O que faz sentido agora? Um exercício simples para voltar ao essencial

Maio começa com uma pergunta simples, mas nem sempre fácil de responder:

O que faz sentido agora?

À primeira vista, parece uma pergunta pequena.

Mas, quando paramos verdadeiramente para a escutar, percebemos que ela toca em quase tudo: no tempo que damos às coisas, nas pessoas a quem entregamos energia, nos projectos que continuamos a alimentar, nas rotinas que repetimos e nas escolhas que fazemos sem pensar.

Nem sempre precisamos de mudar tudo.

Às vezes, precisamos apenas de parar um pouco, respirar e perceber se a vida que estamos a viver ainda está alinhada com aquilo que é essencial para nós.

No Calendário SoLu@ de Maio, o tema é Propósito / Significado. E talvez o propósito não comece sempre com uma grande decisão. Talvez comece com uma pergunta honesta, feita num momento de pausa:

O que faz sentido agora, nesta fase da minha vida?

Quando a vida fica cheia, o essencial fica abafado

Há alturas em que a vida fica tão cheia que deixamos de nos ouvir.

Respondemos a mensagens, cumprimos horários, cuidamos da casa, da família, do trabalho, dos compromissos, das urgências. Fazemos o que é preciso fazer. Continuamos. Organizamos. Resolvemos. Aguentamos.

Mas, no meio de tanto movimento, pode acontecer uma coisa silenciosa: o essencial começa a ficar abafado.

Já não sabemos bem o que nos dá alegria.

Já não percebemos se estamos cansadas do momento ou da forma como estamos a viver.

Já não distinguimos o que é responsabilidade do que é excesso.

Já não conseguimos sentir com clareza aquilo que ainda nos chama.

E, muitas vezes, não é porque nos perdemos de repente.

É porque nos fomos deixando para depois, bocadinho a bocadinho.

O depois, quando se repete muitas vezes, transforma-se numa distância.

Distância de nós. Da nossa voz interior. Dos nossos desejos. Dos nossos limites. Daquilo que, em silêncio, continua à espera de atenção.

O que faz sentido agora?

Esta pergunta não serve para nos pressionar.

Não é uma cobrança.

Não é um exame à nossa vida.

Não é uma exigência para termos todas as respostas prontas.

É apenas uma forma de voltar ao centro.

Perguntar “o que faz sentido agora?” ajuda-nos a perceber onde estamos, o que mudou, o que já não cabe da mesma forma e o que merece continuar a receber a nossa energia.

Porque o que fez sentido numa fase da vida pode já não fazer sentido noutra. E isso não significa fracasso. Significa crescimento.

Há sonhos que amadurecem.

Há prioridades que mudam.

Há relações que pedem outro lugar.

Há hábitos que já não nos servem.

Há caminhos que continuam bonitos, mas deixam de ser nossos.

E há também coisas pequenas, muito simples, que continuam a dar-nos vida: uma caminhada, uma conversa verdadeira, escrever, cuidar de uma planta, preparar uma refeição com calma, estar com quem amamos, retomar um projecto esquecido, descansar sem culpa.

Nem sempre o sentido está longe.

Às vezes, está mesmo ali, escondido no que é simples, mas verdadeiro.

Exercício simples em 10 minutos

Este exercício não precisa de muito tempo. Precisa apenas de honestidade, silêncio possível e uma folha em branco.

Podes fazê-lo de manhã, antes de começares o dia, ou ao fim da tarde, quando sentires que precisas de regressar a ti.

Prepara uma folha, uma caneta e, se quiseres, uma chávena de chá ou café. Respira fundo. Não procures escrever correctamente. Procura escrever a verdade.

1. Respira e escreve sem filtro

Durante 3 minutos, escreve tudo o que te ocupa.

Não organizes. Não corrijas. Não tentes parecer coerente. Escreve o que vier: preocupações, tarefas, desejos, cansaços, ideias, medos, vontades, nomes, decisões pendentes.

O objectivo é tirar de dentro aquilo que está a ocupar espaço em silêncio.

2. Sublinha o que te pesa

Depois de escreveres, lê o que ficou no papel e sublinha tudo o que te pesa.

O que aparece muitas vezes? O que te rouba energia? O que te deixa em tensão? O que sentes que estás a carregar há demasiado tempo?

Não é para resolver tudo já. É apenas para reconhecer.

Há pesos que começam a transformar-se quando deixam de ser invisíveis.

3. Circunda o que te dá vida

Agora, com outra cor ou outro sinal, circunda tudo o que te dá vida.

Pode ser uma pessoa. Um gesto. Um projecto. Uma ideia. Um hábito. Um sonho. Um lugar. Uma pequena vontade que aparece quase envergonhada no meio das obrigações.

Presta atenção a esses sinais.

Às vezes, o propósito não chega como uma certeza enorme. Chega como uma pequena luz que insiste em não se apagar.

4. Escolhe uma prioridade para esta semana

Depois de olhares para o que te pesa e para o que te dá vida, escolhe uma prioridade para esta semana.

Só uma.

Pequena. Possível. Real.

Não precisa de ser a decisão que muda a tua vida. Pode ser apenas a decisão que muda a forma como vais atravessar estes dias.

Pode ser descansar mais cedo.

Marcar uma consulta.

Organizar uma tarefa que te ocupa demasiado espaço mental.

Retomar uma caminhada.

Dizer não a algo que já não cabe.

Dar tempo a um projecto que tem ficado sempre para depois.

Uma prioridade verdadeira vale mais do que dez intenções abandonadas.

5. Escolhe um gesto concreto para hoje

Por fim, escolhe um gesto concreto para hoje.

Uma mensagem.

Uma pausa.

Uma decisão.

Uma caminhada.

Uma conversa.

Um pedido de ajuda.

Um copo de água bebido com calma.

Dez minutos para escrever.

Cinco minutos de silêncio.

O gesto não precisa de impressionar ninguém. Só precisa de te aproximar um pouco mais da vida que queres habitar.

É assim que o sentido começa muitas vezes: não com grandes discursos, mas com pequenos gestos repetidos com verdade.

Não precisas de ter tudo resolvido

Há uma grande ternura em aceitar que não precisamos de ter tudo resolvido para viver com mais intenção.

Podemos estar a descobrir.

Podemos estar a ajustar.

Podemos estar a recomeçar devagar.

Podemos ainda não saber o caminho inteiro e, mesmo assim, escolher melhor o próximo passo.

Propósito não é uma resposta fechada.

É uma escuta contínua.

É perceber o que nos aproxima da nossa verdade.

É reconhecer o que nos afasta de nós.

É cuidar do tempo, da energia, dos vínculos e dos sonhos com mais consciência.

Talvez hoje não consigas mudar tudo.

Mas talvez consigas fazer uma pergunta honesta.

Talvez consigas escolher uma prioridade. T

alvez consigas dar um gesto pequeno na direcção certa.

E isso também é viver com propósito.

Nem sempre precisamos de mudar a vida inteira. Às vezes, basta regressar ao essencial e escolher um gesto verdadeiro para hoje.

Para guardar

Guarda este exercício e volta a ele sempre que sentires que estás a viver mais para responder à vida do que para a habitar.

Porque o sentido também se reencontra assim: numa pausa, numa pergunta, numa folha em branco e na coragem simples de voltar a escutar o coração.

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2 comentários em “O que faz sentido agora? Um exercício simples para voltar ao essencial”

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