Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar.

Os meus sonhos mudaram. O meu propósito também pode mudar | SoLu@

Há sonhos que deixamos para trás. Outros que aprendemos a viver de maneira diferente. E há aqueles que só descobrimos depois de termos percorrido um longo caminho.

Quando somos mais novos, imaginamos a vida de uma determinada maneira.

Fazemos planos, construímos sonhos, definimos metas. Acreditamos que sabemos quem queremos ser, o que queremos alcançar e como será o nosso futuro.

Depois, a vida acontece.

Chegam as escolhas, as responsabilidades, o amor, a maternidade, as alegrias inesperadas e também as desilusões. Há caminhos que seguimos por vontade própria e outros que nunca imaginámos ter de percorrer.

E, quase sem darmos conta, começamos a mudar.

Mudam as nossas prioridades. Mudam as pessoas de quem cuidamos. Muda aquilo que esperamos da vida.

Às vezes, até os sonhos que um dia nos fizeram levantar da cama deixam de fazer sentido.

E isso pode assustar-nos.

Porque fomos ensinados a acreditar que devemos perseguir os nossos sonhos até ao fim. Que desistir é falhar. Que mudar de rumo significa não ter conseguido chegar onde queríamos.

Mas será mesmo assim?

Quando os sonhos deixam de ser os mesmos

Hoje, quando olho para trás, percebo que nem todos os sonhos que tive continuam a ser os meus sonhos.

Alguns concretizaram-se. Outros ficaram pelo caminho. E há aqueles que perderam importância porque, entretanto, descobri coisas que passaram a valer muito mais.

A vida ensinou-me que nem sempre conseguimos ter tudo, fazer tudo ou ser tudo aquilo que imaginámos.

Também me ensinou que existem formas de felicidade que nunca teríamos sabido desejar quando éramos mais novos.

Talvez porque só a experiência nos permite compreender o verdadeiro valor de certas coisas.

O tempo com quem amamos. A tranquilidade de uma casa. A saúde. A liberdade de sermos quem somos. A possibilidade de continuar a aprender, mesmo quando julgávamos já saber tanto.

E, sobretudo, a paz de não precisarmos de provar constantemente que estamos a chegar a algum lado.

O propósito também cresce connosco

Durante muito tempo, podemos acreditar que o nosso propósito está ligado a uma profissão, a uma conquista ou a um grande objectivo.

Queremos construir uma carreira, formar uma família, alcançar estabilidade, realizar um sonho antigo.

E não há nada de errado nisso.

Mas o propósito não tem necessariamente de ser uma missão grandiosa, nem precisa de permanecer igual durante toda a vida.

Pode mudar quando nos tornamos mães.

Pode transformar-se quando os filhos crescem e começam a construir os seus próprios caminhos.

Pode ganhar outro significado depois de uma perda, de uma doença, de uma desilusão ou de um recomeço.

Pode até surgir numa fase em que sentimos que precisamos de voltar a olhar para nós.

Porque, por vezes, passamos tantos anos a cuidar, a trabalhar, a organizar e a responder às necessidades dos outros que nos esquecemos de perguntar:

E eu? O que quero continuar a construir nesta fase da minha vida?

Não se trata de deixar de amar ou de cuidar.

Trata-se de reconhecer que também temos direito a continuar a crescer.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Nesta Sexta-feira Nostálgica, regresso a uma proposta do antigo Calendário da Felicidade, guardado no Arquivo SoLu@.

Dia 30 — «Defina uma meta que ligue ao seu propósito na vida!»

Uma frase simples, mas que hoje me faz pensar de outra maneira.

Talvez, quando a li pela primeira vez, tivesse pensado numa meta concreta, num objectivo a alcançar, numa coisa importante para fazer.

Hoje, a pergunta que me acompanha é um pouco diferente:

Aquilo que estou a tentar alcançar ainda faz sentido para a pessoa que sou agora?

Porque também podemos continuar a perseguir objectivos antigos apenas por hábito, por receio de desiludir alguém ou porque nos custa admitir que mudámos.

E talvez uma das aprendizagens mais importantes da vida seja perceber que podemos escolher novamente.

Sem apagar o passado.

Sem desvalorizar aquilo que já fizemos.

Sem sentir que estamos a começar do zero.

Nem sempre precisamos de um novo sonho. Às vezes, precisamos de uma nova forma de viver.

Há fases em que não sabemos exactamente o que queremos.

Sabemos apenas que algumas coisas já não nos fazem tão felizes como antes.

Sentimos necessidade de mais tempo, mais calma, mais verdade. Ou de recuperar algo de nós que ficou esquecido entre tantas responsabilidades.

Nessas alturas, talvez não precisemos de encontrar imediatamente uma nova missão.

Talvez precisemos apenas de nos escutar.

De voltar a fazer algo de que gostamos.

De aprender uma coisa nova.

De escrever.

De cuidar melhor da nossa saúde.

De recuperar uma amizade.

De dedicar tempo a um projecto que ficou adiado.

Ou simplesmente de permitir que os dias tenham mais espaço para aquilo que nos faz bem.

Um propósito também pode começar num gesto pequeno.

E não precisa de impressionar ninguém para ter valor.

Uma pequena prática para esta semana

Hoje, convido-te a reservar alguns minutos para pensar em três perguntas:

  1. Que sonho antigo já não faz sentido para mim?
    Não para o lamentar, mas para reconhecer aquilo que mudou.
  2. O que continua a dar sentido aos meus dias?
    Pode ser uma pessoa, uma actividade, um valor, um projecto ou uma forma de estar na vida.
  3. Que pequena meta posso definir para me aproximar daquilo que hoje considero importante?
    Uma meta possível, concreta e minha.

Não precisamos de transformar todas as reflexões em grandes decisões.

Às vezes, basta perceber que há algo que queremos fazer de maneira diferente.

E dar o primeiro passo.

De Outubro para Novembro: continuar a caminhar

Outubro convidou-nos a olhar para a vida com mais optimismo e esperança.

A acreditar outra vez. A confiar no que cresce. A encontrar alguma luz nos dias difíceis. A olhar em frente.

Agora, à medida que nos aproximamos de Novembro, surge um novo convite: reconhecer o caminho percorrido e continuar a aprender.

Porque a esperança também precisa de movimento.

Não basta acreditar que as coisas podem mudar. Em determinados momentos, precisamos de encontrar coragem para fazer escolhas, experimentar outros caminhos e aceitar que ainda temos muito para descobrir.

Talvez o próximo capítulo não seja aquele que imaginámos há vinte anos.

Talvez seja diferente.

Mais simples. Mais consciente. Mais próximo daquilo que realmente importa.

E talvez isso também seja uma forma de realizar os nossos sonhos.

Para guardar no coração

Os meus sonhos mudaram. E eu também. Não preciso de ser fiel a todos os planos que fiz, mas quero continuar a ser fiel àquilo que dá sentido à minha vida.

Hoje, não quero medir o meu caminho apenas pelos sonhos que consegui concretizar.

Quero também reconhecer tudo aquilo que aprendi, as pessoas que amei, os desafios que atravessei e a mulher em que me fui tornando.

Porque crescer também é aceitar que podemos mudar de ideias, de prioridades e de direcção.

E continuar a acreditar que ainda há coisas bonitas por viver.

Com carinho,
SoLu@


E tu?

Há algum sonho que deixaste para trás e que, hoje, percebes que já não precisas de realizar?

Ou há um sonho novo, ainda pequenino, que começa agora a ganhar espaço na tua vida?

Se te apetecer, partilha comigo. Talvez a tua reflexão ajude outra pessoa a perceber que mudar de caminho também pode ser uma forma de continuar.

Do Arquivo para o presente: visita o Arquivo SoLu@ e acompanha o Calendário SoLu@, onde cada mês é um convite para viver com mais consciência, um dia de cada vez.

O calendário é um guia, não uma prisão.

Quando tudo parece difícil, lembrar aquilo que também correu bem

Quando tudo parece difícil, lembrar o que correu bem

Há dias em que a vida pesa tanto que nos esquecemos de reconhecer aquilo que, apesar de tudo, continua a correr bem.

Há fases da vida em que parece que tudo acontece ao mesmo tempo.

Uma preocupação com os filhos. Uma notícia que não esperávamos. Um problema de saúde. Uma situação familiar que nos tira o sono. Planos que não se concretizam, decisões difíceis, responsabilidades que se acumulam.

E, quando damos por nós, estamos tão concentradas no que falta resolver que deixamos de reparar naquilo que já conseguimos ultrapassar.

Eu própria reconheço esta tendência.

Há dias em que me deito a pensar em tudo o que ficou por fazer, nas preocupações que continuam sem resposta e naquilo que gostaria de conseguir mudar.

Como mãe, como mulher, como alguém que procura cuidar dos seus e construir uma vida com sentido, nem sempre é fácil desligar a cabeça.

Por vezes, parece que uma preocupação substitui outra. E, quando finalmente conseguimos resolver alguma coisa, já estamos a pensar no próximo problema.

Mas será que, no meio de tudo isto, também conseguimos reconhecer aquilo que correu bem?

Quando as dificuldades ocupam todo o espaço

A nossa atenção tem uma forma curiosa de funcionar.

Podemos ter vivido um dia com vários momentos tranquilos e, ainda assim, chegar à noite a pensar apenas naquele que nos magoou, preocupou ou desiludiu.

Uma conversa difícil parece apagar outras conversas boas.

Uma notícia menos positiva parece pesar mais do que várias pequenas alegrias.

E uma situação que não conseguimos controlar pode fazer-nos esquecer tantas outras em que fomos capazes de encontrar soluções.

Não significa que sejamos ingratas ou pessimistas.

Significa, muitas vezes, que estamos cansadas, preocupadas ou simplesmente a tentar dar resposta a demasiadas coisas.

Mas também significa que precisamos, de vez em quando, de recuperar uma visão mais completa da nossa própria vida.

Porque a vida não é feita apenas daquilo que nos corre mal.

Também é feita daquilo que conseguimos, do que aprendemos, das pessoas que permanecem e dos pequenos momentos que nos ajudam a continuar.

Uma memória do Arquivo SoLu@

Ao revisitar os textos antigos do SoLu@, encontro muitas vezes mensagens que continuam a fazer sentido no presente.

No Dia 23 do antigo calendário de Outubro Otimista, a proposta era simples:

Escrever três coisas específicas que correram bem recentemente.

Parece um exercício pequeno.

E é.

Mas talvez seja precisamente por isso que merece ser recuperado.

Não nos pede que ignoremos os problemas, que escondamos a tristeza ou que finjamos que tudo está bem.

Convida-nos apenas a recordar que, mesmo quando estamos a atravessar dificuldades, podem existir acontecimentos positivos que passaram quase despercebidos.

E que também fazem parte da nossa história.

Três coisas que também correram bem

Pensei no valor deste exercício para a minha própria vida.

Nem sempre precisamos de encontrar grandes acontecimentos.

Às vezes, aquilo que correu bem foi uma conversa com um filho que nos deixou mais tranquilas.

Um momento à mesa em família.

Uma preocupação que afinal não se confirmou.

Uma tarefa que conseguimos terminar depois de vários dias a adiá-la.

Uma gargalhada inesperada.

Ou simplesmente termos conseguido enfrentar um dia difícil sem desistir de nós próprias.

Há pequenas vitórias que ninguém vê.

E há gestos tão habituais que deixamos de lhes reconhecer o valor.

Talvez porque estamos sempre à espera de algo maior.

De uma solução definitiva.

De uma fase mais tranquila.

De um momento em que tudo esteja finalmente no seu lugar.

Mas a vida raramente nos oferece essa perfeição.

E, enquanto esperamos por ela, podemos deixar passar muitos dos momentos que também mereciam ficar guardados.

A gratidão não apaga aquilo que dói

Há uma coisa que considero importante esclarecer.

Não acredito numa gratidão que nos obrigue a sorrir quando estamos tristes.

Nem num optimismo que nos faça sentir culpadas por termos medo, dúvidas ou dias menos bons.

Há situações verdadeiramente difíceis. Há perdas que deixam marcas. Há preocupações que não desaparecem apenas porque decidimos pensar de forma positiva.

E está tudo bem em reconhecer isso.

Ser grata não significa estar satisfeita com tudo o que acontece na nossa vida.

Significa conseguir reconhecer o que tem valor, mesmo quando outras coisas continuam a doer.

Podemos estar preocupadas com o futuro de alguém que amamos e, ao mesmo tempo, agradecer a oportunidade de estarmos presentes na sua vida.

Podemos sentir saudades de quem já partiu e continuar a encontrar motivos para sorrir.

Podemos estar cansadas e reconhecer que, apesar de tudo, fizemos o melhor que conseguimos.

As duas realidades podem existir ao mesmo tempo.

E talvez seja essa uma das formas mais maduras de viver a esperança.

Não negar a dificuldade, mas também não permitir que ela conte sozinha toda a nossa história.

O que a memória nos pode ensinar

Quando olho para trás, percebo que já existiram momentos em que pensei que não conseguiria encontrar uma solução.

Houve situações que me preocuparam profundamente.

Decisões que me fizeram duvidar.

Mudanças que não desejava.

E acontecimentos que alteraram a forma como imaginava o futuro.

Nem tudo se resolveu como eu queria.

Algumas coisas continuam sem resposta.

Mas outras acabaram por encontrar o seu caminho.

E eu própria fui aprendendo, muitas vezes sem perceber, a lidar com realidades que antes me pareciam impossíveis.

É por isso que considero tão importante guardar memórias.

Não apenas as fotografias dos dias felizes ou as datas especiais.

Também as pequenas conquistas, os gestos de coragem, as dificuldades ultrapassadas e os momentos em que a vida nos surpreendeu pela positiva.

Porque, quando voltamos a atravessar uma fase difícil, essas memórias podem recordar-nos algo essencial:

Já houve dias em que também não sabíamos como continuar. E, de alguma forma, encontrámos o passo seguinte.

Isso não garante que tudo vá correr bem amanhã.

Mas pode ajudar-nos a acreditar que ainda existem possibilidades que hoje não conseguimos ver.

Um pequeno exercício para esta sexta-feira

Hoje, convido-te a recuperar a proposta do Arquivo SoLu@.

Pega num caderno, numa folha ou simplesmente nas notas do telemóvel.

E escreve:

1. Uma coisa que correu bem esta semana.

Pode ser algo simples, mas procura recordar exactamente o que aconteceu.

2. Uma situação que conseguiste enfrentar melhor do que esperavas.

Talvez não tenha sido perfeita. Talvez tenha exigido esforço. Mas reconhece a tua participação nesse caminho.

3. Um momento ou uma pessoa que te fez sentir bem.

Uma conversa, uma presença, uma mensagem, um gesto de carinho ou um instante de tranquilidade.

Depois, relê aquilo que escreveste.

Não para te convenceres de que tudo está bem.

Mas para recordares que nem tudo está mal.

E, se hoje não conseguires encontrar três coisas, escreve apenas uma. Se nem isso for possível, não te julgues. Podes voltar ao exercício noutro dia.

A gratidão também precisa de espaço, de liberdade e de verdade.

Talvez precisemos de olhar para a nossa vida com mais ternura

Nem sempre damos a nós próprias o reconhecimento que merecemos.

Somos rápidas a identificar o que falhou, aquilo que não fizemos ou o que ainda precisamos de melhorar.

Mas raramente paramos para reconhecer tudo o que já sustentámos.

As noites mal dormidas.

As preocupações silenciosas.

As decisões tomadas com medo.

As vezes em que continuámos a cuidar de alguém, mesmo quando também precisávamos de cuidado.

E os pequenos momentos em que conseguimos fazer a diferença.

Talvez hoje seja um bom dia para reconhecer tudo isso.

Não como uma forma de nos conformarmos com aquilo que desejamos mudar.

Mas como um gesto de justiça para com a nossa própria história.

Porque também merecemos recordar aquilo que fizemos bem.

Reflexão final SoLu@

Há dias em que a vida parece mostrar-nos apenas aquilo que falta.

Falta tempo. Falta descanso. Falta uma resposta. Falta a tranquilidade que tanto desejamos.

Mas, se olharmos com atenção, talvez descubramos que também existem coisas que permanecem.

O amor de alguém.

Uma pequena conquista.

Uma dificuldade que já ultrapassámos.

Um gesto que nos fez sorrir.

Uma esperança que, apesar de tudo, ainda não desapareceu.

E talvez seja suficiente para começarmos a olhar para o amanhã com um pouco mais de confiança.

SoLu@ — “Nem tudo correu como eu queria. Mas, quando olho para trás com carinho, descubro que também houve tanto que correu bem.”

Com carinho,

SoLu@

Amor Incondicional · Aprender a Amar e a Viver…

Sugestão de Leitura

Também precisamos de agradecer à mulher que fomos

Mulher num momento de reflexão e gratidão pelo caminho percorrido.

Há uma mulher dentro de nós que atravessou dias difíceis, cuidou de tanta gente, adiou sonhos e continuou, mesmo quando ninguém reparou. Talvez esteja na hora de lhe agradecer.

Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança

Ser Melhor | Sexta-feira Nostálgica

Quando foi a última vez que agradeceste a ti própria?

Há dias em que olhamos para a nossa vida e pensamos em tudo o que ainda falta fazer.

As tarefas por terminar. Os sonhos que ficaram à espera. As decisões que poderíamos ter tomado de outra maneira. Aquilo que não conseguimos mudar.

Somos tantas vezes exigentes connosco próprias.

Queremos ser melhores mães, melhores companheiras, melhores filhas, melhores profissionais. Queremos estar presentes, cuidar, compreender, resolver e encontrar forças para continuar.

Mas raramente paramos para reconhecer tudo aquilo que já fizemos.

E hoje, ao revisitar uma reflexão antiga do meu Arquivo SoLu@, encontrei um convite que me parece cada vez mais importante:

Agradecer a nós próprias.

Não apenas pelo que conquistámos, mas também por tudo aquilo que enfrentámos para chegar até aqui.

O trabalho invisível de uma mulher

Há um trabalho que não aparece nos currículos, nas fotografias de família ou nas conversas sobre sucesso.

É o trabalho de quem se lembra das consultas, das preocupações, das necessidades de cada pessoa.

De quem percebe quando um filho não está bem, mesmo quando ele responde que está tudo bem.

De quem organiza, antecipa, acompanha e tenta encontrar soluções.

De quem cuida dos outros e, tantas vezes, deixa as próprias necessidades para depois.

E não falo apenas de tarefas domésticas.

Falo daquele trabalho emocional que acompanha tantas mulheres ao longo da vida.

As preocupações que levamos para a cama. As perguntas para as quais ainda não temos respostas. O desejo de proteger quem amamos, mesmo sabendo que nem tudo depende de nós.

Por vezes, estamos tão habituadas a fazer tudo isto que deixamos de reconhecer o esforço que representa.

Como se cuidar fosse uma obrigação que não merecesse reconhecimento.

Mas merece.

Porque aquilo que fazemos por amor também exige tempo, energia, coragem e, muitas vezes, uma parte de nós.

À mulher que fui…

Hoje gostava de olhar para trás com um pouco mais de ternura.

Para a jovem que tinha tantos sonhos e ainda não sabia o que a vida lhe iria ensinar.

Para a mulher que aprendeu a amar, a construir uma família e a descobrir a maternidade.

Para a mãe que tantas vezes teve dúvidas, receios e inseguranças, mas procurou fazer o melhor que sabia.

Para a mulher que enfrentou mudanças, perdas, preocupações e momentos em que a vida não aconteceu como tinha imaginado.

Talvez nem sempre tenha tomado as melhores decisões.

Talvez tenha exigido demasiado de si própria.

Talvez tenha passado anos a pensar primeiro nos outros e só depois em si.

Mas fez um caminho.

Aprendeu. Errou. Recomeçou.

E, sobretudo, continuou.

Hoje não quero olhar para essa mulher apenas com os olhos de quem sabe o que aconteceu depois.

Quero olhá-la com a compreensão que talvez lhe tenha faltado naquele tempo.

Obrigada à mulher que fui, por ter feito o melhor que conseguia com aquilo que sabia, sentia e tinha naquele momento.

Nem tudo aquilo que fizemos foi perfeito. E está tudo bem.

Durante muitos anos, podemos carregar a sensação de que devíamos ter feito mais.

Ter tido mais paciência.

Ter estado mais presentes.

Ter percebido mais cedo determinadas situações.

Ter cuidado melhor de nós.

Mas existe uma diferença entre aprender com o passado e continuar a castigar-nos por ele.

Hoje sabemos coisas que antes desconhecíamos.

Temos experiências que ainda não tínhamos vivido.

Compreendemos melhor determinadas escolhas, comportamentos e acontecimentos.

E isso não significa que a mulher de ontem tenha falhado.

Significa que a mulher de hoje cresceu.

Agradecer a quem fomos não é fingir que fizemos tudo bem.

É reconhecer o esforço, aceitar as imperfeições e permitir que o passado nos ensine sem continuar a magoar-nos.

E quem cuida de quem cuida?

Esta é uma pergunta que me acompanha cada vez mais.

Quando passamos tantos anos a cuidar da família, a acompanhar o crescimento dos filhos e a preocupar-nos com o bem-estar de quem amamos, podemos esquecer-nos de perguntar:

E eu? Como estou verdadeiramente?

Não é egoísmo querer descansar.

Não é falta de amor precisar de tempo para nós.

Não é abandonar ninguém reconhecer que também temos limites.

Talvez uma das aprendizagens mais importantes da maturidade seja compreender que o nosso valor não depende apenas daquilo que fazemos pelos outros.

Somos mais do que as nossas responsabilidades.

Também temos sentimentos, sonhos, necessidades e uma identidade que merece espaço.

E podemos continuar a amar profundamente a nossa família sem deixar de cuidar da mulher que existe para além dela.

Do Arquivo SoLu@ para o presente

Esta reflexão nasce de um dos exercícios do antigo calendário que fui partilhando nos Blogs SAPO, inspirado no movimento Action for Happiness.

No Dia 16, o convite era simples: agradecer a si próprio.

Na altura, talvez fosse apenas mais um pequeno exercício de gratidão e crescimento pessoal.

Hoje, ao revisitá-lo, encontro nele um significado mais profundo.

Porque o tempo muda a forma como olhamos para aquilo que vivemos.

E os textos antigos têm essa capacidade bonita de nos devolver perguntas que, anos depois, continuam a fazer sentido.

O Arquivo SoLu@ guarda precisamente isso: a memória da mulher que fui, das palavras que escrevi, das ideias em que acreditei e das aprendizagens que me acompanharam.

Não quero apagar essa mulher para dar lugar à mulher que sou hoje.

Quero que as duas possam conversar.

Porque uma não existiria sem a outra.

A esperança também nasce daquilo que já conseguimos superar

Outubro é, no Calendário SoLu@, o mês do Optimismo e da Esperança.

E há uma forma de esperança que nem sempre reconhecemos.

Aquela que nasce quando olhamos para trás e percebemos:

Já enfrentámos dias que julgávamos não conseguir atravessar.

Já encontrámos soluções para problemas que pareciam não ter resposta.

Já aprendemos a viver com mudanças que não escolhemos.

Já recomeçámos mais vezes do que imaginávamos.

Isto não significa que o futuro seja fácil ou que tudo acabe por correr como desejamos.

Mas recorda-nos que temos uma história de aprendizagem, adaptação e coragem.

A esperança não precisa de nascer da certeza de que tudo vai correr bem. Pode nascer da confiança de que continuaremos a procurar o melhor caminho possível.

Um pequeno exercício de gratidão por ti

Hoje proponho-te algo diferente.

Em vez de escreveres uma lista de tudo aquilo por que estás grata, escreve uma pequena carta à mulher que foste.

Pensa em três momentos da tua vida:

1. Um momento em que foste corajosa.

Mesmo que ninguém tenha percebido o medo que sentias.

2. Um momento em que cuidaste de alguém.

Mesmo que esse gesto tenha passado despercebido.

3. Um momento em que continuaste.

Mesmo sem saber exactamente como seria o dia seguinte.

Agora termina esta frase:

«Obrigada à mulher que fui por…»

Não precisas de escrever muito.

Talvez algumas palavras sejam suficientes para começares a olhar para ti com mais carinho.

Para terminar…

Hoje quero agradecer à mulher que fui.

Àquela que sonhou, que amou, que cuidou, que teve medo, que chorou e que encontrou motivos para sorrir.

Àquela que nem sempre soube o que fazer, mas procurou fazer o melhor que conseguia.

Àquela que tantas vezes se colocou em último lugar.

E também àquela que, aos poucos, está a aprender que merece fazer parte das suas próprias prioridades.

Não sei tudo o que o futuro me reserva.

Sei apenas que quero continuar a aprender, a amar e a viver com mais consciência.

E que não preciso de desvalorizar a mulher que fui para me tornar na mulher que desejo ser.

Porque também merecemos ser reconhecidas por nós próprias.

Com carinho,

SoLu@ — Amor Incondicional

«Hoje agradeço à mulher que fui. Não por ter feito tudo bem, mas por nunca ter deixado de aprender a viver.»


E tu?

Se hoje pudesses encontrar a mulher que eras há dez ou vinte anos, o que lhe dirias?

Talvez não precisasses de lhe dar conselhos.

Talvez bastasse abraçá-la e dizer:

Obrigada. Fizeste o melhor que sabias. Agora deixa-me continuar.

Partilha comigo, nos comentários: pelo que gostarias de agradecer à mulher que foste?

Continua este caminho comigo

Este texto integra o Calendário SoLu@ de Outubro de 2026 — Optimismo e Esperança.

Descobre as reflexões e pequenas práticas do mês em Calendário SoLu@ — Outubro.

E, se gostas de encontrar nas palavras um espaço para pensar, sentir e crescer, acompanha a Newsletter SoLu@.

Porque não precisamos de fazer tudo de uma vez. Podemos continuar, um dia de cada vez.

Sugestão de Leituras:

Quando deixamos de procurar culpados e começamos a procurar caminho

Caminho símbolo de esperança e de novos caminhos

Às vezes, a esperança começa quando deixamos de perguntar «De quem foi a culpa?» e começamos a perguntar «O que posso fazer agora?».

Sexta-feira Nostálgica | Calendário SoLu@ — Outubro 2026 | Optimismo e Esperança

Há pensamentos antigos que regressam à nossa vida com um significado diferente.

Não porque tenham deixado de fazer sentido, mas porque nós mudámos.

Crescemos. Vivemos. Errámos. Desiludimo-nos. Aprendemos que nem sempre temos razão, que nem sempre conseguimos evitar o sofrimento e que há acontecimentos para os quais nunca encontramos uma explicação verdadeiramente satisfatória.

Hoje, nesta Sexta-feira Nostálgica, volto a uma reflexão que escrevi no âmbito do calendário de Outubro Optimista:

«Evite culpar a si mesmo ou aos outros…»

Uma frase aparentemente simples, mas que, quando olhamos para a nossa própria vida, pode tornar-se bastante mais complexa.

Porque será assim tão fácil deixar de procurar culpados?

E será que deixar de culpar significa deixar de responsabilizar?

Quando alguma coisa corre mal, queremos encontrar uma explicação

Penso que todos nós já passámos por momentos em que sentimos necessidade de perceber por que razão alguma coisa aconteceu.

Uma decisão que não correu como esperávamos.

Uma relação que nos magoou.

Uma oportunidade que perdemos.

Uma palavra que dissemos e da qual nos arrependemos.

Ou uma situação que, por mais que tentássemos, não conseguimos controlar.

Nesses momentos, é tão fácil cair na procura de culpados.

Por vezes, culpamos os outros porque sentimos que foram injustos connosco.

Outras vezes, voltamos a culpa contra nós próprias:

Se eu tivesse feito diferente…

Se tivesse percebido mais cedo…

Se tivesse dito alguma coisa…

Se tivesse tomado outra decisão…

E ficamos ali, a repetir mentalmente aquilo que já não conseguimos mudar.

Como se encontrar o momento exacto em que tudo correu mal pudesse devolver-nos a possibilidade de escrever outra história.

Mas o passado não muda só porque continuamos a interrogá-lo.

E, por vezes, nessa procura incessante de explicações, esquecemo-nos de olhar para aquilo que ainda podemos fazer.

Nem tudo é culpa nossa. Mas há coisas pelas quais somos responsáveis.

Com o passar dos anos, fui percebendo que existe uma diferença muito importante entre culpa e responsabilidade.

A culpa, quando se transforma numa condenação permanente, prende-nos ao que aconteceu.

A responsabilidade, pelo contrário, pode ajudar-nos a compreender, reparar e seguir em frente.

Não significa que todas as situações sejam iguais.

Há momentos em que cometemos erros e precisamos de os reconhecer.

Há outros em que alguém nos magoou e essa pessoa deve assumir a responsabilidade pelos seus actos.

E há acontecimentos que simplesmente não dependiam de nós.

Deixar de procurar culpados não significa desculpar tudo, aceitar injustiças ou fingir que nada aconteceu.

Significa aprender a distinguir aquilo que podemos mudar daquilo que precisamos de aceitar, sem confundir aceitação com resignação.

Podemos reconhecer uma injustiça e estabelecer limites.

Podemos admitir um erro e pedir desculpa.

Podemos sofrer uma desilusão e decidir não continuar numa situação que nos faz mal.

E podemos, sobretudo, deixar de carregar responsabilidades que nunca foram nossas.

A vida também me ensinou a olhar para mim

Quando revisito os meus textos antigos, encontro muitas vezes uma versão de mim que procurava respostas para quase tudo.

Acreditava, e continuo a acreditar, na importância dos pensamentos positivos, da esperança e da nossa atitude perante a vida.

Mas hoje sei que ser positiva não significa estar sempre bem.

Que ter esperança não significa acreditar que tudo vai correr exactamente como desejamos.

E que assumir a responsabilidade pela nossa felicidade não significa sermos culpadas por tudo aquilo que nos acontece.

Há dias difíceis.

Há perdas que não conseguimos evitar.

Há decisões que tomamos com a informação e a maturidade que tínhamos naquele momento.

E há situações em que fazemos o melhor que sabemos, mesmo que, mais tarde, percebamos que poderíamos ter feito diferente.

Talvez crescer também seja isto:

Aprender a olhar para a mulher que fomos com mais compreensão e para a mulher que somos com mais responsabilidade.

Sem negar os erros.

Sem apagar as dores.

Mas também sem transformar cada falha numa sentença para toda a vida.

E se, em vez de procurar culpados, procurássemos um caminho?

Esta é a pergunta que hoje retiro daquela reflexão antiga.

Quando alguma coisa corre mal, podemos continuar a perguntar:

Porque é que isto me aconteceu?

Quem teve a culpa?

Porque não fiz diferente?

Mas talvez, depois de reconhecermos o que aconteceu e o que sentimos, possamos acrescentar outras perguntas:

O que posso aprender com esta experiência?

O que está ao meu alcance mudar?

Que limites preciso de estabelecer?

Há alguma coisa que possa reparar?

Qual é o próximo passo possível?

Nem sempre encontramos respostas imediatas.

Nem sempre existe uma solução simples.

E nem todos os caminhos nos levam exactamente ao lugar onde gostaríamos de chegar.

Mas procurar um caminho devolve-nos alguma capacidade de agir.

Mesmo quando esse caminho começa apenas por descansar, pedir ajuda, conversar ou aceitar que precisamos de tempo.

A esperança também vive nas soluções pequenas

Neste mês de Outubro, em que o Calendário SoLu@ nos convida a cultivar o Optimismo e a Esperança, esta reflexão ganha um significado especial.

Porque o optimismo que hoje procuro não é aquele que ignora os problemas.

É um optimismo mais consciente.

Que reconhece as dificuldades, mas não desiste de procurar possibilidades.

Que aceita que há coisas que não conseguimos resolver sozinhas.

Que compreende que pedir ajuda também é uma forma de avançar.

E que nos lembra que um erro não precisa de definir toda a nossa história.

Às vezes, a solução não é mudar tudo.

É mudar uma atitude.

Ter uma conversa que adiámos.

Pedir desculpa.

Perdoarmo-nos por não termos sabido fazer melhor.

Estabelecer um limite.

Ou simplesmente decidir que já não queremos continuar a viver presas à mesma pergunta.

Porque há perguntas que nos ajudam a compreender.

E há outras que, quando repetidas sem fim, apenas prolongam o sofrimento.

Do Arquivo SoLu@ para a vida de hoje

Quando comecei a escrever sobre estes temas, inspirada pelos calendários de felicidade e bem-estar, procurava sobretudo partilhar pequenas atitudes que nos ajudassem a viver de forma mais positiva.

Hoje, ao recuperar essas palavras, sinto vontade de lhes acrescentar aquilo que a vida me foi ensinando.

Não basta dizer a alguém para deixar de culpar.

É preciso reconhecer que, por detrás da culpa, pode existir tristeza, arrependimento, medo, injustiça ou uma dor que ainda não encontrou lugar.

E que cada pessoa precisa do seu tempo para compreender o que viveu.

Talvez a verdadeira mensagem não seja simplesmente «Não procures culpados».

Talvez seja:

«Reconhece o que aconteceu, assume o que te pertence, deixa o que não é teu e procura, com esperança, o caminho que ainda podes construir.»

É esta a reflexão que hoje acrescento ao meu antigo texto.

Porque o Arquivo SoLu@ não é apenas um lugar onde guardo palavras do passado.

É também um lugar onde posso reencontrar quem fui e perceber o quanto a vida me transformou.

Uma pequena prática para esta semana

Se existe alguma situação que ainda te pesa, convido-te a reservar uns minutos para escrever três frases:

  1. O que aconteceu? — Descreve os factos, sem te julgares.
  2. O que me pertence e o que não dependeu de mim? — Distingue responsabilidade de culpa.
  3. O que posso fazer agora? — Escolhe um pequeno passo possível, mesmo que seja apenas procurar apoio ou dar-te tempo.

Não precisas de resolver tudo hoje.

Nem de encontrar imediatamente uma resposta.

Às vezes, o primeiro passo é simplesmente deixar de te castigar por aquilo que já não podes mudar.

Para terminar…

Continuo a acreditar que os nossos pensamentos, palavras e atitudes fazem diferença na forma como vivemos.

Mas hoje acredito também que precisamos de ser mais gentis connosco.

Que a esperança não nasce de negar os problemas, mas de acreditar que ainda podemos encontrar maneiras de lidar com eles.

E que há uma enorme diferença entre viver à procura de culpados e viver disposta a aprender.

Talvez não possamos mudar aquilo que aconteceu ontem.

Mas podemos escolher o que fazer com aquilo que aprendemos.

E, às vezes, é nessa escolha que começa um novo caminho.

SoLu@ — «Não posso mudar todos os acontecimentos da minha vida. Mas posso aprender a não ficar para sempre presa à culpa e a procurar, com esperança, o próximo caminho.»


E tu?

Há alguma situação da tua vida em que sentiste que procurar uma solução te ajudou mais do que continuar à procura de culpados?

Se te fizer sentido, partilha a tua reflexão nos comentários.

Continua a caminhar comigo no SoLu@.

Descobre o Calendário SoLu@ e acompanha as reflexões de Outubro sobre Optimismo e Esperança.

Com carinho,

SoLu@

Se quiseres continuar esta reflexão

Talvez também gostes de ler:

Outubro no Calendário SoLu@ — Optimismo & Esperança
Um mês para aprender a cultivar esperança sem ignorar aquilo que custa.

Eu já procurava razões para ter esperança

Razões para ter esperança — reflexão SoLu@ sobre optimismo e esperança

Sexta-feira Nostálgica | Outubro — Optimismo & Esperança

Há palavras às quais regressamos muitas vezes ao longo da vida. Não porque continuemos no mesmo lugar, mas porque crescemos e aprendemos a entendê-las de outra maneira.

Esperança é uma dessas palavras.

Ao preparar este mês de Outubro e regressar aos textos antigos do Arquivo SoLu@, encontrei-me novamente em 2020.

Desde essa altura, fui acompanhando os calendários da Action for Happiness e levando algumas das propostas diárias para os meus antigos Blogs SAPO.

Eram pequenos desafios.

Parar.

Pensar.

Criar hábitos.

Procurar felicidade.

Ser gentil.

Acreditar.

Cuidar de nós e dos outros.

Eu pegava nessas sugestões e transformava-as em reflexões ligadas àquilo que estava a viver.

Hoje, quando olho para esses textos, percebo que muitas das sementes do actual Calendário SoLu@ já estavam ali.

Ainda sem este nome.

Ainda sem esta estrutura.

Mas já com a mesma vontade:

viver com mais consciência, mais amor e mais sentido.

Outubro de 2020: começar pelas metas

No dia 1 de Outubro de 2020, escrevi:

«Outubro otimista — Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês.»

Na altura queria recomeçar a conquista dos meus Bons Hábitos.

Um dos meus objectivos era cuidar melhor da alimentação.

Não apenas por mim, mas também pela minha família.

Mas nesse texto aparecia outra preocupação que, olhando para trás, continua muito presente em tudo aquilo que escrevo:

cuidar de mim sem deixar a vida passar ao lado.

Escrevi:

«Sei que há situações que eu não consigo controlar mas tenho que ter força para cuidar de mim, gostar de mim, ter uma melhor auto-estima…»

E recuperei também uma ideia ligada à maternidade:

«Hoje apetece-me dizer-te para não passares ao lado da tua vida com os teus filhos porque é nas pequenas coisas, no quotidiano da vida que o mais importante e o que mais influencia, acontece.»

As minhas metas para Outubro ficaram então muito simples:

cuidar melhor de mim
e
não deixar a vida passar ao lado, vivendo-a com quem amo.

Seis anos depois, continuo a reconhecer-me nestas palavras.

Dia 2: procurar motivos para ter esperança

No dia seguinte, voltei ao calendário.

O desafio era:

«Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis.»

E escrevi cinco razões.

1.º Motivo

Quero ser feliz e fazer os outros felizes.

Na altura escrevi que essa felicidade dependia de mim, dos meus pensamentos, palavras e acções.

Hoje talvez acrescentasse uma nuance.

Nem tudo depende de nós.

Nem sempre conseguimos escolher aquilo que nos acontece.

Nem conseguimos simplesmente pensar positivo e apagar aquilo que dói.

Mas continuamos a poder escolher muitas pequenas coisas.

A forma como tratamos alguém.

A forma como falamos connosco.

O cuidado que colocamos num gesto.

A decisão de procurar ajuda.

A escolha de tentar novamente.

Talvez a felicidade não dependa inteiramente de nós.

Mas podemos participar nela.

2.º Motivo

Tudo o que damos, recebemos em dobro.

Hoje leio esta frase de forma menos literal e mais humana.

Nem sempre recebemos da mesma pessoa.

Nem recebemos imediatamente.

E talvez nem recebamos exactamente aquilo que demos.

Mas acredito profundamente que aquilo que colocamos no mundo importa.

O cuidado deixa marcas.

A presença deixa marcas.

Uma palavra dita na altura certa pode ficar connosco durante anos.

E o amor que damos transforma-nos também a nós.

Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de receber de volta.

3.º Motivo

Ser gentil é grátis.

Esta continua a ser uma das ideias mais simples e mais poderosas.

Não sabemos o que a pessoa ao nosso lado está a viver.

Uma palavra pode aliviar um dia difícil.

Um gesto pode fazer alguém sentir-se visto.

Uma mensagem pode chegar precisamente quando era necessária.

Não conseguimos resolver todos os problemas das outras pessoas.

Mas podemos escolher não acrescentar mais peso.

Às vezes, a esperança também se transmite assim:

através da forma como tratamos alguém.

4.º Motivo

Um belo sorriso é contagioso.

Hoje talvez não dissesse que precisamos de sorrir sempre.

Há dias em que não conseguimos.

E tudo bem.

Mas continuo a acreditar na força daqueles pequenos momentos que mudam o ambiente à nossa volta.

Um sorriso verdadeiro.

Uma gargalhada inesperada.

Uma brincadeira.

Um instante de leveza no meio de uma fase difícil.

Não eliminam aquilo que dói.

Mas lembram-nos que a dor não ocupa necessariamente todo o espaço.

Ainda existe vida ao lado dela.

5.º Motivo

Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

Talvez esta seja a frase que mais mudou comigo.

Em 2020, «nunca desistir» parecia-me uma ideia muito clara.

Hoje continuo a acreditar nos sonhos.

Mas aprendi que não desistir nem sempre significa continuar exactamente pelo mesmo caminho.

Às vezes, precisamos de parar.

Mudar.

Reformular.

Aceitar que determinado sonho já não faz sentido.

Ou perceber que podemos chegar ao mesmo lugar de outra maneira.

Há sonhos que se transformam connosco.

E isso não significa fracassar.

Significa crescer.

Talvez hoje escrevesse:

Não desistas demasiado depressa daquilo que verdadeiramente importa para ti. Mas permite-te mudar a forma de lá chegar.

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Foi assim que terminei aquele pequeno texto em 2020.

E esta talvez seja a frase que mais me tocou quando o reli.

Porque, seis anos depois, continuo a acreditar nela.

Mas hoje entendo melhor o que significa ter esperança.

Não é acreditar que tudo vai acontecer como imaginámos.

Não é garantir que amanhã será fácil.

Não é negar o medo, a perda, a dúvida ou o cansaço.

Esperança, para mim, tornou-se algo mais profundo.

É acreditar que, mesmo quando não conseguimos ver o caminho inteiro, podemos procurar o próximo passo.

A esperança mudou comigo

A vida entretanto aconteceu.

Vieram mudanças.

Filhos que cresceram.

Novos ciclos.

Perdas.

Recomeços.

Planos que resultaram.

Outros que tiveram de mudar.

Dias de muita confiança.

E dias em que a esperança precisou de ser muito pequena.

Talvez por isso hoje tenha mais cuidado quando digo a alguém:

«Vai correr tudo bem.»

Porque não sabemos.

O que podemos dizer talvez seja:

«Não sei como tudo vai correr, mas não precisas de resolver tudo hoje.»

Ou:

«Vamos encontrar o próximo passo.»

Essa esperança parece-me mais verdadeira.

De cinco motivos para uma vida inteira

Quando escrevi aqueles cinco motivos em 2020, provavelmente não imaginava que voltaria a eles seis anos depois.

Mas gosto de perceber que a essência continua aqui.

Felicidade.

Dar.

Gentileza.

Alegria.

Sonhos.

Esperança.

Talvez tenha mudado sobretudo a forma como olho para cada uma destas palavras.

A felicidade deixou de ser uma meta permanente.

A gentileza tornou-se também gentileza comigo própria.

Os sonhos aprenderam a adaptar-se à vida.

E a esperança deixou de ser apenas a certeza de que as coisas melhorariam.

Passou a ser:

a vontade de continuar a procurar sentido, mesmo quando nem tudo faz sentido.

Talvez o Calendário SoLu@ tenha começado antes de ter este nome

Ao reler estes textos, percebo também que existe uma continuidade.

Desde 2020, fui escrevendo sobre muitos dos temas que hoje fazem parte do projecto SoLu@:

felicidade,
hábitos,
amor,
maternidade,
autocuidado,
gentileza,
presença,
sonhos,
optimismo,
esperança.

Na altura, inspirava-me nos calendários da Action for Happiness e transformava algumas das suas sugestões em reflexões pessoais.

Hoje existe o Calendário SoLu@.

Tem uma identidade própria.

Tem os seus temas mensais.

Os seus eixos diários.

As suas perguntas.

As suas práticas.

As suas histórias.

Mas gosto de reconhecer as raízes.

Porque aquilo que somos hoje também é feito das pequenas coisas que começámos muitos anos antes.

Outubro de 2020. Outubro de 2026.

Em Outubro de 2020 escrevia metas.

Queria melhorar hábitos.

Cuidar da alimentação.

Cuidar de mim.

Não deixar a vida passar ao lado.

E procurava razões para ter esperança.

Em Outubro de 2026, o Calendário SoLu@ dedica o mês ao:

Optimismo & Esperança

Talvez pareça coincidência.

Eu prefiro pensar que é caminho.

Há temas que regressam porque ainda temos alguma coisa para aprender com eles.

E talvez seja precisamente essa a beleza de escrever durante tantos anos.

Podemos voltar atrás.

Podemos conversar com quem éramos.

E podemos perceber:

eu não estou no mesmo lugar.

Mas aquela mulher continua a fazer parte de mim.

A pergunta que deixo para este Outubro

Em 2020 procurei cinco motivos para ter esperança.

Hoje quero deixar-te o mesmo desafio.

Mas sem obrigação de encontrares cinco.

Pode ser apenas um.

Pergunta-te:

Qual é, hoje, o meu motivo para ter esperança?

Talvez seja alguém que amas.

Uma possibilidade.

Um projecto.

Um filho.

Uma amizade.

Uma recuperação.

Uma pequena mudança.

Uma fé.

Um sonho que ainda guardas.

Ou simplesmente a certeza de que amanhã é outro dia.

Escreve-o.

Não para fingires que está tudo bem.

Mas para te lembrares de que, mesmo nos tempos difíceis, nem tudo está perdido.


Do Arquivo para o presente

Esta Sexta-feira Nostálgica nasceu da releitura de dois textos que escrevi em Outubro de 2020, no contexto dos calendários da Action for Happiness:

«Outubro otimista – Dia 1: Escreva as metas mais importantes para este mês»

e

“Outubro Otimista – Dia 2: Procure motivos para ter esperança mesmo em tempos difíceis“

Na altura escrevi:

1. Quero ser feliz e fazer os outros felizes.
2. Tudo o que damos, recebemos em dobro.
3. Ser gentil é grátis.
4. Um belo sorriso é contagioso.
5. Nunca desistir de conquistar os seus sonhos.

E terminei:

«Tenha esperança e fé em si, até ao fim.»

Seis anos depois, talvez escolha outras palavras.

Mas não quero perder aquela intenção.

Porque algumas ideias amadurecem.

Outras transformam-se.

E algumas continuam simplesmente a lembrar-nos quem sempre fomos.

Para levares contigo

SoLu@ — «Esperança não é acreditar que tudo vai acontecer como desejamos. É encontrar, mesmo no meio da incerteza, uma razão para continuar a dar o próximo passo.»

Se quiseres continuar esta reflexão

Talvez também gostes de ler:

Outubro no Calendário SoLu@ — Optimismo & Esperança
Um mês para aprender a cultivar esperança sem ignorar aquilo que custa.

Setembro não mudou tudo. Mas ensinou-me a recomeçar de outra maneira.
Porque nem todos os recomeços transformam tudo de uma vez — e talvez não seja preciso.

Cuidar de mim sem transformar o autocuidado em mais uma obrigação
Uma reflexão sobre cuidar de nós de uma forma mais realista, possível e gentil.

Sexta-feira Nostálgica — Amor de mãe: aquilo que muda quando os filhos crescem

Amor de mãe quando os filhos crescem e começam os seus próprios caminhos

Em 2006 escrevia sobre o amor de uma mãe que ainda estava a nascer. Vinte anos depois, volto a essas palavras quando os meus filhos começam a construir os seus próprios caminhos.

Há textos antigos que são quase fotografias.

Não mostram apenas aquilo que aconteceu.

Mostram quem éramos naquele momento.

O que sonhávamos.

Aquilo que ainda não sabíamos.

E, às vezes, quando voltamos a lê-los muitos anos depois, percebemos que a vida respondeu a perguntas que nem sequer sabíamos que estávamos a fazer.

Foi isso que senti quando voltei ao Arquivo SoLu@ e encontrei um pequeno texto chamado «Amor de Mãe», escrito a 13 de Abril de 2006.

Vinte anos.

É estranho escrever isto.

Porque naquele texto encontro uma mulher no início da maternidade, a tentar imaginar o amor que começava a crescer dentro dela.

Hoje leio-a com os olhos de quem já viveu tantas páginas dessa história.

E há uma frase que me ficou especialmente no coração:

«Vai ser ele próprio.»

Talvez eu ainda não soubesse, naquele momento, tudo aquilo que essas palavras iriam significar.

Eu queria que eles fossem eles próprios

É curioso.

Quando os filhos são pequenos, dizemos tantas vezes que queremos educá-los para serem autónomos.

Queremos que pensem.

Que saibam escolher.

Que tenham valores.

Que tenham coragem.

Que encontrem aquilo que os faz felizes.

Que não vivam apenas para corresponder às expectativas dos outros.

Queremos que tenham asas.

E passamos anos a ajudá-los a construí-las.

Ensinamos a andar.

Depois a atravessar a rua.

A estudar.

A resolver problemas.

A assumir responsabilidades.

A tomar decisões.

A levantarem-se quando alguma coisa corre mal.

Vamos soltando a mão aos poucos, quase sem perceber.

Até chegar o dia em que começam verdadeiramente a voar.

E descobrimos uma coisa para a qual talvez ninguém nos prepare:

desejar que os nossos filhos sejam autónomos e vê-los tornarem-se autónomos são experiências muito diferentes.

Durante muitos anos, amar significou fazer

Ser mãe foi, durante muito tempo, uma sucessão interminável de verbos.

Preparar.

Levar.

Buscar.

Organizar.

Lembrar.

Cuidar.

Perguntar.

Proteger.

Resolver.

Estar.

Havia mochilas, consultas, trabalhos da escola, actividades, horários, refeições, doenças, preocupações, conversas, zangas, abraços e uma infinidade de pequenos gestos que enchiam os dias.

Durante muitos anos fomos necessárias de uma forma muito concreta.

E depois a maternidade começa lentamente a mudar.

Eles já não precisam que façamos tudo.

Não contam tudo.

Tomam decisões sem nos consultar.

Criam rotinas que já não passam pela nossa agenda.

Entram na Universidade.

Vão para os seus alojamentos.

Criam amizades, relações, ideias, escolhas e uma vida que lhes pertence cada vez mais.

Como deve pertencer.

E nós continuamos aqui.

Mas precisamos de descobrir como estar.

O amor não diminui. Muda de lugar.

Talvez seja esta uma das coisas que estou a aprender nesta fase.

O amor de mãe não fica mais pequeno quando os filhos crescem.

Mas deixa de poder manifestar-se sempre da mesma maneira.

Há uma altura em que amar já não é fazer por eles.

É confiar que conseguem fazer.

Já não é evitar todas as quedas.

É saber que terão de cair algumas vezes e confiar que possuem recursos para se levantar.

Já não é escolher o caminho.

É permanecer suficientemente perto para que saibam que podem procurar-nos quando precisarem.

É aconselhar sem decidir.

Acompanhar sem controlar.

Perguntar sem invadir.

Estar disponível sem exigir que precisem de nós.

E talvez esta seja uma das formas mais difíceis do amor.

Porque proteger dá-nos a sensação de que estamos a fazer alguma coisa.

Confiar obriga-nos, muitas vezes, simplesmente a esperar.

«Vai ser ele próprio.»

Volto àquela frase escrita em 2006.

Vai ser ele próprio.

Na altura talvez fosse apenas um desejo.

Hoje percebo a dimensão dessas palavras.

Porque querer verdadeiramente que um filho seja ele próprio significa aceitar que nem sempre escolherá aquilo que escolheríamos.

Terá os seus sonhos.

As suas opiniões.

Os seus amigos.

Os seus erros.

Os seus sucessos.

Os seus medos.

Os seus amores.

Os seus caminhos.

Haverá coisas que compreenderemos.

Outras talvez não.

E amar também será conseguir respeitar aquilo que é deles.

Talvez seja isso o amor incondicional sobre o qual comecei a escrever há tantos anos.

Não um amor que prende.

Não um amor que exige que alguém seja aquilo que imaginámos.

Mas um amor capaz de dizer:

eu estou aqui — e quero que encontres a tua própria maneira de estar no mundo.

Deixar crescer também mexe connosco

Nesta semana do Calendário SoLu@ tenho pensado muito em Deixar Crescer.

Porque quando os filhos crescem, não são apenas eles que mudam.

A maternidade também muda.

E nós mudamos com ela.

Há orgulho.

Muito.

Mas também há saudade.

Há preocupação.

Há silêncio.

Há quartos que ficam vazios mais vezes.

Há horários que já não conhecemos tão bem.

Há histórias das quais recebemos apenas alguns capítulos.

E existe aquela estranha sensação de perceber que fizemos exactamente aquilo que queríamos fazer:

criámos filhos capazes de caminhar sem nós.

Mas o coração precisa de algum tempo para aprender aquilo que a razão já compreendeu.

Talvez seja por isso que deixar crescer também seja um recomeço.

Para eles.

E para nós.

E quem sou eu nesta nova fase?

Há ainda outra pergunta que começa a aparecer.

Quando durante tantos anos uma grande parte da nossa vida se organiza em redor dos filhos, o que acontece quando eles começam a precisar menos dessa organização?

Quem fica?

A mãe continua.

Claro.

Talvez continue sempre.

Mas há também uma mulher que precisa de voltar a encontrar espaço.

Os seus projectos.

O seu corpo.

A sua relação.

Os seus sonhos.

As coisas que gosta de fazer.

O silêncio.

O tempo.

Aquilo que deixou para depois.

Não acredito que esta fase nos peça para sermos menos mães.

Talvez nos peça para aprendermos a ser mães sem deixarmos de voltar a ser também um pouco mais de nós próprias.

Vinte anos depois

Se pudesse falar hoje com a mulher que escreveu «Amor de Mãe», em Abril de 2006, não lhe contaria tudo.

Deixava-a viver.

Deixava-a descobrir os primeiros passos.

Os abraços.

As noites difíceis.

As gargalhadas.

Os medos.

Os irmãos que ainda haviam de chegar.

As alegrias.

As dúvidas.

As adolescências.

Os desafios.

E todos aqueles dias absolutamente normais que, muitos anos depois, percebemos que eram extraordinários.

Mas talvez lhe dissesse uma coisa:

Esse amor de que estás a escrever vai mudar muitas vezes de forma.

Haverá dias em que será colo.

Outros em que será firmeza.

Às vezes será uma conversa.

Às vezes será silêncio.

Um dia será também distância.

Confiança.

Liberdade.

E vais descobrir que deixar alguém crescer não significa amar menos.

Significa acreditar que todo aquele amor serviu também para isto:

dar raízes suficientemente fortes para que um dia possam usar as asas.

Da memória para o presente

Este texto nasceu da releitura de «Amor de Mãe», escrito a 13 de Abril de 2006 e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

Vinte anos depois, regresso às palavras daquela mãe que ainda estava a começar e encontro nelas uma pergunta que continua viva:

Como amar profundamente sem impedir que aqueles que amamos encontrem o seu próprio caminho?

Talvez ainda esteja a aprender a resposta.

Mas hoje sei um pouco mais.

Amar também é confiar.

Amar também é dar espaço.

Amar também é deixar crescer.

A eles.

E, talvez agora, também a mim.


Para pensar

Se és mãe ou pai de filhos que já começaram a ganhar autonomia, talvez conheças esta sensação.

O que foi mais difícil para ti à medida que os teus filhos cresceram: deixar de fazer por eles ou aprender a confiar que conseguem fazer sozinhos?

Gostava muito de te ler.

Talvez haja outras mães e outros pais a atravessar exactamente esta fase e a precisar de saber que não são os únicos.


🌿 Continua este caminho

📖 No Arquivo SoLu@
→ Ler o texto original: «Amor de Mãe»

🌿 No SoLu@
→ Quando os filhos vão para a Universidade: um novo ciclo começa
→ Quando a vida dos nossos filhos muda, a nossa também muda

🗓️ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço
→ Semana 3 — Deixar Crescer

Porque o Arquivo guarda quem fui.

E o SoLu@ acompanha quem continuo a tornar-me.

Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Sexta-feira Nostálgica — Há dez anos eu já procurava uma vida mais feliz

Texto antigo do Arquivo SoLu@ sobre felicidade e crescimento pessoal, revisitado dez anos depois.

Dez anos depois, continuo a procurar uma vida com sentido. Mas talvez hoje saiba que não existe um projecto perfeito para ser feliz.

Há dez anos escrevi um texto chamado “Projecto de Vida para ser Feliz!”.

Naquela altura procurava perceber o que podia mudar para construir uma vida mais feliz. Dez anos depois, percebo que continuo a procurar felicidade — mas talvez hoje procure ainda mais uma vida com sentido.

Era Maio de 2016.

Voltei a encontrá-lo agora no Arquivo SoLu@ e fiquei algum tempo a olhar para aquelas palavras.

Não apenas para aquilo que escrevi.

Mas para a mulher que as escreveu.

Naquele texto falava de auto-análise, de família, de culpa, de falta de paciência, de decisões e da vontade de viver melhor.

E, ao relê-lo, aconteceu uma coisa curiosa:

reconheci-me.

Há perguntas que continuam a ser minhas.

Mas as respostas já não são exactamente as mesmas.

Talvez seja isso que dez anos fazem connosco.

Não apagam aquilo que fomos.

Ensinam-nos a olhar de outra maneira.


Eu já procurava aquilo que verdadeiramente importava

Quando escrevi aquele “Projecto de Vida”, estava a tentar perceber o que me fazia feliz.

A família.

Os amigos.

Os momentos vividos em conjunto.

O sentimento de fazer alguma coisa útil.

Uma vida que tivesse prazer, satisfação e sentido.

Dez anos depois, acho bonito perceber que o essencial não mudou assim tanto.

Continuo a acreditar no valor da família.

Continuo a acreditar na importância das relações.

Continuo a querer viver de uma forma que faça sentido e não apenas passar pelos dias a cumprir aquilo que é preciso fazer.

Talvez tenha mudado, sobretudo, a forma como procuro essa felicidade.

Na altura parecia existir em mim uma vontade de organizar melhor a vida, corrigir comportamentos, tomar decisões e conseguir mantê-las.

Como se, com as escolhas certas e alguma disciplina, fosse possível construir uma espécie de projecto para ser feliz.

Hoje já não tenho tanta certeza de que a felicidade aceite projectos tão bem organizados.


Durante muito tempo achei que precisava de me corrigir

Há uma parte daquele texto antigo que me toca particularmente.

A culpa.

A falta de paciência.

A forma como reagia com a minha família, com o meu marido, com os meus filhos, com o trabalho e comigo própria.

É fácil olhar para trás e pensar:

Eu devia ter sido mais paciente.

Devia ter feito diferente.

Devia ter percebido mais cedo.

Mas hoje há uma pergunta que acrescentaria àquelas que fazia em 2016:

Será que a culpa alguma vez me ajudou verdadeiramente a ser melhor?

Não estou a falar de ignorar os nossos erros.

Precisamos de reconhecer quando magoamos alguém.

Precisamos de aprender.

Pedir desculpa.

Mudar aquilo que conseguimos mudar.

Mas há uma diferença enorme entre assumir responsabilidade e viver permanentemente a castigar-nos pelo que não fizemos bem.

E talvez eu tenha demorado algum tempo a aprender essa diferença.

Hoje sei que crescer não é passar a vida a apontar aquilo que está errado em nós.

É conseguirmos olhar para nós com verdade suficiente para mudar e com amor suficiente para não nos destruirmos nesse processo.


A felicidade deixou de ser um destino perfeito

Se pudesse sentar-me hoje ao lado da mulher que escreveu aquele texto em 2016, talvez lhe dissesse:

Não precisas de descobrir a fórmula.

Não precisas de acertar sempre.

Não precisas de conseguir manter todas as resoluções.

Haverá dias em que serás paciente.

E outros em que estarás cansada.

Haverá decisões que conseguirás manter durante anos.

E outras que abandonarás passado pouco tempo.

Haverá momentos muito felizes.

E haverá outros que não conseguirás transformar em felicidade, por muito que tentes.

E está tudo dentro da mesma vida.

Porque talvez viver uma vida feliz não signifique sentirmo-nos felizes o tempo inteiro.

Talvez signifique construir uma vida onde conseguimos reconhecer aquilo que importa, cuidar das relações, atravessar os dias difíceis e continuar a encontrar razões para agradecer, amar, acreditar e recomeçar.


Há coisas que dez anos não mudaram

Apesar de tudo o que mudou, há alguma coisa muito bonita em perceber que aquela mulher e esta ainda procuram a mesma coisa.

Uma vida com sentido.

Talvez tenha sido sempre isso.

Mesmo quando lhe chamava felicidade.

Mesmo quando fazia listas.

Mesmo quando criava resoluções.

Mesmo quando pensava que precisava de melhorar tantas coisas em mim.

Eu estava à procura de uma maneira mais consciente de viver.

Hoje talvez lhe chame outra coisa.

Presença.

Equilíbrio.

Autocuidado.

Amor consciente.

Aceitação.

Gratidão.

Ou simplesmente:

aprender a amar e a viver.


Se escrevesse hoje um “Projecto de Vida para ser Feliz”…

Provavelmente já não lhe chamaria projecto.

Talvez escrevesse apenas algumas intenções.

Quero estar verdadeiramente presente quando estou com quem amo.

Quero cuidar dos outros sem desaparecer de mim.

Quero reconhecer os meus erros sem transformar cada erro numa sentença sobre quem sou.

Quero aprender a descansar sem culpa.

Quero proteger aquilo que me faz bem.

Quero continuar a crescer sem viver permanentemente insatisfeita comigo.

Quero ter paciência — e saber pedir desculpa quando não a tiver.

Quero aceitar que nem todos os dias serão felizes.

E quero aprender a descobrir vida, amor e sentido também nesses dias.

Porque hoje sei uma coisa que talvez não soubesse escrever daquela maneira há dez anos:

uma vida feliz não se constrói quando finalmente fazemos tudo bem.

Constrói-se enquanto vivemos.

Enquanto erramos.

Enquanto aprendemos.

Enquanto amamos.

Enquanto perdemos.

Enquanto mudamos.

Enquanto voltamos.


Setembro trouxe-me este texto na altura certa

Este reencontro também faz sentido precisamente agora.

Setembro, no Calendário SoLu@, é o mês de Autocuidado / Recomeço.

E esta semana estamos a falar de uma coisa muito concreta:

cuidar de mim no meio das rotinas.

Talvez esta seja outra diferença entre 2016 e 2026.

Já não quero criar um projecto enorme para mudar toda a vida.

Quero perceber onde posso viver um pouco melhor dentro da vida que já tenho.

Onde posso voltar a incluir-me.

Onde preciso de abrandar.

Onde posso ser mais paciente.

Onde preciso de deixar de exigir tanto de mim.

Onde há alguma coisa boa que merece continuar.

O autocuidado também pode começar aqui.

Não numa vida nova.

Mas numa forma diferente de habitar a nossa.


Do Arquivo para o presente

É por textos como este que quis preservar o Arquivo SoLu@.

Não quero guardar o passado porque acredito hoje exactamente em tudo aquilo que escrevi.

Quero guardá-lo porque aquelas palavras mostram o caminho.

Quem eu era.

Aquilo que procurava.

As perguntas que fazia.

E aquilo que a vida entretanto me ensinou.

O Arquivo SoLu@ é memória viva.

E o SoLu@ de hoje é a continuação dessa história.

Por isso, se quiseres conhecer o texto que deu origem a esta reflexão:

→ No Arquivo SoLu@: “Projecto de Vida para ser Feliz!” — Maio de 2016

E, no presente:

→ Calendário SoLu@ — Setembro: Autocuidado / Recomeço

→ Semana 2 — Cuidar de mim no meio das rotinas

→ Como fazer um recomeço na tua vida? — Um texto do passado. Um olhar de hoje.


Dez anos depois…

Continuo a querer uma vida feliz.

Claro que sim.

Mas talvez já não procure tanto ser feliz como procurava.

Procuro viver com verdade.

Amar melhor.

Cuidar sem me esquecer de mim.

Estar presente.

Aprender.

Agradecer.

Aceitar que algumas coisas não dependem de mim.

E encontrar sentido mesmo quando a vida não acontece exactamente como eu gostaria.

Talvez a felicidade nunca tenha sido um projecto que se termina.

Talvez seja uma construção imperfeita feita de milhares de dias comuns.

E talvez seja precisamente isso que hoje quero continuar a aprender:

não como criar uma vida perfeita para ser feliz, mas como estar verdadeiramente presente na vida que tenho.

E tu?

Se encontrasses hoje uma lista de decisões que escreveste há dez anos, o que achas que teria mudado?

Ainda procuras a mesma felicidade — ou a vida também te ensinou a procurá-la de outra maneira?

Conta-me nos comentários.

Talvez, quando olhamos para trás, percebamos que crescemos muito mais do que imaginávamos.

Sexta-feira Nostálgica — Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Sexta-feira Nostálgica — Como fazer um recomeço na tua vida?

recomeçar não é apagar o caminho anterior — é continuar de outra maneira

Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Há textos antigos que reencontramos e parecem pertencer a outra pessoa.

E há outros que, apesar dos anos, continuam a fazer-nos perguntas.

“Como fazer um recomeço na tua vida?” é um desses textos.

Quando o escrevi, acreditava — como continuo a acreditar — que há momentos em que precisamos de parar, olhar para a nossa vida e perceber que alguma coisa tem de mudar.

Mas hoje há uma palavra nesse título que leio de maneira diferente:

recomeço.

Porque talvez recomeçar não seja apagar tudo o que ficou para trás.

Talvez não seja começar do zero.

E certamente não significa termos finalmente descoberto a fórmula para fazer tudo bem.

Hoje, em Setembro de 2026, depois de escrever “Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.”, percebo o recomeço de outra forma.

Mais pequena.

Mais possível.

Mais verdadeira.

Recomeçar, para mim, é voltar a escolher o caminho, mesmo levando comigo tudo aquilo que ainda não está resolvido.


1. O texto que reencontrei

“Como fazer um recomeço na tua vida?”

Só o título parece conter uma promessa.

A possibilidade de mudar.

De virar uma página.

De deixar alguma coisa para trás e começar novamente.

Talvez seja por isso que a ideia de recomeço nos atrai tanto.

Gostamos da ideia de uma página em branco.

De uma segunda-feira.

De Setembro.

De Janeiro.

De um aniversário.

De uma data que nos permita dizer:

“Agora vai ser diferente.”

Também eu já fiz isso muitas vezes.

Criei planos.

Defini objectivos.

Prometi a mim própria que iria mudar hábitos, organizar melhor os dias, cuidar mais de mim, fazer exercício, alimentar-me melhor, escrever mais, parar mais, preocupar-me menos.

Algumas coisas consegui.

Outras não.

Algumas comecei e abandonei.

Outras ficaram pelo caminho.

E houve ainda aquelas que só consegui muito mais tarde do que tinha imaginado.

Talvez seja exactamente por isso que hoje consigo regressar a este texto sem sentir que tenho de provar que aprendi finalmente “como se faz um recomeço”.

Não sei se existe uma fórmula.

Sei apenas que já recomecei muitas vezes.

E que cada recomeço me ensinou alguma coisa.


2. Quem eu era quando o escrevi

Quando escrevi este texto, olhava para o recomeço sobretudo como uma oportunidade de mudança.

Havia qualquer coisa bonita nisso.

A esperança de podermos escolher outro caminho.

A convicção de que o passado não tinha de determinar tudo aquilo que ainda viria.

Continuo a acreditar profundamente nisso.

Mas penso que, nessa altura, ainda havia em mim uma certa ideia de que recomeçar significava fazer diferente — e fazer melhor.

Como se fosse possível estabelecer uma fronteira:

antes e depois.

Antes, aquilo que não resultou.

Depois, a nova vida.

Antes, os erros.

Depois, as decisões certas.

Antes, a mulher que não conseguiu.

Depois, a mulher que finalmente conseguiria.

Hoje sorrio um pouco perante essa ideia.

Não porque estivesse errada.

Mas porque a vida me ensinou que não existem fronteiras assim tão perfeitas.

Nós não acordamos numa manhã completamente diferentes.

Não deixamos as inseguranças todas para trás.

Não abandonamos de uma só vez os hábitos que nos fazem mal.

Não passamos a cuidar de nós todos os dias só porque decidimos que chegou o momento.

Levamos connosco muitas coisas.

As boas e as difíceis.

As aprendizagens e os medos.

As conquistas e as fragilidades.

Recomeçamos com a pessoa que já somos.

E talvez seja precisamente isso que torna um recomeço verdadeiro.


3. O que ainda reconheço neste texto

Apesar de tudo o que mudou, há uma coisa que continuo a reconhecer profundamente:

a esperança.

Acredito em recomeços.

Talvez até mais hoje do que acreditava quando escrevi aquelas palavras.

Acredito que podemos mudar de opinião.

Mudar de hábitos.

Mudar prioridades.

Voltar a estudar.

Voltar a amar.

Voltar a escrever.

Voltar a mexer o corpo.

Voltar a cuidar da saúde.

Voltar a sonhar.

Voltar a tentar uma coisa que não conseguimos da primeira vez.

E acredito, sobretudo, que nunca precisamos de esperar por uma data especial para o fazer.

Às vezes o recomeço acontece numa segunda-feira.

Outras vezes acontece numa quinta-feira qualquer, depois do jantar, quando percebemos simplesmente:

“Eu não quero continuar assim.”

Há recomeços que toda a gente vê.

Uma mudança de casa.

Um novo trabalho.

Uma separação.

Um casamento.

Um nascimento.

Uma viagem.

Um projecto.

E há outros que ninguém vê.

Decidir voltar a cuidar de nós.

Parar de falar connosco com tanta dureza.

Aprender a dizer não.

Perdoar alguma coisa.

Aceitar outra.

Voltar a caminhar.

Dormir melhor.

Pedir ajuda.

Escolher paz onde antes escolhíamos conflito.

Esses recomeços quase não fazem barulho.

Mas podem mudar uma vida inteira.


4. O que hoje vejo de maneira diferente

Há poucos dias escrevi no SoLu@:

“Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.”

Esse texto nasceu do balanço dos 30 dias para me sentir melhor no meu corpo.

Eu tinha feito um plano.

Tinha ideias.

Tinha artigos pensados.

Tinha intenções.

E a vida não aconteceu exactamente como estava no calendário.

Não fiz tudo.

Durante muito tempo, talvez tivesse olhado para isso começando pela parte que ficou por fazer.

Hoje tentei olhar primeiro para aquilo que aconteceu.

Voltei ao movimento.

Voltei ao ginásio.

Voltei a prestar atenção ao meu corpo.

Comecei novamente a pensar na importância de ganhar força, de cuidar da alimentação sem viver em culpa e de fazer escolhas que possam contribuir para a qualidade da minha vida no futuro.

Não cumpri o plano todo.

Mas alguma coisa mudou.

E foi aí que percebi uma coisa que se liga profundamente a este texto antigo:

um recomeço não precisa de ser perfeito para ser um recomeço.

Talvez seja esta uma das maiores diferenças entre a mulher que escreveu “Como fazer um recomeço na tua vida?” e a mulher que o relê em 2026.

Antes, eu procurava talvez uma maneira de começar outra vez.

Hoje sei que, muitas vezes, não precisamos de começar outra vez.

Precisamos de continuar.

Continuar de maneira diferente.

Ajustar.

Parar durante algum tempo.

Voltar.

Fazer menos.

Escolher melhor.

Perdoarmo-nos pelo caminho que não cumprimos exactamente como imaginávamos.

Porque começar do zero é uma ilusão.

Nunca começamos do zero.

Começamos com tudo aquilo que vivemos.

Com as quedas.

Com as escolhas erradas.

Com aquilo que funcionou.

Com aquilo que descobrimos sobre nós.

Com as pessoas que amámos.

Com as perdas.

Com as cicatrizes.

Com a experiência.

Começamos exactamente onde estamos.


5. O que esta memória me ensina agora

Setembro chegou ao Calendário SoLu@ com duas palavras:

Autocuidado / Recomeço.

E não poderia haver melhor momento para reencontrar este texto.

Porque Setembro tem essa sensação de início.

As férias terminam.

As escolas recomeçam.

As rotinas reorganizam-se.

Os dias começam lentamente a mudar.

E parece existir no ar aquele convite para voltar a pôr a vida no lugar.

Mas este ano não quero entrar em Setembro com uma lista interminável daquilo que preciso de melhorar.

Quero entrar com outra intenção:

perceber o que vale a pena continuar.

Porque recomeçar também pode ser isto.

Não lançar fora Agosto.

Não considerar os planos incompletos um fracasso.

Não olhar para tudo o que ficou por fazer.

Mas perguntar:

O que aprendi que quero levar comigo?

Quero continuar a mexer o meu corpo.

Quero continuar a cuidar de mim sem transformar esse cuidado numa obrigação pesada.

Quero continuar a aprender que descanso não é preguiça.

Quero continuar a aceitar que há semanas melhores do que outras.

Quero continuar a fazer planos — porque gosto deles e ajudam-me — sem esquecer aquilo que escrevo tantas vezes:

o calendário é um guia, não uma prisão.

E quero continuar a compreender que uma vida com sentido não se constrói apenas nas grandes decisões.

Constrói-se naquilo que repetimos.

No pequeno gesto.

Na escolha de hoje.

No “vou tentar outra vez”.

Talvez um recomeço verdadeiro comece exactamente aí.


6. E tu, o que precisas de recomeçar?

Não vou perguntar:

“Se pudesses mudar a tua vida, o que mudarias?”

É uma pergunta demasiado grande.

Pode até assustar.

Quero perguntar-te outra coisa:

Se pudesses recomeçar apenas uma coisa neste Setembro, qual seria?

Talvez cuidar mais de ti.

Talvez dormir.

Talvez mexer o corpo.

Talvez voltar a ler.

Talvez terminar alguma coisa.

Talvez começar aquilo que tens adiado.

Talvez recuperar uma amizade.

Talvez pôr um limite.

Talvez organizar as tuas finanças.

Talvez procurar ajuda.

Talvez voltar a escrever.

Talvez simplesmente criar dez minutos por dia em que não tens de cuidar de ninguém além de ti.

Escolhe uma coisa.

Não tentes reconstruir a vida inteira numa segunda-feira.

Escolhe um pequeno começo.

E depois pergunta:

Qual é o gesto mais pequeno que posso fazer hoje nessa direcção?

Pode parecer pouco.

Mas a vida também se transforma através das coisas pequenas que decidimos repetir.


7. Da memória para o presente

É talvez esta a parte de que mais gosto nesta Sexta-feira Nostálgica.

Poder olhar para uma pergunta antiga sem sentir que preciso de lhe dar exactamente a mesma resposta.

O texto fica.

A memória fica.

A mulher que o escreveu também fica.

Mas eu continuei a viver.

E viver mudou algumas das minhas respostas.

O Arquivo SoLu@ guarda aquilo que escrevi e aquilo que fui pensando ao longo dos anos.

O SoLu@ de hoje permite-me regressar a essas palavras e perguntar:

Ainda acredito nisto?

Às vezes acredito exactamente da mesma maneira.

Outras vezes acrescentaria alguma coisa.

E, de vez em quando, diria à mulher que escreveu aquelas palavras:

“Espera. A vida ainda te vai ensinar outra forma de olhar para isto.”

Hoje, se tivesse de responder novamente à pergunta:

Como fazer um recomeço na tua vida?

talvez já não escrevesse uma lista muito longa.

Diria apenas:

Começa onde estás.

Não onde gostarias de estar.

Não onde achas que já devias ter chegado.

Não na versão perfeita de ti que imaginaste.

Aqui.

Com aquilo que conseguiste.

Com aquilo que não conseguiste.

Com o que aprendeste.

Com o que ainda dói.

Com o que ainda queres mudar.

E dá um passo.

Só um.

Porque, como escrevi há poucos dias:

Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

Talvez seja esta a resposta que o meu texto antigo ainda não conhecia.

Não temos de fazer tudo para recomeçar.

Não temos sequer de ter tudo resolvido.

Às vezes basta voltarmos a escolher-nos.

E amanhã escolhermos outra vez.


🌿 Da memória para o presente

📖 No Arquivo SoLu@:
Como fazer um recomeço na tua vida?

🌿 No SoLu@:
Não fiz tudo. Mas voltei a cuidar de mim.

🗓️ Calendário SoLu@ — Setembro – Autocuidado / Recomeço

Este mês não te convida a mudares tudo.

Convida-te a escolher uma coisa que merece ser cuidada — e a começar por aí.

Porque o calendário é um guia, não uma prisão.

E porque talvez recomeçar não seja mudar a vida toda.

Talvez seja apenas voltar a escolher-nos, um pouco de cada vez.

Sexta-feira Nostálgica — Um texto do passado. Um olhar de hoje.

Com carinho,
SoLu@

Quando eu complicava o que o coração já sabia

Quando eu complicava
o que o coração já sabia

Há seis anos, o meu corpo já me pedia aquilo que hoje procuro escolher conscientemente: menos peso, menos exigência, mais espaço para viver.

Há textos antigos que, quando os volto a ler, não me parecem antigos.

Mudaram os anos.
Mudaram algumas circunstâncias.
Mudei eu.

Mas há palavras que continuam a reconhecer-me.

Nesta Sexta-feira Nostálgica, voltei a um texto que escrevi a 13 de Março de 2020: “Help/Ajuda — Quando o seu corpo lhe diz: Estou a chegar ao limite?”

Começava assim:

“Já há algum tempo que tenho sinais de que estou a chegar ao limite das minhas forças.”

E talvez esta seja uma daquelas frases que só compreendemos verdadeiramente quando passam alguns anos.

A mulher que estava cansada de aguentar

Quando releio aquele texto, encontro uma mulher consciente de que estava cansada.

Falava de sobrecarga, de exigências, de dar demasiado, de não conseguir descansar verdadeiramente. Falava também de perfeccionismo, da dificuldade em delegar e daquela sensação de ter a cabeça sempre a funcionar depressa demais.

Hoje consigo ver algo que talvez, naquela altura, ainda não soubesse nomear tão claramente:

eu estava a tentar sustentar demasiadas coisas ao mesmo tempo.

E quando fazemos isso durante muito tempo, acabamos por acreditar que o problema está em não conseguirmos fazer mais.

Talvez precisemos de organizar melhor.

Ser mais eficientes.

Ter mais disciplina.

Encontrar outra solução.

Pensar mais um bocadinho.

Fazer mais um esforço.

Só mais este dia.

Só mais esta tarefa.

Só mais esta responsabilidade.

E vamos complicando.

Até que o corpo, o coração ou a própria vida nos obrigam a fazer a pergunta que evitámos durante demasiado tempo:

E se eu não precisar de fazer mais?
E se precisar simplesmente de carregar menos?

O coração talvez já soubesse

Há uma coisa que hoje reconheço naquela mulher de 2020:

ela já sabia.

Talvez ainda não soubesse como mudar.

Talvez ainda procurasse respostas demasiado complicadas.

Mas sabia que não podia continuar da mesma maneira.

O coração costuma perceber algumas coisas antes de conseguirmos transformá-las em decisões.

Sabe quando estamos cansadas.

Sabe quando uma relação, uma rotina ou uma responsabilidade deixou de nos fazer bem.

Sabe quando estamos a dizer demasiados “sim” enquanto alguma coisa dentro de nós pede um “não”.

Sabe quando precisamos de descansar.

Sabe quando é tempo de pedir ajuda.

Sabe quando aquilo que estamos a tentar controlar já não está nas nossas mãos.

O difícil nem sempre é saber.

Às vezes, o difícil é confiar no que já sabemos.

Durante muito tempo, simplificar pareceu-me fazer menos

Hoje penso de outra forma.

Simplificar não é desistir.

Não é abandonar responsabilidades.

Não é deixar de cuidar.

Não é tornar a vida vazia ou indiferente.

Simplificar é retirar o ruído para conseguir perceber aquilo que verdadeiramente importa.

É escolher melhor onde coloco o meu tempo.

É perceber que nem tudo precisa de uma resposta imediata.

É deixar algumas coisas por fazer.

É delegar.

É dizer “não consigo agora”.

É aceitar que outra pessoa pode fazer de maneira diferente da minha.

É parar antes de chegar ao limite.

É não transformar cada problema numa missão pessoal para resolver.

É perceber que descansar não precisa de ser merecido.

E, sobretudo, é deixar de confundir amor, responsabilidade e dedicação com a obrigação de carregar tudo.

Hoje já não quero chegar ao limite para me escutar

Talvez esta seja uma das maiores diferenças entre a mulher que escreveu aquele texto e a mulher que o lê hoje.

Não quero precisar de chegar ao limite para perceber que estou cansada.

Não quero esperar que o corpo grite aquilo que eu poderia ter escutado enquanto ainda era apenas um murmúrio.

Quero reparar antes.

Perguntar-me:

O que está a pesar demasiado?

O que estou a fazer apenas porque acho que tenho de fazer?

O que posso simplificar?

O que posso deixar de controlar?

Onde preciso de pedir ajuda?

O que é realmente essencial neste momento da minha vida?

Nem sempre conseguirei fazê-lo.

Continuarei a ter dias demasiado cheios.

Continuarei a preocupar-me.

Continuarei a querer resolver coisas para aqueles que amo.

Continuarei, provavelmente, a complicar algumas situações que poderiam ser mais simples.

Faz parte de mim.

Mas agora reconheço mais depressa o caminho de regresso.

Uma aprendizagem que os anos me deram

Ao reler o texto de 2020 há também algo que quero deixar registado.

Hoje não escreveria algumas das recomendações práticas sobre saúde exactamente da mesma forma.

Também isso é crescer.

O Arquivo SoLu@ não existe para fingir que eu sempre soube aquilo que sei hoje.

Existe precisamente para guardar o caminho.

As palavras certas.

As dúvidas.

Os erros.

As tentativas.

Aquilo em que acreditava.

Aquilo que fui aprendendo.

E aquilo que entretanto escolheria explicar de outra maneira.

Porque crescer não é apagar versões antigas de nós.

É conseguir olhá-las com ternura e dizer:

“Naquele momento, fizeste o melhor que sabias.”

Talvez simplificar comece aqui

Agosto tem-me feito pensar muito sobre simplicidade.

Não naquela simplicidade bonita das fotografias perfeitas, das casas impecáveis ou das vidas sem problemas.

Falo de outra.

Da simplicidade possível.

Aquela que começa dentro de nós.

Escolher uma coisa de cada vez.

Não resolver hoje aquilo que só poderá ser resolvido amanhã.

Deixar de antecipar todos os cenários.

Pedir ajuda.

Descansar.

Estar verdadeiramente com alguém sem pensar na tarefa seguinte.

Fazer espaço.

Dizer não.

Dizer sim apenas ao que merece verdadeiramente esse sim.

E talvez perceber que uma vida mais simples não é necessariamente uma vida com menos responsabilidades.

É uma vida onde aprendemos a distinguir melhor aquilo que merece o nosso peso daquilo que podemos finalmente pousar.

Para esta Sexta-feira Nostálgica

Hoje não quero olhar para aquela mulher de 2020 e dizer-lhe:

“Devias ter feito diferente.”

Quero dizer-lhe:

“Tu já estavas a perceber.”

Estavas cansada porque tinhas carregado demasiado.

Estavas a procurar respostas porque querias continuar.

E talvez ainda não soubesses que uma das respostas seria aprender, devagar, a não te abandonares enquanto cuidavas de tudo e de todos.

Se pudesse sentar-me hoje ao lado dela, talvez não lhe desse uma lista de coisas para fazer.

Talvez lhe dissesse apenas:

Não tens de resolver tudo.

Não tens de carregar tudo.

Nem tudo depende de ti.

Descansa antes de chegares ao limite.

E escuta-te.

Porque, muitas vezes,

aquilo que passamos anos a tentar compreender, o coração já sabia.


Pequena reflexão para levares contigo

Há alguma coisa na tua vida que estás a tornar mais complicada do que precisava de ser?

Uma decisão?

Uma obrigação?

Uma expectativa?

Uma preocupação?

Uma tentativa de controlar aquilo que não depende de ti?

Não precisas de mudar tudo hoje.

Escolhe apenas uma coisa.

E pergunta:

Como poderia tornar isto um pouco mais simples?

Às vezes, a mudança começa aí.

Não numa grande decisão.

Mas num peso que finalmente decidimos pousar.


Do Arquivo para o presente

Este texto nasceu da releitura de “Help/Ajuda — Quando o seu corpo lhe diz: Estou a chegar ao limite?”, publicado originalmente em Março de 2020 no antigo universo dos Blogs SAPO e hoje preservado no Arquivo SoLu@.

O Arquivo guarda quem fui.

O SoLu@ acompanha quem estou a tornar-me.

E entre uma mulher e a outra há anos de vida, amor, maternidade, erros, aprendizagens, perdas, recomeços e uma vontade que permanece:

aprender a amar e a viver com mais consciência — e, talvez, com um pouco menos de peso.

Com carinho,
SoLu@

Sugestão de Leitura:

  • Ler o texto original no Arquivo SoLu@
  • Calendário SoLu@ — Agosto: Altruísmo / Simplicidade
  • Agosto Simples — Semana 1: Descomplicar
  • Como descomplicar a vida sem transformar a simplicidade em mais uma obrigação
  • Começa Aqui

Sexta-feira Nostálgica — A mulher que eu era, o corpo que me doía e a ajuda que eu ainda não sabia pedir

Uma ponte entre um texto antigo do Arquivo SoLu@ sobre emagrecer, autoestima e maternidade, e o presente: cuidar do corpo com mais ternura, resiliência e ajuda.

Há textos antigos que parecem pequenos. Mas quando voltamos a eles, percebemos que carregavam muito mais do que poucas linhas.

Em 2009 escrevi um texto simples chamado “Emagrecer …”.

Na altura, eu falava do peso que tinha ganho com duas gravidezes, da vontade de fazer dieta, de voltar ao exercício físico e, sobretudo, daquela frase que tantas mulheres conhecem por dentro:

“Preciso gostar de mim… e não gosto quando olho para o espelho…”

Hoje, ao reler estas palavras no Arquivo SoLu@, não vejo apenas uma mulher que queria emagrecer.

Vejo uma mulher cansada.
Vejo uma mãe que tinha dado muito do seu corpo à vida.
Vejo alguém que se olhava com exigência quando talvez precisasse era de colo, descanso e ajuda.

E isso toca-me de uma forma diferente agora.

A mulher que eu era

A mulher que escreveu aquele texto queria voltar a gostar de si.

Mas talvez, naquele tempo, eu ainda não soubesse que gostar de mim não podia depender apenas do espelho, da balança ou da roupa que servia melhor.

Talvez eu ainda não soubesse dizer:

“Estou cansada.”
“Preciso de ajuda.”
“Não me reconheço neste corpo.”
“Tenho saudades de mim.”
“Preciso de cuidar de mim sem me castigar.”

Na altura, o caminho parecia passar por dieta e exercício. E, sim, cuidar do corpo é importante. Mexer o corpo faz bem. Comer melhor faz bem. Recuperar energia faz bem.

Mas hoje eu acrescentaria uma coisa essencial:

não precisava de me tratar como um problema para merecer cuidado.

A mulher que sou hoje

Hoje olho para esse texto com ternura.

Não com vergonha.
Não com crítica.
Não com vontade de apagar.

Olho para ele como quem encontra uma versão antiga de si própria a tentar sobreviver como sabia.

A mulher que sou hoje também quer sentir-se melhor no corpo. Também quer leveza. Também quer saúde, energia, movimento e descanso.

Mas já não quero cuidar de mim a partir da rejeição.

Quero cuidar de mim a partir do respeito.

Quero caminhar porque o meu corpo merece movimento, não porque precisa de punição.
Quero beber água porque mereço vitalidade, não porque tenho de compensar excessos.
Quero descansar porque o descanso também cura.
Quero pedir ajuda quando sozinha começo a pesar demais por dentro.

Dia 3 do Calendário Resiliente: pedir ajuda também é força

Esta Sexta-feira Nostálgica cruza-se com o nosso Calendário SoLu@ de Julho — Resiliência / Descanso e com a rubrica Especial Verão com Leveza.

O convite do Dia 3 é simples, mas profundo:

Hoje, pede ajuda quando precisares.

E talvez seja aqui que este texto antigo ganha novo sentido.

Porque muitas vezes olhamos para o corpo como se ele fosse o problema, quando, na verdade, ele está apenas a mostrar-nos uma história: cansaço acumulado, noites mal dormidas, maternidade intensa, emoções guardadas, falta de tempo, falta de apoio, falta de espaço para existir para além dos outros.

Pedir ajuda pode ser falar com alguém.
Pode ser marcar uma consulta.
Pode ser pedir ao marido, aos filhos ou à família que dividam tarefas.
Pode ser dizer: “hoje não consigo tudo.”
Pode ser procurar acompanhamento nutricional, psicológico ou médico.
Pode ser aceitar que cuidar de nós não precisa de ser um projecto solitário.

O corpo não é inimigo

Hoje, se pudesse responder à mulher que escreveu aquele texto em 2009, dir-lhe-ia:

“Eu sei que estás a tentar voltar a gostar de ti.
Mas começa por não te abandonares.
Não esperes emagrecer para merecer ternura.
Não esperes estar melhor para pedir ajuda.
Não esperes voltar ao corpo de antes para reconheceres o valor do corpo que te trouxe até aqui.”

Porque o corpo muda.
A maternidade muda-nos.
A idade muda-nos.
A vida muda-nos.

Mas a forma como falamos connosco pode mudar também.

E talvez seja essa uma das maiores formas de resiliência: deixar de nos olhar apenas com cobrança e começar a olhar-nos com verdade, cuidado e presença.

Ponte entre o passado e o presente

O Arquivo SoLu@ existe também para isto: para nos lembrar de onde viemos.

Nem todos os textos antigos são perfeitos.
Nem todos têm a consciência que temos hoje.
Nem todos dizem tudo da forma como diríamos agora.

Mas são memória viva.

São fotografias emocionais de uma fase.
São pedaços da mulher que fui.
E, quando os releio com amor, percebo melhor a mulher que estou a tornar-me.

Hoje, no presente, já não quero um verão vivido contra mim.

Quero um verão com mais leveza, sim.
Mas uma leveza que não nasça da culpa.
Uma leveza que nasça do cuidado.
Do movimento possível.
Da água.
Do descanso.
Da música.
Da verdade.
E da coragem de pedir ajuda quando precisar.

Porque pedir ajuda não é falhar.

É lembrar-me de que eu também mereço ser cuidada.

Pergunta para hoje

Que ajuda posso pedir hoje para não carregar tudo sozinha?

Pode ser uma ajuda pequena.
Pode ser uma conversa.
Pode ser uma tarefa dividida.
Pode ser um compromisso comigo.

Mas que seja um gesto real.

Um gesto de mulher que já não quer tratar o próprio corpo como inimigo.

Um gesto de quem está a aprender a viver o verão — e a vida — com mais ternura.

✨ SoLu@ — resiliência também é aprender a cuidar de mim sem me magoar.

Também podes ler:

  • Arquivo SoLu@ https://arquivo.solua.pt/emagrecer/
  • Calendário SoLu@ Julho: Resiliência / Descanso
    Especial Verão com Leveza https://solua.pt/calendario/30-dias-para-me-sentir-melhor-no-meu-corpo/
  • Não preciso de um corpo perfeito para viver o verão
  • Porque a autoestima não cabe numa balança
  • Como recomeçar com calma quando a vida parece pedir demais
  • Dançar também conta — o movimento que alegra sem exigir perfeição
  • Semana 0 de Julho: Recomeçar com calma
  • Ser Melhor — crescer com mais verdade, cuidado e presença
  • Ser Mãe — quando o corpo também conta a história da maternidade
  • Começa Aqui — encontra o teu caminho dentro do SoLu@