Também precisamos de agradecer à mulher que fomos

Mulher num momento de reflexão e gratidão pelo caminho percorrido.

Há uma mulher dentro de nós que atravessou dias difíceis, cuidou de tanta gente, adiou sonhos e continuou, mesmo quando ninguém reparou. Talvez esteja na hora de lhe agradecer.

Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança

Ser Melhor | Sexta-feira Nostálgica

Quando foi a última vez que agradeceste a ti própria?

Há dias em que olhamos para a nossa vida e pensamos em tudo o que ainda falta fazer.

As tarefas por terminar. Os sonhos que ficaram à espera. As decisões que poderíamos ter tomado de outra maneira. Aquilo que não conseguimos mudar.

Somos tantas vezes exigentes connosco próprias.

Queremos ser melhores mães, melhores companheiras, melhores filhas, melhores profissionais. Queremos estar presentes, cuidar, compreender, resolver e encontrar forças para continuar.

Mas raramente paramos para reconhecer tudo aquilo que já fizemos.

E hoje, ao revisitar uma reflexão antiga do meu Arquivo SoLu@, encontrei um convite que me parece cada vez mais importante:

Agradecer a nós próprias.

Não apenas pelo que conquistámos, mas também por tudo aquilo que enfrentámos para chegar até aqui.

O trabalho invisível de uma mulher

Há um trabalho que não aparece nos currículos, nas fotografias de família ou nas conversas sobre sucesso.

É o trabalho de quem se lembra das consultas, das preocupações, das necessidades de cada pessoa.

De quem percebe quando um filho não está bem, mesmo quando ele responde que está tudo bem.

De quem organiza, antecipa, acompanha e tenta encontrar soluções.

De quem cuida dos outros e, tantas vezes, deixa as próprias necessidades para depois.

E não falo apenas de tarefas domésticas.

Falo daquele trabalho emocional que acompanha tantas mulheres ao longo da vida.

As preocupações que levamos para a cama. As perguntas para as quais ainda não temos respostas. O desejo de proteger quem amamos, mesmo sabendo que nem tudo depende de nós.

Por vezes, estamos tão habituadas a fazer tudo isto que deixamos de reconhecer o esforço que representa.

Como se cuidar fosse uma obrigação que não merecesse reconhecimento.

Mas merece.

Porque aquilo que fazemos por amor também exige tempo, energia, coragem e, muitas vezes, uma parte de nós.

À mulher que fui…

Hoje gostava de olhar para trás com um pouco mais de ternura.

Para a jovem que tinha tantos sonhos e ainda não sabia o que a vida lhe iria ensinar.

Para a mulher que aprendeu a amar, a construir uma família e a descobrir a maternidade.

Para a mãe que tantas vezes teve dúvidas, receios e inseguranças, mas procurou fazer o melhor que sabia.

Para a mulher que enfrentou mudanças, perdas, preocupações e momentos em que a vida não aconteceu como tinha imaginado.

Talvez nem sempre tenha tomado as melhores decisões.

Talvez tenha exigido demasiado de si própria.

Talvez tenha passado anos a pensar primeiro nos outros e só depois em si.

Mas fez um caminho.

Aprendeu. Errou. Recomeçou.

E, sobretudo, continuou.

Hoje não quero olhar para essa mulher apenas com os olhos de quem sabe o que aconteceu depois.

Quero olhá-la com a compreensão que talvez lhe tenha faltado naquele tempo.

Obrigada à mulher que fui, por ter feito o melhor que conseguia com aquilo que sabia, sentia e tinha naquele momento.

Nem tudo aquilo que fizemos foi perfeito. E está tudo bem.

Durante muitos anos, podemos carregar a sensação de que devíamos ter feito mais.

Ter tido mais paciência.

Ter estado mais presentes.

Ter percebido mais cedo determinadas situações.

Ter cuidado melhor de nós.

Mas existe uma diferença entre aprender com o passado e continuar a castigar-nos por ele.

Hoje sabemos coisas que antes desconhecíamos.

Temos experiências que ainda não tínhamos vivido.

Compreendemos melhor determinadas escolhas, comportamentos e acontecimentos.

E isso não significa que a mulher de ontem tenha falhado.

Significa que a mulher de hoje cresceu.

Agradecer a quem fomos não é fingir que fizemos tudo bem.

É reconhecer o esforço, aceitar as imperfeições e permitir que o passado nos ensine sem continuar a magoar-nos.

E quem cuida de quem cuida?

Esta é uma pergunta que me acompanha cada vez mais.

Quando passamos tantos anos a cuidar da família, a acompanhar o crescimento dos filhos e a preocupar-nos com o bem-estar de quem amamos, podemos esquecer-nos de perguntar:

E eu? Como estou verdadeiramente?

Não é egoísmo querer descansar.

Não é falta de amor precisar de tempo para nós.

Não é abandonar ninguém reconhecer que também temos limites.

Talvez uma das aprendizagens mais importantes da maturidade seja compreender que o nosso valor não depende apenas daquilo que fazemos pelos outros.

Somos mais do que as nossas responsabilidades.

Também temos sentimentos, sonhos, necessidades e uma identidade que merece espaço.

E podemos continuar a amar profundamente a nossa família sem deixar de cuidar da mulher que existe para além dela.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Esta reflexão nasce de um dos exercícios do antigo calendário que fui partilhando nos Blogs SAPO, inspirado no movimento Action for Happiness.

No Dia 16, o convite era simples: agradecer a si próprio.

Na altura, talvez fosse apenas mais um pequeno exercício de gratidão e crescimento pessoal.

Hoje, ao revisitá-lo, encontro nele um significado mais profundo.

Porque o tempo muda a forma como olhamos para aquilo que vivemos.

E os textos antigos têm essa capacidade bonita de nos devolver perguntas que, anos depois, continuam a fazer sentido.

O Arquivo SoLu@ guarda precisamente isso: a memória da mulher que fui, das palavras que escrevi, das ideias em que acreditei e das aprendizagens que me acompanharam.

Não quero apagar essa mulher para dar lugar à mulher que sou hoje.

Quero que as duas possam conversar.

Porque uma não existiria sem a outra.

A esperança também nasce daquilo que já conseguimos superar

Outubro é, no Calendário SoLu@, o mês do Optimismo e da Esperança.

E há uma forma de esperança que nem sempre reconhecemos.

Aquela que nasce quando olhamos para trás e percebemos:

Já enfrentámos dias que julgávamos não conseguir atravessar.

Já encontrámos soluções para problemas que pareciam não ter resposta.

Já aprendemos a viver com mudanças que não escolhemos.

Já recomeçámos mais vezes do que imaginávamos.

Isto não significa que o futuro seja fácil ou que tudo acabe por correr como desejamos.

Mas recorda-nos que temos uma história de aprendizagem, adaptação e coragem.

A esperança não precisa de nascer da certeza de que tudo vai correr bem. Pode nascer da confiança de que continuaremos a procurar o melhor caminho possível.

Um pequeno exercício de gratidão por ti

Hoje proponho-te algo diferente.

Em vez de escreveres uma lista de tudo aquilo por que estás grata, escreve uma pequena carta à mulher que foste.

Pensa em três momentos da tua vida:

1. Um momento em que foste corajosa.

Mesmo que ninguém tenha percebido o medo que sentias.

2. Um momento em que cuidaste de alguém.

Mesmo que esse gesto tenha passado despercebido.

3. Um momento em que continuaste.

Mesmo sem saber exactamente como seria o dia seguinte.

Agora termina esta frase:

«Obrigada à mulher que fui por…»

Não precisas de escrever muito.

Talvez algumas palavras sejam suficientes para começares a olhar para ti com mais carinho.

Para terminar…

Hoje quero agradecer à mulher que fui.

Àquela que sonhou, que amou, que cuidou, que teve medo, que chorou e que encontrou motivos para sorrir.

Àquela que nem sempre soube o que fazer, mas procurou fazer o melhor que conseguia.

Àquela que tantas vezes se colocou em último lugar.

E também àquela que, aos poucos, está a aprender que merece fazer parte das suas próprias prioridades.

Não sei tudo o que o futuro me reserva.

Sei apenas que quero continuar a aprender, a amar e a viver com mais consciência.

E que não preciso de desvalorizar a mulher que fui para me tornar na mulher que desejo ser.

Porque também merecemos ser reconhecidas por nós próprias.

Com carinho,

SoLu@ — Amor Incondicional

«Hoje agradeço à mulher que fui. Não por ter feito tudo bem, mas por nunca ter deixado de aprender a viver.»


E tu?

Se hoje pudesses encontrar a mulher que eras há dez ou vinte anos, o que lhe dirias?

Talvez não precisasses de lhe dar conselhos.

Talvez bastasse abraçá-la e dizer:

Obrigada. Fizeste o melhor que sabias. Agora deixa-me continuar.

Partilha comigo, nos comentários: pelo que gostarias de agradecer à mulher que foste?

Continua este caminho comigo

Este texto integra o Calendário SoLu@ de Outubro de 2026 — Optimismo e Esperança.

Descobre as reflexões e pequenas práticas do mês em Calendário SoLu@ — Outubro.

E, se gostas de encontrar nas palavras um espaço para pensar, sentir e crescer, acompanha a Newsletter SoLu@.

Porque não precisamos de fazer tudo de uma vez. Podemos continuar, um dia de cada vez.

Sugestão de Leituras:

Calendário SoLu@ — Outubro: Semana 2

Caminhos numa paisagem luminosa, simbolizando a maternidade, a confiança nos filhos e a esperança no futuro.

Confiar no que cresce

Amar também é aprender a acompanhar sem controlar. É continuar presente, mesmo quando os caminhos daqueles que amamos começam a afastar-se dos nossos.

Há momentos na vida em que percebemos que o tempo passou mais depressa do que imaginávamos.

Não porque os dias tenham sido curtos.

Mas porque, de repente, olhamos para os nossos filhos e já não encontramos apenas as crianças que embalámos, protegemos e acompanhámos nos primeiros passos.

Encontramos jovens com ideias próprias, responsabilidades, sonhos, preocupações e um mundo que começa a ser cada vez mais deles.

E nós, mães, precisamos de aprender a crescer também.

Esta segunda semana de Outubro começa, para mim, num dia muito especial.

11 de Outubro. O dia em que o meu primeiro filho completa 20 anos.

Vinte anos desde o dia em que nasceu ele e nasceu também uma parte de mim que ainda não conhecia.

Uma mãe.

Uma mulher que, sem saber exactamente como, começou a aprender uma das mais bonitas e exigentes formas de amar.

Hoje, vinte anos depois, continuo a aprender.

Mas já não se trata de ensinar a andar, de segurar uma mão pequena ou de proteger de todos os perigos.

Trata-se de descobrir como continuar presente sem ocupar todo o espaço.

Como aconselhar sem decidir.

Como cuidar sem impedir que cresçam.

E, sobretudo, como confiar.

Porque talvez uma das maiores provas de amor na maternidade seja esta:

acreditar nos nossos filhos, mesmo quando já não conseguimos acompanhar todos os seus passos.


O tema desta semana: confiar no que cresce

Durante muitos anos, os nossos filhos precisam de nós para quase tudo.

Somos quem organiza, acompanha, protege, explica, consola e tenta encontrar respostas.

E, de alguma maneira, habituamo-nos a esse lugar.

Um lugar cheio de responsabilidades, preocupações, cansaço, mas também de uma presença constante nas suas vidas.

Depois, lentamente, as coisas começam a mudar.

As conversas tornam-se diferentes.

Algumas perguntas deixam de ser feitas.

A porta do quarto fica fechada durante mais tempo.

Os amigos passam a ocupar um espaço maior.

A universidade traz novas rotinas, outras responsabilidades e uma independência que, durante tantos anos, desejámos que conquistassem.

E quando finalmente acontece, descobrimos que também nos custa.

Não porque não queiramos vê-los crescer.

Muito pelo contrário.

Sentimos orgulho.

Mas há uma parte de nós que sente saudades.

Saudades das gargalhadas que enchiam a casa.

Das histórias contadas à mesa.

Dos abraços espontâneos.

Do tempo em que conhecíamos quase todos os pequenos acontecimentos dos seus dias.

E talvez seja precisamente aqui que precisamos de aprender uma nova forma de esperança.

Na maternidade, a esperança não pode ser apenas desejar que tudo corra bem.

Também precisa de ser confiar na capacidade dos nossos filhos para construir o seu próprio caminho.

Mesmo quando não sabemos exactamente o que pensam.

Mesmo quando fazem escolhas diferentes das nossas.

Mesmo quando sentimos vontade de perguntar mais, aconselhar mais ou proteger um pouco mais.

Confiar não significa deixar de cuidar.

Significa perceber que o cuidado também precisa de mudar à medida que eles crescem.

E que, por vezes, a melhor forma de continuar ao lado deles é permitir que avancem com os seus próprios passos.


A intenção da semana

Esta semana, quero experimentar uma forma de amor mais tranquila.

Um amor que continua atento, mas que não precisa de controlar cada detalhe.

Que sabe perguntar, mas também escutar.

Que sabe aconselhar, mas respeita escolhas diferentes.

Que reconhece preocupações sem transformar todos os silêncios em problemas.

Que oferece ajuda, mas permite autonomia.

Talvez esta intenção se aplique aos filhos.

Mas também às relações, às amizades e às pessoas que amamos.

Porque nem sempre é fácil aceitar que aqueles que fazem parte da nossa vida também precisam de espaço para construir a sua própria história.

A intenção desta semana é simples:

Acompanhar quem amo com presença e confiança, sem tentar controlar cada passo.

Frase SoLu@

“Amar também é confiar no caminho que já não podemos percorrer por eles.” — SoLu@


A confiança também se pratica

Às vezes acreditamos que confiar é simplesmente deixar de ter medo.

Mas talvez não seja.

Talvez confiar seja reconhecer o medo e, ainda assim, não permitir que ele tome todas as decisões.

Na maternidade, isto pode ser especialmente difícil.

Preocupamo-nos porque amamos.

Queremos saber se estão bem.

Se são felizes.

Se têm amigos.

Se estão a conseguir lidar com as responsabilidades.

Se guardam tristezas que não conseguimos perceber.

E nem sempre encontramos respostas.

Mas existe uma diferença entre estar disponível e procurar controlar aquilo que já não nos pertence decidir.

Esta semana, experimenta perguntar:

Estou a oferecer apoio ou estou a tentar evitar que alguém viva uma experiência que precisa de ser sua?

Às vezes, confiar pode significar:

Escutar sem interromper.

Perguntar sem insistir.

Aconselhar sem exigir.

Respeitar um momento de silêncio.

Deixar que alguém tome uma decisão.

Aceitar que nem tudo acontecerá como imaginámos.

Ou simplesmente dizer:

Estou aqui, se precisares.

Sem acrescentar condições.

Sem exigir explicações.

Sem esperar que tudo seja partilhado.

E há também momentos em que amar implica aproximarmo-nos, perguntar com cuidado e oferecer ajuda, sobretudo quando percebemos que alguém está realmente a sofrer.

Acompanhar sem controlar não significa ignorar.

Significa procurar o equilíbrio entre a liberdade e a presença.


Mini desafio da semana

Um gesto de confiança

Escolhe uma pessoa que amas e por quem sentes alguma preocupação.

Pode ser um filho, o teu companheiro, um familiar ou alguém que esteja a atravessar uma fase de mudança.

Pensa numa situação em que tenhas sentido vontade de intervir.

Depois escreve:

“Quero aprender a confiar mais em…”

E completa a frase.

Pergunta a ti própria:

O que posso fazer para demonstrar confiança sem deixar de estar presente?

Talvez possas escutar mais.

Fazer uma pergunta diferente.

Dar tempo para uma decisão.

Evitar um conselho que ninguém pediu.

Ou ter uma conversa sincera sobre aquilo que sentes.

O desafio não é deixar de te preocupar.

Nem transformar a confiança numa obrigação.

É apenas experimentar um pequeno gesto que permita ao amor respirar um pouco mais.


Os dias desta semana

Domingo, 11 de Outubro — Paz

Frase: Há amores que crescem connosco e nos ensinam a ser pessoas diferentes.

Mensagem: Hoje é um dia especial para mim. Há vinte anos nasceu o meu primeiro filho e, com ele, nasceu também a mãe que continuo a aprender a ser. Olho para trás com gratidão e para a frente com esperança. O tempo mudou tanta coisa, mas não mudou o amor. Ensinou-me apenas que amar também é aceitar que os filhos crescem.

Prática: Recorda um momento de crescimento de alguém que amas. Repara no caminho que essa pessoa já percorreu e naquilo que também aprendeste ao acompanhá-la.

Pergunta: Consigo celebrar quem os meus filhos são hoje, sem ficar presa à saudade de quem foram ontem?

Gesto: Oferece um abraço, uma palavra de orgulho ou simplesmente um momento de presença.


Segunda-feira, 12 de Outubro — Felicidade / Gratidão

Frase: A gratidão ajuda-nos a reconhecer a beleza daquilo que mudou.

Mensagem: Por vezes, sentimos tantas saudades de uma fase da vida que nos esquecemos de apreciar a que estamos a viver. Os filhos crescem, as rotinas mudam e as relações transformam-se. Mas continuam a existir motivos para agradecer. Um sorriso. Uma conversa inesperada. Uma demonstração de carinho. A confiança que se constrói com o tempo.

Prática: Escreve três coisas que admiras hoje numa pessoa que viste crescer.

Pergunta: O que existe nesta fase da minha vida que merece ser celebrado, mesmo sendo diferente daquilo que vivi antes?

Gesto: Diz a alguém aquilo que admiras nele, sem acrescentar expectativas ou conselhos.


Terça-feira, 13 de Outubro — Vida

Frase: Crescer é descobrir caminhos que nem sempre conseguimos antecipar.

Mensagem: A vida não acontece exactamente como imaginámos. Nem para nós, nem para os nossos filhos. Há escolhas inesperadas, mudanças de planos, erros e descobertas. Fazem parte da construção de uma identidade própria. Podemos transmitir valores e oferecer orientação, mas cada pessoa precisa de aprender a viver a sua própria história.

Prática: Recorda uma decisão importante que tomaste quando eras mais nova. O que aprendeste por teres feito essa escolha?

Pergunta: Estou a permitir que aqueles que amo aprendam com as suas experiências?

Gesto: Escuta uma opinião diferente da tua sem tentares imediatamente corrigi-la.


Quarta-feira, 14 de Outubro — Atitude

Frase: Estar presente não significa ter de decidir tudo.

Mensagem: Muitas vezes, a vontade de ajudar leva-nos a oferecer soluções antes de percebermos se são necessárias. Mas nem sempre quem amamos procura uma resposta. Às vezes, precisa apenas de ser ouvido, compreendido e respeitado. A confiança também se constrói quando reconhecemos a capacidade do outro para pensar e decidir.

Prática: Numa conversa, experimenta perguntar: Queres a minha opinião ou preferes que te escute?

Pergunta: Estou a ajudar esta pessoa a encontrar o seu caminho ou a tentar conduzi-la pelo meu?

Gesto: Escuta até ao fim, sem interromper com soluções.


Quinta-feira, 15 de Outubro — Pensamentos positivos

Frase: Nem todos os silêncios escondem tristeza. Nem todas as mudanças significam distância.

Mensagem: Quando amamos muito alguém, podemos interpretar pequenos sinais através das nossas preocupações. Uma conversa mais curta, uma porta fechada ou um momento de isolamento podem fazer-nos imaginar dificuldades que talvez não existam. Mas também não precisamos de ignorar aquilo que nos inquieta. Podemos observar, aproximar-nos com carinho e perguntar, sem tirar conclusões precipitadas.

Prática: Identifica uma preocupação recente e distingue aquilo que realmente sabes daquilo que estás a imaginar.

Pergunta: Estou a olhar para a realidade ou para os medos que sinto em relação a ela?

Gesto: Substitui uma suposição por uma pergunta cuidadosa: Como tens estado, a sério?


Sexta-feira, 16 de Outubro — Fé / Esperança

Frase: A esperança também é acreditar na força que ajudámos a construir.

Mensagem: Não podemos garantir que aqueles que amamos nunca irão sofrer. Não podemos evitar todas as dificuldades nem assegurar que cada escolha será acertada. Mas podemos acreditar que os valores, o amor e as experiências partilhadas lhes deram recursos para enfrentar a vida. E podemos continuar disponíveis quando precisarem de apoio.

Prática: Escreve três qualidades que reconheces numa pessoa que amas e que poderão ajudá-la nos seus desafios.

Pergunta: Consigo confiar nas capacidades dessa pessoa, mesmo quando tenho receio do que possa acontecer?

Gesto: Diz-lhe: Acredito em ti.


Sábado, 17 de Outubro — Amor

Frase: O amor não diminui quando damos espaço. Aprende a existir de outra maneira.

Mensagem: Amar não significa estar presente em todos os momentos, conhecer todos os pensamentos ou participar em todas as decisões. Há relações que crescem precisamente porque aprendemos a respeitar a individualidade de quem amamos. E talvez uma das mais bonitas formas de amor seja permitir que alguém seja verdadeiramente quem é, sabendo que tem em nós um lugar seguro.

Prática: Faz hoje alguma coisa com alguém que amas sem pressas, cobranças ou expectativas. Apenas pelo prazer de estarem juntos.

Pergunta: Como posso demonstrar amor respeitando também a liberdade do outro?

Gesto: Um abraço sem motivo. Uma conversa tranquila. Um convite para partilhar tempo.


Pergunta da semana

Como posso continuar presente sem impedir quem amo de encontrar o seu próprio caminho?

Talvez esta seja uma das perguntas mais difíceis da maternidade.

Porque não existe uma resposta única.

Há dias em que precisamos de nos aproximar.

Outros em que precisamos de dar espaço.

Há momentos em que um conselho pode ajudar.

Outros em que o silêncio respeitoso vale mais do que muitas palavras.

E há situações em que precisamos de reconhecer que não sabemos o que fazer.

Também nós continuamos a aprender.

Por vezes, podemos confundir a nossa preocupação com a necessidade de controlar.

Podemos querer evitar aos nossos filhos dificuldades que fizeram parte do nosso próprio crescimento.

Podemos acreditar que sabemos qual seria a melhor escolha.

Mas há uma verdade que a vida nos vai ensinando:

Os nossos filhos não vieram ao mundo para viver a vida que imaginámos para eles. Vieram para descobrir a sua.

E o nosso papel também é ajudá-los a desenvolver a confiança necessária para o fazer.

Isso não significa desaparecer das suas vidas.

Significa continuar a ser um lugar de amor, apoio e segurança, sem ocupar o espaço que precisam para crescer.

Talvez a pergunta não seja apenas como aprender a confiar neles.

Talvez também seja:

Como posso aprender a confiar um pouco mais na mãe que fui e na mãe que continuo a ser?


Reflexão final

Quando o meu primeiro filho nasceu, há vinte anos, não fazia ideia de tudo aquilo que a maternidade me iria ensinar.

Não sabia quantas vezes iria sentir medo.

Quantas noites iria ficar acordada.

Quantas decisões iria questionar.

Quantos momentos de alegria e orgulho caberiam numa única vida.

Nem imaginava que um dia sentiria saudades de coisas tão simples como ouvir as gargalhadas daquele menino que parecia ter sempre vontade de brincar e dançar.

Hoje olho para ele e vejo um jovem adulto.

Carinhoso com a família.

Responsável.

Com capacidades, sonhos e uma vida inteira pela frente.

Vejo também um mundo que já não conheço por completo.

Amigos, interesses, conversas e pensamentos que são seus.

E isso faz parte de crescer.

Por vezes, continuo a perguntar-me se estará verdadeiramente feliz.

Se estará a encontrar o seu lugar.

Se saberá que, mesmo quando prefere estar no seu espaço, continuo aqui.

Mas tenho aprendido que não preciso de ter todas as respostas para continuar a amá-lo.

Nem preciso de conhecer todos os seus pensamentos para confiar no caminho que está a construir.

Talvez este seja um dos grandes desafios de ser mãe de filhos crescidos.

Aprender que o amor não termina quando deixamos de ser necessárias da mesma maneira.

Transforma-se.

Deixa de segurar constantemente a mão.

Mas continua disponível para a receber.

Deixa de escolher todos os caminhos.

Mas continua a desejar que sejam caminhos de crescimento, felicidade e sentido.

E, sobretudo, continua a acreditar.

A acreditar nas pessoas em que os nossos filhos se estão a transformar.

Naquilo que lhes transmitimos.

Na capacidade que têm para descobrir, errar, aprender e recomeçar.

E também na nossa própria capacidade para viver esta nova etapa da maternidade.

Porque os filhos crescem.

Mas as mães também.

E talvez amar seja precisamente isto: continuar a caminhar ao lado de alguém, mesmo quando os nossos passos já não seguem exactamente o mesmo ritmo.

Esta semana, quero recordar-me de uma coisa:

Não preciso de proteger os meus filhos de toda a vida.

Preciso de continuar a amá-los enquanto aprendem a vivê-la.

Frase para guardar

“Confiar no que cresce é continuar a amar, mesmo quando já não podemos escolher o caminho.” — SoLu@


Ligações de Outubro

Esta reflexão faz parte do Calendário SoLu@ — Outubro: Optimismo e Esperança.

Na Semana 1 — Escolher acreditar outra vez, falámos sobre encontrar motivos para continuar a acreditar, mesmo quando a vida não nos oferece certezas.

Nesta segunda semana, levamos essa esperança para as relações e, particularmente, para a maternidade.

Porque confiar também é uma forma de esperança.

E porque nem sempre conseguimos acompanhar os nossos filhos da maneira que gostaríamos, mas podemos continuar a ser uma presença segura nas suas vidas.

Memórias que continuam vivas

O dia 11 de Outubro tem um significado muito especial na minha história.

Ao longo dos anos, fui escrevendo sobre o crescimento do meu primeiro filho, guardando palavras, emoções e memórias de diferentes fases da nossa vida.

No Arquivo SoLu@, essas palavras continuam a viver.

Algumas destas memórias podem ser revisitadas nos textos que escrevi por ocasião dos seus aniversários:

Reler estes textos é também perceber como a maternidade se transforma.

As crianças crescem.

As preocupações mudam.

O tempo passa.

Mas algumas coisas permanecem.

O amor.

A memória.

E a esperança de que os nossos filhos encontrem uma vida que faça sentido para eles.

O Arquivo SoLu@ não é apenas uma coleção de textos antigos.

É também uma forma de reencontrar quem fomos e compreender melhor quem somos hoje.


Queres viver Outubro comigo?

Não precisas de ser mãe para viver esta semana.

Talvez estejas a aprender a confiar num filho.

Numa relação.

Numa amizade.

Num projecto.

Ou até em ti própria.

Todos temos alguma coisa na vida que precisamos de aprender a acompanhar sem controlar.

E nem sempre é fácil.

Não precisas de cumprir todas as práticas.

Não precisas de responder a todas as perguntas.

Não precisas de deixar de sentir preocupação para conseguires confiar.

O calendário é um guia, não uma prisão.

Escolhe uma frase.

Guarda uma pergunta.

Experimenta um gesto.

Ou simplesmente permite-te pensar sobre aquilo que precisas de aprender a deixar crescer.

Um dia de cada vez.

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Sem pressas.

Sem obrigações.

Com carinho.

SoLu@ 🤍


Perguntas frequentes

Como aprender a confiar mais nos filhos quando crescem?

A confiança constrói-se reconhecendo as capacidades dos filhos, permitindo-lhes tomar decisões adequadas à sua maturidade e mantendo uma relação aberta ao diálogo. Não significa deixar de acompanhar, mas ajustar a forma como oferecemos apoio.

Acompanhar sem controlar significa deixar de estabelecer limites?

Não. A autonomia cresce com a maturidade e a responsabilidade. Os limites continuam a ser importantes, sobretudo na infância e adolescência, mas devem evoluir para permitir maior participação dos filhos nas decisões que lhes dizem respeito.

Como lidar com a saudade dos filhos pequenos?

É natural sentir saudades das fases que passaram, mesmo estando feliz pelo crescimento dos filhos. Reconhecer essas emoções e procurar novas formas de proximidade pode ajudar a viver a maternidade actual sem ficar apenas presa ao passado.

E quando sinto que o meu filho está mais isolado?

Nem todos os momentos de recolhimento significam sofrimento. Mas mudanças persistentes de humor, afastamento das relações, perda de interesse ou dificuldades no dia-a-dia merecem atenção. O importante é aproximarmo-nos sem julgamentos, escutar e procurar apoio profissional quando necessário.

Como se relacionam a esperança e a maternidade?

Na maternidade, a esperança pode significar acreditar no desenvolvimento dos filhos sem exigir que tudo aconteça como imaginámos. É confiar nas suas capacidades, aceitar a incerteza e continuar a oferecer amor e apoio ao longo do caminho.

20 anos de Amor Incondicional — O meu primeiro Filho ❤️

20 anos de Amor Incondicional — O meu primeiro Filho

Há 20 anos realizava o sonho de ser Mãe. Hoje continuo a aprender a amar-te, em cada nova fase da tua vida.

11 de Outubro de 2026

Meu querido, meu pequeno Príncipe! ❤️

20 anos!

Meu Deus, como passou tão depressa o tempo!

Parece que foi ontem que estava naquela maternidade, numa noite longa, cheia de ansiedade, dores, expectativas e uma felicidade imensa por saber que estava prestes a conhecer-te.

Recordo aquela noite, o teu Pai a chegar de manhã, as horas que pareciam não passar e, finalmente, à hora de almoço, o momento tão esperado…

Chegaste aos nossos braços!

E naquele instante, sem que eu soubesse ainda tudo o que isso significava, a minha vida mudou para sempre.

Nascias tu. Nascia uma Mãe. Nascia uma nova forma de Amar.

Ser Mãe era um dos meus maiores sonhos. E foste tu que me deste a oportunidade de o realizar pela primeira vez.

Há 20 anos que caminhamos juntos nesta aventura maravilhosa, desafiante e tantas vezes imprevisível que é a maternidade.

E como crescemos, meu Filho!

Ainda me lembro daquele menino…

Daquele menino alegre, sorridente, bem-disposto, que dançava, brincava e parecia encontrar sempre uma razão para sorrir.

Lembro-me da tua alegria, da tua energia, das tuas brincadeiras, das gargalhadas que enchiam a nossa casa.

Do meu pequeno Príncipe, que crescia de dia para dia e me surpreendia com cada nova descoberta.

Hoje, quando olho para trás, há momentos que gostava de poder viver novamente.

Não para mudar alguma coisa.

Apenas para os sentir mais uma vez.

Voltar a pegar na tua mão pequenina, abraçar-te com aquele tamanho, ouvir as tuas gargalhadas de criança, ver-te brincar e dançar com a despreocupação de quem ainda tem tanto mundo por descobrir.

Como é possível já terem passado 20 anos?

Há memórias que o tempo não apaga. Ficam guardadas num lugar muito especial do nosso coração.

E as tuas fazem parte das mais bonitas da minha vida.

Hoje olho para ti e vejo um jovem adulto…

Um jovem que está a construir o seu próprio caminho.

Já estás na universidade, a viver novas experiências, a assumir responsabilidades, a tomar decisões e a descobrir, aos poucos, aquilo que queres para o teu futuro.

Tens as tuas ideias, as tuas opiniões, os teus interesses e uma maneira muito própria de olhar para o mundo.

E eu tenho tanto orgulho em ti!

Orgulho no filho carinhoso que continuas a ser com a tua família.

Na tua responsabilidade, no teu sentido de compromisso, na forma como procuras cumprir as tuas obrigações.

Na tua inteligência, na tua capacidade de aprender, de pensar, de questionar e de procurar as tuas próprias respostas.

Vejo em ti tantas capacidades, tantas possibilidades, tanto futuro por descobrir!

Acredito verdadeiramente que tens tudo para construíres uma vida extraordinária.

Mas sabes uma coisa, meu Querido?

Não precisas de conquistar o mundo para nos encheres de orgulho.

Não precisas de ser o melhor, de acertar sempre ou de corresponder às expectativas dos outros.

Porque o nosso orgulho não depende dos teus resultados, das tuas conquistas ou do caminho profissional que vieres a escolher.

Tenho orgulho em ti, simplesmente por seres quem és.

Também eu continuo a aprender a ser tua Mãe…

Quando nasceste, pensei que a minha missão seria ensinar-te a crescer.

Ensinar-te a andar, a falar, a distinguir o certo do errado, a acreditar em ti, a respeitar os outros e a descobrir o mundo.

Mas ninguém me explicou que, um dia, teria também de aprender a deixar-te caminhar sem segurar constantemente a tua mão.

Que teria de aprender a respeitar os teus silêncios, as tuas escolhas, as tuas opiniões e o teu espaço.

Que chegaria o tempo em que já não me contarias tudo, em que terias os teus próprios amigos, os teus interesses e um mundo que nem sempre conheceria por completo.

E sabes?

Também isso faz parte de crescer.

Tu cresces como filho.

Eu cresço como Mãe.

Aprendo a confiar mais, a perguntar menos e a escutar melhor.

Aprendo que estar presente não significa estar sempre por perto.

Que proteger não é impedir que enfrentes dificuldades.

Que amar também é dar liberdade.

Nem sempre é fácil, confesso.

Há momentos em que sinto saudades daquele menino que procurava o meu colo, que partilhava espontaneamente as suas descobertas e que precisava de nós para quase tudo.

Mas depois olho para ti e percebo que é precisamente isto que desejamos para os nossos filhos: que cresçam, que sejam autónomos, que descubram quem são e que encontrem o seu lugar no mundo.

Tenho saudades do menino que foste, mas quero continuar a descobrir, com amor e respeito, o homem em que te estás a tornar.

Acima de tudo, desejo que sejas Feliz! ❤️

Ao longo destes 20 anos, desejei-te muitas coisas.

Saúde, alegria, amor, amizades verdadeiras, coragem, oportunidades e sonhos realizados.

Desejei que estudasses, que aprendesses, que fizesses boas escolhas e que tivesses todas as ferramentas necessárias para construíres o teu futuro.

Continuo a desejar-te tudo isso.

Mas, à medida que os anos passam, percebo cada vez melhor que há algo ainda mais importante.

Quero que sejas feliz. Feliz à tua maneira.

Que encontres um caminho que faça sentido para ti.

Que tenhas amigos com quem possas rir até te doer a barriga.

Que nunca percas a capacidade de brincar, de te entusiasmares com as pequenas coisas e de encontrares alegria nos momentos mais simples.

Que não deixes que as exigências da vida adulta te façam esquecer a leveza daquele menino que dançava simplesmente porque lhe apetecia.

E que saibas que não tens de estar sempre bem.

A vida nem sempre será fácil.

Haverá dias de entusiasmo e outros de desilusão. Momentos de certeza e outros de dúvida. Conquistas, erros, mudanças de planos e recomeços.

E está tudo bem.

Não precisas de ter todas as respostas aos 20 anos.

Não precisas de saber exactamente onde queres chegar.

Não precisas de demonstrar força em todos os momentos.

Quero apenas que nunca deixes de acreditar em ti, no teu valor e nas possibilidades que a vida ainda tem para te oferecer.

E, nos dias em que não conseguires acreditar tanto em ti, lembra-te de que nós continuaremos a acreditar.

Não para escolhermos o teu caminho por ti, mas para te recordarmos que és capaz de encontrar o teu próprio rumo.

Que nunca te falte um lugar a que chamar Casa…

Meu Filho, há algo que quero que leves contigo para a vida.

Por mais anos que passem, por mais longe que vás, por mais independente que te tornes, haverá sempre um lugar onde podes regressar.

Um lugar onde não precisas de provar nada.

Onde podes ser forte ou vulnerável, estar alegre ou triste, ter certezas ou dúvidas.

Onde podes conversar, ficar em silêncio, pedir ajuda ou simplesmente encontrar um abraço.

Esse lugar será sempre a tua família.

O nosso amor não depende da tua idade, das tuas escolhas ou dos teus sucessos.

Podemos nem sempre concordar contigo. Podemos ter opiniões diferentes. Podemos até não compreender imediatamente algumas das tuas decisões.

Mas nada disso muda o essencial.

És nosso Filho. És amado. E sê-lo-ás sempre.

É isso que significa, para mim, o Amor Incondicional.

Não é querer viver a tua vida por ti.

É amar-te profundamente enquanto aprendes a vivê-la à tua maneira.

20 anos depois… obrigada, meu pequeno Principe!

Obrigada por me teres tornado Mãe.

Por teres sido o meu primeiro grande professor nesta aventura da maternidade.

Contigo aprendi a amar de uma forma que até então não conhecia.

Aprendi que o coração pode crescer muito para além daquilo que imaginamos.

Que ser Mãe é viver com uma parte de nós no mundo, a descobrir a vida através de outros olhos.

Aprendi que não existem mães perfeitas.

Existem mães que amam, que tentam acertar, que também erram, que aprendem, que pedem desculpa e que procuram fazer melhor.

E continuo a aprender.

Há 20 anos, o meu maior desejo era ter-te nos braços.

Hoje, o meu maior desejo é ver-te construir uma vida na qual te sintas realizado, amado, respeitado e verdadeiramente feliz.

Se pudesse pedir-te uma única coisa neste aniversário, seria esta: nunca deixes de cuidar de ti, dos teus sonhos e da tua felicidade.

O mundo pode esperar por muitas conquistas tuas.

Nós queremos, acima de tudo, que vivas.

Que ames.

Que sorrias.

Que encontres paz no teu coração.

E que nunca percas a esperança, mesmo quando os dias forem mais difíceis.

Feliz 20.º Aniversário, meu Príncipe! 🎂❤️

Hoje celebramos os teus 20 anos.

Duas décadas de vida.

Duas décadas de memórias, descobertas, aprendizagens e muito Amor.

E celebro também os meus 20 anos como Mãe.

A mulher que era antes de nasceres já não é a mesma.

Tu transformaste-me.

Fizeste-me descobrir forças que desconhecia, medos que nunca tinha sentido e uma capacidade de Amar que continua a crescer contigo.

Sei que a vida nos reserva ainda muitas mudanças.

Novos caminhos, novas conquistas, novos desafios.

Talvez um dia leias estas palavras, muitos anos depois, e compreendas de outra maneira tudo aquilo que hoje te tento dizer.

Mas quero que, nesse dia, encontres aqui uma certeza que nunca envelhece.

O tempo passa. Os filhos crescem. A vida muda. Mas o Amor verdadeiro acompanha-nos em todas as suas fases.

Há 20 anos, recebemos-te nos nossos braços.

Hoje, continuamos a acompanhar-te com o coração.

Segue o teu caminho, meu Filho.

Sonha muito!

Acredita em ti!

Sê gentil, sê verdadeiro e nunca deixes de ser tu próprio.

E, sobretudo…

Sê Feliz! ❤️

Obrigada por nos teres escolhido a nós como Pais!

Os teus Pais amam-te incondicionalmente!

Ontem, hoje e sempre.

Com todo o meu Amor,

A tua Mãe, SoLu@ ❤️

20 anos de memórias, uma vida inteira de Amor

Desde os antigos Blogs SAPO que tenho guardado palavras para os aniversários do meu primeiro filho. Hoje, no SoLu@, continuo esta tradição, preservando os textos que contam a nossa história.

Podes ler também:

  • 19 anos — Amor Incondicional
  • 18 anos — Amor Incondicional
  • 17 anos — Amor Incondicional
  • 16 anos — Amor Incondicional
  • 15 anos — Amor Incondicional
  • 6.º aniversário do meu pequeno Príncipe

A mulher que eu era também faz parte da mulher que sou

Mulher a reflectir sobre quem era, crescimento pessoal e recomeços

Sexta-feira Nostálgica | Uma conversa entre aquilo que escrevi em 2021 e aquilo que hoje sei sobre a vida

Há textos antigos que nos fazem sorrir.

Outros fazem-nos pensar:

Eu ainda sou esta pessoa?

E depois existem aqueles que nos devolvem perguntas que nunca ficaram verdadeiramente respondidas.

Foi o que aconteceu quando voltei ao Arquivo SoLu@ e encontrei um texto que escrevi em Maio de 2021:

“Mãe, qual é o sentido da vida?”

A pergunta tinha sido feita pelo meu filho.

À noite.

Daquelas perguntas pequenas no número de palavras e enormes em tudo o resto.

Na altura respondi-lhe.

Cinco anos depois, voltei a ler a minha resposta.

E desta vez fiquei a olhar não apenas para aquilo que escrevi, mas também para a mulher que escreveu aquelas palavras.

Será que hoje responderia da mesma maneira?

“Mãe, qual é o sentido da vida?”

Em 2021, escrevi que o meu filho me tinha perguntado qual era o sentido da vida.

Respondi-lhe falando de fazer o bem, de viver plenamente, de aproveitar as oportunidades, de procurar ser feliz e de contribuir também para a felicidade daqueles que nos rodeiam.

E, antes de me despedir dele naquela noite, disse-lhe uma coisa que continuo a sentir:

“Tu és um dos propósitos da minha vida.”

Cinco anos depois, continuo a reconhecer aquela mãe.

Continuo a acreditar profundamente no amor.

Continuo a acreditar que aquilo que fazemos pelos outros importa.

Continuo a acreditar que as nossas escolhas podem deixar o mundo — ou simplesmente a vida de alguém — um pouco melhor.

Mas talvez hoje acrescentasse algumas coisas àquela resposta.

Os nossos filhos podem ser um propósito. Mas não podem ser todo o nosso propósito.

Esta talvez seja uma das coisas que o tempo me ensinou.

Durante muitos anos, uma enorme parte da minha vida esteve naturalmente organizada à volta dos meus filhos.

Os horários.

A escola.

As preocupações.

As refeições.

As actividades.

Os sonhos deles.

As dificuldades.

As conquistas.

A necessidade permanente de estar presente.

E eu quis estar.

Ainda quero.

Mas os filhos crescem.

Começam a fazer escolhas sem nós.

Partem para os seus caminhos.

Descobrem pessoas, lugares, sonhos e versões deles próprios que já não conseguimos controlar — nem devemos.

E talvez seja precisamente quando eles começam a voar que surge uma pergunta inesperada para nós, mães:

E eu?

Quem sou quando já não precisam de mim da mesma maneira?

O que quero continuar a construir?

O que me faz feliz?

Onde estão os meus sonhos?

O que dá sentido à minha vida nesta nova fase?

Talvez o sentido da vida também vá mudando

Em 2021 procurei responder àquela pergunta.

Hoje talvez aceitasse melhor que não tenho uma resposta definitiva.

E isso já não me inquieta da mesma forma.

Talvez porque tenha percebido que o sentido da vida não precisa de ser uma grande missão escrita para sempre.

Pode mudar.

Pode ter fases.

Há momentos em que o nosso propósito parece ser cuidar.

Outros em que precisamos de aprender.

Outros de sobreviver.

Outros de reconstruir.

Há momentos de partir e outros de ficar.

Há épocas em que fazemos planos.

E outras em que a própria vida os faz por nós.

Talvez viver com sentido seja também aprender a reconhecer aquilo que cada fase nos está a pedir.

A mulher de 2021 procurava respostas

Ao reler aquele texto, percebi outra coisa.

Eu procurava respostas.

Queria compreender.

Queria encontrar uma espécie de fio que ligasse aquilo que vivemos à razão por que estamos aqui.

Hoje continuo a fazer perguntas.

Mas talvez já não tenha tanta necessidade de encontrar uma resposta absoluta para todas elas.

Porque a vida ensinou-me que podemos viver coisas para as quais nunca encontraremos uma explicação satisfatória.

Há perdas que não conseguimos compreender.

Mudanças que não pedimos.

Sonhos que não aconteceram.

Pessoas que partiram.

Caminhos que tivemos de abandonar.

E existem também surpresas bonitas que nunca tínhamos planeado.

Talvez amadurecer seja perceber que podemos continuar a viver com sentido mesmo quando não compreendemos completamente aquilo que a vida nos trouxe.

Fazer as pazes com aquilo que fomos

Foi isto que mais senti ao reler o texto.

Não quero corrigir a mulher que o escreveu.

Não quero dizer-lhe:

“Hoje já não escreverias isto assim.”

Claro que não.

Passaram cinco anos.

A vida aconteceu.

Eu mudei.

Mas aquela mulher sabia aquilo que podia saber naquele momento.

Amava como sabia amar.

Educava como sabia educar.

Procurava respostas com a experiência que tinha.

Sonhava a partir da vida que conhecia.

E tudo isso também me trouxe até aqui.

Talvez uma das formas mais bonitas de crescimento seja conseguirmos olhar para trás sem vergonha da pessoa que fomos.

Sem a julgar permanentemente com os olhos da pessoa que somos hoje.

Podemos simplesmente dizer:

Estavas a aprender.

Tal como eu continuo a aprender.

Isto também é autocuidado

Setembro tem sido, no Calendário SoLu@, um mês de Autocuidado e Recomeço.

Falámos de voltar devagar.

De nos incluirmos novamente nas nossas próprias rotinas.

De deixar os filhos crescer.

De encontrar novos equilíbrios.

De cuidar de nós sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação.

E agora percebo que falta acrescentar outra coisa:

autocuidado também pode ser fazer as pazes com a nossa própria história.

Perdoar algumas escolhas.

Compreender algumas decisões.

Aceitar que nem sempre sabíamos o que estávamos a fazer.

E reconhecer que houve versões nossas que tiveram de ser muito fortes para que hoje pudéssemos estar aqui.

“Cada pessoa segue o seu caminho”

Há uma frase que encontrei nos comentários daquele texto antigo.

Escrevi:

“Cada pessoa segue o seu caminho e faz a diferença no mundo.”

Em 2021 provavelmente pensei sobretudo nos nossos filhos e nas pessoas a quem tentamos transmitir alguma coisa.

Hoje leio-a de outra maneira.

Porque também nós continuamos a seguir o nosso caminho.

Mesmo depois de sermos mães.

Mesmo depois dos quarenta ou dos cinquenta.

Mesmo depois das mudanças.

Mesmo depois das perdas.

Mesmo depois dos planos que não resultaram.

Enquanto estivermos aqui, o nosso caminho não está terminado.

E talvez esta seja uma das respostas que hoje daria ao meu filho.

Então, qual é o sentido da vida?

Se ele me perguntasse novamente hoje, talvez começasse por dizer:

Não sei se existe uma resposta igual para todos.

Mas sei algumas coisas.

Sei que amar importa.

Que aquilo que fazemos aos outros importa.

Que estar presente importa.

Que aprender importa.

Que cuidar de nós também importa.

Que podemos recomeçar muitas vezes.

Que os nossos filhos são parte da nossa história, mas precisam de escrever a deles.

E que nós também temos o direito — e talvez a responsabilidade — de continuar a escrever a nossa.

Talvez uma vida com sentido não seja necessariamente uma vida extraordinária.

Talvez seja uma vida verdadeiramente vivida.

Com amor.

Com erros.

Com perguntas.

Com perdas.

Com sonhos.

Com pessoas.

Com coragem para mudar.

E com gratidão suficiente para reconhecer tudo aquilo que já fomos.

A mulher que eu era continua aqui

Quando criei o Arquivo SoLu@, não quis apenas salvar textos antigos.

Quis guardar memória.

Hoje percebo melhor porquê.

Porque quando volto a esses textos não encontro apenas palavras.

Encontro versões minhas.

A mãe.

A mulher.

A sonhadora.

Aquela que procurava respostas.

Aquela que acreditava que podia fazer melhor.

Aquela que algumas vezes se perdeu.

E aquela que continuou.

Nenhuma delas precisa de desaparecer para eu poder ser quem sou hoje.

Pelo contrário.

A mulher que eu era também faz parte da mulher que sou.

E da mulher que ainda estou a aprender a ser.

Talvez seja esse o verdadeiro significado desta Sexta-feira Nostálgica.

Não voltar ao passado para lá ficar.

Mas visitá-lo.

Conversar com ele.

Agradecer-lhe aquilo que nos ensinou.

E depois regressar ao presente um pouco mais conscientes do caminho que já percorremos.

Para guardar

Não preciso de rejeitar a mulher que fui para continuar a crescer.
Posso agradecer-lhe o caminho e continuar a escrever a minha história.

Um dia de cada vez.

💛


Do Arquivo para o presente

Esta reflexão nasceu do texto “Mãe, qual é o sentido da vida?”, publicado originalmente a 22 de Maio de 2021 e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

👉 Ler o texto original no Arquivo SoLu@

Continua a ler no SoLu@

→ Recomeçar não é voltar ao princípio

→ Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

→ Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

E tu?

Se pudesses sentar-te hoje ao lado da mulher que eras há cinco, dez ou vinte anos, o que lhe dirias?

O que mudarias?

E, sobretudo:

o que lhe agradecerias?

💌 Se estas reflexões também fazem sentido para ti, acompanha a Newsletter SoLu@. Um espaço mais próximo para continuarmos a falar sobre amor, maternidade, crescimento pessoal e vida com sentido.

Sexta-feira Nostálgica — Amor de mãe: aquilo que muda quando os filhos crescem

Amor de mãe quando os filhos crescem e começam os seus próprios caminhos

Em 2006 escrevia sobre o amor de uma mãe que ainda estava a nascer. Vinte anos depois, volto a essas palavras quando os meus filhos começam a construir os seus próprios caminhos.

Há textos antigos que são quase fotografias.

Não mostram apenas aquilo que aconteceu.

Mostram quem éramos naquele momento.

O que sonhávamos.

Aquilo que ainda não sabíamos.

E, às vezes, quando voltamos a lê-los muitos anos depois, percebemos que a vida respondeu a perguntas que nem sequer sabíamos que estávamos a fazer.

Foi isso que senti quando voltei ao Arquivo SoLu@ e encontrei um pequeno texto chamado «Amor de Mãe», escrito a 13 de Abril de 2006.

Vinte anos.

É estranho escrever isto.

Porque naquele texto encontro uma mulher no início da maternidade, a tentar imaginar o amor que começava a crescer dentro dela.

Hoje leio-a com os olhos de quem já viveu tantas páginas dessa história.

E há uma frase que me ficou especialmente no coração:

«Vai ser ele próprio.»

Talvez eu ainda não soubesse, naquele momento, tudo aquilo que essas palavras iriam significar.

Eu queria que eles fossem eles próprios

É curioso.

Quando os filhos são pequenos, dizemos tantas vezes que queremos educá-los para serem autónomos.

Queremos que pensem.

Que saibam escolher.

Que tenham valores.

Que tenham coragem.

Que encontrem aquilo que os faz felizes.

Que não vivam apenas para corresponder às expectativas dos outros.

Queremos que tenham asas.

E passamos anos a ajudá-los a construí-las.

Ensinamos a andar.

Depois a atravessar a rua.

A estudar.

A resolver problemas.

A assumir responsabilidades.

A tomar decisões.

A levantarem-se quando alguma coisa corre mal.

Vamos soltando a mão aos poucos, quase sem perceber.

Até chegar o dia em que começam verdadeiramente a voar.

E descobrimos uma coisa para a qual talvez ninguém nos prepare:

desejar que os nossos filhos sejam autónomos e vê-los tornarem-se autónomos são experiências muito diferentes.

Durante muitos anos, amar significou fazer

Ser mãe foi, durante muito tempo, uma sucessão interminável de verbos.

Preparar.

Levar.

Buscar.

Organizar.

Lembrar.

Cuidar.

Perguntar.

Proteger.

Resolver.

Estar.

Havia mochilas, consultas, trabalhos da escola, actividades, horários, refeições, doenças, preocupações, conversas, zangas, abraços e uma infinidade de pequenos gestos que enchiam os dias.

Durante muitos anos fomos necessárias de uma forma muito concreta.

E depois a maternidade começa lentamente a mudar.

Eles já não precisam que façamos tudo.

Não contam tudo.

Tomam decisões sem nos consultar.

Criam rotinas que já não passam pela nossa agenda.

Entram na Universidade.

Vão para os seus alojamentos.

Criam amizades, relações, ideias, escolhas e uma vida que lhes pertence cada vez mais.

Como deve pertencer.

E nós continuamos aqui.

Mas precisamos de descobrir como estar.

O amor não diminui. Muda de lugar.

Talvez seja esta uma das coisas que estou a aprender nesta fase.

O amor de mãe não fica mais pequeno quando os filhos crescem.

Mas deixa de poder manifestar-se sempre da mesma maneira.

Há uma altura em que amar já não é fazer por eles.

É confiar que conseguem fazer.

Já não é evitar todas as quedas.

É saber que terão de cair algumas vezes e confiar que possuem recursos para se levantar.

Já não é escolher o caminho.

É permanecer suficientemente perto para que saibam que podem procurar-nos quando precisarem.

É aconselhar sem decidir.

Acompanhar sem controlar.

Perguntar sem invadir.

Estar disponível sem exigir que precisem de nós.

E talvez esta seja uma das formas mais difíceis do amor.

Porque proteger dá-nos a sensação de que estamos a fazer alguma coisa.

Confiar obriga-nos, muitas vezes, simplesmente a esperar.

«Vai ser ele próprio.»

Volto àquela frase escrita em 2006.

Vai ser ele próprio.

Na altura talvez fosse apenas um desejo.

Hoje percebo a dimensão dessas palavras.

Porque querer verdadeiramente que um filho seja ele próprio significa aceitar que nem sempre escolherá aquilo que escolheríamos.

Terá os seus sonhos.

As suas opiniões.

Os seus amigos.

Os seus erros.

Os seus sucessos.

Os seus medos.

Os seus amores.

Os seus caminhos.

Haverá coisas que compreenderemos.

Outras talvez não.

E amar também será conseguir respeitar aquilo que é deles.

Talvez seja isso o amor incondicional sobre o qual comecei a escrever há tantos anos.

Não um amor que prende.

Não um amor que exige que alguém seja aquilo que imaginámos.

Mas um amor capaz de dizer:

eu estou aqui — e quero que encontres a tua própria maneira de estar no mundo.

Deixar crescer também mexe connosco

Nesta semana do Calendário SoLu@ tenho pensado muito em Deixar Crescer.

Porque quando os filhos crescem, não são apenas eles que mudam.

A maternidade também muda.

E nós mudamos com ela.

Há orgulho.

Muito.

Mas também há saudade.

Há preocupação.

Há silêncio.

Há quartos que ficam vazios mais vezes.

Há horários que já não conhecemos tão bem.

Há histórias das quais recebemos apenas alguns capítulos.

E existe aquela estranha sensação de perceber que fizemos exactamente aquilo que queríamos fazer:

criámos filhos capazes de caminhar sem nós.

Mas o coração precisa de algum tempo para aprender aquilo que a razão já compreendeu.

Talvez seja por isso que deixar crescer também seja um recomeço.

Para eles.

E para nós.

E quem sou eu nesta nova fase?

Há ainda outra pergunta que começa a aparecer.

Quando durante tantos anos uma grande parte da nossa vida se organiza em redor dos filhos, o que acontece quando eles começam a precisar menos dessa organização?

Quem fica?

A mãe continua.

Claro.

Talvez continue sempre.

Mas há também uma mulher que precisa de voltar a encontrar espaço.

Os seus projectos.

O seu corpo.

A sua relação.

Os seus sonhos.

As coisas que gosta de fazer.

O silêncio.

O tempo.

Aquilo que deixou para depois.

Não acredito que esta fase nos peça para sermos menos mães.

Talvez nos peça para aprendermos a ser mães sem deixarmos de voltar a ser também um pouco mais de nós próprias.

Vinte anos depois

Se pudesse falar hoje com a mulher que escreveu «Amor de Mãe», em Abril de 2006, não lhe contaria tudo.

Deixava-a viver.

Deixava-a descobrir os primeiros passos.

Os abraços.

As noites difíceis.

As gargalhadas.

Os medos.

Os irmãos que ainda haviam de chegar.

As alegrias.

As dúvidas.

As adolescências.

Os desafios.

E todos aqueles dias absolutamente normais que, muitos anos depois, percebemos que eram extraordinários.

Mas talvez lhe dissesse uma coisa:

Esse amor de que estás a escrever vai mudar muitas vezes de forma.

Haverá dias em que será colo.

Outros em que será firmeza.

Às vezes será uma conversa.

Às vezes será silêncio.

Um dia será também distância.

Confiança.

Liberdade.

E vais descobrir que deixar alguém crescer não significa amar menos.

Significa acreditar que todo aquele amor serviu também para isto:

dar raízes suficientemente fortes para que um dia possam usar as asas.

Da memória para o presente

Este texto nasceu da releitura de «Amor de Mãe», escrito a 13 de Abril de 2006 e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

Vinte anos depois, regresso às palavras daquela mãe que ainda estava a começar e encontro nelas uma pergunta que continua viva:

Como amar profundamente sem impedir que aqueles que amamos encontrem o seu próprio caminho?

Talvez ainda esteja a aprender a resposta.

Mas hoje sei um pouco mais.

Amar também é confiar.

Amar também é dar espaço.

Amar também é deixar crescer.

A eles.

E, talvez agora, também a mim.


Para pensar

Se és mãe ou pai de filhos que já começaram a ganhar autonomia, talvez conheças esta sensação.

O que foi mais difícil para ti à medida que os teus filhos cresceram: deixar de fazer por eles ou aprender a confiar que conseguem fazer sozinhos?

Gostava muito de te ler.

Talvez haja outras mães e outros pais a atravessar exactamente esta fase e a precisar de saber que não são os únicos.


🌿 Continua este caminho

📖 No Arquivo SoLu@
→ Ler o texto original: «Amor de Mãe»

🌿 No SoLu@
→ Quando os filhos vão para a Universidade: um novo ciclo começa
→ Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

🗓️ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço
→ Semana 3 — Deixar Crescer

Porque o Arquivo guarda quem fui.

E o SoLu@ acompanha quem continuo a tornar-me.

Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

Mãe a observar os filhos seguirem o seu caminho numa nova fase da vida

Há momentos em que os filhos começam uma vida nova e, quase sem darmos conta, nós também somos obrigadas a descobrir quem somos nesta nova fase.

Há mudanças que parecem pertencer aos nossos filhos.

A entrada na Universidade.
O primeiro quarto longe de casa.
Novos horários.
Novos amigos.
Mais autonomia.
Decisões que deixam, pouco a pouco, de passar por nós.

Olhamos para eles e pensamos que são eles que estão a começar uma nova etapa.

E estão.

Mas não são os únicos.

Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda.

Talvez esta seja uma das partes menos faladas da maternidade.

Falamos muito sobre preparar os filhos para crescerem.

Falamos sobre lhes dar asas, ensinar responsabilidade, confiar, deixar experimentar, permitir que errem e ajudá-los a tornarem-se adultos capazes de seguir o seu próprio caminho.

Mas falamos menos sobre aquilo que acontece à mãe quando chega finalmente o momento de os deixar voar.

E sobre a pergunta que começa, silenciosamente, a aparecer dentro de nós:

Quem sou eu nesta nova fase?

Passei tantos anos a ensinar-lhes a voar…

Quando os filhos são pequenos, precisam de nós para quase tudo.

Para comer.
Para dormir.
Para atravessar a estrada.
Para organizar a mochila.
Para lembrar horários.
Para escolher.
Para decidir.
Para tranquilizar medos que ainda não sabem nomear.

Depois crescem.

E aquilo que durante tantos anos foi presença diária começa lentamente a transformar-se.

Já não precisamos de saber tudo.

Nem devemos.

Já não somos chamadas para resolver cada dificuldade.

Nem seria saudável fazê-lo.

Passamos de estar no centro da vida deles para aprender a permanecer num lugar diferente: suficientemente perto para que saibam que estamos aqui, mas suficientemente longe para que consigam descobrir quem são.

E talvez seja este um dos exercícios mais difíceis do amor materno:

continuar presente sem impedir que cresçam.

A Universidade muda muito mais do que os horários

Nestes dias, esta reflexão deixou de ser apenas uma ideia para mim.

A Universidade trouxe novos horários, novos caminhos, alojamentos, malas, deslocações, responsabilidades e uma independência cada vez maior.

Um filho já conhece esse mundo e sabe que aquilo que o espera exige trabalho, responsabilidade e muita capacidade para gerir a própria vida.

Outro começa agora esse caminho pela primeira vez.

E eu observo.

Ajudo no que posso.

Preocupo-me, naturalmente.

Pergunto se levaram tudo.

Penso se vão comer bem, se vão dormir o suficiente, se estarão seguros, se conseguirão organizar-se, se vão encontrar as pessoas certas pelo caminho.

Há perguntas que talvez nunca deixemos de fazer só porque somos mães.

Mas percebo também que chegou uma fase em que muitas dessas perguntas terão de ficar comigo.

Porque crescer também significa não ter uma mãe constantemente a antecipar todos os problemas.

E amar também é confiar naquilo que lhes ensinámos.

Mesmo quando custa.

Deixar crescer não é deixar de cuidar

Durante muito tempo podemos confundir cuidado com fazer.

Fazer por eles.
Resolver por eles.
Antecipar por eles.
Evitar que sofram.

Mas há uma altura em que cuidar começa a significar outra coisa.

Significa ouvir sem decidir imediatamente.

Aconselhar sem exigir que sigam o nosso conselho.

Perguntar sem interrogar.

Estar disponível sem invadir.

Aceitar que algumas escolhas não seriam as nossas.

E permitir que descubram, também através dos próprios erros, a pessoa que querem ser.

Isto não significa abandonar.

Muito pelo contrário.

Talvez seja uma das formas mais exigentes de presença.

Porque exige confiança.

Neles.

E em nós.

E quando eles precisam menos de mim?

Há uma pergunta difícil escondida em muitas destas mudanças:

Se eles já não precisam de mim da mesma maneira, onde fico eu?

Não é uma pergunta egoísta.

É humana.

Durante anos, grande parte dos nossos dias é construída à volta das necessidades dos filhos.

Escolas.
Consultas.
Actividades.
Reuniões.
Refeições.
Horários.
Transportes.
Preocupações.
Decisões.

A maternidade ocupa espaço no calendário, na casa, no corpo e na cabeça.

E, quando esse espaço começa a mudar, podemos sentir simultaneamente orgulho e uma espécie de vazio difícil de explicar.

Queríamos que crescessem.

Trabalhámos para isso.

Desejámos que fossem autónomos.

E depois chega o dia em que começam mesmo a sê-lo.

É bonito.

Mas também mexe connosco.

Porque deixar crescer os filhos obriga-nos, de alguma forma, a voltar a crescer também.

Talvez esteja na altura de voltar a perguntar por mim

Setembro tem sido, no Calendário SoLu@, um mês de Autocuidado e Recomeço.

E começo a perceber que este recomeço não precisa de acontecer apenas porque alguma coisa correu mal.

Há recomeços que surgem simplesmente porque a vida mudou.

Os filhos crescem.

As rotinas transformam-se.

A casa ganha outros silêncios.

E nós precisamos de encontrar uma nova forma de habitá-la.

Talvez esta seja uma oportunidade para recuperar perguntas que ficaram adiadas durante muito tempo:

Do que gosto agora?

O que quero aprender?

De que preciso para me sentir bem?

Que partes de mim ficaram esquecidas enquanto estava tão ocupada a cuidar de todos?

Que mulher quero ser nesta próxima fase da minha vida?

Não para deixar de ser mãe.

Nunca deixamos.

Mas para recordar que, antes e para além da maternidade, continua a existir uma mulher com sonhos, curiosidade, necessidades, vontade de aprender, criar, cuidar de si e continuar a crescer.

Os filhos não são o fim da nossa história

Talvez também tenhamos de aprender isto.

Os filhos não vieram preencher toda a nossa vida.

Vieram fazer parte dela.

Profundamente.

Transformaram-nos.

Ensinaram-nos formas de amor que talvez nem soubéssemos existir.

Mas o crescimento deles não pode significar o desaparecimento de quem somos.

Talvez seja exactamente o contrário.

Talvez vê-los construir a sua própria vida seja também um convite para olharmos novamente para a nossa.

Não para preencher depressa o espaço que ficou vazio.

Nem para inventar mil ocupações para evitar sentir saudades.

Mas para perguntar com calma:

O que quero fazer com este espaço novo?

Pode ser pouco.

Um livro que ficou por ler.

Uma caminhada.

Voltar a cuidar do corpo.

Retomar um projecto.

Aprender alguma coisa.

Estar mais presente no casamento.

Encontrar amigas.

Escrever.

Descansar.

Ou simplesmente reaprender a estar connosco sem sentir que precisamos de estar constantemente a fazer alguma coisa por alguém.

Talvez esta também seja uma forma de amor incondicional

Sempre quis que os meus filhos voassem.

Que fossem mais longe.

Que construíssem os seus próprios sonhos.

Que não permanecessem pequenos apenas porque seria mais confortável para mim.

Agora preciso de aprender a viver aquilo que tantas vezes lhes desejei.

Vê-los ir.

Confiar.

Continuar disponível.

E aceitar que há caminhos que terão de percorrer sem mim.

Provavelmente vou continuar a perguntar se comeram.

Provavelmente continuarei a preocupar-me mais do que eles acham necessário.

Provavelmente haverá sempre uma parte de mim que os vê com os mesmos olhos com que os via quando eram pequenos.

Mas quero aprender esta nova forma de maternidade.

Uma maternidade que não prende.

Que não controla para acalmar os próprios medos.

Que não transforma preocupação em vigilância.

Uma maternidade que diz:

Vai. Experimenta. Cresce. Eu estou aqui.

Talvez amar incondicionalmente também seja isto.

Não apenas segurá-los quando precisam.

Mas saber abrir as mãos quando chega o momento de voarem.

E eu também posso continuar a crescer

Há uma imagem bonita nesta fase da vida.

Enquanto os nossos filhos começam novos caminhos, nós não precisamos de ficar paradas no lugar onde os deixámos.

Também podemos avançar.

Eles começam uma etapa.

Nós começamos outra.

Eles descobrem quem são fora da nossa casa.

E talvez nós possamos redescobrir quem somos para além das rotinas que durante tantos anos organizaram os nossos dias.

Não quero olhar para esta fase apenas como aquilo que termina.

Quero olhar também para aquilo que começa.

Para eles.

E para mim.

Uma pequena reflexão para esta semana

Se estás a viver uma mudança semelhante — filhos a crescer, uma saída de casa, uma nova escola, Universidade, trabalho ou simplesmente uma autonomia cada vez maior — experimenta perguntar:

O que mudou na vida deles?

E depois acrescenta uma pergunta que tantas vezes esquecemos:

O que está esta mudança a pedir que mude em mim?

Talvez não seja preciso encontrar já uma grande resposta.

Às vezes um recomeço começa apenas quando temos coragem para fazer uma nova pergunta.


Frase SoLu@

Quando os nossos filhos começam a construir a própria vida, talvez seja também tempo de voltarmos a olhar para a nossa.


Setembro Recomeço

Este texto faz parte da rubrica Setembro Recomeço, um caminho de pequenos regressos a nós próprias durante um mês que tantas vezes nos pede para reorganizar a vida.

E acompanha a Semana 3 do Calendário SoLu@ — Deixar Crescer, dedicada à maternidade, à autonomia dos filhos e à aprendizagem de continuar presente sem impedir que eles sigam o seu caminho.

→ Ler: Calendário SoLu@ — Setembro, Semana 3: Deixar Crescer

Porque deixar crescer os nossos filhos também pode ser uma maneira de voltarmos a crescer com eles.

E talvez este seja o meu recomeço nesta fase: continuar a ser mãe, sem deixar de voltar a ser também eu.

— SoLu@

Chegar a um lugar novo: fazer amigos sem deixar de saber estar sozinho

Jovem a chegar a um lugar novo e a conhecer novas pessoas

Nem sempre encontramos imediatamente o nosso lugar. E talvez uma das coisas mais importantes que possamos ensinar aos nossos filhos seja esta: pertencer é importante, mas nunca deve custar-nos quem somos.

Há alguns anos escrevi no Arquivo SoLu@ sobre os meus filhos, competências sociais e aquela necessidade tão humana de pertencer a um grupo.

Na altura, escrevia como mãe de um filho que tinha sentido a dor de ser excluído.

Doía-lhe a ele.

E doía-me a mim.

Porque há poucas coisas mais difíceis para uma mãe do que perceber que um filho está triste e saber que não há um botão onde possamos carregar para lhe retirar aquela dor.

Eu queria ajudá-lo.

Queria que encontrasse pessoas.

Queria que se sentisse aceite.

Queria que tivesse amigos.

Anos depois, volto ao mesmo assunto de outro lugar.

Os filhos cresceram.

Chegaram outras etapas.

Universidade, alojamentos, turmas novas, pessoas desconhecidas, ambientes diferentes.

E percebo que esta aprendizagem nunca termina verdadeiramente.

Mudam os lugares.

Mudam as idades.

Mudam os grupos.

Mas aquela pergunta continua, de alguma forma, connosco:

Onde é o meu lugar?


Chegar a um sítio novo nem sempre é fácil

Falamos muitas vezes dos novos começos como se fossem apenas entusiasmo.

Uma Universidade nova.

Um novo emprego.

Uma nova cidade.

Uma nova turma.

Uma residência universitária.

Um novo projecto.

Parece tudo cheio de possibilidades.

E é.

Mas também pode ser profundamente desconfortável.

Porque entrar num lugar onde toda a gente é desconhecida obriga-nos a começar de novo nas coisas mais pequenas.

Não sabemos com quem nos sentar.

Não sabemos com quem almoçar.

Não sabemos quem pensa como nós.

Não sabemos quem poderá vir a ser amigo e quem será apenas alguém que passou pela nossa vida.

Há pessoas que parecem integrar-se imediatamente.

Entram numa sala e, poucos dias depois, parece que já conhecem toda a gente.

Outras precisam de tempo.

Observam primeiro.

Aproximam-se devagar.

Criam relações uma a uma.

E não há nada de errado nisso.

Nem toda a gente precisa de entrar num lugar novo e encontrar imediatamente um grupo.


Talvez tenhamos dado demasiada importância à ideia de “ter um grupo”

Quando os nossos filhos são adolescentes preocupamo-nos muito com os amigos.

E compreendo.

As amizades são importantes.

A pertença é importante.

Ter alguém com quem conversar, rir, estudar, sair ou simplesmente estar faz-nos bem.

Mas há uma diferença entre ter relações e sentir que precisamos desesperadamente de pertencer a qualquer grupo.

Hoje diria aos meus filhos:

Não tenham tanta pressa de pertencer que acabem por aceitar lugares onde precisam de diminuir quem são para caber.

Porque nem todas as pessoas que nos rodeiam são amigas.

Nem todas as pessoas com quem almoçamos serão amigas.

Nem todos os colegas serão amigos.

E está tudo bem.

Algumas pessoas serão companheiras de uma cadeira.

Outras de um trabalho.

Algumas estarão connosco durante um semestre.

Outras durante anos.

E talvez uma ou duas fiquem para a vida.

A amizade não se mede pela quantidade de pessoas à nossa volta.

Mede-se muito mais pela qualidade daquilo que conseguimos construir com algumas delas.


Mas como se fazem amigos quando chegamos a um lugar novo?

Talvez comece com coisas muito mais pequenas do que imaginamos.

Um “olá”.

Sentarmo-nos perto de alguém.

Perguntar uma coisa sobre uma aula.

Aceitar um café.

Ir almoçar com colegas mesmo quando ainda nos sentimos um pouco deslocados.

Participar numa actividade.

Juntar-nos a um grupo de estudo.

Perguntar:

“Vais almoçar?”

Ou ter coragem para dizer:

“Queres vir comigo?”

Às vezes ficamos à espera que alguém nos convide.

E a outra pessoa pode estar exactamente do outro lado, igualmente insegura, igualmente nova, igualmente à espera.

Por isso, um dos conselhos que hoje daria aos meus filhos é simples:

não esperem sempre que sejam os outros a aproximar-se.

Façam também um pequeno movimento.

Não precisam de conquistar uma sala inteira.

Basta conhecer uma pessoa.

Depois outra.

As relações constroem-se através da repetição, da confiança e dos pequenos momentos partilhados.

Amizade raramente acontece num instante.

Vai acontecendo.


Não confundam timidez com incapacidade

Também temos de aceitar que não somos todos iguais.

Há quem precise de muita vida social.

Há quem seja feliz com poucas pessoas próximas.

Há quem fale com facilidade com desconhecidos.

E há quem demore semanas até conseguir mostrar verdadeiramente quem é.

Não há apenas uma maneira certa de nos relacionarmos.

O importante é que a timidez, o medo ou a insegurança não acabem por construir uma prisão.

Podemos respeitar o nosso ritmo e, ainda assim, desafiar-nos suavemente.

Hoje falar com uma pessoa.

Amanhã aceitar um convite.

Na próxima semana experimentar alguma actividade.

Pequenos passos.

Sem transformar fazer amigos numa prova que precisamos de passar.


E depois há uma aprendizagem ainda mais difícil: saber estar sozinho

Talvez esta seja uma das coisas que mais desejo ensinar aos meus filhos.

Amem.

Criem amizades.

Procurem pessoas boas.

Construam relações.

Mas aprendam também a estar convosco.

Durante muito tempo ouvi e até repeti a ideia de que nascemos sozinhos e morremos sozinhos.

Hoje talvez diga de outra forma.

Porque não vivemos verdadeiramente sozinhos.

Precisamos uns dos outros.

Amamos.

Somos família.

Criamos laços.

Precisamos de pertença.

Mas há partes da vida que ninguém pode viver por nós.

Há escolhas que são nossas.

Há medos que teremos de atravessar.

Há noites em que teremos de conversar connosco próprios.

Há decisões em que, mesmo rodeados de pessoas que nos amam, somos nós que temos de escolher o caminho.

Por isso, aprender a estar sozinho não significa desistir das pessoas.

Significa não ter medo da nossa própria companhia.


Estar sozinho não é o mesmo que sentir-se abandonado

Esta diferença é importante.

Podemos estar sozinhos durante uma tarde e sentirmo-nos bem.

Ler.

Caminhar.

Estudar.

Ouvir música.

Pensar.

Descansar.

Ir beber um café.

Fazer uma refeição.

E podemos estar no meio de cinquenta pessoas e sentir uma solidão enorme.

Por isso, não quero ensinar aos meus filhos que “não precisam de ninguém”.

Precisamos.

Somos seres de relação.

Quero ensinar-lhes outra coisa:

não precisam de aceitar qualquer companhia apenas para não estarem sozinhos.

Essa diferença pode mudar muitas escolhas.


A autoestima protege-nos quando ainda não encontrámos o nosso lugar

Quando chegamos a um ambiente novo é fácil começar a olhar para os outros como medida de nós próprios.

Eles já têm amigos.

Eles parecem mais confiantes.

Eles saem juntos.

Eles foram convidados.

Eles parecem divertir-se.

E eu?

As redes sociais ainda amplificam essa sensação.

Vemos uma fotografia de dez pessoas a jantar e não vemos os outros vinte que ficaram nos quartos.

Vemos a festa.

Não vemos a insegurança.

Vemos o grupo.

Não vemos quem, mesmo naquele grupo, está a sentir-se sozinho.

É por isso que a autoestima é tão importante.

Porque precisamos de conseguir dizer a nós próprios:

o facto de ainda não ter encontrado as minhas pessoas não significa que haja alguma coisa de errado comigo.

Talvez apenas ainda não tenha passado tempo suficiente.

Talvez aquele não seja o meu grupo.

Talvez esteja a conhecer-me também nesta nova fase.


Como mãe, há coisas que já não posso fazer por eles

Posso ouvir.

Posso aconselhar.

Posso perguntar como correu o dia.

Posso incentivar.

Posso sugerir que convidem alguém.

Posso lembrar-lhes que uma primeira semana não define um ano inteiro.

Posso recordar-lhes tudo aquilo que valem quando algum momento os fizer duvidar.

Mas não posso fazer amigos por eles.

Não posso escolher as pessoas por eles.

Não posso impedir que alguma amizade os desiluda.

Não posso evitar todas as rejeições.

Nem devo.

Porque crescer também é aprender a perceber quem merece ficar perto de nós.

O meu papel mudou.

Talvez antes eu quisesse resolver.

Hoje quero sobretudo estar disponível.

Ser aquele lugar seguro onde podem regressar sem julgamentos.


O conselho que gostaria que levassem para qualquer lugar novo

Se algum dos meus filhos me perguntasse hoje:

“Mãe, cheguei aqui e ainda não conheço ninguém. O que faço?”

Eu diria:

Dá tempo.

Olha à tua volta.

Sorri.

Diz olá.

Faz perguntas.

Aceita alguns convites.

Faz também alguns.

Não julgues as pessoas demasiado depressa.

Mas também não ignores aquilo que sentes junto delas.

Não tentes impressionar toda a gente.

Não mudes aquilo que é importante para ti apenas para caber num grupo.

Procura pessoas com quem possas ser tu.

E, enquanto essas pessoas ainda não aparecem, não transformes esse tempo numa prova de que estás sozinho no mundo.

Vai conhecendo o lugar.

Vai conhecendo as pessoas.

E vai-te conhecendo a ti também.

Não precisas de ser escolhido por toda a gente para ter valor.


Talvez crescer seja também aprender isto

Em 2019 escrevia sobre a dor de ver um filho rejeitado por um grupo.

Hoje continuo a desejar que os meus filhos tenham bons amigos.

Claro que sim.

Desejo-lhes conversas longas.

Risadas.

Pessoas com quem estudar.

Jantares.

Festas.

Confidências.

Amigos que apareçam nos dias bons e, sobretudo, nos difíceis.

Mas desejo-lhes também outra coisa.

Que saibam estar sozinhos sem se sentirem menos.

Que não confundam popularidade com amizade.

Que não confundam quantidade com pertença.

Que tenham autoestima suficiente para sair de uma mesa onde precisam de deixar de ser eles próprios para serem aceites.

E coragem suficiente para se aproximarem de uma mesa nova.

Porque haverá momentos em que ninguém poderá dar esse passo por eles.

Nem mesmo eu.

E talvez deixar crescer seja também isto.

Não lhes retirar todas as dificuldades do caminho.

Mas tentar dar-lhes raízes suficientemente fortes para saberem quem são…

e asas suficientemente seguras para se aproximarem dos outros sem terem de se perder de si próprios.

SoLu@

Para pensar

Quando chegaste pela primeira vez a um lugar onde não conhecias ninguém, o que foi mais difícil?

E que conselho darias hoje a um filho, a um jovem — ou até a ti própria — sobre amizade, pertença e aprender a estar sozinho?

Da memória para o presente

Este texto nasceu também de uma reflexão que escrevi em 2019:

«Filhos — Competências sociais — Pertença a grupo de colegas (não considero amigos)», no Arquivo SoLu@.

Na altura falava da rejeição e da preocupação de uma mãe.

Hoje volto ao mesmo tema noutro momento da vida.

Os filhos cresceram.

As perguntas também.

Mas continuo a acreditar no mesmo essencial:

podemos guiá-los, amá-los e estar disponíveis. O caminho, pouco a pouco, terá de ser deles.

Leituras:

Quando os filhos vão para a Universidade: um novo ciclo começa

Filhos a iniciar um novo ciclo na Universidade e a partir para o alojamento universitário.

Há dias em que ser mãe é preparar malas, engolir a saudade e acreditar que lhes demos asas suficientes para seguirem os seus sonhos.

Hoje começa mais um daqueles ciclos que sabemos que vão chegar, mas para os quais talvez nunca estejamos verdadeiramente preparados.

Hoje, os meus dois filhos mais velhos seguem para os seus alojamentos universitários.

Cada um para o seu.

Cada um para a sua Universidade.

Cada um para a vida que está, pouco a pouco, a construir.

E eu olho para as malas, para tudo aquilo que fomos tentando não esquecer, para as coisas que ainda perguntamos se levaram, para os últimos conselhos — alguns certamente repetidos mais vezes do que seria necessário — e penso:

estão a voar os seus próprios voos.

Era isto que queríamos.

Sempre quisemos que voassem.

E, se possível, que voassem mais alto do que nós.

Que tivessem sonhos.

Que lutassem por eles.

Que encontrassem o seu lugar no mundo.

Só não nos avisaram de que vê-los ganhar asas também apertava assim o coração.


Para um, o caminho já é conhecido

O mais velho começa agora o 3.º ano da Universidade.

Já sabe o que o espera.

Ou, pelo menos, sabe bastante melhor do que sabia há dois anos.

Sabe que vai haver trabalho.

E depois mais trabalho.

E provavelmente ainda mais algum trabalho quando pensar que finalmente terminou.

A Universidade onde está não brinca em serviço.

Enquanto vê amigos que ainda nem começaram as aulas e que, quando começarem, ainda terão pela frente semanas de vida académica, festas, convívios e integração, ele já conhece outro ritmo.

Às vezes até brincamos cá em casa com a diferença.

Parece que alguns cursos conseguem transformar um ano lectivo em seis meses de aulas e muitos momentos de vida académica.

No dele, às vezes parece exactamente o contrário.

Mas também sei tudo o que estes dois primeiros anos lhe deram.

Não apenas conhecimento.

Deram-lhe autonomia.

Capacidade de trabalho.

Persistência.

Responsabilidade.

Ensinaram-lhe que nem sempre conseguimos tudo à primeira.

Que há momentos difíceis.

Que há cansaço.

Que há dúvidas.

E que continuamos.

Talvez seja essa uma das aprendizagens mais importantes da Universidade — e da vida.

Hoje vai com outra segurança.

Já conhece o caminho.

Já conhece as dificuldades.

E talvez seja precisamente por isso que eu saiba que continua a precisar de ouvir:

acredita em ti.


Para ela, tudo começa agora

Com a minha filha do meio, a sensação é diferente.

É o primeiro ano.

A primeira vez que sai assim de casa.

A primeira residência universitária.

As primeiras aulas.

Os primeiros colegas.

Uma nova cidade.

Novas rotinas.

Novas responsabilidades.

Novas liberdades.

E talvez também algumas saudades que só se descobrem quando fechamos a porta do quarto e percebemos que aquele espaço é agora, durante parte da semana, a nossa casa.

Investimos numa residência privada para que pudesse ficar mais perto da Universidade.

Tem todas as condições.

Pensámos na localização.

Na segurança.

No conforto.

Naquilo que poderia facilitar os primeiros meses desta adaptação.

Fizemos o que estava ao nosso alcance.

E, mesmo assim, estamos apreensivos.

Porque há coisas que nenhum quarto confortável consegue resolver por nós.

Não podemos escolher os amigos que vão encontrar.

Não podemos evitar todas as dificuldades.

Não podemos protegê-los de todas as desilusões.

Não podemos garantir que nunca se sintam sozinhos.

Não podemos fazer os trabalhos por eles, enfrentar os professores, resolver os problemas ou escolher os caminhos.

Podemos apenas continuar aqui.

Presentes.

Disponíveis.

A acreditar neles.

Vamos a caminho.

E talvez esta frase diga muito mais do que parece.

Eles vão a caminho da Universidade.

Nós vamos a caminho de uma nova forma de sermos pais.


Deviam entregar-nos uma checklist para esta fase

Enquanto preparávamos tudo, pensei várias vezes:

devia existir um kit para jovens universitários.

Não apenas a lista das coisas que têm de levar.

Lençóis.

Toalhas.

Roupa.

Computador.

Carregadores.

Medicamentos.

Documentos.

Mas uma checklist verdadeiramente útil para quem está prestes a começar a viver longe de casa.

Porque preparar um filho para a Universidade não é só encher uma mala.

É ajudá-lo a perceber que, a partir de agora, terá de cuidar de muitas pequenas coisas que em casa quase aconteciam sem dar por elas.

Por isso, se tivesse de criar hoje uma Checklist SoLu@ para quem vai viver para um alojamento universitário, seria esta.

Checklist prática — o que levar

Documentos e essenciais

  • Cartão de Cidadão;
  • cartão bancário;
  • cartão de estudante ou comprovativo de matrícula;
  • contactos importantes;
  • informações da residência/alojamento;
  • medicação habitual e respectivas receitas, quando necessárias;
  • cópia digital de documentos importantes.

Para o quarto

  • lençóis;
  • almofada, se não estiver incluída;
  • manta;
  • toalhas;
  • cabides;
  • saco para roupa suja;
  • chinelos;
  • extensão eléctrica ou múltiplas tomadas, se forem permitidas;
  • candeeiro de secretária, se necessário;
  • uma fotografia, objecto ou pequena coisa de casa que faça aquele espaço parecer um pouco mais seu.

Higiene e cuidados pessoais

  • produtos de higiene;
  • pequena farmácia com o essencial;
  • termómetro;
  • pensos rápidos;
  • analgésico habitual;
  • protector solar;
  • garrafa de água reutilizável.

Universidade e tecnologia

  • computador;
  • carregadores;
  • auscultadores;
  • mochila;
  • cadernos ou material de escrita;
  • pen/armazenamento externo, se necessário;
  • cópias de segurança configuradas;
  • passwords importantes guardadas de forma segura.

Alimentação

Se o alojamento permitir preparar refeições:

  • alguns recipientes;
  • talheres;
  • caneca;
  • prato e tigela;
  • garrafa de água;
  • alimentos simples para os primeiros dias.

E uma coisa que parece pouco importante até ao dia em que faz falta:

alguma comida de casa.

Porque às vezes uma refeição conhecida também cuida.


A checklist que não cabe dentro da mala

Depois há outra lista.

Talvez a mais importante.

Aquela que não se compra.

Aquela que nenhum supermercado vende.

E que gostava que os meus filhos levassem também com eles.

1. Não precisam de ter tudo resolvido no primeiro dia

Os primeiros tempos podem ser estranhos.

É normal.

Uma nova casa demora a parecer casa.

Uma turma demora a transformar-se em pessoas conhecidas.

Uma cidade demora a deixar de parecer desconhecida.

Dêem tempo ao tempo.

2. Peçam ajuda

Aos colegas.

Aos professores.

Aos serviços da Universidade.

À residência.

A nós.

Pedir ajuda não é sinal de incapacidade.

Muitas vezes é sinal de inteligência.

3. Escolham bem as pessoas

A Universidade traz muitas pessoas novas para a nossa vida.

Algumas ficam.

Outras passam.

Observem.

Conheçam.

Não tenham pressa de pertencer a qualquer grupo apenas para não se sentirem sozinhos.

Estar acompanhado nem sempre significa estar bem acompanhado.

4. Divirtam-se — mas não se esqueçam de porque estão ali

A vida académica também faz parte da Universidade.

Os amigos.

Os jantares.

As festas.

As conversas que ficam pela madrugada.

Há memórias que também se constroem nesses momentos.

Mas liberdade também significa aprender a escolher.

E cada escolha tem consequências.

5. Durmam

Pode parecer um conselho banal.

Não é.

Não há corpo nem cabeça que consigam funcionar indefinidamente à base de noites mal dormidas, cafés e prazos.

Cuidar do sono também faz parte de estudar.

6. Comam

Mesmo nos dias de testes.

Mesmo nos dias em que chegam tarde.

Mesmo quando parece mais fácil viver de qualquer coisa rápida.

O corpo que vos leva até aos vossos sonhos também precisa de ser cuidado.

7. Aprendam a gerir dinheiro

Um orçamento mensal.

As despesas fixas.

Aquilo que podem gastar.

Aquilo que devem guardar.

Talvez esta seja uma das aulas mais úteis que não aparece no horário da Universidade.

8. Não comparem demasiado

Vai haver sempre alguém com melhores notas.

Mais facilidade.

Mais amigos.

Mais confiança.

Mais vida social.

Mais qualquer coisa.

Não façam da vida dos outros uma régua para medir a vossa.

Cada um está a fazer o seu próprio caminho.

9. Telefonem para casa

Não precisa de ser todos os dias.

Nem precisam de contar tudo.

Mas uma mensagem às vezes chega:

“Está tudo bem.”

Nós entendemos o resto.

10. Lembrem-se de quem são

Talvez este seja o conselho que mais gostaria que levassem.

Vão conhecer ideias novas.

Pessoas diferentes.

Vão mudar de opinião sobre algumas coisas.

Vão crescer.

Ainda bem.

Mas, no meio de tudo isso, não deixem que ninguém vos faça acreditar que precisam de deixar de ser quem são para serem aceites.


Também nós temos de aprender a deixá-los ir

Tenho pensado muito nisso.

Durante anos, ser mãe significou fazer.

Preparar.

Levar.

Buscar.

Resolver.

Organizar.

Lembrar.

Perguntar.

Proteger.

Agora começa outra aprendizagem.

Estar sem controlar.

Ajudar sem impedir.

Perguntar sem invadir.

Aconselhar sem decidir por eles.

Confiar.

Talvez criar filhos seja isto:

passarmos anos a segurar-lhes a mão para que aprendam a andar e, depois, termos de aprender a soltá-la para que descubram até onde conseguem chegar.

Não é deixarmos de ser necessários.

É sermos necessários de outra maneira.


Voem

Hoje, quando deixarmos cada um no seu alojamento, sei que provavelmente vou sentir aquele vazio estranho.

A casa fica diferente quando os filhos saem.

Mesmo quando sabemos que voltam.

Mesmo quando só estão a alguns quilómetros.

Mesmo quando podemos telefonar.

Há um silêncio diferente.

Mas quero guardar outra imagem.

Não a dos quartos vazios.

A das asas.

Porque foi para isto que trabalhámos durante tantos anos.

Para que pudessem escolher os seus caminhos.

Para que acreditassem nos seus sonhos.

Para que fossem capazes de partir sabendo que existe sempre um lugar onde podem regressar.

Por isso, aos meus filhos:

voem.

Voem alto.

Trabalhem.

Divirtam-se.

Aprendam.

Enganem-se.

Tentem outra vez.

Escolham bem.

Cuidem de vocês.

Sejam felizes.

E nunca se esqueçam de que, por muito longe que um dia os vossos sonhos vos levem, haverá sempre aqui uma casa, um abraço e alguém profundamente feliz por vos ver crescer.

Desejo-vos um ano cheio de aprendizagem, amizades bonitas, desafios que vos façam crescer e sonhos que continuem a puxar-vos para a frente.

E desejo o mesmo a todos os jovens que começam agora um novo ano lectivo — aos que regressam e aos que entram pela primeira vez neste mundo novo.

E aos pais e mães que hoje fecham malas, verificam pela décima vez se não falta nada e depois regressam a casa com o coração um bocadinho mais apertado:

também nós estamos a começar um novo ciclo.

Talvez o nosso desafio seja confiar nas asas que passámos tantos anos a ajudá-los a construir.

SoLu@

O amor também é isto: dar raízes suficientemente fortes para que um dia tenham coragem de abrir as asas.


Para guardar

Que conselho darias hoje a um jovem que vai viver sozinho pela primeira vez para estudar?

E, se és mãe ou pai de um universitário, conta-me:

o que foi mais difícil quando chegou o momento de o deixar seguir o seu próprio caminho?

Para continuar a ler

Este novo ciclo não começou hoje. Foi sendo construído em muitos pequenos momentos, escolhas e despedidas.

🎓 A Nossa Filha do Meio foi Colocada na Universidade!
O momento em que aquilo que parecia ainda distante se tornou realidade.

📚 O Nosso Primeiro Filho Colocado na Universidade!
No Arquivo SoLu@, a memória da primeira vez que vivemos esta mistura de orgulho, felicidade e a aprendizagem de deixar um filho começar a voar.

🤍 18 anos de Amor Incondicional — Filha do Meio
Sobre crescer, chegar à maioridade, encontrar o próprio caminho e continuar a saber onde é casa.

🌿 Setembro — Autocuidado / Recomeço
Porque os filhos começam novos caminhos — e nós, pais e mães, também precisamos de aprender a viver as mudanças que chegam com eles.

Calendário SoLu@ — Setembro: Semana 1 — Voltar Devagar

Calendário SoLu@ Setembro - Semana 1 Voltar devagar

Não preciso de começar tudo de novo. Posso simplesmente começar por aquilo que hoje consigo.

Setembro chega quase sempre com uma estranha sensação de início.

As férias terminam. Os horários reaparecem. Há escolas, Universidades, trabalhos, compromissos, listas, mochilas, deslocações e rotinas para reorganizar.

E parece que, de repente, temos de voltar a saber fazer tudo.

Talvez não.

Talvez o primeiro gesto de autocuidado deste Setembro seja precisamente não tentar resolver Setembro inteiro nos primeiros dias.

Esta primeira semana é curta. Começa a 1 de Setembro, uma terça-feira, e termina no sábado, dia 5.

E talvez isso seja exactamente aquilo de que precisamos.

Cinco dias para não correr.

Cinco dias para observar.

Cinco dias para perceber o que realmente precisa de regressar à nossa vida — e aquilo que já não precisa de regressar connosco.

O tema da semana: Voltar devagar

Recomeçar não significa necessariamente começar outra vez do princípio.

Também não significa regressar exactamente ao lugar onde estávamos antes das férias.

Porque nós também mudámos.

A família mudou.

Os filhos cresceram.

Existem novas etapas, novos horários, novas necessidades e, às vezes, uma nova forma de estar dentro da própria casa.

Por isso, antes de reconstruirmos todas as rotinas antigas, talvez valha a pena perguntar:

Ainda fazem sentido para a vida que tenho hoje?

Setembro pode ser uma oportunidade para fazer diferente.

Não mais.

Melhor para nós.

Intenção da semana

Regressar sem me atropelar.

Quero permitir-me alguns dias de adaptação.

Nem tudo precisa de estar organizado no primeiro dia.

Nem todas as decisões precisam de ser tomadas imediatamente.

Nem todas as rotinas precisam de começar ao mesmo tempo.

Esta semana quero escolher aquilo que é realmente importante e deixar espaço para o resto se ir encontrando.

Frase SoLu@ da semana

“Não preciso de começar tudo de novo. Posso simplesmente começar por aquilo que hoje consigo.”

Há muita serenidade quando deixamos de medir um recomeço pelo número de coisas que conseguimos fazer.

Às vezes, um pequeno passo é suficiente para mudar a direcção.

Prática da semana: escolher três prioridades reais

Pega numa folha, numa agenda ou simplesmente nas notas do telemóvel.

Escreve tudo aquilo que sentes que tens de fazer neste regresso.

Depois olha para a lista e escolhe apenas:

1. Uma prioridade para a família

Pode ser organizar os novos horários, tratar de uma questão escolar ou simplesmente conseguirem voltar a jantar juntos com alguma tranquilidade.

2. Uma prioridade para ti

Pode ser regressar ao exercício, dormir melhor, caminhar, marcar uma consulta, ler, ter alguns minutos de silêncio ou recuperar uma rotina que te fazia bem.

3. Uma prioridade prática

Uma tarefa que, resolvida, simplifica os dias seguintes.

Só três.

O resto continua lá.

Mas não precisa de ser resolvido hoje.

Mini-desafio da semana

Deixar deliberadamente uma coisa para depois.

Não porque te esqueceste.

Não porque falhaste.

Mas porque decidiste conscientemente que não era prioridade.

Há uma diferença enorme entre adiar por desorganização e escolher não fazer ainda porque estamos a proteger o nosso tempo e a nossa energia.

Experimenta.

E observa como te sentes.

Terça-feira, 1 de Setembro — Vida

Frase do dia

“Um novo mês não exige uma nova versão de mim. Apenas presença para continuar.”

Do livro para este dia

Há momentos em que queremos mudar tudo porque sentimos que a mudança nos dará segurança.

Mas a vida raramente se reorganiza de uma só vez.

Vamos aprendendo a viver enquanto vivemos.

E talvez seja precisamente isso que significa crescer: não ter todas as respostas e, ainda assim, continuar.

Prática

Antes de começares a organizar Setembro, escreve:

O que é realmente importante neste momento da minha vida?

Escolhe apenas três coisas.

Pergunta

Estou a organizar a minha vida ou apenas a tentar controlar tudo aquilo que está a mudar?

Pequeno gesto

Faz hoje uma coisa devagar.

Tomar café. Caminhar. Arrumar uma gaveta. Preparar o jantar.

Sem fazer outra coisa ao mesmo tempo.

Quarta-feira, 2 de Setembro — Atitude

Frase do dia

“Não preciso de ter tudo resolvido para estar no caminho certo.”

Do livro para este dia

Nem sempre conseguimos escolher aquilo que acontece.

Mas podemos aprender a escolher a forma como atravessamos aquilo que acontece.

Há uma liberdade discreta nesta escolha.

Não resolve tudo.

Mas muda a maneira como carregamos o dia.

Prática

Quando surgir alguma coisa inesperada hoje, experimenta substituir:

“Isto não devia estar a acontecer.”

por:

“Como posso lidar com isto da melhor forma possível?”

Pergunta

Onde estou a gastar energia a resistir ao que já é realidade?

Pequeno gesto

Resolve apenas uma pequena coisa que tens vindo a adiar.

Uma.

E celebra o espaço que ficou.

Quinta-feira, 3 de Setembro — Pensamentos positivos

Frase do dia

“Nem tudo aquilo que falta é sinal de que estou atrasada.”

Do livro para este dia

Temos tendência para olhar para aquilo que ainda não fizemos.

A tarefa em falta.

O objectivo que ainda não atingimos.

A vida que ainda não conseguimos organizar.

Mas há também tudo aquilo que já fizemos.

Tudo aquilo que aprendemos.

Tudo aquilo que conseguimos atravessar.

Talvez hoje possamos olhar também para aí.

Prática

Antes de te deitares, escreve três frases:

Hoje consegui…

Hoje cuidei de…

Hoje agradeço…

Pergunta

Tenho reconhecido aquilo que faço ou apenas reparado no que ficou por fazer?

Pequeno gesto

Diz a alguém — ou a ti própria —:

“Fizeste o que podias hoje.”

Sexta-feira, 4 de Setembro — Fé e Esperança

Frase do dia

“Nem tudo precisa de estar claro para eu continuar a acreditar.”

Do livro para este dia

Existem fases em que gostaríamos de saber antecipadamente como tudo vai correr.

Os estudos.

Os filhos.

O trabalho.

As decisões.

Os caminhos que começam.

Mas grande parte da vida acontece precisamente nessa zona onde ainda não sabemos.

Esperança talvez seja isso:

continuar a caminhar mesmo quando ainda não conseguimos ver o caminho inteiro.

Prática

Pensa numa preocupação que tens neste momento.

Escreve duas colunas:

Aquilo que depende de mim.
Aquilo que não depende de mim.

Hoje ocupa-te apenas da primeira.

Pergunta

O que preciso de aprender a confiar em vez de tentar controlar?

Pequeno gesto

Antes de dormir, fica alguns minutos em silêncio.

Sem procurar respostas.

Apenas respirando.

Sábado, 5 de Setembro — Amor

Frase do dia

“Amar também é dar espaço para que cada um encontre o seu próprio caminho.”

Do livro para este dia

Durante muitos anos, amar os nossos filhos significa fazer muito por eles.

Preparar.

Ensinar.

Proteger.

Acompanhar.

Depois chega outra fase.

Continuamos a amar exactamente com a mesma intensidade, mas precisamos de aprender uma linguagem diferente.

Confiar.

Esperar.

Estar disponível.

E permitir que façam algumas escolhas sozinhos.

Também isso é amor.

Prática

Escolhe hoje alguém de quem gostas e pergunta apenas:

“Como estás?”

Depois escuta verdadeiramente a resposta, sem tentar imediatamente resolver.

Pergunta

Consigo amar sem sentir que tenho de resolver tudo por quem amo?

Pequeno gesto

Um abraço demorado.

Uma mensagem.

Um café partilhado.

Uma presença sem telemóvel.

Nada extraordinário.

Apenas amor na vida real.

Pergunta da semana

O que preciso realmente de retomar?

Não aquilo que fazia antes.

Não aquilo que os outros esperam.

Não aquilo que parece obrigatório porque Setembro chegou.

Aquilo que realmente faz falta à vida que estou a viver agora.

Talvez seja uma rotina.

Talvez seja cuidar melhor de ti.

Talvez seja voltar a mexer o corpo.

Talvez seja dormir.

Talvez seja escrever.

Talvez seja conversar mais.

Talvez seja simplesmente criar algum espaço.

Reflexão final

Setembro ainda agora começou.

Não precisamos de saber como será o mês inteiro.

Muito menos como serão os próximos meses.

Há novos caminhos a começar dentro das nossas famílias. Os filhos crescem, entram em novas etapas, ganham autonomia e obrigam-nos também a descobrir uma nova forma de sermos mães.

E, enquanto tudo se reorganiza à nossa volta, precisamos de recordar uma coisa:

nós também fazemos parte desta vida.

Não precisamos de chegar ao fim do dia depois de todos.

Não precisamos de voltar às rotinas abandonando-nos pelo caminho.

Podemos começar devagar.

Escolher.

Adaptar.

Experimentar.

Mudar de ideias.

E amanhã continuar.

Um dia de cada vez.

Ligações de Setembro

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado e Recomeço

→ Calendário SoLu@

→ Começa Aqui. – Para quem chegou agora à SoLu@.

→ Ser Melhor – Autocuidado, crescimento pessoal, hábitos e uma vida com mais sentido.

E durante Setembro iremos continuar a caminhar por:

Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas
Semana 3 — Deixar crescer
Semana 4 — Encontrar um novo equilíbrio

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Mas lembra-te sempre:

O calendário é um guia, não uma prisão.

Queres viver este mês comigo?

Se Setembro também chegou à tua vida com mudanças, regressos, filhos a crescer, novas rotinas ou simplesmente vontade de recomeçar de outra maneira, fica por aqui.

Na Newsletter SoLu@ partilho estas reflexões de uma forma mais próxima, juntamente com aquilo que cada mês me vai ensinando.

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Perguntas frequentes

O que é o Calendário SoLu@?

É um calendário mensal de reflexão e desenvolvimento pessoal, com temas, frases, perguntas e práticas simples para trazer mais consciência à vida quotidiana.

Tenho de cumprir todas as práticas?

Não.

Nunca.

Escolhe aquilo que fizer sentido para ti e para o momento que estás a viver.

Posso começar o calendário depois do início do mês?

Claro.

Não existe atraso num calendário que pretende ajudar-nos a viver com mais presença.

Começa no dia em que chegares.

Como posso acompanhar Setembro?

Podes acompanhar os posts semanais no solua.pt, seguir as publicações e stories nas redes sociais e subscrever a Newsletter SoLu@.

🎓✨ A Nossa Filha do Meio foi Colocada na Universidade! ✨🎓

ovem a iniciar uma nova etapa depois de ser colocada na universidade.

Há momentos na vida dos nossos filhos que parecem chegar devagar.

Vamos falando deles durante meses. Fazemos contas, pesquisamos cursos, universidades, médias, exames, possibilidades. Imaginamos cenários. Tentamos preparar-nos.

E depois chega o dia.

E aquilo que durante tanto tempo foi um “um dia” transforma-se num “é agora”.

Hoje escrevo novamente estas palavras:

Temos uma filha colocada na Universidade. 🎓❤️

Há dois anos escrevi sobre a colocação do nosso primeiro filho na universidade. Foi a primeira vez que vivemos esta mistura tão estranha e tão bonita de orgulho, felicidade, ansiedade e aquela sensação de que alguma coisa dentro da nossa família estava a mudar.

Hoje é diferente.

Não porque seja menos emocionante.

Mas porque cada filho tem o seu caminho. E cada partida toca-nos num lugar diferente do coração.

Desta vez é ela

A nossa filha do meio.

Aquela menina que tantas vezes parece não precisar que lhe digamos para onde deve ir.

Determinada. Independente. Trabalhadora. Persistente.

Com uma força serena muito própria.

Terminou o secundário, fez os exames, escolheu, candidatou-se e esperou.

E nós esperámos com ela.

Talvez os pais saibam bem como são estes dias.

Abrimos páginas, vemos médias, fazemos contas, pensamos nas diferentes possibilidades.

Perguntamos:

“E se entrar aqui?”

“E se não entrar?”

“E o alojamento?”

“E quanto vai custar?”

“Como vamos organizar tudo?”

Porque a entrada na universidade não é apenas uma colocação numa lista.

É uma mudança de vida.

Para eles.

E também para nós.

E o nome apareceu na lista

Colocada.

Uma palavra tão pequena para tudo o que significa.

Por detrás dela estão anos de escola, testes, trabalhos, dias bons e dias menos bons, dúvidas, esforço, escolhas, crescimento.

E estão também os sonhos.

Os dela.

Não os nossos.

Talvez essa seja uma das maiores aprendizagens da maternidade: perceber que chega uma altura em que já não somos nós que escolhemos o caminho.

Podemos orientar.

Podemos aconselhar.

Podemos fazer perguntas.

Podemos ajudar a pensar.

Mas depois temos de confiar.

O caminho é deles.

Ser mãe também é aprender a deixar ir

Quando os nossos filhos são pequenos, passamos grande parte da vida a segurá-los.

Seguramos a mão para atravessar a estrada.

Seguramos quando aprendem a andar.

Seguramos quando têm medo.

Seguramos quando caem.

Mas eles crescem.

E ser mãe passa, pouco a pouco, de segurar para estar disponível.

De decidir por eles para os ajudar a decidir.

De proteger de tudo para confiar naquilo que lhes ensinámos.

Talvez seja esta uma das partes mais difíceis — e mais bonitas — de amar um filho:

dar-lhe raízes suficientemente fortes para que um dia tenha coragem de criar as suas próprias asas.

Agora começa outra aventura

Depois da alegria da colocação chegam as coisas práticas.

A matrícula.

Os horários.

Os transportes.

O alojamento.

As contas.

As mudanças.

Uma nova cidade, novas pessoas, novas rotinas, novas responsabilidades.

E provavelmente alguns medos que ainda nem sabemos que existem.

Mas também chegam oportunidades.

Conhecimento.

Amizades.

Descobertas.

Liberdade.

Erros.

Escolhas.

Crescimento.

Vida.

E é isso que desejo para ela.

Não desejo que tudo lhe corra sempre bem.

Desejo algo maior.

Que saiba encontrar-se quando alguma coisa correr mal.

Que tenha coragem para pedir ajuda.

Que não tenha medo de mudar de opinião.

Que saiba que uma nota nunca define o seu valor.

Que encontre pessoas que lhe façam bem.

Que aprenda muito para além daquilo que estiver nos livros.

Que continue a confiar nos seus instintos.

E que nunca pense que precisa de ter toda a vida decidida aos 18 anos.

Tenho orgulho em ti

Hoje não quero celebrar apenas uma entrada na universidade.

Quero celebrar o caminho que fizeste até aqui.

A menina que foste.

A jovem em que te transformaste.

A tua persistência.

A tua capacidade de trabalhar pelo que queres.

A tua independência.

E essa maneira tão tua de avançar.

Tenho orgulho em ti.

Não porque foste colocada numa universidade.

Mas porque estás a construir o teu caminho.

E isso é muito mais importante.

A nossa família entra também numa nova fase

Há dois anos foi o primeiro.

Agora és tu.

E, inevitavelmente, olho para a nossa família e percebo como o tempo passou.

Durante tantos anos a nossa vida foi feita de levar e buscar filhos, escolas, reuniões, trabalhos, testes, atividades, horários e mochilas espalhadas pela casa.

Parecia que esta fase nunca iria acabar.

Mas acaba.

Ou talvez não acabe.

Transforma-se.

Continuamos a ser pais.

Continuamos preocupados.

Continuamos a querer ajudar.

Só precisamos de aprender uma nova forma de estar presentes.

Mais ao lado.

Menos à frente.

Vai, filha

Vai aprender.

Vai conhecer pessoas.

Vai descobrir lugares.

Vai questionar aquilo que pensavas saber.

Vai errar.

Vai recomeçar.

Vai descobrir quem és quando nós não estivermos ao lado para te dizer o que fazer.

E, sobretudo, vive esta etapa.

Não tenhas pressa de chegar ao fim.

Porque um dia vais olhar para trás e perceber que estes anos também fizeram parte da pessoa em que te tornaste.

Nós estaremos aqui.

Talvez com demasiadas perguntas.

Talvez preocupados com coisas que para ti parecem insignificantes.

Talvez ainda a aprender a deixar-te voar.

Mas estaremos aqui.

Sempre.

Porque há uma coisa que não muda quando os filhos crescem:

o amor não os prende.
O amor dá-lhes um lugar seguro para onde podem sempre voltar.

Parabéns, filha. 🎓✨

Hoje começa um novo capítulo da tua vida.

E eu tenho o privilégio de continuar aqui, a assistir à tua história.

Com orgulho.

Com algum medo.

Com muita esperança.

E, como sempre,

com Amor Incondicional. ❤️


Frase de destaque SoLu@

“Criar um filho também é prepará-lo para um dia seguir um caminho onde já não precisamos de ir à frente — basta que ele saiba que continuamos aqui.”

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