança, exaustão.
Mas também senti algo muito forte:
não estivemos sozinhos.

Percebi que estou rodeada de pessoas que aparecem quando é preciso:
com mensagens, com mãos, com presença, com soluções, com carinho.
E nestas alturas, a vida mostra-nos uma verdade simples:
há pessoas boas no nosso caminho.

A todas as pessoas que nos ajudaram — de perto e de longe —
o meu coração diz apenas isto:

Obrigada. 🙏🤍

#gratidão #emcasa #cheias #Portugal #familia #resiliencia #recomeco #juntos #obrigada #umdiadecadavez #lar #esperanca #força #pessoasboas #vida

Dois anos depois — e ele continua aqui 🤍

Amigo

Hoje faz um ano desde que escrevi “Um ano de Saudade…”.
E se eu achava que a saudade era uma coisa que se aprende a suportar, hoje percebo melhor: a saudade não passa — muda de lugar.

Já não é só aquela dor mais viva que me cortava por dentro.
Agora é uma presença silenciosa que anda comigo.
Está nos dias bons e nos dias difíceis. Está nos momentos em que eu queria pegar no telefone e contar-lhe alguma coisa. Está nos instantes em que a vida me pede força — e eu, sem perceber como, encontro-a.

Porque a verdade é esta: o meu pai continua aqui.

Eu sinto-o todos os dias.
Sinto-o nos conselhos que ainda ouço dentro de mim, como se a voz dele tivesse ficado guardada num lugar seguro do meu peito.
Sinto-o nas maneiras de ser dos netos e dos filhos — nos gestos, nas expressões, em pequenos detalhes que às vezes me fazem sorrir… e outras vezes me deixam com o nó na garganta.

A saudade dói por ele não estar connosco fisicamente.
Dói porque o amor não diminuiu.
Dói porque, mesmo passando o tempo, continuam a existir coisas que eu queria partilhar: conquistas, dúvidas, medos, alegrias simples.
E dói pensar que a vida seguiu, enquanto eu ainda o procuro em certos momentos, como se o coração recusasse aceitar que há uma cadeira vazia.

Mas há também uma aprendizagem bonita — embora seja uma aprendizagem à força:

o amor não morre.
Muda de forma, muda de lugar… mas não desaparece.

O meu pai vive em nós.
Vive na família que ele ajudou a construir.
Vive nas histórias que repetimos à mesa.
Vive nos valores que ficaram, mesmo quando ninguém os diz em voz alta.
Vive no amor que nos ensinou — e que hoje tentamos devolver ao mundo.

A vida continua, sim.
Mas não continua “sem ele”.

Continua com ele sempre presente — dentro de mim, dentro de nós. 🤍

E se me perguntarem como se vive com a saudade…
eu respondo: vive-se um dia de cada vez,
com amor, com memória,
e com a certeza de que algumas pessoas não vão embora — ficam.

🤍 Pai… obrigada. Sempre.

Vida (Ano • Mês • Dia • Hora) de Sonho(Escrito em Julho de 2020. Atualizado em Julho de 2025.)

Amor

Durante as férias de verão, eu paro.
Respiro.
E volto ao lugar onde tudo começa: sonhar com o futuro. 🤍

Em Julho de 2020 escrevi:
O que é que eu quero alcançar no próximo ano — pessoal e profissionalmente?
E quando penso mais longe, faço esta pergunta com carinho (e alguma coragem):
o que espero alcançar daqui a 5, 10… 15 anos?

Mas para saber o que quero, eu preciso de olhar para trás:
onde eu estava há 10 anos?
e há 5?
e o que fiz — ou não fiz — para chegar aqui?


— ✦ — ✦ — ✦ —

Passado

Julho 2010 — 38 anos de vida

Era casada com o amor 💕 da minha vida.
Tinha concretizado o maior sonho: ser Mãe — e ter 3 filhos (4, 2 e um bebé acabado de chegar).
Profissionalmente, estava no mesmo emprego de hoje (14 anos de vida profissional).

A família era um apoio grande.
E eu vivia com a sensação de que, apesar do cansaço, estava a construir algo bonito.


— ✦ — ✦ — ✦ —

Julho 2015 — 43 anos de vida

Continuava casada — com altos e baixos, com provas na saúde e na doença… e com vitórias que nos fizeram crescer.

Os filhos (9, 7, 5) cresciam depressa.
E havia também a ausência: um marido muitas vezes em viagens profissionais.

No trabalho, mantinha-me no mesmo lugar (19 anos de vida profissional), com um novo desafio no mesmo local — talvez reconhecimento do meu esforço… talvez mais responsabilidade.

Na família, chegava um tempo duro: a doença degenerativa do meu Pai, e com ela a necessidade de apoio e suporte, todos mais juntos, todos mais fortes.


— ✦ — ✦ — ✦ —

Julho 2020 — 48 anos de vida

Casada com o meu amor, com as imperfeições reais de um casamento, mas com a certeza de que tem sido suporte.

Acompanhar o crescimento e a educação dos 3 filhos (14, 12, 10) — a entrar na pré-adolescência — foi um privilégio.

Profissionalmente, sentia-me cansada 😑 (24 anos de vida profissional).
E uma pergunta repetia-se por dentro: tenho de me reinventar… ou aceitar?

A família permanecia um pilar: unida, presente, essencial.


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Presente

Julho 2025 — 53 anos de vida

Desejos e Sonhos:
Continuo a desejar ter ao meu lado o meu marido — amigo e companheiro de vida.
Quero continuar a ser Mãe e Amiga dos meus filhos (19, 17, 15): ensinar, apoiar, ouvir… e confiar.
Profissionalmente (29 anos de vida profissional), desejo ter conseguido reinventar-me: mudar para melhor — para mim e para o mundo.
Família unida.
E sim: viagens, tantas quanto a vida permitir. 🌍


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Atualização 2025 (o que aconteceu mesmo)

O que eu consegui?
Fiz escolhas de vida para a família estar unida. Mudámos de cidade.
Estou ao lado do meu marido e dos meus filhos.
Tenho a minha mãe e a minha irmã perto de mim.

O que eu perdi (ou deixei para trás)?
Status a nível profissional.
O meu Pai, duas tias e um tio.
Uma amiga de infância.

O que eu aprendi?
Há coisas que só entendemos depois de as viver.
A vida é feita de pequenos atos de amor e de coragem.
Por vezes, a vida escolhe por nós.
E há uma estranha paz em recomeçar — em deixar para trás aquilo que todos acham ser o auge.

Falhar faz parte.
Se ainda não falhaste, talvez não tenhas vivido o suficiente.
A falha é um ponto de partida.
O importante é o que constróis depois das quedas.

Eu não planeei isto.
Mas sei uma coisa: quando o mundo te atira ao chão… a única opção é aprender a voar. 🕊️
Tenho fé. Parar nunca foi uma opção.
Tenho de encontrar forças para continuar e reinventar-me.

O que eu ainda quero?
Continuar ao lado do meu marido, amigo e companheiro de vida.
Continuar a ser Mãe e Amiga dos meus filhos: guiar os voos e ser porto de abrigo.
Continuar a ter a minha família unida.
E sim… viajar. O meu sonho de dar a volta ao mundo. 🌍

O que hoje valorizo mais?
Ser melhor.
Sentir amor e paz — para conseguir dar amor e o melhor de mim a todos os que estão ao meu redor.


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O que o tempo me ensinou

Aprendi que a vida muda mesmo quando não avisamos ninguém.
Que os planos precisam de firmeza — mas também de humildade.
E que ter a mente aberta não é desistir do caminho… é adaptar sem perder a essência.

Num mundo perfeito, eu imaginava-me com uma carreira de sucesso a fazer o que gosto, rodeada de pessoas que me fazem bem, e com a bagagem cheia de países e memórias.

E depois veio a vida real — e, com ela, a oportunidade de amadurecer o sonho.


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Futuro (com pés no chão e coração aberto)

Julho 2030 — 58 anos de vida

Quero estar em paz comigo.
Quero saúde física e mental.
Quero amor no coração — e calma na forma de viver.

Continuo a desejar ter ao meu lado o meu marido, amigo e companheiro de vida.
Os filhos terão 24, 22, 20.
E eu… com maturidade para aceitar que o sucesso também é isto: estar bem.

Julho 2035 — 63 anos de vida

Casada.
3 filhos (29, 27, 25).
E a mesma oração silenciosa: saúde física e mental — e leveza.

Julho 2040 — 68 anos de vida

Casada.
3 filhos (34, 32, 30).
E o sonho de uma vida simples: presença, união, serenidade.


— ✦ — ✦ — ✦ —

O futuro só a Deus pertence.
Mas eu posso escolher hoje: vencer medos, não desistir, lutar pelos sonhos — com coragem, com verdade, com amor 💛

Que eu tenha saúde física e mental.
Que eu tenha amor no meu coração 💖
E que nunca me falte esperança.

✨ SoLu@

🌙 Calendário Lunar 2026

Moon

Um ano para viver com mais consciência, presença e serenidade.

🌸 Janeiro

Um início de ano iluminado pela Lua — convite à introspecção e ao recomeço.

  • 🌕 Lua Cheia — 3 jan, 10:02
  • 🌗 Quarto Minguante — 10 jan, 15:48
  • 🌑 Lua Nova — 18 jan, 19:52
  • 🌓 Quarto Crescente — 26 jan, 04:47

💫 Fevereiro

Um mês mais curto… mas pleno de luz.

  • 🌕 Lua Cheia — 1 fev, 21:10
  • 🌗 Quarto Minguante — 9 fev, 05:30
  • 🌑 Lua Nova — 17 fev, 00:02
  • 🌓 Quarto Crescente — 24 fev, 15:33

🌷 Março

Tempo de despertar. Também a Lua caminha connosco.

  • 🌕 Lua Cheia — 3 mar, 11:38
  • 🌗 Quarto Minguante — 10 mar, 08:33
  • 🌑 Lua Nova — 17 mar, 12:02
  • 🌓 Quarto Crescente — 26 mar, 01:18

🌼 Abril

A natureza floresce. E nós também.

  • 🌕 Lua Cheia — 2 abr, 23:12
  • 🌗 Quarto Minguante — 9 abr, 21:17
  • 🌑 Lua Nova — 16 abr, 02:21
  • 🌓 Quarto Crescente — 25 abr, 09:40

🌿 Maio

O mês das caminhadas leves e dos dias mais longos.

  • 🌕 Lua Cheia — 2 mai, 09:08
  • 🌗 Quarto Minguante — 9 mai, 12:09
  • 🌑 Lua Nova — 15 mai, 11:46
  • 🌓 Quarto Crescente — 24 mai, 16:12

☀️ Junho

Entre o início do verão e noites mágicas iluminadas.

  • 🌕 Lua Cheia — 1 jun, 18:43
  • 🌗 Quarto Minguante — 8 jun, 22:20
  • 🌑 Lua Nova — 14 jun, 19:19
  • 🌓 Quarto Crescente — 23 jun, 21:11
  • 🌕 Lua Cheia — 30 jun, 03:54

🌺 Julho

Luas mornas de verão — memórias a nascer.

  • 🌗 Quarto Minguante — 8 jul, 06:08
  • 🌑 Lua Nova — 14 jul, 01:57
  • 🌓 Quarto Crescente — 23 jul, 01:13
  • 🌕 Lua Cheia — 29 jul, 11:37

🌊 Agosto

O céu convida a olhar, respirar e sentir.

  • 🌗 Quarto Minguante — 6 ago, 12:22
  • 🌑 Lua Nova — 12 ago, 08:27
  • 🌓 Quarto Crescente — 21 ago, 04:34
  • 🌕 Lua Cheia — 27 ago, 19:25

🍁 Setembro

Regressos. Começos. Um novo ritmo.

  • 🌗 Quarto Minguante — 4 set, 19:10
  • 🌑 Lua Nova — 10 set, 15:29
  • 🌓 Quarto Crescente — 19 set, 08:07
  • 🌕 Lua Cheia — 26 set, 04:49

🍂 Outubro

O aconchego das noites tranquilas.

  • 🌗 Quarto Minguante — 4 out, 03:31
  • 🌑 Lua Nova — 9 out, 23:00
  • 🌓 Quarto Crescente — 18 out, 12:14
  • 🌕 Lua Cheia — 25 out, 16:15

🌬 Novembro

Tempo de abrandar. Escutar. Sentir.

  • 🌗 Quarto Minguante — 2 nov, 13:20
  • 🌑 Lua Nova — 8 nov, 08:16
  • 🌓 Quarto Crescente — 16 nov, 17:03
  • 🌕 Lua Cheia — 24 nov, 06:53

✨ Dezembro

Fechamos o ciclo — com gratidão.

  • 🌗 Quarto Minguante — 2 dez, 01:36
  • 🌑 Lua Nova — 7 dez, 20:18
  • 🌓 Quarto Crescente — 16 dez, 00:12
  • 🌕 Lua Cheia — 23 dez, 22:27
  • 🌗 Quarto Minguante — 31 dez, 16:26

🌕 Superluas de 2026

Pequenos grandes espetáculos no céu:

✨ 3 janeiro
✨ 1 fevereiro
✨ 3 março
✨ 2 abril

São luas que brilham um pouco mais perto de nós 💫

💖 Nota SoLu@

A Lua lembra-nos que tudo na vida é ciclo. Luz e sombra convivem.
E nós — tal como ela — estamos sempre a recomeçar.

🌙
SoLu@